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Crescimento sem industrialização? Etiópia, Costa do Marfim, Tanzânia, Senegal, Burkina Faso e Ruanda

 

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Apesar dos baixos preços mundiais das commodities das quais tendem a

depender, muitas das economias mais pobres do mundo estão em boa

situação. O crescimento da África Subsaariana desacelerou

drasticamente desde 2015, mas isso reflete problemas específicos em

três de suas maiores economias (Nigéria, Angola e África do Sul).

 

As projeções para Etiópia, Costa do Marfim, Tanzânia, Senegal, Burkina

Faso e Ruanda apontam para a obtenção de um crescimento de 6% ou

mais neste ano. Na Ásia, o mesmo ocorre com Índia, Mianmar,

Bangladesh, Laos, Cambodja e Vietnã.

 

Essas são boas novas, mas são também surpreendentes. Economias em desenvolvimento que conseguem crescer aceleradamente de maneira sustentável, sem depender de surtos de crescimento dos recursos naturais -como a maioria desses países dependeu por uma década ou mais -, normalmente são impulsionadas pela industrialização voltada para as exportações. Só que poucos desses países estão vivenciando muita industrialização.

 

A participação da indústria de transformação nos países subsaarianos de baixa renda está, em grande medida, estagnada – e, em alguns casos, em queda. E, apesar de muito se falar do “Make in India”, uma das máximas do premiê Narendra Modi, o país dá poucos indícios de contar com uma industrialização acelerada.

 

A produção industrial se tornou uma poderosa força propulsora do desenvolvimento econômico para países de baixa renda por três motivos. Em primeiro lugar, era relativamente fácil absorver a tecnologia do exterior e gerar empregos de alta produtividade.

Em segundo lugar, os empregos industriais não exigiam muita qualificação: agricultores podiam ser transformados em trabalhadores da produção em fábricas, com pouco investimento em treinamento adicional.

E, em terceiro lugar, a demanda por produtos industrializados não era limitada pela baixa renda interna: a produção podia se expandir virtualmente de forma ilimitada, por meio das exportações.

 

Mas as coisas mudaram. Está atualmente bem documentado que a produção se tornou cada vez mais intensiva na utilização de qualificações nas últimas décadas.

 

Juntamente com a globalização, isso dificultou muito para os recém-chegados o ingresso com força nos mercados mundiais e a reedição da experiência dos superastros asiáticos da indústria de transformação. Com a exceção de um punhado de exportadores, as economias em desenvolvimento passaram por uma desindustrialização prematura. É omo se a força propulsora tivesse sido retirada dos países retardatários.

 

Como, então, entender o recente surto de crescimento de alguns dos países mais pobres do mundo? Será que esses países descobriram um novo modelo de crescimento?

 

Em pesquisa recente, Xinshen Diao, do Instituto Internacional de Pesquisa em Política Alimentar, Margaret McMillan, da Universidade Tufts, e eu examinamos os padrões de crescimento ostentados por essa nova safra de países de alto desempenho. Nosso foco está nos processos de mudança estrutural vivenciados por esses países.

Documentamos algumas descobertas paradoxais.

Em primeiro lugar, a mudança estrutural promotora de crescimento foi significativa na experiência recente de países de baixa renda como Etiópia, Malawi, Senegal e Tanzânia, apesar da ausência de industrialização.

 

A mão de obra tem migrado das atividades agrícolas de baixa produtividade para atividades de maior produtividade, mas estas são, principalmente, serviços, e não indústria de transformação.

 

A agricultura teve papel

fundamental na África por si

só e também ao impulsionar

mudanças estruturais que

ampliam o crescimento.

Diversificação e adoção de

novas técnicas de produção

podem transformá-la em

atividade virtualmente

moderna

 

Em segundo lugar, a rápida mudança estrutural ocorrida nesses países

sucedeu à custa de um crescimento da produtividade do trabalho

primordialmente negativo nos setores não agrícolas. Em outras

palavras, embora os serviços que absorviam os novos postos de trabalho

ostentassem uma produtividade relativamente alta de saída, sua

dianteira diminuiu à medida que se expandiam.

