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PRÊMIO INTERNACIONAL DE INVESTIGAÇÃO HISTÓRICA AGOSTINHO NETO

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REGULAMENTO DO PRÊMIO INTERNACIONAL DE INVESTIGAÇÃO HISTÓRICA AGOSTINHO NETO

 

Artigo 1 (Objecto, patrocínio, âmbito)

A Fundação Dr. António Agostinho Neto (FAAN) e o Instituto Afro-brasileiro de Ensino Superior (IABES), representado pela Faculdade Zumbi dos Palmares (FZP), promovem um concurso internacional, de dois em dois anos, designado

PRÉMIO INTERNACIONAL DE INVESTIGAÇÃO HISTÓRICA AGOSTINHO NETO, nos termos e condições deste regulamento.
O PRÉMIO INTERNACIONAL DE INVESTIGAÇÃO HISTÓRICA  AGOSTINHO NETO é patrocinado pela FAAN e pelo IABES.

O PRÉMIO INTERNACIONAL DE INVESTIGAÇÃO HISTÓRICA AGOSTINHO NETO destina-se a galardoar as obras de investigação escritas sobre Agostinho Neto, Angola, África, Brasil, a Diáspora e Afrodescendentes que contribuam para o melhor conhecimento da história de Angola, do Brasil e de África.

Artigo 2 (Periodicidade e Prémio)

1. Este concurso atribui, bianualmente, à melhor obra, o PRÉMIO INTERNACIONAL DE INVESTIGAÇÃO HISTÓRICA AGOSTINHO
NETO.

2. Ao(s) autor(es) da obra distinguida com o PRÉMIO INTERNACIONAL DE INVESTIGAÇÃO HISTÓRICA AGOSTINHO NETO será entregue um diploma, um troféu e a quantia equivalente a 50.000,00 USD (cinquenta mil Dólares dos EUA).

Artigo 3 (Autor)

1. Considera-se o autor, para efeitos do presente regulamento, uma ou mais pessoas que tenham produzido o trabalho de investigação.
2. Serão admitidas a concurso obras de autoria de angolanos, de brasileiros e de outras nacionalidades.
3. Recomenda-se, quando possível, o registo das obras no órgão competente de registo dos direitos de autor.
4. O original deve ser impresso em folhas de papel de cor branca e tamanho A4, O texto deve estar formatado em tamanho 12, tipo de letra Times News Roman. As páginas devem estar numeradas, ordenadas e conter o título da obra e o nome do autor.
5. Na primeira folha deve vir indicado o título da obra e o nome do autor.
6. Terá de ser apresentado um resumo com o máximo de três folhas que deverá exprimir correctamente o conteúdo do trabalho, de modo a permitir uma primeira análise quanto à admissibilidade a concurso.
7. Os trabalhos devem ser escritos em língua portuguesa e enviados em suporte digital (CD, pendrive ou por correio electrónico).

Artigo 4 (Secretariado do Prémio)

Os trabalhos para candidatura devem ser enviados até ao dia 31 de Março ao Secretariado do Prémio:
a) Em Angola: 2 Exemplares para a Fundação Dr. António Agostinho Neto, sita na Rua Major Kanhangulo, Nº 10, Luanda, Angola. E-mail: fundagostinhoneto@gmail.com. Telefone: (+244) 222335431. Fax: (+244) 222332474.
b) No Brasil: 2 Exemplares para o Instituto Afrobrasileiro de Ensino Superior – CNPJ 05.234.052/0001-46, Avenida Santos Dumont, 843, CEP 01101-000, Bairro Ponte Pequena, Município de São Paulo, Estado de São Paulo, Brasil
Ou

Para a Fundação Zumbi dos Palmares, sita na Rua Santos Dumont, Nº 843, Armênia, São Paulo, SP, Brasil. E-mails: jose.vicente@unipalmares.edu.br e ivairs@gmail.com (011)3325-1000.
Artigo 5 (Documentação)

A acompanhar a apresentação do original a que se refere o artigo 4º, deverá ser entregue a identificação completa mediante a documentação seguinte:

1. Fotocópia do Bilhete de Identidade
2. Residência dos autores da obra
3. Títulos académicos
4. Curriculum profissional
5. A declaração constante do artigo 6º, será assinada pelo autor ou autores da obra.

Artigo 6 (Declaração)

Os autores das obras candidatas devem subscrever, como condição para a sua admissibilidade, a seguinte declaração:

Nome (identificação completa do autor, incluindo a nacionalidade) do autor ou autores em colaboração da obra intelectual sobre o tema (identificação do tema) e com o título (identificação do título), candidata-se ao PRÉMIO INTERNACIONAL DE INVESTIGAÇÃO HISTÓRICA AGOSTINHO NETO, ano respectivo, declara(m) ter tomado conhecimento, nesta data, do teor completo do regulamento, com o qual concorda(m) plenamente. Assim aceita(m) colaborar com a organização do PRÉMIO em tudo o que está estipulado no referido regulamento.
Expressamente autoriza(m) a utilização do original e cópias da sua honra, nos termos previstos no citado regulamento, designadamente para a reprodução integral fotocopiada a que se refere o seu artigo 7º.
Declara(m) ainda abster-se de quaisquer actos ou iniciativas que possam diminuir o interesse ou ineditismo da obra até à divulgação dos respectivos resultados, nos termos do artigo 16º do presente regulamento.

Artigo 7 (Cópias do trabalho)

As cópias do trabalho serão distribuídas pelos membros do Júri e não serão devolvidas ao autor. Elas destinam-se a ser entregues ao Presidente do Júri, nos termos e para os efeitos do artigo 8º, e as restantes reproduções serão reservadas para consulta dos Membros do Júri.
Artigo 8 (Das decisões do Júri. Prazos. Irrecorribilidade)
1. Compete ao Presidente do Júri apreciar se cada obra candidata ao Prémio se coaduna ou não com os termos deste regulamento.
2. Esta apreciação deve ser feita no prazo de trinta dias úteis após a data de entrega.
3. Das decisões do Presidente do Júri, nos termos deste artigo, não cabe qualquer espécie de recurso, pelo que são definitivas.
Artigo 9 (Conceito de obra em participação)
Obra em participação é toda aquela que tenha sido apresentada pelo candidato nos termos deste regulamento e tenha sido admitida a apreciação preliminar.

