.
arquivos

África

Esta categoria contém 37 posts

Presidiário brasileiro em país africano está desamparado

brasil-africa-sul-.jpgRIO – Em consequência de novas rotas do narcotráfico, o número de brasileiros presos na África e na Oceania vem crescendo nos últimos anos. Nos dois continentes, mais de 90% dos brasileiros presos foram usados como “mulas” do tráfico internacional de drogas. Na América do Norte, principalmente nos Estados Unidos, também houve um crescimento das prisões, mas lá menos de 1% foi por esse motivo. Dados do Ministério das Relações Exteriores (MRE) mostram que, em 2016, havia 2.999 brasileiros presos no exterior, 732 (ou 24,4%) deles por envolvimento com o tráfico de entorpecentes. Entre 2015 e 2016, o número de brasileiros presos no exterior cresceu 9,8%.

– Os aumentos se devem às prisões por narcotráfico. De duas, uma: ou o aumento significa um uso mais intensivo da rota ou um maior rigor no controle das autoridades policiais e da cooperação policial entre o Brasil e a África do Sul e a Oceania – disse ao GLOBO a diretora do departamento consular e de brasileiros no exterior do MRE, Luiza Lopes da Silva.

No mês passado, o GLOBO publicou reportagem do Grupo de Diarios América (GDA) mostrando que a África se tornou a principal rota para o tráfico de drogas provenientes da América Latina com destino à Europa e que as organizações criminosas tinham relações diretas com o terrorismo e o tráfico de armas. A Comunidade de Polícias da América (Ameripol) revelou que pela rota africana passam 30% de toda a cocaína que tem a Europa como destino final.

Isso pode explicar o crescimento de 44,8% de brasileiros presos na África entre 2015 e 2016. Nos países da Oceania, esse aumento proporcional é ainda maior e chega a 51,8% no mesmo período.

– Nos preocupa muito a situação do presidiário que foi usado como “mula”, porque ele fica preso num país em que não pode contar com ninguém, na maior parte das vezes não fala a língua e não tem quem o visite, porque normalmente a família não tem recursos para isso. É diferente de ser preso nos Estados Unidos, onde costuma haver algum apoio mínimo ou da igreja ou da comunidade de brasileiros – explica Luiza.

Segundo ela, é muito mais difícil prestar ajuda consular quando o brasileiro ainda não foi condenado e está detido provisoriamente aguardando julgamento. O Itamaraty acompanha os julgamentos, mas não atua na defesa dos brasileiros, que precisam contratar um advogado ou pedir ajuda de defensores públicos no país em que foi preso. Entre os que estavam presos no ano passado, 1.378 ainda aguardavam julgamento.

Nem sempre a “mula” usada pelos traficantes é uma pessoa em dificuldades financeiras e que comete um ato de desespero. É o que mostra a história de Maria (nome fictício), que nasceu no interior da Bahia e foi presa em 2010. Depois de cumprir sete anos de prisão de uma pena de 14 anos em Joanesburgo, na África do Sul, retornará na quarta-feira ao Brasil. A mãe contou ao GLOBO que Maria disse à família que sairia de férias e iria para São Paulo encontrar com uns amigos. Dias depois, ela foi surpreendida com a notícia de que a filha tinha sido presa na África.

– Uma amiga dela de Ilhéus contou que ela estava presa por ter levado drogas para fora do país. Fomos até Ilhéus e encontramos uma outra mulher que já tinha feito a viagem como mula e tinha conseguido ir e voltar sem ser presa. Ela disse que avisou para a Maria não ir – contou Sandra (nome fictício), a mãe.

Maria ganharia R$ 8 mil pela entrega. Conseguiu passar pelas autoridades, mas o traficante não a encontrou no aeroporto e depois de umas horas os policiais a prenderam. Essa história foi contada pela baiana à mãe por uma carta que conseguiu enviar ao Brasil depois de algum tempo. Durante os sete anos em que esteve presa, ela também conseguiu se comunicar com a família, inclusive seu filho adolescente, por mensagens de telefone de dentro da cadeia africana. Lá, teve problemas de saúde, fez faxina para as detentas locais para pagar por produtos de necessidade básica e vendeu o cabelo para ganhar algum dinheiro.

– Ela queria abrir uma lojinha com os R$ 8 mil e sonhava em trabalhar como artista na TV, chegou a fazer inscrição para o Big Brother. Ela nunca se envolveu com droga, era uma filha boa e atenciosa. Agora, vai ser um recomeço, mas estamos aqui esperando por ela – contou a mãe.

Os motivos que levaram Maria à prisão são bem diferentes daqueles que levam os brasileiros para a cadeia nos Estados Unidos, país que mais prendeu brasileiros no ano passado. Em 2015, havia 532 atrás das grades. No ano passado, esse número subiu para 728. A maior parte deles foi preso por irregularidades imigratórias, homicídio ou tentativa de homicídio e roubo.

https://oglobo.globo.com/brasil/nova-rota-do-trafico-eleva-em-45-as-prisoes-de-brasileiros-na-africa-21674746

50 000 imigrantes do Haiti e do Senegal em Santa Catarina no Brasil

Apesar do preconceito, dificuldades de trabalho, eles dizem que aqui é melhor que em seus países.

Conheça os desafios e o dia a dia de imigrantes que vivem em Santa Catarina

Conheça os desafios e o dia a dia de imigrantes que vivem em Santa Catarina

Há dois anos, Santa Catarina recebeu 50 mil imigrantes do Haiti e do Senegal. No entanto, faltam políticas públicas para acolhê-los. Apesar do preconceito, das dificuldades de inserção no mercado de trabalho, viver no estado, é melhor do que em seus países, como mostrou o Jornal do Almoço.

“Eu mando dinheiro para eles [os familiares] todo mês”, contou a auxiliar de cozinha Sanon Willie, do Haiti.

“Eu encontrei um Brasil diferente do que imaginei, porque esperava encontrar uma resposta e nesse momento começava uma verdadeira crise”, disse Moussa Faye, do Senegal.

Willie trabalha como auxiliar de cozinha e ajuda a família no Haiti (Foto: Reprodução RBS TV)Willie trabalha como auxiliar de cozinha e ajuda a família no Haiti (Foto: Reprodução RBS TV)

Willie trabalha como auxiliar de cozinha e ajuda a família no Haiti (Foto: Reprodução RBS TV)

Sanon Willie demorou seis meses para encontrar trabalho, mas agora está satisfeita como funcionária de um restaurante. Para ela, o mais difícil é a saudade dos parentes.

“Eu estou feliz aqui e triste também porque tenho saudade da minha família”, afirmou.