 

Esse comportamento contrasta acentuadamente com a experiência clássica de crescimento do Leste da Ásia (como as de Coreia do Sul e China), na qual a mudança estrutural e aumentos da produtividade da mão de obra não agrícola contribuíram significativamente para o crescimento total.

 

A diferença parece ser explicada pelo fato de que a expansão de setores urbanos, modernos, em recentes episódios de crescimento acelerado é impulsionada pela demanda interna, e não pela industrialização voltada para as exportações.

 

Em especial, o modelo africano parece ser sustentado por choques positivos de demanda agregada gerados ou por transferências procedentes do exterior ou pelo crescimento da produtividade na agricultura.

 

Na Etiópia, por exemplo, os investimentos públicos em irrigação, transportes e energia elétrica geraram um aumento significativo da produtividade e das rendas agrícolas. Isso resulta em mudança estrutural promotora do crescimento, uma vez que o aumento da demanda se propaga para os setores não agrícolas.

Mas, como efeito colateral, a produtividade da mão de obra não agrícola é deprimida com a diminuição dos retornos sobre o capital e a atração de empresas menos produtivas.

Não se pretende com isso minimizar a importância do crescimento acelerado da produtividade na agricultura, o setor arquetipicamente tradicional. Nossa pesquisa sugere que a agricultura desempenhou papel fundamental na África não apenas por si só como também como impulsionadora de mudança estrutural magnificadora do crescimento.

 

A diversificação para produtos não tradicionais e a adoção de novas técnicas de produção podem transformar a agricultura em uma atividade virtualmente moderna.

 

Mas há limites para o quanto esse processo consegue puxar a economia. Em parte devido à baixa elasticidaderenda da demanda por produtos agrícolas, o êxodo da mão de obra da agricultura é resultado inevitável durante o processo de desenvolvimento.

 

A mão de obra liberada tem de ser absorvida nas atividades modernas. E, se aprodutividade não se expandir nesses setores modernos, o crescimento de toda a economia vai, em última instância, estacionar. A contribuição que o componente da mudança estrutural pode dar é necessariamente autolimitadora, caso o setor moderno não experimente um crescimento acelerado da produtividade por si só.

 

Países africanos de baixa renda conseguirão sustentar taxas moderadas de crescimento da produtividade no futuro, calcadas em persistentes aprimoramentos do capital humano e da governança. A continuidade da convergência com níveis de renda de países ricos parece alcançável. Mas as evidências sugerem que as taxas de crescimento infundidas recentemente pela mudança estrutural acelerada são excepcionais e poderão não durar.

 

Jornal Valor 17 de outubro de 2017

(Tradução de Rachel Warszawski).

Dani Rodrik é professor de economia política internacional na Faculdade de Governo John F. Kennedy, de Harvard. Copyright: Project Syndicate, 2017.

www.project-syndicate.org

Fonte:http://www.valor.com.br/opiniao/5157940/crescimento-sem-industrializacao

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Visita de trabalho de dois dias à Nigéria do ministro das Relações Exteriores do Brasil


 

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foto: Ministro Aloysio Nunes do Brasil e o Ministro de Negócios Estrangeiros da Nigéria, Geoffrey Onyeama.

Comunicado sobre a visita de trabalho de dois dias à Nigéria do
ministro das Relações Exteriores do Brasil, Aloysio Nunes Ferreira

(Tradução livre para o português. O texto original em inglês segue após a versão em português)

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O ministro das Relações Exteriores da República Federativa do Brasil, Sr. Aloysio Nunes Ferreira, realizou visita de trabalho de dois dias à Nigéria, de 11 a 12 de outubro de 2017. O ministro liderou uma delegação de oito funcionários de alto nível do governo brasileiro.

