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Crise Política

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O poder de Grace Mugabe era muito grande

por Victor Carvalho

À medida que vão passando os dias sobre o pedido de demissão apresentado por Robet Mugabe, mais se vai sabendo sobre o poder político que estava nas mãos da sua esposa Grace Mugabe.

Grace Mugabe é acusada de cometer excessos
Fotografia: Jekesai Njikizana | afpAlguns colaboradores do antigo Presidente do Zimbabwe, aos poucos, vão levantando a ponta do véu e revelando episódios que mostram o poder que Grace Mugabe tinha a ponto de dizerem que era ela quem, efectivamente, governou o Zimbabwe nos últimos dois anos. Já no processo de negociação das condições para a sua resignação, Robert Mugabe deixou que fosse a mulher a analisar as propostas apresentadas pelos militares e a elaborar rascunhos das contra-propostas que ele depois apresentaria como suas através do padre Fidelis Mukonori.
Grace Mugabe, segundo alguns colaboradores do antigo Presidente, redigia os discursos que o marido lia e escolhia pessoalmente os dirigentes que ele recebia na sua residência particular.
Era ela também, talvez a recordar os tempos em que foi secretária do Presidente, que elaborava a agenda oficial e particular do marido e escolhia os eventos em que ele devia participar. Foi ela que, no mesmo dia em que o marido assinou a sua carta de demissão, convocou para essa manhã uma reunião de ministros na State House (então já ocupada pelos militares) e na qual, mesmo assim, ainda haviam de comparecer três elementos.
Foi Grace Mugabe, também, quem escreveu a carta a demitir Emmerson Mnangagwa do cargo de Vice-Presidente da República, não se sabendo se Robert Mugabe a assinou com a plena consciência do que estava a fazer.
Outros pormenores sobre o poder que Grace tinha sobre Robert Mugabe estão a ser recolhidos por um jornalista zimbabweano e podem ser em breve revelados em forma de livro.

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África do Sul busca solução para a crise política e militar do Zimbabwe

0,9eb104a8-ac0a-4f13-b682-8a8c29a9c784África do Sul tenta mediar a crise do Zimbábue com dois enviados a Harare e uma reunião dos países da região em Botsuana

Dois dias depois de o Exército do Zimbábue levar os tanques à capital do país, Harare, para assumir o controle das principais instituições, a televisão local e, sobretudo, o Palácio Presidencial, o mandatário Robert Mugabe, de 93 anos e sob prisão domiciliar, resiste a deixar o cargo. Segundo uma fonte citada pela agência Reuters, o presidente mais longevo do mundo se encontra detido com sua mulher, Grace Mugabe, e vários aliados políticos, no complexo casa azul, de Harare. O ainda líder do partido governamental União Africana Nacional do Zimbábue-Frente Patriótica (ZANU-PF) insiste em sua intenção de cumprir o atual mandato, que iria expirar após as eleições previstas para 2018.

Uma delegação de representantes da vizinha África do Sulchegou ao Zimbábue para se encontrar com Mugabedurante esta quinta-feira. Foi justamente o presidente sul-africano, Jacob Zuma, na condição de número um da organização regional Comunidade para o Desenvolvimento da África Meridional (SADC, na sigla em inglês), que convocou uma reunião de urgência para esta quinta-feira em Botsuana para tratar da crise.

A atividade nas ruas de Harare mantém certa normalidade em meio a uma infinidade de especulações sobre o futuro do casal presidencial, seus aliados e o governo de um dos países mais pobres do mundo. A rede sul-africana SABC informou também que um sacerdote católico estaria mediando uma saída da crise. De acordo com essa emissora, Mugabe, acompanhado dos ministros Jonathan Moyo e Saviour Kasukuwere, argumenta que só a votação no âmbito de seu partido o faria deixar o poder.

A SABC revelou, coincidindo com outras informações da imprensa estrangeira publicadas recentemente, que o Zimbábue está possivelmente prestes a formar um Governo de coalizão transitório no qual o ex-vice-presidente Emmerson Mnangagwa, do ZANU-PF, destituído em 6 de novembro pelo próprio Mugabe, estaria à frente, em uma aliança com outros partidos políticos, como o Movimento pela Mudança Democrática (MDC-T) de Morgan Tsvangirai. O líder oposicionista zimbabuano, que venceu Mugabe no primeiro turno das eleições de 2008, regressou a Harare depois de dois meses em tratamento oncológico na África do Sul. Seu secretário-geral, Douglas Mwonzora, já mostrou sua disposição de participar de um Executivo de transição.

A destituição de Mnangagwa, que mantém fortes vínculos com o Exército e os veteranos da independência, grupo de poder no país, foi o desencadeador da intervenção dos militares, com o general Constantino Chiwenga à frente. “A lógica política”, afirma em uma análise por vídeo Derek Matyszak, do centro de análise Instituto para o Estudo da Segurança, com sede em Pretória, “sugere que a intervenção militar será curta e que, assim que se assegurarem de que Mnangagwa assume a presidência, voltarão aos quartéis”.