Artigo 10

(Designação do Júri)
1. O Júri do Prémio bianual, é composto por sete elementos, um dos quais é Professor de História para a função de Presidente do Júri.
2. O Presidente do Júri, os dois investigadores, dois vogais e um secretário serão designados pela FAAN e o IABES, tendo como base professores, escritores e representantes indicados pela FAAN e pelo IABES.
3. A Fundação Dr. António Agostinho Neto indica um membro para supervisionar os trabalhos.
4. Quando o Júri não se julgar competente para avaliar o mérito de uma ou várias obras concorrentes, poderá consultar peritos nacionais ou internacionais.
5. O contacto com o (s) perito (s) será feito pelo Presidente ou pelo membro do Júri em quem ele delegue.
6. Os membros do Júri guardarão sigilo quanto às obras candidatas ao Prémio.
7. Este processo será público e sob supervisão do patrocinador.

Artigo 11 (Deliberação do júri)

1. O Júri é autónomo e competente para deliberar por maioria simples sobre a classificação das obras.
2. Em caso de empate nas votações, o Presidente dispõe de voto de desempate.
3. O Secretário não dispõe de direito de voto.
4. Compete ao Júri a definição do seu modo de funcionamento, obrigando-se a cumprir os termos e as condições deste regulamento e a fundamentar as suas decisões.
5. As deliberações do Júri são definitivas, delas não cabendo qualquer recurso.
Artigo 12 (Classificação)
O Júri apreciará as obras em participação e escolherá de entre elas a de maior mérito para receber o título de obra premiada com o PRÉMIO INTERNACIONAL DE INVESTIGAÇÃO HISTÓRICA AGOSTINHO NETO, no ano respectivo.

Artigo 13 (Divulgação das obras)

1. Os autores intelectuais das obras premiadas autorizam a FAAN e o IABES, a efectuar, segundo o seu livre critério, por si ou por terceiros a quem ceda gratuitamente esse direito, a publicação das obras em primeira edição, com exclusividade, até dez mil exemplares.
2. A autorização abrange reproduções ou menções de extractos, resumos ou condensações das respectivas obras por quaisquer meios durante um período de dois anos.
Artigo 14 (Publicações)
1. A publicação das obras será feita no Brasil, através da Editora Zumbi dos Palmares, sendo metade para a FAAN e a outra metade para o IABES, no sistema de co-edição.
2. A língua empregue na publicação será o português sem acordo ortográfico para Angola e com acordo ortográfico para o Brasil.

Artigo 15 (Local de entrega do prémio)

1. O prémio será entregue em cerimónia solene na sede da FAAN ou noutro local por si designado.
2. A obra será lançada tanto no FESTINETO, em Angola, como na FLINK SAMPA, no Brasil, seguida de debate com o autor, a FAAN, a FLINK SAMPA e o presidente do Júri.
Artigo 16 (Data da divulgação do Prémio)
Os resultados serão divulgados em cerimónia pública a realizar-se no dia 17 de Setembro, data do nascimento de António Agostinho Neto.

Artigo 17
(Obrigações e Actos do Júri)

1. A FAAN e o IABES não se obrigam em relação a obras ou a autores que não preencham a totalidade das condições expressas ou implícitas neste regulamento.
2. A FAAN e o IABES não poderão ser responsabilizados pelos actos do Júri.
Luanda, 10 de Setembro de 2014
São Paulo, 10 de Setembro de 2014

ADENDA

Atendendo à exiguidade de tempo para a entrega das obras candidatas ao Prémio 2017-2018 até ao dia 31 de Março de 2018 assim como a dificuldades de recepção de trabalhos volumosos pelo correio, foram alterados os Artigo 3º e o Artigo 4º.

Luanda, 20 de Fevereiro de 2018
São Paulo, 20 de Fevereiro de 2018.

 

http://www.agostinhoneto.org/index.php?option=com_content&view=article&id=1366:regulamento-do-premio-internacional-de-investigacao-historica-agostinho-neto&catid=37:noticias&Itemid=206

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Felwine Sarr: África é o continente mais ancestral do mundo

João BiscaiaDAVIDE PINHEIRO

Economista e artista senegalês, Felwine Sarr escreveu “Afrotopia” sobre a descolonização e o sonho africano

África, o continente das feridas do séc. xx por sarar ou o lugar onde a utopia é real no séc. xxi? O pensador, economista e artista senegalês Felwine Sarr escreveu “Afrotopia” sobre o processo adiado de descolonização. O livro é um apelo a uma visão inclusiva e contemporânea. De África para o mundo e o inverso. Às 18h30 conversa com os artistas alemães Monika Gintersdorfer e Knut Klaßen, em Lisboa, para apresentar “Diálogo Direto Kinshasa Lisboa” no Teatro Maria Matos. O espetáculo pode ser visto de quinta a sábado, sempre às 21h30.afroutopiaNo livro “Afrotopia” defende que o processo de descolonização ainda não terminou. O que falta fazer?

A descolonização é um processo muito longo. No final dos anos 60, os países africanos tornaram-se independentes, mas para se ter independência não basta um território e uma bandeira. A questão racial e a relação com os países colonizadores não terminou aí. As ligações políticas e culturais continuam a ser assimétricas porque foram construídas dessa forma. Não é em dez ou 20 anos que se reconstrói uma relação. Reconquistar a liberdade e a autonomia leva tempo. É preciso desarticular estas ligações, negociar uma relação mais justa e horizontal. A descolonização está na forma como se organiza a sociedade para que se possa decidir o futuro e atingir objetivos.

É um problema africano e europeu?

Sim, de ambos. A Europa decidiu pela descolonização porque tinha os turistas e era muito caro manter as colónias. Foi o contexto histórico, e não uma questão de arrependimento moral ao não contribuir para um mundo mais igualitário e aproveitar-se dos recursos existentes em África. A Europa não vai querer perder o acesso às matérias-primas e, se puder continuar a defender uma relação injusta do ponto de vista económico, vai continuar a fazê-lo. E também os líderes dos países africanos na altura recém-independentes não cortaram essa relação umbilical. Pensaram que imitar a Europa na organização social e política seria uma boa forma de desenvolvimento. Não rearticularam a História. Veja-se o caso da França, que continuou a intervir militarmente nas ex-colónias. Não se pode dizer que as coisas não tenham mudado. Há países que conseguiram ter bastante autonomia, mas outros, como a África do Sul, têm muito trabalho pela frente.Felwine_Sarr_IMG_2388

África precisa de reencontrar um caminho próprio?

