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Cabo Verde dá lições importantes sobre como cooperar com os africanos

Luísa Rogério |Cidade da Praia

Ao ler a entrevista do Primeiro Ministro de Cabo Verde,nós brasileiros recebemos uma lição de como cooperar com os africanos. Uma disponibilidade aberta a receber do outro um entendimento que os paises tem a ganhar em uma negociação.

Um livro aberto, que comporta desde envio de professores até a utilização de tecnologia de informação. Uma atitude receptiva paa atrair novos investidores, para ser uma plataforma para a África ocidental.

Olhar para Cabo Verde, para nós brasileiros, que estamos a 4 horas desse país, é cada vez mais importane e estratégico. A seguir há uma entrevista com o Primeiro- Ministro que deve ser lida e refletida.

O Primeiro-Ministro de Cabo Verde, José Ulisses Correia e Silva, está em Angola desde sábado para uma visita oficial. A realização de encontros bilaterais ao mais alto nível com individualidades angolanas, reuniões com empresários e visita à comunidade cabo-verdiana residente no país são os pontos altos da primeira visita de Ulisses Correia efectua, enquanto Primeiro-Ministro, a um país africano. Em entrevista concedida ao Jornal de Angola na cidade da Praia, poucos dias antes de se deslocar à Angola, o Chefe do Governo de Cabo Verde ressaltou a importância
de promover o reforço das relações bilaterais, comerciais e do diálogo político com vista ao desenvolvimento de mecanismos eficazes de cooperação que sustentem uma almejada parceria estratégica diversificada.  Ulisses Correia não avança receitas para o aprofundamento dos laços históricos entre os dois Estados, razão pela qual diz viajar com um “livro aberto”. A inserção de Cabo Verde na sub-região africana em que está inserido, a visão estratégica sobre a CPLP e outras notas dominantes do seu Programa de Governo, com ampla repercussão na política externa do arquipélago insular situado num ponto de extrema relevância geopolítica, constituem igualmente pontos altos da entrevista.

Fotografia: Dombele Bernardo | Edições NovembroQue significado atribui a esta primeira visita que efectua a Angola na condição de Primeiro-Ministro de Cabo Verde? 
Ulisses Correia e Silva – Temos uma grande expectativa, posso dizer que é o primeiro país africano que visitamos enquanto Primeiro-Ministro. Tem significado no propósito de estabelecermos com Angola uma parceria estratégica forte. Quando digo parceria estratégica, é mais do que um quadro de cooperação. É a nível do diálogo político, das relações institucionais e também da cooperação empresarial e para o investimento. São áreas que nos interessam particularmente. Nesta primeira visita, vamos essencialmente abrir perspectivas políticas para depois podermos concretizar essas várias vertentes, reforçando as nossas relações com Angola.

De um modo geral,que enquadramento faz das relações entre Angola e Cabo Verde? 
São boas e antigas, baseadas em laços de história e de cultura. Nós temos uma comunidade emigrada importante em Angola. O que pretendemos é aquilo que normalmente são ambições também dos governos, dar um salto mais qualitativo e de intensidade dessas relações tendo em conta que Angola é importante em África e na comunidade do países de língua portuguesa. Cabo Verde tem interesse em reforçar essas relações.

Em que eixos consiste a cooperação entre os dois países? 
Neste momento, temos investimentos angolanos. É preciso lembrar que no sector financeiro, temos o BAI, no domínio das telecomunicações, a UNITEL e no sector dos combustíveis, a SONANGOL que tem uma participação na ENACOL que já vem da década de noventa. Há investidores angolanos no sector do turismo. Esse é um dos campos que queremos desenvolver, quer dizer, atrair investimentos angolanos para Cabo Verde no sentido de aproveitar as oportunidades aqui existentes e juntos podermos operacionalizar aquilo que Cabo Verde definiu como uma das grandes prioridades. Nós funcionamos como uma plataforma de relação com a África Ocidental. Desde a plataforma aérea à da economia digital, investimentos e o comércio. Cabo Verde, por ser um país estável, previsível e com uma boa localização pode, através dessa relação com investidores, empresários angolanos e também com o Governo ambicionar uma relação mais forte com a África Ocidental. Pretendemos juntar a estabilidade mais o capital e vontade política para termos uma relação de aumento das trocas comerciais e de investimentos inter-africano. Quanto digo inter-africano estou a falar da nossa região, a África ocidental.

Já se pode falar com mais precisão de investimentos de Cabo Verde em Angola? 
Tem havido algumas iniciativas,, como no sector da construção civil. Mas, é algo que se pode perspectivar, tendo em conta que o empresariado cabo-verdiano em determinados sectores pode ter algum potencial de entrada. Estou a falar, por exemplo, de tecnologias de informação e comunicação, e de economia digital, onde temos empresas a posicionarem-se e muitos jovens com talento. É umas áreas em que podemos abrir espaço para empresários cabo-verdianos em Angola.

Tendo em conta as valências de Cabo Verde e a sua localização estratégica, que tipo de serviços o país está em condições de exportar para Angola? 
Nós queremos e temos estado a desenvolver um quadro da parceria institucional, o que pressupõe considerar não só o que Cabo quer e deseja, mas também o que Angola quer e deseja. Estou a dizer que vamos para esta missão com um livro aberto. Não vamos com receitas pré-definidas. Vamos com temas, mas vamos com abertura para casar os interesses. Saber do lado angolano em que podemos ser úteis, e do lado cabo-verdiano em que domínios Angola pode ser útil, no quadro de uma cooperação institucional, creio que pode ser interessante. Estou a falar do reforço institucional no domínio da descentralização, sei que é uma ambição do governo angolano. Cabo Verde tem uma experiencia interessante que podemos partilhar. No Sector da educação temos toda abertura para explorar áreas de cooperação e no domínio empresarial há uma vertente forte para explorar.

Há algum tempo foi ventilada a possibilidade de Cabo Verde enviar professores para Angola ao abrigo da cooperação no sector da educação. Há algo de concreto em relação à matéria? 
Aventou-se essa possibilidade, mas não há ainda nada em concreto. São matérias que podem ser discutidas em Angola, como eu disse, sempre no sentido de conciliarmos aquilo que de facto o Governo de Angola e o de Cabo Verde consideram importante para reforçar a parceria.

