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Norte da África

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Secretário Geral da ONU vê África um continente de esperança promessa e vasto potencial

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O Secretário-Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), António Guterres, disse ontem que África é “um continente de esperança, promessa e vasto potencial”, preferindo esta abordagem em vez de olhar para a região“pelo prisma dos problemas”.

Num artigo de opinião, António Guterres refere que “muitas vezes, o mundo vê a África pelo prisma dos problemas; quando olho para a África, vejo um continente de esperança, promessa e vasto potencial”.

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No texto, que surge na sequência da sua participação na cimeira de Chefes de Estado e de Governo da União Africana, que decorreu a 30 e 31 de Janeiro em Addis Abeba, António Guterres garante estar “empenhado em reforçar esses pontos fortes e estabelecer uma plataforma mais elevada de cooperação entre as Nações Unidas, os líderes e o povo da África” e diz que isso é “essencial para promover o desenvolvimento inclusivo e sustentável e aprofundar a cooperação para a paz e a segurança”.
O antigo primeiro-ministro português afirma no texto ter trazido da capital etíope um “espírito de profunda solidariedade e respeito”, mas também “um profundo sentimento de gratidão” pelo contributo africano para as forças de paz da ONU.
África “fornece a maioria das forças de paz das Nações Unidas no mundo; as nações africanas estão entre os maiores e mais generosos anfitriões de refugiados mundiais; em África estão algumas das economias com mais rápido crescimento do mundo”, salienta o antigo Alto-Comissário das Nações Unidas para os Refugiados.
“Deixei a cimeira mais convencido do que nunca de que toda a humanidade vai beneficiar-se ouvindo, aprendendo e trabalhando com o povo de África”, afirma Guterres, que sublinha que a prevenção é essencial para resolver os conflitos.
“Muitos dos conflitos de hoje são internos, desencadeados pela competição pelo poder e recursos, desigualdade, marginalização e divisões sectárias; muitas vezes, eles são inflamados pelo extremismo violento ou por ele alimentados”, lê-se no documento.
A prevenção, prossegue, “vai muito além de nos concentrarmos unicamente no conflito. O melhor meio de prevenção, e o caminho mais seguro para uma paz duradoura, é o desenvolvimento inclusivo e sustentável”, defende.
O Secretário-geral da ONU diz não ter dúvidas “de que podemos vencer a batalha pelo desenvolvimento sustentável e inclusivo, que são também as melhores armas para prevenir conflitos e sofrimentos, permitindo que aÁfrica brilhe ainda mais de forma vibrante e inspire o mundo”. António Guterres deixou a 28.ª Cimeira da União Africana com um forte apelo para a mudança na forma como o continente berço da humanidade é caracterizado pela comunidade internacional, e com a promessa de apoiá-lo na construção do desenvolvimento e da paz sustentáveis.
Na cimeira de Addis Abeba, lamentou a forma como África é descrita na Europa, Américas e Ásia, denunciou o que chamou de “uma visão parcial de África” e disse ser preciso mudar a narrativa sobre o continente na comunidade internacional e que este deve ser reconhecido “pelo seu enorme potencial”.
O líder da ONU elogiou a União Africana pelo “trabalho muito importante em nome do continente”, manifestou “disposição total da ONU em apoiar plenamente as suas actividades” e destacou “o entendimento integral entre a ONU, a União Africana e a Autoridade Intergovernamental para o Desenvolvimento sobre a necessidade de se trabalhar “numa só voz” para pacificar o Sudão do Sul.”
O novo paradigma no relacionamento entre a ONU e os africanos implementado por António Guterres levou o Alpha Condé, o Presidente da Guiné-Conacri e líder em exercício da União Africana, a convidá-lo a participar anualmente num pequeno almoço com Chefes de Estado e de Governo africanos em Janeiro.

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Para o Secretário Geral da ONU, estas ocasiões servem para interagir com líderes africanos e discutir “de forma muito significativa” as relações entre a União Africana e a Organização das Nações Unidas.

 

fonte:http://jornaldeangola.sapo.ao/mundo/antonio_guterres_ve_africa_como_esperanca

Estudantes bolsistas angolanos são agredidos na Argélia por racismo

February 5, 2017

Dezenas de estudantes angolanos na Argélia, país africano situado no norte de África, têm sofrido agressões físicas e psicológicas por parte de indivíduos naturais daquele país. O racismo é apontado com a razão dos ataques, que intensificam à medida que o tempo passa.

 

 

Os estudantes angolanos são bolseiros pelo Instituto Nacional de Gestão de Bolsas de Estudantes (INAGBE). Na universidade onde os jovens angolanos frequentam as aulas também estão matriculados estudantes de outras nacionalidades, para além dos próprios argelinos.

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Na quarta-feira última, dia 1, quando vários estudantes assistiam um jogo do Campeonato Africano das Nações (CAN-2017) em futebol, que decorre no Gabão, os estudantes argelinos insistiam em ver o jogo da taça do Rei de Espanha entre o Barcelona e Atlético de

Madrid. A confusão instalou-se mas, segundo contou à Rádio Angola um dos estudante e vitima que preferiu falar sob anonimato, os guardas do campus universitário impediram que o pior acontecesse.

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O estudante avançou que, dois dias depois, precisamente às 19 horas de sexta-feira, o grupo de argelinos que esteve na origem da confusão no dia do jogo apanhou um estudante angolano quando estava isolado no refeitório da universidade e ali foi espancado. Quando foram avisados do que estava a acontecer, os angolanos foram ao refeitório às pressas, mas ali chegados foram ameaçados com facas pelos argelinos.

 

“Recuamos até o nosso prédio, nos fechamos com os outros colegas estrangeiros que vivem aqui connosco, mas ainda assim eles cercaram o prédio, atiraram pedras, garrafas, paus, partiram as janelas dos quartos”, explicou.

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Os argelinos não desistiram, e passados “algumas horas eles conseguiram entrar no prédio”, onde “arrombaram as portas dos quartos dos quartos, as janelas, roubaram materiais”. Dentre os materiais roubados se encontram telefones, computadores, e até roupas.

 

A polícia local demorou horas para chegar à universidade, e quando os agentes chegaram, segundo o estudante, alegaram que não podiam entrar sem que alguém no interior do prédio residencial dos estudantes ligasse para confirmar a queixa e autorizar a entrada, pois quem ligou à polícia não se encontrava na instituição.

 

“Quando estávamos a ser atacados ligamos aos colegas que estão fora e eles ligaram à polícia. E a polícia quando chegou disse que não podia intervir porque tinha de ser alguém de dentro ligar ou os guardas da cidade universitária”, relatou.

 

Ao seu bel-prazer, os argelinos espancaram e saquearam os estudantes angolanos até perto das zero horas. O estudante que foi capturado no refeitório se encontra ferido, pois, como se não bastasse os socos e pontapés, foi também agredido com madeiras e cadeiras, tanto que foi encaminhado ao hospital, liberado horas depois sob orientação de repouso.

 

Apenas no sábado, dia 4, é que agentes da polícia argelina entraram no edifício e conversaram com as vítimas, pois os agressores já se tinham ido. A embaixada angolana na Argélia já foi informada, desde sexta-feira, mas nenhum funcionário foi enviado até ao momento em que entrevistávamos o estudante.

