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Fibra óptica liga Angola e Brasil

 

cabo 2O cabo de fibra óptica submarino de telecomunicações “South Atlantic Cables System” (SACS), da Angola Cables, que liga Angola ao continente americano, chegou ontem ao porto do Pecém, na cidade brasileira de Fortaleza, Salvador da Bahia, concluindo assim uma viagem de 6.300 quilómetros desde a localidade de Sangano, em Cabo Ledo (Luanda).

Tecnologia de telecomunicações vai propiciar a redução de custos e o aumento da velocidade de transmissão de dados
Fotografia: DR

O projecto do Governo angolano, em parceria com a empresa Angola Cables, o consórcio responsável pela obra, levou dois meses para ser instalado em alto-mar, envolvendo participação de engenheiros, profissionais de Tecnologias de Informação e mergulhadores profissionais para a fixação do sistema com segurança.
Agora, o processo será de aterramento do cabo, instalação na “landing station” e a realização de testes. Depois, será interligado o Centro de Dados (Data Center) na capital do Ceará, que a Angola Cables diz estar em “fase adiantada de construção”. A previsão é que o início das operações do SACS continue a ser o primeiro semestre deste ano.
Além da chegada do SACS à Fortaleza, a Angola Cables também celebrou a assinatura de um memorando de entendimentos para cooperação com o Governo do Ceará, para viabilizar a infra-estrutura que interligará o Data Center de Fortaleza ao complexo industrial do Pecém, permitindo o desenvolvimento regional no campo das telecomunicações.
O cabo é construído pela japonesa NEC e possui capacidade de pelo menos 40 Tbps. A Angola Cables afirma que é o primeiro a ser instalado no Atlântico Sul, ligando a África ao continente sul-americano.
“A partir de agora, o Brasil e Angola estarão a oferecer ao mundo uma rota alternativa de acesso aos Estados Unidos, um dos maiores produtores de todo o tipo de conteúdos globais, mas também à Ásia, uma das maiores regiões demográficas do planeta”, explicou em comunicado o responsável da Angola Cables, António Nunes.
Para o governador do Ceará, Camilo Santana, o cabo submarino promete inserir o Estado na área de atracção de novos investimentos. “Por conta da nossa vocação e localização geográfica, seremos um grande centro de oportunidades de negócios para o cearense, que através das ‘startups’ e dos ‘softwares’ poderão fazer negócios com um novo mercado, o africano, mas também se ligar ao mundo inteiro”, referiu Camilo Santana.
O vice-prefeito de Fortaleza, Moroni Torgan, também celebrou a conquista do Estado. “Hoje, o potencial tecnológico de Fortaleza e do Ceará se abre para toda a África. Nós temos uma capacidade de criação de ‘softwares’ impressionante no nosso parque universitário e com a abertura desse novo centro tecnológico para a África, Europa e Ásia, estaremos a fazer uma verdadeira vitrine mundial do produto cearense de softwares”, rematou.
O SACS foi desenvolvido para atender a crescente procura de dados que envolvem serviços de “streaming”, constante produção de conteúdos e o avanço da “Internet das Coisas”. Entre os benefícios do cabo submarino estão a redução de custos e o aumento da velocidade de transmissão de dados.

 

http://jornaldeangola.sapo.ao/economia/fibra_optica_liga_angola_e_america

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Angola é primeiro país do mundo a ligar a África e o Brasil por via do Oceano Atlântico

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A concretização deste projeto de iniciativa do Ministério das Telecomunicações e Tecnologias de Informação de Angola, em parceria com a multinacional angolana, Angola Cables, vai transformar Angola no primeiro país do mundo a ligar a África e América do Sul por via do Oceano Atlântico, numa extensão de seis mil e 200 quilômetros.SACS map 680p

Além de unir os dois continentes, via marítima, o SACS tornará igualmente Angola no epicentro das telecomunicações a nível do continente africano, garantindo uma rota de tráfego África/Estados Unidos de América/Europa, através do cabo de fibra óptica West Africa Cable System (WACS), que liga 11 países do continente africano e três da Europa, segundo o gestor do projecto SACS, Clementino Fernando.cabo brasil

O gestor que falava à imprensa durante o ato de lançamento oficial do SACS, que aconteceu hoje, quarta-feira, na localidade de Sangano, município de Quissama, em Luanda, referiu que este sistema terá uma latência (tempo de reacção) de cerca de 60 mil segundos, permitindo maior velocidade das comunicações no país e mundo.cables

Garantiu que todo equipamento (cabos e navios) já está disponível no Japão, por ser o país fabricante e detentor da empresa que está a executar a obra, permitindo com que até Fevereiro de 2018 se conclua a instalação do cabo.cabo1

“A finalização da instalação do SACS está prevista para o primeiro trimestre de 2018 e em Julho do mesmo ano a empresa japonesa vai passar a infra-estrutura concluída à  gestora do projecto, Angola Cables”, afirmou.cabo

Segundo Clementino Fernando, o SACS será instalado numa profundidade de 1,5 metros nas águas rasas e sete quilómetros no alto mar, evitando a danificação do cabo submarino na circulação constante de navios e dos recursos marinhos.

A partir do primeiro semestre de 2018, para quando estão programadas tanto a entrada em operação do cabo SACS, que liga Angola ao Brasil, como do seu data center em Fortaleza, no Ceará, a Angola Cables passa a incluir o Brasíl em sua lista de prioridades, ao lado do continente africano. Afinal, nos dois últimos anos concentrou aqui parte relevante de seu investimento.

Em cinco anos, a empresa, que nasceu local para apoiar as operadoras angolanas, se transformou numa pequena multinacional de cabos submarinos. Investiu US$ 300 milhões em parcerias com grandes players, como o cabo Monet que liga os Estados Unidos ao Brasil passando por Fortaleza, Rio de Janeiro e terminando em Santos; com o cabo SACs vai reforçar a conexão Brasil-África e, aproveitando a passagem de todos os principais cabos submarinos que se conectam ao Brasil por Fortaleza, decidiu montar lá um data center de nível 1. Investimento que pode mudar o ecossistema de tecnologia de informação de Fortaleza e da região.

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O SACS, constituído por 72 repetidores, prevê ter uma capacidade de 40 terabits/segundo, 10 terabits/cada par de fibra e 80 gigabits, na fase inicial.

