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Ivair Augusto Alves dos Santos

Ivair Augusto Alves dos Santos tem escrito 2839 posts para Observatório da África

Angola quer substituir importações de alimentos, vestuários, calçados e da industria têxtil

gado1Aprovado ontem em reunião da Comissão Econômica do Conselho de Ministros, o programa tem como objectivo acelerar a diversificação da produção nacional, por via do fomento de fileiras exportadoras em setores não petrolíferos e com forte potencial de substituição de importações.

O ministro da Economia e Planejamento, Pedro Luís da Fonseca, explicou à imprensa, no final da reunião, que o programa é para ser aplicado no curto, médio e longo prazo e vai estar centrado em áreas como a alimentação e agro-indústria, recursos minerais, petróleo e gás natural, têxteis, vestuário e calçado, além do turismo e lazer.

A decisão do presidente em priorizar e realizar um programa ocorreu depois de ouvir a demanda de empresários que pediram alteração urgente da Lei do Investimento Privado, para adaptá-la à realidade atual e facilitar a atração de capital estrangeiro em infra-estruturas básicas para o desenvolvimento.
Entre as preocupações, constam ainda a falta de energia e água, telecomunicações e estradas, escassez de divisas para a compra de matérias-primas no exterior e as altas taxas de juro. Também solicitaram mais incentivos para os empresários criarem empregos nas zonas mais desfavorecidas.

O que quer os empresários angolanos?

Recordando as declarações à imprensa, no final do encontro dos empresários , o presidente da Associação Industrial de Angola (AIA), José Severino, afirmou que a atual Lei do Investimento Privado, foi aprovada numa altura em que o petróleo, o principal produto de exportação do país, estava acima dos 100 dólares o barril e o Estado tinha recursos abundantes para investir, ao contrário do que ocorre hoje.

“Não faz sentido continuarmos com a mesma lei”, disse José Severino. Como exemplo, o líder dos industriais angolanos questionou a obrigatoriedade de um investidor estrangeiro ter de aliar-se a um nacional e que este tem de ser responsável por 35 por cento do investimento.

“Precisamos de atrair grandes investimentos para as infra estruturas e, para isso, temos de facilitar o investimento estrangeiro, porque ele tem dinheiro que falta ao Estado, para a construção de infraestruturas”, disse José Severino, lembrando que o empresário nacional não tem dinheiro para aplicar na parceria.

“Onde é que o nacional vai encontrar, por exemplo, 35% de cinco bilhões de dólares, para investir com o estrangeiro, num projeto na área da energia ou águas?”, questionou José Severino, lembrando que atitudes do gênero levam o investidor a procurar outros mercados, com mais facilidades e onde o retorno do capital é mais rápido. Apesar disso, José Severino elogiou o trabalho do Presidente da República e disse acreditar que os próximos anos vão ser de crescimento econômico. Para que isso aconteça, entre outras medidas, o líder dos industriais defende um combate cerrado ao contrabando, redução da burocracia, maior articulação entre a agricultura e a indústria e a garantia de que o Estado compre mais bens nacionais.

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Cabo Verde Airlines anuncia voos do Recife para Paris e Milão com escala

A companhia também vai reforçar voos para Lisboa a partir do dia 1º de fevereiroPassageiros do Recife poderão embarcar para Paris  / Foto: Pixabay

Passageiros do Recife poderão embarcar para Paris

A Cabo Verde Airlines vai operar novos voos do Recife para Paris e Milão a partir de março, com escala na Ilha do Sal, em Cabo Verde. Viagens para Lisboa também serão reforçadas a partir de 1º de fevereiro.Passageiros do Recife vão poder voar duas vezes por semana para Lisboa às quintas-feiras e sábados, a partir de meados de março com uma terceira frequência às terças feiras no final desse mês.

 

Já para Paris e Milão-Malpensa os passageiros poderão voar às quintas-feiras a partir de março. Os voos serão operados com Boeing B757 com 160 lugares em econômica e 22 lugares Comfort Class.

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MUDANÇA

A companhia anuncia ainda a mudança da base de operação da capital Praia, para a ilha do Sal, cujo aeroporto oferece melhores infraestruturas operacionais.tacv-6-2015-domestic-route-map

“Já estamos no Brasil há mais de 10 anos e é definitivamente um dos nossos mercados estratégicos. Olhamos para estes voos como uma porta aberta entre a Europa e o Brasil tendo Cabo Verde como elo de ligação. Queremos que as pessoas escolham a nossa companhia para onde quer que viagem,” afirma Mário Chaves, CEO da TACV.

