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Crise Militar

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O poder de Grace Mugabe era muito grande

por Victor Carvalho

À medida que vão passando os dias sobre o pedido de demissão apresentado por Robet Mugabe, mais se vai sabendo sobre o poder político que estava nas mãos da sua esposa Grace Mugabe.

Grace Mugabe é acusada de cometer excessos
Fotografia: Jekesai Njikizana | afpAlguns colaboradores do antigo Presidente do Zimbabwe, aos poucos, vão levantando a ponta do véu e revelando episódios que mostram o poder que Grace Mugabe tinha a ponto de dizerem que era ela quem, efectivamente, governou o Zimbabwe nos últimos dois anos. Já no processo de negociação das condições para a sua resignação, Robert Mugabe deixou que fosse a mulher a analisar as propostas apresentadas pelos militares e a elaborar rascunhos das contra-propostas que ele depois apresentaria como suas através do padre Fidelis Mukonori.
Grace Mugabe, segundo alguns colaboradores do antigo Presidente, redigia os discursos que o marido lia e escolhia pessoalmente os dirigentes que ele recebia na sua residência particular.
Era ela também, talvez a recordar os tempos em que foi secretária do Presidente, que elaborava a agenda oficial e particular do marido e escolhia os eventos em que ele devia participar. Foi ela que, no mesmo dia em que o marido assinou a sua carta de demissão, convocou para essa manhã uma reunião de ministros na State House (então já ocupada pelos militares) e na qual, mesmo assim, ainda haviam de comparecer três elementos.
Foi Grace Mugabe, também, quem escreveu a carta a demitir Emmerson Mnangagwa do cargo de Vice-Presidente da República, não se sabendo se Robert Mugabe a assinou com a plena consciência do que estava a fazer.
Outros pormenores sobre o poder que Grace tinha sobre Robert Mugabe estão a ser recolhidos por um jornalista zimbabweano e podem ser em breve revelados em forma de livro.

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África do Sul busca solução para a crise política e militar do Zimbabwe

0,9eb104a8-ac0a-4f13-b682-8a8c29a9c784África do Sul tenta mediar a crise do Zimbábue com dois enviados a Harare e uma reunião dos países da região em Botsuana

Dois dias depois de o Exército do Zimbábue levar os tanques à capital do país, Harare, para assumir o controle das principais instituições, a televisão local e, sobretudo, o Palácio Presidencial, o mandatário Robert Mugabe, de 93 anos e sob prisão domiciliar, resiste a deixar o cargo. Segundo uma fonte citada pela agência Reuters, o presidente mais longevo do mundo se encontra detido com sua mulher, Grace Mugabe, e vários aliados políticos, no complexo casa azul, de Harare. O ainda líder do partido governamental União Africana Nacional do Zimbábue-Frente Patriótica (ZANU-PF) insiste em sua intenção de cumprir o atual mandato, que iria expirar após as eleições previstas para 2018.

Uma delegação de representantes da vizinha África do Sulchegou ao Zimbábue para se encontrar com Mugabedurante esta quinta-feira. Foi justamente o presidente sul-africano, Jacob Zuma, na condição de número um da organização regional Comunidade para o Desenvolvimento da África Meridional (SADC, na sigla em inglês), que convocou uma reunião de urgência para esta quinta-feira em Botsuana para tratar da crise.

A atividade nas ruas de Harare mantém certa normalidade em meio a uma infinidade de especulações sobre o futuro do casal presidencial, seus aliados e o governo de um dos países mais pobres do mundo. A rede sul-africana SABC informou também que um sacerdote católico estaria mediando uma saída da crise. De acordo com essa emissora, Mugabe, acompanhado dos ministros Jonathan Moyo e Saviour Kasukuwere, argumenta que só a votação no âmbito de seu partido o faria deixar o poder.

A SABC revelou, coincidindo com outras informações da imprensa estrangeira publicadas recentemente, que o Zimbábue está possivelmente prestes a formar um Governo de coalizão transitório no qual o ex-vice-presidente Emmerson Mnangagwa, do ZANU-PF, destituído em 6 de novembro pelo próprio Mugabe, estaria à frente, em uma aliança com outros partidos políticos, como o Movimento pela Mudança Democrática (MDC-T) de Morgan Tsvangirai. O líder oposicionista zimbabuano, que venceu Mugabe no primeiro turno das eleições de 2008, regressou a Harare depois de dois meses em tratamento oncológico na África do Sul. Seu secretário-geral, Douglas Mwonzora, já mostrou sua disposição de participar de um Executivo de transição.

A destituição de Mnangagwa, que mantém fortes vínculos com o Exército e os veteranos da independência, grupo de poder no país, foi o desencadeador da intervenção dos militares, com o general Constantino Chiwenga à frente. “A lógica política”, afirma em uma análise por vídeo Derek Matyszak, do centro de análise Instituto para o Estudo da Segurança, com sede em Pretória, “sugere que a intervenção militar será curta e que, assim que se assegurarem de que Mnangagwa assume a presidência, voltarão aos quartéis”.

