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Instabilidade Política

Esta categoria contém 13 posts

As autoridades tradicionais de Guine Bissau e a politica


Debate sobre o papel dos régulos no país

A forte presença dos régulos nas actividades políticas e governativas na Guiné-Bissau está a promover um forte debate sobre o seu papel no país.

Reconhecidos como moralizadores das comunidades, os régulos, segundo muitas opiniões, têm envolvido muito na política, o que, de certa forma, continua a gerar algum olhar de desconfiança por parte dos seus “regulados”.

Essas autoridades tradicionais foram constituídas há séculos, com base na sucessão de hierarquia.

Régulos na Guiné-Bissau: Entre a autoridade tradicional e a política

Mas, para muitos guineenses, este poder tradicional tem-se envolvido, de forma directa, nas disputas politicas, pondo em causa o seu real papel, que é dirimir os conflitos e promover a conciliação nas sociedades comunitárias, sob as suas respectivas jurisdições.

O jurista Sileimane Cassamá, conhecedor do exercício do poder dos régulos, na Guiné-Bissau, destaca o papel reservado, pela Constituição da Republica, a essa classe do poder tradicional.

“Não é um poder político e não pode enveredar-se pela politica. A função do régulo é servir de ponte entre a estrutura administrativa do Estado e as suas respectivas comunidades”, explica Cassamá.

Por seu lado, o investigador do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisa e jurista Fodé Mané considera que “a legitimidade do Estado vem das leis que são montadas, de acordo com as estruturas dos órgãos do Estado, enquanto que a legitimidade do poder tradicional, vem da base, da comunidade e da tradição”.

Para ele, “quando esses dois poderes estão a misturar-se, há risco daquele que tiver mais poder engolir o outro”.

Em consequência do envolvimento dos régulos nas actividades políticas, Suleimane Cassamá alerta que “o régulo acaba por envolver-se em conflito que vai contra as regras do seu regulado”.

Neste caso, “não é só uma questão de credibilidade, mas é uma questão de manutenção do regulo, como tal, na comunidade a que pertence”, conclui o jurista.

Na actual crise política, os régulos, agrupados na Confederação Nacional dos Regulados da Guiné-Bissau, foram chamados em diferentes ocasiões para darem a sua opinião.

Fonte:https://www.voaportugues.com/a/régulos-na-guiné-bissau-entre-a-autoridade-tradicional-e-a-política/4394728.html

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EUA destaca o empenho e a luta de Dhkalama em Moçambique

 

A embaixada dos EUA em Maputo destacou hoje o empenho de Afonso Dhlakama na busca da democracia e paz em Moçambique, encorajando a Renamo e o Governo a honrarem o legado do político.
EUA destacam empenho do líder da Renamo pela democracia e paz

“Através de um esforço conjunto, primeiro com o Presidente Joaquim Chissano e mais recentemente com o Presidente Filipe Jacinto Nyusi, Afonso Dhlakama provou a Moçambique e ao mundo que estava empenhado em alcançar a democracia e uma paz duradoura”, diz a embaixada norte-americana, em comunicado hoje divulgado em Maputo.

A nota prossegue assinalando que, mesmo nos seus últimos dias, o líder da Resistência Nacional Moçambicana (Renamo) trabalhou perseverantemente para promover os objectivos da descentralização e desmilitarização do braço armado do principal partido da oposição.

“Encorajamos os líderes da Renamo e os seus interlocutores no Governo da República de Moçambique a honrar o legado de Afonso Dhlakama, ao concluir este grande projecto pelo qual dedicou os últimos anos da sua vida”, lê-se no comunicado.

O líder da Renamo, Afonso Dhlakama, morreu na quinta-feira pelas 08:00, aos 65 anos, na Serra da Gorongosa, devido a complicações de saúde.

O Presidente de Moçambique, Filipe Nyusi, referiu à Televisão de Moçambique (TVM) que foram feitas tentativas para o transferir por via aérea para receber assistência médica no estrangeiro, mas sem sucesso.

Fontes partidárias contaram à Lusa que o presidente do principal partido da oposição moçambicana faleceu quando um helicóptero já tinha aterrado nas imediações da residência, na Gorongosa.