As forças políticas de Guiné Bissau: não respeitam Acordo de Conacri

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A delegação da Comunidade Econômica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO), que esteve em Bissau por dois dias em busca de uma estratégia de implementação do Acordo de Conacri, conclui não houve nenhum progresso significativo na implementação desse acordo que visa pôr fim a crise política que dura há mais de dois anos.

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A Cimeira da CEDEAO de Abuja, Nigéria, no fim do ano passado, tinha dado um prazo de 30 dias às autoridades guinneses para implementar o Acordo, um prazo que expirou no dia 16 de janeiro.CEDEAO (1)

Com extremar de posições e o persistente impasse político, a CEDEAO diz que irá avançar para a aplicação de sanções contra as pessoas que impedem a efetiva implementação do Acordo, lê-se no comunicado final da missão divulgado nesta quinta-feira (18.01.)em Bissau.

Guinea-Bissau Jose Mario VazJosé Mário Vaz, Presidente da Guiné-Bissau

Contactos continuam

As divergências persistem entre o PAIGC, partido que venceu as eleições em 2014, e os seus deputados expulsos que reclamam o regresso aos lugares que ocupavam na direção.

Os quinze deputadosexpulsos condicionam o regresso ao partido com a anulação do Congresso previsto para o final do mês. Uma proposta prontamente refutada pela direção do PAIGC.

A missão da CEDEAO liderada pelo ministro dos Negócios Estrangeiros do Togo, Robert Dussey, e integrada pelo secretário-geral da presidência da Guiné-Conacri, Nabi Bangura, desdobrou-se em contactos com os atores políticos guineenses.

Ex-Embaixadores dos Estados Unidos pedem a Trump para reavaliar suas opiniões sobre a África

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Prezado Sr. Presidente,

Como ex-embaixadores dos EUA em 48 países africanos, escrevemos para expressar nossa profunda preocupação com os relatos de suas recentes observações sobre países africanos e para atestar a importância de nossas parcerias com a maioria dos cinquenta e quatro países africanos. A África é um continente de grande talento humano e rica diversidade, bem como extraordinária beleza de recursos naturais quase incomparáveis. É também um continente com profundos laços históricos com os Estados Unidos.

Como embaixadores americanos no exterior, vimos as complexas e ricas culturas de África, um acolhimento impressionante e uma generosidade e compaixão de tirar o fôlego. Mesmo que haja algumas nações enfrentando desafios, contamos entre nossos contatos empresários dinâmicos, artistas talentosos, ativistas comprometidos, ambientalistas apaixonados e educadores brilhantes. Aprendemos a dar novas soluções a problemas complexos, ajudamos as empresas americanas a encontrar parceiros críticos para o sucesso e a contarmos  com funcionários públicos,  militares  de inteligência africanas que muitas vezes assumiram riscos reais para ajudar a alcançar resultados críticos para nossa segurança.

Sabemos que o envolvimento respeitoso com esses países é uma parte vital da proteção de nossos próprios interesses nacionais. Os Estados Unidos da América são mais seguros, mais saudáveis, mais prósperos e melhor equipados para resolver problemas que enfrentam toda a humanidade quando trabalhamos, ouvimos e aprendemos com nossos parceiros africanos. Nós também sabemos que o mundo inteiro é mais rico por causa das contribuições dos africanos, incluindo os muitos americanos de ascendência africana.
Foi uma das maiores honras de nossas vidas  representar os Estados Unidos da América no exterior. Também foi um privilégio viver e aprender com os diversos e esplendidos países  da África. Esperamos que você reavalie suas opiniões sobre a África e seus cidadãos e reconheça as importantes contribuições que os africanos e os afro-americanos criaram e continuam a fazer em nosso país, nossa história e os laços duradouros que sempre ligará a África e os Estados Unidos.