Repare, África é o continente mais ancestral do mundo. As primeiras formas de organização social foram em África. Há uma história muito longa do que significa a vida e viver em sociedade. Toda a experiência humana passou por África. O colonialismo foi apenas um período curto na História, apesar de muito significativo. Alterou a trajetória dos países africanos. Não é possível reescrever a História, mas África pode reinventar-se desde que rearticule os legados históricos – incluindo o passado colonial – e escolha o seu caminho. Não me parece que isso esteja a acontecer. Não estamos a decidir que sociedade queremos. Para mim, essa é a questão central. Que tipo de equilíbrio pretendemos entre economia, ecologia e espiritualidade? Que tipo de ser humano queremos? Se respondermos a estas questões, podemos construir um modelo de sociedade centrado na nossa visão da História.

As gerações pós-raciais podem desempenhar um papel decisivo?

Sem dúvida. Está na hora de nos reinventarmos com novas ideias e um olhar progressista, em vez de estarmos sempre presos ao lado negro da nossa história recente.

É muito crítico das ONG. Boas intenções não são suficientes?

Não são. Não todas, mas uma parte delas julgam saber o que é bom para as pessoas. É quase um pensamento colonialista. Quererem ajudar não significa que saibam o que é melhor para as pessoas. Ajudar significa dar às pessoas o poder de decisão sobre as suas vidas. Quando não se tem essa capacidade, quer dizer que a relação é de dependência. Algumas ONG contribuem para esse vínculo. Quando abandonam os programas humanitários, as pessoas ficam pior do que estavam. Este é o meu primeiro problema. O segundo é que a ajuda, a curto prazo, pode ser boa, mas inibe as pessoas de procurarem soluções próprias. É preciso tentar e falhar até encontrar as respostas necessárias. A longo prazo, vai ser prejudicial. A solidariedade deve ser repensada e envolver todos os agentes envolvidos neste processo. As pessoas devem poder escolher a forma de ser ajudadas.

Estamos a passar por um período de grande turbulência política em que algumas questões parecem ser opacas. O racismo tem diferentes camadas?

Absolutamente. Um amigo meu usou no novo livro que escreveu o conceito de “racismo menor”. É um tipo de racismo do dia-a-dia, das conversas… É muito difícil combatê-lo porque não está na lei. É mais informal. O problema do racismo é a definição através do outro. O outro define-te e cataloga-te sem te conhecer por haver uma série de características que um determinado grupo, que se julga superior, tem. E o racismo não se define apenas nas relações. Pode ser institucional e instalar-se nas relações políticas, quando uma cultura se julga superior à outra. 

Teve uma banda quando era estudante. A arte pode desempenhar um papel decisivo nestes processos?

As manifestações artísticas podem ser uma forma de combater o racismo. A literatura, a música e o discurso associado são muito importantes. Sobretudo a música é um bom exemplo. É uma arte participativa e de comunhão. É possível transmitir uma mensagem sem compreender uma palavra da letra, graças à vibração. A música é também um lugar de encontro sem hegemonias. A relação constrói-se apenas através da beleza ou das harmonias. Uma canção pode falar para toda a gente, mas o único critério de apreciação é a sensibilidade. E, além disso, é uma forma de lidar com a cultura do próximo. Mas pode também envolver riscos se a música africana for entendida de forma folclórica. Os ritmos são muito complexos na forma de tocar djembê ou bateria. Até na música, a abordagem é importante.felwine-sarr-151681-250-400

É possível pensar em África como um todo ou a dimensão não o permite?

O sonho de unificar o continente existe desde o séc. xix, mas é um projeto muito complicado devido à diversidade e às identidades locais. É complicado para os políticos abandonar a sua visão territorial e transpô-la para uma dimensão mais vasta. Era preciso partir de baixo e construir uma consciência pan-africana. Nada está feito para se construir um pensamento de pertença a uma comunidade maior. Há muito trabalho a fazer. Em 2050 seremos 2,5 mil milhões de pessoas. Não sei como será possível administrar tantas pessoas. É preciso repensar a formar de olhar para estas questões. Construir, e não apenas sonhar.

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Vê-se como um afro-sonhador? Afro-realista?

(risos) Não, estou apenas a tentar ser afro-lúcido. Olhar para a realidade sem óculos de euforia ou desespero. Por vezes é difícil compreender a realidade, por ser muito opaca, mas acredito que estão a acontecer boas dinâmicas a nível econômico e demográfico. Nas novas gerações há vontade de construir uma África nova. Estamos a viver uma crise que não é apenas económica. É filosófica, ética e moral. Temos uma ordem, mas não sabemos para onde estamos a ir. O neoliberalismo não deixou lugar para o ser humano. Provavelmente, todas as sociedades se estão a interrogar sobre a forma de escapar. Em África, as questões são mais urgentes. Por isso é que a questão da utopia é tão importante. É necessário um espaço na sociedade para a utopia. Deve haver lugar na mente para a imaginação. Para que o sonho seja ativo e possa ser real.

Acredita que as novas gerações veem África de uma forma inclusiva e articulada com o resto do mundo?

É interessante essa questão porque ainda esta manhã estive a trabalhar no título de um livro sobre a relação de África com o mundo. África como parte do mundo, e não isolada. As novas gerações africanas estão no centro do mundo e a forma como se relacionam com África é sentirem-se cidadãos do mundo. A dinâmica não é separada. A questão mais importante neste século passa por africanizar globalmente e vice-versa.

 

Fonte: https://ionline.sapo.pt/559090

 

Rei de Cassanje quer o “Dia dos Mártires da Repressão Colonial” exaltado pela nação

Fula Martins |

As autoridades tradicionais da Baixa de Cassanje apelam ao Executivo para fazer maior divulgação da revolta registada naquela região, para que as pessoas tenham em mente a real dimensão do que aconteceu a 4 de Janeiro de 1961.

