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Balança Comercial

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Balanço comercial entre Brasil e África gerou superavit de US$ 3,2 bilhões

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Da Redação

Brasília – Após atingir o recorde histórico de US$ 25,931 bilhões em 2008, a corrente de comércio (exportação+importação) entre o Brasil e os países da África de janeiro a outubro deu sequência a uma recuperação iniciada ano passado, mas não o suficiente para sequer se aproximar das melhores marcas registradas no passado recente.

Até o mês passado as exportações brasileiras totalizaram US$ 7,940 bilhões (alta de 26,16% comparativamente com o mesmo período de 2017), enquanto as vendas africanas ao Brasil cresceram a um ritmo mais lento, de 16,01% e somaram US$ 4,739 bilhões. No período, o intercâmbio comercial com os países africanos gerou para o Brasil um superávit de US$ 3,201 bilhões, segundo dados do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (MDIC).

Os números do MDIC mostram altas expressivas em todas as categorias de produtos por valor agregado. As exportações de produtos básicos atingiram o montante de US$ 2,42 bilhões graças a um aumento de 50,7% e responderam por 31% de todo o volume embarcado pelas empresas brasileiras para os países africanos. Os bens semimanufaturados também tiveram suas vendas ampliadas em 45,9% e somaram US$ 2,7 bilhões (participação de 34,3% nos embarques). Por sua vez, os produtos manufaturados, responsáveis por 34,4% no total exportado, tiveram alta de 11,8% e geraram receita da ordem de US$ 2,73 bilhões.

O açúcar ocupou nos dez primeiros meses do ano a liderança entre os principais produtos exportados para os países africanos. O açúcar de cana registrou vendas no valor de US$ 2,42 bilhões, correspondentes 31% do volume total embarcado para aqueles países. O açúcar refinado também figurou entre os produtos importantes da pauta exportadora, com uma receita de US$ 1,1 bilhão. Outros destaques foram carne de frango (US$ 610 milhões), milho em grãos (US$ 522 milhões) e carne bovina (US$ 506 milhões).

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Em relação aos países, o Egito vem se consolidando este ano como o principal parceiro comercial do Brasil na África, superando a Nigéria, que ocupou o posto nas últimas décadas. As vendas ao mercado egípcio totalizaram US$ 2 bilhões (com destaque para o açúcar, carne bovina e milho em grãos), correspondentes a 25% das exportações totais brasileiras para o continente.

Responsável por 16% dos embarques brasileiros para o continente africano, a África do Sul importou produtos no valor total de US$ 1,2 bilhão, à frente da Argélia, com um volume de compras da ordem de US$ 1,02 bilhão (13% do total vendido à África). Outros mercado importantes para o Brasil foram a Nigéria (US$ 645 milhões) e a Argélia (US$ 597 milhões). Os dois países foram o destino, respectivamente, de 8,1% e 7,5% de todas as exportações brasileiras para os países da África.

Do lado africano, os principais produtos vendidos ao Brasil foram naftas (US$ 1,5 bilhão e participação de 36% nas vendas totais), petróleo (US$ 1,13 bilhão, equivalentes a 24% dos embarques) e adubos ou fertilizantes (US$ 434 milhões, com participação de 9,2% nas vendas ao Brasil).

No tocante às exportações para o Brasil, a Argélia foi o país líder nos embarques ao país, com vendas no total de US$ 2 bilhões (42% do total exportado), seguida pela Nigéria com US$ 778 milhões (16% das vendas), Marrocos, com US$ 704 milhões (15% nas exportações) e a África do Sul, com um total de US$ 385 milhões exportado para o Brasil no período.

https://www.comexdobrasil.com/intercambio-comercial-com-africa-volta-crescer-e-gera-saldo-de-us-32-bilhoes-ate-outubro/

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Estratégia para Abertura, Ampliação e Promoção no Mercado Internacional do Agronegócio Brasileiro 2019-2022

Agropecuaria-MinhatecaMinistério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento vai receber a contribuição dos setores público e privado para elaborar nova proposta de acesso a mercados, negociações não tarifárias e promoção dos produtos agrobrasileiros para o período de 2019 a 2022. O objetivo da medida é ampliar a participação do país no comércio internacional de produtos agropecuários.

Intitulada de Estratégia para Abertura, Ampliação e Promoção no Mercado Internacional do Agronegócio Brasileiro 2019-2022, a medida também deverá incentivar a abertura de novos mercados para os produtos brasileiros e consolidar a imagem do país como exportador de produtos de alta qualidade, inclusive ambiental, com base nos índices obtidos por meio do Cadastro Ambiental Rural (CAR).agronecios

A iniciativa será conduzida em três etapas. Na primeira fase haverá a construção do Documento Base para a estragégia, que deve ser aprovado e publicado pelo ministro da pasta até o final de maio de 2018. A fase posterior consiste na definição das estratégias para a política de relações internacionais do agronegócio brasileiro, a partir dos eixos anteriormente definidos. Nesta ocasião, será criada uma comissão de especialistas, composta por membros indicados pelas secretarias e unidades vinculadas ao ministério, para a elaboração da política de relações internacionais do agronegócio.

A última fase compreende a consulta à sociedade civil para contribuições e discussão sobre o documento final. A expectativa do ministério é publicar a estratégia consolidada em janeiro de 2019.

Exportação

O Brasil destaca-se como um dos maiores exportadores do mundo em produtos como soja (grão e farelo), carnes (aves, bovina e suína), açúcar, café e milho. No entanto, apenas cinco grupos de produtos concentram 82% das exportações agropecuárias brasileiras, que chegaram a US$ 71,5 bilhões em 2016.