O  Núcleo Operacional da Sociedade de Informação (NOSI) trata-se de um mecanismo através do qual Cabo Verde acumulou experiência em países africanos como a Guiné-Bissau, Moçambique e Guiné Equatorial. Até que ponto essa experiencia pode ser também implementada em Angola? 
Cabo verde está bem cotada em África a nível das tecnologias de informação. Estamos nos quatro primeiros lugares. Há uma experiência que já vem de mais de duas décadas relativamente ao desenvolvimento do NOSI. Hoje, temos competências instaladas e experiências no desenvolvimento de aplicações de tecnologias, nomeadamente no E-GOV IGOCBA?, que visa utilizar a tecnologia para permitir a maior eficiência de todos departamentos governamentais, desde o sector das finanças, fiscalidade, saúde, educação e tudo que tem a ver com a administração do Estado. Foi assim que o NOSI nasceu, uma experiência que pode ser partilhada. Temos todo interesse em fazer uma forte parceria nessa área.

Cabo Verde tem sido referência de boa governação e de conquistas que lhe permitem estar bem cotada no índice mundial de desenvolvimento humano. Existe alguma receita para se tornar um caso de sucesso de África? 
Receitas não há. Cada país é um país, tem as suas condições sociais, culturais e institucionais. O que existe, e nós partilhamos, são os valores, experiências universais e as boas práticas. Depois, há a realidades concreta dos países. No caso de Cabo Verde entendemos que um dos factores fundamentais para o nosso desenvolvimento é a estabilidade económica, social e política, baixos riscos e um nível de democracia elevado que colocam este país em condições de ter um papel relevante na economia mundial e no concerto das nações. Por isso é que não nos baseamos em outros recursos que não sejam esses, a estabilidade e a qualificação dos recursos humanos. Pensamos que são matérias sobre as quais qualquer país se deve debruçar. Hoje não se faz desenvolvimento e crescimento apenas na base dos recursos naturais e minerais, esses são apenas instrumentos para os transformarmos em educação, saúde, em bem estar e rendimento.
O fundamental são as relações de confiança que as economias e os países criam para os seus cidadãos, investidores e para as relações com outras nações. É fundamental criar instrumentos de progresso. A inovação, a tecnologia, a ciência, a alta qualificação dos recursos humanos é de facto a base para essencial para conseguirmos o progresso e desenvolvimento. É sobre esses factores que este pequeno país trabalha, fazendo com que os activos sejam mais qualificados.

O turismo representa cerca de 20 por cento do Produto Interno Bruto de Cabo Verde. Qual o peso daquela percentagem na economia do país?  
Na verdade é relevante, estamos a falar de 20 por cento e vai aumentar. Já recebemos cerca de 700 mil turistas por ano e, pensamos atingir um milhão até 2021. O turismo é o sector que gera mais emprego e maior rendimento na economia pelo facto de também potencializar duas coisas: os naturais, a natureza, sol, praia, diversidade das ilhas e a sua localização. A estabilidade faz com que os turistas cheguem a Cabo Verde com sossego e tranquilidade. Evidente que não pretendemos desenvolver a economia só na base do turismo. Isso tem riscos, por isso queremos diversificar o próprio turismo para não ficarmos apenas dependentes do sol e praia. Há o turismo da natureza, por exemplo, que se pode fazer em Santo Antão, no Fogo ou na Brava, o turismo balnear que é para ilhas do tipo Sal e Boavista. Pretendemos desenvolver a indústria, o sector da economia digital e as exportações via comércio. Temos que ter um conjunto de sectores a se desenvolver para não ficarmos presos ao turismo.
Com base no turismo criamos condições de desenvolvimento de outros sectores como a agro-indústria, as pescas e as indústrias criativas para oferta desse mercado. Portanto, é um conjunto de sectores que pode contribuir para atingir um mercado que está em crescimento. O nosso mercado hoje não é apenas o de 500 mil cabo-verdianos com um PIB per capita de quatro mil dólares. É de mais de um milhão, quer dizer os 500 mil mais o número anual de turistas. A tendência vai criar um mercado interessante, não só pela quantidade, mas também pela capacidade de imposto de consumo de qualidade. Queremos alargar esse mercado quando olhamos para os 300 milhões de consumidores da África Ocidental, na CEDEAO. Podemos ter aqui um potencial grande.

Olhando para a política externa, Cabo Verde assume em Junho  a presidência da CPLP. Qual é a visão do seu governo sobre a comunidade que alguns observadores consideram pouco mais do que um bloco de países que usa a mesma língua oficial? 
A CPLP deve ser muito mais, é a construção dos países que a integram. Temos o domínio da língua como importante porque justifica o facto de estarmos juntos e a História, mas a CPLP tem um potencial grande. Não é por acaso que outros países que não são de língua portuguesa estão a pedir adesão, estando hoje como observadores. Representamos um mercado de mais de 250 milhões de consumidores. Quando digo consumidores não me refiro só ao consumo, mas aà produção de arte, ciência, cultura, tecnologia e nível de desenvolvimento diferente que podemos partilhar. Vamos partir para a presidência com a missão de dar um contributo para termos o reforço do conceito de comunidade através de mobilidade, portanto a livre a circulação dos cidadãos no espaço da CPLP. A circulação não é só de pessoas. A possibilidade de fazer investimentos, turismo, ciência, tecnologia e inovação circula através das pessoas.
Um outro tema é referente a pessoas e oceanos porque estamos banhados pelo mar que traz uma perspectiva muito grande de desenvolvimento futuro em tudo, desde a energia à investigação, isto é comum para todos os países da CPLP. Sobre a cultura começamos a discutir a criação de um mercado comum de artes e cultura que dará a possibilidade de bens e serviços culturais circularem livremente no espaço da CPLP. No fundo, quebrar as barreiras aduaneiras e fiscais relativamente a circulação da produção de arte cultural na CPLP é uma experiência que queremos desenvolver durante a nossa presidência.

Por falar em comunidades, teria sentido reforçar as relações entre os PALOP criando uma entidade formal?     
Acho que devemos apostar na CPLP que já integra os países africanos de língua portuguesa, independentemente das relações bilaterais ou outras que possam existir entre os cinco. Devíamos potenciar mais a CPLP que é uma potência grande de desenvolvimento nos diversos domínios económicos e partilha de conhecimentos em áreas que fazem inovação na ciência, tecnologia e cultura. Temos um potencial grande a desenvolver.