Atenciosamente,

Mark L. Asquino – Equatorial Guinea
Shirley E. Barnes – Madagascar
William (Mark) Bellamy – Kenya
Eric D. Benjaminson – Gabon, Sao Tome and Principe
Michele Thoren Bond – Lesotho
Parker W. Borg – Mali
Aurelia E. Brazeal – Kenya, Ethiopia
Pamela Bridgewater – Benin, Ghana
Reuben E. Brigety II – African Union
Kenneth L. Brown – Ivory Coast, Ghana, Republic of the Congo
1Steven A. Browning – Malawi, Uganda
Edward P. Brynn – Burkina Faso, Ghana
John Campbell – Nigeria
Katherine Canavan – Botswana
Timothy Carney – Sudan
Johnnie Carson – Uganda, Zimbabwe, Kenya, Assistant Secretary of State for African Affairs
Phillip Carter – Ivory Coast, Guinea-Conakry
Herman Cohen – Senegal, Assistant Secretary of State for African Affairs
Frances D. Cook – Burundi, Cameroon
Walter L. Cutler – Democratic Republic of the Congo, Tunisia
Jeffrey S. Davidow – Zambia
Ruth A. Davis – Benin, Director General of the Foreign Service
Scott H. DeLisi – Uganda, Eritrea
Christopher Dell – Angola, Zimbabwe, Deputy Ambassador at AFRICOM
Harriet Elam-Thomas – Senegal, Guinea-Bissau
Gregory W. Engle – Togo
James F. Entwistle – Nigeria, Democratic Republic of the Congo
Robert A. Flaten – Rwanda
Robert S. Ford – Algeria
Patrick Gaspard – South Africa
Michelle D. Gavin – Botswana
Donald H. Gips – South Africa
Gordon Gray – Tunisia
Robert E. Gribben – Central African Republic, Rwanda
Patricia McMahon Hawkins – Togo
Karl Hofmann – Togo
Patricia M. Haslach – Ethiopia
Genta Hawkins Holmes – Namibia
Robert G. Houdek – Uganda, Eritrea
Michael S. Hoza – Cameroon
Vicki J. Huddleston – Madagascar, Mali
Janice L. Jacobs – Senegal
Howard F. Jeter – Botswana, Nigeria
Dennis C. Jett – Mozambique
Jimmy J. Kolker – Burkina Faso, Uganda
Edward Gibson Lanpher – Zimbabwe
Dawn M. Liberi – Burundi
Princeton N. Lyman – Nigeria, South Africa
Jackson McDonald – The Gambia, Guinea
James D. McGee – Swaziland, Madagascar, Comoros, Zimbabwe
Roger A. Meece – Malawi, Democratic Republic of the Congo
Gillian Milovanovic – Mali
Susan D. Page – South Sudan
David Passage – Botswana
Edward J. Perkins – Liberia, South Africa, Director General of the Foreign Service
Robert C. Perry – Central African Republic
Thomas R. Pickering – Nigeria
Jo Ellen Powell – Mauritania
Nancy Powell – Uganda, Ghana
Anthony Quainton – Central African Republic
Elizabeth Raspolic – Gabon, Sao Tome and Principe
Charles A. Ray – Zimbabwe
Fernando E. Rondon – Madagascar, Comoros
Richard A. Roth – Senegal, Guinea-Bissau
Robin Renee Sanders – Republic of the Congo, Nigeria
Mattie R. Sharpless – Central African Republic
David H. Shinn – Burkina Faso, Ethiopia
A. Ellen Shippy – Malawi
George M. Staples – Rwanda, Cameroon, Equatorial Guinea, Director General of the Foreign Service
Linda Thomas-Greenfield – Liberia, Director General of the Foreign Service, Assistant Secretary of State for African Affairs
Jacob Walles – Tunisia
Lannon Walker – Senegal, Nigeria, Ivory Coast
Melissa F. Wells – Cape Verde, Guinea-Bissau, Mozambique, Zaire (Congo-Kinshasa)
Joseph C. Wilson – Gabon, Sao Tome and Principe
Frank G. Wisner – Zambia, Egypt
John M. Yates – Cape Verde, Benin, Cameroon, Equatorial Guinea, Permanent Charge (3 years) Zaire, Special Envoy for Somalia
Mary Carlin Yates – Burundi, Ghana, Sudan
Johnny Young – Sierra Leone, Togo

Lula deve viajar para a Etiópia depois do julgamento

plenario

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem viagem prevista para a África três dias depois do julgamento da apelação da sentença do caso do tríplex do Guarujá pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4). O petista participará de um evento de combate à fome na cidade de Adis Abeba, na Etiópia, país sede da União Africana.

Com o lema “Vencer a Luta contra a Corrupção: Um Caminho Sustentável para a Transformação de África”, os trabalhos da ocorrerá a cimeira da União Africana , que começará dia  22 de janeiro com a 35.ª sessão Ordinária do Comité Permanente de Representantes.

lula africaNa última sexta-feira, o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Moreira Franco, permitiu, por meio de portaria, que três assessores do ex-presidente acompanhem o petista na viagem — um dos assessores foi autorizado a viajar entre os dias 23 e 29 de janeiro. Os outros dois, entre os dias 26 a 29 janeiro. Como ex-presidente, Lula tem direito a manter assessores.