O possível mapa da estrada, segundo Matyszka, passaria pela volta de Mnangagwa à vice-presidência para que, assim que Mugabe renunciar ao cargo, possa assumir o poder em um processo transitório, de no máximo 90 dias, no qual o ZANU-PF deverá eleger novo líder em um congresso extraordinário. O ex-vice-presidente, que havia saído do país por supostas ameaças de morte depois de sua destituição do cargo, regressou nas últimas horas.

zuma e mugabePor ora, Mugabe continua sendo, pelo menos no papel e de acordo com a versão do Exército, o presidente do país e comandante-chefe das Forças Armadas. Mas sua escassa popularidade, após 40 anos no poder, e a situação da economia, de novo se aproximando da hiperinflação, fizeram com que nem partidos políticos nem a sociedade civil tenham condenado a intervenção militar como “golpe de Estado”. Tampouco houve essa condenação no exterior. Somente a União Africana, presidida no momento pelo mandatário guineano Alpha Condé, afirmou que “nunca aceitará o golpe de Estado militar” e pediu a volta à Constituição pela via política.

Cinco razões para a crise no Zimbabwe

O nonagenário presidente do Zimbábue (16 milhões de habitantes), Robert Mugabe, foi preso pelo Exército em sua casa, em Harare. As Forças Armadas, mobilizadas desde terça-feira na capital do país, tomaram o controle das principais instituições zimbabuanas, as sedes da televisão e do partido governista União Nacional Africana do Zimbábue-Frente Patriótica (ZANU-PF, na sigla em inglês). A conta do Twitter do partido informou que o até agora ex-vice-presidente Emmerson Mnangagwa, de 75 anos, assumirá o Governo interinamente. Embora um porta-voz do Exército tenha anunciado na quarta-feira que se tratava de uma operação contra “criminosos” do entorno de Mugabe, rumores de um golpe de Estado ganham força em um dos países mais pobres do mundo. Em seguida, cinco elementos-chave para entender a crise política aberta no Zimbábue:

1. A longa sombra da independência

Mugabe, de 93 anos, foi um dos principais líderes da luta pela independência, nos anos setenta. A guerra entre os nacionalistas negros e o regime branco de Ian Smith, apoiado pelo Reino Unido, causou a morte de quase 30.000 pessoas. Em abril de 1980, a então Rodésia, em homenagem a Cecil Rhodes, empresário e político britânico protagonista das aventuras coloniais de Londres na África, obteve a independência. O líder da União Nacional Africana do Zimbábue (ZANU, na sigla em inglês), Robert Mugabe, foi nomeado primeiro-ministro. Entre os objetivos do novo Governo independente estava, sem dúvida, a reforma agrária, ainda hoje uma das questões pendentes para reativar a pobre economia do país, marcada a fogo, segundo revelou recentemente a agência Reuters com exclusividade, por líderes do partido governista vinculado hoje à prisão de Mugabe.

2. Os expurgos históricos de Mugabe

O general Constantino Chiwenga, atual chefe das Forças Armadas, alertou na segunda-feira, em um pronunciamento público, contra os expurgos de Mugabe. No dia 6, o presidente havia destituído Mnangagwa. Mas os expurgos internos não eram novidade durante os quase 40 anos de mandato de Mugabe. Um dos seus aliados na guerra da independência, Joshua Nkomo, líder da União Africana Popular do Zimbábue (ZAPU, na sigla em inglês), foi nomeado ministro do Interior em seu primeiro Governo. Em fevereiro de 1982, Nkomo foi acusado de estar por trás de um golpe e foi destituído. A luta entre facções fez milhares de mortes no país. Cinco anos depois, Mugabe reformou a Constituição e instaurou um regime presidencialista do qual foi seu maior expoente até esta quarta-feira.

3. Hiperinflação e terra

Se algo se sabe fora do deprimido país africano, além das luxuosas festas de aniversário do presidente e sua esposa, Grace Mugabe, é a capacidade de emitir notas de até 100 bilhões de dólares zimbabuanos. Aconteceu durante os piores anos de hiperinflação (79.600.000.000%, em novembro de 2008). A famosa reforma agrária, levada ao extremo a partir do ano 2000, tomou grandes parcelas cultiváveis de fazendeiros brancos para serem geridas por locais. Estima-se que entre 4.000 e 4.500 fazendeiros brancos perderam suas terras para veteranos de guerra ou partidários do Governo. Como resultado, uma economia pouco operacional, com um setor agrícola pouco competente, uma queda na produção e nas exportações, um aumento notável do desemprego, dos subsídios estatais e, finalmente, dos preços.