Soberano considera que a atribuição de pensões de reforma aos sobreviventes deve ser extensiva a outros angolanos com participação directa no acto
Fotografia: João Gomes | Edições Novembro

Falando ao Jornal de An­gola, o Rei da Baixa de Cassanje, Dianhenga Aspirante Cambamba Nginge Kulaxingo, disse que a data deve ser mais exaltada por ser histórica, porque foi o dia que despertou a consciência patriótica e a unidade dos angolanos em prol da liberdade.
“Em cada região do país registaram-se revoltas contra a repressão colonial, em solidariedade com os camponeses da Baixa de Cassanje”, disse Cambamba Nginge Kulaxingo, acrescentando que a opressão colonial uniu o povo angolano e a região da Baixa de Cassanje deu início à revolta nacional.
“Não morreram apenas povos da Baixa de Cassanje, morreram outros povos de­vido a esse acontecimento”, sublinhou.
O Rei da Baixa de Cassanje pede o regresso do Dia dos Mártires da Repressão Colonial da Baixa de Cassanje à lista dos feriados nacionais.
Cambamba Nginge Kulaxingo considera que a atribuição de pensões de reforma aos sobreviventes da repressão colonial deve ser extensiva a todos os angolanos que tiveram participação directa no acontecimento, esclarecendo que existe um programa do Executivo para o enquadramento dos antigos combatentes na Caixa Social das Forças Armadas. “Muitos mártires deixaram filhos e netos que são sobreviventes que devem ser enquadrados e beneficiar de subsídios dos seus antepassados”, disse.
O Rei da Baixa de Cassanje solicita igualmente a construção, na região, de um monumento histórico em memória aos camponeses tombados durante a repressão colonial. Cambamba Nginge Kulaxingo disse, por outro lado, que o Presidente João Lourenço tem dado provas de boa governação, na medida em que incute nos angolanos um sentimento de esperança, materializando acções para o bem-estar dos cidadãos”.

História da repressão

A revolta começou em Outubro de 1960, quando os camponeses se recusaram a receber sementes para plantarem em Janeiro.
Os encarregados da companhia luso-belga Cotonang aperceberam-se do movimento grevista porque anos antes as autoridades coloniais tinham subido o Imposto Geral Mínimo de 250 para 350 escudos e o quilo do algodão era adquirido a um escudo.
Um camponês, para pagar o Imposto Geral Mínimo, tinha de vender dez sacos de 50 quilos de algodão ou contrair dívidas para pagar na próxima colheita.
Nos primeiros dias de Janeiro de 1961, começam a ser ensaiadas várias movimentações para enfrentar a máquina de repressão colonial. A 4 de Janeiro tem lugar a Revolta da Baixa de Cassange (Malanje), onde se dá o levantamento popular de milhares de trabalhadores dos campos de algodão da companhia luso-belga Cotonang. As duras condições de trabalho e de vida e a constante repressão aliada à influência da independência do Congo (actual RDC), em Junho de 1960 (na região do Cassanje viviam  povos bakongo que tinham origens comuns com povos do Congo), foram os principais factores que deram origem à sublevação destes angolanos. Os trabalhadores decidiram fazer greve e armaram-se de catanas e canhangulos (espingardas artesanais).
Em resposta, a força aérea portuguesa lançou bombas incendiárias provocando milhares de mortos. O Dia dos Mártires da Baixa de Cassange é comemorado em Angola como o acontecimento que despertou a consciência patriótica dos angolanos em prol da liberdade.
A Baixa de Cassanje é uma  depressão geográfica com 80.000 quilómetros distribuídos entre as províncias de Malanje e da Lunda Norte.
Em 1961, a região tinha 150 mil habitantes e os campos de cultivo do algodão tinham quase 85 mil agricultores, forçados a cultivar e vender o algodão.
Os acontecimentos da Baixa de Cassanje provocaram a fuga de milhares de angolanos para o Congo e são considerados por vários historiadores como um dos principais marcos da luta de libertação nacional contra o jugo colonial em Angola.
Depois desta revolta, contou o Aspirante Cambamba Kulaxingo, seguiram-se o 4 de Fevereiro e o 15 de Março, que deram origem à Luta Armada de Libertação Nacional que culminou com a proclamação da Independência Nacional a 11 de Novembro de 1975.

         MPLA valoriza a bravura dos heróis de 4 de Janeiro 
 O melhor tributo a ser dado pela sociedade angolana aos heróis da Baixa de Cassanje é o de fazer florescer os ricos campos desta imensa Angola, cujos cidadãos e famílias são o seu primeiro e mais importante activo, refere o bureau político do MPLA numa declaração divulgada ontem.
Ao celebrar-se o Dia dos Mártires da Repressão Colonial, em homenagem às vítimas do Massacre da Baixa de Cassanje, em 4 de Janeiro de 1961, o bureau político do MPLA expressa o seu renovado reconhecimento ao Povo Angolano, cujos filhos, heróicos e generosos, continuam a manter viva a chama da Independência Nacional e da liberdade, refere.
O MPLA reitera que o desenvolvimento integral e a me­lhoria das condições de vida dos cidadãos e das famílias angolanas estão no centro das suas políticas para o presente mandato, numa aposta assente na solidariedade en­tre gerações, em mais oportunidades para os jovens, na protecção e valorização do papel do idoso e da criança e na promoção da família, como pilar da Nação. Parafraseando João Lourenço, Vice-Presidente do MPLA e Presidente da República, na mensagem de fim-de-ano, o bureau político refere que “precisamos de dar, com al­guma coragem e determinação, novos passos em frente, vencendo os constrangimentos ainda existentes e encarando, com re­a­lis­mo, os novos desafios, de modo a diversificarmos, decisivamente, a nossa economia e atingirmos o desenvolvimento sustentável, com inclusão económica e social”.
“O MPLA, no espírito do 4 de Janeiro de 1961, como fonte de inspiração política para a Independência Nacional, está optimista que o ano de 2018 será bom para An­gola, para as empresas, para as famílias e para os cidadãos em geral, no quadro da sua ingente missão de melhorar o que está bem e corrigir o que está mal”, conclui a declaração do MPLA divulgada ontem.

