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Energia

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Moçambique venderá energia elétrica para Malawi

 

Maputo – A empresa pública Electricidade de Moçambique (EDM) anunciou nesta segunda-feira a realização de consultas públicas sobre o projecto de construção de uma linha de 218 quilómetros para fornecer energia eléctrica ao Malawi.

 

MAPA DE MOÇAMBIQUE

Em comunicado, a EDM refere que vai levar a cabo uma auscultação pública nos próximos dias 28 e 29 na província de Tete, centro de Moçambique, onde está localização a Hidroeléctrica de Cahora Bassa (HCB), que vai fornecer a energia eléctrica ao Malawi.

A nota de imprensa adianta que o empreendimento consistirá ainda na construção de duas subestações, uma em Matambo, na província de Tete, e outra em Phombeya, no Malawi.

A infra-estrutura deverá ficar pronta dentro de cinco anos e está orçada em 120 milhões de dólares.

Moçambique vende energia eléctrica à África do Sul, Zimbabwe, Swazilândia e Zâmbia.

http://www.angop.ao/angola/pt_pt/noticias/africa/2017/7/33/Mocambique-Empresa-electricidade-realiza-consulta-publica-sobre-venda-energia-Malawi,447a6606-64aa-4928-b699-4211f3554b1f.html

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Angola pretende comprar geradores e equipamentos de geração fotovoltaica

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O Governo angolano pretende comprar geradores e equipamentos de geração fotovoltaica para garantir electricidade em locais isolados do país, num negócio de quase 100 milhões de euros.De acordo com uma autorização presidencial para o contrato de aquisição, que será feito à empresa angolana Aenergia, constituída em 2012 e parceira da norte-americana General Electric, o negócio envolve o fornecimento, instalação, comissionamento e assistência técnica de geradores industriais, geradores domésticos, bem como de “kits de geração fotovoltaica”.fotovaico

Será ainda assegurado o fornecimento de equipamentos para montagem de redes de alimentação, envolvendo sistemas eléctricos isolados da cobertura nacional, num contrato global, autorizado por despacho presidencial, a rubricar entre o Ministério da Energia e Águas e a Aenergia, por 114,2 milhões de dólares (98,7 milhões de euros).aaSolar-Animacaoenergi

O recenseamento da pop7ulação realizado em Angola no mês de maio de 2014 concluiu que o acesso à rede de electricidade é apenas garantido a 1,7 milhões de casas (31,9% do total), quase exclusivamente em zonas urbanas, já que na área rural apenas 48.173 agregados familiares são servidos.

O estudo identifica que as lanternas são a segunda principal fonte de iluminação e servem mais de 1,752 milhões de famílias (31,6%) em Angola.

Seguem-se em alternativa os candeeiros (14,3%) e os geradores (9,3%).

Até final deste ano, o Governo prevê praticamente duplicar a electricidade produzida e injectada na rede pública nacional, com a construção de novas barragens e uma central de ciclo combinado, a gás, chegando aos 5.000 MegaWatts de potência instalada, ainda insuficiente para cobrir o défice nacional de produção eléctrica.

http://noticias.sapo.ao/info/artigo/1510083.html

Hidroelétrica de Laúca em Angola começa a funcionar com financiamento do Brasil

 

Cinco anos depois do início das obras, a barragem hidroeléctrica de Laúca entra em funcionamento hoje, com a inauguração da primeira de um conjunto de seis turbinas instaladas. Localizado na província de Malanje, o empreendimento que partilha o rio Kwanza com as barragens de Cambambe e Capanda, adiciona 2.070 megawatts (MW) à rede nacional de electricidade.

A obra foi desenvolvida  pela construtora brasileira Odebrecht com financiamentos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico (BNDES), que foram interrompidos em 2015, na sequência da crise econômica e política no Brasil, que levou ao afastamento da ex-presidente Dilma Rousseff.

