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Cultura Tradicional

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As autoridades tradicionais de Guine Bissau e a politica


Debate sobre o papel dos régulos no país

A forte presença dos régulos nas actividades políticas e governativas na Guiné-Bissau está a promover um forte debate sobre o seu papel no país.

Reconhecidos como moralizadores das comunidades, os régulos, segundo muitas opiniões, têm envolvido muito na política, o que, de certa forma, continua a gerar algum olhar de desconfiança por parte dos seus “regulados”.

Essas autoridades tradicionais foram constituídas há séculos, com base na sucessão de hierarquia.

Régulos na Guiné-Bissau: Entre a autoridade tradicional e a política

Mas, para muitos guineenses, este poder tradicional tem-se envolvido, de forma directa, nas disputas politicas, pondo em causa o seu real papel, que é dirimir os conflitos e promover a conciliação nas sociedades comunitárias, sob as suas respectivas jurisdições.

O jurista Sileimane Cassamá, conhecedor do exercício do poder dos régulos, na Guiné-Bissau, destaca o papel reservado, pela Constituição da Republica, a essa classe do poder tradicional.

“Não é um poder político e não pode enveredar-se pela politica. A função do régulo é servir de ponte entre a estrutura administrativa do Estado e as suas respectivas comunidades”, explica Cassamá.

Por seu lado, o investigador do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisa e jurista Fodé Mané considera que “a legitimidade do Estado vem das leis que são montadas, de acordo com as estruturas dos órgãos do Estado, enquanto que a legitimidade do poder tradicional, vem da base, da comunidade e da tradição”.

Para ele, “quando esses dois poderes estão a misturar-se, há risco daquele que tiver mais poder engolir o outro”.

Em consequência do envolvimento dos régulos nas actividades políticas, Suleimane Cassamá alerta que “o régulo acaba por envolver-se em conflito que vai contra as regras do seu regulado”.

Neste caso, “não é só uma questão de credibilidade, mas é uma questão de manutenção do regulo, como tal, na comunidade a que pertence”, conclui o jurista.

Na actual crise política, os régulos, agrupados na Confederação Nacional dos Regulados da Guiné-Bissau, foram chamados em diferentes ocasiões para darem a sua opinião.

Fonte:https://www.voaportugues.com/a/régulos-na-guiné-bissau-entre-a-autoridade-tradicional-e-a-política/4394728.html

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Para se reinventar, a África também deve redescobrir suas raízes, suas tradições.

A utopia africana de Felwine Sarr

mídiaFelwine Sarr.© Antoine Tempé

Felwine Sarr é um intelectual africano. Economista agregado, ele ensina na Universidade Gaston Berger de Saint-Louis no Senegal. Em seu último livro Afrotopia (Editions Philippe Rey), ele sonha com uma amante da África que leve a ”  humanidade para outro nível  “.

”  Responder a um pensamento sobre o continente africano é uma tarefa difícil , escreve Felwine Sarr , tão tenaz, clichês, clichês e pseudo-certezas que, como um halo de neblina, escondem sua realidade  “. Sua abordagem é, portanto, desconstruir a visão da África; uma visão livre, em particular, das idéias ocidentais para alcançar a “Afrotopia”, essa ”  utopia ativa, que se propõe a descobrir no espaço real africano os vastos espaços dos possíveis e impregná-los  “.

desenvolvimento

Esta desconstrução, “a  exigência da soberania intelectual absoluta  “, começa com o questionamento do conceito de desenvolvimento visto em Washington nos corredores do FMI ou do Banco Mundial.

Certamente, Felwine Sarr não questiona a necessidade de desenvolver o continente que é dele, mas a maneira de fazê-lo. A África deve encontrar o caminho que é próprio e não mais ser imposto um “modelo”. ”  É preciso uma crítica filosófica, moral e política da ideologia desenvolvimentista  ” , escreve o analista rigoroso que fala de um campo que ele conhece: o dos números, das estatísticas, curvas. Neste como nos outros, “a  utopia africana consiste em gerar outras formas de viver em conjunto  “.

Para se reinventar, a África também deve redescobrir suas raízes, suas tradições. Os africanos de hoje parecem esquecê-los pouco a pouco, ansiosos para que possam desfrutar os frutos de uma certa forma de sociedade de outros lugares.
Esta é uma tendência perigosa para Felwine Sarr. ”  O homem africano contemporâneo está dividido entre uma tradição que ele não conhece mais e uma modernidade que caiu sobre ele como uma força de destruição e desumanização  ” , ele escreve pensando em colonização.

Modernidade africana

” Quais poderiam ser os contornos e os conteúdos desta modernidade africana, se quiser evitar tornar-se uma falsa contrafacção da Europa? “Pergunta o autor. Esta é a questão central do livro.