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Na ocasião, o governador do Estado do Ceará (Brasil), Camilo Santana, afirmou que a instalação do primeiro cabo que vai unir África e América do Sul possibilitará ter uma conexão mais rápida que anteriormente quando a ligação era feita Europa/Estados Unidos de América/ Brasil, assim como reforçar cada vez mais as relações bilaterais entre os países.

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“Vamos continuar a estreitar as nossas relações entre os povos dos dois países e do mundo através das telecomunicações, reforçando a amizade e união entre as nações”, referiu o governante brasileiro.

O ato de início da colocação do cabo submarino de fibra óptica na água  foi orientado pelo ministro das Telecomunicações e Tecnologias de Informação, José Carvalho da Rocha e testemunhado pela ministra da Ciência e Tecnologias, Cândida Teixeira, responsáveis do governo provincial, diplomatas e técnicos do sector.

A execução deste projeto representa a materialização da estratégia de acesso aos cabos submarinos, aprovada em Abril de 2009 pelo Presidente da República de Angola, José Eduardo dos Santos.

http://www.angop.ao/angola/pt_pt/noticias/ciencia-e-tecnologia/2017/7/32/Angola-Cabo-fibra-optica-Angola-Brasil-comeca-funcionar-2018,09a042c8-77d3-4342-b283-c793e7106991.html

Presidente de Ruanda no comando da União Africana tem um sentimento de urg~encia

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O presidente de Ruanda, Paul Kagame,  foi eleito como novo presidente da União Africana para o ano de 2018.

A Assembléia de Chefes de Estado e de Governo da União Africana (UA) reuniu-se na 30ª Sessão Ordinária na Sede da UA em Adis Abeba, Etiópia, elegeu em 28 de janeiro de 2018 uma nova mesa para coordenar as atividades de a União para o ano de 2018.

O presidente Kagame  disse que o desafio da África é criar um caminho para a prosperidade para o nosso povo, especialmente para os jovens, e que  em outros lugares, isso foi alcançado através da industrialização. Mas essa trajetória de crescimento que transformou a Ásia, não é necessariamente mais uma opção viável para a África, simplesmente porque esperou-se demais para agir.

Ele acrescentou que, a tecnologia evoluiu tão rapidamente nos últimos anos, que a janela de África para seguir essa estratégia está se estreitando muito mais rapidamente do que se acreditava anteriormente.

“Estamos ficando sem tempo, e devemos agir agora para salvar a África de uma privação permanente”, afirmou o Presidente da União.

De acordo com o novo presidente da União, a escala é essencial. O grande objetivo é criar um único mercado no continente, integrar a infraestrutura e infundir as economias com tecnologia. Nenhum país ou região pode gerenciar por conta própria. Temos que ser funcionais, e temos que ficar juntos. A reforma financeira e institucional da União Africana é  urgente.  África tem recursos e forças para construir, começando com esta organização, e seu firme  compromisso com a unidade.

É uma vantagem para os africanos , que nenhuma outra região do mundo possui, com tanta abundância.

“A unidade deve ser o nosso ponto de partida, pois fazemos o trabalho necessário para redefinir nossos planos e ambições, em termos continentais … Essas mudanças precisam acontecer. Não existe um país no nosso continente que não quer fazer parte de uma África mais assertiva e visível “, assim afirmou Paul Kagame.

O primeiro satélite angolano

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César Esteves |

Depois do lançamento do primeiro satélite angolano ao espaço, no dia 26 de Dezembro, muitas inquietações foram levantadas pelos cidadãos. Para muitos, não faz sentido o país abraçar esse tipo de investimento, quando ainda enfrenta muitos problemas nos sectores da Saúde e da Educação, principalmente.

Engenheiro e docente universitário Valter Quimusseco
Fotografia: Edições Novembro |

O docente universitário Valter Quimusseco, formado em engenharia de telecomunicações, fala dos benefícios que o equipamento pode trazer ao país. O especialista, que prevê publicar, em breve, o seu primeiro livro, intitulado “A Magia dos Satélites”, assegura que os cidadãos serão os mais beneficiados com o Angosat-1, tendo em conta que o mesmo vai provocar um grande impacto social e económico na vida do país. “Angola nunca mais será a mesma”, garantiu.
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De que forma os benefícios do Angosat-1 vão se refletir no  quotidiano dos angolanos? 
O satélite vai proporcionar muitas mudanças na vida dos cidadãos, a começar pelo impacto social. Parece ainda desconhecido por muitos, mas dez por cento dos serviços do Angosat-1, que não são poucos, vão ser canalizados ao sector social do país. Isso vai permitir a educação à distância no país. As escolas, independentemente do local em que se encontrarem, vão passar a dispôr do serviço de Internet. Outra vantagem vai recair sobre a área da medicina. Com o sinal de Internet a funcionar bem, os médicos poderão trocar experiencias, através do serviço de teleconferência. Por essa via, um médico mais experiente, que estiver em Luanda, poderá interagir com outro, que reside em Quibaxe, por exemplo, a fim de ajudar a tratar um doente. Com isso, há a possibilidade de   grande redução do número de mortes nos hospitais.

Que outras vantagens o satélite vai trazer ao país e, consequentemente, aos angolanos?

Por exemplo, 80 por cento da capacidade do Angosat-1 será  comercializada a nacionais e estrangeiros. Para ter uma ideia, segundo o ministro das Telecomunicações, mensalmente, as operadoras nacionais gastam, em média, 15 a 20 milhões de dólares, comprando serviços de satélite a outros países. Agora, repare num pormenor interessante: o Angosat-1 está avaliado em 320 milhões de dólares. Em dois anos, as operadoras nacionais gastam cerca de 320 milhões de dólares. Quando os serviços do satélite angolano estiverem disponíveis, essas empresas nacionais deixarão de levar todo esse dinheiro ao exterior e passam a deixar cá no país. Por outro lado, as empresas nacionais poderão pagar esses serviços em kwanzas. Quem terá de reunir as divisas  serão as empresas estrangeiras que irão comprar os serviços do Angosat-1. Isso vai ajudar a acabar a escassez de dólares que se regista no país. Com isso, a economia fica mais forte, permitindo ao Governo construir mais escolas e hospitais, combater a fome, a pobreza e outros males que enfermam o país. O Angosat-1 vai provocar grandes mudanças no sector social e económico do país. Angola nunca mais será a mesma.

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O surgimento do satélite vai permitir a redução dos preços dos cartões de crédito?

