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Mulheres podem ter crédito para empreender em Angola

Mulheres envolvidas na agricultura, pesca e outros pequenos negócios podem, a partir de sexta-feira, recorrer a uma linha de credito aberta pelo Banco Sol para potenciar as suas actividades, anunciou o presidente do Conselho de Administração daquela instituição bancária.

Coutinho Nobre Miguel
Fotografia: Edições Novembro

Coutinho Nobre Miguel, que falava na apresentação dos produtos e serviços disponíveis no Banco Sol, disse que para a concessão de micro-crédito às mulheres empreendedoras o Banco Sol disponibilizou 8.670 milhões de kwanzas.
O responsável referiu que o montante surgiu de um protocolo celebrado entre o banco e a empresa Portuária de Cabinda que, no quadro da sua responsabilidade corporativa social, disponibilizou recursos financeiros e mobilizou o Banco Sol para financiar comunidades do meio rural dos quatros municípios da província.
O presidente do Conselho de Administração do Banco Sol disse que a sua instituição, além do micro-credito, oferece outros produtos entre os quais o crédito ao consumo, à micro, pequenas e médias empresas, automóvel, de habitação, investimento para construção de hotéis, para a importações de bens e garantias bancárias.
A governadora provincial, Aldina da Lomba, agradeceu a iniciativa do Banco Sol de conceder crédito às mulheres empreendedoras agrícolas e pediu que as beneficiárias cumpram os termos contratuais, sobretudo no que respeita ao reembolso e à canalização do dinheiro para o projecto pré-concebido.

 

http://jornaldeangola.sapo.ao/economia/investimentos/empreendedoras_receberam_credito

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Governo moçambicano amplia licença maternidade para 90 dias

Maputo – O presidente moçambicano, Filipe Nyusi, promulgou a proposta que alarga os direitos dos funcionários e agentes do Estado, segundo um comunicado da Presidência enviado à Lusa.

PRESIDENTE DE MOÇAMBIQUE, FILIPE NYUSI

FOTO: PEDRO PARENTE

A lei alarga o período da licença de maternidade de 60 para 90 dias, enquanto o período da licença de paternidade passa a ser de sete dias.

A proposta de lei foi aprovada em Abril pelas três bancadas do parlamento moçambicano, nomeadamente a Frente de Libertação de Moçambique (Frelimo), partido governamental, a Resistência Nacional Moçambicana (Renamo), maior força de oposição, e do Movimento Democrático de Moçambique (MDM).

Na altura, a ministra da Administração Estatal e Função Pública, Carmelita Namashulua, disse que o novo estatuto visa ainda suprimir o limite de tempo de serviço como fundamento de aposentação obrigatória.

Entre outras medidas, prevê-se ainda imprimir maior celeridade ao abono da pensão de aposentação, reduzir burocracias, ajustar o regime de contratação e aperfeiçoar o regime das promoções, progressões e mudança de carreira, associando-os ao desempenho, mérito e experiência do funcionário.

Paulina Chiziane: Somos independentes, mas os fantasmas do colonialismo ainda vivem conosco”

Paulina Chiziane.jpg

A liberdade é um tema que preocupa Paulina Chiziane. Por isso, o novo livro da autora, O canto dos escravos, investe na libertação individual e colectiva como recurso fundamental. Falando do livro, Chiziane explica por que aposta, desta vez, numa obra em verso ao mesmo tempo que tece um comentário sobre a actualidade do país: “Somos independentes, mas os fantasmas do colonialismo ainda vivem connosco”. E a escritora não fica por aí, neste quesito, avança que a dívida externa pode acabar num neo-colonialismo que prejudique todos os moçambicanos. Para que tal não acontece, a escritora sugere que a luta pela liberdade seja cada vez mais permanente. Além disso, depois de ano passado ter dito que não voltaria a escrever, Paulina Chiziane volta a falar do assunto, com um esclarecimento aos seus leitores.

O canto dos escravos é título do seu novo livro, que aglutina, em 120 páginas, muitos séculos de História. Por quê?

Este livro foi inspirado no nosso hino nacional, que nos diz, a certa altura: “Na memória de África e do mundo”. Então, comecei a caminhar, em busca dessa memória e da nossa História. Primeiro, escrevi um texto muito grande, era massudo. No entanto, com esses anos todos que tenho de escrita, apercebi-me que, algumas vezes, a leitura de um livro volumoso é um privilégio de poucos. Fui comprimindo o texto até que aparecesse, agora, em verso, O canto dos escravos, no qual falo do percurso dos africanos no país e fora do continente. Com este livro celebro a existência do negro, da dor, da alegria e da esperança em seis capítulos, de modo a torna-lo um diálogo entre o passado, o presente e o futuro.

 

A Paulina Chiziane que temos neste livro parece mensageira da liberdade. Concorda com isso?

