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Religião

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“Mocímboa” em Moçambique põe na agenda política a intolerância religiosa

“Precisamos de uma resposta enérgica ao caso Mocímboa”

Mocímboa da Praia. Há alguns meses, o nome de um dos municípios de Cabo Delgado até poderia passar despercebido aos leitores, sem despertar grande interesse. No entanto, depois dos ataques à mão armada que causaram uma preocupação generalizada, as coisas já não são mesmas.

Mocímboa tornou-se um distrito mais vasto e sonante do que algum dia foi. E o que lá aconteceu na primeira semana do mês, até hoje, retira o sossego a muitos, inclusive a Mia Couto, que trabalhou em Palma, distrito vizinho de Mocímboa da Praia.

Na percepção da maior referência literária viva do país, traduzida um pouco por todo o mundo, o fenómeno de Mocímboa da Praia deve ser estudado com muita seriedade, não pelo acto em si, mas porque não constitui um evento surpreendente para quem conhece o distrito. Longe disso. Mia considera que já era de esperar que um dia viessem ao de cima acções que demonstram a deformação do Islão naquele ponto do país.

“O que aconteceu em Mocímboa da Praia deve ser estudado com cuidado, porque não é uma coisa nova. Quando trabalhei em Palma, há algum tempo, fui vendo um certo radicalismo que se foi instalando, e penso que acordámos tarde nesse sentido, porque havia já sinais que demonstravam haver ali gente nova com uma atitude mais intolerante. Mais dias menos dias, aqueles ataques iriam acontecer”, afirmou o escritor, dois dias antes de lançar seu novo título “O bebedor de horizontes”.

mia couto01Não obstante ter-se referido às suas percepções em relação à radicalização do Islão em Mocímboa da Praia, Mia Couto considerou, na tarde desta segunda-feira, em Maputo, que é preciso agir rápido, com uma resposta enérgica de quem não pode tolerar a intolerância dos radicais. Mas isso não é tudo. Mais do que resolver o problema, é necessário que se dê um outro passo igualmente importante: “Tentar compreender o que está por detrás dos ataques ocorridos naquele distrito. Não se deve apenas agir como se tudo se tratasse de uma resposta militar, é preciso também uma resposta que crie focos de entendimento e de diálogo, algo que isole o fenómeno”, o que deve acontecer agora, porque, caso contrário, entende o autor, pode se repetir em Moçambique o que está a acontecer noutros países africanos.

Os ataques armados em Mocímboa da Praia tiveram como alvo esquadras e postos da Polícia. Os confrontos estenderam-se por alguns dias e fizeram uma dezena de mortos, incluindo agentes da Polícia.

Numa outra perspectiva, deixando ainda a ficção em surdina por alguns instantes, olhando mais para a vida real do país, o escritor não deixou de se referir a um outro acontecimento: o “chupa sangue”. “Esse fenômeno lembra-me a minha infância. Eu sou da Beira e, de vez em quando, tínhamos esses surtos desse fantasma do ‘chupa sangue’. A dimensão que isso toma tem a ver com o facto de as pessoas não terem respostas para coisas muito concretas da sua vida”. Logo, de acordo com Mia, não é o assunto em si que deve preocupar os moçambicanos, mas as razões que fazem com que o evento ganhe a dimensão que tem, para que não se repita o que aconteceu no Malawi, onde, de repente, tomou conta de uma sociedade inteira. Em parte, é necessário que se conheça a estória do ‘chupa sangue’ e recuperar a memória que dá origem a esse ‘fantasma’, porque o assunto também é sensível para o escritor.

http://opais.sapo.mz/precisamos-de-uma-resposta-energica-ao-caso-mocimboa

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Filósofo de Moçambique: “Estado não deve ficar indiferente ao que se passa dentro das igrejas”

O Estado não pode ficar indiferente ao que se passa nas igrejas

Ao som de uma ópera tocada no seu computador de mesa, numa sala com prateleiras cheias de livros versando um pouco de todas as ciências e sob nuvens de tabaco fumado a cachimbo, o filósofo moçambicano Severino Ngoenha falou ao nosso jornal( “O País” de  Moçambique) da violência que vem marcando o país e deixou duas conclusões: “Não somos um povo pacífico” e o “Estado não deve ficar indiferente ao que se passa dentro das igrejas”

Severino_Ngoenha

A violência doméstica foi o primeiro ponto de uma entrevista que começa com um pedido do entrevistado: “Deixe que eu fale, depois fazes as perguntas que tiveres”, disse Ngoenha, depois de uma concertação sobre os pontos da entrevista.