Bem, isso vai depender do órgão que regula esse mercado. Mas o que não se pode deixar passar, em nenhum momento, é a qualidade e a concorrência. Se 200 megabytes de Internet chegam a custar 1.250 kwanzas, quer dizer que, com a chegada do satélite, o preço pode manter, mas a quantidade de megabytes deve subir para, pelo menos, 500, por exemplo.

Muitos cidadãos dizem não entender por que razão um país como Angola, que ainda tem alguns problemas por resolver nos sectores da Saúde e Educação, construa  já um satélite. Essa apreciação dos cidadãos tem alguma razão de ser? 
Acho que não. As pessoas estão a olhar mais para o Angosat apenas na vertente das telecomunicações. Mas, felizmente, ele não se vai resumir a isso. O satélite vai constituir, também, uma grande fonte de diversificação da economia do país. Há escassez de divisas no país e esse problema vai ser resolvido quando o satélite começar a funcionar. As empresas estrangeiras que virão comprar os serviços do Angosat-1 não o farão em kwanzas, mas sim em divisas. E não serão quantias pequenas. Esse dinheiro vai engordar muito os cofres do Estado.

Falando em arrecadação de receitas, acha que o Estado angolano vai conseguir reaver o dinheiro investido no satélite em pouco tempo? 
Eu penso que sim. Por exemplo, o ministro das Telecomunicações garantiu que, em pelo menos dois anos, vai ser possível recuperar o valor investido. Agora, imagine quanto é que o país vai ganhar com o Angosat-1 durante os 15 anos de vida útil do satélite. É muito dinheiro. E, com as receitas do Angosat-1, vai ser possível construir rapidamente o próximo satélite, no caso o Angosat-2.

Por que razão o tempo útil de vida de um satélite é só de 15 anos?
Boa pergunta. O satélite só tem esse tempo de vida por causa do tipo de tecnologia que usa. O satélite, para se manter em órbita, depende da energia transmitida pelos seus painéis solares. E os painéis só têm o tempo útil de vida de 15 a 18 anos. Até ao momento, ainda não se construiu uma tecnologia que lhe permita ter um tempo de vida de 20 a 25 anos.

Além dos painéis solares, o satélite dispõe de mais outra fonte de energia?
Sim, dispõe. Além dos painéis solares, ele conta, também, com duas baterias que entram em funcionamento sempre que os painéis solares deixam de transmitir energia ao satélite.

Essas baterias também só têm o tempo útil de vida de 15 anos? 
Sim, também só têm esse tempo de vida. Por essa razão é que o satélite só tem o tempo de vida de 15 anos. E não é possível fazer manutenção nesses aparelhos. A única coisa que se pode fazer a partir da terra é controlá-lo, através de um comando, sempre que houver algum desequilíbrio orbital.

Além dos dois painéis solares e das duas baterias, o satélite não dispõe de  outras fontes de energia?
Dispõe, sim! Dentro do satélite, todo equipamento tem backup (reserva) para actuar como redundante, em caso de baixa num dos componentes principais. Regra geral, a maior parte do sistema que suporta o satélite funciona à base de M+1, quer dizer um sistema principal e uma reserva.

E o que é que acontece com o aparelho, depois do seu tempo útil de vida?
Automaticamente, é desactivado e é lançado para cima de 100 quilómetros da altura em que se encontra. Ou seja, vai para a órbita-cemitério, local onde ficam os satélites desactivados.hard_-angosat_ampe-rogerio_ra-620x413

Uma questão muito levantada pelos cidadãos tem a ver com o percurso feito pelo satélite, após o seu lançamento. O facto de ter feito aquela diagonal, levou muitos a acreditaram que se tratava de um desvio comprometedor para o destino final do aparelho. O que tem a dizer a respeito? 
Aquele desvio não deveria constituir motivo de preocupação. Tratou-se de um curso normal. A trajectória de um satélite faz-se em função da posição orbital onde vai ficar. Ele pode passar por uma ou duas órbitas de transferência, dependendo do centro de lançamento.

Há alguma razão para o satélite ter sido lançado na Rússia?
A primeiro razão tem a ver com as condições. Angola não fabrica satélites e não tem um centro de lançamento. Logo, não seria possível lançá-lo a partir daqui. Quem lança satélites são países que dispõem de centros de lançamento. E não se lança o satélite a partir de qualquer centro de lançamento. É preciso haver muito estudo. Normalmente, os países que querem lançar satélites não aceitam fazê-lo a partir de centros que têm registo de falhas, pois é muito arriscado. Lançou-se na Rússia, porque, primeiro, foi construído lá e, segundo, porque aquele centro de lançamento oferece condições e garantias.  Aquele centro do Cazaquistão é um centro sem queixas. Não tem registo de falhas de lançamentos de satélites. A Rússia é um país de referência em lançamentos.

Qual vai ser a função do Centro da Funda?

É impossível ter um satélite em órbita sem que se tenha um centro de controlo. É a partir desse lugar que se vai garantir a permanência do satélite em órbita. O Centro da Funda tem a função de monitorar, permanentemente, o funcionamento do satélite. A partir de lá, saberemos se o satélite está na órbita desejada ou não. E, caso haja algum desequilíbrio do satélite, o centro de controlo enviará um comando para o ajustar.

Qual é a diferença entre o centro de controlo da Rússia e o da Funda? O que é que um faz e o outro não?

Geralmente, os satélites são controlados por um centro de controlo primário e um secundário. Em comunicações, é regra haver sempre um centro primário e um secundário. Assim, o centro primário é o que está na Funda e o secundário é o da Rússia. E por que razão o centro da Funda é o primário? Porque o satélite é nosso. Mas, numa primeira fase, vamos depender da Rússia, porque eles têm os cientistas e as tecnologias. É muito natural que em primeira mão sejam eles a actuar. Mas, depois, vai chegar a fase em que serão os próprios angolanos a guiar o barco. O que eles estão a fazer é apenas prestar um serviço.

Além de monitorar o funcionamento do satélite, o Centro da Funda terá outra utilidade?
Sim! Além de monitorar o Angosat-1, também poderá prestar serviço a outros países que vierem a lançar satélite e que venham a precisar de um centro redundante. E o centro da Funda estará em condições de actuar como um centro redundante. Logo, será mais dinheiro que vai entrar para os cofres do Estado.

Houve alguma razão para se colocar o Centro de Controlo na Funda e não em outra zona do país? 
Sim, houve! Os centros de controlo, tal como os de lançamento, devem ficar em zonas não muito povoadas ou habitadas. Mas poderá existir, também, razões estratégicas para aí ficar; que não são do nosso conhecimento.