UNILAB abre curso sobre a língua crioulo de Guiné Bissau

626cb65e-20a1-43aa-9339-17e20dd9766dO Crioulo da Guiné-Bissau em Português, Kriol (crioulo), é uma língua franca de 60% da população da Guiné-Bissau, sendo falado de uma forma diferente em Cabo-Verde. 160 mil pessoas usam crioulo como primeira língua na Guiné Bissau e mais 600 mil como segunda língua, enquanto que cerca de 13% da população fala português.
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A Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira (Unilab) abriu inscrições para um curso do crioulo da Guiné-Bissau, que será ministrado como uma extensão na universidade.20170711-unilab-repudio-ao-corte-da-assistencia-para

O curso faz parte do projeto “Extensão Ensino-aprendizado de línguas crioulas de base portuguesa: o guineense” e será destinado a alunos, funcionários e a comunidade externa à Unilab.

A crise política de Guiné Bissau continua com a demissão do primeiro ministro

Desde a ultima eleição do presidente da República José Mário Vaz, candidato do PAIGC, que  conquistou 61,9 % dos votos em 2014, e com a nomeação do primeiro ministro Domingos Simões Pereira, presidente do PAIGC. E foi instalado uma crise que acabou com a saída do PAIGC do governo em 2016. Esta semana temos um novo capítulo com a demissão do primeiro ministro Umaro Sissoco Embaló.

Primeiro-ministro Umaro Sissoco (esq.) e Presidente da República José Mário Vaz (dta)Umaro Sissoco Embaló (esq.) e Presidente da República José Mário Vaz

 

Guiné Bissau assumiu o compromisso com a  Comunidade Econômica de Estados de Estados da África Ocidental (CEDEAO), do Acordo de Conacri. O cenário politico mantêm-se, sem grandes expetativas, em torno da implementação do referido acordo.

A CEDEAO deu aos líderes guineenses até 16 de janeiro para que apliquem o “Acordo de Conacri”, um instrumento elaborado por esta organização sub-regional, para acabar com a crise na Guiné-Bissau, caso contrário, irá sancionar os que dificultem a sua aplicação.

Perante este estado de coisas, o Secretário Nacional do PAIGC, Ali Hijazi, disse que o partido “continua cético”, segundo ele, “não é a primeira vez que Umaro Sissoco Embaló apresenta o seu pedido de demissão”.

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Guinea-Bissau Umaro Sissoco (DW/B. Darame)Umaro Sissoco Embaló

Entretanto, o Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC), o mais votado nas últimas eleições legislativas guineenses, notificou os 15 deputados dissidentes e expulsos, para que retomem os seus lugares no partido. A confirmação da abertura para a reintegração do também designado grupo dos 15, foi feita esta segunda-feira (15.01), em conferência de imprensa, por João Bernardo Vieira, porta-voz do PAIGC e Aly Hijazi, secretário nacional daquele partido.

Segundo os dois dirigentes, os 15 deputados que contestam a liderança de Domingos Simões Pereira, podem participar no congresso ordinário do partido, que deve ter lugar entre 31 de janeiro e 4 de fevereiro, se assim o entenderem.

Recorde-se que em nota à imprensa, divulgada na semana passada, o grupo dos 15 deputados fez saber que não acatará a abertura para sua reintegração no PAIGC “nos moldes em que o processo é conduzido”, que considera de “ilusório e enganador”. 

O maior partido de Guiné Bissau não conseguiu convencer os deputados dissidentes, e vê com desconfiança a demissão do primeiro ministro. E fica na expectativa do cumprimento do acordo de Conacri. Esse quadro vislumbra que a crise instalada caminha sem alteração até o novo pleito eleitoral e uma possível mudança constitucional, que defina melhor os papéis do presidente da república e do primeiro ministro fonte permanente de disputa e de instabilidade no governo do país.

União Africana afirma que Trump deve desculpas aos africanos e afrodescendentes

plenarioA sociedade civil africana sob os auspícios do Conselho Econômico, Social e Cultural (ECOSOCC) da União Africana recebeu com enorme choque a notícia das palavras infelizes usadas pelo Presidente dos Estados Unidos em referência a pessoas africanas e afro-descendentes. Condenamos, nos termos mais fortes, os matizes racistas dessa linguagem e a clara expressão da ingenuidade sobre o lugar, papel e valor dos povos africanos pelo Presidente dos Estados Unidos.