“Assistimos a casos de violência doméstica nas nossas famílias. Pais que espancam os filhos, maridos nas mulheres, mulheres que queimam os maridos com óleo de cozinha, assistimos à violência nos nossos quarteirões quando temos uma violência maior, que é a fome”, disse o académico, em jeito de contextualização.

filósofo moçambicano Severino NgoenhaSegundo o filósofo, estas situações são o reflexo daquilo que os moçambicanos são, que, contrariamente ao que o discurso político revela, “não somos pacíficos”.

“Gostaríamos de ser o que temos dito que somos, mas nós não somos um povo pacífico. A prova disto é que, se fizermos uma cronologia muito rápida, vemos que não há ninguém nos países da África Austral que praticou violência como nós. Não há ninguém que tem tantos conflitos armados como nós”, disse Ngoenha.

“As pessoas da minha geração (tenho 55 anos feitos este mês) viveram mais tempo de guerra do que de paz. E esta guerra ainda não terminou e, até, tende a permanecer nas nossas vidas”, referiu, deixando um apelo para a mudança do paradigma.

“Nós temos que inverter o paradigma nessa dimensão de passivos, para engrenarmos numa vida pacífica, uma vida regida pela moral e pelo direito. Quer dizer, temos que militar todos, para integrarmos uma maneira de fazer regida por outros princípios, outros valores que não sejam a força nem violência”, advertiu.

severinoCaso Mocímboa da Praia

Os recentes ataques de grupos radicais no distrito da Mocímboa da Praia são, para Severino Ngoenha, resultado do crescimento da onda de intolerância, cujas repercussões são “muito mais difíceis” que a violência com causas político-partidários.

Segundo Ngoenha, na base da violência em Mocímboa da Praia, está a intolerância e, também, a indiferença que abrange agora o lado das religiões. “Muitas vezes, limitamo-nos a não nos ocuparmos do que os outros fazem. O que fazem nas igrejas, que podem ser as grandes igrejas e mesquitas, seja de Maputo ou do Norte. O que acontece lá nos é indiferente”, disse o académico, chamando atenção para uma vigilância nacional.

“O que vai acontecendo ali dentro pode ter impacto nefasto, negativo, como aquilo que nos está a acontecer agora… Temos que nos interessar com o que acontece ali dentro, porque só sabendo o que existe ali, nós podemos prevenir até derrapagens que podem ter consequências como as mortes que assistimos em Mocímboa da Praia”, sugeriu, chamando atenção para um maior papel do Estado na vigilância contra práticas que possam perigar a estabilidade do país.

“A laicidade não pode ser entendida como indiferença em relação ao que se passa dentro das confissões religiosas. Isto não é simplesmente com o islão no norte. Mesmo com as igrejas no sul, há práticas que muitas vezes parecem contradizer aquilo que tem que ser praticado num Estado de Direito, e temos interesse, como cidadãos, país e povo, em estar atentos ao que acontece dentro dos muros daquelas instituições que vivem no nosso país e que são obrigadas a respeitar os princípios que regem a actividade civil dos moçambicanos”, salientou.filósofo

Da intolerância religiosa à etnicidade

A par da intolerância religiosa, Severino Ngoenha deixa um receio ainda maior para o futuro do país. “Eu tenho um receio ainda maior, em que por detrás da intolerância religiosa começa a manifestar-se uma espécie de intolerância étnica ou regional”.