Quer dizer que uma CPPLP forte acaba por ter repercussão entre os PALOP… 
Não tenho dúvidas sobre isso porque fazem parte da comunidade. Não são maioritários em população, porque só o Brasil já tem um peso grande, mas maioritários em termos de países, impulso e liderança dentro da CPLP.

O seu programa de governo é muito assertivo em relação à  integração na sub-região africana em que Cabo verde está inserida, à CEDEAO, e ao continente em geral. A nomeação de um ministro da integração pode ser interpretada como um sinal nessa direcção? 
Faz parte, é uma questão de colocarmos foco em matérias que têm a ver com a integração regional e termos maior domínio dos dossiers, quer políticos, quer técnicos e estarmos mais presentes. O ministro tem só essa incumbência delegada directamente pelo Primeiro- Ministro – porque é um ministro adjunto – para podermos ter um papel muito mais activo no seio da CEDEAO e defendermos Cabo Verde já que o nosso país tem especificidades na comunidade. Somos o único arquipelágico e insular. O nosso país é pequeno, com uma configuração diferente das economias do continente. Por isso temos todo interesse em estar presentes, vincar as nossas especificidades, contribuirmos e tirar proveito da nossa presença na CEDEAO.

Qual é o posicionamento actual de Cabo Verde no seio da CEDEAO, comunidade que alberga Nigéria, país detentor de uma das economias mais fortes do continente? Cabo Verde teve problemas, ou divergências, com a comunidade… 
Não houve problemas, nós estávamos a tentar firmar uma candidatura para a presidência da Comissão Executiva da CEDEAO. Segundo os Estatutos e critérios da rotatividade seria a vez de Cabo Verde. Outros critérios foram colocados pelo meio e o país não conseguiu a presidência. Esse é o único problema que temos a apontar. Quanto à nossa estratégia, é de facto assumir um papel de utilidade enquanto membro e de ter participação activa do ponto de vista institucional. Há um conjunto de matérias que vinculam a comunidade do ponto de vista económico onde há um potencial muito grande de desenvolvimento. As relações de comércio de Cabo Verde com a CEDEAO são a volta de 2 por cento. Aliás, o comércio intra-africano não passa de 13 por cento, valor muito baixo. Nós queremos contribuir e para Cabo Verde isso é relevante. Somos uma economia pequena que precisa de se integrar para podermos dar uma quota de contribuição para que esse nível de comércio e investimento entre países africanos aumente sem pôr em causa a sua abertura para o mundo exterior. É fundamental também que Africa consiga vender, transaccione para o resto do mundo e não produza apenas para dentro.

À luz do programa AGOA (Lei de Crescimento e Oportunidade para África) em vigor nos Estados Unidos da América, Cabo Verde pode exportar produtos para aquele país. A medida implica a reestruturação do mercado exportador do país? 
Sim, implica e já estamos a trabalhar nisso. Quer dizer que temos que ter indústrias preparadas para exportar nas condições em que os Estados Unidos exigem para os produtos entrarem no seu mercado. Estamos a trabalhar no sentido de definir que nichos de produção desenvolver para podermos exportar ao abrigo do AGOA. É uma oportunidade que Cabo Verde tem aproveitado muito pouco. Já começa a  haver alguma actividade, nomeadamente no sector da indústria pesqueira, mas precisamos de aumentar esse nível de exportação. Lá está uma área de oportunidade que podemos desenvolver em conjunto com investidores angolanos porque se trata de exportar para os Estados Unidos sem barreiras e sem pagamento de imposto de taxas aduaneiras.

Quais sãos os principais produtos de exportação de Cabo Verde? 
A indústria pesqueira de conservas, temos uma fábrica em São Vicente, a Frescomar, que exporta para o mercado europeu um conjunto de produtos ligados à pesca. Temos duas empresas têxteis exportadoras nesse domínio também em São Vicente e componentes para a produção de calçados. São essencialmente áreas industriais que têm grande potencial de crescimento.
Assinou em Washington um acordo que prevê a circulação de militares norte-americanos em Cabo Verde. Estamos diante do prenúncio da instalação de uma base militar, apesar de a Constituição da República proibir bases militares estrangeiras no território?
Não é o prenúncio, nós assinamos um acordo que é um estatuto que permite dar cobertura a operações de militares americanos em Cabo Verde, nomeadamente no sector de vigilância marítima e exercícios da nossa zona económica exclusiva que já fazemos com os Estados Unidos, assim como cpm o Brasil, França, Portugal e outros países da Europa. É importante para a nossa guarda costeira. Ao mesmo tempo contribui para a vigilância da nossa zona económica exclusiva. Temos interesse sim, não em instalação de bases militares, mas em ter um papel relevante na segurança cooperativa, tendo em conta a localização de Cabo Verde numa zona de muita circulação. Nós queremos ter um papel relevante. Cabo verde precisa de reforçar o seu próprio nível de segurança. Ter bons aliados como os Estados Unidos da América e a União Europeia é importantíssimo para a nossa segurança e para o papel que Cabo Verde pode desempenhar na segurança cooperativa nesta zona da Africa Ocidental e do Golfo da Guiné. Isso potencializa a nossa posição relativamente à própria CEDEAO.

A propósito de segurança , Cabo-Verde situa-se numa encruzilhada, ou seja num ponto estratégico entre os três continentes, nomeadamente África, as Américas e a Europa. Face  à ameaça global patenteada pelo terrorismo precisaria Cabo Verde de uma âncora? Como é que o país se pode precaver? 
É isso mesmo, ter uma âncora e ter bons aliados. Hoje, é um desafio global. Nenhum país, nem os Estados Unido da América, consegue resolver o seu problema de segurança sozinho. Ter bons aliados é um desafio que se coloca a Cabo Verde e a qualquer outro pais que queira estar seguro. Como disse, temos estado a resolver programas de reforço da segurança com os Estados Unidos e a União Europeia.