Em 2007, para frear a escalada dos preços, o Governo permitiu que os cidadãos usassem o dólar norte-americano, o euro e a moeda sul-africana (rand). Uma década depois, de acordo com o professor Steve Hanke, da Universidade Johns Hopkins, o Zimbábue está novamente diante da hiperinflação, ou seja, com uma taxa superior a 50% ao mês.

4. Oposição e contestação em alta

Exatamente nesta semana retornará ao país o grande líder da oposição da última década, Morgan Tsvangirai, do Movimento pela Mudança Democrática (MDC, na sigla em inglês), depois de passar dois meses na vizinha África do Sul para tratar de um câncer de cólon. Tsvangirai conseguiu derrotar Mugabe no primeiro turno das eleições realizadas em março de 2008. Mas a violência contra seus partidários nas ruas fez com que o líder da oposição não participasse do segundo turno. Tentou novamente cinco anos depois, em agosto de 2013. Obteve 34% dos votos, contra 61% de Mugabe. O candidato do MDC denunciou uma “enorme farsa” eleitoral.

Seja como for, a oposição ao incontestável Mugabe vem crescendo No ano passado, o MDC reuniu na capital, Harare, cerca de 2.000 pessoas para protestar contra o Governo, uma concentração sem precedentes no país.

5. A corrida para a sucessão do presidente

No dia 5 de setembro, a agência Reuters publicou que havia uma trama em estado adiantado para implementar reformas depois da saída de Mugabe. Entre os homens destacados, como dizia a informação exclusiva da Reuters, estava o até poucas horas atrás ex-vice-presidente Mnangagwa, que junto com outros líderes estaria elaborando um novo projeto para o país. Entre as novidades, uma possível aliança com o oposicionista Tsvangirai e a devolução de terras aos brancos para sua reabilitação. Dois meses depois dessa publicação, Mnangagwa foi destituído por Mugabe. Entre as aparentes ameaças de morte, aquele que foi o número dois do Governo deixou o país. Agora, de acordo com a informação revelada pelo ZANU-PF, Mnangagwa, um herói de guerra com bom relacionamento com militares e veteranos da independência, seria o homem que dirigiria interinamente os destinos do país.

A destituição do presidente aconteceu um dia depois que a mulher de Mugabe, Grace Mugabe, de 52 anos, o exortou a deixar seu cargo pelo bem da “unidade”. Grace Mugabe, também dirigente do ZANU-PF – sobre a qual se chegou a publicar que esbofeteia o marido em público – foi uma das apontadas nos últimos anos, à medida que a idade do presidente avança, para uma possível sucessão. Grace Mugabe é considerada a chefe do G40, um grupo de políticos próximos do casal presidencial. Na quarta-feira, o Exército prendeu vários ministros vinculados a esse grupo.

https://brasil.elpais.com/brasil/2017/11/16/internacional/1510823224_224595.html

Mnangagwa, ex vice presidente, poderá tomar controle do governo do Zimbabwe

Harare – O destituído antigo vice-presidente do Zimbabwe, Emmerson Mnangagwa, encontra-se desde quarta-feira na base da força aérea zimbabweana de Manyame, arredores de Harare, a capital, para tomar o controle do governo deste país da região austral da África, onde a situação continua incerta.

ANTIGO VICE-PRESIDENTE DO ZIMBABWE, EMMERSON MNANGAGWA, PODE TOMAR CONTROLO DO PODER

FOTO: ALBERTO JULIÃO

A Agência Noticiosa Africana (ANA) refere que informações não confirmadas dizem que o Presidente zimbabweano, Robert Mugabe, sua mulher, Grace Mugabe, e outros membros do governo estão sob prisão domiciliária.

Mnangagwa, também conhecido pela alcunha “O Crocodilo”, foi demitido, semana passada, na sequência de uma luta pela liderança na Zanu-PF, partido no poder, como parte da sucessão do Presidente Mugabe.

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Veterano da luta pela independência, Mnangagwa fugiu para a África do Sul depois de ameaças de morte.

Mnangagwa

O Exército tomou o controlo da televisão estatal e declarou que estava numa operação direccionada contra “criminosos” a volta de Mugabe, mas que ele (Presidente) e sua família estavam num lugar seguro.

O major-general S.B. Moyo, chefe da Logística do exército, explicou que a acção dos militares não era um golpe de Estado.

O comandante das Forças de Defesa do Zimbabwe, o General Constantino Chiwenga, advertiu segunda-feira que o Exército iria tomar “acção drástica” se facções na Zanu-PF continuassem a remover membros com passado no Exército.

A Zanu-PF emitiu um comunicado no qual descreveu os comentários de Chiwanga de traição.