É fácil para um país entrar para a corrida espacial?
Não, não é fácil. Por isso mesmo é que Angola está de parabéns. Repare que até a própria posição orbital, onde está o satélite, não é nossa. Alugamos de países que fazem a gestão daquele espaço. Alguns países não aceitam que outros entrem para essa corrida, porque passam a ter mais um concorrente.

Quem faz a gestão desse espaço onde está o Angosat-1?  
Angola não é o único país que alugou espaço para colocar o seu satélite. Estes espaços são controlados por associações de países que fabricam satélites. Estas nações são também detentoras dessas posições orbitais, onde a zona da linha do equador é a mais concorrida.

Por que razão se dificulta a entrada de mais países para a corrida espacial?
É muito simples. Ao entrar para essa corrida, Angola deixará de recorrer aos serviços do satélite americano, russo e o sul-africano. Com isso, passará a ser mais um concorrente no mercado. Por essa razão, o monopólio que controla esse sector não permite que mais países entrem para essa corrida. É uma luta muito grande, entrar nesse mercado, face ao elevado nú­mero exigências a cumprir. Por isso, Angola está de parabéns por ter conseguido.

Também já se falou que o Angosat-1 não é de Angola, pois foi alugado. É possível alugar um satélite?

Alugar, não. O satélite não volta à terra. Como é que vamos alugar uma coisa que já não volta à terra? Como fazer para devolver o equipamento? Assim que foi lançado, nunca mais voltará. Ainda não se criou uma tecnologia que permita ao satélite regressar à terra. Depois do tempo de vida, o aparelho vai para a órbita-cemitério e de lá nunca mais volta. Por isso, é uma questão infundada dizer que Angola alugou o Angosat-1.

        “O Angosat 1 é um satélite geostacionário e para fins comerciais”
O satélite do Ghana, o Ghanasat-1, ficou orçado em 50 mil dólares. Como se entende que o Angosat-1 tenha custado 320 milhões de dólares? 
É uma questão pertinente. O Ghanasat-1 não pode ser comparado ao Angosat-1, porque não é geostacionário como é o de Angola, ou seja, não é de telecomunicações e de uso comercial, nem foi lançado na órbita LEO, a 420km do nível médio do mar. Esse aparelho tem um período de rotação de 92 minutos, uma velocidade de 7,67km/segundos e possui um peso de 1kg. Resumidamente, o satélite do Ghana é para fins científicos.

E o Angosat-1?
O Angosat-1 é um satélite geostacionário, ou seja, um aparelho que se lança na órbita GEO, conhecida também como órbita equatorial. Possui uma grande cobertura de 30 a 40 por cento da superfície da terra e tem um ângulo de cobertura de 120 graus. Esse tipo de satélite fica visível o tempo todo e não oferece zonas de silêncio, porque tem o mesmo período de rotação que a terra. O aparelho angolano é para fins comerciais. O custo para a construção de um satélite geostacionário é muito elevado. Não se compara ao Ghanasat-1, que é apenas para fins académicos. É por essa razão que o satélite do Ghana não pode ser comparado ao de Angola.

Qual é o título do seu livro e o que falta para ser publicado?
Faltam patrocínios. Ele já está completo. Está apenas dependente de apoios. O livro intitula-se “A Magia dos Satélites”. Comecei a escreve-lo tão logo se anunciou que Angola teria um satélite.

Que informações sobre satélites trará o livro?
O livro contém várias informações pertinentes sobre satélites, com maior destaque para o Angosat-1. Ao escrever esse livro, tivemos como objectivo colmatar as eventuais dúvidas que fossem surgir depois que o Angosat-1 fosse lançado.~

Perfil

Valter Quimusseco
Tenente das Forças Armadas Angolanas, nasceu aos 21 de Dezembro de 1989. É formado pelo Instituto Superior Técnico (ISTM) em Engenharia de Telecomunicações e é docente em regime de colaboração na Universidade Óscar Ribas, nas Cadeiras de Sistemas de Telecomunicações I, II,  Antenas e Radiopropagação, e Física I, II..

Participações em projectos
Participei do prémio Odebrecht para o Desenvolvimento Sustentável em Angola 2015 como orientador dos projectos Asfalto de Plástico, uso do plástico reciclado para produção de energia, e casa de plástico

Angola avança no campo da tecnologia com o lançamento do primeiro satélite

ANGOSAT-Menos-FiosO lançamento aconteceu exactamente às 20horas e 58 segundos, tempo de Angola. Pode-se dizer que está a caminho da zona de trabalho.
O país ganha, assim, uma infra-estrutura que vai tornar os serviços de telecomunicações com custos mais baixos e de melhor qualidade. Com a entrada em funcionamento do primeiro satélite angolano, os serviços de televisão, telefonia e de Internet vão ser mais baratos. Este é um processo que vai contribuir para a inclusão digital e coesão nacional de todos angolanos.
Isto foi mesmo enfatizado pelo ministro de Estado para o Desenvolvimento Económico e Social, Manuel Nunes Júnior, que, em Moscovo, assistiu ao lançamento do satélite.
“Hoje, a Internet é um meio que tem efeitos muito grande na vida das pessoas e o Angosat vem dar resposta a muitas preocupações”, disse o ministro de Estado.
O governante sublinhou que, em termos estratégicos, este projecto é de extrema importância para o nosso país. “No mundo moderno, aqueles países que não apostarem no conhecimento, como estamos a fazer, ficam para atrás”, disse o ministro.
O Angosat 1 vai fornecer produtos e serviços que proporcionam comunicação entre empresas e pessoas, encurtando distâncias, minimizando a infoexclusão e contribuindo activamente para o desenvolvimento socioeconómico e, ao mesmo tempo, criar soluções de comunicações no mercado internacional.
O satélite levou sete horas para entrar em órbita e depois será submetido a testes, entre dois a três meses. Findo este período, o equipamento vai estar apto para ser usado, até completar os 15 anos previstos de vida útil.0,98cd090e-67b7-47b1-aefc-aaf8c097558c
O satélite tem cinco dias para encontrar a sua fase geostacionária, 24 dias para estar na zona de trabalho e, depois, passa para a fase de testes para avaliar as condições atmosféricas num período de até três meses.
Após o período de testes, começa o processo de comercialização pelo Infrasat. O Ministério das Telecomunicações e Tecnologias de Informação definiu que, para as vendas do satélite, estão reservadas já 40 por cento para as operadoras, 10 por cento para os serviços de segurança e defesa nacionais e outros dez para acções sociais (como sectores da Educação e Saúde e pequenos negócios).
Os preços dos serviços do satélite são “stander” ou, seja, os mesmos praticados internacionalmente, apesar de que a estratégia do Executivo seja torná-los mais atractivos.