Cabo Verde tem manifestado interesse em reforçar relações com a União Europeia. O propósito vai ficar pelas relações com as vizinhas Ilhas Canárias, Madeira e Açores ou vai mais além do eixo?  
Reforçar as relações com a União europeia através da Macaronésia é uma das nossas prioridades. Estamos a trabalhar afincadamente para podermos ter o reforço da nossa parceria estratégica, mas a nossa relação com a União europeia é noutro âmbito mais alargado. Um pequeno país tem que ter, não diria apenas âncoras, mas tem que estar situado em zonas económicas que sejam dinâmicas e uma dessas zonas é o espaço da União Europeia. Daí que tenhamos desenvolvido uma série de instrumentos para permitir que essa relação ganhe cada vez mais reforço, sem prejuízo do nosso papel relativamente a zona de integração económica onde estamos inseridos.

PERFIL

José Ulisses Correia e Silva 
Nasceu a 4 de Junho de 1962, na Cidade da Praia, Cabo Verde. Casado e pai de dois filhos, é Primeiro-Ministro, desde Abril de 2016, altura em que MpD venceu as eleições legislativas com maioria absoluta. O partido presidido por Ulisses Correia e Silva substituiu o PAICV na governação, confirmando assim a tendência de alternância do poder no arquipélago. Licenciado em Organização e Gestão de Empresas pelo Instituto Superior de Economia da Universidade Técnica de Lisboa, em 1988, acumulou experiência no sector bancário ,onde desempenhou cargos importantes entre 1989 e 1994.
Em 1995, tinha 32 anos, entrou para o governo ao ser nomeado de secretário de Estado das Finanças, função que desempenhou até 1998. No ano seguinte chegou a ministro das Finanças.. Durante o seu mandato o escudo cabo-verdiano passou a estar ligado ao euro, facto estruturante da economia de Cabo Verde por ter envolvido reformas económica

Fonte:http://jornaldeangola.sapo.ao/entrevista/ha_um_salto_qualitativo_nas_relacoes_entre_angola_e_cabo_verde

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Cabo Verde está mais próximo do Brasil como uma janela de oportunidades

Mapa de cabo verde

Apenas quatro horas de voo separam o país-arquipélago de Cabo Verde, que fica na costa ocidental da África, do Nordeste do Brasil  Há  voos para Fortaleza, Recife e, nos próximos meses,  inaugurará a rota  para Salvador. Uma nova frequência também está programada para operar no Recife, aumentando de dois para três o número de voos semanais”, destacou o CEO da Cabo Verde Airlines, Mário Chaves, durante encontro com imprensa e agentes de viagem pernambucanos que foram conhecer as potencialidades do destino.

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A companhia aérea está em processo de privatização que deve ser finalizado ainda em 2018, passando a contar com a gestão da islandesa Loftleidir Icelandic. O reflexo já pode ser visto na renovação da frota de aeronaves e no posicionamento da companhia. Uma das primeiras iniciativas da nova administração foi mudar de aeroporto. Antes conhecida como TACV Airlines, a empresa voava para a cidade de Praia, capital do País. A mudança para o Sal não foi apenas uma questão focada no turismo, embora isso faça parte de uma importante estratégia para incrementar uma das principais vocações da economia local. O terminal de passageiros do Sal oferece melhor estrutura operacional para funcionar como hub intercontinental da empresa.

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O turismo hoje representa 23% do PIB do país, estimulado sobretudo pelos ingleses e alemães, que são os principais “consumidores” dos atrativos da ilha: mar de águas cristalinas, sol o ano inteiro e resorts all inclusive de altíssimo padrão. Para nós, brasileiros, ainda há a vantagem de se falar português e a gentileza do cabo-verdiano – conhecida como morabeza. Desvantagem talvez seja o câmbio. Como 95% do turismo é advindo da Europa, o euro é a moeda corrente. Nem pense em levar dólar, que poucos lugares aceitam. Para este ano, a previsão é de que 800 mil turistas internacionais passem por Cabo Verde.

cabo verde e brasil

Com a chegada dos visitantes, a geografia do Sal também vai tomando novos contornos. Há pouco mais de um ano, a capital “turística” de Cabo Verde vive um boom imobiliário. O que se vê é uma cidade em constante reforma. Sobretudo da rede hoteleira, que está em franca expansão, ampliando quartos e erguendo quatro novos hotéis, numa soma que vai elevar em três mil o número de leitos disponíveis. Hoje, a capacidade hoteleira está no limite, ultrapassando 90% de ocupação na alta estação (inverno europeu).

cabo-verde-2

A chegada dos novos leitos, a reforma dos aeroportos (três dos quatro terminais internacionais do país foram reformados em menos de um ano), e o novo posicionamento da companhia aérea faz com que o Brasil, mais especificamente o Nordeste, esteja na mira do destino. “O passageiro da Cabo Verde Airlines pode sair do Recife, passar até sete dias no País sem custo adicional no bilhete, e seguir viagem para Lisboa, Milão e Paris”, explicou Mário Chaves. “Vamos iniciar uma operação em Salvador e outras cidades do Brasil estão em nossos planos futuros”, disse o executivo português, que atuou como piloto da TAP por 17 anos. As tarifas também são um diferencial. É possível viajar a Cabo Verde a partir de 400 dólares. Se o destino for Lisboa, Paris ou Milão, o bilhete sai a partir de 600 dólares. A companhia opera com Boeing B757 com 160 lugares em econômica e 22 lugares Comfort Class.

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Em relação a novas conexões que liguem o Brasil à Europa, a partir de Cabo Verde, Chaves revelou que existem mais seis destinos que estão sendo estudados para aumentar a capilaridade da companhia. “Teremos um ou dois destinos a serem incrementados já a partir de 2019”.

Brasil / Cabo Verde

O programa stopover é uma ótima oportunidade para o turista brasileiro que tem como destino a Europa de conhecer a Ilha do Sal e estender o passeio para as demais ilhas de Cabo Verde. Muito por causa dos atrativos – praias de águas cristalinas, temperatura amena e diversidade cultural e geográfica – o turismo tem grande potencial de crescimento.

Neste ano, Cabo Verde inaugurou o seu primeiro cassino – o Cassino Royal, na Ilha do Sal – e outros três estão previstos, nas ilhas da Boa Vista, Maio e Santiago. “Esse tipo de operação atrai turistas de alto poder aquisitivo. Tanto que, entre 2019 e 2020 está prevista a inauguração do maior cassino de Cabo Verde, que ficará em Praia (a capital), com investimento de 250 milhões de dólares”, comenta o cônsul de Cabo Verde em Pernambuco, Ricardo Galdino. O empreendimento ficará em um antigo presídio, que será transformado em um hotel de luxo, erguido por investidores de Macau, na China.