A primeira turbina da Barragem de Laúca começa hoje a produzir energia eléctrica
Fotografia: Rogerio Tuti | Edições Novembro

As restantes cinco turbinas entram gradualmente em funcionamento até 2018, mas já é ponto assente que Laúca é a maior barragem do país e que o rio Kwanza, onde perfilam agora três aproveitamentos hidroeléctricos, é a maior fonte de respostas às necessidades de electricidade do país, com margem para o surgimento de novas barragens.
Laúca resulta de um investimento público de 4,3 mil milhões de dólares, como parte do projecto “Angola Energia 2025”, que prevê o aumento substancial da oferta electricidade  às populações e ao sector produtivo.
Dados consultados pelo Jornal de Angola apontam para um aumento da procura de energia no país na próxima década, quatro vezes superior aos níveis actuais. Estima-se que a demanda atinja 7,2 Gigawatts até 2025, contra os 1,5 Gigawatts.
No quadro do projecto Angola Energia 2025, está previsto um incremento da potência instalada de 2 Gigawatts para 9,9 Gigawatts. A meta é chegar aos 60 por cento da população, o equivalente a 14 milhões de beneficiários em 2025. Para esse desiderato, Laúca garante um contributo de 2.070 megawatts.
O primeiro grupo gerador entra em funcionamento quatro meses depois do início do enchimento da albufeira, processo que, de acordo com técnicos, só termina em 2018, permitindo depois a entrada em funcionamento das seis turbinas.
Com 2.070 Megawatts, Laúca supera o dobro da capacidade das duas barragens, Cambambe (960 MW) e Capanda (520 MW), com as quais divide o médio Kwanza e reduz, em certa medida, o défice na produção de energia no país.
Considerada a maior obra de Engenharia Civil alguma vez feita em Angola, a barragem de Laúca, consumiu, só em betão, o equivalente à edificação de 40 estádios de futebol, 2.800 casas ou 465 edifícios de oito pisos.
A acomodação das turbinas implicou a construção de seis túneis subterrâneos numa extensão total de 12 quilómetros, além de um desvio do rio Kwanza. A quantidade de aço consumida equivale à construção de cinco torres Eiffel.
O gigante chamado Laúca tem duas centrais de produção de energia. A primeira é constituída por seis turbinas do tipo Francis Vertical, que vão produzir 334 MW cada. A segunda inclui uma central ecológica com capacidade para 65 MW.
O projecto Angola Energia 2025 obedece a várias etapas. Para o quinquénio 2013 -2017 estavam previstas, entre outras acções, a construção da segunda central da barragem de Cambambe, Laúca, a Central do Ciclo Combinado e a barragem de Caculo Cabaça.
A nova central constitui a segunda e a última etapa da barragem de Cambambe, que data de 1959. A intervenção resultou no aumento da capacidade de produção do empreendimento de 260 para 960 megawatts (MW).
A barragem de Laúca e a Central do Ciclo Combinado do Soyo que chegou a suscitar alguns receios quanto à capacidade de garantir a continuidade das obras face à crise financeira de 2014 estão no fim.

Melhor garantia

O início hoje da produção de Laúca, cujas obras iniciaram em 2012, com o lançamento da primeira pedra pelo então ministro de Estado e da Coordenação Económica, Manuel Vicente, actual Vice-Presidente da República, é a maior garantia de viabilidade do projecto Caculo Cabaça que vem para reforçar a estratégia de redução do défice de energia no país. À semelhança de Cambambe, Laúca e Capanda, Caculo Cabaça também nasce da força do rio  Kwanza.
O aproveitamento hidroeléctrico de Caculo Cabaça tem projectada uma barragem de betão com 103 metros de altura e 553 metros de desenvolvimento de coroamento, que vai permitir armazenar um volume total de cerca de 440 milhões de metros cúbicos de água.
Com a conclusão das obras prevista para 2022, a barragem de Caculo Cabaça deve acrescentar à rede nacional de electricidade 2.100 megawatts.

Potencial por explorar

O país explora apenas cinco por cento da potencialidade que dispõe em energia hídrica. Estudos revelam que Angola dispõe de 159 locais com potencial para grandes aproveitamentos hidroeléctricos.
O projecto Angola Energia 2025 procura inverter esta situação. Entre os objectivos a que se propõem estão o estudo da evolução da procura, necessidade do aumento das capacidades de produção, transporte e transformação, interligações dos sistemas, incluindo o sistema Leste ao Norte, assim como o sistema Norte ao Centro e, a posteriori ao sistema Sul e o mapeamento dos recursos renováveis.
Especialistas defendem que, além dos grandes empreendimentos, a malha energética do país deve contar com os pequenos empreendimentos hidroeléctricos locais, sobretudo, de iniciativa dos fazendeiros. São conhecidos casos em que, além de garantirem o fornecimento de electricidade aos equipamentos fabris e comerciais e aldeamentos, empresários agrícolas assistem as autoridades locais no fornecimento de electricidade a vilas e povoações.
O objectivo do Governo é que essas iniciativas satisfaçam entre cinco e 10 por cento das necessidades de energia eléctrica no país até 2025. O Instituto Regulador do Sector Eléctrico (IRSE) prevê que o Programa Nacional de Electrificação Rural garanta, até 2017, o acesso à energia eléctrica a 86 sedes municipais e 124 sedes comunais do país.