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O Angosat foi desenvolvido com o propósito de capacitar às empresas para o uso das tecnologias de comunicação mais modernas e inovadoras, possibilitando assim  a promoção e o desenvolvimento de novos produtos e serviços de informação e comunicação.
O investimento do Satélite foi gerido por três contratos, nomeadamente, o da construção, aluguel do segmento espacial e do segmento terrestre, que ficou avaliado em 320 milhões de dólares, financiados por um consórcio de bancos liderados pelo VTB da Rússia. A responsabilidade do Governo Angolano foi de garantir a formação dos especialistas e a construção de infra-estruturas em terra, que assegurem o apoio dos serviços de gestão do satélite.
O ministro das Telecomunicações e Tecnologias de Informação, José Carvalho da Rocha, garantiu que o investimento feito tem o retorno garantido. Em dois anos pode ser reembolsado pelas operadoras que actuam no país, tendo em conta que estas, mensalmente, gastam em média 15 a 20 milhões de dólares para manterem os seus serviços.
Uma das grandes vantagens que as operadoras angolanas vão ter com o Angosat é pagar preços mais acessíveis e em Kwanzas. O Executivo deverá ter a capacidade política de pressionar as empresas a baixarem as tarifas actuais do mercado.
O projecto vai também ajudar a criar competências no ramo da engenharia e tecnologia espacial, contribuindo, assim, para a diversificação da economia angolana.
O Angosat1 é um dos sete projectos previstos ao abrigo do Programa Especial Angolano, que envolve a formação de quadros, a transferência de conhecimentos nesta área e o lançamento da Agência Espacial Angolana.
As negociações de concepção do projecto da Angosat entre Angola e Rússia foram um desafio que durou dez anos para concretização. Não é fácil os países entrarem na área da tecnologia por causa dos investimentos avultados e das exigências tecnológicas que as nações desenvolvidas exigem.
O satélite angolano tem um tempo de vida útil de 15 anos. Por isso, o Executivo terá, durante este período, a necessidade de pensar em construir o Angosat 2, que espera contar com a contribuição majoritária da mão-de-obra nacional, cujos custos serão mais reduzidos, pelo fato de Angola ter já as bases criadas.
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Entrada em orbita
Segundo dados do Ministério das Telecomunicações e Tecnologias de Informação, com a entrada em órbita do primeiro satélite angolano, o sinal das tecnologias de informação e comunicação vai cobrir todo o território nacional, o que estimulará os serviços das operadoras nas zonas onde não há sinal.
O sinal do Angosat 1 proporcionará outros negócios para o país, por ter uma capacidade de iluminação desde a África do Sul até  à Itália.
O satélite angolano foi construído na Rússia e tem segmento espacial: posição orbital 14.5 E, peso de mil 55 quilogramas, peso de carga útil 262.4 quilogramas, potência de carga útil três mil 753 W, banda de frequência CKU, número de repetidores 16C+6Ku e uma vida útil de 15 anos.

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O centro de controle e missão de satélites do AngoSat-1, responsável pela sua gestão, está localizado na comuna da Funda, norte da província de Luanda. Com o satélite geoestacionário artificial, o AngoSat-1 está a uma distância de 36 mil quilómetros, a partir do nível do mar. A sua velocidade coincide com o da rotação da terra e consegue cobrir um terço do globo terrestre.
Com um período de vida de 15 anos, possui 22 “transponders”, dispositivos de comunicação electrónica, e inclui duas estações de rastreio, uma em Angola e outra na Rússia. Estas estações vão permitir uma intervenção russa no controlo e comando do satélite, sempre que for necessário, enquanto Angola cria autonomia neste domínio. O Angosat 1 vai ter uma utilização de 99,2 por cento da capacidade prevista.
Para garantir o funcionamento do Angosat, o Ministério das Telecomunicações e Tecnologias de Informação teve a missão de formar e capacitar quadros em engenharia de satélites e sistemas de engenharia espacial. Neste momento, conta com 47 funcionários, que estão a trabalhar no centro de controlo e missão de satélites da Funda.
O centro é o órgão que vai controlar, rastrear e fazer a telemetria dos dados enviados pelo satélite Angosat1. O edifício foi construído numa área de 6.617 metros quadrados, tem três pisos, um heliporto, parque de estacionamento 50 lugares e áreas verdes.
O local foi escolhido pela Comissão Interministerial para a Coordenação Geral do Programa Espacial Nacional (PEN), tendo como base o baixo nível de interferência electromagnética, espaço para desenvolvimento do PEN e desenvolvimento da zona norte da província de Luanda.

Primeiro Satélite
O primeiro satélite foi lançado ao espaço por meio de um veículo Angara A5/Blok-DM-03, a partir do cosmódromo de Plesetsk, na Rússia. Equipado com 16 transponders em banda C e 6 em banda Ku, para fornecer serviços de telecomunicações para Angola. O sinal da banda C poderá ser recepcionado em toda África e Europa.
O Angosat 1 é um projecto que vai fornecer oportunidades na expansão dos serviços de comunicação via satélite, acesso à Internet, rádio e transmissão televisiva. De acordo ainda com o Ministério das Telecomunicações e Tecnologias de Informação, o projecto é parte integrante do Programa Espacial Nacional e  um dos objectivos é a criação de competências nacionais no domínio das tecnologias de comunicação por satélite.
O projecto Angosat é resultado de um profundo estudo sobre a viabilidade da produção de um satélite angolano, entre a Comissão Interministerial de Coordenação Geral do Projecto de Telecomunicações via Satélite de Apoio Multissectorial (CISAT), criada por Despacho Presidencial nº 21/06 de 21 de Junho. O estudo contou com o Consórcio russo, liderado pela empresa ROSOBONEXPORT, RSC Energia (construtora do satélite Agosat-1).
O satélite Vai tornar o país numa referência no âmbito espacial, com reconhecimento a nível mundial na criação e capacitação de quadros altamente qualificados nas áreas de Engenharia e Tecnologia espacial. De acordo com a fonte, vai ainda apoiar o desenvolvimento sustentável, a defesa e a segurança do Estado, através da pesquisa e desenvolvimentos de tecnologias aeroespaciais, contribuindo assim para o posicionamento de Angola como um dos líderes na área Espacial em África.
Além da transmissão de conhecimento, a facilitação das comunicações com os países africanos, como a RDC, Zâmbia e Rwanda, que poderão usufruir da fibra óptica implantada ao longo do Caminho de Ferro de Benguela, destaca-se, como benefício, o lançamento da Angola Cables, o cabo que vai ligar Angola ao Brasil. Será o primeiro a unir o continente africano ao Sul-Americano, facto que facilitará as comunicações entre as duas margens do Oceano Atlântico.
Este cabo vai permitir também a conexão, no próximo ano, a um outro cabo no Brasil, do qual Angola participou e que liga os Estados Unidos da América a ao país latino-americano.
Com isso, o país poderá obter valiosos recursos financeiros com este serviço, pois o mesmo, uma vez em funcionamento, irá facilitar as comunicações entre o continente Sul-Americano e o asiático, sem ter de passar pela Europa e países árabes.