2. Durante a visita, o ministro das Relações Exteriores do Brasil manteve encontros bilaterais com o ministro dos Negócios Estrangeiros, Sr. Geoffrey Onyeama, e com o ministro da Agricultura e do Desenvolvimento Rural, Chefe Audu Ogbeh.

3. As discussões entre o ministro dos Negócios Estrangeiros da Nigéria e o ministro das Relações Exteriores do Brasil centraram-se em questões de interesse comum destinadas a fortalecer as cordiais, fraternas e duradouras relações entre os dois países. A este respeito, ambos os ministros discutiram acordos bilaterais atualmente em negociação por especialistas dos dois países, que incluem:

i) Minuta de Acordo de Cooperação e Facilitação de Investimentos;

ii) Minuta de Acordo sobre Transferência de Presos;

iii) Minuta de Acordo de Cooperação sobre Desenvolvimento Agrícola no âmbito do programa “More Food International”;

iv) Acordo de extradição

4. Os dois ministros também discutiram temas da agenda internacional atual, como a necessidade urgente de reforma do Conselho de Segurança das Nações Unidas, para que ele possa realmente refletir a atual ordem mundial, e o imperativo do combate ao terrorismo internacional, inclusive com a eliminação dos problemas sociais que contribuem para a sua disseminação.

5. Além disso, ambos os ministros dos Negócios Estrangeiros trocaram impressões sobre a ameaça à segurança na região do Sahel e reafirmaram o seu apoio a iniciativas como a Força-Tarefa Conjunta Multinacional, na qual os países da região encontram suas próprias soluções para os problemas que os afetam. Além disso, os ministros concordaram que o aprofundamento da cooperação entre os dois países no campo da Defesa pode contribuir para a estabilização da região e fortalecer ainda o papel desempenhado pela Nigéria.

6. Além disso, ambos os ministros dos Negócios Estrangeiros analisaram o nível de implementação do Mecanismo de Diálogo Estratégico entre a Nigéria e o Brasil, que é uma plataforma destinada a intensificar o engajamento entre os dois países. O Diálogo Estratégico também funciona como base para manter o diálogo de alto nível entre funcionários dos dois países e servir como um fórum para a implementação de acordos que abrangem agricultura e segurança alimentar, comércio e investimento, energia, educação, petróleo e mineração.

7. A respeito de cooperação agrícola, o ministro da Agricultura e Desenvolvimento Rural da Nigéria e o ministro das Relações Exteriores do Brasil trocaram impressões sobre o programa “Mais Alimentos International” e o compartilhamento de experiências no campo da pecuária, com vistas ao aumento da produção na Nigéria. Ambos os países também compartilharão experiências de programas de merenda escolar, políticas de intervenção social e de combate à corrupção, entre outras questões de interesse comum.

8. Ao final da visita, o ministro das Relações Exteriores do Brasil convidou o ministro das Relações Exteriores da Nigéria a visitar o Brasil em uma data mutuamente conveniente. Além disso, ambos concordaram com a necessidade de troca de visitas de alto nível para compartilhar experiências e fortalecer a cooperação em áreas de suas relações bilaterais.

http://www.itamaraty.gov.br/pt-BR/notas-a-imprensa/17580-comunicado-sobre-a-visita-de-trabalho-de-dois-dias-a-nigeria-do-ministro-das-relacoes-exteriores-do-brasil-aloysio-nunes-ferreira-abuja-11-e-12-de-outubro-de-2017

Brasil coopera tecnicamente com a agricultura familiar de Moçambique

O ministério moçambicano da Agricultura e Segurança Alimentar (MASA) está interessado em incorporar a experiência do Brasil na construção de políticas públicas viradas para o fortalecimento da agricultura familiar (AF) no país.

África 21 Digital com AIM


O MASA, a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), a Agência Brasileira de Cooperação (ABC) e a União dos Camponeses (UNAC) estão a discutir, em Maputo, um modelo a ser aplicado no registo dos agricultores do setor familiar no país.