O setor agrícola representa, aproximadamente, 40% das exportações totais do país e cerca de 7% de participação no mercado mundial de produtos agropecuários. Segundo o ministério, o desafio do governo na área agrícola é elevar esse índice para 10%.

https://africa21digital.com/2017/07/29/brasil-quer-aumentar-participacao-no-mercado-agricola-global/

 

“Diversificar a Economia e Potenciar a Produção Nacional, Visando uma Angola Auto-Suficiente e Exportadora”

Madalena José |

26 de Julho, 2017

Depois de um ano de interrupção, a Feira Internacional de Luanda (FILDA) abre hoje, com 230 empresas expositoras, o que representa uma redução significativa de participação em relação à última edição realizada em 2015, com a participação de mais de 800 empresas.

Pelo menos 230 empresas expõem potencialidades na Feira Internacional de Luanda
Fotografia: José Soares | Edições Novembro

A organização garante que as empresas nacionais mantêm o ritmo de liderança dos últimos três anos.
Nesta sua 33.ª edição o evento decorre numa área de 16 mil metros implantados  em quatro pavilhões, com o predomínio das empresas nacionais .
A decorrer, pela primeira vez, na Baía de Luanda sob o lema “Diversificar a Economia e Potenciar a Produção Nacional, Visando uma Angola Auto-Suficiente e Exportadora”, até à tarde de ontem a montagem dos espaços estava concluída, albergando todos os expositores em \”stands\” próprios e \”stands\”-tipo Filda. A 32.ª edição da Feira Internacional de Luanda-2015, realizada sob o lema “Dinamismo, criativo, conferência, na produção nacional, um pressuposto, para diversificação e industrialização da economia angolana e um desafio para a juventude empreendedora”, realizou-se numa área de 50 mil metros quadrados nas instalações do Cazenga.
A FILDA 2015 resultou num volume de negócios estimado em 11 milhões de dólares apresentando-se como desfecho de cinco dias de contactos comerciais entre decisores, fornecedores, gestores e financiadores.
Na 31.ª edição da Feira Internacional de Luanda, que decorreu de 22 a 27 de Julho de 2014, participaram 475 empresários nacionais.
Tal como nos três últimos anos, o evento constituiu um instrumento de promoção e captação de investimentos para o país e de divulgação para o exterior do ambiente macroeconómico que se regista, disse Coutinho. A presidente do conselho de administração do Instituto de Fomento Empresarial, Dalva Ringote, confirmou ontem ao Jornal de Angola que os  expositores estrangeiros, vindos de 25 países,  já se encontravam todos no país. Trata-se de Portugal, Brasil, Suécia, África do Sul, Zâmbia, Índia, China, só para citar os sete maiores investidores no país.
O Jornal de Angola foi ao terreno e encontrou um frenesim dentro do recinto. Homens e máquinas circulavam de um lado para outro, todos querendo terminar a montagem dos \”stands\” antes da inauguração. Para acolher a edição de 2017 no novo espaço, desta vez à beira-mar, foram construídas várias infra-estruturas, entre as quais seis pavilhões, nomeadamente o de Angola, dos Sectores, dos Petróleos, o Pavilhão Internacional, Exposição Exterior, Praça da Alimentação  e salas de Conferências .No Pavilhão Internacional estão presentes 11 países, com destaque para Portugal e o Brasil, com maior número de empresas representadas com 20 e dez empresas respectivamente.
A representação portuguesa nesta edição é organizada pela Associação Empresarial de Portugal e pela Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal (AICEP), enquanto a brasileira é coordenada pela Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex Brasil).
A Feira é organizada por diferentes entidades gestoras, como a Eventos Arena que é a promotora, com a gestão direta do Governo de Angola, através do Ministério da Economia. “Reforçar a atratividade de Angola no panorama mundial, estimular as parcerias e sinergias entre os empresários nacionais e internacionais e ativamente contribuir para uma Angola auto-suficiente e exportadora é o objectivo da organização”, referiu a PCA do Instituto de Fomento Empresarial.

Produtos e marcas
O evento vai lançar  vários produtos e  marcas. Tal é o caso   da Siemens que prevê o lançamento da campanha “Ingenuity For Life”, centrada nas três áreas fundamentais em que a Siemens actua em Angola, o  Oil & Gas, a Energia e a Indústria.
“Aproveitamos o momento para lançar a campanha de publicidade internacional com enfoque no mercado angolano”, diz Joana Garoupa, directora de comunicação da Siemens Angola, sublinhando “a importância de espelhar nesta iniciativa de comunicação, o que de melhor se faz em Angola”.
A UNITEL vai lançar a App Unitel, um serviço inovador da operadora, e promove o “Club da Criança Unitel”,  um espaço com actividades dedicadas às crianças dos três aos 14 anos e uma sessão de cinema ao ar livre.
Já o Banco Keve aposta na continuidade da estratégia definida pelo seu conselho de administração, que passa por garantir uma proximidade cada vez maior com os normais e potenciais clientes, dando a conhecer os seus produtos e serviços.
O Banco Keve, com mais de 13 anos de experiência de banca no mercado nacional, privilegia uma grande aproximação aos seus mais de 155 mil clientes, satisfazendo as suas necessidades no domínio das operações e prestação de serviços bancários.
Com  término previsto para o próximo domingo, 30 de Julho, a 33.ª edição da Feira Internacional de Luanda, considerada a maior bolsa de negócios de Angola, é um evento multi-sectorial realizado anualmente, com o objectivo de promover e fortalecer o potencial económico e  atrair investimentos, nacionais e internacionais, capazes de apoiar o desenvolvimento de Angola.
A FILDA é um evento que junta, desde 1983, empresas nacionais e mundiais para expor produtos e serviços.