Preconceito

Para Moussa, a dificuldad e é outra: “A gente encontra sempre preconceito, mas tem que saber lutar contra isso”, declarou emocionado. Ele é professor de idiomas, mas no Brasil trabalhou como servente de pedreiro e hoje está desempregado. Moussa recebe R$ 120 pelos dois dias por semana em que ajuda em uma associação cultural. O valor é quase insuficiente para pagar o aluguel de R$ 450.

Moussa era professor de idiomas no Senegal, no Brasil enfrenta preconceito e não consegue trabalho (Foto: Reprodução RBS TV)Moussa era professor de idiomas no Senegal, no Brasil enfrenta preconceito e não consegue trabalho (Foto: Reprodução RBS TV)

Moussa era professor de idiomas no Senegal, no Brasil enfrenta preconceito e não consegue trabalho (Foto: Reprodução RBS TV)

“Eles se deparam com o preconceito porque são pobres, são negros, são discriminados no atendimento em postos de saúde, são discriminados no ônibus. Eles descobrem que o Brasil, que internacionalmente até 2015 vivia uma imagem muito positiva no exterior de país acolhedor, era acolhedor com alguns tipos de migrantes, com esses não”, afirmou Gláucia Assis, coordenadora do Observatório de Migrações da Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc).

Estado construído por migrantes

Santa Catarina é um estado que se desenvolveu pela mão de obra de migrantes. Para a pesquisadora, isso aconteceu porque a chegada de alemãs, italianos, portugueses e franceses no século XIX foi amparada por políticas públicas.

Pesquisadora diz que SC precisa de imigrantes para crescer (Foto: Reprodução RBS TV)Pesquisadora diz que SC precisa de imigrantes para crescer (Foto: Reprodução RBS TV)

Pesquisadora diz que SC precisa de imigrantes para crescer (Foto: Reprodução RBS TV)

“Foi difícil, as pessoas trabalharam muito, mas elas tiveram acesso à terra, tiveram políticas migratórias que de alguma forma os acolheram. O que acontece com os migrantes que chegam agora, os haitianos, senegaleses, ganeses, é que eles se deparam com uma lei migratória muito antiga e a sociedade civil, que com algum apoio de prefeituras e do estado, foi fazendo o acolhimento dessas pessoas”, explicou Gláucia Assis.

Moussa recebe R$ 120 por dois dias de trabalho em projeto (Foto: Reprodução RBS TV)Moussa recebe R$ 120 por dois dias de trabalho em projeto (Foto: Reprodução RBS TV)

Moussa recebe R$ 120 por dois dias de trabalho em projeto (Foto: Reprodução RBS TV)

Um exemplo dessa falta de políticas públicas é o Centro de Referência de Atendimento ao Migrante. Apesar de licitação ter sido feita há um ano, os recursos estarem garantidos ainda não começou a funcionar. No local, deve ser oferecido atendimento psicológico, apoio para fazer documentos, entre outros serviços.

A reportagem da RBS TV procurou a secretaria de estado de Assistência Social, mas até a publicação desta notícia não recebeu os dados. O órgão também não soube informar o prazo para a entrega do Centro de Referência. Enquanto isso, os estrangeiros continuam chegando, agora também os refugiados.

Gerson veio da Venezuela com a mulher e o filho (Foto: Reprodução RBS TV)Gerson veio da Venezuela com a mulher e o filho (Foto: Reprodução RBS TV)

Gerson veio da Venezuela com a mulher e o filho (Foto: Reprodução RBS TV)

Refugiados

“Meu nome é Gerson Joel Zambrano Lingstuyl. Eu sou venezuelano e com a crise da Venezuela está acontecendo uma coisa muito ruim lá, não tem comida, remédio, medicina”, declarou o jovem que trabalha como caixa de um supermercado.

Na Venezuela, ele era funcionário de um banco, mas não conseguia comprar alimentos suficientes para passar o mês. No Brasil, ganha dois salários mínimos mensais e com esse valor pode alimentar a família.

O filho Jeremias, de 15 dias, deu coragem a Gerson para buscar junto com a mulher uma vida melhor no Brasil. “Eu saí por ele, eu sonho para ele tudo, eu quero dar a melhor escola, a melhor educação. Eu quero dar para ele o que eu não tinha quando era um menino”, disse o rapaz.

Hisham (à direita) veio da Síria com toda família (Foto: Reprodução RBS TV)Hisham (à direita) veio da Síria com toda família (Foto: Reprodução RBS TV)

Hisham (à direita) veio da Síria com toda família (Foto: Reprodução RBS TV)

Há dois anos, o comerciante Hisham Yasin deixou a Síria com a família para fugir da guerra. “Porque lá a vida era difícil, há sete anos estão em guerra, mais de 7 milhões de pessoas morreram, outros 7 milhões estão refugiados”, com Hisham.

Apesar das dificuldades, as pessoas ouvidas pela RBS TV, encontraram no Brasil, uma situação melhor do que em seus países.

“Aqui é fácil, tem saúde, chego ao hospital e sou atendida. Lá no Haiti é muito difícil, o hospital público é difícil e o particular é muito caro. Aqui, minha vida é melhor ”, relatou Willin Sanon.

“Meus irmãos e irmãs pequenos estão na escola, de graça, é muito bom. O Brasil aqui é bom mesmo”, contou Hisham.

Hisham quer vender doces e salgados árabes para todo estado (Foto: Reprodução RBS TV)Hisham quer vender doces e salgados árabes para todo estado (Foto: Reprodução RBS TV)

Hisham quer vender doces e salgados árabes para todo estado (Foto: Reprodução RBS TV)

Aqui é melhor

Enquanto os irmãos estudam, ele produz doces e salgados árabes. “Quero levar meus doces para todo estado, são uma delícia”, disse.

“Nessa abertura para o outro, a gente aprende que a cor da pele não torna as pessoas nem inferiores nem piores. Eu acho que a gente aprende a lidar com o preconceito e a gente descobre que este estado que construiu o seu discurso em cima da migração, pra que ele continue crescendo, ele precisa dos imigrantes que chegaram agora”, afirmou a pesquisadora Gláucia Assis.

http://g1.globo.com/sc/santa-catarina/noticia/sc-tem-50-mil-imigrantes-faltam-politicas-publicas-de-acolhimento-diz-pesquisadora-da-udesc.ghtml

Kagame foi reeleito presidente de Rwanda com 98% dos votos

Rwandan-President-Paul-Kagame

Como se esperava o presidente do Ruanda, Paul Kagame, foi reeleito, ontem, nas eleições presidenciais com mais de 98 por cento dos votos. Os ruandeses estão a festejar mais esta vitória do presidente reeleito, Kagame, que dirige o país com mão de ferro, mas tem conseguido criar riqueza, desenvolvimento, escolas, hospitais e empregos, para a população ruandesa.