http://jornaldeangola.sapo.ao/politica/trabalhar_os_campos_para_honrar_cassanje

Presidente de Angola na sua primeira audiência prestigia os artistas

artistas em visita ao presidente da republica de Angola

Durante uma audiência no Palácio Presidencial da Cidade Alta, assistida pela ministra da Cultura, Carolina Cerqueira, os músicos e demais fazedores de arte expuseram as suas pre­ocupações, principalmente ligadas a direitos autorais, in­­centivos na importação de discos e a carteira profissional.
No final, os artistas elogiaram a abertura do Chefe de Estado para ouvir as suas preocupações e o empenho para resolver os problemas apresentados. O saxofonista Nanuto destacou, entre as garantias dadas pelo Presidente João Lourenço, o apoio para a instalação de uma fábrica de discos em Angola, para minimizar as dificuldades dos músicos com os altos custos de importação de discos.
Nanuto revelou que o Chefe de Estado garantiu que a fábrica de discos pode surgir como investimento privado e que o Executivo daria todo o apoio necessário, para que o país possa contar com a estrutura o mais breve possível. “O Presidente pediu-nos para apresentarmos projectos”, disse o saxofonista, para acrescentar que, pela conversa mantida, deu para observar que o Presidente da República “desconhecia muita coisa” de que ficou ao corrente depois de ouvir dos próprios músicos e fazedores de arte.
O compositor Paulo Flores, que ofereceu ao Presidente da República o seu mais recente disco, intitulado “Candongueiro Voador”, também elogiou a abertura ao diálogo e a forma como João Lourenço permitiu que os músicos expusessem as suas preocupações.
O humorista Cesalty Paulo, do grupo os Tunezas, afirmou que o facto de o Presidente da República ter recebido os fazedores de arte na sua primeira audiência do ano mostra bem a importância que o Titular do Poder Executivo dá à Cultura.
No dia 29 de Setembro, três dias após a investidura como Presidente da República, João Lourenço também recebeu um grupo de músicos, aos quais elogiou o trabalho, pela recriação e renovação das variadas linhas melódicas e introdução de novas propostas que,  segundo o Presidente da República, tocam o coração dos angolanos e rompem fronteiras.
Em Agosto, ainda enquanto candidato a Presidente da República, João Lourenço assumiu o compromisso de conjugar esforços para potenciar o financiamento à cultura através do reforço da legislação e da criação de condições para o fomento de empresas que possam obter lucros com os produtos culturais.
João Lourenço prometeu cumprir cabalmente as linhas orientadoras da política cultural, que prevê o aumento da rede de infra-estruturas culturais por todo o país, da qual fazem parte bibliotecas, arquivos, museus, casas de cultura, teatros, cinemas e outros espaços. A acção, explicou o Presidente João Lourenço, implica, igualmente, o aumento de quadros nas respectivas especialidades, que garantam o normal funcionamento das instituições.
“Não podemos deixar em mãos alheias os créditos firmados por insignes cultores das nossas mais variadas expressões artísticas que fizeram da marca Angola um modelo ímpar e exemplar”, assinalou o Presidente da República, que destacou igualmente a importância do desenvolvimento das indústrias culturais ligadas à produção de livros, à realização do carnaval e à recuperação da produção cinematográfica.
“Estamos certos que, apesar das actuais dificuldades, passos certos serão dados para que todas as expressões das artes e da cultura possam encontrar os recursos e as in­fra-estruturas que garantam o seu desenvolvimento”, disse, para lembrar que o as­sociativismo cultural é uma via para a promoção das artes e da cultura.
O Presidente da República garantiu trabalhar para que a cultura assuma um lugar de relevo na economia, participando na diversificação e na geração de riqueza e bem-estar para as comunidades e defendeu a criação de oportunidades de trabalho e rendimento para os criadores, para forjar a identidade nacional e os valores fundamentais.

Ministra da Cultura garante que já há dinheiro para o carnaval

O Carnaval deste ano, que sai às ruas no dia 13, já tem dinheiro garantido, de acordo com a ministra da Cultura. Carolina Cerqueira prometeu uma grande festa da unidade nacional, da expressão da riqueza do saber, do ser dos angolanos e do sentir, através dos vários símbolos que são transmitidos pelos grupos durante os desfiles.
Em declarações à imprensa no final da audiência que o Chefe de Estado concedeu aos músicos e outros fazedores de arte, a ministra disse ter recebido garantias do Ti­tular do Poder Executivo de que não vão faltar verbas pa­ra que os grupos possam apre­sentar-se durante os desfiles de forma digna. Carolina Cerqueira afirmou que o conforto institucional transmitido pelo Presidente João Lourenço é prova que o sector da Cultura pode avançar para as indústrias culturais com projectos que fortaleçam essa actividade.
Em declarações recentes à RNA, a ministra da Cultura afirmou que o Ministério pretende que o Entrudo de Luan­da passe a contar com grupos de outras províncias, em representação da cultura nacional, de todas as expressões de folia, alegria e de cor de Cabinda ao Cunene.
Esta ideia, segundo Carolina Cerqueira, começa a ser efectivada a partir deste ano, com a participação de grupos de cinco províncias como forma de o tornar mais nacional e representativo

http://jornaldeangola.sapo.ao/politica/presidente_recebe_artistas

A literatura de Chinua Achebe

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Chinua Achebe colocou a Nigéria na geografia literária ao contar num tom sério, a partir de dentro e sem direito a desfile etnográfico, a identidade africana em subtil mudança.

Achebe retoma as regras canónicas do romance e acrescenta-lhe a estética da tradição oral africana

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Achebe retoma as regras canónicas do romance e acrescenta-lhe a estética da tradição oral africana MANUEL ROBERTO

Ler os romances do escritor nigeriano Chinua Achebe (1930-2013) é viajar para a realidade africana das histórias contadas oralmente na sombra da grande árvore do centro da aldeia. Ele é como o velho sábio que assim vai passando a tradição aos que o ouvem, levando-os pelas palavras ditas ao mundo dos mitos africanos, inscrevendo nos ouvintes (ou mostrando, no caso dos leitores) uma identidade cultural apenas entendida na sua essência se vista e descrita a partir de dentro. Contar uma história tem na sua natureza um elemento de magia, de poder viajar a uma outra realidade. Esse efeito mágico cumpre, sobretudo nas comunidades e nas sociedades mais tradicionais, a função de organizar um suposto passado (tantas vezes mítico e também arquetípico) de maneira a estruturar o presente. É fazendo uso desse “poder de feiticeiro que narra” que Chinua Achebe — considerado pelos críticos anglo-saxónicos o fundador da literatura africana — começa a recriar de maneira singular universos até então ausentes dos romances sobre África.