O seu corpo encontra-se desde a madrugada na morgue do Hospital Central da cidade da Beira.

https://noticias.sapo.mz/actualidade/artigos/eua-destacam-empenho-do-lider-da-renamo-pela-democracia-e-paz

Bispos católicos moçambicanos mostram preocupação e pedem “serenidade e humildade” depois do falecimento de Dhlakama

A Conferência Episcopal de Moçambique (CEM) pediu hoje “serenidade e humildade” face à morte de Afonso Dhlakama, líder da Renamo, exortando o principal partido da oposição a saber reerguer-se para honrar o compromisso com a paz.
Bispos católicos moçambicanos pedem “serenidade e humildade”

“É um momento doloroso para o país, porque morre um grande protagonista e peça-chave para a paz, mas os moçambicanos devem reagir a este acontecimento com serenidade e humildade”, disse à Lusa o porta-voz da CEM e bispo de Chimoio, centro de Moçambique, João Nunes.

João Nunes assinalou que Afonso Dhlakama entendeu o clamor do país pelo fim da violência nos vários ciclos de confrontação militar que opuseram a Resistência Nacional Moçambicana (Renamo) e as Forças de Defesa e Segurança (FDS) moçambicanas.

“Nas circunstâncias mais difíceis, compreendeu que a paz era muito importante e agiu como interlocutor válido”, declarou João Nunes.

Para o porta-voz do CEM, o líder da Renamo voltou a encontrar o caminho da paz quando recentemente chegou a acordo com o Presidente da República, Filipe Nyusi, sobre a proposta de revisão pontual da Constituição da República visando o aprofundamento da descentralização.

“A Renamo deve ter a determinação de se reerguer deste momento duro provocado pela perda e honrar o compromisso que o seu líder tinha manifestado para com a paz”, afirmou.

João Nunes apelou à Frente de Libertação Moçambicana (Frelimo), partido no poder, para que actue com humildade e sentido de Estado, trabalhando com a Renamo para a estabilidade do país.

“O rumo em direcção à paz não deve sofrer desvios, a Frelimo deve ter a coragem de sempre colocar o interesse nacional acima de quaisquer outros”, frisou.

O líder da Renamo, Afonso Dhlakama, morreu na quinta-feira pelas 08:00, aos 65 anos, na Serra da Gorongosa, devido a complicações de saúde.

O Presidente de Moçambique, Filipe Nyusi, referiu à Televisão de Moçambique (TVM) que foram feitas tentativas para o transferir por via aérea para receber assistência médica no estrangeiro, mas sem sucesso.

Fontes partidárias contaram à Lusa que o presidente do principal partido da oposição moçambicana faleceu quando um helicóptero já tinha aterrado nas imediações da residência, na Gorongosa.

O seu corpo encontra-se desde a madrugada na morgue do Hospital Central da cidade da Beira.

https://noticias.sapo.mz/actualidade/artigos/bispos-catolicos-mocambicanos-pedem-serenidade-e-humildade

A morte do lider da RENAMO abre um período de incertezas em Moçambique

Afonso Dhlakama, presidente da Resistência Nacional Moçambicana (Renamo, principal partido da oposição), morreu ontem, aos 65 anos, devido a complicações de diabetes, noticiou a imprensa moçambicana que citou fonte partidária.