O possível mapa da estrada, segundo Matyszka, passaria pela volta de Mnangagwa à vice-presidência para que, assim que Mugabe renunciar ao cargo, possa assumir o poder em um processo transitório, de no máximo 90 dias, no qual o ZANU-PF deverá eleger novo líder em um congresso extraordinário. O ex-vice-presidente, que havia saído do país por supostas ameaças de morte depois de sua destituição do cargo, regressou nas últimas horas.

zuma e mugabePor ora, Mugabe continua sendo, pelo menos no papel e de acordo com a versão do Exército, o presidente do país e comandante-chefe das Forças Armadas. Mas sua escassa popularidade, após 40 anos no poder, e a situação da economia, de novo se aproximando da hiperinflação, fizeram com que nem partidos políticos nem a sociedade civil tenham condenado a intervenção militar como “golpe de Estado”. Tampouco houve essa condenação no exterior. Somente a União Africana, presidida no momento pelo mandatário guineano Alpha Condé, afirmou que “nunca aceitará o golpe de Estado militar” e pediu a volta à Constituição pela via política.

Cinco razões para a crise no Zimbabwe

O nonagenário presidente do Zimbábue (16 milhões de habitantes), Robert Mugabe, foi preso pelo Exército em sua casa, em Harare. As Forças Armadas, mobilizadas desde terça-feira na capital do país, tomaram o controle das principais instituições zimbabuanas, as sedes da televisão e do partido governista União Nacional Africana do Zimbábue-Frente Patriótica (ZANU-PF, na sigla em inglês). A conta do Twitter do partido informou que o até agora ex-vice-presidente Emmerson Mnangagwa, de 75 anos, assumirá o Governo interinamente. Embora um porta-voz do Exército tenha anunciado na quarta-feira que se tratava de uma operação contra “criminosos” do entorno de Mugabe, rumores de um golpe de Estado ganham força em um dos países mais pobres do mundo. Em seguida, cinco elementos-chave para entender a crise política aberta no Zimbábue:

1. A longa sombra da independência

Mugabe, de 93 anos, foi um dos principais líderes da luta pela independência, nos anos setenta. A guerra entre os nacionalistas negros e o regime branco de Ian Smith, apoiado pelo Reino Unido, causou a morte de quase 30.000 pessoas. Em abril de 1980, a então Rodésia, em homenagem a Cecil Rhodes, empresário e político britânico protagonista das aventuras coloniais de Londres na África, obteve a independência. O líder da União Nacional Africana do Zimbábue (ZANU, na sigla em inglês), Robert Mugabe, foi nomeado primeiro-ministro. Entre os objetivos do novo Governo independente estava, sem dúvida, a reforma agrária, ainda hoje uma das questões pendentes para reativar a pobre economia do país, marcada a fogo, segundo revelou recentemente a agência Reuters com exclusividade, por líderes do partido governista vinculado hoje à prisão de Mugabe.

2. Os expurgos históricos de Mugabe

O general Constantino Chiwenga, atual chefe das Forças Armadas, alertou na segunda-feira, em um pronunciamento público, contra os expurgos de Mugabe. No dia 6, o presidente havia destituído Mnangagwa. Mas os expurgos internos não eram novidade durante os quase 40 anos de mandato de Mugabe. Um dos seus aliados na guerra da independência, Joshua Nkomo, líder da União Africana Popular do Zimbábue (ZAPU, na sigla em inglês), foi nomeado ministro do Interior em seu primeiro Governo. Em fevereiro de 1982, Nkomo foi acusado de estar por trás de um golpe e foi destituído. A luta entre facções fez milhares de mortes no país. Cinco anos depois, Mugabe reformou a Constituição e instaurou um regime presidencialista do qual foi seu maior expoente até esta quarta-feira.

3. Hiperinflação e terra

Se algo se sabe fora do deprimido país africano, além das luxuosas festas de aniversário do presidente e sua esposa, Grace Mugabe, é a capacidade de emitir notas de até 100 bilhões de dólares zimbabuanos. Aconteceu durante os piores anos de hiperinflação (79.600.000.000%, em novembro de 2008). A famosa reforma agrária, levada ao extremo a partir do ano 2000, tomou grandes parcelas cultiváveis de fazendeiros brancos para serem geridas por locais. Estima-se que entre 4.000 e 4.500 fazendeiros brancos perderam suas terras para veteranos de guerra ou partidários do Governo. Como resultado, uma economia pouco operacional, com um setor agrícola pouco competente, uma queda na produção e nas exportações, um aumento notável do desemprego, dos subsídios estatais e, finalmente, dos preços.