Em 1958 publicou aquele que é considerado o livro seminal da literatura africana pós-colonial, Quando Tudo Se Desmorona (Mercado de Letras, 2008). Ele escreve a partir de dentro, levando o leitor para uma nova realidade cultural e histórica, em oposição aos romances em que o olhar está do lado de fora, em que esse olhar é “estrangeiro”. Por várias vezes (e escreveu mesmo um ensaio para o demonstrar) apelidou de racista o famoso livro de Joseph Conrad, Heart of Darknesse (O Coração das Trevas), exactamente por causa dessa maneira de olhar etnocêntrica, ignorante da cultura africana, arrogante e exterior ao continente.Chinua-Achebe-speakn-abt-thingsfallapart1.jpg

Achebe retoma as regras canónicas da forma do romance, as convenções clássicas do género, e acrescenta-lhe a estética da tradição oral africana. Não subverte a linguagem nem cai no facilitismo de lhe inventar efeitos “folclóricos” (escreve num inglês perfeito; conta histórias na língua dos colonos para que os seus livros possam ser lidos em todo o continente, é assim que se justifica quando é disso acusado). Nascido num país, a Nigéria, com 200 etnias e 500 línguas faladas, Chinua Achebe consegue unificar numa língua escrita (extraindo do todo o essencial) essas múltiplas tradições da oralidade, retratando uma identidade em constante e subtil mudança.

O olhar desapiedado

Deste autor nigeriano foram publicados em Portugal três dos cinco romances que escreveu: A Flecha de Deus (Edições 70, 1978), Um Homem Popular (Caminho, 1987) e aquele que é considerado a sua obra-prima, Quando Tudo Se Desmorona (Mercado de Letras, 2008). Chinua Achebe foi uma voz incómoda para alguns intelectuais africanos que a qualquer pretexto desfraldam a bandeira da “vitimização” do continente, demitindo-se assim de responsabilidades; e foi-o também para um certo Ocidente trendy que não se consegue ver livre de um exacerbado complexo de culpa histórica, e que com essa disfarçada atitude paternalista mais não faz do que legitimar a hipocrisia e a desgraça.

Em Um Homem Popular é feita uma crítica feroz, por vezes irónica, aos políticos africanos corruptos. E Achebe sabe daquilo que conta. O livro foi publicado originalmente em 1966 e a história acaba com um golpe de Estado, final profético, pois uns meses depois o Governo nigeriano foi derrubado. A trama literária é-nos narrada por um jovem professor de aldeia que um dia se encontra com um seu antigo mestre-escola, entretanto tornado ministro. Um Homem Popular traz-nos o olhar desapiedado de Achebe, não apenas sobre a classe política, mas também sobre os povos africanos: “O próprio povo, como já vimos, tinha-se tornado ainda mais cínico do que os seus líderes, e estava apático frente às negociatas.” Achebe tenta entender (sem desculpabilizar) esse mesmo povo que acaba por ser vítima também de si próprio, ao não conseguir manter o equilíbrio entre o lado material e espiritual da vida, ao aceitar passivamente a hipocrisia de uma duplicidade de valores.

Quando Tudo Se Desmorona tem por epígrafe quatro versos de W. B. Yeats retirados do poema The Second Coming, que se refere ao dia do Juízo Final, ao acordar da Besta, à desintegração da ordem do mundo, a um tempo de desmoronamento. O livro conta-nos a história de Okonkwo, um jovem de uma tribo Igbo, que está determinado a não ser um falhado como o pai, e que pretende seguir a tradição e ascender socialmente na tribo. E as coisas não lhe correm mal. Consegue atingir a prosperidade e o topo da hierarquia. Mas chega o dia em que desrespeita a tradição e as coisas começam a mudar. É o princípio do fim, o início de uma série de catástrofes. Tudo coincide com a chegada do “homem branco”.

A linguagem de Chinua Achebe, elegante e luminosa, é muito telúrica, característica que empresta às narrativas uma vertente poética que prende o leitor mesmo nos momentos em que nada acontece, como neste exemplo retirado da sua obra-prima: “Recordou-se da história que ela habitualmente contava sobre a antiga desavença entre a Terra e o Céu, e de como o Céu retivera a chuva durante sete anos, até as sementeiras definharem e os mortos não poderem ser enterrados porque as enxadas se quebravam ao tentar abrir sulcos na Terra empedernida. Por fim, o Abutre foi enviado até junto do Céu para tentar amolecer o seu coração com uma canção sobre o sofrimento dos filhos do homem.”

 

https://www.publico.pt/2017/08/15/culturaipsilon/noticia/saber-contar-a-sombra-da-grande-arvore-africana-1782306

Ministra angolana divulga bastidores do dossier Mbanza Kongo: Patrimônio Mundial da Humanidade

Victor Mayala | Mbanza Kongo

26 de Julho, 2017

A ministra da Cultura, Carolina Cerqueira, apresentou, oficialmente ontem, em Mbanza Kongo, província do Zaire, o feito de inscrição da cidade na lista do Património Mundial da Humanidade, alcançado a oito deste mês em Cracóvia, Polónia, durante a 41.ª sessão do Comité do Património Mundial da Unesco.

Ministro Bornito de Sousa (ao centro) recebeu das mãos de Carolina Cerqueira e Joanes André a mensagem de reconhecimento ao Chefe de Estado
Fotografia: Garcia Mayatoko | Mbanza Kongo | Edições Novembro