Fotografia: DR

Outras fontes da Renamo confirmaram à agência Efe a morte de Dhlakama, mas não deram detalhes da causa.
Dhlakama vivia refugiado na serra da Gorongosa, no centro do país, desde 2016, tal como já o havia feito noutras ocasiões, quando se reacendiam os confrontos entre a Renamo e as forças de defesa e segurança de Moçambique.
De acordo com a Televisão Independente Moçambicana (TIM), Dhlakama morreu quando aguardava, na serra da Gorongosa, por um helicóptero, para ser evacuado para a África do Sul, onde iria ser submetido a tratamento médico.
Depois de abandonar Maputo, o líder da Renamo estava escondido no interior da serra da Gorongosa, na província de Sofala, em Moçambique, desde 2015.
Dhlakama era desde 1984 o líder político da Renamo, movimento criado pela antiga Rodésia (hoje Zimbabwe) e a África do Sul para lutar contra a alegada extensão do comunismo na região, e portanto contra o partido no poder, a Frente de Libertação de Moçambique (Frelimo).
A assinatura dos Acordos de Paz de Roma (1992), rubricados com o então Presidente e líder da Frelimo, Joachim Chissano, puseram fim a uma guerra civil de 16 anos, iniciada após a independência do país, de Portugal, com um saldo de um milhão de mortos.
Apesar do acordo de 1992, a Renamo continuou a realizar ataques esporádicos em diferentes zonas de Moçambique até à assinatura definitiva da paz, em 5 de Setembro de 2014, a 40 dias das últimas eleições.
Após várias rondas de negociações, nesse dia o então Presidente moçambicano e líder da Frelimo, Armando Guebuza, e Afonso Dhlakama assinaram um acordo de paz que punha fim a dois anos de conflito no país.
Durante a assinatura da paz em Maputo, o líder opositor expressou o desejo de mudar radicalmente o panorama político das “últimas duas décadas” no país, nas quais, segundo sua opinião, houve uma “sistemática concentração do poder num punhado de privilegiados”.
Dhlakama, nascido em 1953 em Mangunde, na província central de Sofala, onde a Renamo tem uma das suas fortificações tradicionais, tornou-se líder do grupo após a morte em combate em 1979 do primeiro chefe do movimento, André Matsangaissa, e, como político, manteve o partido governamental em xeque durante mais de duas décadas.
Sob a sua liderança, a Renamo chegou a ser acusada pela comunidade internacional de cometer crimes contra a humanidade, como massacres de civis e recrutamento de crianças-soldado.
O líder opositor perdeu eleições de maneira sucessiva, sendo as primeiras em 1999, com o então Presidente Joaquim Chissano.
Dhlakama disputou as quartas eleições de 2009 com Armando Guebuza, tendo igualmente perdido as mesmas.
A última votação, em 2014, foi vencida pelo actual Presidente do país e candidato da Frelimo, Filipe Nyussi.

Líder da Renamo
foi membro da Frelimo

Afonso Macacho Marceta Dhlakama nasceu em Mangunda, na província de Sofala, no centro de Moçambique, a 1 de Janeiro de 1953 e estava há mais de 40 anos na liderança da Renamo.
Dhlakama vivia refugiado na serra da Gorongosa, no centro do país, desde 2016, tal como já o havia feito noutras ocasiões, quando se reacendiam os confrontos entre a Renamo e as forças de defesa e segurança de Moçambique.
Apesar de se auto-intitular “pai da democracia moçambicana”, e para muitos simpatizantes ser o “Mandela ou Obama moçambicano”, Afonso Dhlakama era igualmente visto como um “senhor da guerra”.
Entre o afável e o incendiário, Dhlakama era uma figura controversa. “Se não gostarem de mim, depois de cinco anos, podem-me mandar embora, porque não vou matar ninguém”, disse o líder da Renamo num comício no centro do país em 2014, respondendo desta forma aos críticos que o acusavam de recorrer à violência para fazer vingar os seus pontos de vista na política de se comportar como “dono” da Renamo (Resistência Nacional Moçambicana), que dirigia desde os 23 anos.
Em 1974, com o fim da guerra colonial, o político e militar ingressou na Frelimo (Frente de Libertação de Moçambique), tendo acabado por abandonar esse movimento para se tornar, dois anos depois, um dos fundadores da RNM (Resistência Nacional de Moçambique). Após a morte de André Matsangaíssa em combate e depois de uma luta pela sucessão, Dhlakama assume a liderança do movimento que passa a ser designado por Renamo.
Depois de uma guerra civil de 16 anos, movida com o apoio do apartheid,  Dhlakama assina o Acordo Geral de Paz com o então Presidente do país, Joaquim Chissano, líder da Frelimo, a 4 de Outubro de 1992, em Roma, passando a Renamo a ser um partido político. A primeira vez que concorreu como candidato às eleições gerais (legislativas e presidenciais) foi em 1994, dois anos depois do acordo firmado em Itália.

Conflito arrasou o país

A guerra civil em Moçambique foi uma das mais brutais de África. A RENAMO teve má fama por causa da destruição de escolas e centros de saúde, da minagem de estradas e pelo recrutamento de crianças soldados. A violência causou aproximadamente 900.000 mortos. Milhões refugiaram-se dentro ou fora de Moçambique.
Mesmo contra os princípios do Acordo Geral de Paz de Roma, que previu a desmobilização total dos rebeldes da RENAMO, Dhlakama sempre manteve um exército privado do partido. Treinaram longe do olhar do público em bases fechadas no interior da província de Sofala, nas localidades de Maríngué e Inhaminga.
O escritor moçambicano Mia Couto chegou a criticar o estilo militarista de fazer política de Dhlakama numa entrevista ao canal privado STV: “Ficámos reféns do medo de alguém que reiteradamente veio anunciar que ‘agora sim vou voltar à guerra, vou incendiar o país’… Ele escolheu vários tipos de discursos que são realmente ameaças”, disse.
Dhlakama reagiu com um auto-isolamento na Serra da Gorongosa, abandonando a sua mansão em Maputo.
“Desde Outubro de 2012, quando Afonso Dhlakama se retirou para o seu antigo quartel general da guerra civil, abandonou de facto as instituições de Moçambique e as plataformas democráticas existentes”, disse uma analista do instituto britânico de estudos políticos, Chatham House, Elisabete Azevedo-Harman. “Isolou-se da capital Maputo e dos outros actores políticos”, acrescentou.