Em 2007, para frear a escalada dos preços, o Governo permitiu que os cidadãos usassem o dólar norte-americano, o euro e a moeda sul-africana (rand). Uma década depois, de acordo com o professor Steve Hanke, da Universidade Johns Hopkins, o Zimbábue está novamente diante da hiperinflação, ou seja, com uma taxa superior a 50% ao mês.

4. Oposição e contestação em alta

Exatamente nesta semana retornará ao país o grande líder da oposição da última década, Morgan Tsvangirai, do Movimento pela Mudança Democrática (MDC, na sigla em inglês), depois de passar dois meses na vizinha África do Sul para tratar de um câncer de cólon. Tsvangirai conseguiu derrotar Mugabe no primeiro turno das eleições realizadas em março de 2008. Mas a violência contra seus partidários nas ruas fez com que o líder da oposição não participasse do segundo turno. Tentou novamente cinco anos depois, em agosto de 2013. Obteve 34% dos votos, contra 61% de Mugabe. O candidato do MDC denunciou uma “enorme farsa” eleitoral.

Seja como for, a oposição ao incontestável Mugabe vem crescendo No ano passado, o MDC reuniu na capital, Harare, cerca de 2.000 pessoas para protestar contra o Governo, uma concentração sem precedentes no país.

5. A corrida para a sucessão do presidente

No dia 5 de setembro, a agência Reuters publicou que havia uma trama em estado adiantado para implementar reformas depois da saída de Mugabe. Entre os homens destacados, como dizia a informação exclusiva da Reuters, estava o até poucas horas atrás ex-vice-presidente Mnangagwa, que junto com outros líderes estaria elaborando um novo projeto para o país. Entre as novidades, uma possível aliança com o oposicionista Tsvangirai e a devolução de terras aos brancos para sua reabilitação. Dois meses depois dessa publicação, Mnangagwa foi destituído por Mugabe. Entre as aparentes ameaças de morte, aquele que foi o número dois do Governo deixou o país. Agora, de acordo com a informação revelada pelo ZANU-PF, Mnangagwa, um herói de guerra com bom relacionamento com militares e veteranos da independência, seria o homem que dirigiria interinamente os destinos do país.

A destituição do presidente aconteceu um dia depois que a mulher de Mugabe, Grace Mugabe, de 52 anos, o exortou a deixar seu cargo pelo bem da “unidade”. Grace Mugabe, também dirigente do ZANU-PF – sobre a qual se chegou a publicar que esbofeteia o marido em público – foi uma das apontadas nos últimos anos, à medida que a idade do presidente avança, para uma possível sucessão. Grace Mugabe é considerada a chefe do G40, um grupo de políticos próximos do casal presidencial. Na quarta-feira, o Exército prendeu vários ministros vinculados a esse grupo.

https://brasil.elpais.com/brasil/2017/11/16/internacional/1510823224_224595.html

Mnangagwa, ex vice presidente, poderá tomar controle do governo do Zimbabwe

Harare – O destituído antigo vice-presidente do Zimbabwe, Emmerson Mnangagwa, encontra-se desde quarta-feira na base da força aérea zimbabweana de Manyame, arredores de Harare, a capital, para tomar o controle do governo deste país da região austral da África, onde a situação continua incerta.

ANTIGO VICE-PRESIDENTE DO ZIMBABWE, EMMERSON MNANGAGWA, PODE TOMAR CONTROLO DO PODER

FOTO: ALBERTO JULIÃO

A Agência Noticiosa Africana (ANA) refere que informações não confirmadas dizem que o Presidente zimbabweano, Robert Mugabe, sua mulher, Grace Mugabe, e outros membros do governo estão sob prisão domiciliária.

Mnangagwa, também conhecido pela alcunha “O Crocodilo”, foi demitido, semana passada, na sequência de uma luta pela liderança na Zanu-PF, partido no poder, como parte da sucessão do Presidente Mugabe.

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Veterano da luta pela independência, Mnangagwa fugiu para a África do Sul depois de ameaças de morte.

Mnangagwa

O Exército tomou o controlo da televisão estatal e declarou que estava numa operação direccionada contra “criminosos” a volta de Mugabe, mas que ele (Presidente) e sua família estavam num lugar seguro.

O major-general S.B. Moyo, chefe da Logística do exército, explicou que a acção dos militares não era um golpe de Estado.

O comandante das Forças de Defesa do Zimbabwe, o General Constantino Chiwenga, advertiu segunda-feira que o Exército iria tomar “acção drástica” se facções na Zanu-PF continuassem a remover membros com passado no Exército.

A Zanu-PF emitiu um comunicado no qual descreveu os comentários de Chiwanga de traição.

