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Universidade publica angolana quer cobrar mensalidades

A Universidade Agostinho Neto (UAN) vai apresentar à Assembleia Nacional uma proposta para regular a cobrança de propinas aos estudantes das unidades orgânicas como forma de garantir melhor qualidade ao ensino e à gestão, anunciou ontem, em Luanda, o vice-reitor da universidade pública para a Área de Gestão, Pepe de Gove.

Deputados da comissão de especialidade reuniram ontem com os responsáveis da UAN
Fotografia: Santos Pedro | Edições Novembro

O académico, que apresentou a proposta durante um encontro com os deputados da VI Comissão de trabalhos da Assembleia Nacional, garantiu que a UAN tem já elaborada a proposta para apresentar ao Parlamento.
“Não há nenhuma legislação que diz que o ensino superior é gratuito. Falta vontade política para inverter o quadro” , disse o académico, acrescentando que a UAN não pode continuar a depender do Orçamento Geral do Estado. Pepe de Gove lembrou que não há no mundo ensino superior gratuito. O docente universitário afirmou que em universidades modernas o orçamento é feito à base do custo do estudante.
O vice-reitor da UAN para Área  de Gestão falou das várias dificuldades vivida pela instituição e destacou que a conclusão das obras no Campus Universitário está atrasada devido a dívidas com empreiteiros.
Pepe de Gove pediu a intervenção dos deputados para ultrapassar os vários problemas sentidos na Universidade Agostinho Neto.
O reitor da UAN, Pedro Magalhães, reforçou, na ocasião, que a Lei de Base do Ensino Superior estabelece que a gratuidade de ensino vai até à nona classe, mas não regulamenta como se pode praticar a questão das propinas no Ensino Superior. “Seria bom que isso estivesse estabelecido para termos um suporte legal”, disse.

Novos docentes
A UAN quer urgência na admissão e promoção dos docentes. Segundo informações dada aos parlamentares, o processo para a admissão de docentes encontra-se, há mais de oito meses, no Tribunal de Contas sem resposta.
Os docentes pediram um concurso especial para Universidade Agostinho Neto que carece de docentes em todas unidades orgânicas.  A universidade remeteu ao Executivo a proposta de um total de 827/ano. O reitor falou de problemas relacionados com os cursos de licenciaturas, bacharelatos e pós-graduação, que contam com escassez de recursos humanos, que, na sua opinião, está a afectar a qualidade dos serviços prestados à população.
“Há faculdades que se encontram numa situação mais difícil em termos de recursos humanos, há aquelas que já funcionaram há dois ou três anos e, neste momento, estão com uma grande escassez de recursos humanos”, afirmou o reitor.
A UAN tem actualmente um total de sete faculdades e conta com 27.824 estudantes, divididos em estudantes de graduação, num total de 80 por cento, e 1.833 estudantes de pós-graduação. A universidade conta com um total de 53 cursos, dos quais 45 de licenciatura e oito de pós-graduação.
Pedro Magalhães disse que, dos projectos que a universidade, tem, num total de 155, grande parte deles definidos 2016, estão condicionados devido à falta de recursos financeiros.
A vice-reitora para Área de Investigação Científica e Pós-Graduação, Maria Antonieta Baptista, adiantou que a UAN, devido à falta de laboratórios, tem como estratégia estimular parcerias com instituições do Ensino Superior, públicas e privadas.

Posição dos deputados
O presidente da Comissão de Saúde, Educação, Ensino Superior, Ciência e Tecnologia da Assembleia Nacional, Manuel da Cruz Neto, reconheceu as dificuldades da universidade e, por isso, os trabalhos universitários ficam “altamente comprometidos”. Quanto ao pagamento de propinas, o parlamentar concorda que nenhuma legislação proíbe a cobrança de propinas. “É preciso começar por aí. Nada nos impede de assumir-mos um compromisso de melhoria do ensino”, disse.