Ao longo das páginas, Felwine Sarr envolve uma reflexão filosófica que propõe, por exemplo, a existência de vários mundos. ”  Essa África que está e está acontecendo é multifacetada  “, diz ele. Deve basear seu futuro em sua autonomia cultural e em uma noção de tempo peculiar a si mesmo. E, segundo ele, a economia deve ser considerada com uma dimensão social em particular. Aqui também é uma questão de reconectar-se com a tradição. “Nas sociedades africanas tradicionais, a economia foi incluída em um sistema social maior. Ele certamente obedeceu às suas funções clássicas (subsistência, alocação de recursos, etc.), mas foi subordinado a objetivos sociais, culturais e civilizacionais  . Portanto, é necessário, diz o autor, “ ancorar as economias africanas em seu contexto cultural  “. E morar em sua casa.

A análise de Felwine Sarr é alimentada por estudos de grandes mentes do continente; o filósofo Mamoussé Diagne e seu trabalho sobre a tradição oral para entender o conteúdo do pensamento africano ou mesmo Abdoulaye Elimane Kane, que busca a “participação africana” no pensamento do ser humano.
É um apelo aos africanos para capturar uma imagem da África que é sua, e não a imagem que o Ocidente os envia.

” Para acelerar o fim de um mundo, para se livrar do Ocidente, é necessário ganhar a batalha da representação, por uma estratégia de subversão e insurreição, levando à elaboração de seu próprio discurso. de uma representação de si mesmo  “, escreve esse homem posado, cuja ambição intelectual é ótima. E nobre.

 

http://www.rfi.fr/culture/20160324-utopie-afrique-felwine-sarr-developpement-humanite-afrotopia-modernite-tradition

Felwine Sarr: África é o continente mais ancestral do mundo

João BiscaiaDAVIDE PINHEIRO

Economista e artista senegalês, Felwine Sarr escreveu “Afrotopia” sobre a descolonização e o sonho africano

África, o continente das feridas do séc. xx por sarar ou o lugar onde a utopia é real no séc. xxi? O pensador, economista e artista senegalês Felwine Sarr escreveu “Afrotopia” sobre o processo adiado de descolonização. O livro é um apelo a uma visão inclusiva e contemporânea. De África para o mundo e o inverso. Às 18h30 conversa com os artistas alemães Monika Gintersdorfer e Knut Klaßen, em Lisboa, para apresentar “Diálogo Direto Kinshasa Lisboa” no Teatro Maria Matos. O espetáculo pode ser visto de quinta a sábado, sempre às 21h30.afroutopiaNo livro “Afrotopia” defende que o processo de descolonização ainda não terminou. O que falta fazer?

A descolonização é um processo muito longo. No final dos anos 60, os países africanos tornaram-se independentes, mas para se ter independência não basta um território e uma bandeira. A questão racial e a relação com os países colonizadores não terminou aí. As ligações políticas e culturais continuam a ser assimétricas porque foram construídas dessa forma. Não é em dez ou 20 anos que se reconstrói uma relação. Reconquistar a liberdade e a autonomia leva tempo. É preciso desarticular estas ligações, negociar uma relação mais justa e horizontal. A descolonização está na forma como se organiza a sociedade para que se possa decidir o futuro e atingir objetivos.

É um problema africano e europeu?

Sim, de ambos. A Europa decidiu pela descolonização porque tinha os turistas e era muito caro manter as colónias. Foi o contexto histórico, e não uma questão de arrependimento moral ao não contribuir para um mundo mais igualitário e aproveitar-se dos recursos existentes em África. A Europa não vai querer perder o acesso às matérias-primas e, se puder continuar a defender uma relação injusta do ponto de vista económico, vai continuar a fazê-lo. E também os líderes dos países africanos na altura recém-independentes não cortaram essa relação umbilical. Pensaram que imitar a Europa na organização social e política seria uma boa forma de desenvolvimento. Não rearticularam a História. Veja-se o caso da França, que continuou a intervir militarmente nas ex-colónias. Não se pode dizer que as coisas não tenham mudado. Há países que conseguiram ter bastante autonomia, mas outros, como a África do Sul, têm muito trabalho pela frente.Felwine_Sarr_IMG_2388

África precisa de reencontrar um caminho próprio?

Repare, África é o continente mais ancestral do mundo. As primeiras formas de organização social foram em África. Há uma história muito longa do que significa a vida e viver em sociedade. Toda a experiência humana passou por África. O colonialismo foi apenas um período curto na História, apesar de muito significativo. Alterou a trajetória dos países africanos. Não é possível reescrever a História, mas África pode reinventar-se desde que rearticule os legados históricos – incluindo o passado colonial – e escolha o seu caminho. Não me parece que isso esteja a acontecer. Não estamos a decidir que sociedade queremos. Para mim, essa é a questão central. Que tipo de equilíbrio pretendemos entre economia, ecologia e espiritualidade? Que tipo de ser humano queremos? Se respondermos a estas questões, podemos construir um modelo de sociedade centrado na nossa visão da História.

As gerações pós-raciais podem desempenhar um papel decisivo?