http://jornaldeangola.sapo.ao/mundo/morreu_afonso_dhlakama

Jornal “O País” de Moçambique: PT mantém Lula como seu candidato e transfere sede para Curitiba

PT mantém Lula como seu candidato e transfere sede para Curitiba

O Partido dos Trabalhadores (PT) anunciou esta segunda-feira a transferência simbólica da sede do partido para Curitiba, onde está preso o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Fisicamente, a sede segue em São Paulo. Segundo o partido, a mudança é em caráter provisório e, na prática, vai fazer com que as decisões sejam discutidas e divulgadas pelas lideranças em Curitiba.

“Nós vamos transferir, não a sede física, mas a direcção política do PT para Curitiba”, afirmou a presidente do partido, a senadora Gleisi Hoffmann, citada pelo G1.

Gleisi também disse que governadores ligados ao partido devem ir à Superintendência da Polícia Federal, em Curitiba, para tentar visitar o ex-presidente.

“Temos a confirmação dos governadores que vem para cá, vão até à Polícia Federal e nós estamos vendo a possibilidade de visitarem o presidente Lula”, comentou a senadora.

Por outro lado, o PT também disse que Lula continua candidato à Presidência da República “e sua candidatura será registada no dia 15 de Agosto, conforme a legislação eleitoral”.

Segundo o partido, Glesi Hoffmann foi designada como porta-voz política petista por Lula até que ele seja solto e ficará responsável pela articulação com outros partidos.

Fonte:http://opais.sapo.mz/pt-mantem-lula-como-seu-candidato-e-transfere-sede-para-curitiba

Parlamento confirma Ramaphosa como Presidente sul-africano

tamphosaVotação ocorreu menos de 24 horas depois de Zuma ter apresentado a sua demissão, pondo fim a nove anos na presidência.

Matamela Cyril Ramaphosa foi eleito presidente da África do Sul nesta quinta-feira, 15 de fevereiro.  Ele assumiu o cargo depois que o ex-presidente Jacob Zuma apresentou sua renúncia.
Cyril1Nascido em 17 de novembro de 1952 em Soweto, Ramaphosa se envolveu com o ativismo estudantil enquanto estudava direito na década de 1970.Ele foi preso em 1974 e passou 11 meses em confinamento solitário.

mandela 3Depois de estudar, ele se voltou para o sindicalismo – uma das poucas formas legais de protestar contra o regime.

Quando Mandela foi libertada em 1990 após 27 anos de prisão por se opor ao apartheid, Ramaphosa foi uma parte fundamental do grupo de trabalho que levou a transição para a democracia.

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Ramaphosa aumentou a proeminência global como o principal negociador da ANC, com seu contributo visto como um fator no sucesso das negociações e a resultante transferência democrata democrática.

Mandela+Meyer+Ramaphosa+De+Klerk+1996

 

Ramaphosa tem quatro filhos com sua segunda esposa, Tshepo Motsepe, um de les é  médico.

Ele foi acusado em 2017 de ter assuntos com várias mulheres jovens, que ele negou.

Ramaphosa admitiu um caso extraconjugal, mas disse à mídia local que desde então havia divulgado o relacionamento com sua esposa.

Alguns viram as revelações súbitas como uma campanha de difamação por associados de Zuma, que apoiou outro candidato na conferência do partido Crunch – sua ex-esposa Nkosazana Dlamini-Zuma.

O impacto do escândalo foi de curta duração, e Ramaphosa baseou sua campanha em sua promessa de reconstruir a economia do país, impulsionar o crescimento e criar empregos muito necessários.