Dia de Portugal
As cerca de duas dezenas de empresas portugueses que participam da FILDA 2017 voltam a dar a Portugal, como nas feiras anteriores, o título de maior representatividade estrangeira, em busca de novas oportunidades de negócio.
A participação portuguesa, a cargo da Associação Empresarial de Portugal (AEP), com o apoio da Câmara de Comércio e Indústria Portugal-Angola (CCIPA) e da Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal (AICEP), junta empresas dos sectores da construção, agro-alimentar, engenharia, metalomecânica e cerâmica, habituais exportadoras para o mercado angolano.
Angola é um importante parceiro comercial de Portugal, principalmente enquanto destino das exportações. Ainda que nos últimos anos as exportações tenham registado um ligeiro decréscimo, o saldo da balança comercial é fortemente positivo para Portugal, tendo superado os 2,2 mil milhões de euros, em 2015.

http://jornaldeangola.sapo.ao/economia/feira_de_negocios_abre_na_marginal_de_luanda

 

Marrocos pode ser um aliado importante para o Brasil

marrocos1São Paulo – O Marrocos pode ser um aliado importante na ampliação das exportações de produtos brasileiros para todo o continente africano. Os potenciais da exploração do país africano como ponte para a África foram discutidos no seminário Avaliando e Redefinindo as políticas para a África num novo cenário global: cruzando perspectivas entre o Brasil e o Marrocos, organizado pelo Centro de Estudos de Integração e Desenvolvimento (Cindes), think tank com sede no Rio de Janeiro (RJ), e pelo OCP Policy Center, centro de estudos do Marrocos, nesta segunda-feira (17), no escritório da Confederação Nacional da Indústria (CNI) em São Paulo.

André Barros/ANBA
Michel Alaby, diretor geral da Câmara Árabe, falou sobre relações econômicas entre Brasil e Marrocos

Michel Alaby, diretor geral da Câmara de Comércio Árabe Brasileira, foi um dos palestrantes do painel Relações econômicas Marrocos-Brasil: situação atual e estratégias para um relacionamento mais profundo, presidido pelo presidente da Câmara Árabe, Rubens Hannun. O executivo apresentou números das relações econômicas entre o Brasil e o Marrocos e levantou sugestões para ampliar o fluxo comercial.

Os dados do comércio exterior entre os dois países vinham caindo nos últimos anos, mas apresentaram crescimento no primeiro semestre deste ano, quando as importações brasileiras alcançaram US$ 382 milhões, contra US$ 255 milhões nos primeiros seis meses de 2016, e as exportações do Brasil ao Marrocos avançaram de US$ 203 milhões para US$ 313 milhões. Alaby chamou atenção, porém, à grande concentração em dois produtos:

“Do Marrocos para o Brasil, mais de 70% do total é de adubo e fertilizantes. Já do Brasil para o Marrocos, a concentração está em açúcar”, afirmou o diretor geral da Câmara Árabe.

Para ampliar as relações comerciais e diversificar o fluxo de produtos, Alaby sugeriu maior intercâmbio de missões empresariais, participações em feiras nos dois países e menos burocracia, especialmente na área agropecuária, e agilidade nas negociações de um acordo comercial entre Mercosul e Marrocos.

“Precisamos alavancar as relações econômicas entre os dois países. O Marrocos não é um ‘hub’ importante apenas para os países africanos, pode contribuir também para ampliar a presença em todos os países árabes”, disse.

André Barros/ANBA
Abdou Diop, da GCME, falou sobre o setor privado marroquino

Segundo Abdou Diop, presidente da Comissão Sul-Sul da África da Confederação Geral das Empresas Marroquinas (GCME, na sigla em inglês), o Marrocos é o país certo para servir como ponte dos produtos brasileiros a outros mercados africanos. Ele mostrou exemplos de presença do setor privado local em outros países, como bancos, seguradoras e a companhia aérea Royal Air Maroc: “Os voos dela chegam a 35 cidades na África”, disse.

Atualmente, segundo Diop, existem projetos de infraestrutura liderados por empresas do Marrocos em países como Costa do Marfim, Madagascar, Sudão do Sul e Etiópia, onde o Brasil pode colaborar com intercâmbio tecnológico. “Na Etiópia a cana-de-açúcar é muito importante e o Brasil pode colaborar na área energética”, avaliou.

Como oportunidades de integração produtiva, citou a indústria automotiva e aeroespacial, além de joint-ventures entre empresas dos dois países. “As empresas marroquinas estão bem presentes na África e podem ajudar as brasileiras a competir neste mercado”, afirmou.

André Barros/ANBA
Rubens Hannun, presidente da Câmara Árabe, presidiu o painel. Ao seu lado, Sandra Rios, do Cindes

O professor de relações internacionais da Fundação Armando Álvares Penteado (FAAP), Marcus Vinicius de Freitas, apresentou pontos que precisam ser aprimorados nas relações entre os dois países, como o custo de transporte, incentivos governamentais que privilegiam alguns setores e prejudicam outros e as leis trabalhistas complicadas. Na avaliação dele, os dois estados deveriam interferir menos no setor privado.

A diretora do Cindes, Sandra Rios, tocou novamente na concentração de produtos nas pautas exportadoras e apresentou outros segmentos com oportunidades para os dois lados: além dos já citados automotivo e aeroespacial, ela falou sobre roupas, calçados, componentes elétricos e peixes como possibilidades para o Marrocos exportar, e de minério, aço, produtos químicos, farmacêuticos e maquinas industriais para a via contrária.