Não gosto da palavra mensageira. Os meus livros todos, se for a verificar, têm um denominador comum: a liberdade, da mulher, dos grupos socialmente silenciados, do pobre e de todas as coisas, embora os temas sejam diferentes. Eu canto a liberdade que quero para mim e para os que me rodeiam. Por outro lado, verifiquei que na verdade o planeta terra tem dois continentes africanos: uma África que é esta que temos aqui e outra na América. Mas não há comunicação perfeita entre as duas Áfricas. Por isso, o livro não é tão simples assim porque move sentimentos, emoções, pensamentos e vivências, colocando esperanças nesta vida de ser negro. Este livro é para todos, porque nas escolas falamos da escravatura apenas em duas linhas e mais nada.

 

Os escravos aqui parecem ser a metáfora de um cidadão oprimido. Quis que assim fosse?

É assim, eu não quero falar de metáforas. O que quero é dizer que esta realidade existe. O escravo, ao morrer ontem, de certeza que tinha um sonho, a liberdade que possuímos hoje. Portanto, sou independente hoje porque alguém um dia lutou, sofreu e morreu. Custa-me ver que, algumas vezes, deitamos fora esta independência e liberdade que temos hoje. E não estamos a ensinar o suficiente para que as novas gerações saibam que têm responsabilidades. Ter independência não é estar livre. Somos independente, mas os fantasmas do colonialismo ainda vivem connosco. Então, este livro também é uma chamada de atenção que pretende nos lembrar que a liberdade ganha-se e perde-se. Por exemplo, a dívida externa, não sabemos como foi contraída, mas pode vir a renovar um colonialismo ou mesmo uma escravatura contra o nosso povo.

 

E mesmo a propósito disso, uma voz do livro diz: “os colonos já se foram, mas deixaram capangas/ Fiéis guardiões dos fantasmas do passado”…

As pessoas em Moçambique têm medo, de dizer a verdade, de trabalhar e de dizer aquilo que não foi revelado. Os meus últimos livros provam isto, porque, com a sua publicação, levantaram-se vozes que falaram de proibições no lugar onde não existem. Nós somos prisioneiros dos fantasmas do passado. Por exemplo, quando estava para lançar O 7º juramento, algumas pessoas daqui de Moçambique escreveram artigos para publicar nos jornais de Portugal, de modo a frisar que “o que a Paulina escreveu não é propriamente a nossa cultura e nós não concordamos muito com esse tipo de escrita”. Mas, porque o livro ganhou uma vida própria, os capangas do passado tiveram que refazer os seus discursos.

 

Quem são esses capangas, esses escravos?

Alguns, são bem formados, mas a mente está presa, com medo de um patrão invisível. Não se libertam a si próprio e nem permitem que o seu povo se liberte também. O meu diálogo com o leitor neste livro é para uma autolibertação.

 

Como a Paulina vê a liberdade? É uma possibilidade?

Vejo como uma necessidade que se deve alcançar e preservar.

 

Por quê faz do canto, ao invés das armas, por exemplo, um instrumento propenso à liberdade?

Procuremos perceber como é que os negros que foram para a escravatura sobreviveram, vivendo numa tortura sem fim. O canto, a dança, são artes que preenchem o lado invisível do ser humano, fazendo do Homem muito forte. E quem for a ler atentamente este livro, vai perceber que alguns dos versos são letras de música, dá para ler e cantar.

 

Escreveu o livro chorando?

Não vou mentir. Até agora, há textos que leio e fico deprimida. Por exemplo, o primeiro texto do livro, “O testamento de um escravo”. Quando o leio, ainda divago no espaço. O último, “O canto de esperança”, também mexe comigo. É um texto que me coloca de pé e deixa-me com vontade de enfrentar o mundo.

 

E o que lhe faz pensar que o canto pode triunfar?

O canto não pode, vai triunfar, se cantarmos, resistirmos e estudarmos em colectivo. Se trabalharmos em conjunto, não haverá força que nos derrube. A liberdade é esta possibilidade de fazer com que a minha voz possa ser ouvida.

 

“Em nome da salvação conheci os caminhos da perdição”. Este seu verso é muito profundo.

É verdade, e qualquer negro no mundo pode-lhe dizer isto. É o discurso do opressor, uma realidade amarga.

 

Não teme que a chamem “escritora racista” pelo compromisso que este livro tem com Homem preto?

Já me chamaram vários nomes e não é isso que me vai preocupar. Pensar no que me vão chamar pode ser uma outra prisão, outra escravatura. Mas repara que não falei de raça, falei de genocídio. Agora, se o genocídio foi para os pretos, de que mais vou falar? Não se trata de promover xenofobia. Falo da humanidade.

 

O FIM DA ESCRITA OU O PRINCÍPIO DE UM RECOMEÇO?