Sem grandes expectativas, já se sabia, segundo todas as sondagens e análises, o presidente ruandês, Paul Kagame, foi reeleito, nas eleições presidenciais, desta sexta-feira, 4 de agosto, pela terceira vez consecutiva.

Foi, como aconteceu no passado, uma vitória esmagadora, com o chefe de Estado-candidato, Paul Kagame, a ser plebiscitado, por mais de 98% dos ruandeses.

Paul Kagame, continua assim por mais 7 anos neste terceiro mandato, estando no poder, há 23 anos anos.

De 59 anos, Paul Kagame, é tido como um herói no país, por ter posto fim ao genocídio de 1994 e desenvolvido o Ruanda, país com indicadores de crescimento económico, criação de empregos, escolas e hospitais, dos mais altos de África.

O autoritarismo de Paul Kagame e as críticas que lhe são feitas por ONG’S, passam para segundo plano, porque para o povo ruandês, o que mais interessa, é ter um presidente forte, que cria empregos e melhora as suas condições de vida.

De notar que a Comissão eleitoral, publicou ontem à noite resultados com base em 80%de boletins escrutinados, dando uma vitória a Paul Kagame, com 98,66% dos sufrágios expressos, resultados superiores às suas vitórias, em 2003, com 95% e em 2010, com 93% dos votos.

Em segundo lugar, veio o independente, Philippe Mpayimana, com 0,73% dos sufrágios e em terceiro, Frank Habineza, líder do Partido demcorático, que ficou pelos 0,45% dos votos.

Observadores consideram que as candidaturas de Mpayiamana e Habineza, não passavam de fachada, fazendo crer a comunidade internacional, que houve eleições pluralistas, livres e justas no país.

O facto é que Paul Kagame é adorado pela população que, ainda em termos de números, votou SIM no referendo de 2015, com 98%, para modificar a constituição permitindo-lhe concorrer para este terceiro mandato, que ganhou, facilmente.

Sobre a personalidade autoritária de Paul Kagame, oiçamos a análise, do psicólogo e ex-ministro caboverdiano do MPD, José Reis, que prefere destacar  as capacidades do presidente ruandês, enquanto reconstrutor do Ruanda.afria

http://pt.rfi.fr/africa/20170805-paul-kagame-reeleito-presidente-do-ruanda

Cabo Verde aprova decreto que privatiza companhia aérea TACV

TACV_B757_D4-CBG_MUC.jpg

 
O Governo cabo-verdiano anunciou hoje que aprovou o decreto-lei que estabelece o regime jurídico para a privatização do negócio internacional da transportadora aérea pública TACV, que esta semana deixou de voar a nível doméstico.

O anúncio foi feito pelo ministro dos Negócios Estrangeiros e da Defesa, Luís Filipe Tavares, para dar conta das decisões saídas da reunião do Conselho de Ministros.

O ministro não avançou mais dados, informando apenas que as negociações estão em fase final e remeteu mais informações para quando o decreto for publicado no Boletim Oficial.

Em entrevista à agência Lusa há duas semanas, o ministro das Finanças, Olavo Correia, disse que há vários interessados no negócio da TACV Internacional e que as negociações prosseguem para encontrar um parceiro estratégico que assegure a gestão e parte do capital.

 

O ministro não avançou nomes de empresas com as quais o Governo está a negociar, mas salientou que a ideia é transformar o arquipélago num ‘hub’ [plataforma] de transportes aéreos no Atlântico médio.

O governante admitiu que o Estado cabo-verdiano venha a ter participação no capital da TACV Internacional, mas recusou injetar recursos para ter ações da empresa.

Olavo Correia disse que o Estado pode viabilizar ativos da empresa em capital, apontando como exemplos as agências, as rotas e as licenças de voo, defendendo sempre o património do Estado.

A privatização do negócio internacional está enquadrada na reestruturação da companhia aérea pública cabo-verdiana, que deixou de operar a nível doméstico.

Esta semana começou a funcionar o acordo com a Binter CV, que é, desde terça-feira, a única companhia a fazer os voos entre as ilhas cabo-verdianas.

Todos os pormenores do acordo ainda não foram divulgados e o contrato ainda não foi publicado no Boletim Oficial.

Olavo Correia disse, na entrevista à Lusa, que existe “um acordo de princípio” e que até final do ano será assinado o contrato com o Estado de Cabo Verde, que passará a deter 49% da companhia.

Além dos voos domésticos, a partir de setembro a Binter CV deverá começar a fazer os voos regionais para Dakar e Bissau.

A Binter Cabo Verde, criada em 202, que tem atualmente como único acionista a empresa Apoyo Y Logistica Industrial Canária, Sociedade Limitada.

O Decreto-Lei  aprovado indica o valor e o número de ações a favor do parceiro estratégico que deverá ficar com 49% do capital social da empresa estatal.

Os restantes 51% vão ser cotados na Bolsa de Valores de Cabo Verde para aquisição de empresários nacionais.

O Presidente da Câmara de Turismo de Cabo Verde Gualberto do Rosário considera que a privatização é boa para Cabo Verde, mas que acontece tarde.

 Foi em Maio último que o governo anunciou a retirada da TACV da linha doméstica, passando a Binter – cujo capital o Estado passou a deter parte – a assumir os voos inter-ilhas a partir de 1 de Agosto. A TACV continuaria a operar apenas nas suas rotas internacionais que incluiu Bissau, Dakar, Lisboa, Paris, Amesterdão, Providence e Fortaleza.

 

Fonte:http://www.dn.pt/lusa/interior/governo-de-cabo-verde-aprova-decreto-para-privatizacao-da-transportadora-aerea-tacv-8683468.html

Reunião dos Ministros das Finanças e Governadores dos Bancos Centrais Africanos,

A Secretária de Estado do Orçamento, Aia-Eza da Silva, chefia a delegação angolana que participa, de 3 a 5 de Agosto, em Gaberone (Botswana), na reunião dos Ministros das Finanças e Governadores dos Bancos Centrais Africanos, denominada “Caucus Africano”.

Fotografia: Francisco Bernardo | Edições Novembro

O encontro, que decorre sob o lema “Transformação Económica e Criação de Emprego: Uma Focalização na Agricultura”,  vai fortalecer  a voz dos representantes do continente em relação às questões do desenvolvimento socioeconómico do Banco Mundial e do Fundo Monetário Internacional.
O evento constitui uma  oportunidade ímpar para os líderes africanos, nomeadamente os ministros das  Finanças, do  Plano e Governadores dos Bancos Centrais apresentarem, de forma conjunta, as preocupações que afectam as economias do continente berço, tais como a construção de infra-estruturas e a industrialização dos processos produtivos.
Angola deve fortalecer a relação com as instituições financeiras internacionais.