“Estamos a assistir, de uma maneira velada, mas extremamente perigosa, o surgimento de uma terceira intolerância. Tenho visto nas zonas centro e norte o aumento dessas etnicidades a nível nacional. Esta intolerância é capaz de ser mais perigosa do que aquilo que conhecemos das épocas precedentes”, alertou.

A fonte diz que o regionalismo sempre existiu no país, dando como exemplo a criação da Frente de Libertação de Moçambique (Frelimo), que resultou da fusão de três movimentos nacionalistas. Foi combatido depois da independência nacional, mas “ressurgiu com o nascimento da Renamo” e “continuou a manifestar-se, na minha opinião, com a criação de amigos em Gaza, Maputo, Nampula, Quelimane, etc.”.

Segundo realçou, o grito das forças étnico-tribais voltou a estar patente na escolha de Filipe Nyusi como candidato presidencial da Frelimo. “Na eleição do Presidente Nyusi, recordam-se que era preciso que o candidato não fosse do sul. Por mais boas qualidades esse indivíduo tivesse, é importante para a questão do equilíbrio regional que fosse alguém do Centro ou do Norte. Isto era um reconhecimento de que existe um problema étnico ou regional em Moçambique”.

 

Politização ou mão externa

Severino Ngoenha suspeita de que haja interesses políticos por detrás das manifestações étnico-regionais que diz estarem a ressurgir no país. “Eu suspeito de que alguns indivíduos utilizam as pertenças étnicas para ganhar espaços de preponderância política”, disse a fonte, que avança também a possibilidade de uma mão externa interessada na instabilidade.

“Suspeito (também) de que alguma comunidade internacional ou algumas empresas internacionais não estão completamente livres ou independentes deste fenómeno. Algumas pessoas têm interesse em que este fenómeno se alargue, isto é extremamente perigoso para um dos fundamentos da vida de Moçambique, que é a nossa Unidade Nacional”.

O filósofo vê nos recursos naturais que colocam Moçambique na rota dos interesses mundiais como um dos aspectos que podem propiciar uma acção externa para a desestabilização do país.

“A descoberta dos recursos, a divisão dos recursos, mais presentes no Norte do que no Sul, vai levar a que este fenómeno cresça em dimensão. E é preciso lutar contra ele. É preciso antecipá-lo, encontrar mecanismos de travá-lo, descobrindo novas maneiras, reacendendo primeiro o espírito da moçambicanidade e unidade”, exortou, salientando que “já é até tarde, mas ainda temos espaço de manobra para fazê-lo”.

 

Descentralização

Segundo Severino Ngoenha, a descentralização efectiva do poder é um dos caminhos para travar os perigos da etnicidade e regionalismo no âmbito daquilo que são os interesses de um Moçambique uno e indivisível.

Para Ngoenha, o país precisa de se reinventar, de forma a que se torne indivisível. “Temos que reinventar. Nem que fosse para colocar a Assembleia da República no Norte, por exemplo. Temos que garantir que o país todo está uno e indivisível. Se não fizermos isso, vamos nos encontrar em situações muito complicadas e muito difíceis, num futuro próximo”, alertou.

“Moçambique é como uma equipa de futebol que tem 11 jogadores, cada um com as suas qualidades; um é defesa, outro meio campista ou avançado. Quando cada um joga no seu lugar e tem espaço para jogar no seu lugar e dá o melhor de si, a equipa ganha, mas quando um só jogador decide deixar a rede e as bolas passar, o que resulta é a derrota da equipa. Então, é preciso entendermos que Moçambique, como uma equipa de futebol, composta por indivíduos, grupos, culturas, raças completamente diferentes, mas ao mesmo tempo complementares, se formos capazes de jogar nisso, talvez não ganhemos, mas de certeza absoluta vamos perder menos”.

Papel do Estado nas igrejas

Questionado sobre qual deve ser, afinal, o papel do Estado dentro das paredes da igrejas, Severino Ngoenha disse que mais do que intervir directamente, o papel do Estado é estar atento. “Eu não chegaria a propor que o estado interviesse ou tivesse uma mão no interior dessas instituições religiosas, mas diria que é importante estarmos atentos ao que acontece, para que essas confissões religiosas – sejam cristãs ou muçulmanas, hindus, judias – presentes no nosso território, de facto, pautem pelo cumprimento tácito daquilo que é previsto pelos princípios legais e que regem a laicidade”.