Num dos programas que fizemos juntos, disse que já não voltaria a escrever e que estava farta de tanta incompreensão. Um ano depois, as prateleiras ganham mais um livro seu. Mudou de ideia?

Não, não mudei de ideias. Uma coisa é publicar e outra é escrever. Quando conversamos há um ano, já tinha esse trabalho pronto. Agora é que publico. Aliás, tenho uma série de trabalhos escritos, apenas à espera de ocasião para publicar. Escrever? Já chega.

 

Neste O canto dos escravos as entidades não cedem a qualquer tipo de submissão. Pelo contrário, lutam para ultrapassar dificuldades. Por quê a autora não teria a mesma persistência, nessa árdua tentativa de fintar o que a faz dizer basta à escrita?

Cansaço é um estado físico. A vista, a coluna, às vezes, cansam-se. E a vontade de escrever diminui. Às vezes, essas dificuldades são um motor. Mas quero agradecer a todos aqueles que não confiaram em mim. Sou daquele tipo de pessoas que, quando enfrenta uma dificuldade ou quando não é bem compreendida não desiste, porque acredita que um dia vai ser compreendida. Enfim, olhar para o computador, agora, hiiii…, cansa… Entre as mulheres que escreveram ou escrevem neste país sou das que trouxe mais polémicas e assuntos para reflexão. De Vez em quando é bom sossegar. Quando se fala muito da pessoa, às vezes, a mesma pode não se sentir em paz, por haver demasiada invasão da sua vida íntima. Enfim, acima de tudo, estou cansada e gostaria de convidar àqueles que um dia julgaram que estivesse enganada no meu percurso que mostrassem também a força que têm. O meu percurso foi feito de muita luta, sempre em busca da compreensão.

 

Sente que ainda é alvo dessas “cotoveladas’ que existem na literatura moçambicana?

Ainda sou e agora piorou. Há pessoas que só ficam à espera de ver o nosso trabalho para apedrejar ao invés de nos aproximar para propor melhorias à nossa obra. Esse sentido de ajuda, colaboração, é o que gostaria de ver dos donos da língua.

 

Nos últimos livros seus temos uma escrita muito virada ao real. Deixou para o passado a ficção que calha em A balada ou em O 7º Juramento?

Todos os meus livros têm um denominador comum, o que muda é o crescimento. Apercebi-me que, se quero dialogar, tenho de ser curta, incisiva, breve e, algumas vezes, mesmo cesárea, reajustando-me de acordo com a minha experiência. E eu estou a escrever o que me apetece.

 

É o que é graças aos seus primeiros cinco livros. De tal forma que, por mais que não tivesse escrito mais, a sua marca continuaria bem registada. Se tivesse começado a carreira com os seus cinco últimos livros, acha que também seria essa menina do mundo que hoje merece tanto reconhecimento?

Não fiz nada de novo. Se for a ver a literatura de Noémia de Sousa e Craveirinha, fizeram este tipo de percurso. Noémia de Sousa fez denúncia e foi reconhecida dentro e fora do país. Não me venham dizer que é preciso escrever para agradar o outro, de modo que possamos ter reconhecimento. Sinceramente, acredito que teria reconhecimento da mesma maneira, porque reconhecimento é um produto de luta, não é nenhuma dádiva. Teria sucesso na mesma, pode crer.

 

Já agora, teve dificuldades de publicação ao longo desses anos?

Internamente, sim, mas fora não. E essa é outra parte da estória interessante. Tive muitas mais dificuldades no país do que fora, sempre. E continua assim.

 

Como é que Paulina Chiziane quer ser lembrada pelos seus leitores?

Sei lá. A única coisa que me dá alegria é saber que os meus livros são cada dia mais reconhecidos. E é muita sorte, porque há escritores que são reconhecidos só depois da morte. Eu não. Tive a oportunidade de olhar para traz e dizer que trabalhei e colhi. Para mim isso basta, o que vier virá. Não estou preocupado com o futuro. Se alguém leu o meu trabalho e inspirou-se, que faça melhor do que fiz. Há uma geração muito mais nova, com melhores tecnologias, que deve continuar a luta pela liberdade.

 

Uma luta pela liberdade que inclui perdão pelos que nos escravizaram. Por quê perdoar?

É preciso perdoar para limpar o coração. O ódio é um peso, faz mal à cabeça e destrói o relacionamento com o outro. É preciso perdoar, esquecer é que não.

 

Sugestões artísticas para os leitores do jornal O País?

Que leiam O canto dos escravos, porque, quem quiser compor, até pode conseguir boas cantigas.