Ao fim do painel, o presidente da Câmara Árabe afirmou ter tomado notas de pontos importantes e colocou a entidade à inteira disposição para colaborar com as sugestões levantadas.

http://www.anba.com.br/noticia/21875669/oportunidades-de-negocios/brasil-tem-no-marrocos-uma-ponte-para-a-africa/

Congresso Nacional Africano, da África do Sul quer nacionalizar o Banco Central

bvn
Na África do Sul, o Congresso Nacional Africano (ANC, na sigla em inglês) deseja nacionalizar o Banco da Reserva da África do Sul, segundo as principais autoridades do partido. Essa medida acabaria com o status do banco central de ser uma das poucas autoridades monetária do mundo que ainda tem acionistas privados.
O anúncio do plano, que ainda precisa ser aprovado na conferência eletiva do ANC em dezembro, fez com que o rand caísse mais de 1% em relação ao dólar. No último dia da conferência de política do ANC, Enoch Godongwana, funcionário de política econômica do partido, afirmou que o partido agora acredita que “uma instituição como o Banco da Reserva deve estar em mãos públicas”. Para ele, “há um acordo geral de que a anomalia do Banco da Reserva – que ainda é privado – é um problema”.
A maioria dos bancos centrais do mundo é de propriedade do governo, mas a mudança de política planejada ocorre em meio a um debate mais amplo sobre o mandato e o papel do BC sul-africano na economia mais desenvolvida da África. No mês passado, o governo exigiu uma mudança na Constituição do país ao desejar tirar do BC a política de estabilidade de preços para proteger “o bem estar socioeconômico dos cidadãos”.
Atualmente, o Banco da Reserva da África do Sul tem mais de 600 acionistas, que detêm, no máximo, 10 mil das 2 milhões de ações do banco, de acordo com informações oficiais da instituição. No entanto, os acionistas não têm influência sobre a política monetária do BC, que é definida por um comitê de seis membros. Fonte: Dow Jones Newswires.

Índia e Angola discutem investimentos na agricultura, energia e mineração

 

Uma delegação chefiada pelo ministro da Economia, Abrahão Gourgel, organiza na Índia um evento de captação de investimento directo externo para promover a diversificação da economia nacional e impulsionar a actividade empresarial privada.

Ministro da Economia chefia delegação composta por vice-governadores de quatro províncias na deslocação à Índia
Fotografia: Vigas da Purificação | Edições Novembro

Denominado Road-show para Captação de Investimento Directo Externo ao Empresariado da Índia, o encontro começa amanhã e decorre até sexta-feira com o objectivo de alavancar a cooperação económica bilateral nos sectores da agricultura, silvicultura, minas, energia, indústria transformadora, transportes e logística.
Um comunicado do Ministério da Economia indica que a actividade é uma acção de promoção das potencialidades económicas, oportunidades de negócio e de investimento em Angola, por forma a captar investimento da Índia, uma economia com reconhecida experiência nos sectores que contribuem para a diversificação económica angolana.
Além de mobilizar o maior número possível de investidores indianos para o processo de atracção de investimento directo externo para Angola, o Road-show tem como foco demonstrar a atractividade de Angola como destino de investimento indiano, gerar com sucesso a confiança dos investidores indianos, criar um perfil de oportunidades de negócio e investimento, para o aumento dos fluxos de investimento directo indiano em Angola, mobilizar e convencer o empresariado indiano a investir em Angola nos sectores prioritários e alavancar a cooperação económica bilateral produtiva.
O Ministério da Economia indica que este primeiro Road-show para captação de investimento directo externo ao empresariado da Índia é objecto de uma agenda político-diplomática a ser realizada em Nova Deli, e secundada por três conferências, nas cidades de Deli, Chennai e Mumbai, onde além das apresentações sectoriais, vão ser igualmente apresentadas as oportunidades de negócio e investimento em Angola nas províncias do Zaire, Huambo, Bengo e Huíla. Por isso, a delegação angolana é igualmente integrada pelos secretários de Estado da Indústria, Kiala Gabriel, da Geologia e Minas, Manuel Domingos Almeida, e dos Transportes, Mário Miguel Domingues, além dos vice-governadores para Esfera Económica das províncias do Huambo, Zaire, Bengo e Huíla.

Encontros hoje

piyush.jpgO ministro da Economia tem hoje encontros com os ministros de Estado da Agricultura e Bem Estar dos Agricultores, S.S. Aluwalia, do Carvão, Minas e Energias Renováveis, Piyush Goyal, do Comércio, Nirmala Sitharaman, com o dos Assuntos Externos, e com alguns grupos empresariais indianos.
Abrahão Gourgel vai estabelecer contactos com instituições indianas para que se possa obter parcerias vantajosas, no âmbito da criação de capacidades produtivas e diversificação da economia nacional, com destaque para o contacto com a direcção do EXIMBANK ÍNDIA, do IDBI (Banco de Desenvolvimento), além da realização de uma conferência de oportunidades e potencialidades de investimento em Angola.

http://jornaldeangola.sapo.ao/politica/delegacao_esta_na_india_para_atrair_investidores

África do Sul quer intensificar os contatos com o Brasil

 

encontro do dois ministros das relações exteriores
A ministra sul-africana das Relações Internacionais, Maite Nkoana-Mashabane, acolheu segunda-feira uma delegação brasileira de alto nível, liderada pelo recém-nomeado ministro das Relações Exteriores, Aloysio Nunes Ferreira, que esteve em Pretória para fortalecer as relações existentes.

Nkoana-Mashabane e seu homólogo brasileiro abordaram a mídia em Pretória depois de uma reunião de portas fechadas entre os representantes dos dois governos.

“Felicitamos o ministro [Ferreira] pela sua nomeação. Apenas um mês ou dois depois de sua nomeação, ele prontamente está em nossa região, é uma manifestação política de que os brasileiros são os amigos que podemos depender, que estão observando o futuro da África que queremos, uma África que é em ascensão “, disse Nkoana-Mashabane.