Satélite artificial
Um satélite artificial é um sistema que orbita em torno do nosso planeta, com uma altitude e velocidade constante, segundo informação do Ministério das Telecomunicações e Tecnologias de Informação. Geralmente, os satélites estão equipados com meios radioeléctricos e são dotados de energia, dispondo ou não de um sistema de controlo remoto.
O conceito do satélite artificial, enquanto veículo espacial e suporte de uma estrutura receptora e emissora, foi desenvolvido por Artur C. Clark, um radioamador britânico. A sua aplicação tornou-se realidade, quando Sergei Koreleve fez, em 1957, o lançamento para o espaço do Sputnik-1, satélite composto por um pequeno emissor de rádio.
Em Dezembro de 1961, quatro anos depois, é lançado no espaço o OSCAR-1, que se torna no primeiro satélite amador. Existem satélites que cumprem todas as aplicações necessárias, do ponto de vista técnico e científico, e que podem ou não ser repetidores, geradores e transdutores de informação diversa.

        Luandenses celebraram na Marginal 
O país assistiu ontem pela televisão ao lançamento em órbita do primeiro satélite angolano (Angosat-1), mas foi na Marginal de Luanda, onde milhares de pessoas se reuniram à volta de um ecrã gigante para celebrar o feito de baixo de fogo-de-artifício.
Eram precisamente 20 horas  e 58 segundos em Angola, quando a Televisão Publica mostrou, a partir de Cazaquistão (Federação Russa), as primeiras imagens da descolagem da cápsula que coloca o país no mercado espacial. A multidão que aguardava, ansiosa, por aquele momento entrou em euforia.
As pessoas, incluindo estrangeiros, começaram a fazer-se ao local a meio da tarde, porque informações postas a circular davam conta que o Angosat-1 seria lançado ao espaço às 19 horas, quando, na verdade, a festa, mais uma dos angolanos, estava marcada para às 20.
Numa cerimónia sem discursos, mas que contou com a presença de distintas figuras, entre membros do Governo, do clero, autoridades tradicionais e castrenses, o governador de Luanda, Adriano Mendes de Carvalho, acendeu um candeeiro que soltou para espaço, numa espécie de réplica ao satélite angolano lançado em órbita, a partir de Cazaquistão

Angola e Ceará estão unidos pela tecnologia

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No início do mês de agosto, o governador cearense, Camilo Santana, esteve em Angola para participar da cerimônia de lançamento da South Atlantic Cable System, a primeira rede de cabos submarinos de fibra óptica que ligará o continente africano diretamente ao Brasil. A obra, orçada em cerca de 160 milhões de dólares, será liderada pela multinacional Angola Cables e servirá para estreitar as relações comerciais entre a África e a América do Sul, especialmente no setor de tecnologia, mas também deverá reforçar o papel do Ceará como polo nacional de infraestrutura e comunicação de dados.

A nova ligação com a África será totalmente integrada ao Cinturão Digital do Ceará, que atualmente já conecta o Brasil aos Estados Unidos, à Europa e a vários países da América do Sul. A parceria com a Angola Cables prevê também a construção de um moderníssimo data center em Fortaleza, ao custo de 30 milhões de dólares, que aumentará ainda mais a capacidade de armazenamento e transmissão de dados das empresas da região. “Trata-se de uma grande oportunidade para os empresários dos segmentos de TI, produção de conteúdo e games”, afirma o secretário do Planejamento do estado, Maia Júnior, destacando os incentivos fiscais concedidos para as companhias de tecnologia. “Esse é um setor que interessa muito ao Ceará. Queremos investir ainda mais nessa nova economia e atrair startups”, diz.

Atrativos

O investimento em tecnologia está diretamente ligado aos avanços conquistados pelo estado na área da educação. Hoje, o Ceará é referência em ensino de qualidade, abrigando 77 das 100 melhores escolas públicas de ensino fundamental do Brasil – incluindo as 24 primeiras da lista – e vem formando um grande contingente de profissionais altamente qualificados e capacitados para atuar nos mais diferentes setores.

A economia sólida é outro atrativo do Ceará, estado brasileiro com o melhor equilíbrio fiscal de acordo com estudo recente da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan) –  cresceu 1,9% no primeiro trimestre de 2017, índice bem acima da média nacional. No mesmo período, o PIB do Brasil registrou aumento de 1%.

“O Ceará vive um momento de atração de investimentos nacionais e internacionais por ser um importante hub digital no Brasil”, afirma o secretário do Desenvolvimento Econômico do estado, Cesar Ribeiro. “Além disso, o estado vem se consolidando também como hub logístico, devido principalmente ao crescimento do complexo do Pecém. O potencial do nosso porto e a chegada da operadora alemã Fraport, que vai administrar o Aeroporto Internacional de Fortaleza pelos próximos anos e deve expandir as rotas aéreas a partir do Ceará, garantirão maior agilidade ao escoamento de produtos perecíveis produzidos no estado, como flores, frutas e pescados.”