 

Perfil

Paulina Chiziane nasceu em Manjacaze, já lá vão 62 anos. Estreia-se em livro em 1990, com o lançamento de Balada de amor ao vento. O seu repertório literário inclui Ventos do apocalipse;O 7º juramento; Niketche; As andorinhas; O Alegre canto da perdiz; Na mão de Deus; Por quem vibram os tambores do além?Ngoma Yethu e, agora, O canto dos escravos. É Prémio Literário José Craveirinha e soma várias condecorações e homenagens, como Grau de Grande Oficial da Ordem do Infante D. Henrique, pelo governo português. Em 2015, foi homenageada pela SOICO, pelos 25 anos de carreira e 60 anos de vida. Este ano foi homenageada no FliPoços, no Brasil, e condecorada com a Ordem do Cruzeiro do Sul pelo governo brasileiro, em Maputo.

http://opais.sapo.mz/index.php/entrevistas/76-entrevistas/45544-somos-prisioneiros-dos-fantasmas-do-nosso-passado.html

A gambiana Fatoumata Jawara torturada não quer vingança, “e sim justiça”

Fatoumata Jawara em sua casa, em Banjul.
Fatoumata Jawara em sua casa, em Banjul. ÁNGELES LUCAS

Despiram-na, surraram-na até quase matá-la e chamaram uma dezena de homens para assistissem à humilhação dela. Então ela lhes disse, com um fio de voz, que iria morrer sobre aquela mesa se a estuprassem. Um ano depois desse horror, vivido em uma lúgubre sala dos serviços de inteligência do Estado, Fatoumata Jawara se transformou em uma ativa deputada na Assembleia Nacional de Gâmbia e integrante do Parlamento Pan-Africano. “Quero justiça, não vingança. Posso perdoar quem fez tudo aquilo, mas devem reconhecer o que fizeram, dizer a verdade”, afirma essa mulher de 30 anos, mãe de três filhos, que virou o rosto de um novo país que emerge sobre as cinzas do regime ditatorial de Yahya Jammeh, hoje exilado na Guiné Equatorial.

Depois de passar oito meses presa, Jawara retornou em dezembro passado à sua modesta casa térrea, com um enorme quintal, no bairro de Talinding, uma área popular da capital, Bajul, atravessada por ruas de areia. Jammeh ainda estava no poder, mas sua derrota eleitoral, que abriu as portas das cadeias aos presos políticos, já prenunciava sua partida, que ocorreria em janeiro deste ano, quando o ditador estava acuado por uma ameaça de intervenção militar de países vizinhos. Depois disso, as eleições legislativas de 6 de abril resultaram em um Parlamento controlado pelos antigos opositores da UDP (31 dos 53 deputados) e dirigido por outra mulher, Mariama Diack Denton. Fatoumata Jawara se tornava deputada.

“Não foi fácil chegar até aqui. Durante oito meses não pude ver meus filhos, que choravam dia e noite. Estava isolada em uma cela, urinei sangue durante semanas por causa dos golpes. Ainda há coisas que não posso contar nem explicar, é um trauma que não superei”, afirma, com semblante amargurado. Com apenas 16 anos, ela ficou fascinada pela figura de Ouseinou Darboe, líder opositor e atual ministro de Relações Exteriores gambiano, seu autêntico mentor, que também esteve preso em várias ocasiões. “Minha família me dizia para não ir atrás dos políticos, que eu ia terminar mal. Mas eu via muitas coisas que precisavam mudar neste país”, diz. “Rezo todos os dias para que o que eu passei não volte a acontecer. Nunca mais.”

Atualmente, a deputada trabalha no Parlamento na reforma da Lei de Imprensa, porque “os jornalistas não têm nenhum direito reconhecido”,e na renovação das forças da ordem. “Os soldados da Ecomig [Missão da Comunidade Econômica de Estados da África Ocidental em Gâmbia] precisam ficar mais tempo aqui e nos ajudar a criar um novo Exército, uma nova Polícia”, argumenta. As tropas africanas, lideradas pelo Senegal, ainda fazem frente a certa resistência de partidários do antigo regime ditatorial. A tensão é especialmente forte em Kanilai, o povoado natal de Jammeh, onde no último dia 2 um homem morreu com um tiro no abdome durante uma manifestação pela retirada das tropas estrangeiras.

Assim, com avanços e retrocessos, a nova Gâmbia é construída. Sem poder, neste momento, solicitar a extradição do ditador, o governo trabalha em várias frentes, com não poucas dificuldades orçamentárias, que são notadas nos habituais cortes de luz que sofre a capital, mais que na época anterior, e nos problemas de abastecimento de água. Uma investigação aberta pelo Ministério da Justiça quantificou a dimensão do dinheiro roubado por Jammeh, antes de sua saída do país, em 45 milhões de euros, e congelou 88 contas bancárias em seu nome ou no de 14 empresas que controlava.