Segundo Ngoenha, “deixá-los fazer, deixar que tenham práticas religiosas é bom, mas o problema é que há pessoas, há grupos que possam utilizar os espaços religiosos para vaticinar coisas que são contrárias aos princípios que regem o nosso viver colectivo”.

Mais adiante, o entrevistado disse que “o Estado não tem que criar igrejas moçambicanas, mas tem que fazer com que elas sejam respeitadas, porque assim fazendo, significa respeitar as comunidades, as crenças diferentes e, sobretudo, que elas estejam subordinadas a um princípio geral de convivência civil a que estão subordinados todos os 25 ou 26 milhões de moçambicanos”.

Recorde-se que os grupos radicais que protagonizaram terror em Mocímboa da praia tinham base em mesquitas conhecidas na vila, que, contrariando aquilo que são os princípios religiosos, tinham ideias radicais e projectos de insubordinação às instituições do Estado e legislação nacional.

 

Ministério da Justiça, Assuntos Constitucionais e Religiosos

Na senda das sugestões sobre mais vigilância do Estado, questionámos o entrevistado sobre o papel que está a ser desempenhado pelo Ministério da Justiça, Assuntos Constitucionais e Religiosos, ao que disse. “A questão não é se ela está ou não a fazer o suficiente, é, sim, o que está a fazer. O que acontece é que estamos defronte de um problema que já está a dar que falar aqui em Maputo ou no Sul. Há algumas igrejas que tiram a subsistência de certas famílias. Agora, temos esse problema até no Norte. Então, quer dizer que há um problema na maneira de praticar os diferentes cultos que pode, até, estar em contradição com as leis que regem a convivência civil dos moçambicanos e com o princípio da laicidade”.

“Então, atirando-nos a este problema e a este perigo, ocorre que de facto se tomem as medidas necessárias em termos de educação dos princípios do que é verdadeiramente a laicidade, em termos de um debate religioso ligado mais à tolerância e ao conhecimento ou reconhecimento do outro, e ligado a um estado que tem que zelar para que as religiões tenham a liberdade de praticar os seus próprios cultos, mas no quadro legal, que é o quadro moçambicano, nos princípios da laicidade que regem a convivência recíproca dos moçambicanos”, concluiu.

http://opais.sapo.mz/o-estado-nao-pode-ficar-indiferente-ao-que-se-passa-nas-igrejas

Imãs da Guiné-Bissau alertam para radicalismo religioso no país

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O presidente da União Nacional dos Imãs da Guiné-Bissau, Bubacar Djaló, alertou hoje, em entrevista à agência Lusa, para a existência de radicalismo religioso no país trazido por estrangeiros.

“De facto há aqueles que vêm de fora e que estão a incutir o radicalismo na cabeça dos filhos da Guiné-Bissau, aproveitando-se da pobreza e da falta de formação”, disse Bubacar Djaló, quando questionado pela Lusa sobre a existência de radicalismo islâmico.

Segundo o imã, algumas daquelas pessoas “não sabem três palavas (do islão) mas já se assumem como conhecedores”.

“Nem sabem peneirar qual a visão de um lado e do outro, não sabem respeitar as opiniões dos outros, apenas admitem as suas próprias opiniões, aquilo que aprenderam, mas não é isso a visão do islão”, salientou.

Bubacar Djaló explicou que aqueles estrangeiros chegam ao país e como não conseguem apresentar-se publicamente à comunidade “usam os filhos da Guiné-Bissau, por serem pouco instruídos na religião, para os dividir”.

“Recorrem às pessoas agressivas nas comunidades, pessoas facilmente `aliciáveis`, usam-nas para os seus fins. Estamos a tentar estancar tudo isso para ver se vamos conseguir fazer reinar aquele espírito de patriotismo da nossa terra”, afirmou, salientando que, se existe islão moderado, não há motivo para haver um islão radical.