A declaração de Chiwenga ocorreu depois da facção da Zanu-PF “G40”, que apoia Grace Mugabe para a sucessão, prometer demitir todos os aliados considerados apoiantes da facção “Lacoste”, que é simpática a Mnangagwa.

Entretanto, o presidente da Liga Juvenil da Zanu-PF, Kudzai Chipanga, pediu desculpas ao Exército pela sua declaração hostil contra o General Chiwenga.

Fontes próximas das forças armadas dizem que Robert Mugabe não está a cooperar para renunciar à liderança, abrindo assim caminho para um governo inclusivo no país.

As principais artérias de Harare foram encerradas pelo Exército e a cidade está mais calma do que quarta-feira.

http://www.angop.ao/angola/pt_pt/noticias/africa/2017/10/46/Zimbabwe-Mnangagwa-podera-tomar-controlo-governo-pais,cbe209fc-87a4-40e5-aa68-1a4a87790797.html

Republica Democrática do Congo vive gravíssima situação de insegurança alimentar

A Segurança Alimentar da te

congo

Responsável do Programa Alimentar Mundial alerta que é imperativo que a ajuda chegue rapidamente ao terreno.

O Iémen, a Somália, o Sudão do Sul e a Nigéria são os países mais afectados pela fome

Num país já marcado por confrontos e instabilidade política, a República Democrática do Congo vê-se perante uma nova crise: existem mais de três milhões de pessoas no país (incluindo milhares de crianças) em risco de morrerem à fome, segundo disse à BBC o director do Programa Alimentar Mundial (PAM) das Nações Unidas, David Beasley. “Precisamos de ajuda, e precisamos dela agora”, alertou o representante.

Estamos a falar de centenas de milhares de crianças que morrerão nos próximos meses, se não arranjarmos, em primeiro lugar, financiamento; em segundo, comida; e, em terceiro, acesso aos locais”, acrescentou, em declarações à BBC. Para já, diz Beasley, só têm 1% dos fundos que precisam e a chegada da ajuda ao terreno pode complicar-se com o início da época de chuvas. “Nem consigo imaginar o quão horrível será” se se esperar mais algumas semanas até receber os fundos, confessou.

Segundo dados do Programa Alimentar Mundial (PAM) morreram 5,4 milhões de pessoas entre os anos de 1998 e 2007 na sequência de guerras e conflitos no país – não só em consequência directa mas também por fome e doenças que poderiam ser tratadas ou evitadas. Mais de um milhão e meio de pessoas tiveram de abandonar as suas casas para fugir à violência.

Subdivisões_da_República_Democrática_do_Congo

Num cenário que considera desastroso, o representante das Nações Unidas conta que viu na região de Kasai, no epicentro dos problemas, um cenário de destruição: casas queimadas e crianças seriamente desnutridas e perturbadas. A República Democrática do Congo é uma das nações com a taxa mais elevada de mortalidade infantil. Além disso, 8% das crianças com menos de cinco anos sofrem de subnutrição crónica e 43% sofrem de subnutrição e revelam atrasos no crescimento. Situado no Centro de África, este é o segundo maior país do continente e tem uma população de 72,7 milhões de habitantes, sendo que 63% deles vivem abaixo do limiar de pobreza.

O representante das Nações Unidas também foi partilhando relatos da sua viagem pela República do Congo no Twitter. “Visitei hoje a vila de Nyanzale na República Democrática do Congo – ouvi tantos pedidos para acabar os conflitos que impulsionam a fome”, lê-se num deles. “Não me deito a pensar nas crianças que alimentámos hoje. Deito-me a chorar por todas aquelas que não alimentámos”, escreveu ainda.

congo

E o cenário repete-se por outros países. No site do PAM das Nações Unidas, lê-se que 20 milhões de pessoas estão em risco de morrer de fome por todo o mundo e que, se não for prestada assistência, cerca de 600 mil crianças podem vir a morrer nos próximos meses. O Iémen, a Somália, o Sudão do Sul e a Nigéria são os países mais afectados.

Ainda que a situação tenha acalmado nos últimos meses, a República Democrática do Congo está a ser assolada por uma onda de violência desde a crise política de Dezembro, quando o Presidente Joseph Kabila recusou abandonar o poder no final do mandato – e recusa marcar novas eleições apesar de o seu terceiro mandato (que deveria ser também o último, segundo a Constituição) já ter expirado há nove meses. Na altura, o director-executivo da Human Rights Watch, Kenneth Roth, alertava que havia “um sério risco” que o Congo pudesse “mergulhar na violência generalizada e no caos nos próximos dias, com repercussões potencialmente voláteis em toda a região”.

