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África Austral

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Presidiário brasileiro em país africano está desamparado

brasil-africa-sul-.jpgRIO – Em consequência de novas rotas do narcotráfico, o número de brasileiros presos na África e na Oceania vem crescendo nos últimos anos. Nos dois continentes, mais de 90% dos brasileiros presos foram usados como “mulas” do tráfico internacional de drogas. Na América do Norte, principalmente nos Estados Unidos, também houve um crescimento das prisões, mas lá menos de 1% foi por esse motivo. Dados do Ministério das Relações Exteriores (MRE) mostram que, em 2016, havia 2.999 brasileiros presos no exterior, 732 (ou 24,4%) deles por envolvimento com o tráfico de entorpecentes. Entre 2015 e 2016, o número de brasileiros presos no exterior cresceu 9,8%.

– Os aumentos se devem às prisões por narcotráfico. De duas, uma: ou o aumento significa um uso mais intensivo da rota ou um maior rigor no controle das autoridades policiais e da cooperação policial entre o Brasil e a África do Sul e a Oceania – disse ao GLOBO a diretora do departamento consular e de brasileiros no exterior do MRE, Luiza Lopes da Silva.

No mês passado, o GLOBO publicou reportagem do Grupo de Diarios América (GDA) mostrando que a África se tornou a principal rota para o tráfico de drogas provenientes da América Latina com destino à Europa e que as organizações criminosas tinham relações diretas com o terrorismo e o tráfico de armas. A Comunidade de Polícias da América (Ameripol) revelou que pela rota africana passam 30% de toda a cocaína que tem a Europa como destino final.

Isso pode explicar o crescimento de 44,8% de brasileiros presos na África entre 2015 e 2016. Nos países da Oceania, esse aumento proporcional é ainda maior e chega a 51,8% no mesmo período.

– Nos preocupa muito a situação do presidiário que foi usado como “mula”, porque ele fica preso num país em que não pode contar com ninguém, na maior parte das vezes não fala a língua e não tem quem o visite, porque normalmente a família não tem recursos para isso. É diferente de ser preso nos Estados Unidos, onde costuma haver algum apoio mínimo ou da igreja ou da comunidade de brasileiros – explica Luiza.

Segundo ela, é muito mais difícil prestar ajuda consular quando o brasileiro ainda não foi condenado e está detido provisoriamente aguardando julgamento. O Itamaraty acompanha os julgamentos, mas não atua na defesa dos brasileiros, que precisam contratar um advogado ou pedir ajuda de defensores públicos no país em que foi preso. Entre os que estavam presos no ano passado, 1.378 ainda aguardavam julgamento.

Nem sempre a “mula” usada pelos traficantes é uma pessoa em dificuldades financeiras e que comete um ato de desespero. É o que mostra a história de Maria (nome fictício), que nasceu no interior da Bahia e foi presa em 2010. Depois de cumprir sete anos de prisão de uma pena de 14 anos em Joanesburgo, na África do Sul, retornará na quarta-feira ao Brasil. A mãe contou ao GLOBO que Maria disse à família que sairia de férias e iria para São Paulo encontrar com uns amigos. Dias depois, ela foi surpreendida com a notícia de que a filha tinha sido presa na África.

– Uma amiga dela de Ilhéus contou que ela estava presa por ter levado drogas para fora do país. Fomos até Ilhéus e encontramos uma outra mulher que já tinha feito a viagem como mula e tinha conseguido ir e voltar sem ser presa. Ela disse que avisou para a Maria não ir – contou Sandra (nome fictício), a mãe.

Maria ganharia R$ 8 mil pela entrega. Conseguiu passar pelas autoridades, mas o traficante não a encontrou no aeroporto e depois de umas horas os policiais a prenderam. Essa história foi contada pela baiana à mãe por uma carta que conseguiu enviar ao Brasil depois de algum tempo. Durante os sete anos em que esteve presa, ela também conseguiu se comunicar com a família, inclusive seu filho adolescente, por mensagens de telefone de dentro da cadeia africana. Lá, teve problemas de saúde, fez faxina para as detentas locais para pagar por produtos de necessidade básica e vendeu o cabelo para ganhar algum dinheiro.

– Ela queria abrir uma lojinha com os R$ 8 mil e sonhava em trabalhar como artista na TV, chegou a fazer inscrição para o Big Brother. Ela nunca se envolveu com droga, era uma filha boa e atenciosa. Agora, vai ser um recomeço, mas estamos aqui esperando por ela – contou a mãe.

Os motivos que levaram Maria à prisão são bem diferentes daqueles que levam os brasileiros para a cadeia nos Estados Unidos, país que mais prendeu brasileiros no ano passado. Em 2015, havia 532 atrás das grades. No ano passado, esse número subiu para 728. A maior parte deles foi preso por irregularidades imigratórias, homicídio ou tentativa de homicídio e roubo.

https://oglobo.globo.com/brasil/nova-rota-do-trafico-eleva-em-45-as-prisoes-de-brasileiros-na-africa-21674746

Governo moçambicano amplia licença maternidade para 90 dias

Maputo – O presidente moçambicano, Filipe Nyusi, promulgou a proposta que alarga os direitos dos funcionários e agentes do Estado, segundo um comunicado da Presidência enviado à Lusa.

PRESIDENTE DE MOÇAMBIQUE, FILIPE NYUSI

FOTO: PEDRO PARENTE

A lei alarga o período da licença de maternidade de 60 para 90 dias, enquanto o período da licença de paternidade passa a ser de sete dias.