 

Os estudantes argelinos são conhecidos, mas a direcção da universidade não tomou ainda medidas, talvez porque os mesmos fugiram. O delegado da comunidade angolana na província onde está a universidade aconselhou os estudantes a não reagirem em caso de provocação por partes dos argelinos.

 

A situação está calma por enquanto, o estudante admitiu ter medo pois “não sabemos quando vão voltar a nos atacar”, pelo que pede ao governo angolano que interceda junto das autoridades argelinas no sentido de garantir “mais segurança” aos estudantes bolseiros.

 

FAMÍLIA AFLITA PEDE SEGURANÇA

 

Familiar de estudantes residente em Angola, contou que se encontra bastante preocupado desde que recebeu a informação de que o seu filho e colegas estavam a ser agredidos por argelinos, apreensão que aumentou quando viu fotografias do estado em que se encontra os aposentos do filho e companheiros. Lamentou também o facto da embaixada angolana na Argélia até agora não acudir os estudantes bolseiros.

 

Porém, o familiar adianta que vai contactar a embaixada argelina em Angola para pedir explicações pelas agressões. Apelou ainda ao governo angolano para entrar em contacto com as autoridades argelinas para garantir a segurança dos estudantes naquele país.

 

Lembrando que o povo angolano respeita os direitos dos estrangeiros que se encontram em Angola, familiar pede tratamento idêntico para com os angolanos na Argélia.

 

 

Perguntas e sugestões podem ser enviadas para info@friendsofangola.org. A Rádio Angola – uma rádio sem fronteiras – é um dos projectos da Friends of Angola, onde as suas opiniões e sugestões são validas e respeitadas.

http://www.friendsofangola.org/single-post/2017/02/05/Estudantes-angolanos-bolseiros-agredidos-na-Arg%C3%A9lia-por-racismo

O novo colonialismo digital em África

crianca-460x310É preciso advertir que na África são poucos os atores domésticos mencionados no relatório de 2011 que conseguiram sobreviver até hoje. Na categoria das lojas online, por exemplo, só se manteve em pé a sul-africana Exclus1ves. Agora, muitas das tendências citadas há cinco anos não apenas perduraram, mas se intensificaram de maneira acelerada. Estamos nos referindo, em particular, à explosão dos celulares como plataforma privilegiada para o comércio online, para a interação social e para a leitura digital, à influência das incubadoras de start-ups na cena local e ao impacto crescente dos projetos de cooperação tecnológica promovidos – direta ou indiretamente – pelos gigantes globais de Internet. Todos esses fatores acabam sendo decisivos para compreender a singular configuração do ecossistema africano de edição digital.

Nesta primeira parte, analisamos o papel crucial que desempenham os celulares no comércio eletrônico da região, assim como o avanço das grandes plataformas globais como Facebook na vida digital africana.

Os celulares no centro da cena: seu impacto no comércio eletrônico.

Nos últimos cinco anos, os celulares transformaram profundamente o panorama das comunicações na África. Segundo um relatório da GSMA, de julho de 2016, o continente alberga atualmente 565 milhões de usuários de celulares, dos quais mais da metade – 303 milhões – possuem acesso à Internet. Em um contexto caracterizado por limitações de infraestrutura de todo tipo, esses dispositivos relativamente econômicos e flexíveis se transformaram em uma plataforma central para a economia digital. Se tomarmos como variável o tráfego de Internet que circula por celulares medido como porcentagem do tráfego total nacional, Nigéria e África do Sul lideram o ranking mundial, com 82% e 75%, respectivamente – o que indica que, nesses países, o acesso à Internet é realizado predominantemente por via móvel.

No terreno do comércio eletrônico, os grandes atores globais ainda não desembarcaram no continente. Isso pode ser explicado em parte pelos problemas de infraestrutura que mencionávamos anteriormente: na verdade, os obstáculos em termos de transporte, telecomunicações, bancarização e alfabetização atrasaram aconsolidação do e-commerce ao estilo europeu ou norte-americano. No entanto, o acelerado crescimento econômico da região – que muitos comparam com o progresso dos países asiáticos nos anos 60 – favoreceu o surgimento de um bom número de atores locais e, com eles, a formação de um ecossistema singular.

Fundado em Lagos em 2012 com fundos da incubadora alemã Rocket Internet, o portal Jumia conseguiu se transformar em um verdadeiro gigante da Internet, com presença em mais de 10 países da África. Vale a pena remarcar que mais de 50% dos usuários do Jumia acessam a plataforma usando celulares. Como explica Tunde Kehinde – cofundador e diretor da empresa até 2014 –, no ambiente digital, as barreiras do mundo físico podem ser aproveitadas como vantagens:

“Na Nigéria vivem 160 milhões de pessoas que sempre vão precisar comprar uma camisa para alguma ocasião, um telefone para entrar em contato com um amigo o um livro para ler, mas não existe um mercado organizado onde possam conseguir o que precisam, de maneira simples e ao preço que querem. De modo que dissemos:não vamos construir um shopping center; vamos nos jogar na web(). Estamos construindo uma Amazon em um país que não teve um mercado organizado em seus 50 anos de independência. É uma oportunidade única.”

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O site do grupo Jumia, líder pan-africano de comércio eletrônico

Apesar de que o Jumia representa talvez o caso mais chamativo, é preciso reconhecer que na África surgiram inumeráveis portais que apostam no digital como meio para superar as limitações próprias do comércio analógico. Entre eles podemos citar também a nigeriana Konga, as sul-africanas Bidorbuy e Takealot (http://www.takealot.com/) ou a queniana Rupu. Para responder aos desafios logísticos, muitas destas plataformas implementaram sistemas de envio de produtos com motocicletas e até terceirizaram a logística em redes de usuários externos – trata-se do crowd-shipping ou transporte colaborativo.

O meio de pagamento mais utilizado costuma ser em dinheiro na entrega, por causa da baixa penetração dos cartões de crédito e a falta de confiança nas operações online. No entanto, o segmento dos pagamentos móveis ganhou um peso considerável em anos recentes. Além de M-Pesa – serviço pioneiro na transferência de fundos por SMS, que no Quênia é usado por 7 de cada 10 adultos –, na região proliferaram as soluções como Afrimarket, Paga,eTranzact, além de outros sistemas que atraem milhões de usuários. Pouco a pouco, esses serviços incorporam a possibilidade de realizar pagamentos não apenas em nível nacional, mas também internacional. Orange Money – que conta com 19 milhões de participantes – já permite enviar dinheiroentre alguns países africanos e incluso entre esses países e a França.

Assim, parece claro que o comércio eletrônico africano, longe de seguir exatamente o esquema dos países desenvolvidos, apresenta uma configuração própria. Rania Belkahia – diretora de Afrimarket – explica sem rodeios:

“Os modelos calcados no que é realizado em outras partes do mundo não funcionam. [Na África] é preciso conseguir que a oferta esteja adaptada às necessidades locais e possa ser entregue de forma rápida.”