“Ramaphosa não tem associação com nenhum dos escândalos de corrupção que atormentaram a África do Sul”, escreveu seu biógrafo Ray Hartley em “The Man Who Would Be King”.mandela5

Jacob Zuma, Presidente da África do Sul renuncia

RENUNCIA“Anuncio a minha renúncia do cargo de Presidente da República da África do Sul, com efeitos imediatos”

Em uma declaração ao país, feita através da televisão, Jacob Zuma anunciou que havia acabado de assinar, com efeitos imediatos, o seu pedido de renúncia  do cargo de Presidente da África do Sul.

Na sua alocução, Jacob Zuma disse que não concordava com as razões que estavam a ser apontadas para que apresentasse a sua demissão, mas sublinhou que o fazia em respeito pela unidade do seu partido, o ANC, e do povo sul-africano.

“Devo aceitar que meu partido e meus compatriotas querem que eu vá embora”, disse Zuma.

“Não tenho medo de qualquer moção de censura; Não tenho medo de qualquer impeachment”, disse Zuma, durante a sua comunicação.

Segundo deu a entender, a decisão terá sido motivada pela necessidade de preservar a integridade do partido, perante a violência e divisão que estava a acontecer.

“Ninguém merece morrer em meu nome. O partido não se deve dividir por minha causa” destacou.

Jacob Zuma cumpria agora o seu segundo mandato como Presidente da África do Sul.Cyril ra

Deixa o poder nas mãos do seu então vice-presidente da República, Cyril Ramaphosa, que deverá ser anunciado hoje como seu sucessor na chefia do Estado.

Zuma recebe ultimato para deixar o poder

SAFRICA-ZUMA/

Victor Carvalho

 

Aquilo que os sul-africanos mais temiam acabou mesmo por acontecer. O Congresso Nacional Africano e Jacob Zuma extremaram as suas posições, e pairando no ar a sensação do inicio de um processo de “impeachment” parlamentar para levar à queda do presidente.

O secretário-geral do ANC, Ace Magashule, assegurou ontem que o Presidente sul-africano, Jacob Zuma, vai pronunciar-se hoje sobre a ordem de demissão do partido.
Fotografia: Johannes Eisele | AFP

A única forma desse processo não avançar é Jacob Zuma, no prazo de 48 horas que agora lhe foi dado, assinar pelo pedido de demissão que lhe é exigido pelo próprio partido, à frente do qual foi eleito Presidente da África do Sul.
Mas, o grande problema é que Jacob Zuma continua renitente em aceitar este ultimato e já fez saber que pretende estar mais alguns meses no poder, mais concretamente até finalizar o seu mandato.
Um porta-voz da presidência desmentiu ainda ontem de manhã uma notícia que estava a ser avançada pela BBC e segundo a qual Jacob Zuma estava a elaborar a sua carta de demissão, sublinhando que o futuro do presidente será tratado, “a seu tempo”, longe dos holofotes da imprensa.
“Jacob Zuma continua a ser o Presidente da África do Sul e está disposto a terminar o seu mandato”, sublinhou o mesmo porta-voz. A decisão de avançar com este ultimato foi tomada nas primei-
ras horas de ontem no decorrer de mais uma da imensa maratona de reuniões, durante as quais os apoiantes de Jacob Zuma e os que defendem a sua demissão têm esgrimido longa e infrutiferamente os seus argumentos.
Desta feita, os 107 membros do Conselho Nacional Executivo do ANC estiveram reunidos até às primeiras horas de ontem num hotel da capital da nação sul-africana para uma tomada de decisão sobre o futuro do Presidente da África do Sul.
O conselho recordou o que aconteceu em 2008 quando o Presidente ThaboMbeki, que sucedeu no cargo a Nelson Mandela, renunciou por falta de apoio do ANC no parlamento. O apoio que Jacob Zuma ainda no seio da direcção do partido, sem o qual não conseguiria resistir este tempo todo, é expresso, fundamentalmente, pelos elementos provenientes das zonas rurais e pelos antigos combatentes, enquanto os quadros mais jovens, os empresários e os representantes dos sindicatos estão unidos à volta de CyrilRamaphosa, presidente do partido, na exigência pela sua saída imedia-
ta do cargo de Presidente da República.
Jacob Zuma terá sido informado da decisão sobre este recente ultimato de 48 horas para a sua saída do poder pela voz do próprio líder do partido, CyrilRamaphosa, que acompanhado pelo secretário geral, AceMagashule, se deslocou ontem de madrugada até à residência presidencial, em Pretoria, não se sabendo se nessa ocasião se terão encontrado pessoalmente com o ainda presidente da África do Sul ou se terão apenas feito a entrega formal do documento onde consta a posição saída da reunião.
Oposição avança com nova moção de censura
Depois de já ter vencido sete moções de censura apresentadas pela oposição, sempre com o apoio do ANC, o Presidente Jacob Zuma vai en-frentar no próximo dia 22 uma nova moção parlamentar pedida por um partido da oposição, a Aliança Nacional. Ontem de manhã, um porta-voz da Aliança Democrática disse que a oposição não vai parar até que o presidente Zuma se demita ou seja demitido, e diz que esta está atenta ao modo como o ANC está a tratar a situação. “Não vamos permitir que o partido no poder use paninhos quentes em relação ao Presidente da República. Ele vai ter que pagar pelos crimes que cometeu”, sublinhou o mesmo porta-voz em declarações à televisão sul-africana.
Após deixar a presidência do ANCno último congresso do partido, em Dezembro, a favor de CyrilRamaphosa – que não era o seu candidato preferido -, a pressão para que o chefe de Estado abandone o poder aumentou, especialmente nas últimas semanas.