A proposta de lei foi aprovada em Abril pelas três bancadas do parlamento moçambicano, nomeadamente a Frente de Libertação de Moçambique (Frelimo), partido governamental, a Resistência Nacional Moçambicana (Renamo), maior força de oposição, e do Movimento Democrático de Moçambique (MDM).

Na altura, a ministra da Administração Estatal e Função Pública, Carmelita Namashulua, disse que o novo estatuto visa ainda suprimir o limite de tempo de serviço como fundamento de aposentação obrigatória.

Entre outras medidas, prevê-se ainda imprimir maior celeridade ao abono da pensão de aposentação, reduzir burocracias, ajustar o regime de contratação e aperfeiçoar o regime das promoções, progressões e mudança de carreira, associando-os ao desempenho, mérito e experiência do funcionário.

Candidato do MPLA a Presidente prometeu distribuir melhor a riqueza

Bernardino Manje | Huambo

26 de Julho, 2017

O candidato do MPLA a Presidente da República prometeu ontem, na cidade do Huambo, melhorias no sistema econômico, a promoção do emprego e uma justa distribuição da riqueza nacional, caso o partido vença as eleições gerais de 23 de Agosto próximo.

Candidato do MPLA pede voto certo no dia 23 de Agosto próximo para uma vitória forte e convincente
Fotografia: João Gomes | Edições Novembro | Huambo

João Lourenço, que falava no largo do bairro Kapango, próximo ao aeroporto Albano Machado, num acto político de massas que marcou a abertura da campanha eleitoral do MPLA, pediu aos eleitores, sobretudo, os militantes, amigos e simpatizantes do partido para acorrerem em massa às assembleias de voto, permitindo ao partido vencer de forma folgada as eleições.
Durante o acto, o candidato presidencial do partido no poder fez uma retrospectiva das acções levadas a cabo pelo actual Executivo, tendo concluído que, em 15 anos de paz, o Governo do MPLA investiu muito mais do que Portugal em 500 anos de colonização. “O Executivo do MPLA investiu nas infra-estruturas. Temos o país ligado praticamente de lés a lés por terra. Qualquer um pode deslocar-se facilmente de um ponto para o outro do país”, disse.
Numa intervenção de pouco mais de uma hora, João Lourenço também fez referência aos investimentos feitos nos portos, nos sectores da energia e águas, educação e habitação. Em relação à energia, o candidato presidencial afirmou que “o tempo do candeeiro a petróleo começa a ficar para trás”, lembrando que foram construídas barragens hidroeléctricas que o colono não conseguiu fazer em 500 anos de permanência em Angola.
Os investimentos na produção e distribuição de água potável, disse, têm permitido a redução de muitas doenças. “É verdade que ainda há doenças diarréicas que, em princípio, são consequência da água imprópria”, admitiu João Lourenço, assegurando, no entanto, que se está muito próximo de vencer esse desafio, até porque “não há um município onde o Estado não tenha investido em infra-estruturas de captação e distribuição de água”.  Em relação às escolas, minimizou as críticas da oposição, segundo as quais o Executivo não fez nada neste sector. “Por muito que os nossos detractores ou adversários digam que não, não conseguem justificar o que dizem porque os factos estão aí. Ninguém consegue esconder uma escola ou um grande edifício” afirmou o candidato do MPLA, para questionar: “será que eles não têm os seus filhos nessas escolas?”.
Admitiu, no entanto, que deve haver mais qualidade nos sectores da educação e saúde. “É hora de começarmos a ver com outros olhos a qualidade do ensino e da saúde”, defendeu João Lourenço, sublinhando que se deve investir fortemente nas qualidades técnicas dos profissionais destes dois  sectores. “Quem deve fazer a diferença é o homem, é o professor, o médico ou o enfermeiro que lidam com o público no dia-a-dia, quer seja para transmitir conhecimentos ou tratar de mazelas”, disse. O candidato do MPLA defende que se melhorem os serviços prestados à população, quer seja nas conservatórias, notariados, bancos e em todos os sítios onde haja balcão de atendimento ao público. João Lourenço acredita que é possível melhorar o actual quadro, desde que se tomem as “medidas necessárias”. Sobre as acções no sector da habitação, referiu-se à construção de habitações sociais e de centralidades um pouco por todo o país, realçando a do Lossambo,  arredores da cidade do Huambo.

Aumento de emprego

Perante a multidão que encheu por completo o largo do bairro Kapango, o candidato do MPLA a Presidente da República afirmou que o partido está preocupado com o emprego, que considerou “algo muito sagrado”. “O MPLA presta atenção muito particular à necessidade do aumento constante da oferta de postos de trabalho”, disse João Lourenço.