Sacha Poignonnec, atual diretor do Jumia, expressa um ponto de vista similar:

“Nos EUA, o comércio eletrônico está modificando os antigos hábitos de compra lentamente. Aqui, está criando os hábitos. Os usuários estão realizando compras pela primeira vez e fazem isso online, através dos smartphones.”

No final das contas, apesar de – ou talvez, por causa de – todos os desafios pré-existentes, o comércio eletrônico africano conseguiu abrir caminho de um modo sumamente dinâmico. Segundo dados do eMarketer de dezembro de 2015, as vendas online tiveram na África e Oriente Médio um crescimento interanual superior a 28%, enquanto que na América do Norte e Europa ocidental, o aumento foi menor – em torno de 14%.

Aplicativos de mensagens móveis

A região também está passando por um crescimento no terreno das redes sociais. Segundo dados de We Are Social, em vários países da região, o número de usuários ativos cresceu em 2015 a um ritmo superior ao do total de usuários da Internet. No Egito, por exemplo, a quantidade de participantes das redes sociais saltou 20%, enquanto que a base de usuários de Internet cresceu mais lentamente – 8%.

Agora, por causa do particular contexto tecnológico da África, são os aplicativos de mensagens para celulares que mostram maior atividade. No relatório de 2011, retratamos o caso do Mxit, um projeto sul-africano que utilizava os celulares mais básicos como plataforma de funcionamento e que tinha alcançado uma base de vários milhões de usuários. A chegada desmartphones cada vez mais acessíveis e o subsequente ingresso do Whatsapp na região significou um duro golpe no Mxit, que em outubro de 2015 precisou fechar suas operações comerciais e ceder sua tecnologia à Reach Trust – uma entidade sem fins lucrativos. Certamente, o Whatsapp é atualmente o aplicativo de mensagens número um na Nigéria, Quênia e África do Sul – onde, na verdade, exibe os maiores índices de utilização do mundo. Embora menos popular, o aplicativo WeChat – do grupo chinês Tencent – também procura ocupar seu espaço.

Projetos de conectividade impulsionados por empresas tecnológicas globais: o caso de Internet.org / FreeBasics (Facebook)

 

Em contraste com o que ocorre na Ásia ou na América Latina, a penetração do Facebook na África ainda é limitada – apenas 8% do tráfego global da plataforma vem desta região –, o que pode ser explicando em boa medida pelo elevado custo dos planos de dados. Dentro deste marco, o Facebook lançou em 2013 a iniciativaInternet.org, com o objetivo de garantir conectividade – um “direito humano básico”, segundo Mark Zuckerberg – a milhões de pessoas em países em desenvolvimento. Graças a uma aliança com diferentes operadoras de celulares, o Facebook oferece acesso gratuito à rede social e a alguns serviços de terceiros, através do aplicativo FreeBasics,disponível em 44 países – a metade deles está na África. Ao mesmo tempo, a empresa impulsiona diversos programas de conectividade a baixo custo, como ocorre com o drone Aquila ou o sistema WiFi Express.

Apesar de estar claro que em todo o mundo em desenvolvimento a infraestrutura de conectividade apresenta enormes desafios, a solução proposta pelo Facebook não está isenta de complicações, em especial porque se trata de um projeto que expande as possibilidades de conexão, mas não satisfaz plenamente outras necessidades, especialmente a questão dos conteúdos. Na verdade, Internet.org/FreeBasics apenas proporciona aceso aos materiais disponíveis no Facebook e nos aplicativos que aceitarem ser parte do programa. Tal como advertiram numerosas organizações sociais, este tipo de esquema podem atentar contra a neutralidade da web, pois dá prioridade a certo tipo de dados e conteúdos – aqueles transmitidos pela rede social californiana e por seus serviços associados. Este argumento foi decisivo para proibir o FreeBasics na Índia (http://indianexpress.com/article/technology/tech-news-technology/facebook-free-basics-ban-net-neutrality-all-you-need-to-know/). Na África, no entanto, o projeto teve uma melhor acolhida, a tal ponto que, em certos países, as autoridades regulatórias da área de telecomunicações admitiram (http://qz.com/614953/african-regulators-are-unlikely-to-replicate-indias-ban-of-facebooks-free-basics/) que o fornecimento de serviços de dados é hoje mais importante que a questão da neutralidade da web.

Além das regulações adotadas em cada nação, é preciso advertir que em nivel global, Internet.org/FreeBasics levou a um forte debate. Muitas vozes chegaram a denunciar que por trás das medidas filantrópicas do colosso tecnológico pode se esconder uma tentativa de “colonialismo digital”. Por exemplo, Deepika Bahri, professora da Universidade de Emory especializada em estudos pós-coloniais, enumera as semelhanças que existem entre o discurso do Facebook e o modus operandi próprio do colonialismo. Segundo a investigadora, nos dois casos a estratégia aponta para:

1. apresentar-se como um salvador;

2. repetir palavras como “igualdade”, “democracia”, “direitos básicos”;

3. ocultar as motivações de longo prazo;

4. justificar os beneficios parciais como algo que termina sendo melhor que nada;

5. associar-se com as elites locais e com grupos de interesses criados;

6. acusar os críticos de ingratos.

Por outro lado, o engenheiro e ativista indiano Kiran Jonnalagadda estabelece umparalelismo entre a extração de recursos naturais e a captura de dados em grande escala realizada pelas empresas multinacionais como Facebook:

“De um ponto de vista econômico, o colonialismo representa a extração de recursos primários de forma bruta e, simultaneamente, a venda aos consumidores sem que exista uma criação de uma classe capitalista entre os dois elos. Trata-se aqui do mesmo: procuram obter os dados de forma bruta do consumidor e vender serviços. Mas não querem intermediários.”

Por último, Ethan Zuckerman – diretor do Centro de Meios Cívicos do MIT – descreve de maneira crua qual pode ser, no final das contas, o objetivo do Facebook – uma constatação que na verdade poderia ser aplicada a um bom número de projetos tecnológicos parecidos:

O projeto do Facebook me parece colonialista e enganador. Tenta resolver um problema que não compreende, mas não precisa compreender o problema porque já conhece a solução. A solução contribui de forma eficaz para consolidar o Facebook como a plataforma dominante do futuro, em um momento no qual os mercados desenvolvidos estão crescendo menos.”

 

Este artigo foi publicado originalmente no site da Aliança Internacional de Editores

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Octavio Kulesz é formado em Filosofia pela Universidade de Buenos Aires e atualmente dirige a Teseo, uma das principais editoras digitais acadêmicas da Argentina. Em 2010, criou a rede Digital Minds Network, junto com Ramy Habeeb (do Egito) e Arthur Attwell (da África do Sul), com o objetivo de estimular o surgimento de projetos eletrônicos em mercados emergentes. Em 2011, escreveu o renomado estudo La edición digital en los países en desarrollo, com apoio da Aliança Internacional de Editores Independentes e da Fundação Prince Claus. Sua coluna busca apresentar um panorama dos principais avanços da edição eletrônica nos países em desenvolvimento. Tablets latino-americanos, leitura em celulares na África, revoluções de redes sociais no mundo árabe, titãs do hardware russos, softwares de última geração na Índia e colossos digitais chineses: a edição digital no Sul mostra um dinamismo tanto acelerado quanto surpreendente.