Para fazer frente aos desafios orçamentários, a Gâmbia de Adama Barrow conta com o apoio do vizinho Senegal e de novos aliados com os quais a relação havia esfriado nos últimos anos, especialmente a União Europeia, que desbloqueou uma primeira parcela de 225 milhões de euros para ajudar com a transição, que deve durar três anos. O retorno ao Commonwealth e o respaldo gambiano à Corte Penal Internacional, da qual Jammeh havia anunciado a retirada do país, mostraram a reconexão da nação com a comunidade internacional.

Enquanto o governo trabalha em seu ritmo na criação de uma Comissão da Verdade e Reconciliação, as vítimas da ditadura se organizam. Fatoumata Jawara expressa que gostaria que “Jammeh sofresse o que nós sofremos”. Por sua vez, Phateema Sandeng, filha do opositor Solo Sandeng, cujo assassinato, em abril do ano passado, foi um dos fatores que desencandeou a reviravolta eleitoral, afirma estar “feliz de voltar a meu país, de começar de novo. Você nunca sabe o quão forte você pode ser até viver algo assim, a morte do seu pai, o exílio”. Aisatu Kanji, esposa do opositor Kaniba Kanyi, desaparecido no buraco negro das prisões do regime, em 2006, disse durante anos ao seu filho Abdoulsalam que seu pai havia imigrado para a Europa. “Mas agora ele já sabe. E está orgulhoso dele”.

http://brasil.elpais.com/brasil/2017/06/16/internacional/1497636400_675864.html

Participação da mulher angolana na política nacional é tema de campanha 

Luanda – O MPLA defendeu nesta quarta-feira, em Luanda, o fortalecimento do papel da mulher angolana na vida política, econômica e social, para eliminar as desigualdades de oportunidades entre homens e mulheres.

JOÃO LOURENÇO, CANDIDATO DO MPLA A PRESIDENTE DA REPÚBLICA, REÚNE COM ORGANIZAÇÕES FEMININAS

FOTO: PEDRO PARENTE

A pretensão foi expressa pelo candidato do MPLA a Presidente da República, João Lourenço, num encontro que reuniu cerca de três mil e 500 mulheres representantes de organizações femininas.

Segundo João Lourenço, a mulher angolana já deu provas de ser lutadora e vencedora em praticamente todos os domínios da vida e que presta valioso contributo à sociedade naquilo que cada uma sabe melhor fazer.

Reconhece o mérito das mulheres na educação dos filhos, e, por via  disso, na educação de gerações inteiras de angolanos, que desde o berço são forjadas para serem os homens do amanhã.

Enaltece o papel do sector feminino na economia e prometeu trabalhar em programas que visam reduzir a economia informal, com a contribuição de micro e pequenas empresas com perspectivas de crescer e gerar empregos.

Disse que quer ver mulheres envolvidas nos grandes negócios como accionistas, proprietárias ou pelo menos gestoras de médias e grandes empresas privadas em todos os ramos da economia, mediante aconselhamento empresarial.

Defende o contínuo combate ao analfabetismo, principalmente, no seio feminino por acreditar que investir na educação da mulher é dotá-la de ferramenta para enfrentar e vencer todo o tipo de discriminação e contribuir para a sua emancipação.

Com isso, disse, torná-la livre do preconceito e prepará-la para enfrentar os desafios da vida.

Apela para que participem no resgate e promoção dos valores morais e culturais, na educação do jovens para  respeitarem os mais velhos e o antigo combatente, os símbolos nacionais, o amor à pátria e a prestarem auxílio às grávidas e deficientes físicos, caso necessitem.

João Lourenço disse contar com as mulheres na luta contra o alcoolismo e a prostituição, bem como no combate ao tráfico e consumo de drogas e de jovens para escravas sexuais.

Espera que incutam na juventude a cultura do trabalho e do mérito como a única via de progresso na vida, mediante dedicação aos estudos e ao trabalho.

Caso vença as eleições, promete um Executivo bem representado do ponto de vista do género, com mulheres capazes e competentes, que vão orgulhar a todos e ajudar a construir uma Angola melhor.

Para João Lourenço, votar no 4 (número no boletim de voto) é votar no partido da paz e da reconciliação nacional e que trabalha para o desenvolvimento económico e social do país.

Reafirma o compromisso de “melhorar o que está bem e corrigir o que está mal” para que haja maior oferta de emprego, água, energia, serviços médicos, qualidade de ensino e de habitação.

Declarou que o MPLA condena todo o tipo de discriminação da mulher e os actos de violência e criminosos que atentem contra a vida e a integridade física, mental e moral desta franja da sociedade.

Após intervenções de representantes de distintas organizações femininas nacionais, João Lourenço prometeu ter em conta as preocupações apresentadas e constituir um governo que trabalhe com todas as franjas da população angolana.