A área de Tecnologia da Informação também está em franca expansão, com PIB em torno dos 15%. Por lá, o Núcleo Operacional da Sociedade de Informação (NOSI) já exporta tecnologia para a Comunidade dos Países da África Oeste. “Fico muito orgulhoso com a intercessão que Cabo Verde tem com o CESAR, em Pernambuco, e percebo que empresas do Porto Digital começam a se aproximar”, destaca Galdino.

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Para o cônsul, há muitas oportunidades de aproximação entre Brasil e África. “Os países europeus já fazem isso há muito tempo”, comenta. O consulado, inclusive, está em articulação com a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex) para, em julho, realizar um road show para apresentar o destino e possibilitar a descoberta de novas oportunidades de negócios.

Cabo Verde trabalha com plataforma de reexportação, que permite que qualquer produto manufaturado ou beneficiado em até 30% no país tenha isenção de impostos nos países destino: Estados Unidos, Canadá, toda União Europeia e África Oeste. Seis mil itens entre calçados, confecção e pesacados fazem parte dessa plataforma, que hoje corrresponde a entre 15% a 18 % do comércio local

http://jconline.ne10.uol.com.br/canal/economia/pernambuco/noticia/2018/04/15/cabo-verde-airlines-mira-clientes-do-nordeste-brasileiro-335327.php

A prisão de Lula no jornal ” Expresso das Ilhas” de Cabo Verde

 

Lula recebe ordem de prisão

PorEXPRESSO DAS ILHAS, LUSA,6 abr 2018 6:45

Lula da Silva
Lula da Silva(AP)

​O juiz brasileiro Sérgio Moro, responsável pelo processo Operação Lava Jacto em primeira instância, determinou ontem ao final do dia a prisão do ex-Presidente Luiz Inácio Lula da Silva, condenado já em duas instâncias por corrupção e branqueamento de capitais.

O juiz Sérgio Moro deu prazo até hoje, às 17:00 (horário de Brasília, 21:00 de Lisboa) para o ex-Presidente brasileiro se apresentar voluntariamente à Polícia Federal na cidade de Curitiba.

“Relativamente ao condenado e ex-Presidente Luiz Inácio Lula da Silva, concedo-lhe, em atenção à dignidade do cargo que ocupou, a oportunidade de se apresentar voluntariamente na Polícia Federal em Curitiba até as 17:00 do dia 06/04/2018, quando deverá ser cumprido o mandado de prisão”, escreveu o juiz no mandado de detenção.

No mesmo documento, o magistrado também proibiu expressamente que Lula da Silva fosse algemado e informou que “os detalhes da apresentação [para prisão] devem ser combinados com a defesa directamente com o Delegado da Polícia Federal Maurício Valeixo, Superintendente da Polícia Federal no Paraná.

No final do documento Sérgio Moro informa que em função da dignidade do cargo que Lula da Silva ocupou foi-lhe reservada uma sala na superintendência da Polícia Federal do Paraná para início do cumprimento da pena, ficando o ex-presidente separado dos demais presos.

O Supremo Tribunal Federal (STF) do Brasil negou na quarta-feira à noite um recurso contra a prisão do ex-Presidente Lula da Silva, condenado em duas instâncias judiciais e que pretendia ficar em liberdade até à decisão final.

A prisão do ex-chefe de Estado está relacionada com um dos processos da Operação Lava Jato, o maior escândalo de corrupção do Brasil. Lula foi condenado por ter recebido um apartamento de luxo como suborno da construtora OAS em troca de favorecer contratos com a petrolífera estatal Petrobras.

A execução provisória da pena não deverá impedir juridicamente a candidatura presidencial de Lula da Silva, à frente nas sondagens para as eleições de outubro.

https://expressodasilhas.cv/mundo/2018/04/06/lula-recebe-ordem-de-prisao/57493

Brasileiros estão presos por tráfico de cocaína em Cabo Verde

cadeia de Ribeirinha, na ilha de São Vicente

O julgamento dos quatro tripulantes do veleiro apreendido em 2017 em Cabo Verde, com 1.157 quilos de cocaína, proveniente do Brasil, começa na próxima segunda-feira, quando se multiplicam apelos para a libertação de três deles, de nacionalidade brasileira.

Ilha de São Vicente.png

Em agosto do ano passado, a Polícia Judiciária (PJ) de Cabo Verde apreendeu 1.157 quilos de cocaína num iate atracado no Porto Grande do Mindelo, na ilha de São Vicente.

O barco, que saiu do Brasil, tinha como destino a Europa, e trazia a droga escondida no casco da embarcação e distribuída em 1.063 pacotes.

Durante a operação, quatro homens foram detidos, tendo o juiz decretado prisão preventiva para os dois que se encontravam no veleiro – um francês, o capitão, e um brasileiro – e Termos de Identidade e Residência (TIR) para dois brasileiros que estavam hospedados numa pensão, onde foram encontrados haxixe e canábis.

O Ministério Público (MP) discordou da decisão do tribunal de deixar os dois arguidos em liberdade e recorreu para o Tribunal da Relação de Barlavento, que, quatro meses depois, determinou prisão preventiva para os dois arguidos até ao julgamento.

Em dezembro, o Ministério Público deduziu acusação contra os quatro tripulantes do veleiro pela prática dos crimes de tráfico de droga de alto risco agravado e de associação criminosa.

embaixada do Brasil em Cabo verde

Em fevereiro, o Ministério da Justiça do Brasil, através da Embaixada Brasileira em Cabo Verde, entregou ao Ministério Público cabo-verdiano um relatório da Polícia Federal Brasileira onde consta que não foram encontrados nenhum indício de participação da tripulação no tráfico da droga, pelo que arquivou o processo e considerou que os arguidos já deveriam estar soltos.

Os familiares circulam um abaixo-assinado na Internet a pedir a libertação dos três brasileiros, justificando que o objetivo é mostrar às autoridades cabo-verdianas que são inocentes e que foram usados “por uma quadrilha internacional”.