 

Solução dos problemas da população passa pela economia

 

A solução dos problemas da população passam pela melhoria da economia, defendeu o candidato do MPLA a Presidente da República, para quem é preciso que a economia funcione bem e sem burocracia. “Vamos trabalhar pelo menos para reduzir a burocracia nos serviços, para que os investidores possam tocar para frente os seus negócios”, prometeu. Durante toda a pré-campanha, o candidato do partido no poder falou da necessidade de se combater a corrupção.
O repto foi reafirmado ontem. Segundo João Lourenço, para se melhorar o ambiente de negócios, tem de se ter a coragem e capacidade de combater a corrupção. “Se falharmos no combate à corrupção, também falharemos na melhoria da nossa economia. Se falharmos, os investidores também não virão”, alertou.  João Lourenço disse estar confiante no combate à corrupção, porque conta com o apoio do MPLA e da população. “Um verdadeiro compatriota combate a corrupção. Este combate não tem cor partidária”, afirmou.
Outro desafio do MPLA, disse, é a distribuição justa da riqueza nacional. João Lourenço alertou, no entanto, que a distribuição a que se refere não é de dinheiro, mas sim o estabelecimento de programas de inclusão económica, para que mais gente tenha o seu próprio negócio. A meta, sublinhou, é reduzir o número de pobres e aumentar a classe média.
O candidato do MPLA prometeu a descentralização dos serviços, caso vença as próximas eleições, uma prioridade para ter êxitos na  governação.

http://jornaldeangola.sapo.ao/politica/distribuir_melhor_a_riqueza

Nelson Mandela era “um ser humano comum”

CITY PRESS VIA GETTY IMAGES
Winnie Madikizela-Mandela durante seu aniversário de 78 anos em Soweto, na África do Sul. (Photo by Leon Sadiki/City Press/Gallo Images/Getty Images)

Em uma entrevista exclusiva, a complexa e polêmica, a ativista antiapartheid e deputada do Congresso Nacional Africano explicou ao HuffPost SA como seu ex-marido Nelson Mandela era “um ser humano comum” e disse que acredita que ele poderia ter feito mais pelos negros nas negociações da Convenção para uma África do Sul Democrática (Codesa).

Quando entramos na casa de Winnie Madikizela-Mandela, temos a sensação de estar na casa de nossa própria avó. No aposento onde fizemos nossa entrevista com ela, há sofás cor de creme com um exagero de almofadas e mantos bordados pendurados na parte de trás deles. Uma pesada mesa de madeira no meio do piso encarpetado mostra uma abundância de livros sem nome colocados aparentemente para decoração, e cada espaço nas paredes está repleto de quadros.

Assim que a ícone da luta contra o apartheid, de 80 anos, entra na sala,qualquer ansiedade anterior desaparece. Madikizela-Mandela nos cumprimenta como se tivéssemos aparecido para uma visita depois de algumas semanas fora. Seus abraços, apertos de mão e sorrisos são tão calorosos que alguém seria perdoado por esperar um comentário sobre o quanto havíamos crescido. Naquele momento, fico impressionada com o quanto ela é diferente pessoalmente em relação à figura brava e assustadora criada em minha cabeça sobre o que eu havia lido sobre ela.

A cineasta Pascale Lamche lançou seu documentário sobre a história de Madikizela-Mandela, Winnie, no Encounters Documentary Film Festival, em junho. O filme, que busca sem rodeios mudar a narrativa de “mulher amarga” criada em torno dela, ganhou o prêmio de melhor direção em Cinema Mundial — Documentário em Sundance.

Quando perguntada sobre o que achou da forma como sua história foi contada, Madikizela-Mandela cita o filme do produtor Anant Singh, Mandela: O Caminho para a Liberdade, adaptado do best-seller de Madiba — apelido de Nelson Mandela, referente ao clã de sua família — Longo Caminho para Liberdade: Uma Autobiografia.

“Como você condensa aquele tipo de estilo de vida em um episódio que pode ser visto em duas horas? Você fez uma tarefa impossível”, diz Madikizela-Mandela para Pascale Lamche, a diretora francesa que produziu o documentário de 97 minutos sobre a ativista.

Talvez incentivada pelo filme, que foca menos em seu canonizado ex-marido e mais em uma versão menos conhecida de sua história, mais favorável à sua figura, Madikizela-Mandela vai direto ao ponto. Ela quase que imediatamente acusa o sistema do apartheid de capturar Madiba e enfraquecer sua militância.

E, talvez, isso mostre que o documentário veio na hora certa. A percepção de que Mandela não fez o melhor que pôde pelos negros é uma ideia que não só tem sido tema de discussão entre vários acadêmicos e comentaristas desde os debates da Codesa nos anos 90, como também voltou às conversas ‘mainstream’ a convite dos chamados nascidos livres, que exigem uma educação descolonizada, gratuita e que lutam para encontrar seu lugar no arco-íris de Mandela.

SIPHIWE SIBEKO / REUTERS

“Devo ter sido a tal ponto motivo de orgulho para Niël Barnard que, no final das contas, eles realmente acalmaram Madiba”, diz Madikizela-Mandela sobre o chefe do serviço de inteligência nacional na era do apartheid. Barnard, juntamente com ex-chefe do Stratcom, máquina de propaganda da polícia do apartheid, Vic McPherson, relatam irrefletidamente como criaram um conflito entre Madiba e Madikizela-Mandela com o objetivo de ter um melhor controle sobre ele.

“Eles queriam me desestruturar. Esse foi o problema deles, nunca me desestruturei”, diz.

Madikizela-Mandela nunca foi uma personalidade fácil de classificar. Ao fazer parte de um bloco radical dentro do partido governista, ela foi forçada a trabalhar como soldada em Soweto durante o encarceramento de Mandela, que começou em 1964. Devido à sua impopularidade com o público, ela foi banida do lar que tinha com Mandela e jogada à margem pelo governo do apartheid. Sua ascensão se deu pelas fileiras do braço armado do Congresso Nacional Africano (CNA), o Umkhonto we Sizwe, nos anos 70 com seu apoio aos jovens que foram chamados em 1985 por seu líder, Oliver Reginald Tambo, para “servir o país ingovernável”. Ela acabou se tornando uma das mais importantes e respeitadas representantes do partido, com enorme apoio da população.