 

http://www.angop.ao/angola/pt_pt/noticias/politica/2017/5/24/Angola-MPLA-quer-maior-participacao-mulher-politica-nacional,153bc4c0-28ff-47b8-8af6-c4f8fc53488c.html

Mulheres preocupadas com crise politica em Guiné Bissau


Exortam as forças de segurança no sentido de evitar o uso desproporcional da força.

As organizações de mulheres da Guiné-Bissau estão “profundamente” preocupadas com o agravar da crise política no país.

Num comunicado, condenam a conduta das forças policiais e dos manifestantes, no ultimo fim-de-semana, que degenerou em violência.

Para elas, o incidente espelha a dimensão da tensão política na Guiné-Bissau e consequente quebra do diálogo entre os protagonistas da crise.

As organizações das mulheres da Guiné-Bissau exortam, por isso, as forças de segurança, no sentido de adequar as suas actuações aos imperativos da lei, evitando o uso desproporcional da força contra o exercício dos direitos de liberdades fundamentais dos cidadãos.

Por outro lado, elas apelam o Movimento de Cidadãos Conscientes e Inconformados, organização cívica que tem promovido manifestações contra o Presidente da Republica, e aos guineenses em geral, a absterem-se “de comportamentos violentos contra as forças de segurança, capazes de comprometer os valores da paz e provocar danos incalculáveis na vida e integridade física dos cidadãos”.

Apelam também ao Ministério Público, a abertura de um inquérito célere e transparente para o esclarecimento cabal das circunstâncias que rodearam a violência entre os manifestantes e forças de segurança, e consequente responsabilização criminal dos infratores.

Á Comunidade Internacional, as mulheres guineenses alertam no sentido de manter vigilante e accionar mecanismos, com vista a evitar derrapagens no país.

O posicionamento das organizações das mulheres da Guiné-Bissau surge numa altura em que o Movimento de Cidadãos Conscientes e Inconformados agendou para o próximo sábado, dia 3 de junho, mais uma marcha pacifica para exigir o fim da crise, com a renúncia do Presidente, José Mário Vaz.

E, noutra frente, o Movimento “O Cidadão”, ligado ao actual poder politico, convocou, para o mesmo dia a sua manifestação para exigir a abertura das sessões parlamentares, depois de ter promovido, na semana passada, uma vigília frente a sede do parlamentar com o mesmo propósito.

http://www.voaportugues.com/a/bissau-mulheres-crise/3877878.html

Lobolo e a exploração da mulher moçambicana

lobolo 25Campanha de sensibilização contra o casamento prematuro enfrenta  obstáculos.

O lobolo, um ritual tradicional que vigora um pouco por todo o país onde um dote, em dinheiro ou noutro valor, se oferece à família da rapariga em troca do matrimónio, tem emperrado as denúncias de casos de violação sexual de menores e casamentos prematuros em Manica.

“Nós continuamos a apelar à sociedade para garantir o futuro das raparigas e para não as entregar em casamento”, concluiu Cecília Ernesto.

O Tribunal Judicial Provincial de Manica, centro, condenou a 19 anos de prisão um homem que deu a filha de 12 anos para pagar uma dívida de 600 meticais em bebidas alcoólicas.

O juiz condenou à mesma pena o comerciante de 45 anos, Alberto Malote, que aceitou a menor.

A rapariga viu-se transformada em esposa à força de um comerciante, mas foi resgatada por uma organização não governamental que continua a cuidar dela.

A sentença foi proferida a 18 de Abril, mas só hoje foi relatada à Lusa pela ONG Levanta Mulher e Siga o seu Caminho (Lemusica), que pretende fazer da história um exemplo na luta contra o casamento forçado.

A história aconteceu depois de o pai, Augusto Vasco, se ter mostrado incapaz de pagar uma divida de 600 meticais – cerca de oito euros – pelo que bebeu durante vários meses.

Ao ter conhecimento do caso, a organização não governamental Levanta Mulher e Siga o seu Caminho (Lemusica) avançou com um processo em tribunal.

“Nós avançámos e resgatámos com sucesso a menina que se tinha tornado mulher do comerciante”, disse à Lusa, Cecília Ernesto, dirigente da ONG.

A sentença prevê ainda a atribuição de uma indemnização de 30 mil meticais à vitima.

Este é um dos 105 casos de resgaste de raparigas menores que aquela organização feminina já fez em cinco distritos da província de Manica, nos últimos 15 meses.

Em 2016, cem casos de casamentos prematuros foram denunciados através de nove clubes de rapariga, que funcionam nas escolas e nas comunidades, criados no âmbito de uma campanha que pretende reduzir o índice de abuso sexual de menores e casamentos prematuros.

Dos cem casos de 2016, os membros da organização conseguiram resgatar 80 menores e 20 mudaram de residência antes de chegarem junto delas.