O modelo, segundo a diretora nacional de Extensão Agrária, Sandra Silva, que falava hoje durante a cerimónia de abertura do seminário nacional sobre caracterização e cadastro da Agricultura Familiar em Moçambique, visa desenvolver instrumentos para dar valor à AF, bem como conceber um sistema de cadastro de pequenos agricultores e dos provedores de serviços de extensão.

Além de fornecer subsídios de como caracterizar a AF nos países da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP), Silva acrescentou que pretende-se formular estratégias de institucionalização de programas e políticas viradas ao apoio da agricultura familiar.

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“Temos muita expectativa na implementação dos resultados deste projeto, pois vai contribuir significativamente no desenvolvimento do sector agrário na medida em que irá melhorar o apoio na disponibilização da informação sobre a assistência dos provedores de serviço de extensão”, disse.nyusicampanhaagricola1

Tal apoio deverá utilizar plataformas de diálogo com os governos, a comunidade académica, bem como com a sociedade civil da CPLP, sobretudo do Brasil.

A diretora reconheceu o papel da AF na implementação dos planos e projetos do sector da agricultura em Moçambique.

Por seu turno, a presidente da UNAC, Ana Paula, disse que a produção agrária deve estar centrada em culturas e insecticidas usadas em solos moçambicanos.

“Não queremos produzir com produtos que prejudicam a saúde humana. E nós queremos praticar a agricultura moçambicana. Esperamos que vamos partilhar essas informações com os outros”, defendeu.

Sobre o cadastro, Paula prevê que o projeto seja desenhado a favor dos camponeses moçambicanos, refutando a prática de uma agricultura multicultural.

“Queremos que o nosso governo apoie-nos, nós pequenos agricultores, oferecendo pequenas máquinas para podermos aumentar a produção. Não trazer os investidores para ocuparem as nossas terras”, vincou.

Para a assistente do representante da FAO em Moçambique, Cláudia Pereira, além de contribuir para o desenvolvimento sustentável, a AF preserva as culturas alimentares tradicionais, o que catapulta uma dieta equilibrada.

“São esses alguns dos aspectos que reforçam o grande contributo da FAO em manter o nosso apoio ao país na realização de seus objetivos de desenvolvimento”, disse.

https://africa21digital.com/2017/09/13/mocambique-interessado-em-modelo-brasileiro-de-registo-de-pequenos-agricultores/

Comercialização do açúcar de Moçambique será afetado com a saída do Reino Unido da União Européia

cana.jpgMoçambique e países vizinhos receiam que o Reino Unido deixe de lhes comprar açúcar quando sair da União Europeia e já estão a procurar alternativas para escoar a produção.

As implicações do ‘Brexit’ foram discutidas hoje em Maputo numa conferência da Federação dos Produtores de Açúcar da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC).

Segundo um estudo apresentado na conferência, citado pela Agência de Informação de Moçambique (AIM), a União Europeia é o terceiro maior produtor de açúcar e, ao mesmo tempo, o segundo maior consumidor do mundo.

Dentro da UE, o Reino Unido absorve a maior parte do açúcar da SADC, mas com o ‘Brexit’, os britânicos poderão negociar outras origens – inclusive a própria Europa, que deverá aliviar limitações à produção.

O vice-Ministro da Indústria e Comércio de Moçambique, Ragendra de Sousa, apontou a necessidade de diversificar os destinos de exportação, referindo que “o mundo não acaba na União Europeia, havendo outros parceiros”.

Rosário Cumbe, presidente da Associação dos Produtores de Açúcar de Moçambique (APAMO), apontou como alternativa o mercado da SADC com um deficit de dois milhões de toneladas por ano, abrangendo países como Angola, Tanzânia e República Democrática do Congo.

Segundo os dados da associação, Moçambique é autossuficiente em açúcar, dispondo de uma capacidade instalada para produzir 550 mil toneladas por ano, mas que se fica atualmente pelas 460 mil.