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Professores de Moçambique terão bolsas de estudo no Brasil em cursos de pós-graduação

Cento e cinquenta e oito professores moçambicanos poderão beneficiar de bolsas de estudo no Brasil, para frequentar cursos de mestrado e pós-graduação.

África 21 Digital


As bolsas são atribuídas no âmbito da ProAfri 2018, numa iniciativa levada a cabo pelo grupo Coimbra, em parceria com o Ministério da Ciência e Tecnologia, Ensino Superior e Técnico-Profissional, com apoio do Ministério das Relações Exteriores do Brasil.

Neste ano inaugural, o Proafi vai disponibilizar 158 bolsas de estudo, em 29 universidades brasileiras, sendo 117 de mestrado e 41 de doutorado, em todas as áreas do conhecimento.

Segundo o representante do Ministério da Ciência e Tecnologia, Ensino Superior e Técnico-Profissional, Octávio de Jesus, Moçambique conta, atualmente, com mais de cinco mil professores em tempo integral nas universidades públicas, dos quais 58% são licenciados e apenas 541 são doutores.

Fonte:

https://africa21digital.com/2018/06/06/universidades-brasileiras-vao-receber-professores-mocambicanos/

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Estudantes da Unilab fazem ato em defesa do Lula

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Estudantes se reuniram em frente a Unilab para um ato em defesa da democracia e do ex-presidente, que criou a universidade em 2010.

Alunos da Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira (Unilab), no Ceará, se mobilizou na tarde desta sexta-feira (06) para defender Lula, o criador da instituição de ensino.Com uma proposta avança de ensino e uma constante troca cultural, a Unilab faz a conexão entre o Brasil e os países africanos a partir do intercâmbio entre alunos.

Hoje, a universidade tem cerca de 3,3 mil estudantes, graças ao ex-presidente Lula. O alunos são de 6 nacionalidades, além do Brasil como: Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, São Tomé e Príncipe e Timor Leste que são falantes da língua oficial portuguesa.

Veja abaixo as fotos do ato em defesa da democracia e de Lula:

Felwine Sarr: É muito importante lutar pela representação justa de África

Os africanos devem dominar a narrativa sobre si próprios e definirem os termos em que as suas instituições e economia operam. O economista senegalês vem ao Teatro Maria Matos, em Lisboa, falar de Afrotopia. Nem afropessimista, nem afroeufórico: Felwine Sarr é afro-realista.

Felwin Sarr organizou em Dacar os Ateliers de la Pensée, onde reuniu pensadores africanos da diáspora

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Felwin Sarr organizou em Dacar os Ateliers de la Pensée, onde reuniu pensadores africanos da diáspora ELISE DUVAL

No ano passado, o economista senegalês Felwine Sarr (n.1972) organizou os Ateliers de La Pensée, um espaço de reflexão em forma de workshops que juntou dezenas de pensadores em Dakar e Saint-Louis. Co-criados com o filósofo e referência do pensamento pós-colonial, o camaronês Achille Mbembe, os Ateliers foram um enorme sucesso e irão repetir-se este ano, em Novembro, conta ao PÚBLICO por telefone. “Nestes últimos anos houve um renascimento dos artistas africanos. Os africanos não estão muito envolvidos na produção do discurso sobre eles próprios, com os Ateliers a ideia era reunir intelectuais africanos e da diáspora e pensar o papel de África no mundo, como olhar para o futuro”, explica.

O economista, músico, teórico, chega a Portugal na próxima semana, dia 19 de Abril, para uma conferência sobre África, capitalismo e utopias no Teatro Maria Matos, em Lisboa, integrada no Ciclo Utopias. Reclama para África, à qual se refere como uma entidade continental, uma especificidade própria. Defende que é hora de os africanos fazerem uma auto-reflexão, pensarem nas suas soluções e tornarem-se menos vulneráveis às influências exteriores veiculadas em nome de um interesse que não é necessariamente o seu. “O comércio (deportação) transatlântico e o colonialismo foram sinónimos de extracção de riquezas e de ser humanos, de desestruturação das sociedades, de distorções institucionais, de violação cultural, de alienação e de inscrição das sociedades dominadas em trajectórias pouco virtuosas”, escreve no livro. Esta é a herança com a qual os países africanos têm de viver.