Em Março deste ano, a milícia rebelde Kamuina Nsapu capturou e decapitou cerca de 40 agentes da polícia, na província de Kasai. Ainda em Março, os corpos de dois funcionários das Nações Unidas que estavam desaparecidos foram encontrados na região. Os dois funcionários – um norte-americano de 34 anos e uma sueca de 36 anos, assim como um intérprete de nacionalidade congolesa – estavam a investigar crimes e violações dos direitos humanos no país. No início deste mês, morreram cerca de 30 pessoas (a maioria civis) numa emboscada no Noroeste do país.

 

https://www.publico.pt/2017/10/29/mundo/noticia/precisamos-de-ajuda-e-precisamos-dela-agora-o-apelo-para-os-milhoes-que-podem-morrer-de-fome-1790724

Angola pede que se levante as sanções impostas contra o Governo da República Democrática

O ministro das Relações Exteriores, Georges Chikoti, apelou à União Europeia a levantar as sanções unilateralmente impostas contra o Governo da República Democrática (RDC) do Congo e outras entidades daquele país.

Ministro das Relações Exteriores regressou ontem de Pretória
Fotografia: Mota Ambrósio | Edições Novembro

Em declarações à imprensa, em Pretória (África do Sul), onde participou na 37ª Cimeira dos Chefes de Estado e de Governo da SADC, em representação do Presidente José Eduardo dos Santos, Georges Chikoti considerou importante a organização regional apoiar o Governo da RDC na busca de uma solução pacífica e dialogada entre todos os congoleses, para o fim da crise politica e militar e a realização das eleições gerais. “Torna-se por isso pertinente que o Órgão da SADC (órgão de política, defesa e segurança) assuma o papel proactivo na sensibilização da comunidade internacional e todos os interessados para apoiar a implementação do acordo político de 31 de Dezembro de 2016”, salientou.
O ministro apontou igualmente como preocupação os desafios de segurança no Lesoto e a permanência dos focos de insegurança no leste da RDC.

“Provavelmente, Moçambique já passou o pior desta crise”

maputo_08“Provavelmente, o país já passou o pior desta crise”, afirmou o economista-chefe do Standard Bank em Moçambique, Fáusio Mussá, em declarações aos jornalistas, à margem de uma conferência económica promovida pela instituição.

Fáusio Mussá afirmou que o metical registou uma valorização de 15% em relação ao dólar, nos últimos seis meses, e um dólar custa agora 60 meticais.

“A nossa convicção é de que no próximo ano vamos ter uma inflação a um dígito, este ano a nossa expectativa mais ajustada está em torno dos 14%, mas com uma média ainda elevada, em torno dos 18%”, declarou Fáusio Mussá.

O atual comportamento dos indicadores de conjuntura, nomeadamente a aceleração do Produto Interno Bruto (PIB), redução da inflação e estabilidade da moeda colocam Moçambique na rota da recuperação, afirmou Fáusio Mussá.

Fáusio Mussá apontou igualmente a decisão do consórcio liderado pela multinacional italiana ENI de avançar com o projeto de construção da plataforma flutuante de produção de gás natural liquefeito, na bacia do Rovuma, norte de Moçambique, como sinal de que o país está a recuperar a confiança dos investidores internacionais.

“Tudo indica que os investidores continuam a olhar para Moçambique como um mercado potencial e com grande apetite para continuar a investir”, afirmou o economista-chefe do Standard Bank.

Por outro lado, prosseguiu, as autoridades têm estado empenhadas na criação de condições que permitam a sustentabilidade do serviço da dívida, através da restruturação dos encargos do país com o exterior.

“Penso que o país está a reunir condições para criar confiança, para que possa restruturar estas dívidas e que possa ser possível ao longo de um período de tempo fazer o serviço de dívida sem comprometer a estabilidade macroeconómica”, referiu Fáusio Mussá.

Na apresentação que fez durante a conferência, o economista-chefe do Standard Bank em Moçambique alertou para o risco de as perspetivas económicas de Moçambique estarem ancoradas na evolução positiva do setor dos recursos naturais, assinalando que qualquer recuo neste domínio pode comprometer a saída do país da crise.

“O grande risco que o país corre é de termos grande parte da expectativa de aceleração do crescimento focada nos projetos do gás natural. Se houver um atraso no arranque destes projetos, significa que, provavelmente, vamos viver períodos difíceis por mais tempo”, afirmou Fáusio Mussá.

Moçambique registou no ano passado o crescimento econômico mais baixo das últimas décadas, inferior a 4%, e uma inflação anual de cerca de 30%, devido ao efeito combinado da queda do preço das matérias-primas, tensão militar, calamidades naturais e uma espiral da dívida agravada pela descoberta de empréstimos avalizados secretamente pelo Governo, entre 2013 e 2014.