Durante esse período, Madikizela-Mandela foi acusada de muitos delitos graves. Uma das polêmicas mais notáveis que a envolveram foi o assassinato de Stompie Seipei, de 14 anos. Ela foi acusada de raptá-lo e, em um recurso, conseguiu pagar uma multa com a suspensão da sentença de dois anos pelo crime. Um integrante de seu time, o Mandela Football Club, cumpriu pena pela morte do adolescente.

O modo de vida complicado e obscuro durante a luta armada contra o apartheid significa que, talvez, nunca possamos compreender totalmente o que aconteceu com Seipei.

“Estávamos em guerra”, Madikizela-Mandela explicou algumas vezes durante a entrevista. “Líamos sobre a Alemanha nazista, e equiparávamos nossa situação à Alemanha nazista.”

“A luta é um trabalho ingrato. Não saí por aí dizendo: ‘Bom trabalho, bom trabalho’”, afirmou.

No documentário, Madikizela-Mandela diz que sempre sonhou em ver o Congresso Nacional Africano e a África do Sul liderados por Chris Hani, líder do Umkhonto we Sizwe, que tinha uma inclinação ideológica mais socialista do que outros líderes do CNA. Hani foi assassinado em 1993.

“Tragicamente, acho que teremos sorte se um dia soubermos o que de fato aconteceu. Chris Hani não foi assassinado pela direita. Havia forças mais sinistras do que Janusz [Waluś, ativista de extrema-direita],” disse ao HuffPost SA.

Mandela

MIKE HUTCHINGS / REUTERS

No que poderia ser visto como um ato final de desafio, Madikizela-Mandela fala sobre Mandela com uma franqueza que poderia surpreender muitos simpatizantes acríticos de Madiba. Ela disse que ele teve muitos casos extraconjugais e o chamou de “mulherengo” em mais de uma ocasião.

“Ele era daquele jeito por natureza, velhaco. Por isso que sua prole está aumentando”, ela brinca. “Toda hora há uma foto de uma pessoa que diz: ‘Sou filho de Madiba’. O público não sabia; eu sabia sobre eles, e é verdade. São seus filhos.”

Ela explicou que deu apoio a alguns dos filhos do “mulherengo”.

“Eu matriculei alguns na escola, sem falar nada. Eu os eduquei. Isso é o que fazemos, temos famílias extensas.”

E, ou em mais um ato para protegê-lo ou em uma tentativa final de se justificar, Madikizela-Mandela tenta explicar que Madiba não era um mito. Era uma pessoa de carne e osso, que também tinha falhas.

“Era um homem que gostava de mulheres. Era um ser humano comum que tinha uma queda pelas mulheres”, disse.

Todas as mulheres agiriam como Mama Winnie agiu? Claro que não. E, talvez, ela mesma não teria se comportado daquela maneira se as circunstâncias tivessem sido diferentes.

“Ele não estava lá para que eu arranhasse sua cara. Estava fervendo de raiva”, disse sobre quando soube que ele tinha outros filhos.

“No final das contas, era um ser humano normal… Ele tinha de ser normal. Não era apenas um mito. Esta enorme figura, de que ele era tão incrível, um semideus — ele era apenas um ser humano normal.”

E, com uma referência final sobre o homem, Madikizela-Mandela incorporou mais uma vez o que muitas mulheres negras, algumas de nossas avós e mães, tiveram de enfrentar (e ainda enfrentam) para manter as famílias negras vivas.

“Não havia nada que pudéssemos fazer. Esses homens estavam na prisão. O que importava era o país, a África do Sul. O que eles fizeram em suas vidas pessoais era realmente imaterial. Não era nem aqui nem lá. Devemos entender que eram ser humanos normais no final das contas.”

Na terra

“A verdade era que talvez tenhamos perdido a terra novamente no processo. Nossa luta era uma luta pela terra. Tudo tinha a ver com o retorno da terra para os donos da terra. Não essa noção tola de levar o homem branco para o mar — a noção de lutar para recuperar nossa terra”, explicou.

“Discordávamos de Madiba sobre isso. Você diz: ‘Vamos negociar’. Quando negociamos, você diz que a terra pertence a todos que vivem nela, que as portas do aprendizado devem ser abertas. Agora, como podemos comprar a terra de volta daqueles que a roubaram?”.

Mas ela alertou contra apropriações de terra também.

“Não íamos receber a terra de volta sem compensação. Haveria graves consequências se tivéssemos feito aquilo. Ainda hoje haveria derramamento de sangue”, disse.

“Poderíamos ter chegado a outras decisões em vez de comprador interessado, vendedor interessado” durante a época das negociações, disse.

O que deveria ter mudado

Madikizela-Mandela acredita que as empresas deveriam ter sido mais pressionadas para assumir a responsabilidade de criar empregos, em um esforço para diminuir a desigualdade no país.

“Os capitães da indústria deveriam ter sido parte integrante do acordo na Codesa de que iriam criar empregos. Os governos não criam empregos”, disse.

Para ela, as discussões fracassaram porque o CNA se apressou a alcançar um consenso na época, e foi aí onde as diferenças com seu ex-esposo estadista aumentaram.

“Queríamos levantar a bandeira da liberdade, acomodamos as minorias no processo e alertei Madiba. Eu disse: ‘Não vai funcionar’. Havíamos lutado com essas pessoas desde baixo. Nós as conhecemos melhor do que a liderança que esteve encarcerada durante anos”, disse Madikizela-Mandela.