Cyril raRamaphosa 
Independentemente do que agora suceder com Jacob Zuma, demissão voluntária ou forçada através da aprovação de uma moção parlamentar de censura, existe a certeza de que CyrilRamaphosa é o próximo presidente da África do Sul.
Isto, porque o veterano político ganhou a corrida para suceder a Jacob Zuma como líder do ANC, naquilo que foi na altura descrito por observadores internacionais como “o final de uma longa maratona”. O novo número 1 do principal partido sul-africano conseguiu vencer em Dezembro do ano passado NkosazanaDlamini-Zuma, ex-mulher de Zuma, por 179 votos (2.440-2.261).

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Pressões chegam de todo o lado do país

Vai ser muito difícil a Jacob Zuma resistir às pressões que chegam de todo o lado para que se demita. Tanto do seu próprio partido, como das forças da oposição e ainda de uma larga franja da sociedade civil. Ao ANC basta aguardar pela apresentação de mais uma moção de censura por parte da oposição, aliás já prevista para o dia 22, para assistir à queda do presidente.
Para isso é apenas necessário que os seus deputados respeitem a orientação que eventualmente venha a ser dada pelo partido, abstendo-se de votar, para que Jacob Zuma fique sem o apoio do parlamento. Se isso suceder, o presidente é forçosamente obrigado e demitir-se. De acordo com a constituição sul-africana, o Presidente da República é eleito pelo parlamento e este tem o poder de o destituir, bastando para tal retirar-lhe o apoio que emana do poder do voto. No seio da principal força da oposição, a Aliança Democrática tem sido o partido mais activo na luta para afastar Jacob Zuma do poder.
Este partido, o segundo mais votado nas últimas eleições, tem algumas aspirações para 2019 e quer ter a liderança do processo de destituição do actual presidente, de modo a apresentar isso como um argumento político forte para usar na próxima campanha eleitoral.
O ANC, por seu lado, apesar de ter praticamente garantida a vitória nas eleições de 2019, não quer perder mais votos para os seus adversários e, por isso mesmo, quer ter também a sua chancela no processo para o afastamento de Jacob Zuma.
Como se vê, politicamente, todos os partidos têm a ganhar com a saída imediata de Jacob Zuma. Só ele, visado pela justiça, tem a perder com a sua demissão, pois corre sérios riscos de ter que enfrentar a lei e responder pelos crimes de que vem sendo acusado.

 

Fonte:http://jornaldeangola.sapo.ao/mundo/zuma_tem_ate_hoje_para_deixar_o_poder

Pres da África do Sul afirma : “Eu não fiz nada de errado”

ZUMA ENTREVISTA.jpgO comando executivo do Congresso Nacional Africano(ANC), o maior partido político da Africa do Sul, comunicou ao presidente da África do Sul que deve renunciar ao cargo.  Caso ele continue a se negar a deixar o poder, o o ANC pretende se juntar a oposição e realizar o impeachment no Congresso.

A reação do presidente foi de continuar a dizer que não sabe quais os motivos que o estão pedindo para que ele se afaste. Depois das diversas acusações de corrupção. Ele continua a afirmar que não fez nada de errado.  E ainda diz que não está desafiando a decisão do ANC, mas discorda por achar incorreta.