A declaração de Chiwenga ocorreu depois da facção da Zanu-PF “G40”, que apoia Grace Mugabe para a sucessão, prometer demitir todos os aliados considerados apoiantes da facção “Lacoste”, que é simpática a Mnangagwa.

Entretanto, o presidente da Liga Juvenil da Zanu-PF, Kudzai Chipanga, pediu desculpas ao Exército pela sua declaração hostil contra o General Chiwenga.

Fontes próximas das forças armadas dizem que Robert Mugabe não está a cooperar para renunciar à liderança, abrindo assim caminho para um governo inclusivo no país.

As principais artérias de Harare foram encerradas pelo Exército e a cidade está mais calma do que quarta-feira.

http://www.angop.ao/angola/pt_pt/noticias/africa/2017/10/46/Zimbabwe-Mnangagwa-podera-tomar-controlo-governo-pais,cbe209fc-87a4-40e5-aa68-1a4a87790797.html

Republica Democrática do Congo vive gravíssima situação de insegurança alimentar

A Segurança Alimentar da te

congo

Responsável do Programa Alimentar Mundial alerta que é imperativo que a ajuda chegue rapidamente ao terreno.

O Iémen, a Somália, o Sudão do Sul e a Nigéria são os países mais afectados pela fome

Num país já marcado por confrontos e instabilidade política, a República Democrática do Congo vê-se perante uma nova crise: existem mais de três milhões de pessoas no país (incluindo milhares de crianças) em risco de morrerem à fome, segundo disse à BBC o director do Programa Alimentar Mundial (PAM) das Nações Unidas, David Beasley. “Precisamos de ajuda, e precisamos dela agora”, alertou o representante.

Estamos a falar de centenas de milhares de crianças que morrerão nos próximos meses, se não arranjarmos, em primeiro lugar, financiamento; em segundo, comida; e, em terceiro, acesso aos locais”, acrescentou, em declarações à BBC. Para já, diz Beasley, só têm 1% dos fundos que precisam e a chegada da ajuda ao terreno pode complicar-se com o início da época de chuvas. “Nem consigo imaginar o quão horrível será” se se esperar mais algumas semanas até receber os fundos, confessou.

Segundo dados do Programa Alimentar Mundial (PAM) morreram 5,4 milhões de pessoas entre os anos de 1998 e 2007 na sequência de guerras e conflitos no país – não só em consequência directa mas também por fome e doenças que poderiam ser tratadas ou evitadas. Mais de um milhão e meio de pessoas tiveram de abandonar as suas casas para fugir à violência.

Subdivisões_da_República_Democrática_do_Congo

Num cenário que considera desastroso, o representante das Nações Unidas conta que viu na região de Kasai, no epicentro dos problemas, um cenário de destruição: casas queimadas e crianças seriamente desnutridas e perturbadas. A República Democrática do Congo é uma das nações com a taxa mais elevada de mortalidade infantil. Além disso, 8% das crianças com menos de cinco anos sofrem de subnutrição crónica e 43% sofrem de subnutrição e revelam atrasos no crescimento. Situado no Centro de África, este é o segundo maior país do continente e tem uma população de 72,7 milhões de habitantes, sendo que 63% deles vivem abaixo do limiar de pobreza.

O representante das Nações Unidas também foi partilhando relatos da sua viagem pela República do Congo no Twitter. “Visitei hoje a vila de Nyanzale na República Democrática do Congo – ouvi tantos pedidos para acabar os conflitos que impulsionam a fome”, lê-se num deles. “Não me deito a pensar nas crianças que alimentámos hoje. Deito-me a chorar por todas aquelas que não alimentámos”, escreveu ainda.

congo

E o cenário repete-se por outros países. No site do PAM das Nações Unidas, lê-se que 20 milhões de pessoas estão em risco de morrer de fome por todo o mundo e que, se não for prestada assistência, cerca de 600 mil crianças podem vir a morrer nos próximos meses. O Iémen, a Somália, o Sudão do Sul e a Nigéria são os países mais afectados.

Ainda que a situação tenha acalmado nos últimos meses, a República Democrática do Congo está a ser assolada por uma onda de violência desde a crise política de Dezembro, quando o Presidente Joseph Kabila recusou abandonar o poder no final do mandato – e recusa marcar novas eleições apesar de o seu terceiro mandato (que deveria ser também o último, segundo a Constituição) já ter expirado há nove meses. Na altura, o director-executivo da Human Rights Watch, Kenneth Roth, alertava que havia “um sério risco” que o Congo pudesse “mergulhar na violência generalizada e no caos nos próximos dias, com repercussões potencialmente voláteis em toda a região”.