Sem dúvida. Está na hora de nos reinventarmos com novas ideias e um olhar progressista, em vez de estarmos sempre presos ao lado negro da nossa história recente.

É muito crítico das ONG. Boas intenções não são suficientes?

Não são. Não todas, mas uma parte delas julgam saber o que é bom para as pessoas. É quase um pensamento colonialista. Quererem ajudar não significa que saibam o que é melhor para as pessoas. Ajudar significa dar às pessoas o poder de decisão sobre as suas vidas. Quando não se tem essa capacidade, quer dizer que a relação é de dependência. Algumas ONG contribuem para esse vínculo. Quando abandonam os programas humanitários, as pessoas ficam pior do que estavam. Este é o meu primeiro problema. O segundo é que a ajuda, a curto prazo, pode ser boa, mas inibe as pessoas de procurarem soluções próprias. É preciso tentar e falhar até encontrar as respostas necessárias. A longo prazo, vai ser prejudicial. A solidariedade deve ser repensada e envolver todos os agentes envolvidos neste processo. As pessoas devem poder escolher a forma de ser ajudadas.

Estamos a passar por um período de grande turbulência política em que algumas questões parecem ser opacas. O racismo tem diferentes camadas?

Absolutamente. Um amigo meu usou no novo livro que escreveu o conceito de “racismo menor”. É um tipo de racismo do dia-a-dia, das conversas… É muito difícil combatê-lo porque não está na lei. É mais informal. O problema do racismo é a definição através do outro. O outro define-te e cataloga-te sem te conhecer por haver uma série de características que um determinado grupo, que se julga superior, tem. E o racismo não se define apenas nas relações. Pode ser institucional e instalar-se nas relações políticas, quando uma cultura se julga superior à outra. 

Teve uma banda quando era estudante. A arte pode desempenhar um papel decisivo nestes processos?

As manifestações artísticas podem ser uma forma de combater o racismo. A literatura, a música e o discurso associado são muito importantes. Sobretudo a música é um bom exemplo. É uma arte participativa e de comunhão. É possível transmitir uma mensagem sem compreender uma palavra da letra, graças à vibração. A música é também um lugar de encontro sem hegemonias. A relação constrói-se apenas através da beleza ou das harmonias. Uma canção pode falar para toda a gente, mas o único critério de apreciação é a sensibilidade. E, além disso, é uma forma de lidar com a cultura do próximo. Mas pode também envolver riscos se a música africana for entendida de forma folclórica. Os ritmos são muito complexos na forma de tocar djembê ou bateria. Até na música, a abordagem é importante.felwine-sarr-151681-250-400

É possível pensar em África como um todo ou a dimensão não o permite?

O sonho de unificar o continente existe desde o séc. xix, mas é um projeto muito complicado devido à diversidade e às identidades locais. É complicado para os políticos abandonar a sua visão territorial e transpô-la para uma dimensão mais vasta. Era preciso partir de baixo e construir uma consciência pan-africana. Nada está feito para se construir um pensamento de pertença a uma comunidade maior. Há muito trabalho a fazer. Em 2050 seremos 2,5 mil milhões de pessoas. Não sei como será possível administrar tantas pessoas. É preciso repensar a formar de olhar para estas questões. Construir, e não apenas sonhar.

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Vê-se como um afro-sonhador? Afro-realista?

(risos) Não, estou apenas a tentar ser afro-lúcido. Olhar para a realidade sem óculos de euforia ou desespero. Por vezes é difícil compreender a realidade, por ser muito opaca, mas acredito que estão a acontecer boas dinâmicas a nível econômico e demográfico. Nas novas gerações há vontade de construir uma África nova. Estamos a viver uma crise que não é apenas económica. É filosófica, ética e moral. Temos uma ordem, mas não sabemos para onde estamos a ir. O neoliberalismo não deixou lugar para o ser humano. Provavelmente, todas as sociedades se estão a interrogar sobre a forma de escapar. Em África, as questões são mais urgentes. Por isso é que a questão da utopia é tão importante. É necessário um espaço na sociedade para a utopia. Deve haver lugar na mente para a imaginação. Para que o sonho seja ativo e possa ser real.

Acredita que as novas gerações veem África de uma forma inclusiva e articulada com o resto do mundo?

É interessante essa questão porque ainda esta manhã estive a trabalhar no título de um livro sobre a relação de África com o mundo. África como parte do mundo, e não isolada. As novas gerações africanas estão no centro do mundo e a forma como se relacionam com África é sentirem-se cidadãos do mundo. A dinâmica não é separada. A questão mais importante neste século passa por africanizar globalmente e vice-versa.