 

Fonte:http://www.dn.pt/lusa/interior/standard-bank-acredita-que-mocambique-tenha-ultrapassado-o-pior-da-crise-8612491.html

Igreja católica denuncia violência na Rep. Democrática do Congo

A violência envolvendo milícias, soldados e policiais em Kasai provocou o deslocamento de 1,3 milhões de pessoas

Kinshasa  (RV) –  Três mil pessoas foram mortas desde outubro de 2016 em Kasaï, na onda de violência que sacudiu esta região central da República Democrática do Congo, de acordo com um relatório da Nunciatura Apostólica na RDC.O documento da Nunciatura fala de 3.383 “mortes assinaladas” desde outubro em Kasai, enquanto a ONU estima o número de mortos em “mais de 400.”

No texto é apresentado um “resumo dos danos sofridos pelas instituições eclesiásticas” com base em “relatórios eclesiásticos divulgados a partir de 13 de outubro de 2016 – data do primeiro ataque a uma paróquia -“, acrescentando que os dados “não são exaustivos “.

De acordo com a nota datada de 19 de junho, várias estruturas eclesiásticas foram danificadas ou fechadas, incluindo 60 paróquias, 34 casas religiosas, 31 centros de saúde católicos, 141 escolas católicas e 5 seminários. Um bispado foi destruído.

A Nunciatura também afirma que 20 aldeias foram “completamente destruídas”, incluindo “10 pelo FARDC (exército congolês), 4 por milicianos e 6 por agressores desconhecidos”.

Também são mencionadas 30 valas comuns. A ONU, por sua vez, fala  de 42 valas comuns.

Desde setembro de 2016, a região de Kasai, no centro de RDC, é sacudida  pela rebelião de Kamwina Nsapu, tradicional líder, morto em agosto passado em uma operação militar depois de ter se rebelado contra o governo de Kinshasa.

A violência envolvendo milícias, soldados e policiais em Kasai provocou o deslocamento de 1,3 milhões de pessoas.

Dois especialistas da ONU, enviados pelo Secretário-Geral para investigar a violência, foram mortos em março.

A ONU acusa os rebeldes Kamwina Nsapu de alistar crianças-soldados e cometer atrocidades, ao mesmo tempo em que denuncia o uso desproporcional da força por parte do exército congolês.

http://br.radiovaticana.va/news/2017/06/21/nunciatura_denuncia_mais_de_3_mil_mortos_na_rdc/1320577

Crise entre o Djibuti e a Eritreia por disputa territorial na fronteira

djibuti

Eleazar Van-Dúnem |

 

O agravar da tensão entre o Djibuti e a Eritreia com o ressurgimento de uma disputa territorial na fronteira comum dos dois países na sequência da retirada de soldados do Qatar, analisado ontem em debate no Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU), é a mais recente consequência da crise diplomática que assola a região do Golfo Pérsico.

União Africana decidiu enviar uma missão à fronteira entre o Djibuti e a Eritreia após “estreitas consultas” com as autoridades dos dois países
Fotografia: Mota Ambrósio | Edições Novembro

O ministro dos Negócios Estrangeiros do Djibuti, Mahmoud Al Youssouf, acusou sexta-feira Asmara de “colocar as suas forças” na região de Doumeira, junto ao mar Vermelho, disputada pelos dois países. “O Djibuti é um país pacífico e damos prioridade às soluções pacíficas. Mas se a Eritreia insistir na procura de soluções militares, o Djibuti está pronto”, disse Al Youssouf em conferência de imprensa.
A Eritreia não reagiu publicamente às declarações do governante do Djibuti. Num comunicado divulgado sábado, o presidente da comissão da União Africana, Moussa Faki Mahamat, apelou à calma e contenção do Djibuti e da Eritreia, depois de o primeiro acusar o segundo de aproveitar a saída das forças do Qatar para ocupar parte do território reivindicado pelos dois Estados na fronteira e apresentar uma queixa formal à Comissão da organização continental.
“A Comissão da União Africana, após estreitas consultas com as autoridades do Djibuti e da Eritreia, decidiu enviar uma missão à fronteira entre os dois países para verificar os factos”, é referido no documento, que acrescenta que “o presidente da Comissão está ao dispor do Djibuti e da Eritreia para ajudar a normalizar as relações bilaterais e a promover a boa vizinhança”.  Também no sábado, o porta-voz da ONU, Stephane Dujarric, confirmou que a organização recebeu documentos do Djibuti e da Eritreia e garantiu que a Organização das Nações Unidas está a analisar a questão, que considerou “um exemplo das repercussões” da disputa entre o Qatar e a Arábia Saudita.
O Conselho de Segurança das Nações Unidas debateu ontem a situação à porta fechada.
A retirada dos militares, anunciada na semana passada pelo Qatar, ocorre na sequência da crise entre o pequeno emirado do Golfo e a Arábia Saudita e aliados, que acusam Doha de apoiar o terrorismo islâmico.  O Qatar, que rejeita estas acusações, não especificou o número de soldados que integram a sua força de observação implantada na fronteira entre a Eritreia e o Djibuti em 2010.
Apesar de o Djibuti e a Eritreia terem boas relações com a Arábia Saudita e os seus aliados dos Emiratos Árabes Unidos e ficarem ao lado de Riade no conflito com o Qatar, mantêm relações muito distintas com as potências estrangeiras.  O Djibuti alberga bases militares francesas e norte-americanas e a China também está a construir a sua base no pequeno território africano. Actualmente, a Eritreia é considerada um Estado desgovernado. Por outro lado, o porto do Djibuti escoa importações e exportações da Etiópia, inimigo regional da Eritreia.
As relações entre os dois países da região do Corno de África agravaram-se em 2008, com confrontos entre as forças armadas dos dois países na Doumeira, território não demarcado no Mar Vermelho.
Em 2010, os dois Estados assinaram um acordo sob os auspícios do Qatar com vista a negociações para resolver a disputa territorial. O Qatar enviou soldados para a área em questão, na sequência de um acordo final entre Djibuti e Asmara.
Depois da Arábia Saudita, os  Emiratos Árabes Unidos, o Bahrein, o Egipto, o Iémen e parte da Líbia romperem relações diplomáticas com o Qatar, por considerarem este último “apoiante de grupos terroristas”.
O Senegal foi o primeiro país da África Subsaariana a fazê-lo, antes de o Chade e a Mauritânia, e por último o Níger. A Somália adoptou uma posição neutra.
As posições destes países africanos, que escolheram apoiar um dos lados ou abster-se do conflito na perspectiva de maximizarem os seus benefícios e eventuais perdas, têm o potencial de dividir o já pouco unido continente africano.
Para evitar males maiores no continente, Alpha Condé, o presidente da Guiné Conacri e em exercício da União Africana, já manifestou publicamente disponibilidade para mediar e procurar, nesta qualidade, “uma solução rápida e pacífica” para a crise diplomática entre o Qatar e os países vizinhos.