Segurança energética

As iniciativas no sector sucedem-se. Em 2011, foi aprovada, através do Decreto Presidencial nº 256/11 de 29 de Setembro, a Política e Estratégia de Segurança Energética Nacional, com o objectivo de definir as principais orientações estratégicas para o sector e redefinir o respectivo enquadramento institucional.

A longo prazo, a política assume a necessidade de transformação do sector para responder ao enorme desafio associado ao crescimento da procura, ao longo de seis eixos, nomeadamente crescimento do parque de geração, potenciação do papel das energias renováveis, expansão da electrificação, revisão tarifária e sustentabilidade económico-financeira, reestruturação e reforço dos operadores e promoção da entrada de capital e know-how privado.

Rede nacional de transporte de energia03_lauca

No âmbito da estratégia “Angola Energia 2025”, a rede nacional de transporte de energia eléctrica, sobre a qual incidem avultados investimentos públicos, passa a interligar todas as capitais provinciais do país, dentro dos próximos nove anos.
Datado de 2008 e concebido em linha com o Programa Nacional de Desenvolvimento de Longo Prazo 2018/2025, o projecto, considerado ambicioso por muitos, assenta num conjunto de infra-estruturas, grande parte delas já executadas e algumas em vias de conclusão, que vão permitir que, dentro de dois anos, Angola parta para a auto-suficiência energética.
A estratégia “Angola Energia 2025” marca a rotura com as soluções paliativas e assume o compromisso de garantir o acesso à energia eléctrica à generalidade da população angolana como forma de promover o desenvolvimento humano e impulsionar a indústria.
Para garantir uma maior participação de agentes privados no sector, a estratégia “Angola Energia 2025” pretende criar condições para reduzir os encargos de exploração e, por via disso, atrair novos agentes privados no sector.
Em 2013, o país tinha apenas 2.850 km de linhas eléctricas (de 60, 220 e 400kv) e o objectivo é atingir os 16.350 km em 2025. De igual modo, há relativamente pouco tempo, três anos sensivelmente, Angola dispunha apenas de 36 subestações ao longo da Rede Nacional de Transporte. O número tem vindo a subir, embora ainda esteja longe das 152 estações programadas para 2025.

 

http://jornaldeangola.sapo.ao/reportagem/lauca_entra_em_producao

Hidroeléctrica de Laúca em Angola está na fase de conclusão

O empreendimento está na etapa final de construção, tendo entrado na fase de enchimento da albufeira (represa). A visita acontece a menos de três semanas das eleições gerais em Angola. José Eduardo dos Santos, cujo estado de saúde é considerado delicado, não concorre à reeleição, tendo indicado como candidato do MPLA à Presidência da República o general João Lourenço, até recentemente ministro da Defesa.

O presidente da República não tem tido participação direta na campanha eleitoral, o que, comentadores políticos, em Luanda, atribuem ao seu estado de saúde.01_lauca_0.jpg

Laúca é a terceira barragem em construção no leito do Rio Cuanza, depois de Cambambe, com 960 megawatts, e Capanda, com 520 megawatts.

Com um investimento de 4,5 mil milhões (4,5 bilhões) de dólares, envolvendo a construção, produção, fornecimento e colocação em serviço do sistema de transporte de energia, o Complexo Hidroeléctrico de Laúca tem uma capacidade conjunta de geração de 2.070 megawatts.

A entrada em funcionamento da central principal, com seis grupos geradores de 334 megawatts cada,  beneficia mais de cinco milhões de pessoas das regiões norte, centro e sul do país.03_lauca

O projeto surgiu a partir de um estudo de inventário realizado na década de 1950, no período colonial português, solicitado pela então empresa pública Sociedade Nacional de Estudo e Financiamento de Empreendimentos Ultramarinos (Sonefe) à empresa Hydrotechnic Corporation (USA), que foi retomado em 2008, com a realização dos estudos de viabilidade solicitados pelo governo angolano.