 

Fonte: https://ionline.sapo.pt/559090

 

UNILAB abre curso sobre a língua crioulo de Guiné Bissau

626cb65e-20a1-43aa-9339-17e20dd9766dO Crioulo da Guiné-Bissau em Português, Kriol (crioulo), é uma língua franca de 60% da população da Guiné-Bissau, sendo falado de uma forma diferente em Cabo-Verde. 160 mil pessoas usam crioulo como primeira língua na Guiné Bissau e mais 600 mil como segunda língua, enquanto que cerca de 13% da população fala português.
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A Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira (Unilab) abriu inscrições para um curso do crioulo da Guiné-Bissau, que será ministrado como uma extensão na universidade.20170711-unilab-repudio-ao-corte-da-assistencia-para

O curso faz parte do projeto “Extensão Ensino-aprendizado de línguas crioulas de base portuguesa: o guineense” e será destinado a alunos, funcionários e a comunidade externa à Unilab.

Presidente de Angola na sua primeira audiência prestigia os artistas

artistas em visita ao presidente da republica de Angola

Durante uma audiência no Palácio Presidencial da Cidade Alta, assistida pela ministra da Cultura, Carolina Cerqueira, os músicos e demais fazedores de arte expuseram as suas pre­ocupações, principalmente ligadas a direitos autorais, in­­centivos na importação de discos e a carteira profissional.
No final, os artistas elogiaram a abertura do Chefe de Estado para ouvir as suas preocupações e o empenho para resolver os problemas apresentados. O saxofonista Nanuto destacou, entre as garantias dadas pelo Presidente João Lourenço, o apoio para a instalação de uma fábrica de discos em Angola, para minimizar as dificuldades dos músicos com os altos custos de importação de discos.
Nanuto revelou que o Chefe de Estado garantiu que a fábrica de discos pode surgir como investimento privado e que o Executivo daria todo o apoio necessário, para que o país possa contar com a estrutura o mais breve possível. “O Presidente pediu-nos para apresentarmos projectos”, disse o saxofonista, para acrescentar que, pela conversa mantida, deu para observar que o Presidente da República “desconhecia muita coisa” de que ficou ao corrente depois de ouvir dos próprios músicos e fazedores de arte.
O compositor Paulo Flores, que ofereceu ao Presidente da República o seu mais recente disco, intitulado “Candongueiro Voador”, também elogiou a abertura ao diálogo e a forma como João Lourenço permitiu que os músicos expusessem as suas preocupações.
O humorista Cesalty Paulo, do grupo os Tunezas, afirmou que o facto de o Presidente da República ter recebido os fazedores de arte na sua primeira audiência do ano mostra bem a importância que o Titular do Poder Executivo dá à Cultura.
No dia 29 de Setembro, três dias após a investidura como Presidente da República, João Lourenço também recebeu um grupo de músicos, aos quais elogiou o trabalho, pela recriação e renovação das variadas linhas melódicas e introdução de novas propostas que,  segundo o Presidente da República, tocam o coração dos angolanos e rompem fronteiras.
Em Agosto, ainda enquanto candidato a Presidente da República, João Lourenço assumiu o compromisso de conjugar esforços para potenciar o financiamento à cultura através do reforço da legislação e da criação de condições para o fomento de empresas que possam obter lucros com os produtos culturais.
João Lourenço prometeu cumprir cabalmente as linhas orientadoras da política cultural, que prevê o aumento da rede de infra-estruturas culturais por todo o país, da qual fazem parte bibliotecas, arquivos, museus, casas de cultura, teatros, cinemas e outros espaços. A acção, explicou o Presidente João Lourenço, implica, igualmente, o aumento de quadros nas respectivas especialidades, que garantam o normal funcionamento das instituições.
“Não podemos deixar em mãos alheias os créditos firmados por insignes cultores das nossas mais variadas expressões artísticas que fizeram da marca Angola um modelo ímpar e exemplar”, assinalou o Presidente da República, que destacou igualmente a importância do desenvolvimento das indústrias culturais ligadas à produção de livros, à realização do carnaval e à recuperação da produção cinematográfica.
“Estamos certos que, apesar das actuais dificuldades, passos certos serão dados para que todas as expressões das artes e da cultura possam encontrar os recursos e as in­fra-estruturas que garantam o seu desenvolvimento”, disse, para lembrar que o as­sociativismo cultural é uma via para a promoção das artes e da cultura.
O Presidente da República garantiu trabalhar para que a cultura assuma um lugar de relevo na economia, participando na diversificação e na geração de riqueza e bem-estar para as comunidades e defendeu a criação de oportunidades de trabalho e rendimento para os criadores, para forjar a identidade nacional e os valores fundamentais.