Estima-se que o consumo doméstico ronde as 220 mil toneladas.

De acordo com as mesmas estimativas, a indústria açucareira moçambicana emprega mais de 35 mil trabalhadores, entre efetivos e sazonais, constituindo-se como o segundo maior empregador depois do Estado, calculando-se que, adicionando o emprego indireto, haja 150 mil pessoas dependentes do setor.

 

75% dos fertilizantes usados na agricultura brasileira é importado

fertilizantesA agricultura nacional posiciona o país na quarta posição entre os consumidores de fertilizantes, atrás apenas de China, Índia e Estados Unidos. Enquanto o consumo desses produtos aumenta, em média, 2% ao ano no mundo, o crescimento no Brasil é de 4%. De maneira inversa, a fabricação nacional tem caído nos últimos anos, abrindo espaço para a entrada de mais produtos importados.

Essa dependência de nutrientes estrangeiros influencia diretamente no custo da lavoura e obriga os fazendeiros a incluírem a cotação do dólar na conta da produção da safra.

potassioImporta-se mais de 90% do potássio que consumimos, e esse nutriente é muito exigido pela planta.Além dos altíssimos investimentos necessários para o processo de mineração, fabricação e logística dos insumos de origem mineral, a produção nacional também esbarra na questão ambiental, pois a mineração pode comprometer áreas de grande importância.

Brasil é referência como modelo de agronegócio, para o futuro presidente de Angola

01João Lourenço, futuro presidente de Angola,defendeu em Madrid a necessidade de Angola diversificar a sua economia para garantir o crescimento e citou o Brasil como referencia:

“Diversificar a economia é fundamental e indispensável para o crescimento. É imprescindível abrir a nossa economia e esquecermos um pouco o petróleo. O nosso país, Angola, pode sobreviver, tem mais recursos para além do petróleo. Vamos criar incentivos na agro-indústria. Angola tem uma grande extensão, muitas terras cultiváveis, muita água, um clima muito propício, porque não tem Inverno, e pode ser uma grande potência agrícola, tipo Brasil.

Portanto, queremos diversificar o nosso sector industrial, as indústrias de transformação e extracção. Angola tem uma grande quantidade de minerais, alguns importantes, como os diamantes, ouro, ferro. Até agora só se exportava petróleo e diamantes. Também está-se a apostar na pesca. Angola tem uma costa marítima extensa, foi noutros tempos um grande produtor de pescado e marisco, o mar pode gerar para nós recursos para alimentar a nossa população e para exportar. E quero destacar o turismo. Angola tem um grande litoral. Não só queremos trabalhar no turismo de praia, mas também no do interior. Queremos investimentos para criar infra-estruturas e isso vai permitir-nos criar postos de trabalho. Se diversificarmos estes quatro ramos da economia, poderemos resolver um dos principais problemas de Angola, o desemprego, especialmente dos jovens.”

 

Fonte:http://jornaldeangola.sapo.ao/entrevista/e_preciso__esquecer__um_pouco_o_petroleo#foto

Presidente da Guiné-Bissau promove cultivo do arroz

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O presidente da Guiné-Bissau aposta na agricultura como alavanca para o desenvolvimento do país. Durante encontro com jornalistas, o presidente falou dos objetivos do projeto “Mon na Lama”, de cultivo de arroz, já em fase de execução em Calequisse, sua aldeia natal.


África 21 Digital, com ANG


José Mário Vaz, que falava aos jornalistas, disse que, num futuro próximo, pretende lavrar duas vezes por ano, e que os resultados obtidos este ano contaram com o apoio dos populares de Calequisse.

O presidente disse que o projeto “Mon na Lama” faz parte da sua ambição para o país  e que, em campanhas eleitorais, tinha prometido ao povo a auto-suficiência alimentar, sobretudo a nível do arroz.