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Tecnologia da informação incentiva à leitura na África

Livros digitais sem fins lucrativosera-digital

Garotos beneficiados pela ONG Worldreader cuja missão é missão ‘levar livros digitais a cada criança e a sua família, com o objetivo de melhorar suas vidas’| © Redes Sociais

Além dos projetos de conectividade promovidos por Facebook – ou por outras empresas como Google, com seu projeto Loon –, quais projetos sem fins lucrativos estão sendo impulsionados na África no terreno específico da leitura e edição digital? Também aqui poderíamos mencionar iniciativas filantrópicas procedentes de atores internacionais. O exemplo mais importante é talvez Worldreader. Fundada em 2010 por David Risher – ex-executivo da Microsoft e da Amazon –, esta organização sem fins lucrativos coloca como sua missão “levar livros digitais a cada criança e a sua família, com o objetivo de melhorar suas vidas”. Se no começo – tal como apontávamos no relatório de 2011 – esta entidade só usava dispositivos Kindle, em 2012 incorporou os celulares como plataforma adicional. O catálogo deles chega hoje aos quase 40.000 títulos escritos em 43 idiomas, que foram disponibilizados por 150 editoras, dos quais quase a metade são africanos. Em termos de impacto, os livros digitais da Worldreader alcançaram quase 4 milhões de pessoas em 50 países, principalmente na África. Para esta tarefa, a entidade se associou com diferentes empresas tecnológicas, especialmente com o Facebook – para aparecer listada em FreeBasics –, com a Microsoft – para o desenvolvimento do aplicativo de leitura, entre outros – e com a Amazon – para a organização e a hospedagemdos dados. Vale a pena esclarecer que, em princípio, a Worldreader não doa os dispositivos, estes devem ser financiados por terceiros – chamados “sponsors” – ou pelas próprias escolas e bibliotecas, que devem escolher entre dois tipos de pacotes:

  1. O “blue box”, que contém 50 Kindles carregados com 100 textos (custo: US$ 7 mil).
  2. Ou o “book pack”, que contém entre 100 e 200 textos, mas sem dispositivos, já que estes devem ser disponibilizados pela escola ou biblioteca (US$ 4,5 mil).

Observamos também que a Worldreader não se dedica somente à tarefa de facilitar a leitura, também realiza um acompanhamento exaustivo de todos os dados envolvidos. Isso pode ser visto, por exemplo, no relatório do projetoLEAP, realizado pela Worldreader e o Serviço Nacional de Bibliotecas do Quênia (KNLS), com financiamiento da fundação Bill & Melinda Gates. O programa apresentou, entre seus objetivos, estudar durante o ano de 2014 o uso, função e adoção dos dispositivos Kindle no contexto das bibliotecas. O relatório posterior – bastante detalhado – explica que esta aprendizagem servirá para compreender “a expansão dos programas de leitura digital nas bibliotecas do Quênia e da África Subsaariana”. Por outro lado, em agosto de 2016, no marco da iniciativa Kindle Reading Fund, a Amazon anunciou que doaria milhares de Kindles para apoiar programas de leitura no mundo em desenvolvimento e que colaboraria novamente com a Worldreader para colocar em marcha o projeto LEAP 2.0 em 61 bibliotecas do Quênia.

A Worldreader – que tem uma ampla cobertura da imprensa internacional – pode aumentar sua presença no ecossistema do livro digital africano, à medida que forem se somando novas instituições – tanto públicas como privadas – ao projeto. Contudo, seria importante perguntar se não está repetindo aqui um esquema parecido com o do Facebook com Internet.org/FreeBasics, especialmente pelo fato de que as corporações intervindo extraem dados muito valiosos – tais como preferências temáticas, hábitos de leitura, entre outros –, obtidos de um modo muito simples e que poderiam significar uma vantagem decisiva quando chegar o momento de vender conteúdos digitais ou dispositivos, tanto aos governos quanto aos indivíduos.

 

Além das iniciativas internacionais, existem na África numerosos projetos sem fins lucrativos realizados por entidades locais e FunDza é, talvez, o mais conhecido. Criado em 2012 pela equipe da editora Cover2Cover, esta organização tem a proposta de estimular a leitura entre adolescentes e jovens adultos da África do Sul. Através do seu website – especialmente adaptado às telas de celulares – e de seu aplicativo para Android, FunDza oferece um catálogo de centenas de livros digitais gratuitos – contos, poesias e textos de não ficção. Em 2015, suas atividades beneficiaram cerca de 400.000 usuários que, no conjunto leram mais de 10 milhões de páginas. Os livros do FunDza estão incluídos nos serviços de FreeBasics na África do Sul e em outros países do continente, como Nigéria e Gana. Ao mesmo tempo, o site YoZa – que apresentamos no relatório de 2011 como um dos pioneiros no terreno da leitura móvel na África Subsaariana – cedeu sus textos à plataforma, para sua posterior distribuição.

Zimkhitha Mlanzeli – autora e editora do FunDza – faz uma interessante reflexãosobre a importância de utilizar os celulares no terreno da leitura:

“Os jovens querem ler sobre temas que conhecem, em uma linguagem compreensível. Os contos que escrevo falam diretamente com eles, que conseguem ver o mundo através dos olhos de cada personagem. Sei disso pelos comentários que me enviam. Também ajuda muito o fato de que minhas histórias são compartilhadas no lugar que os jovens passam a maior parte do tempo: em seus celulares. Meu celular não é meu melhor amigo – não consigo ficar olhando para ele o tempo todo. Mas eles conseguem. E precisamos fechar essa brecha que nos separa.”

Outro projeto relevante – também com sede na África do Sul – é o Book Dash, focado desde 2014 na criação colaborativa de livros infantis. As obras são oferecidas com uma licença Creative Commons, tanto em PDF pronto para imprimir como em formato original – InDesign –, para possíveis readaptações. Book Dash surgiu em certa medida como resultado das lições que seu principal impulsionador, o especialista em publicações digitais Arthur Attwell, extraiu da experiência de Paperight, uma plataforma que – como apresentamos no relatório de 2011 –, distribuía ebooks para imprimir em cibercafés e que precisou fechar suas portas no final de 2014. Em seu balanço retrospectivo, Attwell enumera diferentes fatores que podem ter dificultado o avanço do empreendimento, entre os quais poderíamos destacar os seguintes:

  • as publicações oferecidas gratuitamente por Paperight eram muito solicitadas pelos usuários; no entanto, quando a empresa tentou cobrar por elas – inclusive somas modestas, como 1 ou 2 dólares por cópia –, a demanda caiu abruptamente;
  • as editoras tradicionais que forneciam os textos originais não pareciam dispostas a explorar o novo modelo de negócio, de modo que só entregavam seus títulos menos atraentes.