Ministra da Cultura garante que já há dinheiro para o carnaval

O Carnaval deste ano, que sai às ruas no dia 13, já tem dinheiro garantido, de acordo com a ministra da Cultura. Carolina Cerqueira prometeu uma grande festa da unidade nacional, da expressão da riqueza do saber, do ser dos angolanos e do sentir, através dos vários símbolos que são transmitidos pelos grupos durante os desfiles.
Em declarações à imprensa no final da audiência que o Chefe de Estado concedeu aos músicos e outros fazedores de arte, a ministra disse ter recebido garantias do Ti­tular do Poder Executivo de que não vão faltar verbas pa­ra que os grupos possam apre­sentar-se durante os desfiles de forma digna. Carolina Cerqueira afirmou que o conforto institucional transmitido pelo Presidente João Lourenço é prova que o sector da Cultura pode avançar para as indústrias culturais com projectos que fortaleçam essa actividade.
Em declarações recentes à RNA, a ministra da Cultura afirmou que o Ministério pretende que o Entrudo de Luan­da passe a contar com grupos de outras províncias, em representação da cultura nacional, de todas as expressões de folia, alegria e de cor de Cabinda ao Cunene.
Esta ideia, segundo Carolina Cerqueira, começa a ser efectivada a partir deste ano, com a participação de grupos de cinco províncias como forma de o tornar mais nacional e representativo

http://jornaldeangola.sapo.ao/politica/presidente_recebe_artistas

A literatura de Chinua Achebe

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Chinua Achebe colocou a Nigéria na geografia literária ao contar num tom sério, a partir de dentro e sem direito a desfile etnográfico, a identidade africana em subtil mudança.

Achebe retoma as regras canónicas do romance e acrescenta-lhe a estética da tradição oral africana

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Achebe retoma as regras canónicas do romance e acrescenta-lhe a estética da tradição oral africana MANUEL ROBERTO

Ler os romances do escritor nigeriano Chinua Achebe (1930-2013) é viajar para a realidade africana das histórias contadas oralmente na sombra da grande árvore do centro da aldeia. Ele é como o velho sábio que assim vai passando a tradição aos que o ouvem, levando-os pelas palavras ditas ao mundo dos mitos africanos, inscrevendo nos ouvintes (ou mostrando, no caso dos leitores) uma identidade cultural apenas entendida na sua essência se vista e descrita a partir de dentro. Contar uma história tem na sua natureza um elemento de magia, de poder viajar a uma outra realidade. Esse efeito mágico cumpre, sobretudo nas comunidades e nas sociedades mais tradicionais, a função de organizar um suposto passado (tantas vezes mítico e também arquetípico) de maneira a estruturar o presente. É fazendo uso desse “poder de feiticeiro que narra” que Chinua Achebe — considerado pelos críticos anglo-saxónicos o fundador da literatura africana — começa a recriar de maneira singular universos até então ausentes dos romances sobre África.

Em 1958 publicou aquele que é considerado o livro seminal da literatura africana pós-colonial, Quando Tudo Se Desmorona (Mercado de Letras, 2008). Ele escreve a partir de dentro, levando o leitor para uma nova realidade cultural e histórica, em oposição aos romances em que o olhar está do lado de fora, em que esse olhar é “estrangeiro”. Por várias vezes (e escreveu mesmo um ensaio para o demonstrar) apelidou de racista o famoso livro de Joseph Conrad, Heart of Darknesse (O Coração das Trevas), exactamente por causa dessa maneira de olhar etnocêntrica, ignorante da cultura africana, arrogante e exterior ao continente.Chinua-Achebe-speakn-abt-thingsfallapart1.jpg

Achebe retoma as regras canónicas da forma do romance, as convenções clássicas do género, e acrescenta-lhe a estética da tradição oral africana. Não subverte a linguagem nem cai no facilitismo de lhe inventar efeitos “folclóricos” (escreve num inglês perfeito; conta histórias na língua dos colonos para que os seus livros possam ser lidos em todo o continente, é assim que se justifica quando é disso acusado). Nascido num país, a Nigéria, com 200 etnias e 500 línguas faladas, Chinua Achebe consegue unificar numa língua escrita (extraindo do todo o essencial) essas múltiplas tradições da oralidade, retratando uma identidade em constante e subtil mudança.

O olhar desapiedado

Deste autor nigeriano foram publicados em Portugal três dos cinco romances que escreveu: A Flecha de Deus (Edições 70, 1978), Um Homem Popular (Caminho, 1987) e aquele que é considerado a sua obra-prima, Quando Tudo Se Desmorona (Mercado de Letras, 2008). Chinua Achebe foi uma voz incómoda para alguns intelectuais africanos que a qualquer pretexto desfraldam a bandeira da “vitimização” do continente, demitindo-se assim de responsabilidades; e foi-o também para um certo Ocidente trendy que não se consegue ver livre de um exacerbado complexo de culpa histórica, e que com essa disfarçada atitude paternalista mais não faz do que legitimar a hipocrisia e a desgraça.