“Nós dois, durante nosso encontro, reafirmamos nossa parceria estratégica entre nossos países. De fato, quando nos reunimos em fóruns multilaterais, metade do tempo brasileiros e sul-africanos estão discutindo assuntos internacionais. Portanto, reafirmamos que estaremos falando sobre como continuar a pensar globalmente e agir localmente “.

Nkoana-Mashabane disse que as reuniões realizadas na manhã de segunda-feira foram produtivas.

“Tudo o que eu quero dizer é que tivemos uma manhã produtiva, em um tipo de parceria muito amistosa, em uma atmosfera amigável. Mas queremos dar mais sentido aos nossos compromissos bilaterais “, disse ela, saudando a delegação brasileira a Pretória.

Dirigindo-se a jornalistas por meio de um intérprete,Aloysio Nunes Ferreira, minsitro brasileiro, disse que era sua primeira visita à África, em seu mandato como ministro das Relações Exteriores, e que foi uma oportunidade para continuar a cooperação entre o Brasil e os estados africanos, particularmente a África do Sul.

“O aspecto mais importante desta visita, e de nosso encontro, é a reafirmação das relações do Brasil com África e África do Sul. Isto reafirmando que a África continua a ser uma prioridade nas nossas relações internacionais.

“A ministra Nkoana-Mashabane está correta quando enumera o número de posições multilaterais em que o Brasil e a África do Sul participam conjuntamente e compartilham uma opinião comum. Mas isso não significa que não devemos continuar nossos esforços para que as relações bilaterais permaneçam intensas e férteis “, disse Ferreira.

“A África do Sul é o principal parceiro comercial do Brasil no continente africano. Em 2015 houve uma ligeira queda em nosso comércio internacional, resultado de uma série complexa de dificuldades econômicas que o Brasil atravessava, mas estamos lentamente reconstruindo “.

Ferreira disse que as empresas sul-africanas fizeram investimentos significativos em setores brasileiros, incluindo mineração, e recentemente empresas sul-africanas ganharam um concorrência para reconstruir um grande aeroporto no Brasil.

Aloysio disse que em uma análise a longo prazo, o comércio entre Pretória e Brasília será fortalecido aos trancos e barrancos.

A África do Sul e o Brasil estabeleceram relações diplomáticas desde de  1948 e, desde então, concluíram muitos acordos de cooperação.

A África do Sul tem sido historicamente um importador líquido de bens do Brasil. As exportações sul-africanas para o Brasil em 2016 totalizaram US $ 336 milhões, enquanto as exportações brasileiras para a África do Sul totalizaram US $ 1,4 bilhão.

Durante 2016, um total de 38.814 brasileiros visitaram a África do Sul. Em 2015, o total foi de 29.339, o que representa um aumento de 32,3% , segundo dados do governo sul-africano.

 

A Ministra das Relações Internacionais da África do Sul, Maite Nkoana-Mashabane, e sua homólogo brasileira, Aloysio Nunes Ferreira fizeram  uma declaração oficial:

“Hoje recebi e hospedei o meu homólogo, o Ministro das Relações Exteriores do Brasil, Sr. Aloysio Nunes Ferreira, numa visita de trabalho a Pretória.

O Ministro está acompanhado por uma delegação empresarial de alto nível que se encontra atualmente com os seus homólogos aqui em Pretória.

Em nosso encontro,  felicitei o Ministro Nunes Ferreira pela sua nomeação como Ministro das Relações Exteriores do Brasil  no dia 07 de março de 2017.

Ambos reafirmamos a Parceria Estratégica entre a África do Sul e o Brasil, que abrange a cooperação de país para país, a cooperação através de mecanismos inter-regionais e a nível global.

Entre outras questões, discutimos o seguinte:

A necessidade de fortalecer e expandir os níveis de comércio e investimento entre os dois países
Contatos mais pessoais
Questões regionais, incluindo SADC, progresso no acordo comercial MERCOSUL / SACU, BRICS e IBSA;
Nosso compromisso comum é  de continuar trabalhando juntos em assuntos globais, particularmente no avanço da cooperação Sul-Sul.
Em conclusão, reafirmamos as calorosas relações entre nossos dois países e nosso desejo de continuar a colaborar em assuntos de interesse mútuo.”

 

Fontes:

http://citizen.co.za/news/news-national/1515191/sa-brazil-elevate-trade-relations/

http://www.dirco.gov.za/docs/speeches/2017/mash0515.htm

Nigéria e Tanzânia resistem ao avanço comercial da Europa

Flag-Pins-Tanzania-Nigeria

A insistência dos países no próprio desenvolvimento exaspera os negociadores europeus
Os africanos querem distância do passado colonial simbolizado nesta cena do domínio britânico no Quênia, entre os séculos XIX e XX

A ideia dominante de que o livre-comércio é a melhor estratégia para a economia dos países pobres sofreu seu maior revés em décadas. Em uma demonstração de confiança na determinação de rumos próprios, a Nigéria e a Tanzânia rejeitaram as propostas de redução de tarifas defendidas pelos Estados Unidos e pela Europa com o objetivo de barrar o avanço da China e de outros países contestadores da hegemonia das grandes potências.

“Foi a oposição mais notável à liberalização comercial, mas a mídia fora do continente africano praticamente a ignorou”, chama atenção o economista Rick Rowden em artigo publicado pelo South Centre, organização de apoio ao crescimento sustentado e inclusivo mantida por governos de países em desenvolvimento.