É neste contexto que, para Attwell, faz muito sentido a ideia de distribuir conteúdos digitais com licenças abertas, como propõe a Book Dash:

Capa do livro What is it?, editado pela Book Dash

Capa do livro What is it?, editado pela Book Dash

“Na África do Sul, as soluções comerciais não alcançaram o sucesso esperado: se os clientes são apenas uns poucos early-adopters, então nunca haverá um mercado significativo. Para a maioria dos sul-africanos, os livros são um luxo ao qual jamais poderão ter acesso”.Por outro lado, a iniciativa African Storybook – impulsionada pelo Instituto Sul-africano de Educação à Distância (SAIDE) – oferece a possibilidade de criar, traduzir e adaptar livros ilustrados para um público infantil: suas mais de 400 obras, que foram traduzidas para 60 línguas do continente, podem ser baixadas de maneira gratuita, tanto para leitura digital como para impressão. Finalmente, Bookly e Nal’ibali também utilizaram as novas tecnologias – em especial dos aplicativos de Mxit – para distribuir conteúdos editoriais.

Em janeiro de 2015, com o patrocínio do Instituto Goethe, várias organizações e empreendimentos sociais citados anteriormente se encontraram em Joanesburgo. O encontro tomou como ponto de partida o relatório da UNESCOLeitura na era da mobilidade de 2014 e teve como objetivo discutir as oportunidades e os desafios da alfabetização e a leitura através dos celulares.

Publicações educativas distribuídas por agregadores e startups locais.

Nos últimos anos, surgiu na África um número considerável de empreendimentos digitais focados nos conteúdos educativos. Com sede em Nairóbi, o agregador Ekitabuabastece de livros eletrônicos 650 escolas da África oriental. A empresa tirou seu nome da palavra “Kitabu” – que significa “livro” no idioma suaíli – e em apenas 4 anos conseguiu criar um catálogo de 500.000 títulos em formato PDF e EPUB, fornecidos por mais de 40 editoras, tanto locais quanto internacionais.

E-limu, é outra empresa queniana que vende conteúdos pensados para os alunos de escolas primárias. Os materiais são distribuídos através de um aplicativo criado para dispositivos Android. No começo, a E-limu entregava os materiais pré-carregados em tablets, para evitar o problema da falta de conectividade. No entanto, a proposta deixava dois problemas sem resposta: 1) como fariam para atualizar os conteúdos? e 2) como iam assegurar a durabilidade dos dispositivos? Para enfrentar esses desafios, E-limu recorreu à BRCK: este empreendimento – surgido como tantos outros da incubadora local iHub – fabrica um tablet ultrarresistente chamado Kio e umroteador WiFi que capta sinais de celulares e é ideal para oferecer conectividade em regiões que não possuem acesso à Internet fixa, inclusive sem eletricidade.

Também podemos mencionar aqui o caso do QuickDo-BookBox, um serviço concebido em 2011 pelo engenheiro informático de Camarões – radicado na França – Dominique Buendé, para “converter e distribuir conteúdos em países do Sul, “especialmente em universidades, bibliotecas e centros culturais. QuickDo-BookBox oferece terminais dotados de 500.000 livros eletrônicos de diversas editoras, que podem ser baixados de tablets concebidas ad hoc. O projeto terminou ganhando oprêmio Orange dado a empreendedores sociais africanos (2013) e o prêmio ao empreendedor africano na França (2014).

Também lançado em 2011, Snapplify constitui um dos principais agregadores digitais do continente. Com escritórios em Durbanville, Londres e Nova York, esta empresa distribui os livros eletrônicos de mais de 250 editoras e os integra em sua plataforma de educação virtual. Em 2014, Snapplify apresentouSnappBox, um dispositivo que permite aos estudantes terem acesso aos conteúdos eletrônicos através de uma intranet, em vez da Internet.

Agregadores gerais e lojas por assinatura

Além dos empreendimentos tecnológicos que distribuem conteúdos educativos, existem diversos agregadores gerais e plataformas que propõem um catálogo deebooks por assinatura. Lançado em 2014 por Algérie Télécom, o site Fimaktabatioferece livros digitais de centenas de editoras. O acesso a seus dois portais – acadêmico e geral – custa 22 dólares por ano e pode ser abonado através de cartões pré-pagos. Além disso, a empresa impulsionou a criação da Nooonbooks, uma loja exclusivamente focada em textos em árabe, com mais de 30.000 títulos de ciências exatas, administração, ciências humanas, direito e cultura geral.

Fundado pela empreendedora nigeriana – residente no Reino Unido – Gersy Ifeanyi Ejimofo também em 2014, o projeto Digitalback Books propõe diversos títulos de literatura africana com um custo de assinatura mensal de 13 dólares. As obras podem ser lidas em aparelhos móveis, tanto Android como iOS.

O projeto egípcio Kotobarabia foi um dos primeiros agregadores de livros eletrônicos em árabe do mundo. Desde 2005, já digitalizou milhões de páginase tem como principais clientes as bibliotecas dos EUA e da Europa.

Kotobi é outra plataforma com sede no Egito. Lançada pela Vodafone em 2014, essa livraria digital comercializa títulos em EPUB e está voltada principalmente para os aparelhos móveis. Uma das vantagens de Kotobi é que os pagamentos não são realizados apenas por cartão de crédito, mas também pela conta do telefone e até por SMS. Assim, não é casual que a plataforma tenha crescido consideravelmente: seu aplicativo para Android foi descarregado mais de 500.000 vezes, por usuários que consumiram mais de 1 milhão de livros. Com uma linha parecida ao que falávamos sobre comércio eletrônico africano, para Alaa Zaher – responsável pela área de Estratégia e Inovação de Vodafone e promotor do projeto Kotobi –, as limitações da distribuição física podem se transformar em uma grande oportunidade para a venda digital:

“Os leitores que moram fora das grandes cidades sempre se queixam da falta de livrarias. Querem ler, mas não encontram livros. Eles acabam vindo à Feira do Livro do Cairo uma vez por ano e voltam para suas cidades com bolsas cheias de exemplares. Esse é o segmento que temos como alvo. Nosso objetivo de longo prazo é fornecer livros digitais a todo o mundo árabe.”

No próximo artigo: as editoras africanas na era digital; os audiolivros: um formato em crescimento; a autoedição e a impressão sob demanda.

Octavio Kulesz é formado em Filosofia pela Universidade de Buenos Aires e atualmente dirige a Teseo, uma das principais editoras digitais acadêmicas da Argentina. Em 2010, criou a rede Digital Minds Network, junto com Ramy Habeeb (do Egito) e Arthur Attwell (da África do Sul), com o objetivo de estimular o surgimento de projetos eletrônicos em mercados emergentes. Em 2011, escreveu o renomado estudo La edición digital en los países en desarrollo, com apoio da Aliança Internacional de Editores Independentes e da Fundação Prince Claus. Sua coluna busca apresentar um panorama dos principais avanços da edição eletrônica nos países em desenvolvimento. Tablets latino-americanos, leitura em celulares na África, revoluções de redes sociais no mundo árabe, titãs do hardware russos, softwares de última geração na Índia e colossos digitais chineses: a edição digital no Sul mostra um dinamismo tanto acelerado quanto

http://www.publishnews.com.br/materias/2017/02/07/a-edicao-digital-na-era-da-mobilidade-africa-2/3

ANC da África do Sul lamenta a readmissão do Marrocos à União Africana

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Maputo, 31 Jan (AIM) – O Congresso Nacional Africano (ANC), partido no poder na vizinha África do Sul, considera “lamentável” a decisão da União Africana (UA) de readmitir o Reino de Marrocos àquela organização continental.