Em Um Homem Popular é feita uma crítica feroz, por vezes irónica, aos políticos africanos corruptos. E Achebe sabe daquilo que conta. O livro foi publicado originalmente em 1966 e a história acaba com um golpe de Estado, final profético, pois uns meses depois o Governo nigeriano foi derrubado. A trama literária é-nos narrada por um jovem professor de aldeia que um dia se encontra com um seu antigo mestre-escola, entretanto tornado ministro. Um Homem Popular traz-nos o olhar desapiedado de Achebe, não apenas sobre a classe política, mas também sobre os povos africanos: “O próprio povo, como já vimos, tinha-se tornado ainda mais cínico do que os seus líderes, e estava apático frente às negociatas.” Achebe tenta entender (sem desculpabilizar) esse mesmo povo que acaba por ser vítima também de si próprio, ao não conseguir manter o equilíbrio entre o lado material e espiritual da vida, ao aceitar passivamente a hipocrisia de uma duplicidade de valores.

Quando Tudo Se Desmorona tem por epígrafe quatro versos de W. B. Yeats retirados do poema The Second Coming, que se refere ao dia do Juízo Final, ao acordar da Besta, à desintegração da ordem do mundo, a um tempo de desmoronamento. O livro conta-nos a história de Okonkwo, um jovem de uma tribo Igbo, que está determinado a não ser um falhado como o pai, e que pretende seguir a tradição e ascender socialmente na tribo. E as coisas não lhe correm mal. Consegue atingir a prosperidade e o topo da hierarquia. Mas chega o dia em que desrespeita a tradição e as coisas começam a mudar. É o princípio do fim, o início de uma série de catástrofes. Tudo coincide com a chegada do “homem branco”.

A linguagem de Chinua Achebe, elegante e luminosa, é muito telúrica, característica que empresta às narrativas uma vertente poética que prende o leitor mesmo nos momentos em que nada acontece, como neste exemplo retirado da sua obra-prima: “Recordou-se da história que ela habitualmente contava sobre a antiga desavença entre a Terra e o Céu, e de como o Céu retivera a chuva durante sete anos, até as sementeiras definharem e os mortos não poderem ser enterrados porque as enxadas se quebravam ao tentar abrir sulcos na Terra empedernida. Por fim, o Abutre foi enviado até junto do Céu para tentar amolecer o seu coração com uma canção sobre o sofrimento dos filhos do homem.”

 

https://www.publico.pt/2017/08/15/culturaipsilon/noticia/saber-contar-a-sombra-da-grande-arvore-africana-1782306

Centro Histórico da Cidade de Mbanza Kongo agora é Patrimônio Mundial

kongo.jpgCom a elevação do Centro Histórico da Cidade de Mbanza Kongo ao estatuto de Património Mundial, facto ocorrido sábado por via da votação unânime dos membros do Comité do Património Mundial, abriu-se historicamente um importante precedente para Angola.

Foi o culminar de um longo processo que passou a ser denominado “Dossier Mbanza Kongo-Cidade a Desenterrar para Preservar” e que muito orgulha toda a equipa por detrás do árduo trabalho que convenceu a UNESCO.
Partindo do princípio de que “nem só do pão vive o homem”, todos os angolanos têm motivo para regozijo por essa conquista cultural, obviamente com o potencial para dinamizar outras áreas, nomeadamente a académica, a turística e a recreativa.
Afinal, além desta memorável saga, que começou há cerca de dez anos e há dois com a submissão oficial da candidatura, por parte das autoridades angolanas para que Mbanza Kongo fosse elevada a Património da Humanidade, seguem-se outras iniciativas que precisam de ser promovidas. O país ganha assim motivação para que, para os mesmos efeitos, as candidaturas do Corredor do Cuanza e das cavernas em que se encontram as famosas pinturas rupestres do Tchitundo Hulu, no Namibe, ganhem vida e sejam símbolos patrimoniais de toda a humanidade.
A UNESCO adoptou em 1972 a Convenção do Património Mundial, Cultural e Natural, que tem por objectivo proteger os bens patrimoniais dotados de um valor universal excepcional. E nesta senda, numerosos países membros daquela instituição da ONU vocacionada à educação, ciência e cultura realizaram inscrições e submeteram à apreciação da mesma propostas para elevação de sítios históricos, edificações com grande valor patrimonial.
Angola não pode ser excepção, forçada quase que natural e culturalmente pela vasta riqueza patrimonial de Cabinda ao Cunene, faz todo o sentido que, dentro dos parâmetros da UNESCO, constituam Património

da Humanidade.
Insistimos que temos no país, sem sombra de dúvidas, numerosos locais cujo valor cultural têm todas as condições para preencher os requisitos para Património da Humanidade.
Temos de trabalhar muito para que, nos próximos tempos, possamos ser bem sucedidos na aplicação de mais candidaturas de locais naturais ou sítios, que pela sua relevância histórica e cultural mereçam ser elevados a Património da Humanidade.
As vantagens que decorrem disso tudo não podem ser minimizados, na medida em que isso pode colocar Angola e os seus locais de interesse cultural, particularizando-se aqui a consagração de Mbanza Kongo, na rota do turismo interno e externo. Vale a pena ponderar e preparar-se pelo que vem a seguir, nomeadamente os desafios para correspondermos aos feitos desta importante empreitada sob o signo do Dossier Mbanza Kongo-Cidade a Desenterrar para Preservar.
E é internamente onde as maiores preocupações culturais devem começar ou passar a ser amplamente exploradas para que, além de conhecermos exactamente a dimensão e qualidade do nosso património, saibamos preservá-lo como mandam as regras.
É salutar saber que o ensino incorpora já grande parte da riqueza histórica e  cultural dos bens que o país agendou para esta campanha de candidaturas para Património da Humanidade, agora com  Mbanza Kongo, e como esperamos depois com o Corredor do Cuanza e com as Cavernas do Tchitundo Hulu, no Namibe.
Atendendo a essa espécie de “exposição museológica” a que vai estar submetido o Centro Histórico da Cidade de Mbanza Kongo, precisamos de estar preparados, fazer bem os trabalhos de casa.  Está de parabéns a cidade histórica de Mbanza Kongo.