 

Fonte:http://jornaldeangola.sapo.ao/economia/angola_presente_no_caucus_africano

Brasil atendeu Moçambique no caso de corrupção na compra de aviões da Embraer

EMBRAER

 

Brasil respondeu à Procuradoria-Geral da República de Moçambique (PGR), fornecendo a informação solicitada no âmbito da investigação sobre supostos atos de corrupção na compra, entre 2007 e 2009, de duas aeronaves Embraer pelas Linhas Aéreas de Moçambique (LAM). Procuradores moçambicanos estiveram em São José dos Campos, sede da Embraer no Brasil, para ouvir envolvidos no caso.

 

Na semana passada decorreram diligências processuais no Brasil, onde foram ouvidas pessoas diretamente ligadas ao processo de aquisição das aeronaves. A Secretaria de Cooperação Internacional da Procuradoria-Geral da República do Brasil intermediou o depoimento de pessoas residentes no Brasil, numa audiência participada por procuradores moçambicanos, na qual foram interrogados atuais e antigos funcionários da Embraer. Esta diligência teve lugar em São José dos Campos, em São Paulo, onde fica localizada a sede da Embraer.

Neste processo, a PGR constituiu três arguidos em liberdade, um processo-crime que se encontra na fase de instrução preparatória. Com os dados ocorridos entre 2008 e 2010, o mesmo foi instaurado a 5 de Julho de 2016, tendo o esquema de corrupção envolvido o pagamento de US$ 800 mil dólares norte-americanos aos arguidos, como condição para a Embraer vender as duas aeronaves à moçambicana LAM.

De acordo com a PGR, que está à frente desta investigação, para lograr os seus intentos e perante a impossibilidade de a empresa estrangeira (Embraer) retirar tal valor dos seus cofres, um gestor da LAM concertou com esta, com vista à sobrefacturação do custo das aeronaves, para que se beneficiasse da diferença resultante do preço real e do constante da fatura. A negociação, segundo revelou este organismo, envolveu a criação, no estrangeiro, de uma empresa que abriu uma conta bancária para a qual foi transferido o valor resultante do esquema de corrupção.

“A aquisição das aeronaves foi efetuada com recurso a um empréstimo bancário, concedido por um banco moçambicano, mediante garantidas emitidas pelo Estado”, afirma a PGR.

Candidato do MPLA a Presidente prometeu distribuir melhor a riqueza

Bernardino Manje | Huambo

26 de Julho, 2017

O candidato do MPLA a Presidente da República prometeu ontem, na cidade do Huambo, melhorias no sistema econômico, a promoção do emprego e uma justa distribuição da riqueza nacional, caso o partido vença as eleições gerais de 23 de Agosto próximo.

Candidato do MPLA pede voto certo no dia 23 de Agosto próximo para uma vitória forte e convincente
Fotografia: João Gomes | Edições Novembro | Huambo

João Lourenço, que falava no largo do bairro Kapango, próximo ao aeroporto Albano Machado, num acto político de massas que marcou a abertura da campanha eleitoral do MPLA, pediu aos eleitores, sobretudo, os militantes, amigos e simpatizantes do partido para acorrerem em massa às assembleias de voto, permitindo ao partido vencer de forma folgada as eleições.
Durante o acto, o candidato presidencial do partido no poder fez uma retrospectiva das acções levadas a cabo pelo actual Executivo, tendo concluído que, em 15 anos de paz, o Governo do MPLA investiu muito mais do que Portugal em 500 anos de colonização. “O Executivo do MPLA investiu nas infra-estruturas. Temos o país ligado praticamente de lés a lés por terra. Qualquer um pode deslocar-se facilmente de um ponto para o outro do país”, disse.
Numa intervenção de pouco mais de uma hora, João Lourenço também fez referência aos investimentos feitos nos portos, nos sectores da energia e águas, educação e habitação. Em relação à energia, o candidato presidencial afirmou que “o tempo do candeeiro a petróleo começa a ficar para trás”, lembrando que foram construídas barragens hidroeléctricas que o colono não conseguiu fazer em 500 anos de permanência em Angola.
Os investimentos na produção e distribuição de água potável, disse, têm permitido a redução de muitas doenças. “É verdade que ainda há doenças diarréicas que, em princípio, são consequência da água imprópria”, admitiu João Lourenço, assegurando, no entanto, que se está muito próximo de vencer esse desafio, até porque “não há um município onde o Estado não tenha investido em infra-estruturas de captação e distribuição de água”.  Em relação às escolas, minimizou as críticas da oposição, segundo as quais o Executivo não fez nada neste sector. “Por muito que os nossos detractores ou adversários digam que não, não conseguem justificar o que dizem porque os factos estão aí. Ninguém consegue esconder uma escola ou um grande edifício” afirmou o candidato do MPLA, para questionar: “será que eles não têm os seus filhos nessas escolas?”.
Admitiu, no entanto, que deve haver mais qualidade nos sectores da educação e saúde. “É hora de começarmos a ver com outros olhos a qualidade do ensino e da saúde”, defendeu João Lourenço, sublinhando que se deve investir fortemente nas qualidades técnicas dos profissionais destes dois  sectores. “Quem deve fazer a diferença é o homem, é o professor, o médico ou o enfermeiro que lidam com o público no dia-a-dia, quer seja para transmitir conhecimentos ou tratar de mazelas”, disse. O candidato do MPLA defende que se melhorem os serviços prestados à população, quer seja nas conservatórias, notariados, bancos e em todos os sítios onde haja balcão de atendimento ao público. João Lourenço acredita que é possível melhorar o actual quadro, desde que se tomem as “medidas necessárias”. Sobre as acções no sector da habitação, referiu-se à construção de habitações sociais e de centralidades um pouco por todo o país, realçando a do Lossambo,  arredores da cidade do Huambo.

Aumento de emprego

Perante a multidão que encheu por completo o largo do bairro Kapango, o candidato do MPLA a Presidente da República afirmou que o partido está preocupado com o emprego, que considerou “algo muito sagrado”. “O MPLA presta atenção muito particular à necessidade do aumento constante da oferta de postos de trabalho”, disse João Lourenço.