A obra foi desenvolvida  pela construtora brasileira Odebrecht com financiamentos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico (BNDES), que foram interrompidos em 2015, na sequência da crise econômica e política no Brasil, que levou ao afastamento da ex-presidente Dilma Rousseff.

https://africa21digital.com/2017/08/03/angola-eduardo-dos-santos-visita-hidroeletrica-do-lauca/

Ministro da Economia angolana convida investidores para o setor de energia

formato1adf_18A Expo 2017 na cidade de Astana, Cazaquistão,  decorre sob o lema “O futuro da energia”, Ministros de Economia de Angola fez um convite à investidores para conhecerem as oportunidades no setor de energia. Como argumento principal está a existência de 47 bacias hidrográficas. Ministro Abrahão Gourgel, disse que constituem objetivos específicos do Governo de Angola a utilização eficaz e duradoura dos recursos naturais, respeitando a sustentabilidade ambiental, a garantia dos recursos naturais para a utilização das gerações futuras, o controle do processo de desertificação e o desenvolvimento regional.

A implementação de uma política de desenvolvimento de energias renováveis constitui um dos eixos prioritários do Programa de Governo Angolano, com particular ênfase na redução da utilização da biomassa florestal para queima em atividades domésticas nas zonas rurais.

Segundo Abrahão Gourgel, Angola acredita que as energias renováveis possam levar mais e melhor energia para todos os cidadãos. “Temos vindo a trabalhar no sentido de criar as condições necessárias, legislativas, regulatórias, de incentivo, financiamento, informação e capacitação para que o investimento público e privado nas energias renováveis em Angola possa ser uma realidade a curto prazo, no âmbito da qual a cooperação internacional pode desempenhar um papel importante.”

A Expo Astana 2017 começou no dia 10 de Junho e  estende-se até Setembro.

Empresas de Angola discutem crédito de dois milhões de dólares com Israel

forum empressarial com israel

 

Israel tem disponíveis dois milhões de dólares (mais de 300 milhões de kwanzas) para ajudar empresas angolanas a elevarem as trocas bilaterais, anunciou ontem, em Luanda, o embaixador daquele país.

 

Israel acredita no potencial existente em Angola e promete financiar projectos nos vários sectores da vida económica para realizar negócios

 

Oren Rosemblat disse no I fórum empresarial Angola-Israel que, apesar da baixa do preço do petróleo – que afetou em grande medida a economia angolana -, Israel considera haver em Angola oportunidades de negócio, pelo que “Israel vai ajudar a financiar e os bancos vão dar créditos para que os negócios se efectivem.”

Quinze dos sectores de serviços: energia, agricultura, defesa, segurança militar e social, imigração e comércio participam no encontro que encerra amanhã, inspirado pela declaração do embaixador que afirmou que se “os dois países têm boas relações, temos a obrigação de levá-los a fazer bons negócios.”
O fórum, promovido pela Câmara de Comércio Angola-Israel (CCAI) visa uma troca de experiências para elevar os níveis de conhecimento mútuo entre empresas dos dois países e assinar contratos de parceria.
O presidente da CCIA, Haim Taib, disse que o órgão tem como objectivo “construir pontes” entre os empresários e instituições empresariais dos dois países e constitui uma plataforma de promoção e desenvolvimento de relações comerciais bilaterais, através de missões empresariais e de entidades oficiais.
“A CCAI tem como prioridade o estreitamento de laços empresariais entre os dois Estados, a promoção de cooperação bilateral, a promoção das relações empresariais entre os dois países e a apresentação de áreas de interesse”, disse. Os últimos dados disponíveis, de 2014, indicam que o volume de negócios israelitas em Angola se cifrou em 64 milhões de dólares (cerca de 11 mil milhões de kwanzas), absorvidos pelos sectores de maquinaria, metais, transportes, plásticos e borracha, instrumentos, têxteis, vegetais, produtos alimentares e químicos.
O embaixador de Angola em Israel, Francisco dos Santos, afirmou que Angola está aberta para cooperar com empresas estrangeiras de vários países e que o fórum é uma oportunidade para criar parcerias, principalmente para a transferência de conhecimento. “A presença do CCAI vai impulsionar as relações já existentes nas diversas áreas e aumentar o volume de comércio entre os dois países”, sublinhou.
José Alentejo, do secretariado geral da CCAI, disse à delegação israelita que Angola é um bom destino para investir e que o mercado oferece oportunidades às empresas sediadas no país, para expandirem os seus negócios na região da Comunidade de Desenvolvimento dos Países da África Austral (SADC), um mercado com mais de 200 milhões de consumidores.
São razões para investir em Angola, continuou José Alentejo, o facto de ser o sétimo maior território de África, o quinto maior produtor mundial de diamantes, o segundo maior produtor de petróleo e gás do continente e ter acesso a 12 por cento dos lençóis aquáticos africanos nos principais rios: Kwanza, Zaire, Cunene e Cubango.
Angola é rica em fauna e flora, tem a segunda maior floresta do mundo, o Maiombe, e tem os 25 principais minérios, tais como diamantes, ferro, ouro, fosfato, manganês, cobre, chumbo, zinco, volfrâmio, tungsténio, titânio, crómio, mármore, granito e urânio, microclimas diversos além da estabilidade política e económica desde 2002.