Em Moçambique, metade das mulheres com idades entre os 20 e 24 anos de idade casaram-se quando eram menores – 14% das quais antes dos 15 anos, segundo dados do UNICEF, que em conjunto com o governo lançou uma estratégia nacional de Prevenção e Combate aos Casamentos Prematuros, para vigorar até 2019.

http://noticias.sapo.mz/info/artigo/1504231.html

 

África do Sul quer intensificar os contatos com o Brasil

 

encontro do dois ministros das relações exteriores
A ministra sul-africana das Relações Internacionais, Maite Nkoana-Mashabane, acolheu segunda-feira uma delegação brasileira de alto nível, liderada pelo recém-nomeado ministro das Relações Exteriores, Aloysio Nunes Ferreira, que esteve em Pretória para fortalecer as relações existentes.

Nkoana-Mashabane e seu homólogo brasileiro abordaram a mídia em Pretória depois de uma reunião de portas fechadas entre os representantes dos dois governos.

“Felicitamos o ministro [Ferreira] pela sua nomeação. Apenas um mês ou dois depois de sua nomeação, ele prontamente está em nossa região, é uma manifestação política de que os brasileiros são os amigos que podemos depender, que estão observando o futuro da África que queremos, uma África que é em ascensão “, disse Nkoana-Mashabane.

“Nós dois, durante nosso encontro, reafirmamos nossa parceria estratégica entre nossos países. De fato, quando nos reunimos em fóruns multilaterais, metade do tempo brasileiros e sul-africanos estão discutindo assuntos internacionais. Portanto, reafirmamos que estaremos falando sobre como continuar a pensar globalmente e agir localmente “.

Nkoana-Mashabane disse que as reuniões realizadas na manhã de segunda-feira foram produtivas.

“Tudo o que eu quero dizer é que tivemos uma manhã produtiva, em um tipo de parceria muito amistosa, em uma atmosfera amigável. Mas queremos dar mais sentido aos nossos compromissos bilaterais “, disse ela, saudando a delegação brasileira a Pretória.

Dirigindo-se a jornalistas por meio de um intérprete,Aloysio Nunes Ferreira, minsitro brasileiro, disse que era sua primeira visita à África, em seu mandato como ministro das Relações Exteriores, e que foi uma oportunidade para continuar a cooperação entre o Brasil e os estados africanos, particularmente a África do Sul.

“O aspecto mais importante desta visita, e de nosso encontro, é a reafirmação das relações do Brasil com África e África do Sul. Isto reafirmando que a África continua a ser uma prioridade nas nossas relações internacionais.

“A ministra Nkoana-Mashabane está correta quando enumera o número de posições multilaterais em que o Brasil e a África do Sul participam conjuntamente e compartilham uma opinião comum. Mas isso não significa que não devemos continuar nossos esforços para que as relações bilaterais permaneçam intensas e férteis “, disse Ferreira.

“A África do Sul é o principal parceiro comercial do Brasil no continente africano. Em 2015 houve uma ligeira queda em nosso comércio internacional, resultado de uma série complexa de dificuldades econômicas que o Brasil atravessava, mas estamos lentamente reconstruindo “.

Ferreira disse que as empresas sul-africanas fizeram investimentos significativos em setores brasileiros, incluindo mineração, e recentemente empresas sul-africanas ganharam um concorrência para reconstruir um grande aeroporto no Brasil.

Aloysio disse que em uma análise a longo prazo, o comércio entre Pretória e Brasília será fortalecido aos trancos e barrancos.

A África do Sul e o Brasil estabeleceram relações diplomáticas desde de  1948 e, desde então, concluíram muitos acordos de cooperação.

A África do Sul tem sido historicamente um importador líquido de bens do Brasil. As exportações sul-africanas para o Brasil em 2016 totalizaram US $ 336 milhões, enquanto as exportações brasileiras para a África do Sul totalizaram US $ 1,4 bilhão.

Durante 2016, um total de 38.814 brasileiros visitaram a África do Sul. Em 2015, o total foi de 29.339, o que representa um aumento de 32,3% , segundo dados do governo sul-africano.

 

A Ministra das Relações Internacionais da África do Sul, Maite Nkoana-Mashabane, e sua homólogo brasileira, Aloysio Nunes Ferreira fizeram  uma declaração oficial:

“Hoje recebi e hospedei o meu homólogo, o Ministro das Relações Exteriores do Brasil, Sr. Aloysio Nunes Ferreira, numa visita de trabalho a Pretória.

O Ministro está acompanhado por uma delegação empresarial de alto nível que se encontra atualmente com os seus homólogos aqui em Pretória.

Em nosso encontro,  felicitei o Ministro Nunes Ferreira pela sua nomeação como Ministro das Relações Exteriores do Brasil  no dia 07 de março de 2017.