Na cerimónia testemunhada pelo embaixador de Angola junto da Unesco, Sita José, ministros da Administração do Território e dos Transportes e de três antigos ministros da Cultura, Carolina Cerqueira disse que o acontecimento enche de orgulho todos os angolanos de Cabinda ao Cunene e na diáspora que manifestaram a alegria e a auto-estima da nação angolana.
“Viemos aqui apresentar, oficialmente, esta conquista e celebrar com as populações locais que jogaram um papel preponderante no decorrer deste processo, que culminou com o reconhecimento internacional do valor histórico e cultural deste sítio, que é uma referência não só para Angola como para a região da África Austral”, disse.
Para a ministra da Cultura, esta região do continente albergou um dos reinos mais organizados política, económica e socialmente daquela época e que hoje tem o mérito de, séculos depois, mostrar um testemunho único excepcional de uma tradição e de uma civilização viva.
A governante lembrou que a classificação de Mbanza Kongo como Património Mundial da Humanidade resultou do trabalho aturado e de grande qualidade técnica e de investigação multidisciplinar excelentes iniciada há três décadas e que foi acompanhado com um intenso trabalho de diplomacia cultural junto da União Africana, CPLP, países da África Central e do Comité do Património Mundial da Unesco, de que Angola faz parte desde 2015.
“Foi determinante a entrega, dedicação, empenho, resiliência e alto sentido de patriotismo dos quadros angolanos, em particular do Ministério da Cultura, do Governo da provínica do Zaire, de universidades, das autoridades tradicionais, religiosas, militares e da sociedade  em geral”, sublinhou Carolina Cerqueira.
Segundo a ministra, compete agora à Comissão de Gestão do Sítio, instituída pelo Presidente da República, José Eduardo dos Santos, dar seguimento às orientações e recomendações emanadas pelo Comité do Património Mundial. Entre outros desafios, avançou a ministra, deve ser levado a cabo um conjunto de tarefas, entre as quais se destaca a realização do Festicongo, uma actividade conjunta entre a República Democrática do Congo (RDC), Congo Brazzaville e Gabão, para a transmissão das práticas tradicionais do lumbo às novas gerações como fonte de inspiração das boas práticas, costumes e desenvolvimento das indústrias culturais, como fomento do turismo e da economia local, através da geração de postos de trabalho e promoção do desenvolvimento sustentado.
“Com estas premissas, estamos convictos de que Mbanza Kongo pode ser um grande centro de atracção turística e de investigação, num futuro próximo”, afirmou a ministra da Cultura que destacou o papel dos precursores do projecto “Mbanza Kongo – cidade a desenterrar para preservar”, os ex-ministros da Cultura, Ana Maria de Oliveira, Boaventura Cardoso e Rosa Cruz e Silva, incluindo o mentor do projecto, o malogrado professor Emanuel Esteves.
Após o acto, a ministra da Cultura concedeu uma conferência de imprensa, onde, de forma pormenorizada, esclareceu os aspectos inerentes ao desenrolar de todo o processo que culminou com a inscrição de Mbanza Kongo na lista de Património Mundial da Humanidade.
A governante afirmou também, no acto ocorrido à margem das celebrações da 16.ª edição das Festas da Cidade de Mbanza Kongo, que Angola apresentou à Unesco mais três propostas de sítios a serem inscritos, como são os casos das pinturas rupestres de Tchitundu Hulo, no Namibe, o Corredor do Kwanza e a cidade do Cuito Cuanavale.

População precisa de ser educada a preservar a cidade

O embaixador de Angola junto da Unesco, Sita José, afirmou ontem em Mbanza Kongo que agora é preciso continuar a educar a população para a necessidade da conservação do património, além de recomendar maior rigor na gestão e divulgação dos símbolos aprovados dentro do perímetro de protecção.
O governador provincial do Zaire, Joanes André, entregou ao ministro da Administração do Território, Bornito de Sousa, uma mensagem para o Presidente da República, cujo teor refere-se à sua dedicação e sapiência evidenciadas e que permitiram que o projecto tivesse êxito.
O projecto para a inscrição de Mbanza Congo na lista do Património Mundial da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (Unesco) foi lançado em 2007, nesta cidade, com a realização da II Mesa Redonda Internacional denominada “Mbanza Congo, cidade a desenterrar para preservar”.
Desde a fundação do Reino do Kongo no século XIII, a cidade de Mbanza Kongo foi a capital, o centro político, económico, social e cultural, sede do rei e a sua corte e centro das decisões.
Mbanza Kongo foi, no século XVII, a maior vila da Costa Ocidental da África Central, com uma densidade populacional de 40 mil habitantes (nativos) e quatro mil europeus.
Com o seu declínio, a cidade de Mbanza Kongo que se encontrava no centro do reino em plena “idade de ouro” transformou-se numa vila mística e espiritual do grupo etnolinguístico kikongo e albergou as repúblicas de Angola, Democrática do Congo, Congo Brazzaville e Gabão.

http://jornaldeangola.sapo.ao/cultura/patrimonio/ministra_da_cultura_divulga_bastidores_do_dossier_no_zaire

Cais no Rio que recebeu 900 mil escravos é tombado pela Unesco

Valongo, no centro do Rio de Janeiro, recebeu no século XIX cerca de 900 mil escravos

mediaO cais do Valongo, no centro do Rio de Janeiro, recebeu no século 19 cerca de 900 mil escravos vindos do continente africano.Tomaz Silva/ Agência Brasil

A Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) incluiu neste domingo (9) o sítio arqueológico do cais de Valongo, no Rio de Janeiro, em sua lista de monumentos tombados pelo Patrimônio Histórico Mundial. O cais, no centro do Rio de Janeiro, recebeu no século 19 cerca de 900 mil escravos vindos do continente africano.

O comitê do Patrimônio Mundial da Unesco, reunido em Cracóvia, evocou na ocasião a memória do afluxo de cerca de 900 mil escravos africanos que desembarcaram no cais de pedra de Valongo, construído em 1811, no centro da capital carioca.

Para a historiadora Katia Bogea, presidente do Instituto Nacional do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), Valongo merece figurar entre “outros lugares relevantes de memória, como Hiroshima ou Auschwitz.” “A proteção do patrimônio”, acrescentou Bogea perante a Comissão, “nos obriga a lembrar estas partes da história da humanidade que são proibidos de cair no esquecimento.”

Valongo é a evidência física e a pista histórica mais importantes associadas à chegada de escravos africanos nas Américas. As pedras em que quase um milhão de escravos provenientes da África deram seus primeiros passos no Brasil haviam sido deixadas sob os escombros da metrópole que se desenvolveu.

O cais desapareceu gradualmente no subterrâneo, sob várias camadas de revestimentos, de acordo com as renovações do bairro carioca.

Protegido por uma simples barreira e sem presença policial, o sítio arqueológico continua sendo particularmente vulnerável. Ele foi localizado sob uma espessa camada de cimento em 2011, quando se faziam escavações para reabilitar nas obras da zona portuária, um dos projetos emblemáticos ligados aos Jogos Olímpicos de 2016.

Contrapartida histórica

Esta estação é a contrapartida brasileira da Ilha de Gorée, no Senegal: classificada como Patrimônio Histórico Mundial em 1978, a ilha senegalesa é reconhecida como o ponto de partida simbólico dos escravos africanos em direção ao continente americano.

Os escravos não permaneceram durante muito tempo no Rio. Uma vez vendidos, eles foram rapidamente transportados para as usinas de açúcar do Nordeste, as minas de ouro de Minas Gerais e as plantações de café na região de São Paulo.