Os africanos, diz, estão insistindo em políticas que deixam os negociadores europeus exasperados. A Nigéria, um dos maiores produtores de petróleo da África, e a Tanzânia, uma das economias de mais rápido crescimento do continente, mantiveram a decisão de não assinar os Economic Partnership Agreements (EPAs) ou acordos de parceria econômica com a Europa. Embora a maioria dos exportadores de países africanos já tenha acesso livre de taxas ao mercado da União Europeia, os novos pactos iriam gradualmente conceder condição semelhante, nos mercados africanos, aos produtos europeus.

Enquanto a Nigéria reafirmou a sua oposição aos EPAs para a Comunidade Econômica dos Estados do Oeste Africano, o novo governo de John Magufuli, da Tanzânia, surpreendeu muitos com a decisão de última hora de se afastar dos acordos semelhantes para a região da Comunidade do Leste Africano (EAC).

Os dois países adotaram recentemente planos ambiciosos para a industrialização. Os presidentes, os ministros de Comércio e Indústria e os dirigentes das associações de empresários da manufatura deixaram claro que a sua recusa às parcerias comerciais com a União Europeia se deve a preocupações de que as regras e restrições integrantes dos acordos ameaçam as suas novas estratégias.

O presidente da Nigéria, Muhammadu Buhari, durante uma sessão especial do Parlamento Europeu, no ano passado, reiterou a sua análise de que as regras dos EPAs solapam os objetivos da estratégia de desenvolvimento do seu país. Na Tanzânia, o Parlamento aprovou uma resolução unânime, em novembro, contra a assinatura do acordo de parceria comercial para a região da Comunidade do Leste Africano, pela mesma razão.

A resistência da Nigéria e da Tanzânia reverteu a celebração dos acordos válidos para as suas respectivas regiões da África e irritou os europeus depois de mais de uma década de negociações. A firme tomada de posição marca uma das mais importantes manifestações de desafio no continente, desde as campanhas pela independência nacional do colonialismo, nas décadas de 1950 a 1970.

Ao menos duas integrantes da Comissão de Comércio do Parlamento Europeu, Marie Arena, da Bélgica, e Julie Ward, do Reino Unido, declararam apoio à posição da Tanzânia e argumentaram que os acordos propostos seriam prejudiciais ao futuro do país.

Segundo Rick Rowden, as disputas relacionadas a questões de política comercial e de desenvolvimento são sempre polarizadas. Os negociadores partidários do livre-comércio querem promover as exportações a curto prazo, enquanto os desenvolvimentistas pensam em como transformar as economias agrícolas em industriais a longo prazo, processo que requer várias décadas para se completar.

Nos últimos 15 anos, enquanto os europeus sustentaram que os acordos comerciais ajudariam a África a exportar mais seus produtos agrícolas e minerais, os africanos mostraram preocupação quanto ao efeito inibidor daqueles pactos sobre a sua capacidade futura de produzir bens manufaturados.

Presidente
Os presidentes da Tânzania, John Magufuli, e da Nigéria Muhammadu Buhari, surpreenderam ao recusar a redução tarifária proposta pela União Europeia (Foto: Patrick Hertzog/AFP)

Entre as principais preocupações levantadas pelos representantes da Nigéria e da Tanzânia está a exigência dos EPAs aos países africanos para reduzirem cerca de 80% das suas tarifas sobre as importações de produtos da União Europeia ao longo de 25 anos, e eliminação de 60% dessas tarifas no fim dos acordos.

Segundo o presidente da Associação de Fabricantes da Nigéria, Frank Jacobs, “os acordos de livre-comércio vão sufocar indústrias que deixarão de ser competitivas perante a inundação dos nossos mercados nacionais por produtos acabados importados e mais baratos”.

As regras de liberalização de tarifas teriam impacto negativo também sobre pequenos agricultores, que podem ser varridos do mapa pela importação de produtos agrícolas europeus fortemente subsidiados.  O setor é o maior gerador de empregos e o principal componente do Produto Interno Bruto da Tanzânia.

A União Europeia diz que os acordos contêm salvaguardas para permitir a elevação temporária das tarifas no caso de surtos de grandes volumes de importações, mas seus críticos contestam que cláusulas semelhantes asseguradas pela Organização Mundial do Comércio se mostraram, na prática, extremamente complexas e difíceis de invocar. Em 20 anos de existência da OMC, esse dispositivo foi acionado apenas uma vez. 

https://www.cartacapital.com.br/revista/951/na-africa-nigeria-e-tanzania-resistem-ao-avanco-comercial-da-europa

O risco de investimento na África é o mesmo que na Europa e nas Américas

por Kumuênho da Rosa
12 de Abril, 2017

Fotografia: Santos Pedro | Edições Novembro

É completamente falso que África seja o lugar no mundo onde é maior, em termos absolutos, o risco de investimento por causa de questões ligadas à instabilidade política. É um facto que este risco persista em alguns países africanos em conflito armado.

No entanto desengane-se quem acredita que, em contraponto, a América ou a Europa sejam garantidamente o porto seguro para pôr dinheiro a render e simplesmente estar descansado. Basta analisar o efeito “Trump” na América e o efeito “Brexit” na Europa. O risco político para o negócio existe em qualquer economia e em qualquer região. A afirmação é de Miguel Carneiro, um jovem gestor angolano, que recentemente esteve como orador convidado num painel, com outros especialistas de investimento de diferentes regiões do mundo, numa conferência organizada pelo IESE – Instituto de Estudos Superiores da Empresa, da Universidade de Navarra, em Barcelona.


Jornal de Angola – Como caracterizar as diferentes regiões do globo por incidência de risco. Quais os factores que determinam o risco potencial para a realização de bons negócios?