José Alentejo acrescentou que Angola tem, no âmbito da estratégia da diversificação da economia, o Plano Nacional de Desenvolvimento PND 2013/ 2017, no qual são inventariados 390 projectos estruturantes para o desenvolvimento industrial.
A delegação israelita é liderada pelo ex-vice-primeiro ministro de Israel, Silvano Shalom, e integra potenciais parceiros interessados em partilhar conhecimentos e recursos tecnológicos.

A Câmara de Comércio Angola-Israel foi criada há um ano e tem 44 membros registados. O fórum aborda temas ligados às “Oportunidades de negócio em Angola”, “Investir em Angola” e “Áreas privilegiadas para o investimento em Angola”.

http://jornaldeangola.sapo.ao/economia/governo_de_israel_anuncia_financiamento

Decretos sobre Angola, Serra Leoa e Moçambique tramitando no Senado brasileiro

P1050984Luanda – Angola

Entre os projetos de decreto legislativo (PDS) na pauta da CRE, três são celebrados com países africanos. OPDS 1/17 estabelece acordo de cooperação e facilitação de investimentos entre o governo do Brasil e o de Angola. A proposta incentiva o investimento recíproco entre os dois Estados e permite maior divulgação de oportunidades de negócios, intercâmbio de informações sobre marcos regulatórios, garantias para o investimento e mecanismos adequados de prevenção e solução de controvérsias.

Por sua vez, o PDS 2/17 aprova os termos de acordo de cooperação e facilitação de investimentos firmado entre o governo brasileiro e o governo da República de Moçambique. O texto busca facilitar a troca de informações e as chances de negócios entre os dois países.maputo

Maputo- Moçambique

E O PDS 17/17 trata de acordo de cooperação cultural assinado em 2009 entre Brasil e Serra Leoa, país da África Ocidental com pouco mais de seis milhões de habitantes. O acordo determina intercâmbio de experiências no campo das artes plásticas, artes cênicas, música, literatura, cinema e educação cultural, entre outros, encorajando a participação de artistas do Brasil e de Serra Leoa em festivais, seminários, exposições e eventos internacionais a serem realizados em um dos dois países. O tratado prevê também contato entre museus e bibliotecas, para troca de acervos, e intercâmbio de experiências em preservação de patrimônio.

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Gana aos 60 anos: Lembrar Kwame Nkrumah

O Gana celebra o sexagésimo aniversário da sua independência. Cidadãos recordam o primeiro Presidente ganês, Kwame Nkrumah.

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Neste 6 de março, dia em que o Gana comemora o sexagésimo aniversário da sua independência, recordar Kwame Nkrumah é incontornável: “Atualmente, o nome de Nkrumah está envolto em mistério e controvérsia”, diz Atsu Aryee, da Universidade do Gana.

No passado, era diferente. Quando o Gana conquistou a independência da Grã-Bretanha em 1957, os apoiantes de Nkrumah aclamaram-no em massa. “Finalmente chegou ao fim a batalha! O Gana, a nossa pátria amada, será, a partir de agora, livre para sempre”, afirmou Nkrumah na altura. Em resposta, a multidão gritava “viva!”