Em Março deste ano, a milícia rebelde Kamuina Nsapu capturou e decapitou cerca de 40 agentes da polícia, na província de Kasai. Ainda em Março, os corpos de dois funcionários das Nações Unidas que estavam desaparecidos foram encontrados na região. Os dois funcionários – um norte-americano de 34 anos e uma sueca de 36 anos, assim como um intérprete de nacionalidade congolesa – estavam a investigar crimes e violações dos direitos humanos no país. No início deste mês, morreram cerca de 30 pessoas (a maioria civis) numa emboscada no Noroeste do país.

 

https://www.publico.pt/2017/10/29/mundo/noticia/precisamos-de-ajuda-e-precisamos-dela-agora-o-apelo-para-os-milhoes-que-podem-morrer-de-fome-1790724

A crise da igreja Católica continua na Nigéria

download (1)O arcebispo Ignatius Kaigama, presidente da Conferência dos Bispos da Nigéria, está pedindo aos sacerdotes da diocese de Ahiara para aceitar um bispo nomeado por Bento XVI e confirmado por Francisco, embora não advenha do grupo étnico e linguístico majoritário da diocese. Ainda que alguns sacerdotes afirmem que estão prontos para cumprir o que quer que o papa decida, isso não significa que as queixas implícitas estejam resolvidas.

A reportagem é de Inés San Martín, publicada por Crux, 23-08-2017. A tradução é de Luísa Flores Somavilla.

O arcebispo Ignatius Kaigama, presidente da Conferência Episcopal da Nigéria, pediu aos sacerdotes e leigos da problemática diocese de Ahiara que “deixem as queixas de lado” e aceitem o bispo Peter Ebere Okpaleke, nomeado pelo Papa Bento XVI ainda em 2012 e que ainda não teve permissão de fazer parte da diocese por não ser do grupo étnico e linguístico majoritário.

“Não estamos felizes que a igreja de Ahiara tenha ficado de fora do sistema por todo esse tempo”, disse Kaigama à Agência de Notícias da Nigéria.

“Não estamos exatamente felizes que o nome da Nigéria esteja se espalhando por diferentes partes do mundo como pessoas desleais à autoridade do papa”, declarou no domingo, em entrevista na arquidiocese de Jos, localizada no “cinturão médio” da Nigéria.

Kaigama estava se referindo aos abalos provocados pelo ultimato emitido pelo papa Francisco em junho, que insistia que todos os sacerdotes na diocese de Ahiaraescrevessem uma carta pedindo desculpas por se recusar a aceitar a autoridade papal e receber Okpaleke como bispo.

O prazo para o envio da carta se encerrou em 9 de julho, e os que não enviaram enfrentam ameaça de suspensão. O pedido já havia sido feito pelo cardeal Fernando Filoni, da Congregação para a Evangelização dos Povos do Vaticano, que supervisiona os territórios missionários. O pedido foi enviado em uma carta datada de 24 de junho de 2014.

“Oramos fervorosamente para que o povo de Ahiara seja sensato e volte a ser uma Igreja baseada na obediência à autoridade de Deus”, disse Kaigama, no domingo, apelando aos sacerdotes e aos leigos para “deixar as queixas de lado e aceitar o bispo Okpalaeke para que o trabalho de Deus possa continuar”.

Desde o início da crise, não houve ordenações sacerdotais nem confirmações, pois ambas são tarefas exclusivas dos bispos.

De acordo com o fórum católico pro-Okpaleke de Mbaise, grande parte dos sacerdotes cumpriu o pedido do Papa Francisco e enviou a carta pedindo desculpas pela rebeldia, embora alguns tenham agido com reservas.

“Sobre a diretiva do papa de que devemos enviar uma carta individualmente expressando obediência e lealdade a ele e pedindo perdão por ter contribuído com a dor que sofreu devido à crise na diocese de Ahiara, todos os sacerdotes na diocese a cumpriram”, afirmou um dos sacerdotes ao Crux, no final de julho, sob a condição de permanecer anônimo.

“Ele é nosso pai, nossa lealdade a ele não pode ser comprometida de forma alguma”.

No entanto, pouco depois, acrescentou: “Mas esperamos que ele reavalie seu posicionamento e nomeie outro bispo”.

O padre David Iheanacho teve um discurso parecido, dizendo ao Crux que havia escrito a carta a Francisco, “pedindo perdão pela contribuição pessoal à dor que sofreu devido à crise. Prometi total lealdade a ele como pontífice supremo, sucessor de São Pedro e vigário de Cristo na Terra. Expressei minha vontade de aceitar quem quer que enviasse e tivesse designado para ser meu bispo”.

Ele afirma que todos os sacerdotes consentiram, porque o papa não “brinca” com ameaças de sanção. Também declarou que Francisco é muito amado em Ahiara, e que sua palavra é “lei para os sacerdotes e leigos da diocese”.