 

Solução dos problemas da população passa pela economia

 

A solução dos problemas da população passam pela melhoria da economia, defendeu o candidato do MPLA a Presidente da República, para quem é preciso que a economia funcione bem e sem burocracia. “Vamos trabalhar pelo menos para reduzir a burocracia nos serviços, para que os investidores possam tocar para frente os seus negócios”, prometeu. Durante toda a pré-campanha, o candidato do partido no poder falou da necessidade de se combater a corrupção.
O repto foi reafirmado ontem. Segundo João Lourenço, para se melhorar o ambiente de negócios, tem de se ter a coragem e capacidade de combater a corrupção. “Se falharmos no combate à corrupção, também falharemos na melhoria da nossa economia. Se falharmos, os investidores também não virão”, alertou.  João Lourenço disse estar confiante no combate à corrupção, porque conta com o apoio do MPLA e da população. “Um verdadeiro compatriota combate a corrupção. Este combate não tem cor partidária”, afirmou.
Outro desafio do MPLA, disse, é a distribuição justa da riqueza nacional. João Lourenço alertou, no entanto, que a distribuição a que se refere não é de dinheiro, mas sim o estabelecimento de programas de inclusão económica, para que mais gente tenha o seu próprio negócio. A meta, sublinhou, é reduzir o número de pobres e aumentar a classe média.
O candidato do MPLA prometeu a descentralização dos serviços, caso vença as próximas eleições, uma prioridade para ter êxitos na  governação.

http://jornaldeangola.sapo.ao/politica/distribuir_melhor_a_riqueza

Os recursos naturais de África poderiam melhorar dramaticamente as vidas de milhões de pessoas

kofi annan Mas embora os recursos naturais tenham fomentado uma década de rápido crescimento econômico, a maioria dos africanos ainda não testemunhou os benefícios, de acordo com o relatório

África está à beira de uma oportunidade extraordinária, é a conclusão do Relatório do Progresso em África deste ano, e os responsáveis políticos africanos têm de tomar decisões críticas. Podem optar por investir as receitas dos seus recursos naturais nas pessoas para gerar empregos e oportunidades para milhões de pessoas no presente e para as futuras gerações. Ou podem desperdiçar esta oportunidade, permitindo a proliferação do crescimento do desemprego e da desigualdade.
Em muitos países africanos, as receitas dos recursos naturais estão a alargar o fosso entre os ricos e os pobres. Embora muito se tenha alcançado, uma década de crescimento a um ritmo impressionante não representou melhorias comparáveis no âmbito da saúde, educação e nutrição.
O Africa Progress Panel está convicto que África pode gerir melhor a sua vasta riqueza em recursos naturais para melhorar as vidas das pessoas da região estabelecendo programas de ação nacionais arrojados para fortalecer a transparência e a responsabilidade.
Contudo, a elisão e a evasão fiscal internacional, a corrupção e a governação fraca
representam desafios importantes.  Por conseguinte, o relatório valoriza o empenho por parte da atual presidência do G8, a cargo do Reino Unido, e de outros governos em colocar os impostos e a transparência no centro do diálogo deste ano. O relatório desafia todos os países da OCDE a reconhecerem os custos da inação nesta área fundamental. África perde em fluxos financeiros ilícitos o dobro do valor que recebe em ajuda internacional.

O Africa Progress Panel considera que é inaceitável que alguma empresas, geralmente apoiadas por representantes governamentais desonestos, recorram à elisão fiscal, a preços de transferência e à propriedade anónima de empresas para maximizar os seus lucros, enquanto milhões de africanos são privados de acesso a nutrição, saúde e educação adequadas.
O relatório destaca cinco contratos celebrados entre 2010 e 2012, que custaram à
República Democrática do Congo mais de 1,3 mil milhões de dólares em receitas através da subavaliação e venda de bens a investidores estrangeiros. Este soma representa o dobro do valor dos orçamentos anuais para a saúde e para a educação de um país com uma das piores taxas de mortalidade infantil e com sete milhões de crianças e jovens fora da escola.
Kofi Annan, antigo Secretário‐Geral das Nações Unidas e Presidente do Africa Progress
Panel, afirmou: “A elisão e a evasão fiscal são questões globais que nos afetam a todos. O impacto para os governos do G8 é uma perda de receitas. Mas em África, esta situação tem um impacto direto nas vidas das mães e das crianças. Em todo o mundo, milhões de cidadãos precisam que os seus líderes tomem uma posição e liderem. Felizmente, o impulso necessário para a mudança parece estar a ganhar força.”
Parceiros diferentes têm objetivos semelhantes e os seus interesses coincidem, conclui o relatório. É mais difícil estabelecer uma relação de confiança do que mudar políticas –contudo é uma condição indispensável para uma reforma de políticas bem‐sucedida. O relatório deste ano identifica um programa de ação compartilhado com vista à mudança:
 Os governos africanos têm de melhorar a sua governação e reforçar a capacidade
nacional de gerir as indústrias extractivas como parte de uma estratégia económica
e de crescimento mais ampla  Os governos africanos devem colocar a transparência e a responsabilidade no centro das políticas de recursos naturais, assegurar uma parte equitativa das receitas dos recursos naturais para os seus cidadãos, e distribuir os benefícios desta receita através de despesas públicas executadas com equidade;
 A comunidade internacional deve basear‐se na lei Dodd‐Frank dos EUA e em
legislação comparável da UE para desenvolver uma norma global para transparência
e divulgação de informações, desenvolver uma resposta multilateral credível e
efetiva à evasão e à elisão fiscal, e enfrentar o branqueamento de capitais e as
“empresas fantasma” anônimas;
 As transações comerciais internacionais devem seguir as melhores práticas no
âmbito da transparência, ajudar a construir a capacidade nacional, obter mais
produtos e serviços localmente, e elevar as normas em todas as áreas de
responsabilidade empresarial;
 A sociedade civil deve incrementar a sua capacidade e continuar a responsabilizar os governos e as empresas.
Graça Machel, Presidente da Fundação para o Desenvolvimento da Comunidade, fundadora do Graça Machel Trust e membro do Africa Progress Panel, afirmou: “Este relatório faz um contributo crítico para os debates sobre a riqueza dos recursos naturais de África. Se as suas recomendações forem tomadas em consideração, África irá acelerar o seu progresso em direção aos Objectivos de Desenvolvimento do Milénio. Mais crianças irão à escola, menos mulheres vão morrer durante o parto, mais crianças vão sobreviver à sua infância.”
Strive Masiyiwa, fundador e director executivo da Econet Wireless e membro do Africa Progress Panel, afirmou: “Embora algumas empresas muito importantes demonstrem uma liderança excepcional no âmbito da transparência, outras demonstram indiferença em relação à ética e à vida humana. Ao defraudarem o sistema, tornam o trabalho mais difícil para as empresas honestas.”
Linah Mohohlo, Presidente do Banco Central do Botswana e membro do Africa Progress Panel, afirmou: “A principal lição do Botswana é que os recursos naturais de África pertencem ao povo. Deste modo, os nossos diamantes são um elemento central para o nosso sucesso.”
*     *     *     *     *
Presidido por Kofi Annan, antigo Secretário‐Geral das Nações Unidas, o Africa Progress Panel composto por dez membros defende ao mais alto nível um desenvolvimento equitativo e sustentável para África. O Painel divulga a sua publicação emblemática, o Relatório do Progresso em África, todos os anos em Maio.