“Deveríamos ter analisado os tipos de acordo que não iriam vender o país, que não iriam vender o país de volta aos proprietários dos meios de produção”, disse. “Aquela foi a base de nossos desentendimentos com Madiba.”

Mudanças no CNA

“Temos problemas”, Madikizela-Mandela disse sobre o estado atual do Congresso Nacional Africano, mas acrescentou que as coisas podem ser mudadas. Nas últimas eleições locais, o partido perdeu controle de cidades-chave, tais como Johanesburgo e Tshwane, e sofreu derrotas sem precedentes nas eleições parciais.

Em relação aos líderes atuais do partido, Madikizela-Mandela disse que o CNA usaria sua constituição na próxima conferência eletiva para fazer mudanças.

“Vamos reformular o Congresso Nacional Africano. Estamos esperando pela conferência de dezembro. Tudo precisa ser feito estruturalmente”, disse. “Quando tudo for dito e feito, vamos trazê-lo de volta à sua antiga glória.”

Ela disse que as tentações de captura do Estado eram esperadas.

“Há seres humanos que estão fazendo [isso] ao Congresso Nacional Africano”, disse. “Isso é o que acontece aos movimentos revolucionários…. e eu alertei sobre isso há 23 anos.”

Madikizela-Mandela tem esperança de que, por meio do judiciário, a glória do CNA possa retornar.

“Graças a Deus ainda temos um judiciário respeitável. É a única instituição que ainda é aceitável às massas”, disse, em uma alusão a outras partes do governo — tais como o Parlamento, o legislativo, a mídia — supostamente sendo capturadas.

Durante sua pesquisa para o documentário, Lamche descobriu informações sobre o assassinato de Seipei que ela revela para Madikizela-Mandela pela primeira vez durante nossa entrevista, e que a ativista considera “cruciais”.

Jerry Richardson, que confessou durante a Comissão de Reconciliação e Verdade ter recebido uma oferta de 30.000 rands para matar Seipei, disse a Henk Heslinger, policial branco trazido para as operações com o objetivo de desacreditar Madikizela-Mandela, que o estado do apartheid ainda lhe devia dinheiro pelo assassinato. Em 1994, Heslinger checou os dados e comprovou que as informações eram verdadeiras, decidindo assumir o compromisso de quitar a dívida. Richardson pediu que o dinheiro fosse convertido em um solitário de diamantes para uma mulher pela qual ele estava apaixonado.

A informação era importante para que Madikizela-Mandela esclarecesse os fatos.

“Até hoje a direita, mesmo o DA [Aliança Democrática, partido de oposição na África do Sul] para esse assunto, ainda continuam abusando dessa informação e nos chamando de todos os tipos de coisas”, afirmou.

Captura do Estado

Em setembro do ano passado, alguns meios de comunicação citaram Madikizela-Mandela dizendo que o CNA tinha “sérios problemas”. Ela não mudou sua posição. Mas, enquanto a maioria interpretou a afirmação como uma crítica contra a liderança do presidente Jacob Zuma, ela tem o cuidado de não apontar nenhum dos atuais atores que poderia culpar dentro do partido.

Madikizela-Mandela disse que já não reconhece o Congresso Nacional Africano.

Ela afirma que a corrupção no partido governista não faz parte do CNA pela qual ela lutou durante a batalha contra o apartheid.

“O CNA de nossos antepassados desapareceu”, disse. “Todos os dias você abre um jornal e há histórias sobre corrupção, captura do Estado, o CNA está tão capturado… Essas são as notícias que lemos hoje sobre meu CNA.”

Madikizela-Mandela disse que informou à liderança do partido que as coisas na mesa de negociações da Codesa, nos anos 90, não iam bem e acrescentou que esses problemas eram esperados. “Existem seres humanos que estão fazendo [isto] com o CNA”, acrescentou. “Isso é o que acontece aos movimentos revolucionários… E eu alertei sobre isso há 23 anos.”

“Nem um tolo pode fingir que não temos problemas”, disse Madikizela-Mandela. “Temos muitos, muitos problemas sérios. O CNA está com uma hemorragia.”

Madikizela-Mandela disse que viu as acusações de corrupção contra o partido como se fossem contra ela.

“Espero que, depois do sangue e da hemorragia, encontremos um antídoto em algum lugar”, afirmou.

‘Para o que lutamos?’

Madikizela-Mandela encerrou nossa conversa com uma mensagem de esperança para os sul-africanos e mais um impulso como a chamada mãe da nação.

“Estamos cientes de nossos graves desafios hoje”, disse. “As vidas das mulheres nunca foram tão baratas como são hoje”, acrescentou. “Os desafios de hoje são realmente uma mancha para o Congresso Nacional Africano. Para o que lutamos?”.

“Crianças são estupradas! Estas são as chagas da sociedade que vemos hoje, porque o CNA perdeu aquela imagem de proteger as massas”, avalia Madikizela-Mandela.

“Quero [enviar aos sul-africanos] uma mensagem de encorajamento e dizer a eles que nem tudo está perdido no Congresso Nacional Africano. Esperamos que, como remanescentes do Congresso Nacional Africano original, sejamos capazes de restaurar sua dignidade, sua antiga glória.”

*Este texto foi originalmente publicado no HuffPost África do Sul e traduzido do inglês.