Nos primeiros anos depois da independência, o Governo de Kwame Nkrumah colocou em prática um programa económico ambicioso, com o objetivo de colocar o país, tradicionalmente rural, no mapa dos países industrializados. As barragens hidroelétricas construídas ao longo do rio Volta ainda hoje são vistas como marcos da engenharia africana e é nelas que o Gana continua a confiar para garantir a produção energética no país de 27 milhões de habitantes. Mas nem todos os projetos de Nkrumah resultaram. As grandes empresas geridas pelo Estado foram, na maior parte dos casos, mal sucedidas, acumulando enormes dívidas ao longo dos anos, sobretudo devido à má gestão e à corrupção.

Os ganeses conheceram então um outro lado de Kwame Nkrumah. O líder político tornou-se cada vez mais autoritário, tendência que culminou na transformação do Gana num Estado de partido único, em 1964, e na auto-proclamação de Nkrumah como Presidente eterno. Milhares de cidadãos viram-se obrigados a abandonar o país. Com a economia em queda livre, a popularidade de Nkrumah também decresceu. Um golpe militar colocou um ponto final na era Nkrumah, quando o Presidente se ausentou do país para uma visita de Estado à China, em 1966.

Ghana Kwame NkrumahKwame Nkrumah é lembrado como um herói da luta contra o colonialismo

Legado cada vez mais esquecido?

Hoje a imagem de Kwame Nkrumah é mais positiva: Os observadores dizem que o líder histórico contribuiu de maneira decisiva para que o Gana goze atualmente de uma certa estabilidade política.

“O legado mais importante de Nkrumah é o patriotismo e o nacionalismo que ele incutiu no povo enquanto esteve no poder”, diz o politólogo Atsu Aryee. “É esta noção de que somos todos ganeses, que temos um país e que é preciso manter a estabilidade.”

Mas, embora muitas crianças e jovens continuem a visitar o mausoléu de Kwame Nkrumah em Accra, poucas parecem compreender o seu legado: “Nkrumah ainda é um nome importante no Gana, pois conduziu o Gana à independência. Mas muitos jovens conhecem apenas o nome e já não conhecem as suas políticas enquanto Presidente e primeiro-ministro”, afirma Burkhardt Hellemann, chefe do escritório da fundação alemã Konrad Adenauer na capital do Gana, próxima ao partido no poder na Alemanha, a CDU.

“Ainda dá para ver que o nome de Nkrumah tem alguma influência, mas as suas políticas pouco ou nada influenciam os debates políticos deste país hoje em dia”, diz. O partido criado por Nkrumah em 1949, o Partido da Convenção do Povo (CPP, na sigla em inglês) desempenha hoje um papel menor na arena política ganesa.


Ainda assim, muitos na África subsaariana continuam a lembrar o legado de Nkrumah. Em 2004, a revista “New African” pediu aos leitores para elegerem os maiores líderes africanos de todos os tempos e Nkrumah ficou em segundo lugar, atrás do ex-Presidente sul-africano e líder da luta anti-apartheid Nelson Mandela.

Nkrumah defendia uma união pan-africana para contrabalançar a influência ocidental. Ele foi um dos fundadores da Organização da Unidade Africana, predecessora da União Africana (UA).

“Ainda se fala dos conceitos de Nkrumah nos corredores da UA”, conta o historiador nigeriano Toyin Falola.

Mas, apesar de a União ter hoje mais influência no continente, a concretização da ideia de Nkrumah de criar uns “Estados Unidos de África” está muito longe, sublinha Falola.

“Depois de Mbeki e Obasanjo saírem, não há líderes africanos dinâmicos que advoguem a ideia. Os países parecem interessar-se apenas nos seus assuntos, concentrando-se na sua política interna, preocupados com o declínio das suas economias. Portanto, a ideia do pan-africanismo foi tirada de cima da mesa.”

http://www.dw.com/pt-002/gana-aos-60-anos-lembrar-kwame-nkrumah/a-37819580

O Observatório

Este observatório é uma iniciativa do Grupo de Estudos Africanos vinculado ao Instituto de Relações Internacionais da Universidade de Brasília (GEA/IREL-UnB), que busca refletir sobre a vida política, social e econômica da África contemporânea, com destaque para sua inserção internacional. Preocupando-se com o continente marcado pela diversidade, o Grupo de Estudos Africanos, por meio do Observatório, propõe um olhar crítico e compreensivo sobre temas africanos, em suas mais diversas dimensões.