Miguel Carneiro –
O mundo vive hoje, momentos atípicos, pois as regiões que tradicionalmente possuíam um risco de negócio baixo ou moderado, passaram recentemente a viver fenómenos políticos e sociais que elevaram consideravelmente o seu risco. Assistimos a esses fenómenos um pouco por toda a parte, América do Norte, América do Sul, Europa, Médio Oriente, Sudeste Asiático, e África. A análise de risco e a sua caracterização quase que deixou de ser uma ciência exacta, passando a ser quase uma arte, pois, nos dias de hoje se fizermos uma análise detalhada não existem regiões do globo, com risco inquestionavelmente baixo. O mundo esta totalmente globalizado, e por isso a melhor forma de caracterização de risco é a da classificação do risco especificamente para o negócio que se está a lançar. Com um total sentido de pragmatismo e objectividade, diria que o bom negócio é aquele que está estruturado de forma a florescer num ambiente, no qual, está inserido, seja em Angola, Espanha, Alemanha ou outro país.

JA – Porquê que o risco nos negócios por eventos políticos tanto dá para África como para qualquer outra região do mundo?

MC –
Não é possível haver negócios estanques de risco políticos, e isso é valido tanto em África como em qualquer outro continente. É um facto que todas as nações do globo têm estruturas políticas e consequentemente governativas na condução dos seus destinos. No negócio, os riscos políticos são projectados com base no historial do país ou da região no qual o negócio está ou pretende estar instalado. Por isso, no contexto dos negócios sempre que se termina e se inicia um novo ciclo político, repete-se o exercício de análise de risco, quer seja em África, América ou na Europa. Todas as sociedades são dinâmicas e os negócios também forçosamente precisam de ser dinâmicos para se poderem adaptar ao meio envolvente e continuar a crescer.

JA- Fale-nos um pouco da experiência de ser orador numa conferência para um público tão segmentado?

MC –
Foi claramente um desafio ser orador no IESE. Trata-se de uma instituição que conheço bem, sendo a melhor escola de negócios da Europa e top nos  rankings mundiais.
Numa instituição com o prestígio e reputação desta escola de negócios, a fraquia está sempre bem alta. Apesar dos negócios e investimentos em mercados emergentes, serem temas técnicos com os quais sinto-me perfeitamente à vontade, foi sobretudo necessário colocar-me nas vestes do público para poder responder de forma clara e objectiva a todas perguntas colocadas. São alunos de Mestrado e futuros gestores de topo, empreendedores, e investidores de todas as partes do mundo, com ideias bem claras e dúvidas objectivas. O moderador em si, o professor doutor Alejandro Lago é um acadêmico

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de elevado calibre, com credenciais que incluem um phd na Berkeley. Procurei elevar-me ao desafio.

JA – Com que impressão ficou?

MC – Fiquei com uma excelente impressão. Escolas de negócios como o IESE, são simplesmente exímias em termos organizacionais e de procura incansável pela excelência. Foi uma experiência fantástica, após anos voltar a rever professores e gestores com os quais tive a oportunidade de conviver aquando do meu mestrado.
O evento correu muito bem, tendo o fórum tocado nos pontos críticos de interesse para o público, que assistiu e teve oportunidade de fazer perguntas directamente aos oradores. Tópicos como riscos, desafios e oportunidades estão na vanguarda de qualquer negócio em mercados emergentes.

JA – Percebemos a sua preocupação em clarificar que África é um continente e não um país. Sente que isso tem sido um obstáculo ao investimento em países africanos?

MC – Algumas correntes de informação no mundo, apresentam África e alguns países africanos de uma forma sobreposta, ou seja, uma mistura entre o continente e os países que o compõem. Várias vezes assistimos por exemplo, a temas positivos como recursos naturais (exemplo da agricultura e minério) apresentados num modelo continental. Ao mesmo tempo também assistimos a temas menos positivos e que de facto não correspondem à verdade, como o risco em países como o Congo e Angola, apresentados também num modelo continental.

JA – Falou de Angola e de alguns programas governamentais, como o Angola Investe. Qual foi a percepção do auditório ao abordar algo tão específico?

MC – Angola está numa posição única no continente africano. Programas com o modelo do Angola Investe, não são comuns em África, sobretudo na questão da partilha do risco entre o investidor e o Estado. Este modelo, cumprindo com o preconizado, tem o potencial de se apresentar como uma clara alavanca ao investimento e ao empreendedorismo. Trata-se de uma demonstração de compromisso do país com os seus investidores e investimentos, o que foi entusiasticamente recebido pelo auditório.

JA – Outra questão é o acesso aos mercados financeiros. Porquê que os países africanos sentem tanta dificuldade em aceder a financiamentos no exterior?

MC – Primariamente o acesso aos mercados financeiros e consequentemente financiamento internacional, que requer acima de tudo capacidade de endividamento, um pré-requisito que, por questões históricas, há duas décadas esteve restrito a muito poucos países no continente africano. Segundo, além de terem de estar enquadrados nas melhores práticas de gestão financeira, os países africanos que à data, já cumprem com o primeiro requisito, precisam de ter uma articulação e execução mais objectiva e directa com as grandes praças financeiras mundiais.

JA – A crise financeira tem feito mossa em economias emergentes, como a de Angola. Mas ela (a baixa dos preços das matérias-primas) é também uma oportunidade para fazer negócios. Que segmentos poderiam ser apostas para os investidores?