Além do abaixo-assinado, que já conta com quase 16 mil assinaturas e o objetivo é chegar às 25 mil subscrições, e do relatório, multiplicam apelos de familiares e amigos nas redes sociais e na imprensa para a libertação dos brasileiros, detidos na cadeia de Ribeirinha, na ilha de São Vicente.

Fonte:https://www.dn.pt/lusa/interior/julgamento-de-brasileiros-detidos-em-cabo-verde-por-trafico-de-droga-comeca-dia-12-9162884.html

Brasil apoia Cabo Verde e Senegal na realização de censos eletrônicos

Em 2017 cerca de 50 técnicos cabo-verdianos e senegaleses participaram de atividades de capacitação voltadas para a criação de Centros de referência em coleta eletrônica de dados nesses países. Para este ano a expectativa é engajar novos parceiros e replicar a metodologia em outras partes do continente africano

Entre os dias 20 e 23 de fevereiro, a cidade de Praia, em Cabo Verde, recebe a reunião preparatória do comitê técnico e a 2ª reunião do comitê gestor do projeto Centros de Referência em Censos com Coleta Eletrônica de Dados em África. O objetivo é definir as ações do Plano de Trabalho Anual que deve contemplar, entre outros pontos, estratégia de divulgação da iniciativa, engajamento de novos parceiros e realização das replicações da metodologia a outros países africanos.

A comitiva brasileira é formada por integrantes do escritório do Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA), da Agência Brasileira de Cooperação (ABC) e do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em Cabo Verde, se juntam à comitiva representantes dos institutos de estatística do Senegal (Agence Nationale de la Statistique et de la Démographie – ANSD) e de Cabo Verde (Instituto Nacional de Estatística – INECV).

“Acreditamos que a implementação de censos eletrônicos e a coleta de dados vai contribuir para o avanço do cumprimento dos objetivos estabelecidos na agenda 2030. Além disso, essa união de esforços e conhecimento representa uma importante iniciativa para o acompanhamento e a elaboração de políticas públicas mais efetivas”, ressaltou o representante do UNFPA, Jaime Nadal.

missao cabo verdeFoto: UNFPA Brasil/Divulgação
Sobre o projeto
O projeto faz parte de uma parceria entre a Agência Brasileira de Cooperação (ABC), o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA), com os institutos de estatística do Senegal (Agence Nationale de la Statistique et de la Démographie – ANSD) e de Cabo Verde (Instituto Nacional de Estatística – INECV).

O objetivo é capacitar os institutos de estatísticas desses países para atuarem como Centros de Referências em Censos com Coleta Eletrônica de Dados promovendo e facilitando o uso de tecnologias de coleta eletrônica para outros países africanos que demonstrarem interesse e assim ser aplicado nos censos dos próximos anos.

A iniciativa começou em 2014 com uma missão de prospecção para mobilização de países africanos. Seguiu em 2016 com a assinatura de um protocolo de intenções que orienta o projeto no âmbito da Cooperação Sul-Sul assinado durante a Comissão de Estatísticas das Nações Unidas. E em 2017 foi dado o ponta pé mais concreto com a realização da primeira reunião do Comitê Gestor em Dakar/Senegal e as capacitações dos técnicos que atuarão como replicadores da metodologia, ocorrida nos dois países no final do ano passado.

http://www.unfpa.org.br/novo/index.php/1800-cabo-verde-e-senegal-iniciam-segunda-etapa-de-projeto-com-apoio-do-brasil

Cabo Verde Airlines anuncia voos do Recife para Paris e Milão com escala

A companhia também vai reforçar voos para Lisboa a partir do dia 1º de fevereiroPassageiros do Recife poderão embarcar para Paris  / Foto: Pixabay

Passageiros do Recife poderão embarcar para Paris

A Cabo Verde Airlines vai operar novos voos do Recife para Paris e Milão a partir de março, com escala na Ilha do Sal, em Cabo Verde. Viagens para Lisboa também serão reforçadas a partir de 1º de fevereiro.Passageiros do Recife vão poder voar duas vezes por semana para Lisboa às quintas-feiras e sábados, a partir de meados de março com uma terceira frequência às terças feiras no final desse mês.

 

Já para Paris e Milão-Malpensa os passageiros poderão voar às quintas-feiras a partir de março. Os voos serão operados com Boeing B757 com 160 lugares em econômica e 22 lugares Comfort Class.

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MUDANÇA

A companhia anuncia ainda a mudança da base de operação da capital Praia, para a ilha do Sal, cujo aeroporto oferece melhores infraestruturas operacionais.tacv-6-2015-domestic-route-map

“Já estamos no Brasil há mais de 10 anos e é definitivamente um dos nossos mercados estratégicos. Olhamos para estes voos como uma porta aberta entre a Europa e o Brasil tendo Cabo Verde como elo de ligação. Queremos que as pessoas escolham a nossa companhia para onde quer que viagem,” afirma Mário Chaves, CEO da TACV.

Angola sofre problemas de gestão, segundo o empresário Mo Ibrahim

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Cabo Verde é uma “estrela”, Angola tem problemas de gestão e não tem sabido estar à altura do seu potencial e Moçambique estagnou nos últimos anos, lamentou hoje o empresário sudanês Mo Ibrahim, presidente da Fundação Mo Ibrahim.

“Cabo Verde é uma estrela. Claro que está a emperrar aqui e acolá. Mas é uma força enquanto país e o primeiro em termos de Participação e Direitos [Humanos] em África. É um grande feito. Vocês os portugueses fizeram algo que foi diferente, não sei”, afirmou, em entrevista à agência Lusa.mo ibrahuim1

Lembrou também que um ex-dirigente cabo-verdiano, o antigo presidente Pedro Pires, foi um dos quatro Prémio Ibrahim para a Excelência na Liderança Africana, dizendo que “é uma grande prova da saúde do país”.

Sobre Angola, disse ser um grande país, com recursos, mas que “sofre de um grande problema de gestão”.

Comentando as avaliações aos países lusófonos feitas pelo Índice Ibrahim de Governação Africana (IIAG) de 2017, publicado hoje pela Fundação Mo Ibrahim, o empresário e filantropo lamentou o desempenho de Angola e Moçambique.