Situado em uma área de 13 000 hectares, o complexo do Pecém abriga hoje alguns dos maiores investimentos privados do Brasil, como a Companhia Siderúrgica do Pecém (CSP). Inaugurada em abril deste ano, a CSP é uma joint-venture da mineradora brasileira Vale com as sul-coreanas Dongkuk (maior compradora global de chapas de aço) e Posco (maior siderúrgica da Coreia e quarta maior do mundo) que deve produzir 3 milhões de toneladas de chapas de aço logo em seu primeiro ano de operação. Boa parte da produção já é exportada via Porto do Pecém para Alemanha, Estados Unidos, Reino Unido, Coreia do Sul, Taiwan, entre outros.

O complexo do Pecém abriga ainda a única Zona de Processamento de Exportação (ZPE) atualmente em operação no Brasil, condição que tem despertado o interesse de companhias multinacionais e outras indústrias brasileiras com foco na exportação. A ZPE é uma zona de livre comércio onde toda a produção conta com tributação diferenciada, como a isenção de IPI, PIS e Cofins, além da possibilidade de recebimento dos pagamentos fora do país.

A logística é outro diferencial competitivo do complexo do Pecém. Graças à localização privilegiada e à sua moderna infraestrutura portuária, a movimentação de cargas no porto vem crescendo em média 25% ao ano e, hoje, chega a 15 milhões de toneladas. A meta dos administradores, no entanto, é dobrar esse volume em pouco tempo. “Por estar ‘na esquina do Atlântico’, como costumamos dizer, a quatro dias de distância da África, a oito dias da Europa e a sete da costa leste dos Estados Unidos, o Ceará pode garantir uma maior rapidez às exportações marítimas. Esse é um diferencial do Pecém”, conclui o secretário Cesar Ribeiro.

Gana lança importante projeto no campo da astronomia

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Não é preciso ser rico para isso, basta vontade política, começando lá de baixo. Gana por exemplo. Tem o 87º PIB do mundo. O Uruguay está em 79º. Eles tem a 126ª renda per capita do mundo. Nós que somos essa desgraça, estamos em 80. Mesmo assim eles conseguem juntar uns caraminguás e investir em ciência.

O mais recente projeto é o radio-observatório de Kuntunse. Os cientistas conseguiram uma antiga antena de comunicação doada pela Vodafone, e com apoio do governo transformaram as instalações em um radiotelescópio.

Esse equipamento não só permitirá observações sofisticadas, como será integrado a telescópios em outros países, inclusive Europa e África do Sul. Através de um processo de interferometria, é criada uma antena virtual com milhares de km, possibilitando muito mais resolução.

O custo do projeto foi de US$ 9,2 milhões, ou “você me fez dar pause em Game of Thrones pra ISSO?” em valores de políticos brasileiros. Foi bancado pelo African Renaissance and International Cooperation Fund, um Departamento que promove investimentos pacíficos em países africanos.

A meta agora é incluir Astronomia nas universidades locais, assim não será mais preciso ir para o exterior estudar. Dickson Adomako, diretor do Instituto Ganense de Tecnologia e Ciência Espacial ressalta que o observatório será uma chance dos astrônomos botarem a mão na massa, saindo do campo teórico.

O observatório foi inaugurado quinta-feira passada pelo presidente Nana Addo Dankwa Akufo-Addo, e descrito como o começo de uma nova era de pesquisa e cooperação internacional, incluindo a African Very Long Baseline Interferometry Network.ghana-radio-astronomy-observatory.jpg

Essa iniciativa vinda de um país tão pobre mostra que não importa o seu tamanho. Ninguém é tão pequeno que não possa olhar pra cima e sonhar com as estrelas.

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Isabel dos Santos diz que SIC é “muito cara”

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A empresária Isabel dos Santos, que detém a distribuidora angolana de televisão por subscrição Zap, escreveu hoje que “a SIC é muito cara” e que a exclusão dos canais daquele grupo português é uma decisão comercial.A posição é assumida pela empresária, filha do chefe de Estado angolano, numa publicação que Isabel dos Santos colocou hoje nas redes sociais, onde tem estado activa há vários dias, e que surge depois de a distribuidora DStv ter tomado a mesma medida, excluindo desde segunda-feira também os canais SIC Internacional África e SIC Notícias da sua grelha, como já tinha feito a Zap, em Março.“A inconfessável ganância comercial do milionário Pinto Balsemão. Em Angola quer encaixar pela SIC um milhão de euros/ano. A comparar com a BBC 33 mil euros/anos ou a Al Jazeera 66 mil euros/anos”, escreve Isabel dos Santos.

Sem nunca se referir directamente às decisões de exclusão da grelha das duas distribuidoras que operam em Angola (Zap e DStv) daqueles dois canais do grupo Impresa, presidido por Francisco Pinto Balsemão, Isabel dos Santos afirma que “a razão é comercial e não política”.

“A SIC é muito cara”, conclui a empresária, no mesmo texto, escrito em português, inglês e francês.

Desde a meia-noite de segunda-feira que a operadora de televisão por subscrição Multichoice, através da plataforma internacional DStv, deixou de transmitir os canais SIC Notícias e SIC Internacional África em Angola.

Esta decisão é semelhante à tomada anteriormente pela Zap, outra das duas operadoras generalistas em Angola, que em 14 de Março interrompeu a difusão dos canais SIC Internacional e SIC Notícias nos mercados de Angola e Moçambique, o que aconteceu depois de o canal português ter divulgado reportagens críticas ao regime de Luanda.

A Multichoice África, que tem a plataforma DStv, fornece serviços de televisão pré-paga de canais digitais múltiplos contendo canais de África, América, China, Índia, Ásia e Europa, por satélite.

Já a Zap, que iniciou a sua actividade no mercado angolano em abril de 2010, é actualmente a maior operadora de TV por satélite em Angola.

A operadora portuguesa NOS detém 30% da Zap, sendo o restante capital detido pela Sociedade de Investimentos e Participações, da empresária angolana Isabel dos Santos.

A maioria do capital da NOS é detido pela ZOPT, ‘holding’ detida pela Sonae e por Isabel dos Santos.

Os restantes canais do grupo português, SIC Mulher, SIC Radical, SIC Caras e SIC K, continuam a ser transmitidos normalmente em Angola.

Na segunda-feira, a SIC disse ser “totalmente alheia” ao facto de os canais SIC Notícias e SIC Internacional África terem deixado de ser transmitidos pela plataforma DStv em Angola, acrescentando que a transmissão dos dois canais se mantém em Moçambique através da DStv.