http://jornaldeangola.sapo.ao/mundo/tensao_entre_djibuti_e_eritreia_com_a_saida_de_soldados_do_qatar

MPLA lamenta que sucessos da paz na RDCongo sejam sacrificados

O MPLA, partido no poder em Angola, lamentou hoje, em Luanda, que alguns sucessos alcançados na conquista da paz para a República Democrática do Congo (RDCongo) estão agora a ser “sacrificados”, com o atual conflito armado naquele país.

A preocupação foi realçada pelo secretário-geral do Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA), António Paulo Cassoma, no discurso de abertura do encontro que junta na capital angolana os seus homólogos dos antigos movimentos de libertação nacional da África austral, de Moçambique, África do Sul, Namíbia, Zimbabué e Tanzânia.

António Paulo Cassoma referiu que a reunião acontece num contexto regional marcado por alguns focos de tensão, augurando que os sinais de entendimento e de paz em Moçambique “sejam consolidados”, igualmente desejando “o resgate da estabilidade política na África do Sul”.band

Relativamente à RDCongo, o dirigente do MPLA disse que Angola assiste com “grande preocupação ao recrudescimento de um conflito militar, que ao longo dos anos já provocou a perda de milhares de vidas humanas e obrigou que alguns dos seus cidadãos se colocassem na condição de refugiados que abandonam as suas zonas de origem para os países vizinhos em defesa das suas vidas”.

O político frisou que o território angolano tem sido recetor de milhares de refugiados em busca de paz e proteção das suas vidas, salientando que com o apoio de agências especializadas das Nações Unidas, o Estado angolano tem prestado “um abrigo e condições mínimas para a sua subsistência”.

“A paz para a nossa sub-região continuará a estar no centro das nossas agendas e é neste sentido que se dirigem os esforços do Presidente José Eduardo dos Santos, na sua qualidade de presidente da Conferência Internacional para a Região dos Grandes Lagos”, referiu.

Lamentou que “alguns sucessos alcançados neste âmbito no passado, estão a ser sacrificados por força desses conflitos que assentam numa base étnica e tribal”.

“O nosso Presidente, o presidente do MPLA e da República, está determinado em prosseguir com os esforços coletivos, em coordenação com os demais chefes de Estado da sub-região, para que se alcance a paz duradoura que o povo congolês e de outros povos da sub-região que dela necessitam e merecem”, disse.

Participam do encontro os secretários-gerais da FRELIMO (Moçambique), do ANC (África do Sul), da SWAPO (Namíbia), da ZANU-PF (Zimbabué) e da Chama Cha Mapinduzi (Tanzânia).