“Em muitas categorias, Angola falhou em estar à altura do seu potencial. É uma pena. Moçambique fez alguns avanços, mas estagnou nos últimos anos e começou num leve declínio, infelizmente. É muito triste, porque é outro país que deu um vencedor para o nosso prémio, o presidente Chissano. É pena ver o que foi alcançado nesse período ser desperdiçado mais tarde. É lamentável”, acrescentou.chissano

Segundo o documento, 40 dos 54 países avaliados registaram progresso nos últimos 10 anos e 18 apresentaram um crescimento acelerado desde 2012, entre os quais a Guiné Bissau, que, mesmo assim, desceu uma posição para 43º. lugar.

Os números apontam para uma trajetória positiva em desaceleração, ou seja, o ritmo de crescimento dos últimos cinco anos é inferior ao da última década entre 2007 e 2016: mais de metade dos 40 países está atualmente em crescimento desacelerado ou inverteu a tendência desde 2012, nomeadamente Cabo Verde e Angola, em 4º. e 45º. lugares, respetivamente.

Oito dos 54 países evidenciaram uma deterioração acelerada, incluindo Moçambique, que caiu dois lugares, para 23º.

São Tomé e Príncipe manteve a 11ª. posição no índice, enquanto a Guiné Equatorial subiu para a 46ª., apesar de se manter no grupo dos 10 piores.

Lançado pela primeira vez em 2007 pela Fundação Mo Ibrahim, o Índice Ibrahim de Governação Africano (IIAG) mede anualmente a qualidade da governação nos países africanos através da compilação de dados estatísticos.

O Índice Ibrahim de Governação Africana (IIAG) pretende oferecer uma avaliação anual da governação nos países africanos graças a uma compilação de dados, que este ano reuniu 100 indicadores de 36 instituições independentes, africanas e globais.

A Fundação Mo Ibrahim foi criada em 2006 com o objetivo de promover a qualidade da liderança e da governação em África, sendo também responsável pelo Prémio Ibrahim para a Excelência na Liderança Africana, pelo Fórum Ibrahim e pelas Bolsas de Investigação e de Estudo Ibrahim.

https://www.dn.pt/lusa/interior/cabo-verde-e-uma-estrela-angola-e-mocambique-uma-desilusao—mo-ibrahim-8931104.html

Cabo Verde teve mais de 512 mil turistas até setembro de 2017

cidade da Praia1Cabo Verde recebeu, nos primeiros nove meses deste ano, mais de 512 mil turistas, totalizando 3,3 milhões de dormidas, o que se traduz num aumento de 11,0% no número de hóspedes relativamente ao mesmo período de 2016.

De acordo com dados do Instituto Nacional de Estatística (INECV), divulgados hoje, no período de janeiro a setembro de 2017, os estabelecimentos hoteleiros registaram 512.297 hóspedes e mais de 3,3 milhões de dormidas.

Estes movimentos traduzem acréscimos de 11,0% e 12,1%, respetivamente, em relação ao mesmo período do ano anterior, quando tinham sido registados 461.635 hóspedes e mais 2,9 milhões de dormidas.são vicente

No terceiro trimestre de 2017, o número de hóspedes no país aumentou 18,1%, face ao trimestre homólogo, enquanto no mesmo período, as dormidas cresceram 17,1%.

Em termos absolutos, durante este período, entraram no país mais de 163 mil hóspedes que originaram mais de 1,1 milhões de dormidas, um crescimento de 25.060 turistas e mais 163.528 dormidas, comparativamente com o trimestre homólogo.

O principal mercado emissor de turistas, neste trimestre, continua a ser o Reino Unido com 20,5% do total das entradas, a seguir vem Portugal (15,4%), Alemanha (9,5%), cabo-verdianos residentes (8,4%) e turistas provenientes da Holanda (8,3%).

Relativamente às dormidas, o Reino Unido também permanece no primeiro lugar com 31,8% do total, seguindo-se Portugal (12,9%), Alemanha (11,3%) e Países Baixos (9,2%).

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A maioria dos turistas provenientes do Reino Unido preferiu como destinos as ilhas do Sal e da Boavista, representando respetivamente 53,5% e 46,25% das dormidas e escolheram como local de acolhimento os hotéis 99,8%.

As dormidas dos residentes em Portugal distribuíram-se principalmente pelas ilhas do Sal (47,2%), da Boavista (41,0%) e Santiago (7,4%).IMG_4032

Os hotéis foram os tipos dos estabelecimentos mais procurados pelos mais de 25 mil portugueses que visitaram Cabo Verde durante este trimestre.

Ainda segundo os dados do INECV, os visitantes provenientes do Reino Unido foram os que tiveram maior permanência média em Cabo Verde (9,5 noites).

Durante o terceiro trimestre de 2017, em média, a taxa de ocupação-cama foi de 56%, contra os 55% registados no trimestre homólogo.

As ilhas da Boavista e do Sal tiveram as maiores taxas de ocupação – cama com 85% e 64%, respetivamente.

Os hotéis foram os estabelecimentos hoteleiros com maior taxa de ocupação – cama, 68%, seguindo-se os aldeamentos turísticos (31%) e as residenciais, com 19%.

https://www.rtp.pt/noticias/economia/cabo-verde-com-mais-11-de-turistas-nos-primeiros-nove-meses-do-ano_n1040425

Teatro brasileiro esteve presente em Cabo Verde

20663762_1425829237453480_6945747696100738249_nO Festival Internacional de Teatro do Mindelo, Mindelact é considerado importante evento de artes cénicas da África Ocidental. Ele acontece todos os anos na ilha de São Vicente, em Cabo Verde, e este ano contou com a maior delegação de artistas e companhias de teatro do Brasil. Ao todo, sete grupos brasileiros se apresentaram este ano no evento que terminou neste sábado (11).

Odair Santos, correspondente da RFI em Cabo Verde

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A 23ª edição do Festival Internacional de Teatro Mindelact contou com a participação do grupo de Teatro Caixa Preta, do Núcleo Vinicius Piedade e Companhia, do Desvio Coletivo, do Grupo Dragão 7, da Companhia Satyrus, da Palavra Z Produções Teatrais e da contadora de histórias, Clara Haddad, Alguns dos artistas brasileiros que participaram do evento partilharam as suas experiências com a RFI Brasil, na cidade do Mindelo. Para a diretora do grupo Desvio Coletivo, Priscilla Toscano, foi “muito importante” para ela e, principalmente, para o grupo, essa participação. “É a primeira vez do ‘Desvio Coletivo’ num país africano. A gente tem feito a peça ‘Cegos’ há quase seis anos e o objetivo é realizar o máximo de cidades possíveis. Recentemente, a gente esteve na Ásia e pra gente, no mesmo ano, poder vir e fazer a África é muito importante” explica Priscilla.midelact

O ator brasileiro Vinicius Piedade, do Núcleo Vinicius Piedade e Cia, apresentou no festival o drama ‘Cárcere’ que é uma reflexão sobre a liberdade. A peça conta a história de um personagem que é privado de sua liberdade e de seu piano. De acordo com Vinicius Piedade, o Brasil tem uma relação direta com a África e “para nós é extremamente relevante ter esse contato direto com os nossos irmãos africanos”.