MC – Angola é uma excelente aposta para o investimento, pelo facto de ser um país do futuro. Os contra ciclos económicos em termos técnicos, constitui a melhor altura para se realizar investimentos. Como em todas as regiões já abordadas, os riscos existem e no caso de Angola estes riscos podem ser amplamente mitigados. Todas as oportunidades de investimento por excelência em Angola têm de estar enquadradas no contexto do país, e forçosamente de utilizar uma cadeia produtiva nacional. Independentemente do sector, Angola tem de ser um país focado, e o estado jogar um papel crucial neste aspecto. Garantindo a intervenção do Estado dando as bases, apostar em alguns segmentos da Agricultura e agro-business, podem claramente ser apostas para investidores angolanos ou internacionais, tal como podem ser alguns segmentos do sector mineiro. Para a materialização do futuro promissor de Angola, é crítica a implementação de um foco, porque a dispersão enfraquece a maior parte das estratégias.

http://jornaldeangola.sapo.ao/entrevista/nos_negocios__o_risco_existe__em_todo_o_lado

As Falências atingem mais empresas comerciais em Angola

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por Lourenço Bule

Parte significativa das 648 empresas comerciais licenciadas nos últimos anos na província do Cuando Cubango fecharam as portas, devido a dificuldades de importação de produtos da Namíbia, revelou o presidente da Câmara do Comércio e Indústria local.
Longui António Bongui disse que, por sobreviverem essencialmente das importações, com a escassez de divisas no mercado nacional os proprietários de 50 por cento dos estabelecimentos comerciais ficaram sem saída e como resultado tiveram que encerrar.
“A situação sócio-económica que o país vive actualmente reflecte-se nas nossas empresas, dada a realidade da região, onde não existem grandes armazéns para apoiar os pequenos empreendedores”, referiu.
O responsável disse haver pouco incentivo por parte da banca, para que cresçam os volumes de negócios da classe empresarial local. Para o crescimento da classe empresarial e diversificação da economia, sugere a necessidade de mais créditos bancários, para o financiamento dos projectos. “Não existe nenhum homem de negócios que trabalhe somente com o seu próprio capital”, ressaltou.
Por sua vez, o secretário de Estado para o Comércio Interno, Jaime Fortuna, exortou a classe empresarial do Cuando Cubango a apostar nas actividades agro-pecuárias e em outras fontes de produção com vista a mitigar os efeitos da crise económica e financeira e aumentar a venda de produtos nacionais em todas as superfícies comerciais do país. Durante um encontro com os empresários locais, Jaime Fortuna sublinhou que as crises geram oportunidades e nesta ordem de ideias é necessário apostar na produção nacional e diminuir a importação para a valorização dos bens e serviços locais.
O secretário de Estado disse que os produtos importados devem complementar a produção nacional e não o inverso. “Actualmente, a pirâmide do país está invertida, visto que temos um excesso de produtos oriundos do exterior e que dominam o circuito de comércio angolano”, frisou. Com o esforço redobrado de todos, disse, é possível ultrapassar rapidamente a actual crise económica, salvaguardar as empresas licenciadas, garantir empregos e ajudar o país a crescer cada vez mais.
Jaime Fortuna reiterou a necessidade de os operadores logísticos penetrarem mais no interior do país para escoarem os produtos do campo para os estabelecimentos comerciais das áreas urbanas. “Todos os anos, há relatos de camponeses e agricultores que se queixam da deterioração de grandes quantidades de alimentos por falta de escoamento”, reconheceu.
O secretário de Estado lembrou que o país está a viver um momento difícil, condicionando em alguns casos a capacidade de importação e o abastecimento do mercado nacional, “mas, se nos empenharmos mais nas actividades do campo, podemos mitigar esta situação”. Jaime Fortuna garantiu que, apesar da actual conjuntura, não existe rotura de “stocks”.
Em Menongue, a comitiva chefiada por Jaime Fortunato visitou alguns estabelecimentos comerciais, designadamente as lojas Shoprite, Nosso Super, Ferplas e a empresa de venda de automóveis Indagro, que declarou falência por falta de recursos financeiros.

Comércio transfronteiriço

O vice-governador do Cuando Cubango para o sector Económico e Produtivo, Ernesto Kiteculo, disse que o governo provincial gizou um programa de reparação das estradas que ligam os municípios de Menongue, Cuangar, Calai e Dirico, bem como Cuito Cuanavale, Nancova e Mavinga, com o intuito de impulsionar o desenvolvimento do comércio transfronteiriço e a circulação de pessoas.
Ernesto Kiteculo acredita que, com a conclusão das obras, vão surgir melhorias substanciais na circulação de pessoas e mercadorias, visto que a região do Cuando Cubango faz fronteira com a Namíbia e Zâmbia, e situa-se próximo do Botsuana. Dada a sua localização geográfica na África Austral, uma boa rede rodoviária no Cuando Cubango pode servir uma grande plataforma logística para as províncias do Bié, Cunene, Huíla e Moxico.
O vice-governador salientou que o governo provincial está a preparar um conjunto de acções que visam a implantação de vários projectos sócio-económicos e a manutenção das infra-estruturas rodoviárias, com o objectivo de melhorar a circulação de pessoas e mercadorias.
“O governo da província e o Ministério do Comércio têm vindo a desenvolver um conjunto de esforços na perspectiva de abordar vários assuntos que afligem a classe empresarial, com realce para a falta de crédito bancário para o financiamento dos seus negócios, incluindo a importação, e a escassa distribuição de bens produzidos localmente para exportação”, disse.

http://jornaldeangola.sapo.ao/…/falencia_atinge_mais_empres…

O Observatório

Este observatório é uma iniciativa do Grupo de Estudos Africanos vinculado ao Instituto de Relações Internacionais da Universidade de Brasília (GEA/IREL-UnB), que busca refletir sobre a vida política, social e econômica da África contemporânea, com destaque para sua inserção internacional. Preocupando-se com o continente marcado pela diversidade, o Grupo de Estudos Africanos, por meio do Observatório, propõe um olhar crítico e compreensivo sobre temas africanos, em suas mais diversas dimensões.