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Na África, respeitamos os anciãos e a linguagem que os anciãos usam deve ser respeitosa e uma que seja adequada às posições que ocupam. O Presidente dos Estados Unidos deve ser um ancião e deve exercer a sabedoria, o respeito profundo da diversidade cultural e social e do valor da humanidade. Mas, infelizmente, o presidente dos Estados Unidos parece estar representando o contrário!

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Apelamos, portanto, a todos os grupos de cidadãos e de pessoas, líderes religiosos e religiosos, organizações privadas e profissionais, acadêmicos e atores civis nos EUA e na África para condenar esta linguagem nos termos mais fortes. Os cidadãos de todo o mundo devem ser respeitados pelo que são e se referem em linguagem apropriada e respeitosa.

19014772_303Para continuar a propagar o racismo através da linguagem no mundo, é para alimentar outros tipos de comportamentos violentos que vemos ao redor do mundo.
Pedimos que o presidente dos EUA considere seriamente retirar essa declaração e fazer um pedido desculpa pública para todos os africanos e pessoas de ascendência africana no mundo.

trumpO Presidente deve notar que as contribuições sociais, econômicas e culturais dos africanos nos Estados Unidos são uma das mais altas do mundo. Os Estados Unidos têm um grande número de pessoas africanas em uma diversidade de profissões que não se encaixam na desprezível descrição utilizada pelo presidente dos Estados Unidos.
Uma das Américas da Agenda 2063 desenvolvidas pelos povos africanos e seus líderes é:

Uma África com uma forte identidade cultural, patrimônio comum, valores compartilhados e ética. ECOSOCC como órgão que promove e populariza a Agenda 2063 e se esforça para construir uma África e um mundo que seja ético e baseado em valores. Solicitamos, portanto, ao Presidente dos Estados Unidos que abrace essa aspiração e outras aspirações progressistas e positivas do povo africano.
A sociedade civil africana e o ECOSOCC, portanto, se juntam ao resto do mundo para condenar as palavras do presidente dos Estados Unidos da América. Exortamos o Presidente dos Estados Unidos a se restringir e educar-se sobre o mundo e suas pessoas e garantir que ele defina os valores que os povos dos Estados Unidos conheciam ao longo dos tempos.

 

fonte:https://au.int/en/pressreleases/20180116/press-statement-immediate-release-ecosocc%E2%80%99s-response-president-trump%E2%80%99s-

Vice-presidente da Nigéria em Harvard no curso sobre África

Vice President, Professor Yemi Osinbajo

O vice- vice presidenteda Nigéria, prof. Yemi Osinbajo, está nos EUA para dar uma palestra dobre a economia da Nigéria, na Harvard University, Boston, EUA, no curso “África Rising” na Harvard Business School.

Harvard descreveu a palestra como um momento histórico, pois seria a primeira vez que um curso focado em África seria oferecido na Harvard Business School.

Ao estender o convite a Osinbajo, Harvard observou que admirava profundamente o imenso progresso que a Nigéria havia feito sob a administração do presidente Muhammadu Buhari.

O primeiro satélite angolano

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César Esteves |

Depois do lançamento do primeiro satélite angolano ao espaço, no dia 26 de Dezembro, muitas inquietações foram levantadas pelos cidadãos. Para muitos, não faz sentido o país abraçar esse tipo de investimento, quando ainda enfrenta muitos problemas nos sectores da Saúde e da Educação, principalmente.

Engenheiro e docente universitário Valter Quimusseco
Fotografia: Edições Novembro |

O docente universitário Valter Quimusseco, formado em engenharia de telecomunicações, fala dos benefícios que o equipamento pode trazer ao país. O especialista, que prevê publicar, em breve, o seu primeiro livro, intitulado “A Magia dos Satélites”, assegura que os cidadãos serão os mais beneficiados com o Angosat-1, tendo em conta que o mesmo vai provocar um grande impacto social e económico na vida do país. “Angola nunca mais será a mesma”, garantiu.
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De que forma os benefícios do Angosat-1 vão se refletir no  quotidiano dos angolanos? 
O satélite vai proporcionar muitas mudanças na vida dos cidadãos, a começar pelo impacto social. Parece ainda desconhecido por muitos, mas dez por cento dos serviços do Angosat-1, que não são poucos, vão ser canalizados ao sector social do país. Isso vai permitir a educação à distância no país. As escolas, independentemente do local em que se encontrarem, vão passar a dispôr do serviço de Internet. Outra vantagem vai recair sobre a área da medicina. Com o sinal de Internet a funcionar bem, os médicos poderão trocar experiencias, através do serviço de teleconferência. Por essa via, um médico mais experiente, que estiver em Luanda, poderá interagir com outro, que reside em Quibaxe, por exemplo, a fim de ajudar a tratar um doente. Com isso, há a possibilidade de   grande redução do número de mortes nos hospitais.