A decisão foi tomada durante a 28ª Cimeira Ordinária de Chefes de Estado e de Governo da União Africana (UA), um evento de dois dias, em curso na cidade de Adis Abeba, capital etíope.

O regresso do Marrocos, que havia deixado a organização continental em 1984 para marcar o seu desacordo sobre a questão do Saara Ocidental, contou com o voto de 39 dos 54 países membros da UA.

Contudo, num comunicado divulgado hoje no seu portal da internet, o ANC considera que “Esta decisão representa um retrocesso significativo para a causa do povo saharawi e a sua busca pela autodeterminação e independência no Sahara Ocidental. O Sahara Ocidental é um dos últimos postos coloniais de África.

O ANC explica que goza de laços fraternais de longa data com a Frente Popular para a Libertação de Saguia el-Hamra e Rio de Oro (POLISÁRIO) e com a República Árabe Saharawi Democrática (RASD).

O ANC nota que esta decisão abre o caminho para o Reino de Marrocos tomar o seu lugar no seio da comunidade das nações e desfrutar os benefícios da adesão UA, enquanto o povo saharawi continuar a sofrer sob uma injusta ocupação de sua terra ancestral.

“Ao readmitir o Marrocos, a UA está tacitamente a apoiar a ocupação de longa data do Sahara Ocidental. Até à data, Marrocos não cumpriu com as sucessivas resoluções da ONU sobre a questão do Sara Ocidental, sobretudo para a realização de um referendo sobre a autodeterminação”, afirma o ANC.

Frisa que a maioria dos países que contestou o regresso do Marrocos é liderada por antigos movimentos de libertação, entre os quais a África do Sul, o Zimbabwe, a Namíbia, Moçambique, bem como o Botswana e Argélia.

O ANC conclui afirmando que respeita a decisão da UA, mas espera que nos próximos meses a UA não permita que a questão da independência do Sara Ocidental seja esquecida por conveniência política.
(AIM)
SG/LE
http://noticias.sapo.mz/aim/artigo/11462631012017121555.html

3º Fórum sobre a Cooperação entre os Mídia da China e de África

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A política externa da China avança no continente africano com ações permanentes, esta semana a China realizou um fórum sobre a mídia com os países s africanos. A importância está na promessa de investimento chinês de com a  criação de um fundo de 60 bilhões de dólares. O 3º Fórum sobre a Cooperação entre as Mídia da China e da África, decorreu em Beijing na presença de mais de 350 personalidades com a presença de 44 países africanos.

As manifestações africanas relatam o processo de migração da Tv analógica para o sistema digital, há necessidade de investimento em treinamento e equipamentos , que a China se propõe a colaborar

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O quadro político e institucional africano, caracterizado no passado por uma concentração do Estado nas Mídia, alterou-se no início dos anos 90 com os processos de liberalização, com o surgimento de uma imprensa privada ativa e os esforços de regulamentação no sector, reconheceram no Fórum os ministros africanos que tutelam os media em África.
O novo ambiente, acrescentaram, permitiu revelar as “potencialidades” e os “trunfos” do continente em matéria de imprensa, rádio e televisão, mas mostrou também as suas fragilidades, uma das quais, nomeadamente, o fraco acesso à energia eléctrica, condiciona as transmissões dos operadores e a recepção dos conteúdos informativos pelos cidadãos.
Outra debilidade em África tem a ver com a propriedade dos meios de comunicação. A liberalização no continente africano, disseram, permitiu uma expansão da comunicação social, mas facilitou também a entrada das grandes multinacionais do ramo dos media, particularmente de operadores de televisões.
Segundo o presidente do Conselho Superior da Comunicação Social do Níger, Abdourrahamane Ousmane, entre 1.500 canais de televisão transmitidos por satélite para a África do Oeste menos de cem são produzidas em África e muitas estações que difundem para África escapam à regulamentação e à regulação. O aumento do mercado audiovisual que se verifica hoje acompanhou o crescimento das economias africanas e coincidiu com a emergência de uma classe média mais exigente, levando, em simultâneo, ao aumento do aproveitamento das línguas africanas pelos potentes meios que orientam as suas emissões para África.
É nesse contexto que o continente africano deposita esperanças na cooperação “sincera” e “sustentável” vinda da China de modo a ultrapassar o seu atraso infra-estrutural e a falta de quadros técnicos capacitados. Um orador ilustrou as dificuldades africanas com o facto de, a um ano da data limite estabelecida pela União Internacional das Telecomunicações (UIT), apenas cinco dos 55 Estados de África terem efetuado a transição para a televisão digital terrestre (TDT), nomeadamente, Tanzânia, Uganda, Ruanda, Moçambique e Ilhas Maurícias.

Cooperação “ganha ganha”

A expressão mais ouvida durante o Fórum, de um lado e de outro, foi a aposta numa cooperação “ganha ganha” com a China, que anunciou em Dezembro do ano passado, durante a Cimeira de Joanesburgo, na qual esteve presente o Chefe de Estado chinês, Xi Jinping, a disponibilização de um fundo de 60 bilhões de dólares para financiar projetos de cooperação centrados em 10 sectores econômicos, sociais e culturais.
Coroando o sucesso do fórum, um exemplo dessa cooperação foi dado ainda ontem com o lançamento da Africa Link Union (ALU), uma associação formada pelo Canal de Televisão Central da China (CCTV) e por 18 empresas africanas. A Televisão Pública de Angola (TPA) assumiu uma das vice-presidências dessa plataforma sino-africana, na pessoa do presidente do conselho de administração do canal público, Hélder Barber.
Apoiando a sua atividade no centro operacional da CCTV, que se apresentou no Fórum como “líder mundial na distribuição em quantidade de notícias sobre África”, a ALU vai produzir conteúdos para “globalizar a realidade africana” e permitir aos operadores do continente o acesso aos filmes e telenovelas chineses, de modo a “fazer a voz de África e da China ser ouvida” no mundo.
A declaração conjunta aprovada pelo 3º Fórum sobre a Cooperação entre os Media da China e de África destaca a vontade comum das duas partes em “promoverem o enriquecimento mútuo das duas civilizações”, mantendo “relações de igual para igual” e progredindo “de mãos dadas”, ao mesmo tempo que expressa o apelo “enérgico” dos meios de comunicação social de África para uma resolução pacífica do problema do Mar do Sul da China, um dos focos de tensão regional na Ásia.

 

Fonte:http://jornaldeangola.sapo.ao/politica/media_africana_e_chinesa__exigem_audiencia_global

Projeto do PNUD visa a ampliar produção de algodão em lavouras africanas

Chamado Cotton 4 + Togo, programa reúne esforços do Ministério das Relações Exteriores brasileiro, da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e do Programa das Nações Unidas para Desenvolvimento em países como Benin, Burquina Faso, Chade e Mali. O objetivo é trocar informações sobre técnicas agrícolas para pequenos produtores de algodão.