“O único problema é que todos nós entramos em um dilema terrível entre engolir uma amarga pílula de injustiça e obedecer ao Santo Padre”, disse ele, por telefone. “Não se engane, o dilema ainda existe, e não sei como vai se resolver. Estamos rezando para que o Espírito Santo ilumine o Santo Padre para tomar a decisão certa e resolver o problema em nossa diocese.”

Em texto no fórum, o leigo Mark C. Nwoga afirma que a crise atual de Ahiara e de outras dioceses, que enfrentam conflitos semelhantes, não resulta de um processo falido de nomeação de bispos, mas sim de uma falha entre os sacerdotes.

“Há alguns ‘sacerdotes profissionais, ao invés de vocacionais’, que não são tão adeptos da oração nem da piedade, mas muito demonstram abertamente uma visão e um estilo de vida mundanos”, afirmou.

A raiz do problema, segundo ele, é que alguns sacerdotes se comportam mais como “agitadores políticos, querendo ser nomeados bispos”.

A nomeação de Okpaleke foi recebida com protestos e abaixo-assinados pedindo por um bispo do clero local. Apesar da rejeição, ele foi ordenado bispo em maio de 2013, embora a posse formal ainda não tenha ocorrido.

jornal The Guardian da Nigéria informou, no sábado, que o bispo declarou que não está incomodado pela oposição contra a nomeação e que está aguardando a posse, cuja data ainda não foi anunciada.

Em discurso na celebração do 70º aniversário de um sacerdote de sua cidade natal, Okpaleke disse que não pode permitir que a crise o distraia da missão de servir a Deus: “o que estão dizendo não diz respeito à minha vocação; minha vocação vem de Deus e é declarada pela Igreja”.

 

http://www.ihu.unisinos.br/570988-nigeria-diocese-de-ahiara-deve-deixar-as-queixas-de-lado-e-aceitar-o-bispo

Angola pede que se levante as sanções impostas contra o Governo da República Democrática

O ministro das Relações Exteriores, Georges Chikoti, apelou à União Europeia a levantar as sanções unilateralmente impostas contra o Governo da República Democrática (RDC) do Congo e outras entidades daquele país.

Ministro das Relações Exteriores regressou ontem de Pretória
Fotografia: Mota Ambrósio | Edições Novembro

Em declarações à imprensa, em Pretória (África do Sul), onde participou na 37ª Cimeira dos Chefes de Estado e de Governo da SADC, em representação do Presidente José Eduardo dos Santos, Georges Chikoti considerou importante a organização regional apoiar o Governo da RDC na busca de uma solução pacífica e dialogada entre todos os congoleses, para o fim da crise politica e militar e a realização das eleições gerais. “Torna-se por isso pertinente que o Órgão da SADC (órgão de política, defesa e segurança) assuma o papel proactivo na sensibilização da comunidade internacional e todos os interessados para apoiar a implementação do acordo político de 31 de Dezembro de 2016”, salientou.
O ministro apontou igualmente como preocupação os desafios de segurança no Lesoto e a permanência dos focos de insegurança no leste da RDC.

Presidente da Nigéria regressa após meses de tratamento em Londres

Suas longas ausências ao longo deste ano provocaram fortes críticas sobre sua capacidade de continuar no cargo

Abuja – O presidente da Nigéria, Muhammadu Buhari, retornou a seu país após três meses de tratamento médico em Londres, onde estava sendo cuidado devido a uma doença, não revelada até o momento, que o manteve ausente por vários meses no último ano.

Buhari foi recebido no aeroporto pelo presidente interino, Yemi Osinbajo, na tarde de ontem, e não fez nenhuma declaração, ainda que o gabinete presidencial tenha informado que ele falará à nação na próxima segunda-feira.

Muitos cidadãos comemoraram a chegada do presidente ao longo da estrada que liga o aeroporto com a cidade, para mostrar seu apoio após meses de ausência.

“Acolhendo com satisfação a volta do rei leão de novo ao palácio”, escreveu o senador Shehu Sani na sua conta do Twitter.

Os seus 105 dias de ausência no país foi objeto de intensas críticas por parte da oposição e de ativistas, que repreenderam o Governo por não revelar a natureza da doença do presidente, bem como por ter recebido tratamento médico no estrangeiro, para eles mostra do estado dos hospitais da Nigéria.

Esta não é a primeira vez que Buhari, de 74 anos, delega a presidência a Osinbajo este ano, já que sua primeira visita médica a Londres aconteceu no dia 19 de janeiro e se prolongou por dois meses.

Suas longas ausências ao longo deste ano provocaram também fortes críticas sobre sua capacidade de continuar no cargo.

A posição do presidente é um tema sensível na Nigéria onde os aspectos regionais, étnicos e religiosos têm um papel importante na sua eleição, pelo que os partidos políticos tentam compartilhar o poder entre os diferentes grupos para evitar assim a marginalização e uma possível instabilidade.