O ator afirma que a relação entre Brasil e Cabo Verde “é muito natural” porque “qualquer brasileiro que vem pra cá vai se sentir em casa, o que certamente não vai acontecer no Senegal, que é mais perto de Cabo Verde no continente”.

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Brasileiroes conhecendo brasileiros em Cabo Verde

Por sua vez, o ator Júnior Lima, que faz parte do grupo Dragão 7 que promove no Brasil um festival de teatro onde se dá a troca de experiência entre artistas e companhias de teatro do Brasil e dos países africanos de língua portuguesa, destaca o fato do Mindelact impulsionar o intercâmbio teatral.mindleact

Junior Lima cita, como exemplo, o fato de poder conhecer o trabalho dos colegas que vem, como ele, de São Paulo: “Uma oportunidade única de encontrar e conhecer pessoas que mesmo lá na cidade de São Paulo a gente não tem acesso. Eu antes de vir pra cá não conhecia o trabalho do ‘Desvio Coletivo’ e do Vinicius Piedade e foi aqui, graças ao Mindelact que a gente pôde se cruzar e conhecer”.

Júnior Lima disse que cada relação que teve em Cabo Verde foi muito rica e que “o pessoal cabo-verdiano é de fato muito afetuoso, que para você na rua, que quer saber de onde você veio, o que faz na vida e a que se dedica para te conhecer “. O ator do grupo Dragão 7 afirma que “para além do intercâmbio artístico, (a experiência) foi de trocas humanas e muitos especiais”.

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União linguística

Já o ator Bruno Mariozz, da Palavra Z Produções Teatrais do Rio de Janeiro, o Festival Internacional de Teatro do Mindelo reforça a união linguística entre o Brasil e Cabo Verde. “Eu acho que o Mindelact reforça esse conceito e troca da nossa língua. Apesar de alguns sotaques e palavras diferentes, a gente se une através da língua”, ressalta Bruno Mariozz.

 

Mais de 30 companhias de teatro de 12 países realizaram 50 espetáculos, em 12 palcos diferentes, do Mindelact. Oito dessas apresentações foram encenadas por companhias de teatro brasileiras.

 

http://br.rfi.fr/brasil/20171111-brasil-tem-participacao-de-peso-em-principal-festival-de-teatro-da-africa-ocidental

Presidente de Cabo Verde será homenageado no Brasil, em São Paulo

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O Presidente de Cabo Verde, Jorge Carlos Fonseca, vai ser distinguido com o Troféu Raça Negra, a 20 de Novembro, em São Paulo, Brasil, num evento organizado pela Afrobras, por ocasião do Dia Nacional da Consciência Negra.


África 21 Digital com Inforpress


No âmbito da 15ª edição deste prémio, que este ano homenageia a atriz e cantora brasileira Zezé Motta, várias personalidades e autoridades negras e não negras, do Brasil e internacionais, são premiadas “por exaltar, enaltecer e divulgar o valor das iniciativas, ações, gestos, posturas, atitudes, trajetórias e realizações que tenham contribuído para aprofundamento e ampliação da valorização da raça negra”.

De entre as várias personalidades internacionais está o chefe do Estado de Cabo Verde, que, além de uma vida activa na política, é escritor, jurista, ensaísta e colaborador de várias publicações literárias.

Segundo a organização deste certame, a ONG Afrobras (Sociedade Afro-Brasileira de Desenvolvimento Sócio-Cultural) e a Faculdade Zumbi dos Palmares, trata-se de um “reconhecimento justo e oportuno àqueles que têm contribuído constantemente pela luta em favor da igualdade racial”.

Além de participar na 15ª edição do Troféu Raça Negra, Jorge Carlos Fonseca faz-se presente na 5ª edição da Festa do Conhecimento, Literatura e Cultura Negra (Flink Sampa), que acontece entre 16 e 18 de Novembro com o objectivo de oferecer acesso ao livro e à leitura, de forma totalmente gratuita.

O evento também é organizado pela Faculdade Zumbi dos Palmares e pela ONG Afrobras e este ano irá homenagear o escritor brasileiro Paulo Lins, autor do livro Cidade de Deus.

A presença do chefe do Estado cabo-verdiano foi confirmada por Guiomar de Grammont, curadora da programação literária da Flink Sampa.

Jorge Carlos Fonseca vai participar no debate “Literatura em Vozes Polifónicas”, que ocorrerá no dia 18 de Novembro, e também vai lançar o seu mais recente livro “O Albergue Espanhol”.

Além do Presidente da República, o evento também contará com a presença dos escritores cabo-verdianos Filinto Elísio e Arménio Vieira, vencedor do Prémio Camões.

Estes irão participar numa mesa de debate no dia 18 sobre “África-Brasil: versos em laços”, que, para além dos escritores cabo-verdianos conta com a participação de Francisco Noa (reitor da Universidade Lúrio de Moçambique) e Eduardo de Assis Duarte (escritor e professor brasileiro).

 

https://africa21digital.com/2017/11/07/presidente-de-cabo-verde-vai-ser-distinguido-pela-afrobras-durante-evento-em-sao-paulo/

O Observatório

Este observatório é uma iniciativa do Grupo de Estudos Africanos vinculado ao Instituto de Relações Internacionais da Universidade de Brasília (GEA/IREL-UnB), que busca refletir sobre a vida política, social e econômica da África contemporânea, com destaque para sua inserção internacional. Preocupando-se com o continente marcado pela diversidade, o Grupo de Estudos Africanos, por meio do Observatório, propõe um olhar crítico e compreensivo sobre temas africanos, em suas mais diversas dimensões.
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