Também na África do Sul a DStv continuará a exibir a SIC Internacional África

Angola vive, atualmente, um clima de pré-campanha eleitoral, com o aproximar das eleições gerais de 23 de agosto, às quais já não concorre José Eduardo dos Santos, Presidente da República desde 1979.

http://pt.rfi.fr/sao-tome-e-principe/20170607-sao-tome-aprova-criacao-do-tribunal-constitucional

Brasil visita a Namíbia com objetivos geoestratégicos militares

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Na visita do Ministro das Relações Exteriores do Brasil, Aloysio Nunes, à Namíbia, realizado esta semana, um dos principais assuntos em debate está a criação  do corredor marítimo entre os Portos de São Paulo e o Porto Walvis Bay. Uma criação geoestratégica que dará continuidade a parceria  entre a Marinha brasileira e a Marinha da Namíbia.

 
Visita ao Comandante de Operações Navais da Marinha da Namíbia

De 3 a 8 de março de 2017 , durante a estadia do Navio Patrulha Oceânico (NPaOc) “Apa”, no Porto de Walvis Bay, na Namíbia, o comandante do navio, Capitão de Corveta Jonathas Moscoso de Campos, realizou visitas protocolares ao Comandante de Operações Navais da Marinha da Namíbia e ao Prefeito de Walvis Bay, acompanhado pelo Adido de Defesa, Naval, do Exército e Aeronáutico na Namíbia.

No período em que permaneceu atracado, o navio recebeu a visita do Embaixador do Brasil na Namíbia, Eduardo Carvalho, além de oficiais da marinha namibiana e de adidos militares acreditados no país. Na ocasião, o comandante do “Apa” realizou uma apresentação aos visitantes, ressaltando o conceito da “Amazônia Azul” e a contribuição dada pelo Brasil para a segurança da região do Atlântico Sul. Também foram realizados exercícios conjuntos, com a participação de militares brasileiros e namibianos.

Após o suspender, no dia 8 de março, o navio realizou a Operação “Passex” com o Navio Patrulha “Brendan Simbwaye”, da Marinha da Namíbia, tendo sido executados exercícios de manobras táticas e de light line.

Encerrados os exercícios em águas namibianas, o navio brasileiro seguiu viagem para participar da Operação “Obangame Express-2017”, que envolve militares de países da África, Américas e Europa e tem como propósito promover a segurança na área do Golfo da Guiné contra pirataria. A ação contará com a participação de dois oficiais namibianos embarcados como observadores.

 

Exercício de light line entre o “Apa” e o “Brendan Simbwaye”
Visita ao Prefeito de Walvis Bay
Embaixador do Brasil na Namíbia (ao centro), Oficiais da MB e Oficiais da Marinha da Namíbia em visita ao NPaOc “Apa”

A revolução dos meios de comunicação em Cabo Verde

O ministro da Cultura de Cabo Verde prometeu uma “revolução” na comunicação social, anunciando a revisão do contrato de concessão de serviço público e o reforço dos poderes da autoridade reguladora.

O ministro da Cultura, Abraão Vicente, prometeu esta terça-feira uma “revolução” na comunicação social cabo-verdiana, anunciando, entre outras medidas, a revisão do contrato de concessão de serviço público e o reforço dos poderes da autoridade reguladora do setor. O ministro da Cultura e Indústrias Criativas de Cabo Verde, que tutela a Comunicação Social, fez o anúncio no parlamento, durante um debate sobre o setor agendado a pedido da oposição.

Segundo Abraão Vicente, a reforma do Governo inclui, entre outras medidas, a revisão e reforço do contrato de concessão de serviço público, a introdução de um código de ética obrigatório a todos os trabalhadores do serviço público, bem como a extinção da atual Direção Geral da Comunicação Social, passando as suas competências para a Autoridade Reguladora da Comunicação Social (ARC).

Abraão Vicente adiantou que o Governo pretende ainda introduzir medidas de “clarificação” da ação do Estado na aprovação dos instrumentos de gestão do serviço público para dar mais independência à comunicação social pública. “Faremos não uma mudança, mas uma verdadeira revolução naquilo que é o setor da comunicação social, pública e privada”, disse.

O debate sobre o setor da comunicação social foi agendado na sequência da polémica com a associação representativa dos jornalistas cabo-verdianos (AJOC) suscitada por duas publicações do ministro da Cultura e Indústrias Criativas na sua página na rede social Facebook e acontece depois de, na segunda-feira passada, Abraão Vicente ter sido ouvido em comissão parlamentar.

Na sequência das publicações, a AJOC acusou Abraão Vicente de tentar instrumentalizar a comunicação social pública, nomeadamente a televisão, interpretando parte das declarações do ministro como ameaças de despedimentos a jornalistas.

Abraão Vicente disse esta terça-feira estar no plenário para debater o setor da Comunicação Social e não para “comentar fofocas do Facebook”, acusando o Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV), oposição, de querer pôr em causa a credibilidade de Cabo Verde por já não estar no poder.

Repetindo os argumentos já apresentados na comissão, o ministro reafirmou que com esta polémica foi possível provar que em Cabo Verde se pode “opinar e publicar as suas opiniões livremente, sem temer pela liberdade ou segurança laboral”.

Por seu lado, o porta-voz do grupo parlamentar do PAICV, José Sanches, afirmou que existem “sinais preocupantes” que indiciam “atentados à liberdade de imprensa”, tendo confrontado o ministro, ao longo do debate, com exemplos do que considera ser a intervenção direta do Governo na gestão da televisão pública.

O PAICV acusou ainda o ministro de usar os ganhos conseguidos durante o período de governação do PAICV, nomeadamente a subida no Índice da Liberdade de Imprensa, para apresentar em plenário, considerando que as medidas apresentadas pelo Governo não passam de intenções.

No final do debate, Rui Semedo, do PAICV, considerou que Abraão Vicente deve um pedido de desculpas aos jornalistas e à sociedade cabo-verdiana pelas suas intervenções nesta área.

 

Fonte:http://observador.pt/2017/03/28/ministro-cabo-verdiano-promete-revolucao-na-comunicacao-social/

O Observatório

Este observatório é uma iniciativa do Grupo de Estudos Africanos vinculado ao Instituto de Relações Internacionais da Universidade de Brasília (GEA/IREL-UnB), que busca refletir sobre a vida política, social e econômica da África contemporânea, com destaque para sua inserção internacional. Preocupando-se com o continente marcado pela diversidade, o Grupo de Estudos Africanos, por meio do Observatório, propõe um olhar crítico e compreensivo sobre temas africanos, em suas mais diversas dimensões.
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