Professor na Universidade Gaston Berger de Saint-Louis, e director do departamento de Civilizações, Religiões, Arte e Comunicação da mesma universidade, Felwine Sarr é autor de DAHIJ (2009), 105 Rue Carnot (2011), Médiations Africaines (2012) e Afrotopia (2016). É sobre este último livro que vem falar e foi sobre ele que se debruçou a entrevista de cerca de 40 minutos.

Para contextualizar, cite-se um excerto de Afrotopias: “África é um continente que tem uma superfície de 30 milhões de quilómetros quadrados, composto por 54 Estados. Cabem nela os Estados Unidos, a China, a Índia e uma parte da Europa Ocidental. Com uma população de cerca de mais de um bilhão de indivíduos, e uma taxa de crescimento demográfico de 2,6%, daqui a meio século será o continente mais povoado, com 2,2 bilhões de habitantes, representando um quarto da população mundial. (…) Desde 2000, o seu crescimento econômico é superior a 5%. Entre as mais altas taxas de crescimento do mundo de 2008 a 2013, os países africanos estão bem representados.” Escreve ainda: “As economias africanas descolariam, se funcionassem com os seus verdadeiros motores.”

Felwine Sarr também escreve, no livro, que a “Afrotopia é uma utopia activa que procura no real africano os diversos espaços do possível e os fecunda”. Não defende nem o afro-pessimismo (que olha para o continente como estando à deriva), nem o afro-euforismo (que olha para África como o futuro económico). Qual será o lugar de um afrotópico? “O realismo”, responde.

No livro fala do fato de África estar marcada pela representação feita a partir do exterior. Como é que essa imagem foi distorcida?
Isso acontece desde os tempos do colonialismo em que é o Ocidente a definir África. África agrega essas definições que são feitas e incorpora-as, mas na verdade tem uma longa história em que pode pensar a sociedade, a vida, a história, o seu presente e decidir que tipo de futuro quer. Temos que ser nós a definir que tipo de sociedade queremos.

E nesse sentido, o que é exactamente a luta pela representação de África?
É muito importante lutar pela representação justa de África. Se em África não se acredita que é possível melhorar, e tem que se ir para o Ocidente porque aqui não há futuro, então é porque a representação é muito má. Como as pessoas se vêem a elas mesmas através desta representação? Para construir o seu presente e o seu futuro têm que ter confiança em si próprias. Mas há um preconceito em relação a África, sempre vista através da lente do conflito, do que é negativo, e não da parte positiva da resiliência dos africanos, da riqueza da sua civilização, da sua criatividade na forma de resolver os problemas.

Passados mais de 50 anos sobre a descolonização da maior parte dos países africanos (ocorridas no início dos anos 1960, não sendo o caso das colónias portuguesas), o seu livro ainda debate a necessidade de descolonização em várias áreas, incluindo das mentalidades. O que é que correu mal neste processo?
A descolonização não é apenas territorial e não acaba com as independências dos países, é um processo. O mais importante é a descolonização intelectual, psicológica, do conhecimento. Foram feitos progressos nas universidades, alguns académicos estão a pensar em como descolonizar o conhecimento e as linguagens mas isto é algo que acontece a longo prazo e para o qual se tem de olhar cuidadosamente. São precisas novas relações, mais justas e respeitadoras.