Os números exatos são difíceis de determinar com precisão, mas a maioria dos historiadores concorda que o Brasil recebeu em seu litoral mais de quatro milhões de escravos vindos da África, cerca de 40% das vítimas do tráfico que partiu em direção às Américas, um legado que se tornou um fardo para o Brasil, país que foi um dos últimos a abolir a escravidão, em 1888.

http://br.rfi.fr/brasil/20170709-cais-no-rio-que-recebeu-900-mil-escravos-e-tombado-pela-unesco

Presidente português reconhece injustiça da escravatura em visita a Gorée – Senegal

 

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O Presidente português considerou na quinta-feira, no Senegal, que o poder político reconheceu a injustiça da escravatura quando a aboliu em parte do seu território, “pela mão do Marquês de Pombal, em 1761”.

 

Marcelo Rebelo de Sousa deixou esta mensagem no final de uma visita a uma antiga casa de escravos do tempo dos holandeses, na ilha de Gorée, ou Goreia, em frente a Dacar, capital do Senegal, lugar que foi um entreposto do tráfico desde o século XVI, sob domínio português, até ao século XIX, e onde o Papa João Paulo II pediu perdão pela escravatura.maison des esclaves.jpg
Marcelo Rebelo de Sousa iniciou na terça-feira uma visita de Estado de dois dias ao Senegal, a primeira de um Presidente português a este país da África Ocidental, antiga colónia francesa, que se tornou independente em 1960.
Ao falar primeiro em francês, o Chefe de Estado português declarou que “quando nós abolimos a escravatura em Portugal, pela mão do Marquês de Pombal, em 1761 – e depois alargámos essa abolição mais tarde, no século XIX, demasiado tarde -, essa decisão do poder político português foi um reconhecimento da dignidade do homem, do respeito por um estatuto correspondente a essa dignidade”.
“Nessa medida, nós reconhecemos também o que havia de injusto e de sacrifício nos direitos humanos, como diríamos hoje em dia, numa situação que foi abolida”, acrescentou o estadista.

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Depois, Marcelo Rebelo de Sousa repetiu a mensagem em português: “Recordei que Portugal aboliu, pela mão do Marquês de Pombal, pela primeira vez, a escravatura, numa parte do seu território em 1761 – embora só alargasse essa abolição definitivamente no século XIX -, e que nesse momento, ao abolir, aderiu a um ideal humanista que estava virado para o futuro”.
Essa decisão reconhecia o que tinha havido de injusto, o que tinha havido de condenável no comportamento anterior, relativamente a séculos em que esses direitos não foram devidamente reconhecidos, reiterou o Presidente.
Segundo Marcelo Rebelo de Sousa, o que fica de mais importante desta visita à “Casa dos Escravos” de Gorée é “a lição de esperança num futuro melhor” e a ideia de que “é preciso continuar a lutar pelos direitos humanos, contra as formas de escravatura que existem, contra as opressões, contra as ditaduras, contra os totalitarismos”. “Ainda hoje, infelizmente, é tão necessário”, lamentou o Chefe de Estado de Portugal. No segundo dia em Dacar, o Chefe de Estado português foi também à Casa-Museu Léopold Senghor, primeiro Presidente do Senegal, e participou num debate com professores e alunos de língua portuguesa.

Integração na CPLP

O Presidente português considerou que o Senegal “fala português” e tem “uma porta aberta” para assumir “um papel essencial” na Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), da qual já é membro observador. Em declarações aos jornalistas na ilha de Gorée, Marcelo Rebelo de Sousa disse que é impressionante a presença da língua portuguesa neste país, que tem 46 mil jovens a falar português. O Senegal fica próximo de dois países lusófonos. As ilhas de Cabo Verde estão em frente à sua costa, a cerca de 600 quilómetros, e faz fronteira com a Guiné-Bissau a sul, aproximando-se de Portugal também pela sua importância regional e pela língua portuguesa, que ali é estudada por milhares de alunos. Desde 2008, tem estatuto de observador da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP).
A comunidade portuguesa ronda as 200 pessoas, embora apenas cerca de 50 estejam registadas nos serviços consulares. A ilha de Gorée é um património da Humanidade classificado pelo Fundo das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (Unesco) em 1978 e representa um memorial da escravatura. De Gorée, foram embarcados escravos de África para as Américas até ao século XIX e a ilha mantém como memória e símbolo desse passado uma “Casa dos Escravos”, do tempo dos holandeses, ligada ao mar por uma “Porta do Não Retorno”.
Foi nesta ilha, a menos de 20 minutos de barco da capital do Senegal, que oPapa João Paulo II pediu perdão pela escravatura em 1992, quando afirmou: “A partir deste santuário africano do sofrimento negro, imploramos o perdão do céu.”
Em 2005, dias depois da morte do Papa João Paulo II, o então Presidente do Brasil, Lula da Silva, visitou Gorée e repetiu esse gesto. Embora referindo que não tinha “nenhuma responsabilidade com o que aconteceu” no período da escravatura, declarou “Perdão pelo que fizemos aos negros”.
Os navegadores portugueses foram os primeiros a chegar a esta ilha, em 1444, num feito atribuído a Dinis Dias, e deram-lhe o nome de Ilha da Palma. Depois, no período filipino, foi tomada pelos holandeses e posteriormente pelos franceses, pelos ingleses e novamente pelos franceses.
Além de João Paulo II e de Lula da Silva outras personalidades mundiais visitaram a histórica ilha de Gorée. O então primeiro-ministro francês, Michel Rocard, visitou a região em 1981. Também três Presidentes norte-americanos, Bill Clinton em 1998, George W. Bush em 2008 e Barack Hussein Obama em 2013 visitaram a ilha senegalesa e aí assumiram o “mea culpa” dos respectivos Estados na escravatura. Estima-se que pelo menos 12 milhões de escravos africanos tenham sido capturados e retirados do continente, ao longo do triste período do comércio negreiro.

http://jornaldeangola.sapo.ao/mundo/portugal_reconhece_injustica_da_escravatura

O Observatório

Este observatório é uma iniciativa do Grupo de Estudos Africanos vinculado ao Instituto de Relações Internacionais da Universidade de Brasília (GEA/IREL-UnB), que busca refletir sobre a vida política, social e econômica da África contemporânea, com destaque para sua inserção internacional. Preocupando-se com o continente marcado pela diversidade, o Grupo de Estudos Africanos, por meio do Observatório, propõe um olhar crítico e compreensivo sobre temas africanos, em suas mais diversas dimensões.
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