Como convidados ao encontro esteve presente uma delegação do Partido Comunista Chinês, a qual António Paulo Cassoma manifestou o apreço pela cooperação e solidariedade que os Antigos Movimentos de Libertação da África Austral têm recebido

http://www.dn.pt/lusa/interior/mpla-lamenta-que-sucessos-da-paz-na-rdcongo-sejam-sacrificados-8486778.html

A crise em Moçambique continua, mas já foi pior

O cenário de curto prazo para a economia moçambicana “melhorou claramente”, avalia o departamento de pesquisa econômica e financeira do Banco BPI. Mas o país ainda enfrenta dificuldades como o acesso ao financiamento.

defaultA apreciação do metical, no final de 2016, foi uma das notícias positivas para o país

“O cenário de curto prazo para a economia de Moçambique melhorou claramente e o ponto mais baixo do ciclo já deve ter passado; no entanto, o cenário ainda é constrangido por vários riscos e é condicionado pela ocorrência de vários eventos”, lê-se numa nota de análise, citada pela agência de notícias Lusa

Os analistas do Banco Português de Investimento (BPI) salientam que, dos contatos que mantiveram recentemente em Maputo, os intervenientes salientaram “certas fraquezas da economia”, destacando “o débil sistema judicial, a elevada burocracia do Estado, as fracas infraestruturas e uma população com poucas qualificações”.

Mosambik junge Menschen HandelCrise continua a afetar o bolso dos moçambicanos

A estes fatores estruturais, escrevem os analistas, “juntam-se as debilidades atuais da economia”, que enfrenta “dificuldades de acesso ao financiamento, quer por via das taxas de juro elevadas, quer pelas condições exigentes na concessão de crédito, os problemas de liquidez do Estado e falta de confiança por parte dos parceiros internacionais”.

No final do ano, as notícias foram positivas para o país, designadamente “a retoma das exportações de carvão por parte da Vale e a apreciação do metical, decorrente também de medidas de política monetária fortemente restritivas”, mas para este ano as taxas de crescimento devem manter-se em níveis historicamente baixos.

Desafios para 2017

“Para este ano, apesar da expectativa de alguma retoma da atividade econômicas, não é esperado que se volte a assistir a taxas de crescimento substanciais como as verificadas no passado, embora a trajetória deva ser positiva”, escrevem os analistas do BPI no rescaldo da visita ao país.

Os desafios para este ano, apontam, passam pela “negociação com os credores para a reestruturação da dívida e acordo com o FMI para um novo programa, retirada gradual dos subsídios aos combustíveis, confirmação da atenuação/suspensão das tensões político-militares, evolução dos preços das matérias-primas nos mercados internacionais, manutenção de um cenário de restrições de liquidez no aparelho estatal e as decisões finais de investimento dos projetos de gás natural”.

Mosambik KraftstoffmangelA retirada gradual dos subsídios aos combustíveis é um dos desafios em Moçambique

Para os analistas do BPI que seguem a economia moçambicana, o modelo de assistência financeira dos doadores internacionais deverá mudar, focando-se menos no financiamento e mais em projetos concretos. “Não parece possível que os doadores voltem a conceder os donativos da mesma forma que faziam anteriormente; deverão antes aplicar diretamente a projetos, garantindo também uma melhor monitorização; nasce, assim, a necessidade do Governo desenvolver estratégias para alargar a sua base tributável e fazer face às suas despesas de funcionamento e às despesas essenciais para que se registem processos no desenvolvimento econômico”, explicam..

As perspetivas de médio e longo prazo, no entanto, “continuam favoráveis”, essencialmente devido à dinâmica renovada dos megaprojetos na área dos recursos naturais, e a situação político-militar “está aparentemente mais pacificada, permitindo a retoma da circulação normal de bens e pessoas”.

Consequências

A crise do ano passado deixa, no entanto, consequências: “no caso do Governo, será exigido que operem com menos recursos, promovendo a sua utilização de forma mais eficiente; que promovam medidas de alargamento da base tributável, medidas de combate à informalidade da economia e promoção de outros setores da economia (diversificação econômica e criação de emprego)”.

Para os privados, “é esperado que as empresas que sobreviverem a esta crise fiquem mais robustas no futuro, através da diminuição de custos, melhoria do ‘governance’ e ponderando melhor as suas apostas de negócio”.

Por último, “no caso do setor financeiro, é expectável uma gestão de tesouraria mais cautelosa, mais controle nos custos e melhor avaliação do risco na concessão de crédito”. A crise, concluem, deverá “ser vista como uma janela de oportunidades, potenciando um crescimento mais sustentado e gerador de bem-estar para a população”.

O Observatório

Este observatório é uma iniciativa do Grupo de Estudos Africanos vinculado ao Instituto de Relações Internacionais da Universidade de Brasília (GEA/IREL-UnB), que busca refletir sobre a vida política, social e econômica da África contemporânea, com destaque para sua inserção internacional. Preocupando-se com o continente marcado pela diversidade, o Grupo de Estudos Africanos, por meio do Observatório, propõe um olhar crítico e compreensivo sobre temas africanos, em suas mais diversas dimensões.