Segundo José Mário Vaz, o objectivo de seu projecto é levar o país à auto-suficiência alimentar. “Amílcar Cabral [líder da luta de libertação nacional anti-colonial] tinha dito que a libertação do país do jugo colonialismo era programa mínimo. Mon na Lama significa exatamente a implementação do programa maior, que  é a fase em que nos encontramos, de utilização da agricultura como um dos grandes factores de produção para relançar a economia, criar emprego e manter a população nas suas aldeias”, afirmou.

O presidente enfatizou que a Guiné-Bissau gasta cerca de US$ 50 milhões de dólares por ano na compra de arroz e que o país pode perfeitamente  resolver esse problema, sem estar constantemente a importar. O arroz é o produto básico da alimentação do povo guineense.

“Quando importarmos arroz estamos a criar riqueza e emprego para os países exportadores”, disse.

Na ocasião, José Mário Vaz anunciou a presença no país de uma delegação do Fundo da Arábia Saudita, interessado em apoiar o  projeto Mon na Lama.

https://africa21digital.com/2017/08/22/presidente-da-guine-bissau-quer-promover-cultivo-de-arroz/

 

Proteína animal em Angola tem grande potencial de crescimento

A produção interna de carnes está aquém das necessidades do mercado, uma situação que o Governo pretende inverter nos próximos anos com os investimentos em curso em todo o país, afirmou o secretário de Estado da Agricultura para o Sector Empresarial.

Feira do Lubango exibiu potencialidades agropecuárias durante quatro dias
Fotografia: Arimateia Baptista | LubangoCarlos Alberto, que falava no encerramento da 14.ª edição da Feira Agropecuária, enquadrada nas Festas da Nossa Senhora do Monte, referiu que no ano passado o país importou 420 mil toneladas de carne bovina, suína e aves.
No mesmo período, salientou, a produção interna foi de, aproximadamente, 50 mil toneladas.  “Temos de modificar essa situação, porque as potencialidades da região são enormes, carecendo apenas de esforço, tanto do sector empresarial, como do Executivo, que continuará a prestar o seu apoio institucional”, disse.
O secretário de Estado afirmou que, juntar criadores para trocar experiências, sensibilizar outros intervenientes na cadeia produtiva, na tentativa de obter consensos para que haja uma participação efectiva de todos, é uma iniciativa valiosa.
O governante considera que o reconhecimento, a entrega de troféus, a exposição de animais e a realização de leilões devem constituir um estímulo para os criadores de gado. “É preciso aproveitar todas as oportunidades que a feira oferece não só para a realização de negócios, como para muita diversão”, referiu.
O presidente da Cooperativa dos Criadores de Gado do Sul de Angola (CCGSA), Luís Nunes, defendeu um serviço técnico que reúna as condições para prestar uma assistência veterinária e zootécnica capazes de assegurar a profilaxia, a sanidade, o bem-estar e gestão dos animais. A assistência técnica eficaz na produção e conservação de pastagens e forragens, é outra acção defendida pelo presidente da CCGSA, que congrega mais de 82 fazendas. “É esta a nossa responsabilidade, enquanto cooperativa de criadores de gado, mas é necessário um maior investimento público de interesse para este sector, que deve ser garantido pelo Governo”, afirmou.
Luís Nunes disse que os associados depositam confiança e expectativa no futuro da região e do sector pecuário, alavanca do desenvolvimento económico e social.
“É fundamental uma atenção muito especial do Ministério da Agricultura e Desenvolvimento Rural nos apoios que devem ser prestados ao sector, para que os resultados de cada empresa e criador de gado sejam efectivos e contribuam, de facto, para o crescimento da economia angolana e não sejam apenas simples números estatísticos”, frisou.
O responsável defendeu a construção de um matadouro moderno e respectivas estruturas complementares, capazes de garantir o  abastecimento do mercado com gado produzido na região sul.
Luís Nunes defendeu a criação de uma estrutura de assistência técnica nos vários domínios da produção, abate e comercialização da carne. Neste momento, está em execução um programa de fomento e requalificação do gado do Sul de Angola, cujo protocolo já foi assinado com o Governo provincial da Huíla.
O programa visa o melhoramento genético do gado, principalmente ao nível dos pequenos criadores, com o objectivo de elevar o índice de crescimento e rentabilidade da produção, assim como melhorar a qualidade da carne. “São prioridades da Cooperativa de Criadores de Gado do Sul de Angola a defesa dos superiores interesses dos nossos associados e dos criadores de gado na sua generalidade”, indicou.