http://jornaldeangola.sapo.ao/opiniao/editorial/parabens_mbanza_kongo

Prof. Henrique Cunha: “Urbanismo Africano: da antiguidade aos dias atuais”

Lobolo e a exploração da mulher moçambicana

lobolo 25Campanha de sensibilização contra o casamento prematuro enfrenta  obstáculos.

O lobolo, um ritual tradicional que vigora um pouco por todo o país onde um dote, em dinheiro ou noutro valor, se oferece à família da rapariga em troca do matrimónio, tem emperrado as denúncias de casos de violação sexual de menores e casamentos prematuros em Manica.

“Nós continuamos a apelar à sociedade para garantir o futuro das raparigas e para não as entregar em casamento”, concluiu Cecília Ernesto.

O Tribunal Judicial Provincial de Manica, centro, condenou a 19 anos de prisão um homem que deu a filha de 12 anos para pagar uma dívida de 600 meticais em bebidas alcoólicas.

O juiz condenou à mesma pena o comerciante de 45 anos, Alberto Malote, que aceitou a menor.

A rapariga viu-se transformada em esposa à força de um comerciante, mas foi resgatada por uma organização não governamental que continua a cuidar dela.

A sentença foi proferida a 18 de Abril, mas só hoje foi relatada à Lusa pela ONG Levanta Mulher e Siga o seu Caminho (Lemusica), que pretende fazer da história um exemplo na luta contra o casamento forçado.

A história aconteceu depois de o pai, Augusto Vasco, se ter mostrado incapaz de pagar uma divida de 600 meticais – cerca de oito euros – pelo que bebeu durante vários meses.

Ao ter conhecimento do caso, a organização não governamental Levanta Mulher e Siga o seu Caminho (Lemusica) avançou com um processo em tribunal.

“Nós avançámos e resgatámos com sucesso a menina que se tinha tornado mulher do comerciante”, disse à Lusa, Cecília Ernesto, dirigente da ONG.

A sentença prevê ainda a atribuição de uma indemnização de 30 mil meticais à vitima.

Este é um dos 105 casos de resgaste de raparigas menores que aquela organização feminina já fez em cinco distritos da província de Manica, nos últimos 15 meses.

Em 2016, cem casos de casamentos prematuros foram denunciados através de nove clubes de rapariga, que funcionam nas escolas e nas comunidades, criados no âmbito de uma campanha que pretende reduzir o índice de abuso sexual de menores e casamentos prematuros.

Dos cem casos de 2016, os membros da organização conseguiram resgatar 80 menores e 20 mudaram de residência antes de chegarem junto delas.

Em Moçambique, metade das mulheres com idades entre os 20 e 24 anos de idade casaram-se quando eram menores – 14% das quais antes dos 15 anos, segundo dados do UNICEF, que em conjunto com o governo lançou uma estratégia nacional de Prevenção e Combate aos Casamentos Prematuros, para vigorar até 2019.

http://noticias.sapo.mz/info/artigo/1504231.html

 

Presidente português reconhece injustiça da escravatura em visita a Gorée – Senegal

 

visita Gorre

O Presidente português considerou na quinta-feira, no Senegal, que o poder político reconheceu a injustiça da escravatura quando a aboliu em parte do seu território, “pela mão do Marquês de Pombal, em 1761”.

 

Marcelo Rebelo de Sousa deixou esta mensagem no final de uma visita a uma antiga casa de escravos do tempo dos holandeses, na ilha de Gorée, ou Goreia, em frente a Dacar, capital do Senegal, lugar que foi um entreposto do tráfico desde o século XVI, sob domínio português, até ao século XIX, e onde o Papa João Paulo II pediu perdão pela escravatura.maison des esclaves.jpg
Marcelo Rebelo de Sousa iniciou na terça-feira uma visita de Estado de dois dias ao Senegal, a primeira de um Presidente português a este país da África Ocidental, antiga colónia francesa, que se tornou independente em 1960.
Ao falar primeiro em francês, o Chefe de Estado português declarou que “quando nós abolimos a escravatura em Portugal, pela mão do Marquês de Pombal, em 1761 – e depois alargámos essa abolição mais tarde, no século XIX, demasiado tarde -, essa decisão do poder político português foi um reconhecimento da dignidade do homem, do respeito por um estatuto correspondente a essa dignidade”.
“Nessa medida, nós reconhecemos também o que havia de injusto e de sacrifício nos direitos humanos, como diríamos hoje em dia, numa situação que foi abolida”, acrescentou o estadista.