O clima continua muito tenso, e pode ter um desfecho dramático. O Presidente Jacob Zuma, parece não entender que o governo acabou e a sua presença deixa o país em suspenso e coloca o futuro do partido em xeque. Zuma pediu três a seis meses para fazer a transição do cargo. ANC disse que esse período é muito longo para deixar o país no clima de incerteza e ansiedade.

ANC-documents_sliderA preocupação o ANC é que o país se una nos objetivos de crescimento , criação de empregos e transformação econômica.

 

Isabel dos Santos diz que SIC é “muito cara”

isabel dos santos
A empresária Isabel dos Santos, que detém a distribuidora angolana de televisão por subscrição Zap, escreveu hoje que “a SIC é muito cara” e que a exclusão dos canais daquele grupo português é uma decisão comercial.A posição é assumida pela empresária, filha do chefe de Estado angolano, numa publicação que Isabel dos Santos colocou hoje nas redes sociais, onde tem estado activa há vários dias, e que surge depois de a distribuidora DStv ter tomado a mesma medida, excluindo desde segunda-feira também os canais SIC Internacional África e SIC Notícias da sua grelha, como já tinha feito a Zap, em Março.“A inconfessável ganância comercial do milionário Pinto Balsemão. Em Angola quer encaixar pela SIC um milhão de euros/ano. A comparar com a BBC 33 mil euros/anos ou a Al Jazeera 66 mil euros/anos”, escreve Isabel dos Santos.

Sem nunca se referir directamente às decisões de exclusão da grelha das duas distribuidoras que operam em Angola (Zap e DStv) daqueles dois canais do grupo Impresa, presidido por Francisco Pinto Balsemão, Isabel dos Santos afirma que “a razão é comercial e não política”.

“A SIC é muito cara”, conclui a empresária, no mesmo texto, escrito em português, inglês e francês.

Desde a meia-noite de segunda-feira que a operadora de televisão por subscrição Multichoice, através da plataforma internacional DStv, deixou de transmitir os canais SIC Notícias e SIC Internacional África em Angola.

Esta decisão é semelhante à tomada anteriormente pela Zap, outra das duas operadoras generalistas em Angola, que em 14 de Março interrompeu a difusão dos canais SIC Internacional e SIC Notícias nos mercados de Angola e Moçambique, o que aconteceu depois de o canal português ter divulgado reportagens críticas ao regime de Luanda.

A Multichoice África, que tem a plataforma DStv, fornece serviços de televisão pré-paga de canais digitais múltiplos contendo canais de África, América, China, Índia, Ásia e Europa, por satélite.

Já a Zap, que iniciou a sua actividade no mercado angolano em abril de 2010, é actualmente a maior operadora de TV por satélite em Angola.

A operadora portuguesa NOS detém 30% da Zap, sendo o restante capital detido pela Sociedade de Investimentos e Participações, da empresária angolana Isabel dos Santos.

A maioria do capital da NOS é detido pela ZOPT, ‘holding’ detida pela Sonae e por Isabel dos Santos.

Os restantes canais do grupo português, SIC Mulher, SIC Radical, SIC Caras e SIC K, continuam a ser transmitidos normalmente em Angola.

Na segunda-feira, a SIC disse ser “totalmente alheia” ao facto de os canais SIC Notícias e SIC Internacional África terem deixado de ser transmitidos pela plataforma DStv em Angola, acrescentando que a transmissão dos dois canais se mantém em Moçambique através da DStv.

Também na África do Sul a DStv continuará a exibir a SIC Internacional África

Angola vive, atualmente, um clima de pré-campanha eleitoral, com o aproximar das eleições gerais de 23 de agosto, às quais já não concorre José Eduardo dos Santos, Presidente da República desde 1979.

http://pt.rfi.fr/sao-tome-e-principe/20170607-sao-tome-aprova-criacao-do-tribunal-constitucional

O Observatório

Este observatório é uma iniciativa do Grupo de Estudos Africanos vinculado ao Instituto de Relações Internacionais da Universidade de Brasília (GEA/IREL-UnB), que busca refletir sobre a vida política, social e econômica da África contemporânea, com destaque para sua inserção internacional. Preocupando-se com o continente marcado pela diversidade, o Grupo de Estudos Africanos, por meio do Observatório, propõe um olhar crítico e compreensivo sobre temas africanos, em suas mais diversas dimensões.
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