Objetivo do Cotton 4 + Togo é trocar informações sobre técnicas agrícolas para pequenos produtores de algodão. Foto: Secom MT/ Mayke Toscano

Uma parceria internacional tem feito diferença nas lavouras africanas. Trata-se do projeto Cotton 4 + Togo, que reúne esforços da Agência Brasileira de Cooperação (ABC), vinculada ao Ministério das Relações Exteriores (MRE), da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (EMBRAPA) e do PNUD em países africanos como Benin, Burquina Faso, Chade, Mali e Togo.

Os resultados dessa parceria estão sendo apresentados até sexta-feira (29) na I Reunião do Comitê Gestor do Cotton 4 + Togo, no Palácio do Itamaraty, em Brasília.

O projeto atua no campo das técnicas de melhoramento genético, cultivo do solo e manejo de pragas e, segundo os participantes, a parceria entre Brasil e África já rendeu novas variedades de algodão que serão lançadas brevemente no mercado, graças ao cruzamento entre variedades brasileiras e africanas.

Uma das técnicas brasileiras adotadas nos países africanos, o plantio direto, aumentou significativamente o volume da produção no continente, que passou de uma média de uma tonelada por safra para 4,5 toneladas.

Além de apoiar o desenho da primeira fase do projeto Cotton-4, o PNUD fornece suporte logístico para a aquisição de equipamentos no Brasil e no exterior. Quando necessário, escritórios do PNUD dos países envolvidos no programa são convidados a colaborar.

Na segunda fase do Cotton 4+Togo, já em andamento, o objetivo é disseminar informação para pequenos produtores que estão na ponta da cadeia algodoeira, capacitar mão de obra e revitalizar laboratórios nos países parceiros, construir um banco de armazenamento coletivo de material genético, monitorar, avaliar e garantir a continuidade das lições aprendidas.

“Os resultados da primeira fase do projeto Cotton 4 são um excelente exemplo do potencial e da importância da Cooperação Sul-Sul como mecanismo catalizador do desenvolvimento dos países, gerando novas oportunidades e promovendo o atingimento dos objetivos de desenvolvimento sustentável”, disse o representante residente do PNUD, Niky Fabiancic, presente no evento.

A sessão de abertura, ocorrida na segunda-feira (25), foi presidida pelo secretário-geral do Ministério de Relações Exteriores, Sérgio Danese, e teve a participação de embaixadores de países africanos parceiros do Brasil.

Também estavam presentes o diretor da Agência Brasileira de Cooperação, João Almino, a pesquisadora e diretora de administração e finanças da Embrapa, Vania Castiglioni e o presidente-executivo do Instituto Brasileiro do Algodão (IBA), Haroldo Cunha.

Um dos principais produtores agrícolas do mundo, o Brasil lidera o mercado internacional de algodão e tem exportado expertise e adquirido novas experiências com países africanos.

“O Brasil tornou-se referência mundial no campo da cooperação para o desenvolvimento em diversos domínios, com especial destaque para a agricultura sustentável”, disse o secretário-geral do Ministério de Relações Exteriores.


Crianças africanas não tem acesso a vacinas necessárias

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23 de Abril, 2016

Fotografia: Arimateia Baptista| Lubango

Uma entre cinco crianças africanas não tem acesso a vacinas necessárias, refere a Organização Mundial da Saúde (OMS), a propósito da Semana Mundial de Imunização que começa amanhã.

Segundo a OMS, África é a região do mundo com o índice mais baixo de cobertura de imunização. Apenas 20 países do continente financiam mais de 50 por cento dos gastos com vacinação.
A agência das Nações Unidas refere que mais de 60 por cento das crianças que não são vacinadas vivem em 10 países: África do Sul, Etiópia, Filipinas, Índia, Indonésia, Iraque, Nigéria, Paquistão, Uganda e República Democrática do Congo.  A  OMS  acrescenta que mais de 1,5 milhões de mortes no mundo podiam ser evitadas se a cobertura global de vacinação fosse aprimorada.
Segundo a OMS, com todas as suas lacunas, os programas e campanhas de imunização evitam entre dois e três milhões de mortes por ano em todo o mundo. A agência ressalta, no entanto, que 1,5 milhões de mortes adicionais podiam ser evitadas se a cobertura de vacinação fosse melhorada.
Atualmente, estima-se que 18,7 milhões de crianças em todo o mundo, ou seja uma em cada cinco, estejam de fora da imunização de rotina para doenças evitáveis como a difteria, a tosse convulsa ou o tétano. Durante a  Semana Mundial de Imunização 2016, que termina no dia 30, a agência internacional apresenta medidas adicionais que vão ajudar os países a acabar com as lacunas para se atingir as metas globais de vacinação até 2020.Ganhos notáveis

A diretora-geral da OMS, Margaret Chan, reconheceu que os processos de vacinação no mundo registaram a alguns “ganhos notáveis” no combate à pólio, à rubéola e ao tétano materno e neo-natal.
No ano passado, exemplificou, a poliomielite  foi eliminada em apenas um país, a Nigéria, o tétano em três países, Camboja, Índia e Madagáscar, e a rubéola nas Américas. O desafio para os próximos tempos, acrescentou Margaret Chan, é fazer com que os “ganhos isolados” não sejam a norma.

“O desafio agora é tornar ganhos como estes a norma”, afirmou.  Em 2012, a Assembleia Mundial da Saúde aprovou o Plano de Acção Global sobre Vacinas, um  compromisso internacional para garantir que ninguém fique privado da imunização vital. A iniciativa prevê que até 2020, todos vivam num mundo sem doenças que podem ser evitadas com vacinas. Fruto de alguns avanços nos esforços globais de imunização, refere a Organização Mundial da Saúde, o  continente africano não regista nenhum caso de pólio, há mais de um ano.
“Embora o mundo tenha visto algumas conquistas na imunização, a cobertura global da vacinação estagnou nos últimos anos”, disse por seu lado a diretora-geral-adjunta da OMS para a Saúde da Família, das Mulheres e das Crianças e vice-diretora do Gavi (Aliança para a Vacinação). Para Flavia Bustreon, “demasiadas oportunidades para alcançar crianças por vacinar e fechar a falha na imunização ainda são perdidas todos os dias”.
A  OMS apela por isso aos países que alcancem as crianças excluídas dos sistemas de vacinação de rotina, especialmente nos Estados, distritos ou áreas com coberturas vacinais inferiores a 80 por cento ou em países afetados por conflitos ou emergências. O Plano Global de Ação para a Vacinação, aprovado pelos 194 Estados-Membros da OMS em 2012, visa um mundo onde todas as pessoas estejam protegidas contra doenças evitáveis através de vacinas em 2020.   Dos seis objectivos provisórios definidos para 2015, apenas um foi alcançado: a introdução de vacinas novas ou subutilizadas.

 

http://jornaldeangola.sapo.ao/sociedade/africa_e_a_regiao_com_menos_cobertura

China leva os países africanos a mudar a economia

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Angola, que tem no petróleo a principal fonte das suas exportações e base da sua economia, está entre os países onde são mais visíveis os esforços para diversificar exportações, na sequência da quebra de receitas  devida à descida do preço do petróleo, disseram analistas sul-africanos citados ontem na imprensa da China.