Buhari é muçulmano, de etnia fulani e do estado norte-central de Katsina, enquanto que Osinbajo é um cristão da etnia iorubá e procedente do sudoeste.

Buhari foi escolhido presidente nas eleições de 2015, quando venceu o então presidente, Goodluck Jonathan, em uma vitória histórica, já que foi a primeira vez que um partido da oposição assumiu o poder.

Oposição queniana não aceita a vitória de Uhuru Kenyatta

Nairobi – O líder da oposição queniana, Raila Odinga, 72 anps, prometeu domingo que não se renderá até que seja reconhecida a sua vitória nas eleições presidenciais, vencidas pelo presidente , enquanto aumentava a pressão para que acalmasse os seus simpatizantes.

RAILA ODINGA, LÍDER DA OPOSIÇÃO NO QUÉNIA

FOTO: ANGOP

Na sua primeira aparição pública desde sexta-feira à noite, Odinga também pediu aos seus simpatizantes para não irem trabalhar nesta segunda de manhã, após a pressão da comunidade internacional para que interviesse no sentido de arrefecer os ânimos no período pós-eleitoral, em que os distúrbios já deixaram 16 mortos desde sexta-feira.

O opositor anunciou que iria explicar na próxima terça-feira “o caminho a seguir” pelo seu partido político e assinalou: “Ainda não perdemos. Não cederemos”, insistiu em Kibera, subúrbio de Nairobi, reduto da oposição.

Confrontos violentos foram registados domingo na comunidade de Mathare, subúrbio de Nairobi, entre membros da etnia kikuyu, ligada ao presidente reeleito, Uhuru Kenyatta, e integrantes da etnia luos, apoiantes do opositor derrotado nas urnas.

A violência irrompeu depois que os luos incendiaram estabelecimentos de comerciantes kikuyus, provocando uma batalha campal entre ambos os grupos. Dois homens morreram.

Os incidentes ocorreram após uma visita de Odinga a Mathare para se encontrar com a família de uma menina de nove anos que morreu baleada na manhã de sábado quando estava na varanda no quarto andar de um prédio.

Odinga visitou o subúrbio de Kibera, onde, diante de milhares de apoiantes, afirmou que não aceitaria os resultados da eleição presidencial “roubada”, segundo ele, por Kenyatta.

“Ainda não perdemos. Não baixaremos a guarda. Esperem que anuncie o que deve ser feito, depois de amanhã”, assinalou no domingo.

Kenyatta foi reeleito presidente na noite de sexta-feira, para um segundo mandato de cinco anos, com 54,27% dos votos, frente a 44,74% de Odinga, segundo resultados oficiais. A oposição questiona os números.

Após o anúncio da vitória de Kenyatta, houve cenas de violência e saques em redutos da oposição, no Oeste do país e nos subúrbios de Nairobi, com um saldo de 16 mortos até a noite deste sábado.

O secretário-geral da ONU, António Guterres, instou Odinga a enviar “uma mensagem clara a seus simpatizantes para que se abstenham de recorrer à violência”. União Europeia e Reino Unido também fez um apelo por moderação, e felicitaram Kenyatta por sua vitória.

A coligação opositora, Nasa, afirma que Odinga venceu as eleições, cujo resultado responde, segundo ela, a uma manipulação electrónica do sistema de transmissão da contagem de votos usado pela comissão eleitoral. Mas descartou recorrer à Suprema Corte, como fez, em vão, em 2013.

A derrota deste ano é a quarta em eleições presidenciais sofrida por Odinga, após as de 1997, 2007 e 2013.

Embora a repressão policial esteja sendo firme, o ministro do Interior, Fred Matiangi, garante que a polícia não lançou mão do “uso desproporcional da força contra nenhum manifestante, em nenhum lugar do país”.

Na manhã de domingo, em Mathare, um dos subúrbios de Nairobi mais afectados pela violência, comerciantes reabriam suas lojas.

“Queremos ouvir o que Raila tem a dizer. Será ele que nos guiará. Se nos disser para sair às ruas, sairemos. Se quiser que fiquemos em casa, ficaremos”, declarou o cabeleireiro de Humpfrey Songole, 25, horas antes de Odinga se pronunciar em Kibera.

Os distúrbios actuais diferem do conflito de há 10 anos, que deixou mais de 1,1 mil mortos e 600 mil deslocados. Apesar de reflectirem antigas divisões tribais, no momento estão circunscritos aos redutos da oposição.

O contexto político também é diferente: após as eleições de 2007, a maioria dos confrontos opuseram os kikuyu de Kenyatta aos kalenjin, etnias actualmente aliadas. De fato, o vice-presidente William Ruto é um kalenjin.