 

 

 

 
Para mais informações, contacte:
Matt Gould – matthew.gould@portland‐communications.com
(telemóvel) +44 (0) 795 890 9078 e (telefone) +44 (0) 207 822 1721
Peter Kelley – peter.kelley@portland‐communications.com
(telemóvel) +44 (0) 795.142 1247 e (telefone) +44 (0) 207 842 01247
Francisca Souto de Moura – francisca.sdm@portland‐communications.com
(telefone) +44 (0)207 8420148
http://www.africaprogresspanel.org ehttp://www.facebook.com/africaprogresspanel
@africaprogress e #APR2013

 

Fonte:www.kwigoo.com/agendaafricana/

Nelson Mandela era “um ser humano comum”

CITY PRESS VIA GETTY IMAGES
Winnie Madikizela-Mandela durante seu aniversário de 78 anos em Soweto, na África do Sul. (Photo by Leon Sadiki/City Press/Gallo Images/Getty Images)

Em uma entrevista exclusiva, a complexa e polêmica, a ativista antiapartheid e deputada do Congresso Nacional Africano explicou ao HuffPost SA como seu ex-marido Nelson Mandela era “um ser humano comum” e disse que acredita que ele poderia ter feito mais pelos negros nas negociações da Convenção para uma África do Sul Democrática (Codesa).

Quando entramos na casa de Winnie Madikizela-Mandela, temos a sensação de estar na casa de nossa própria avó. No aposento onde fizemos nossa entrevista com ela, há sofás cor de creme com um exagero de almofadas e mantos bordados pendurados na parte de trás deles. Uma pesada mesa de madeira no meio do piso encarpetado mostra uma abundância de livros sem nome colocados aparentemente para decoração, e cada espaço nas paredes está repleto de quadros.

Assim que a ícone da luta contra o apartheid, de 80 anos, entra na sala,qualquer ansiedade anterior desaparece. Madikizela-Mandela nos cumprimenta como se tivéssemos aparecido para uma visita depois de algumas semanas fora. Seus abraços, apertos de mão e sorrisos são tão calorosos que alguém seria perdoado por esperar um comentário sobre o quanto havíamos crescido. Naquele momento, fico impressionada com o quanto ela é diferente pessoalmente em relação à figura brava e assustadora criada em minha cabeça sobre o que eu havia lido sobre ela.

A cineasta Pascale Lamche lançou seu documentário sobre a história de Madikizela-Mandela, Winnie, no Encounters Documentary Film Festival, em junho. O filme, que busca sem rodeios mudar a narrativa de “mulher amarga” criada em torno dela, ganhou o prêmio de melhor direção em Cinema Mundial — Documentário em Sundance.

Quando perguntada sobre o que achou da forma como sua história foi contada, Madikizela-Mandela cita o filme do produtor Anant Singh, Mandela: O Caminho para a Liberdade, adaptado do best-seller de Madiba — apelido de Nelson Mandela, referente ao clã de sua família — Longo Caminho para Liberdade: Uma Autobiografia.

“Como você condensa aquele tipo de estilo de vida em um episódio que pode ser visto em duas horas? Você fez uma tarefa impossível”, diz Madikizela-Mandela para Pascale Lamche, a diretora francesa que produziu o documentário de 97 minutos sobre a ativista.

Talvez incentivada pelo filme, que foca menos em seu canonizado ex-marido e mais em uma versão menos conhecida de sua história, mais favorável à sua figura, Madikizela-Mandela vai direto ao ponto. Ela quase que imediatamente acusa o sistema do apartheid de capturar Madiba e enfraquecer sua militância.

E, talvez, isso mostre que o documentário veio na hora certa. A percepção de que Mandela não fez o melhor que pôde pelos negros é uma ideia que não só tem sido tema de discussão entre vários acadêmicos e comentaristas desde os debates da Codesa nos anos 90, como também voltou às conversas ‘mainstream’ a convite dos chamados nascidos livres, que exigem uma educação descolonizada, gratuita e que lutam para encontrar seu lugar no arco-íris de Mandela.

SIPHIWE SIBEKO / REUTERS

“Devo ter sido a tal ponto motivo de orgulho para Niël Barnard que, no final das contas, eles realmente acalmaram Madiba”, diz Madikizela-Mandela sobre o chefe do serviço de inteligência nacional na era do apartheid. Barnard, juntamente com ex-chefe do Stratcom, máquina de propaganda da polícia do apartheid, Vic McPherson, relatam irrefletidamente como criaram um conflito entre Madiba e Madikizela-Mandela com o objetivo de ter um melhor controle sobre ele.

“Eles queriam me desestruturar. Esse foi o problema deles, nunca me desestruturei”, diz.

Madikizela-Mandela nunca foi uma personalidade fácil de classificar. Ao fazer parte de um bloco radical dentro do partido governista, ela foi forçada a trabalhar como soldada em Soweto durante o encarceramento de Mandela, que começou em 1964. Devido à sua impopularidade com o público, ela foi banida do lar que tinha com Mandela e jogada à margem pelo governo do apartheid. Sua ascensão se deu pelas fileiras do braço armado do Congresso Nacional Africano (CNA), o Umkhonto we Sizwe, nos anos 70 com seu apoio aos jovens que foram chamados em 1985 por seu líder, Oliver Reginald Tambo, para “servir o país ingovernável”. Ela acabou se tornando uma das mais importantes e respeitadas representantes do partido, com enorme apoio da população.

Durante esse período, Madikizela-Mandela foi acusada de muitos delitos graves. Uma das polêmicas mais notáveis que a envolveram foi o assassinato de Stompie Seipei, de 14 anos. Ela foi acusada de raptá-lo e, em um recurso, conseguiu pagar uma multa com a suspensão da sentença de dois anos pelo crime. Um integrante de seu time, o Mandela Football Club, cumpriu pena pela morte do adolescente.

O modo de vida complicado e obscuro durante a luta armada contra o apartheid significa que, talvez, nunca possamos compreender totalmente o que aconteceu com Seipei.

“Estávamos em guerra”, Madikizela-Mandela explicou algumas vezes durante a entrevista. “Líamos sobre a Alemanha nazista, e equiparávamos nossa situação à Alemanha nazista.”

“A luta é um trabalho ingrato. Não saí por aí dizendo: ‘Bom trabalho, bom trabalho’”, afirmou.