O aumento das trocas chinesas com África – para 221,5 mil milhões de dólares em 2014, mais de 20 vezes o registado em 2001 – foi impulsionado “pela grande factura da importação de petróleo, sobretudo de Angola”, refere uma análise do Trade and Law Center.
Dados da do serviço de estatística do comércio de matérias-primas das Nações Unidas (UN Comtrade) relativos a 2014 colocam Angola como a segunda maior fonte de importações chinesas em África, com 27 por cento do total, atrás da África do Sul (39 por cento), e quinto maior destino de exportações, com seis por cento.

Novas oportunidades

A análise conclui que as mudanças em curso na economia da China constituem uma oportunidade para exportadores africanos de matérias-primas e petróleo, caso se adaptem e diversifiquem as vendas ao estrangeiro.
A China, principal parceiro comercial africano, registra um abrandamento econômico e as autoridades querem que o “motor” do crescimento nos próximos anos seja o consumo interno, o que afecta  a procura externa, e em particular na África Subsaariana, afirma a análise do Trade Law Centre for Southern Africa.
“À medida que a procura interna chinesa muda de bens de investimento para o consumo doméstico e, implicitamente, para os serviços, os exportadores de alimentos e de serviços podem ganhar com a alteração”, refere também uma análise de Março do China Africa Trading Relationship.

Isto permite compensar “o impacto da redução da procura por importações africanas e da quebra dos preços de matérias-primas, que deve  ter um impacto negativo nos preços globais deste tipo de bens”, afetando os termos de troca.
“É, por isso, imperativo para os países africanos diversificar exportações ou subir na cadeia de valor”, refere o documento, citado pela imprensa chinesa. Após o último Fórum para a Cooperação China-África (realizado em Joanesburgo, nos dias 4 e 5 de Dezembro de 2015), o economista Mark Bohlund disse, em artigo para a Bloomberg Intelligence, que o abrandamento na China é mais um “solavanco” para os países africanos.
A quebra dos preços do petróleo, defende, resulta mais do aumento da produção nos Estados Unidos do que de uma redução de importações da China – cuja economia continua a crescer, a partir de uma base mais elevada. A redução dos níveis de investimento, adianta, reflete sobretudo a desvalorização de alguns ativos mineiros e “o investimento financiado por dívida é muito mais importante para África do que o IDE e deve  continuar a crescer à medida que a China expande a abrangência dos seus projetos de financiados no continente.”

Mais investimento

“O investimento chinês em infra-estruturas na África Subsaariana deve  com maior probabilidade aumentar do que descer”, tendo em conta as transferências do banco central da China para o Banco de Exportações e Importações (ExIm) da China (45 mil milhões de dólares) e do Banco de Desenvolvimento da China (48 mil milhões de dólares), em Julho de 2015, para financiar a estratégia da Nova Rota da Seda, aponta Mark Bohlund.
As autoridades chinesas defendem que, mesmo no atual contexto de abrandamento, o investimento em África vai continuar e até tem mais importância.
La Yifan, embaixador chinês na Etiópia afirmou à agência financeira Reuters a 15 de Março que os países africanos podem mesmo ser “o local ideal” para investimentos de empresas que “impulsionaram a expansão das infra-estruturas chinesas nos últimos 30 anos”, numa altura em que a sua economia doméstica abranda e olham mais para o estrangeiro.
“Apesar de todas as dúvidas, posso partilhar que na China os departamentos de governo relevantes, bancos de desenvolvimento, companhias de seguros estão a abordar os seus parceiros africanos para tornar este grande plano uma realidade”, concluiu La Yifan.

A França que não pede desculpa

 

François Hollande, presidente francês, esteve recentemente em Argel, capital da Argélia. Poderia ser apenas mais uma visita corriqueira de um Chefe de Estado a um país amigo para estreitar os laços bilaterais, promover o comércio e ampliar o entendimento político, como fazem com grande frequência os Chefes de Estado e Ministros das Relações Exteriores. Mas no caso das relações entre a França e a Argélia, há um certo “passivo histórico” que não pode ser esquecido e que faz com que as relações bilaterais tenham contornos muito especiais.

Isso porque a França foi, por mais de um século, a metrópole que subjugou o território que hoje se chama Argélia. A dominação francesa seguiu uma espécie de roteiro tradicional das potências colonialistas europeias na África, ou seja, tomou as melhores terras das populações locais e as entregou para os franceses, superexplorou o trabalho dos autóctones e os subjugou de todas as formas possíveis, tudo em nome dos interesses franceses.

Além disso, uma peculiaridade da Argélia no conjunto das colônias francesas na África foi o fato de que o território, além de uma colônia de exploração, ter sido também uma colônia de povoamento, tendo a população francesa e seus descendentes atingido a marca de aproximadamente um milhão de habitantes.

À medida que se aproximava o tempo da descolonização, logo após a Segunda Guerra Mundial, as tensões entre os argelinos e os franceses foi se intensificando até um ponto de ruptura violenta, com o início da guerra de independência em 1954. Aliás, nesse mesmo ano os militares franceses foram expulsos da Indochina e saíram de lá determinados a não perder essa outra guerra independentista que se iniciava no norte da África.

Os argelinos, por sua vez, estavam determinados a conquistar a sua independência, custasse o que custasse. E, sem dúvida, isso custou muito caro. A guerra de descolonização da Argélia foi uma das mais violentas que se tem notícia. Os números falam por si: cerca de 300 mil argelinos pereceram, contra 30 mil franceses.

Mas a violência dessa guerra não pode ser medida “apenas” pelo elevado número de mortos. Os franceses executaram uma doutrina que colocaria qualquer defensor dos direitos humanos de olhos arregalados e cabelos arrepiados, num período em que já vigorava a famosa Declaração Universal dos Direitos Humanos.

Assim, na guerra da Argélia o Exército regular da civilizada e democrática França usou e abusou da tortura como instrumento de guerra, deportações em massa, além de evitar ao máximo fazer prisioneiros, ou seja, praticou um verdadeiro extermínio que não afetava apenas os insurgentes propriamente ditos, senão a maior parte da população argelina.

A independência argelina só se concretizou porque a sua população estava engajada numa causa justa e aceitou pagar o seu elevado preço, medido em sangue e morte. Em 1962, por meio dos acordos de Evian, os franceses finalmente se retiram  e a Frente de Libertação Nacional decreta o nascimento do novo país.

A brutalidade da guerra deixou marcas profundas nas relações entre França e Argélia. É por isso que sempre há um certo desconforto quando presidentes franceses visitam o país. Hollande não precisava ter dito que não iria pedir desculpas, o que aliás em nada mudaria a História. De toda forma, não apenas a França, mas todas as antigas potências colonialistas devem, sim, desculpas aos povos que subjugaram, brutalizaram e exploraram em nome de uma descabida missão civilizatória.

O Observatório

Este observatório é uma iniciativa do Grupo de Estudos Africanos vinculado ao Instituto de Relações Internacionais da Universidade de Brasília (GEA/IREL-UnB), que busca refletir sobre a vida política, social e econômica da África contemporânea, com destaque para sua inserção internacional. Preocupando-se com o continente marcado pela diversidade, o Grupo de Estudos Africanos, por meio do Observatório, propõe um olhar crítico e compreensivo sobre temas africanos, em suas mais diversas dimensões.