 

http://www.huffpostbrasil.com/2017/07/14/winnie-mandela-abre-o-jogo-sobre-o-futuro-da-africa-do-sul-raci_a_23030488/

Crédito jovem para a região da África Austral

Bernardino Manje | Victoria

14 de Julho, 2017

A Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC) vai incentivar os Estados membros a aprovarem leis e elaborar políticas que melhorem o acesso dos jovens ao crédito, bem como a criação de fundos nacionais e regionais da juventude, a fim de aumentar o acesso dos jovens ao capital empresarial.

Líder do Fórum Parlamentar com o deputado das Seycheles
Fotografia: Eduardo Pedro | Edições Novembro – Victoria

A intenção consta da resolução sobre o Aproveitamento do Dividendo Demográfico da SADC apostando na Juventude, que foi aprovada ontem, por unanimidade, na 41.ª sessão plenária do Fórum Parlamentar da região, que decorre nas  Seychelles.
A resolução, cujo assunto é o lema da sessão plenária, foi proposto pela deputada Patricia Kainga, do Malawi.
O documento prevê a aprovação de leis para os sectores do emprego e empreendedorismo, ensino e formação de quadros, saúde e bem-estar e direitos, governação e empoderamento da juventude. A garantia de aplicação de políticas como a Estratégia da Ciência, Tecnologia e Inovação (STISA 2014-24), e a Estratégia Continental da Educação para a África (CESA 2016-25), para facilitar a revisão dos currículos dos estabelecimentos de ensino, é o que, entre outros aspectos, se prevê fazer

no sector do ensino e formação de quadros.
A ideia é aumentar a qualidade e relevância no mercado de trabalho e as necessidades de desenvolvimento nacional e um maior enfoque sobre Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática. Na saúde e bem-estar, destaca-se a promoção de serviços de saúde integrados favoráveis aos adolescentes e jovens nos estabelecimentos públicos e privados, nas clínicas e em outros locais, com serviços adequados de saúde sexual e reprodutiva.
Consta ainda da resolução a eliminação da mortalidade materna e neonatal evitáveis, assegurando que os partos sejam assistidos por um pessoal de saúde competente, e a garantia do acesso universal aos cuidados pré e pós-natais e ao planeamento familiar.Os deputados  aprovaram vários projectos de resoluções, como o para a adoção do Relatório da Comissão Permanente de Democratização.

http://jornaldeangola.sapo.ao/politica/credito_jovem_para_a_regiao

Congresso Nacional Africano, o maior partido da África do Sul está em guerras internas

zumaO presidente sul-africano, Jacob Zuma, fez hoje um apelo à unidade do Congresso Nacional Africano (ANC, no poder), agitado por divisões que o podem fazer perder em 2019 o poder, que detém desde o fim do ‘apartheid’.

Falando no final da Conferência Política Nacional do partido, que esteve reunida desde sexta-feira, Zuma defendeu ser necessário “acabar com as divergências”.

“Estamos confrontados com uma situação em que duas organizações diferentes coexistem no nosso seio. Não o podemos tolerar. Queremos um ANC destabilizado permanentemente, destruído por guerras internas?”, questionou o presidente do ANC.

À frente do país desde a queda do regime de segregação social do ‘apartheid’ e das primeiras eleições livres em 1994, o ANC está muito enfraquecido depois de uma série de casos político financeiros de que o seu líder é acusado.

Os escândalos, a que se juntam o abrandamento da economia, o desemprego em massa e a indignação social, ameaçam a posição do partido de Nelson Mandela nas eleições gerais de 2019.

O ANC deve eleger em dezembro um novo presidente para suceder a Zuma, que se tornará chefe de Estado em caso de vitória do partido nas eleições de 2019.

Os dois principais candidatos são o atual vice-presidente Cyril Ramaphosa, considerado moderado e próximo do mundo empresarial, e a ex-líder da União Africana, Nkosazana Dlamini-Zuma, que tem o apoio do seu ex-marido Jacob Zuma.Nkosazana Dlamini-Zuma

O analista Peter Fabricius, do Instituto para os Estudos de Segurança de Pretória, considera existir um “risco de rutura, mas mais tarde”.

“Zuma faz tudo para impedir Ramaphosa de chegar ao poder. Até ao mês de dezembro, a corrida à sucessão pode tornar-se verdadeiramente violenta ou mesmo sangrenta se Zuma se aperceber de que a pode perder”, declarou Fabricius à agência France Presse.

O chefe de Estado sugeriu hoje que a direção do partido seja alargada, integrando um segundo vice-presidente, para melhor representar todas as sensibilidades.

O ANC sofreu um revés eleitoral nas autárquicas de agosto de 2016, onde perdeu para uma coligação da oposição o controlo de alguns municípios emblemáticos, como Joanesburgo e Pretória.

A oposição, que não esconde a sua ambição de fazer cair o ANC em 2019, apresentou uma nova moção de censura contra Zuma, que será discutida no dia 8 de agosto no parlamento.

 

Fonte:http://www.dn.pt/lusa/interior/zuma-defende-fim-das-divergencias-no-anc-no-poder-na-africa-do-sul-8615382.html

Moçambique luta contra a desnutrição infantil

2010-10-18_10-55-00_Mozambique_Maputo_Macamo
 
 
 
 
Um estudo do Programa Alimentar Mundial indica que 26% dos casos de mortalidade infantil em Moçambique estão associados à desnutrição.
 