(A maioria dos) países africanos são antigas colónias, e as relações económicas, políticas e culturais continuam a existir com os países ocidentais. As ideias e decisões políticas não são tão livres como deveriam ser: são definidas pelas Banco Mundial, pelo Fundo Monetário Internacional, por políticos e por grandes empresas que têm interesse em África. Não podemos dizer que as relações são justas e simétricas, não são, há muito trabalho para fazer. Se for a algum dos países africanos, as grandes companhias que exploram os recursos naturais são internacionais. E retiram esses recursos porque têm tecnologia que nós não temos, em todas as áreas, das telecomunicações às minas, ao petróleo. Os nossos governos, por sua vez, também são influenciados pelas políticas do Banco Mundial e do FMI, pelos políticos do Norte na forma de governarem as suas sociedades.

Fala da necessidade de os africanos adquirirem a sua autonomia e de recuperarem as suas esferas políticas. Como se consegue isto? 
As sociedades africanas têm conhecimento local em várias esferas, do social, ao psicológico, até à saúde e basearam grande parte da sua sabedoria neste tipo de conhecimento que pode ser ensinado ao mesmo nível do conhecimento ocidental, articulando-os. Na minha universidade temos exemplos disso com o departamento de Cultura Africana, Civilização e Línguas, o Departamento de História.

Também defende que o ensino deve ser feito em línguas locais e que se deve, no fundo, acabar com o domínio das línguas ocidentais. Como é que depois se asseguraria a circulação do pensamento num continente em que há tantas línguas nacionais?
Há duas mil línguas em África, mais ou menos. Pode-se trabalhar a um nível trans-regional. Mas se pensarmos, há línguas que são faladas em vários países. Podem-se escolher algumas línguas transnacionais, e trabalhar nelas. O número de línguas não é um problema, o problema é a vontade política: há muitos lugares no mundo em que é a política que decide investir na língua. Quando um africano cresce, aprende a falar numa língua nativa; quando vai para a escola, aprende noutra, é um choque.

Diz que os instrumentos para medir as performances económicas em Produto Interno Bruto (PIB coloca os países africanos em situação de desigualdade e de subalternidade. Como é que a economia informal que predomina em África pode ser incluída nesta equação? 
O problema da economia informal é que não é incluída nas estatísticas, e quando se mede o PIB perde-se esta grande parte da economia. Esta economia produz riqueza, outras formas de economia, e temos que olhá-la com outros olhos, tentando capturar indicadores que meçam este tipo. Alguns países estão a tentar ter estatísticas da economia informal, outros, como o asiático Butão encontram índices que incluem a medição do bem-estar.

Há críticas fortes no seu livro à ajuda internacional e à presença de organizações não-governamentais (ONG) em África. Em que é que são negativas?
As ajudas das ONG podem ser feitas com boa intenção, mas nem todas têm a preocupação de perceber quais as necessidades reais de África. Algumas têm ideias do que é Africa e agem de forma diferente daquela que foi acordada com os respectivos governos, seguem as suas agendas e não trazem grande coisa. São os governos que devem decidir o que é bom para eles e não as ONG’s internacionais, algumas muito poderosas. Por exemplo, no Ruanda o Governo define quais as áreas em que as ONG’s intervêm e todos os anos escrutinam-nas para saber se cumpriram o plano – se não o fizeram, saem do país. O mais importante é saber se as ONG’s são agentes de transformação. Se agirem de acordo com o interesse do país, podem ser úteis. As soluções têm que ser produzidas localmente, se não, o problema pode agravar-se. Não é preciso recusar a ajuda mas apenas organizá-la de forma a que seja útil.

Fonte:https://www.publico.pt/2017/04/16/sociedade/entrevista/felwine-sarr-na-luta-pela-representacao-de-africa-1768342

Universidade de São José de Macau recebe estatuto de observador consultivo da CPLP

A Universidade de São José passou a integrar desde 20 de Julho o grupo dos observadores consultivos da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa. O novo estatuto é acolhido pela instituição como um “reconhecimento” do trabalho desenvolvido ao longo dos anos. A Universidade mostra-se preparada para responder a novos desafios.