Ambos reafirmamos a Parceria Estratégica entre a África do Sul e o Brasil, que abrange a cooperação de país para país, a cooperação através de mecanismos inter-regionais e a nível global.

Entre outras questões, discutimos o seguinte:

A necessidade de fortalecer e expandir os níveis de comércio e investimento entre os dois países
Contatos mais pessoais
Questões regionais, incluindo SADC, progresso no acordo comercial MERCOSUL / SACU, BRICS e IBSA;
Nosso compromisso comum é  de continuar trabalhando juntos em assuntos globais, particularmente no avanço da cooperação Sul-Sul.
Em conclusão, reafirmamos as calorosas relações entre nossos dois países e nosso desejo de continuar a colaborar em assuntos de interesse mútuo.”

 

Fontes:

http://citizen.co.za/news/news-national/1515191/sa-brazil-elevate-trade-relations/

http://www.dirco.gov.za/docs/speeches/2017/mash0515.htm

Paulina Chiziane, escritora moçambicana, condecorada pelo Brasil

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por ELCÍDIO BILA

Escritora moçambicana condecorada hoje com Ordem do Cruzeiro do Sul

O habitual cruzamento de artes e cultura moçambicana e brasileira cedeu às obras por cinco meses no Centro Cultural Brasil-Moçambique. Hoje, o espaço dedicado à promoção das manifestações culturais dos dois países, há vinte e oito anos, reabriu.34476379732_f529d28612_b ladeada pelos minsitros.jpg

A parte de fora está renovada, novas cores fazem um mosaico que nos transporta para onde o espaço sugere: Brasil. Mais as profundas obras aconteceram no seu interior. Uma das grandes novidades é a criação de um auditório que não podia ser baptizado por outro nome, senão de um dos maiores poetas brasileiros e da CPLP, Vinícios de Morais.34597485646_fc3432945c_b homenagem do aloysio

Coube ao Ministro de Relações Exteriores do Brasil, Aloysio Nunes Ferreira, proceder a reabertura do centro e a inauguração do auditório, o espaço que acolheu a primeira parte do evento.

Além do ministro brasileiro, o evento teve presenças ilustres de figuras do campo político, académico e cultura, destacando o Ministro dos Negócios Estrangeiros e Cooperação, Oldemiro Baloi; o embaixador do Brasil, Rodrigo Baena Soares, reitor da Universidade Politécnica, Jorge Ferrão; entre outros.

Um dos momentos mais altos do evento foi a condecoração da escritora moçambicana Paulina Chiziane com o diploma de Ordem do Cruzeiro do Sul por parte do governo brasileiro.

Trata-se de uma ordem constituída logo após a independência do Brasil e que invoca uma estrela vista lá do Brasil. “Com esta constelação a senhora (referindo-se a Paulina Chiziane) é uma estrela brilhante que cultiva a língua portuguesa, que no seu trabalho procura dar voz as pessoas mais humildes, mais frágeis. Além disso, é uma militante das causas da paz”, justificou a distinção o ministro brasileiro.

Paulina Chiziane, visivelmente emocionada, disse, na ocasião, que em momentos como esses é frequente perguntarmo-nos quem somos, donde viemos e para onde vamos. Assim começava um discurso longo e carregado de muita convicção: “muitas vezes, eu tenho o hábito de dizer vim do chão, vim de lugar nenhum, caminhei pelo mundo e cheguei. Mas não caminhei sozinha. Há muita gente que comigo caminhou ao longo dos dias da minha escrita”. A posterior Chiziane agradeceu o governo brasileiro que lhe colou num pedestal mesmo vindo de lugar nem e mesmo sendo negra. Nesses agradecimentos a escritora não esqueceu ao povo moçambicano, justificando que lhe deu muita força para subir a algum lugar.

Sobre a reabertura do centro, os discursos foram unânimes de que é um sítio renovado para as artes dos dois países possam ter um espaço mais cómodo e mais aberto.

O segundo momento do evento foi marcado por aquilo que está destinado este centro: as artes. A protagonista desse momento foi Mingas. Na sua actuação, a artista acompanhada pelo guitarrista cruzou os dois países através da música. A artista interpretou poemas de Vinícios de Morais e as suas marrabentas fizeram a festa pela noite dentro.

http://opais.sapo.mz/index.php/cultura/82-cultura/44733-brasil-rende-se-a-escrita-de-paulina-chiziane.html

O Observatório

Este observatório é uma iniciativa do Grupo de Estudos Africanos vinculado ao Instituto de Relações Internacionais da Universidade de Brasília (GEA/IREL-UnB), que busca refletir sobre a vida política, social e econômica da África contemporânea, com destaque para sua inserção internacional. Preocupando-se com o continente marcado pela diversidade, o Grupo de Estudos Africanos, por meio do Observatório, propõe um olhar crítico e compreensivo sobre temas africanos, em suas mais diversas dimensões.