 
 
as taxas de desnutrição são persistentemente altas entre as crianças, devido aos elevados índices de doenças infecciosas, principalmente malária, e ao mau acesso aos serviços de saúde, água e saneamento
António Silva
 
Um estudo do Programa Alimentar Mundial (PAM), a ser lançado na quarta-feira, indica que 26% dos casos de mortalidade infantil em Moçambique estão associados à desnutrição, assinalando que o problema custa ao país 1,6 mil milhões de dólares.
 
O estudo, intitulado “Custo da fome em África”, refere ainda que 42,7% das crianças em Moçambique têm baixo crescimento e apenas 45,2% das que registam índices de desnutrição recebem cuidados de saúde adequados.
 
A maioria dos problemas de saúde associados à desnutrição ocorre antes que a criança atinja três anos de idade”, lê-se no estudo, cujo sumário foi distribuído à imprensa.
A mortalidade infantil associada à desnutrição reduziu a força de trabalho de Moçambique em 10% e 60,2% da população adulta já sofreu de problemas de crescimento, quando era criança, diz.
 
Os custos anuais associados à desnutrição infantil, prossegue o documento, são estimados em 1,6 mil milhões (1,4 mil milhões de euros), o que equivale a 10,96% do Produto Interno Bruto.
 
As crianças afetadas por problemas de crescimento são mais propensas a abandonar a escola. Estima-se que apenas 12% dos adultos afetados em Moçambique completaram a escola primária, em comparação com 84% de pessoas com crescimento normal”, destaca o estudo.
A avaliação refere que um quarto da população do país é desnutrida, apesar de, em 2015, Moçambique ter atingido o Objetivo de Desenvolvimento do Milênio de reduzir para metade o número de pessoas com fome.
 
Por outro lado, cerca de um quarto da população sofre de insegurança alimentar crónica, o que significa que não sabe se terá uma refeição.
 
Apesar dos ganhos que foram feitos, permanecem desafios significativos para a segurança alimentar e nutricional”, realça o texto.
De acordo com o PAM, as taxas de desnutrição são persistentemente altas entre as crianças, devido aos elevados índices de doenças infecciosas, principalmente malária, e ao mau acesso aos serviços de saúde, água e saneamento.
 

13 países reúnem-se para discutir a situação na Rep. Democrática do Congo

 

mapa-congo.jpgA situação política na República Democrática do Congo e a questão dos refugiados congoleses que se encontram no Leste de Angola são debatidas a partir de hoje, em Kinshasa, pelo grupo de acompanhamento do Acordo-Quadro para a paz e estabilidade naquele país.

Georges Chikoti,

O ministro das Relações Exteriores, Georges Chikoti, disse que o grupo de acompanhamento composto pelos treze países membros da Conferência sobre a Região dos Grandes Lagos, a SADC e a União Africana, vai reunir-se para avaliar a situação, em função do novo Governo criado há duas semanas.
Durante três dias, a equipe de trabalho vai avaliar a aplicação da agenda para a realização de eleições até finais de 2017, analisar o cumprimento do Acordo-quadro e compreender melhor a situação dos congoleses refugiados em Angola, em consequência da atual crise política e militar que assola aquele país.
O Acordo quadro para a paz, estabilidade e cooperação na República Democrática do Congo, assinado em Fevereiro de 2013, em Addis Abeba, Etiópia, é o mecanismo adequado para a resolução pacífica da crise e do conflito no Leste da República Democrática do Congo, salvaguardando a sua soberania e integridade territorial, como condição indispensável para o seu desenvolvimento econômico e social.

joseph kabila
O Presidente da República Democrática do Congo, Joseph Kabila, nomeou, no dia 9 de Maio, o novo Governo chefiado pelo Primeiro-Ministro, Bruno Tshibala. O Executivo disponibilizou já mais de três milhões de dólares para apoiar os mais de 30 mil refugiados provenientes da República Democrática do Congo instalados junto da fronteira da província da Lunda Norte. O Executivo prevê despender mais de 500 milhões de kwanzas em alimentos, medicamentos e tendas para abrigo.
O Governo angolano fez, recentemente, um apelo ao Governo da República Democrática do Congo e às forças políticas daquele país para que “cessem imediatamente a violência”, os atos de extremismo e de intolerância política, que têm causado a fuga de milhares de cidadãos congoleses para Angola.
O Governo da República de Angola afirmou que tem acompanhado com atenção e bastante preocupação a situação vigente na República Democrática do Congo, marcada por “actos de violência de extrema gravidade que aí ocorrem e que devem merecer o repúdio de toda a Comunidade Internacional”. Angola e RDC mantêm uma extensa fronteira e a situação tem provocado a entrada massiva de refugiados em território angolano, exigindo do Governo um esforço suplementar em termos financeiros, logísticos, de segurança e ordem pública, de forma a acudir as necessidades humanitárias mais prementes dos mesmos, cujo número não pára de aumentar.
“O Governo faz um veemente apelo ao Governo da República Democrática do Congo e a todas as forças políticas desse país, para que cessem imediatamente a violência e a prática de actos de extremismo e de intolerância política, enveredando pela via do diálogo sério e construtivo, que propicie o retorno da paz e estabilidade ao país.”
O Governo também chama a atenção da Conferência Internacional sobre a Região dos Grandes Lagos, da Comunidade de Desenvolvimento dos Estados da África Austral (SADC), da Comunidade de Desenvolvimento da África Central, da União Africana e da Organização das Nações Unidas  para a “necessidade de se encetarem ações políticas, diplomáticas e outras que se mostrarem necessárias e adequadas, susceptíveis de concorrer para uma solução a breve trecho do grave problema em curso na República Democrática do Congo”.