No documentário, Madikizela-Mandela diz que sempre sonhou em ver o Congresso Nacional Africano e a África do Sul liderados por Chris Hani, líder do Umkhonto we Sizwe, que tinha uma inclinação ideológica mais socialista do que outros líderes do CNA. Hani foi assassinado em 1993.

“Tragicamente, acho que teremos sorte se um dia soubermos o que de fato aconteceu. Chris Hani não foi assassinado pela direita. Havia forças mais sinistras do que Janusz [Waluś, ativista de extrema-direita],” disse ao HuffPost SA.

Mandela

MIKE HUTCHINGS / REUTERS

No que poderia ser visto como um ato final de desafio, Madikizela-Mandela fala sobre Mandela com uma franqueza que poderia surpreender muitos simpatizantes acríticos de Madiba. Ela disse que ele teve muitos casos extraconjugais e o chamou de “mulherengo” em mais de uma ocasião.

“Ele era daquele jeito por natureza, velhaco. Por isso que sua prole está aumentando”, ela brinca. “Toda hora há uma foto de uma pessoa que diz: ‘Sou filho de Madiba’. O público não sabia; eu sabia sobre eles, e é verdade. São seus filhos.”

Ela explicou que deu apoio a alguns dos filhos do “mulherengo”.

“Eu matriculei alguns na escola, sem falar nada. Eu os eduquei. Isso é o que fazemos, temos famílias extensas.”

E, ou em mais um ato para protegê-lo ou em uma tentativa final de se justificar, Madikizela-Mandela tenta explicar que Madiba não era um mito. Era uma pessoa de carne e osso, que também tinha falhas.

“Era um homem que gostava de mulheres. Era um ser humano comum que tinha uma queda pelas mulheres”, disse.

Todas as mulheres agiriam como Mama Winnie agiu? Claro que não. E, talvez, ela mesma não teria se comportado daquela maneira se as circunstâncias tivessem sido diferentes.

“Ele não estava lá para que eu arranhasse sua cara. Estava fervendo de raiva”, disse sobre quando soube que ele tinha outros filhos.

“No final das contas, era um ser humano normal… Ele tinha de ser normal. Não era apenas um mito. Esta enorme figura, de que ele era tão incrível, um semideus — ele era apenas um ser humano normal.”

E, com uma referência final sobre o homem, Madikizela-Mandela incorporou mais uma vez o que muitas mulheres negras, algumas de nossas avós e mães, tiveram de enfrentar (e ainda enfrentam) para manter as famílias negras vivas.

“Não havia nada que pudéssemos fazer. Esses homens estavam na prisão. O que importava era o país, a África do Sul. O que eles fizeram em suas vidas pessoais era realmente imaterial. Não era nem aqui nem lá. Devemos entender que eram ser humanos normais no final das contas.”

Na terra

“A verdade era que talvez tenhamos perdido a terra novamente no processo. Nossa luta era uma luta pela terra. Tudo tinha a ver com o retorno da terra para os donos da terra. Não essa noção tola de levar o homem branco para o mar — a noção de lutar para recuperar nossa terra”, explicou.

“Discordávamos de Madiba sobre isso. Você diz: ‘Vamos negociar’. Quando negociamos, você diz que a terra pertence a todos que vivem nela, que as portas do aprendizado devem ser abertas. Agora, como podemos comprar a terra de volta daqueles que a roubaram?”.

Mas ela alertou contra apropriações de terra também.

“Não íamos receber a terra de volta sem compensação. Haveria graves consequências se tivéssemos feito aquilo. Ainda hoje haveria derramamento de sangue”, disse.

“Poderíamos ter chegado a outras decisões em vez de comprador interessado, vendedor interessado” durante a época das negociações, disse.

O que deveria ter mudado

Madikizela-Mandela acredita que as empresas deveriam ter sido mais pressionadas para assumir a responsabilidade de criar empregos, em um esforço para diminuir a desigualdade no país.

“Os capitães da indústria deveriam ter sido parte integrante do acordo na Codesa de que iriam criar empregos. Os governos não criam empregos”, disse.

Para ela, as discussões fracassaram porque o CNA se apressou a alcançar um consenso na época, e foi aí onde as diferenças com seu ex-esposo estadista aumentaram.

“Queríamos levantar a bandeira da liberdade, acomodamos as minorias no processo e alertei Madiba. Eu disse: ‘Não vai funcionar’. Havíamos lutado com essas pessoas desde baixo. Nós as conhecemos melhor do que a liderança que esteve encarcerada durante anos”, disse Madikizela-Mandela.

“Deveríamos ter analisado os tipos de acordo que não iriam vender o país, que não iriam vender o país de volta aos proprietários dos meios de produção”, disse. “Aquela foi a base de nossos desentendimentos com Madiba.”

Mudanças no CNA

“Temos problemas”, Madikizela-Mandela disse sobre o estado atual do Congresso Nacional Africano, mas acrescentou que as coisas podem ser mudadas. Nas últimas eleições locais, o partido perdeu controle de cidades-chave, tais como Johanesburgo e Tshwane, e sofreu derrotas sem precedentes nas eleições parciais.

Em relação aos líderes atuais do partido, Madikizela-Mandela disse que o CNA usaria sua constituição na próxima conferência eletiva para fazer mudanças.

“Vamos reformular o Congresso Nacional Africano. Estamos esperando pela conferência de dezembro. Tudo precisa ser feito estruturalmente”, disse. “Quando tudo for dito e feito, vamos trazê-lo de volta à sua antiga glória.”

Ela disse que as tentações de captura do Estado eram esperadas.

“Há seres humanos que estão fazendo [isso] ao Congresso Nacional Africano”, disse. “Isso é o que acontece aos movimentos revolucionários…. e eu alertei sobre isso há 23 anos.”

Madikizela-Mandela tem esperança de que, por meio do judiciário, a glória do CNA possa retornar.

“Graças a Deus ainda temos um judiciário respeitável. É a única instituição que ainda é aceitável às massas”, disse, em uma alusão a outras partes do governo — tais como o Parlamento, o legislativo, a mídia — supostamente sendo capturadas.

Durante sua pesquisa para o documentário, Lamche descobriu informações sobre o assassinato de Seipei que ela revela para Madikizela-Mandela pela primeira vez durante nossa entrevista, e que a ativista considera “cruciais”.

Jerry Richardson, que confessou durante a Comissão de Reconciliação e Verdade ter recebido uma oferta de 30.000 rands para matar Seipei, disse a Henk Heslinger, policial branco trazido para as operações com o objetivo de desacreditar Madikizela-Mandela, que o estado do apartheid ainda lhe devia dinheiro pelo assassinato. Em 1994, Heslinger checou os dados e comprovou que as informações eram verdadeiras, decidindo assumir o compromisso de quitar a dívida. Richardson pediu que o dinheiro fosse convertido em um solitário de diamantes para uma mulher pela qual ele estava apaixonado.