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A Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) atribuiu à Universidade de São José (USJ) o estatuto de observador consultivo durante a última reunião ordinária do Conselho de Ministros da organização, que decorreu em Brasília. A distinção significa para a instituição de ensino superior “um reconhecimento” do trabalho que a Universidade tem vindo a desenvolver, indicou  Maria Antónia Espadinha, vice-reitora da USJ: “Significa muito porque significa que reconhecem o esforço que nós estamos também a fazer. Neste momento temos [em português] uma licenciatura, temos um ‘associate degree’ que vai começar e que tem bastante procura, temos um mestrado que até há dois anos não existia,”salientou a responsável.

Para além de constituir um reconhecimento, o novo estatuto traz também à Universidade de São José novos desafios que se irão traduzir num maior investimento no português e numa maior promoção da língua e da cultura portuguesas. À instituição podem ser pedidos “pareceres em relação a eventuais bolsas de estudo que a CPLP pretenda atribuir [e] a prémios que a CPLP institua.” Mas de que forma é que a Universidade de São José tenciona dar resposta aos novos desafios? “Na prática fazendo todos os possíveis para responder a esses desafios [e] nós, da nossa parte, faremos sempre o possível para dar maior importância à divulgação da língua e da cultura da língua portuguesa”, garantiu Maria Antónia Espadinha.

À emissora em língua portuguesa da Rádio Macau, Peter Stilwell, reitor da Universidade de São José, explicou que a iniciativa de candidatar a instituição partiu do Governo de Portugal: “[O pedido] tem de ser submetido sempre por um Governo da CPLP. No nosso caso, foi o Governo português que se mostrou interessado em apresentá-lo”, indicou o responsável.

“Significa que, em princípio, podemos beneficiar de contactos ao nível académico entre universidades que também fazem parte da rede de observadores consultivos. A nível de bibliotecas, vai ser possível partilhar publicações e revistas”, elencou Peter Stilwell, citado pela TDM – Rádio Macau.

Para além da Universidade de São José, receberam também o estatuto de observadores consultivos a Parceria Portuguesa para a Água, a Fundação Getúlio Vargas, a Academia Galega da Língua Portuguesa e a Sociedade Portuguesa de Hipertensão.

O estatuto de observador foi criado em 1998 no decorrer da segunda Conferência de Chefes de Estado e de Governo. Em 2005, no Conselho de Ministros da CPLP, foram estabelecidas as categorias de observador associado e de observador consultivo. Actualmente são mais de setenta, as instituições que receberam o estatuto de observadores consultivos, entre as quais se inclui também o Instituto Internacional de Macau.

https://pontofinalmacau.wordpress.com/2017/07/27/universidade-de-sao-jose-recebe-estatuto-de-observador-consultivo-da-cplp/

Gana aos 60 anos: Lembrar Kwame Nkrumah

O Gana celebra o sexagésimo aniversário da sua independência. Cidadãos recordam o primeiro Presidente ganês, Kwame Nkrumah.

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Neste 6 de março, dia em que o Gana comemora o sexagésimo aniversário da sua independência, recordar Kwame Nkrumah é incontornável: “Atualmente, o nome de Nkrumah está envolto em mistério e controvérsia”, diz Atsu Aryee, da Universidade do Gana.

No passado, era diferente. Quando o Gana conquistou a independência da Grã-Bretanha em 1957, os apoiantes de Nkrumah aclamaram-no em massa. “Finalmente chegou ao fim a batalha! O Gana, a nossa pátria amada, será, a partir de agora, livre para sempre”, afirmou Nkrumah na altura. Em resposta, a multidão gritava “viva!”

Nos primeiros anos depois da independência, o Governo de Kwame Nkrumah colocou em prática um programa económico ambicioso, com o objetivo de colocar o país, tradicionalmente rural, no mapa dos países industrializados. As barragens hidroelétricas construídas ao longo do rio Volta ainda hoje são vistas como marcos da engenharia africana e é nelas que o Gana continua a confiar para garantir a produção energética no país de 27 milhões de habitantes. Mas nem todos os projetos de Nkrumah resultaram. As grandes empresas geridas pelo Estado foram, na maior parte dos casos, mal sucedidas, acumulando enormes dívidas ao longo dos anos, sobretudo devido à má gestão e à corrupção.