Actualmente, apenas a etnia luo, à qual pertence Odinga, parece estar mobilizada.

http://www.angop.ao/angola/pt_pt/noticias/africa/2017/7/33/Quenia-Lider-oposicao-promete-continuar-contestar-vitoria-Kenyatta,beec95fd-beae-4215-a628-30879fa6ce67.html

Partidos pedem demissão de Governo

mediaUmaro Sissoco embaló, primeiro ministro da Guiné-Bissau

Conselho de Paz e Segurança da União Africana analisa hoje a crise política na Guiné-Bissau, no mesmo dia em que cindo partidos extra-parlamentares pedem a demissão do governo.

Nesta terça-feira (11/07) em Adis Abeba e na presença do primeiro ministro guineense Umaro Sissoco Embaló, o Conselho de Paz e Segurança da União Africana volta a analisar a crise política na Guiné-Bissau.

Neste mesmo dia, terça-feira (11/07) cinco partidos políticos sem assento parlamentar:Aliança Socialista Guineense – ASG, Movimento Democrático Guineense – MDG, Partido Social Democrata – PSD, Partido para a Liberdade Organização e Progresso – PALOP ePartido dos Trabalhadores – PT apresentaram uma proposta de saída de crise e a constituição de um governo reconhecido pelo Presidente José Mário Vaz e pelos assinantes do Acordo de Conacri.

O referido grupo pede a demissão do governo de Umaro Sissoco Embaló e a nomeação de um governo de tecnocratas, sem filiação partidária, que teria como missão promover reformas na função pública, reformas a nível do quadro legal da República e ainda organizar as proximas eleições legislativas.

Já que não há entendimento para implementação do Acordo de Conacri, um governo de tecnocratas poderia ajudar a acabar com o impasse, segundo o porta-voz do grupo destes cinco partidos, Silvestre Alves, líder do Movimento Democrático Guineense, que apresentou as linhas gerais desse Governo.

Vamos comprometer-nos todos a viabilizar um governo de tecnocratas…propomos que haja umgabinete de fiscalização, constituído por cinco elementos, eventualmente um por cada um dos partidos com assento parlamentar…eventualmente sete da Presidência da República…gabinete que teria prerrogativas para exigir a apresentação de um mapa de receitas e despesas a todo e qualquer departamento do Estado“.

Guiné-Bissau: Polícia proíbe manifestação de cidadãos contra crise política

A polícia proibiu, este sábado, uma manifestação de um grupo de cidadãos contra a crise política na Guiné-Bissau alegando a falta de autorização, disse Sumaila Djaló, um porta-voz do grupo de Inconformados, à Lusa.

Guiné-Bissau: Polícia proíbe manifestação de cidadãos contra crise política

Segundo a Lusa, por volta das 7 locais alguns elementos do Movimento de Cidadãos Conscientes e Inconformados com a crise política começaram a se juntar na rotunda do aeroporto internacional de Bissau mas quando se preparavam para iniciar a manifestação a polícia surgiu e mandou dispersar, contou Djaló.

«Foi uma ordem ilegal», indicou o porta-voz dos Inconformados, acrescentando que tiveram que acatar de momento por temerem que a polícia investisse sobre os manifestantes.

Sumaila Djalo disse que o movimento não tinha que ter nenhuma autorização da polícia, conforme a lei guineense, mas comunicar a pretensão de organizar a manifestação pública pacífica.

«A polícia não só não nos deixou manifestar como impediu alguns jornalistas presentes no local que fizessem o seu trabalho», afirmou à Lusa Djaló, que vê no ato a «implantação de uma ditadura autêntica» na Guiné-Bissau.

A Lusa tentou, sem sucesso, contatar o comando da polícia.

O porta-voz dos Inconformados anunciou que já na segunda-feira o movimento – constituído essencialmente por jovens- vai entregar uma carta ao Ministério do Interior avisando que no sábado, dia 15, vai realizar uma nova manifestação em Bissau.

Conforme a mesma agência, a acção, como tem sido nos últimos oito meses, servirá para o movimento denunciar a persistência da crise política no país, exigir a dissolução do Parlamento, a renúncia do chefe do Estado, José Mário Vaz, e a convocação de eleições gerais.

Para o Movimento dos Inconformados, José Mário Vaz é o principal responsável pela crise política que já dura há cerca de dois anos na Guiné-Bissau.

http://asemana.publ.cv/?Guine-Bissau-Policia-proibe-manifestacao-de-cidadaos-contra-crise-politica&ak=1

O Observatório

Este observatório é uma iniciativa do Grupo de Estudos Africanos vinculado ao Instituto de Relações Internacionais da Universidade de Brasília (GEA/IREL-UnB), que busca refletir sobre a vida política, social e econômica da África contemporânea, com destaque para sua inserção internacional. Preocupando-se com o continente marcado pela diversidade, o Grupo de Estudos Africanos, por meio do Observatório, propõe um olhar crítico e compreensivo sobre temas africanos, em suas mais diversas dimensões.