Bubacar Djaló sublinhou também que pretende que a Guiné-Bissau seja um interlocutor no mundo para mostrar que o islão no país é uma “coisa filtrada, não uma coisa suja que ninguém sabe a origem e a finalidade”.

Sobre informações que dão conta da entrada de salafistas (radicais islâmicos) do Mali, Guiné-Conacri e Mauritânia, o líder dos imames da Guiné-Bissau disse “não ter dúvidas sobre isso”.

“Apenas não têm campo de manobra para se mostrarem, mas uma coisa é certa: nunca uma sementeira é posta na terra, no solo, para dar resultado no mesmo dia”, alertou.

O imã disse que aquelas pessoas já se encontram na Guiné-Bissau e que estão a dar ensinamentos e que só não sabe “quando é que os ensinamentos vão dar resultados”.

“Não podemos acabar com isso, porque existe em toda parte do mundo, mas podemos fazer com que não tenha progresso na sociedade, tudo isso depende da colaboração entre o Estado e os religiosos”, salientou.

O líder dos imãs guineenses também disse estar preocupado com a proliferação de mesquitas no país.

“Hoje constatamos que há mesquitas a serem construídas em locais onde não há necessidade para tal. Há casos em que novas mesquitas são construídas ao lado das nossas velhas mesquitas, o que acaba por dividir a comunidade, com uns a irem à mesquita nova e outros à mesquita antiga”, disse.

Isso, segundo Bubacar Djaló, cria desobediência, porque uns dão ouvidos a um líder e outros dão ouvidos a um outro líder da mesma comunidade.

“Por exemplo quem obedecia a um imã passa a ser ele mesmo imã. Começa a dizer que tem a sua autonomia para decretar coisas. A pior situação que existe hoje em dia na nossa comunidade é a proliferação de mesquitas na Guiné-Bissau. É uma coisa que nos deixa chateados. Estamos a ver mesquitas por todo lado sem saber de onde vem o financiamento, quem é que é o autor desses financiamentos”, alertou.

https://www.rtp.pt/noticias/mundo/uniao-nacional-dos-imas-da-guine-bissau-alerta-para-radicalismo-religioso-no-pais_n1035523

Serenidade e transparência pedem os Bispos católicos sobre a apuração das eleições angolanas

A Conferência Episcopal de Angola e São Tomé (CEAST) apelou ontem, em Luanda, às formações políticas concorrentes às eleições gerais de 23 de Agosto, a respeitarem a vontade expressa nas urnas pelo povo angolano.

Arcebispo de Luanda exortou as forças concorrentes a aceitarem a vontade do povo expressa nas urnas
Fotografia: Kindala Manuel|Edições Novembro

O apelo dos bispos católicos vem expresso numa mensagem pastoral sobre as eleições lida pelo porta-voz da CEAST, Dom Manuel Imbamba, no final de uma conferência de imprensa, orientada pelo presidente desta instituição e arcebispo de Luanda, Dom Filomeno Vieira Dias.
Na mensagem, os bispos católicos saúdam o povo angolano que “respondeu com alegria, nobreza, civismo e dignidade à convocatória eleitoral” no dia 23 de Agosto de 2017, acrescentando que os angolanos demonstraram ser um povo que pugna pelo convívio social multicultural, fomentador da unidade na diversidade, da reconciliação efectiva, do desenvolvimento autêntico e da paz que parte do coração.
“Neste momento cabe aos políticos dar corpo e sentido ao convívio da vontade expressa nas urnas, aceitando com serenidade e responsabilidade o veredito final”, refere a mensagem dos bispos católicos, que apelam ao recurso às leis para dissipar possíveis equívocos.
A mensagem sublinha ainda que “o olhar de todos os angolanos e dos amigos de Angola está virado para a Comissão Nacional Eleitoral (CNE), a quem cabe o peso da responsabilidade de gerir e publicar, com a máxima transparência e nos termos da Lei, tudo quanto os leitores exprimiram nas urnas”. A CEAST apelou aos órgãos de comunicação social e utentes das redes sociais a não transformarem instrumentos de promoção do bem, da integração da paz, do diálogo e do convívio em instrumentos de instigação e propagação do terror, do medo, da insegurança, da desordem, da divisão e da desinformação gratuita.