Os ganeses conheceram então um outro lado de Kwame Nkrumah. O líder político tornou-se cada vez mais autoritário, tendência que culminou na transformação do Gana num Estado de partido único, em 1964, e na auto-proclamação de Nkrumah como Presidente eterno. Milhares de cidadãos viram-se obrigados a abandonar o país. Com a economia em queda livre, a popularidade de Nkrumah também decresceu. Um golpe militar colocou um ponto final na era Nkrumah, quando o Presidente se ausentou do país para uma visita de Estado à China, em 1966.

Ghana Kwame NkrumahKwame Nkrumah é lembrado como um herói da luta contra o colonialismo

Legado cada vez mais esquecido?

Hoje a imagem de Kwame Nkrumah é mais positiva: Os observadores dizem que o líder histórico contribuiu de maneira decisiva para que o Gana goze atualmente de uma certa estabilidade política.

“O legado mais importante de Nkrumah é o patriotismo e o nacionalismo que ele incutiu no povo enquanto esteve no poder”, diz o politólogo Atsu Aryee. “É esta noção de que somos todos ganeses, que temos um país e que é preciso manter a estabilidade.”

Mas, embora muitas crianças e jovens continuem a visitar o mausoléu de Kwame Nkrumah em Accra, poucas parecem compreender o seu legado: “Nkrumah ainda é um nome importante no Gana, pois conduziu o Gana à independência. Mas muitos jovens conhecem apenas o nome e já não conhecem as suas políticas enquanto Presidente e primeiro-ministro”, afirma Burkhardt Hellemann, chefe do escritório da fundação alemã Konrad Adenauer na capital do Gana, próxima ao partido no poder na Alemanha, a CDU.

“Ainda dá para ver que o nome de Nkrumah tem alguma influência, mas as suas políticas pouco ou nada influenciam os debates políticos deste país hoje em dia”, diz. O partido criado por Nkrumah em 1949, o Partido da Convenção do Povo (CPP, na sigla em inglês) desempenha hoje um papel menor na arena política ganesa.


Ainda assim, muitos na África subsaariana continuam a lembrar o legado de Nkrumah. Em 2004, a revista “New African” pediu aos leitores para elegerem os maiores líderes africanos de todos os tempos e Nkrumah ficou em segundo lugar, atrás do ex-Presidente sul-africano e líder da luta anti-apartheid Nelson Mandela.

Nkrumah defendia uma união pan-africana para contrabalançar a influência ocidental. Ele foi um dos fundadores da Organização da Unidade Africana, predecessora da União Africana (UA).

“Ainda se fala dos conceitos de Nkrumah nos corredores da UA”, conta o historiador nigeriano Toyin Falola.

Mas, apesar de a União ter hoje mais influência no continente, a concretização da ideia de Nkrumah de criar uns “Estados Unidos de África” está muito longe, sublinha Falola.

“Depois de Mbeki e Obasanjo saírem, não há líderes africanos dinâmicos que advoguem a ideia. Os países parecem interessar-se apenas nos seus assuntos, concentrando-se na sua política interna, preocupados com o declínio das suas economias. Portanto, a ideia do pan-africanismo foi tirada de cima da mesa.”

http://www.dw.com/pt-002/gana-aos-60-anos-lembrar-kwame-nkrumah/a-37819580

O Observatório

Este observatório é uma iniciativa do Grupo de Estudos Africanos vinculado ao Instituto de Relações Internacionais da Universidade de Brasília (GEA/IREL-UnB), que busca refletir sobre a vida política, social e econômica da África contemporânea, com destaque para sua inserção internacional. Preocupando-se com o continente marcado pela diversidade, o Grupo de Estudos Africanos, por meio do Observatório, propõe um olhar crítico e compreensivo sobre temas africanos, em suas mais diversas dimensões.
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