Mais carne e maior rentabilidade

A direcção da CCGSA está ciente da necessidade de estruturar o sector, com vista a uma melhor rentabilidade das explorações agro-pecuárias, empresariais e individuais, e aumentar a produção de carne e leite com mais qualidade. Luís Nunes garantiu que a direcção da cooperativa tem consciência de que os objectivos não serão conseguidos apenas pelos associados, mas também com a participação dos criadores individuais e, fundamentalmente, com o apoio do Governo, com linhas de crédito acessíveis e subsídios à produção. “Estamos de acordo e disponíveis para dar o nosso contributo neste processo, mas é necessário que se faça uma distribuição mais equitativa das disponibilidades do Orçamento para esse fim”, defendeu.
O líder cooperativo solicitou mais atenção das autoridades, numa altura em que sector primário da economia constitui uma prioridade na diversificação económica, “porque ele garante mais emprego e mais riqueza”.
Luís Nunes garantiu que a CCGSA tem capacidade para satisfazer uma parte significativa das necessidades do país, desde que lhes sejam garantidos os apoios necessários.
“Estamos conscientes de que os novos tempos vão trazer-nos uma realidade diferente, que o futuro vai exigir mais trabalho, mais sacrifícios, controlo da actividade e uma nova filosofia de gestão, mas acima de tudo sabemos que o país vai ser diferente”, referiu
A feira do Lubango, que terminou ontem com a presença de criadores de gado das províncias do Cuanza Sul, Namibe, Benguela, Huambo, Huíla e Cunene, expôs 390 bovinos de diferentes espécies durante os quatro dias do certame. Mais de 200 cabeças de gado foram leiloadas.Angola possui cerca de 3.850.000 cabeças de gado, cuja maioria se encontra na região Sul. A CCGSA enquadra 82 associados, todos eles grandes produtores.
Na sexta-feira, o Governo procedeu à inauguração do matadouro da Camabatela, na província do Cuanza Norte, com a finalidade de aumentar a oferta de carne, melhorar a dieta da população e criar mais de 200 postos de trabalho directos e indirectos para a juventude.
O projecto foi financiado pelo Governo espanhol com custos avaliados em 13,4 milhões de dólares norte-americanos . Construído a cinco quilómetros da sede municipal de Ambaca, o matadouro tem uma capacidade de abate de 200 bovinos e 300 caprinos por dia, perfazendo 52.800 animais por ano, além de sete toneladas de gordura animal que se prevê produzir por dia.

“Barão do ananás” de Angola exportou  16 toneladas para a   Namíbia e África do Sul

O município do Bocoio, na Província do Benguela, exportou  16 toneladas de ananás para a   Namíbia e África do Sul, através do empresário Simão Cavalo.