“Unamos as nossas vontades e inteligências e trabalhemos por uma Angola fraterna, plural, inclusiva, bela e próspera”, referem os bispos, que apelam ainda os angolanos a  manterem acesas as lâmpadas da fé, harmonia, diálogo, calma, paz e do respeito mútuo.

No período de perguntas e respostas, Dom Filomeno Vieira Dias disse que a comunicação social pública não  tratou de forma igual os partidos políticos durante a campanha, mas sublinhou o papel desempenhado por todos os órgãos de informação, que permitiu aos eleitores reflectirem sobre vários assuntos. Sublinhou que deve haver um esforço por parte daqueles que procuram ser veículos e transmissores da verdade. Por seu lado, o vice-presidente e porta-voz da CEAST disse que é precioso trabalhar para se evitar o mal estar que paira entre as pessoas depois das eleições.

“Hoje estamos a sentir que as pessoas estão muito tensas, nervosas e querem mudanças imediatas”, referiu Dom Manuel Imbamba, acrescentando que todos os procedimentos seguidos no processo eleitoral devem estar de acordo com a Lei.
“A CNE deve ter coragem de procurar o diálogo inclusivo com as partes em jogo, para que nenhuma delas se sinta lesada naquilo que lhe cabe como direito”, disse.

Igreja Católica moçambicana denuncia dívidas ocultas como insconstitucional

A Igreja Católica moçambicana pede que o órgão competente declare inconstitucional a inclusão, por parte da Assembleia da República, das dívidas ocultas “contraídas de forma unilateral, ilegal e ilegítima”, informa o jornal O País.


Num comunicado divulgado, terça-feira (5), pela Comissão Episcopal de Justiça e Paz, a Igreja Católica exige a responsabilização dos que contraíram diretamente a dívida, assim como das pessoas e instituições que não responderam à solicitação de informação da Kroll, consultora responsável pela auditoria à Ematum, Pro Indicus e MAM, informa hoje o jornal moçambicano.

“Não podemos permitir que ao povo moçambicano seja imputada a responsabilidade de pagar com a miséria, sangue e morte as dívidas contraídas em seu nome de forma ilegal e inconstitucional”, diz a Igreja Católica.

Em mensagem aos cristãos católicos, a igreja diz que ninguém está obrigado a obedecer à disciplina de qualquer partido político ou aos seus dirigentes, contradizendo a sua consciência. “Não podemos colocar um partido nem os seus dirigentes acima da justiça, do amor a Deus e do amor aos irmãos. No final dos nossos dias, seremos julgados conforme o amor. Não levaremos riquezas nem poder”,  lê-se na nota divulgada pelos bispos.

A Comissão Episcopal lembra as inconsistências entre as explicações fornecidas pelo Indivíduo A, pelo Ministério da Defesa e pela empresa Contratada relativamente à utilização efetiva dos USD 500 milhões de dólares do montante do empréstimo.

De acordo com o resumo da auditoria, continuam a subsistir lacunas sobre como foram exatamente gastos os USD 2 biliões de dólares, apesar de esforços consideráveis para resolver essas lacunas.

https://africa21digital.com/2017/07/05/igreja-catolica-de-mocambique-pede-declaracao-de-ilegalidade-da-divida-oculta/

O Observatório

Este observatório é uma iniciativa do Grupo de Estudos Africanos vinculado ao Instituto de Relações Internacionais da Universidade de Brasília (GEA/IREL-UnB), que busca refletir sobre a vida política, social e econômica da África contemporânea, com destaque para sua inserção internacional. Preocupando-se com o continente marcado pela diversidade, o Grupo de Estudos Africanos, por meio do Observatório, propõe um olhar crítico e compreensivo sobre temas africanos, em suas mais diversas dimensões.