Fonte:http://jornaldeangola.sapo.ao/politica/avaliada_a_crise_na_rdc

Verônica conversa com representantes dos 25.000 mineiros moçambicanos que trabalham nas minas da África do Sul

18186700_304 veronicaSandton (África do Sul), 18 Mai (AIM) – A Presidente da Assembleia da República (AR), Verónica Macamo, enalteceu esta semana, na cidade sul-africana de Sandton, o contributo dos mineiros moçambicanos para o desenvolvimento econômico do seu país.

Falando durante um encontro com os representantes dos mineiros moçambicanos na África do Sul, Verónica Macamo informou, aos presentes, os esforços que estão sendo feitos para a melhoria da situação econômica e sobre o processo, em curso, com vista ao alcance da paz efetiva no país.

“Agora estamos mais animados quanto a economia do nosso país, fruto do trabalho do Presidente da República, Filipe Nyusi, do Governo e do Banco de Moçambique, bem como de outros atores da sociedade moçambicana”, disse Verónica Macamo, citada num comunicado de imprensa da Assembleia da Repblica, que AIM teve acesso.

O encontro, segundo o comunicado, teve lugar a pedido dos mineiros moçambicanos.

Por seu turno, o coordenador geral das comissões dos mineiros moçambicanos naquele país vizinho, Victor Cossa, disse que eles pediram aquele breve encontro de cortesia para saudar a presidente do parlamento moçambicano por ocasião do Dia da Mãe, que se assinalou recentemente no país.

”Estamos muito satisfeitos em partilhar este momento com V. Excia. Presidente da AR e Mãe de todos nós’, afirmou Cossa, acrescentando que ele e os seus colegas de trabalho na terra do Rand têm acompanhado todas as informações relacionadas com a vida socio-política e econômica do país.

Elogiou a Presidente do Parlamento indicando que ela “sempre tem sabido como articular com o Governo, através da representação diplomática local”.

Cossa assegurou a Presidente da AR que os mineiros moçambicanos na Africa do Sul estão a disposição em tudo fazer para o bem-estar para o país e encorajam o Presidente da República a prosseguir com as iniciativas tendentes a trazer a paz, harmonia e concórdia rumo ao desenvolvimento de Moçambique.

Na Africa do sul trabalham, actualmente, cerca de 25.000 mineiros moçambicanos.

GM sai da Índia e também fará as malas na África do Sul

 

chevrolet-beat-activ-essentia-7 GM sai da Índia e também fará as malas na África do Sul

A General Motors está reduzindo sua atuação global. Após retirar a Chevrolet do mercado europeu, onde apenas venderá Camaro, Corvette e alguns modelos da Cadillac, agora a gigante de Detroit está arrumando as malas na Índia. Até o final do ano, a montadora americana deixa de vender veículos no mercado indiano.

Mas, além da Índia, a GM também arruma a bagagem e saí da África do Sul e Cingapura. Só no mercado indiano, sua saída significará gastar US$ 500 milhões para desmantelar suas operações comerciais, cancelando inclusive o projeto de US$ 1 bilhão para a construção de uma família de carros compactos.

A reviravolta faz parte da nova estratégia de reestruturação da GM, que quer concentrar dinheiro apenas em operações rentáveis. O fim das atividades nos três países trará à montadora uma economia de US$ 100 milhões por ano em suas operações globais, que fecharam 2016 com perdas de US$ 800 milhões. Com vendas em baixa e sem possibilidades de disputar um segmento indiano onde a Maruti-Suzuki domina, a empresa decidiu sair.

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O site da Chevrolet Índia já anuncia que as vendas continuam até 31 de dezembro de 2017. Páginas dos modelos acima já estão fora do ar. Na África do Sul, o site funciona ainda e lá são vendidos cinco modelos, entre eles a picape Utility, a conhecida Montana nacional, que deve perder esse mercado após a saída da GM.

Na Índia, a GM deve manter a fábrica de Talegaon apenas para exportação e um centro técnico em Bangalore. Na África do Sul, de acordo com o site da GM local, a planta de comerciais leves de Port Elizabeth será assumida pela Isuzu. A Opel deve mudar de representação no país. A GM também vendeu 57,7% de sua parte na operação queniana.

Buscando centrar-se na China, EUA, América Latina e também em serviços de compartilhamento e condução autônoma, a montadora sacrificou sua atuação global. Agora resta saber se a Holden continuará sob o guarda-chuva (cada vez menor) da GM ou se terá um destino semelhante ao de Opel e Vauxhall. Até que não seria estranho a mesma ser encampada pela PSA, dada a sinergia com as marcas anglo-germânicas.

https://www.noticiasautomotivas.com.br/gm-sai-da-india-e-tambem-fara-as-malas-na-africa-do-sul/

O Observatório

Este observatório é uma iniciativa do Grupo de Estudos Africanos vinculado ao Instituto de Relações Internacionais da Universidade de Brasília (GEA/IREL-UnB), que busca refletir sobre a vida política, social e econômica da África contemporânea, com destaque para sua inserção internacional. Preocupando-se com o continente marcado pela diversidade, o Grupo de Estudos Africanos, por meio do Observatório, propõe um olhar crítico e compreensivo sobre temas africanos, em suas mais diversas dimensões.