Produção de ananás aumentou em quantidade e qualidade
Fotografia: Eduardo Pedro|Edições Novembro
Conhecido por “barão do ananás”, o agricultor tem uma produção superior a mil hectares.
O anúncio foi feito pela administradora municipal do Bocoio, que falava por ocasião do 59.º aniversário daquela circunscrição.
Deolinda Valiangula  disse que a natureza proporcionou à comuna do Monte-Belo terrenos aráveis propícios para a produção em grande escala do produto.
A administradora municipal garantiu que os passos já estão a ser dados para utilizar o ananás na indústria de transformação (sumos e fruta em calda).  Parte da maquinaria já está no município, estando a restante tramitação a aguardar apenas pela melhoria da conjuntura económica e financeira.
“A produção do ananás no município aumentou, pois, os produtores estão muito motivados para o cultivo desse produto, devido à sua solicitação no mercado e a excelente qualidade que possui. Está a servir de uma das fontes para a diversificação da economia e da entrada de divisas para o país”, reconheceu Deolinda Valiangula, que disse ser necessário   o município crescer e ganhar uma dinâmica  mais ativa para atração de mais investimento privado. “Só desta forma podemos alcançar o desenvolvimento econômico e social e dar mais emprego a juventude”, salientou Deolinda Valiangula
Localizado a 102 quilômetros  da cidade de Benguela, o Bocoio possui uma superfície de 5.612 quilômetros quadrados. Com quatro comunas,  Monte-Belo, Chila, Cubal do Lumbo e Passe, tem uma população estimada em 154.446 habitantes, que se dedicam à agricultura e pastorícia.
Jesus Silva

http://jornaldeangola.sapo.ao/economia/bocoio_vende_ananas__para_paises_da_regiao

Estratégia para Abertura, Ampliação e Promoção no Mercado Internacional do Agronegócio Brasileiro 2019-2022

Agropecuaria-MinhatecaMinistério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento vai receber a contribuição dos setores público e privado para elaborar nova proposta de acesso a mercados, negociações não tarifárias e promoção dos produtos agrobrasileiros para o período de 2019 a 2022. O objetivo da medida é ampliar a participação do país no comércio internacional de produtos agropecuários.

Intitulada de Estratégia para Abertura, Ampliação e Promoção no Mercado Internacional do Agronegócio Brasileiro 2019-2022, a medida também deverá incentivar a abertura de novos mercados para os produtos brasileiros e consolidar a imagem do país como exportador de produtos de alta qualidade, inclusive ambiental, com base nos índices obtidos por meio do Cadastro Ambiental Rural (CAR).agronecios

A iniciativa será conduzida em três etapas. Na primeira fase haverá a construção do Documento Base para a estragégia, que deve ser aprovado e publicado pelo ministro da pasta até o final de maio de 2018. A fase posterior consiste na definição das estratégias para a política de relações internacionais do agronegócio brasileiro, a partir dos eixos anteriormente definidos. Nesta ocasião, será criada uma comissão de especialistas, composta por membros indicados pelas secretarias e unidades vinculadas ao ministério, para a elaboração da política de relações internacionais do agronegócio.

A última fase compreende a consulta à sociedade civil para contribuições e discussão sobre o documento final. A expectativa do ministério é publicar a estratégia consolidada em janeiro de 2019.

Exportação

O Brasil destaca-se como um dos maiores exportadores do mundo em produtos como soja (grão e farelo), carnes (aves, bovina e suína), açúcar, café e milho. No entanto, apenas cinco grupos de produtos concentram 82% das exportações agropecuárias brasileiras, que chegaram a US$ 71,5 bilhões em 2016.

O setor agrícola representa, aproximadamente, 40% das exportações totais do país e cerca de 7% de participação no mercado mundial de produtos agropecuários. Segundo o ministério, o desafio do governo na área agrícola é elevar esse índice para 10%.

https://africa21digital.com/2017/07/29/brasil-quer-aumentar-participacao-no-mercado-agricola-global/

 

O Observatório

Este observatório é uma iniciativa do Grupo de Estudos Africanos vinculado ao Instituto de Relações Internacionais da Universidade de Brasília (GEA/IREL-UnB), que busca refletir sobre a vida política, social e econômica da África contemporânea, com destaque para sua inserção internacional. Preocupando-se com o continente marcado pela diversidade, o Grupo de Estudos Africanos, por meio do Observatório, propõe um olhar crítico e compreensivo sobre temas africanos, em suas mais diversas dimensões.