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Depois, Marcelo Rebelo de Sousa repetiu a mensagem em português: “Recordei que Portugal aboliu, pela mão do Marquês de Pombal, pela primeira vez, a escravatura, numa parte do seu território em 1761 – embora só alargasse essa abolição definitivamente no século XIX -, e que nesse momento, ao abolir, aderiu a um ideal humanista que estava virado para o futuro”.
Essa decisão reconhecia o que tinha havido de injusto, o que tinha havido de condenável no comportamento anterior, relativamente a séculos em que esses direitos não foram devidamente reconhecidos, reiterou o Presidente.
Segundo Marcelo Rebelo de Sousa, o que fica de mais importante desta visita à “Casa dos Escravos” de Gorée é “a lição de esperança num futuro melhor” e a ideia de que “é preciso continuar a lutar pelos direitos humanos, contra as formas de escravatura que existem, contra as opressões, contra as ditaduras, contra os totalitarismos”. “Ainda hoje, infelizmente, é tão necessário”, lamentou o Chefe de Estado de Portugal. No segundo dia em Dacar, o Chefe de Estado português foi também à Casa-Museu Léopold Senghor, primeiro Presidente do Senegal, e participou num debate com professores e alunos de língua portuguesa.

Integração na CPLP

O Presidente português considerou que o Senegal “fala português” e tem “uma porta aberta” para assumir “um papel essencial” na Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), da qual já é membro observador. Em declarações aos jornalistas na ilha de Gorée, Marcelo Rebelo de Sousa disse que é impressionante a presença da língua portuguesa neste país, que tem 46 mil jovens a falar português. O Senegal fica próximo de dois países lusófonos. As ilhas de Cabo Verde estão em frente à sua costa, a cerca de 600 quilómetros, e faz fronteira com a Guiné-Bissau a sul, aproximando-se de Portugal também pela sua importância regional e pela língua portuguesa, que ali é estudada por milhares de alunos. Desde 2008, tem estatuto de observador da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP).
A comunidade portuguesa ronda as 200 pessoas, embora apenas cerca de 50 estejam registadas nos serviços consulares. A ilha de Gorée é um património da Humanidade classificado pelo Fundo das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (Unesco) em 1978 e representa um memorial da escravatura. De Gorée, foram embarcados escravos de África para as Américas até ao século XIX e a ilha mantém como memória e símbolo desse passado uma “Casa dos Escravos”, do tempo dos holandeses, ligada ao mar por uma “Porta do Não Retorno”.
Foi nesta ilha, a menos de 20 minutos de barco da capital do Senegal, que oPapa João Paulo II pediu perdão pela escravatura em 1992, quando afirmou: “A partir deste santuário africano do sofrimento negro, imploramos o perdão do céu.”
Em 2005, dias depois da morte do Papa João Paulo II, o então Presidente do Brasil, Lula da Silva, visitou Gorée e repetiu esse gesto. Embora referindo que não tinha “nenhuma responsabilidade com o que aconteceu” no período da escravatura, declarou “Perdão pelo que fizemos aos negros”.
Os navegadores portugueses foram os primeiros a chegar a esta ilha, em 1444, num feito atribuído a Dinis Dias, e deram-lhe o nome de Ilha da Palma. Depois, no período filipino, foi tomada pelos holandeses e posteriormente pelos franceses, pelos ingleses e novamente pelos franceses.
Além de João Paulo II e de Lula da Silva outras personalidades mundiais visitaram a histórica ilha de Gorée. O então primeiro-ministro francês, Michel Rocard, visitou a região em 1981. Também três Presidentes norte-americanos, Bill Clinton em 1998, George W. Bush em 2008 e Barack Hussein Obama em 2013 visitaram a ilha senegalesa e aí assumiram o “mea culpa” dos respectivos Estados na escravatura. Estima-se que pelo menos 12 milhões de escravos africanos tenham sido capturados e retirados do continente, ao longo do triste período do comércio negreiro.

http://jornaldeangola.sapo.ao/mundo/portugal_reconhece_injustica_da_escravatura

O Observatório

Este observatório é uma iniciativa do Grupo de Estudos Africanos vinculado ao Instituto de Relações Internacionais da Universidade de Brasília (GEA/IREL-UnB), que busca refletir sobre a vida política, social e econômica da África contemporânea, com destaque para sua inserção internacional. Preocupando-se com o continente marcado pela diversidade, o Grupo de Estudos Africanos, por meio do Observatório, propõe um olhar crítico e compreensivo sobre temas africanos, em suas mais diversas dimensões.
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