A informação era importante para que Madikizela-Mandela esclarecesse os fatos.

“Até hoje a direita, mesmo o DA [Aliança Democrática, partido de oposição na África do Sul] para esse assunto, ainda continuam abusando dessa informação e nos chamando de todos os tipos de coisas”, afirmou.

Captura do Estado

Em setembro do ano passado, alguns meios de comunicação citaram Madikizela-Mandela dizendo que o CNA tinha “sérios problemas”. Ela não mudou sua posição. Mas, enquanto a maioria interpretou a afirmação como uma crítica contra a liderança do presidente Jacob Zuma, ela tem o cuidado de não apontar nenhum dos atuais atores que poderia culpar dentro do partido.

Madikizela-Mandela disse que já não reconhece o Congresso Nacional Africano.

Ela afirma que a corrupção no partido governista não faz parte do CNA pela qual ela lutou durante a batalha contra o apartheid.

“O CNA de nossos antepassados desapareceu”, disse. “Todos os dias você abre um jornal e há histórias sobre corrupção, captura do Estado, o CNA está tão capturado… Essas são as notícias que lemos hoje sobre meu CNA.”

Madikizela-Mandela disse que informou à liderança do partido que as coisas na mesa de negociações da Codesa, nos anos 90, não iam bem e acrescentou que esses problemas eram esperados. “Existem seres humanos que estão fazendo [isto] com o CNA”, acrescentou. “Isso é o que acontece aos movimentos revolucionários… E eu alertei sobre isso há 23 anos.”

“Nem um tolo pode fingir que não temos problemas”, disse Madikizela-Mandela. “Temos muitos, muitos problemas sérios. O CNA está com uma hemorragia.”

Madikizela-Mandela disse que viu as acusações de corrupção contra o partido como se fossem contra ela.

“Espero que, depois do sangue e da hemorragia, encontremos um antídoto em algum lugar”, afirmou.

‘Para o que lutamos?’

Madikizela-Mandela encerrou nossa conversa com uma mensagem de esperança para os sul-africanos e mais um impulso como a chamada mãe da nação.

“Estamos cientes de nossos graves desafios hoje”, disse. “As vidas das mulheres nunca foram tão baratas como são hoje”, acrescentou. “Os desafios de hoje são realmente uma mancha para o Congresso Nacional Africano. Para o que lutamos?”.

“Crianças são estupradas! Estas são as chagas da sociedade que vemos hoje, porque o CNA perdeu aquela imagem de proteger as massas”, avalia Madikizela-Mandela.

“Quero [enviar aos sul-africanos] uma mensagem de encorajamento e dizer a eles que nem tudo está perdido no Congresso Nacional Africano. Esperamos que, como remanescentes do Congresso Nacional Africano original, sejamos capazes de restaurar sua dignidade, sua antiga glória.”

*Este texto foi originalmente publicado no HuffPost África do Sul e traduzido do inglês.

 

http://www.huffpostbrasil.com/2017/07/14/winnie-mandela-abre-o-jogo-sobre-o-futuro-da-africa-do-sul-raci_a_23030488/

África subsaariana é pioneira na implantação do dinheiro móvel em todo o mundo

dinheiro-movel 1África subsaariana representa mais da metade de todas as implantações de dinheiro móvel em todo o mundo e é pioneira em vários casos novos de uso, de acordo com dados recentes da GSMA. A última apresentação sobre o “Estado do dinheiro móvel na África subsaariana”, disponibilizada pela GSMA na Tanzânia nesta semana, revela que o número de programas de dinheiro móvel na região chegou a 140 em 39 países no final do ano passado, o que representa mais da metade das 277 implantações de dinheiro móvel no mundo todo.

O novo estudo aponta para uma década de crescimento nos serviços de dinheiro móvel na região após o lançamento do M-Pesa no Quênia em 2007. Ele observa que atualmente existem sete mercados na região com mais de 40% dos adultos sendo usuários ativos de dinheiro móvel: Gabão, Gana, Quênia, Namíbia, Tanzânia, Uganda e Zimbabwe.

“O dinheiro móvel agora está sendo adotado pelo mercado de massa em toda a África subsaariana, permitindo que milhões de pessoas acessem serviços financeiros pela primeira vez e contribuam para o crescimento econômico e para o desenvolvimento social”, disse Mats Granryd, diretor geral da GSMA. “As operadoras móveis atualmente na região usam dinheiro móvel para criar novos ecossistemas financeiros que podem oferecer uma série de novos serviços inovadores em vários setores da indústria, incluindo serviços públicos e agricultura”.

Os dados mais recentes destacam a maneira como o mercado do dinheiro móvel na região evoluiu do uso principalmente para recargas de celular e transferências de pessoa para pessoa (P2P) para se tornar uma plataforma que permite a realização de outros serviços financeiros, incluindo pagamentos de contas, pagamentos de mercadorias e remessas internacionais. O volume desses novos tipos de “pagamentos de ecossistema” quase quadruplicou entre 2014 e 2016 e agora representa cerca de 17 por cento de todas as transações de dinheiro móvel, impulsionado por um aumento significativo no número de pagamentos de contas em dispositivos móveis.

Havia 277 milhões de contas de dinheiro móvel registradas em toda a África subsaariana no final de 2016, além de 1,5 milhão de agentes registrados. Os usuários de dinheiro móvel historicamente concentravam-se no leste da África, onde há grandes mercados de dinheiro móvel, como Quênia, Tanzânia e Uganda. No entanto, dados mais recentes sugerem que o crescimento dos usuários agora está sendo conduzido por outros mercados da região, principalmente na África ocidental. Quase 29 por cento das contas ativas de dinheiro móvel na África subsaariana agora estão localizadas na África ocidental, em comparação com somente 8 por cento cinco anos atrás.

 

https://www.terra.com.br/noticias/dino/gsma-africa-subsaariana-conduzindo-o-mercado-global-para-o-dinheiro-movel,598077c9e2b60c97337dcd020206ceecrjas2s3t.html

O Observatório

Este observatório é uma iniciativa do Grupo de Estudos Africanos vinculado ao Instituto de Relações Internacionais da Universidade de Brasília (GEA/IREL-UnB), que busca refletir sobre a vida política, social e econômica da África contemporânea, com destaque para sua inserção internacional. Preocupando-se com o continente marcado pela diversidade, o Grupo de Estudos Africanos, por meio do Observatório, propõe um olhar crítico e compreensivo sobre temas africanos, em suas mais diversas dimensões.