Que outras vantagens o satélite vai trazer ao país e, consequentemente, aos angolanos?

Por exemplo, 80 por cento da capacidade do Angosat-1 será  comercializada a nacionais e estrangeiros. Para ter uma ideia, segundo o ministro das Telecomunicações, mensalmente, as operadoras nacionais gastam, em média, 15 a 20 milhões de dólares, comprando serviços de satélite a outros países. Agora, repare num pormenor interessante: o Angosat-1 está avaliado em 320 milhões de dólares. Em dois anos, as operadoras nacionais gastam cerca de 320 milhões de dólares. Quando os serviços do satélite angolano estiverem disponíveis, essas empresas nacionais deixarão de levar todo esse dinheiro ao exterior e passam a deixar cá no país. Por outro lado, as empresas nacionais poderão pagar esses serviços em kwanzas. Quem terá de reunir as divisas  serão as empresas estrangeiras que irão comprar os serviços do Angosat-1. Isso vai ajudar a acabar a escassez de dólares que se regista no país. Com isso, a economia fica mais forte, permitindo ao Governo construir mais escolas e hospitais, combater a fome, a pobreza e outros males que enfermam o país. O Angosat-1 vai provocar grandes mudanças no sector social e económico do país. Angola nunca mais será a mesma.

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O surgimento do satélite vai permitir a redução dos preços dos cartões de crédito?

Bem, isso vai depender do órgão que regula esse mercado. Mas o que não se pode deixar passar, em nenhum momento, é a qualidade e a concorrência. Se 200 megabytes de Internet chegam a custar 1.250 kwanzas, quer dizer que, com a chegada do satélite, o preço pode manter, mas a quantidade de megabytes deve subir para, pelo menos, 500, por exemplo.

Muitos cidadãos dizem não entender por que razão um país como Angola, que ainda tem alguns problemas por resolver nos sectores da Saúde e Educação, construa  já um satélite. Essa apreciação dos cidadãos tem alguma razão de ser? 
Acho que não. As pessoas estão a olhar mais para o Angosat apenas na vertente das telecomunicações. Mas, felizmente, ele não se vai resumir a isso. O satélite vai constituir, também, uma grande fonte de diversificação da economia do país. Há escassez de divisas no país e esse problema vai ser resolvido quando o satélite começar a funcionar. As empresas estrangeiras que virão comprar os serviços do Angosat-1 não o farão em kwanzas, mas sim em divisas. E não serão quantias pequenas. Esse dinheiro vai engordar muito os cofres do Estado.

Falando em arrecadação de receitas, acha que o Estado angolano vai conseguir reaver o dinheiro investido no satélite em pouco tempo? 
Eu penso que sim. Por exemplo, o ministro das Telecomunicações garantiu que, em pelo menos dois anos, vai ser possível recuperar o valor investido. Agora, imagine quanto é que o país vai ganhar com o Angosat-1 durante os 15 anos de vida útil do satélite. É muito dinheiro. E, com as receitas do Angosat-1, vai ser possível construir rapidamente o próximo satélite, no caso o Angosat-2.

Por que razão o tempo útil de vida de um satélite é só de 15 anos?
Boa pergunta. O satélite só tem esse tempo de vida por causa do tipo de tecnologia que usa. O satélite, para se manter em órbita, depende da energia transmitida pelos seus painéis solares. E os painéis só têm o tempo útil de vida de 15 a 18 anos. Até ao momento, ainda não se construiu uma tecnologia que lhe permita ter um tempo de vida de 20 a 25 anos.

Além dos painéis solares, o satélite dispõe de mais outra fonte de energia?
Sim, dispõe. Além dos painéis solares, ele conta, também, com duas baterias que entram em funcionamento sempre que os painéis solares deixam de transmitir energia ao satélite.

Essas baterias também só têm o tempo útil de vida de 15 anos? 
Sim, também só têm esse tempo de vida. Por essa razão é que o satélite só tem o tempo de vida de 15 anos. E não é possível fazer manutenção nesses aparelhos. A única coisa que se pode fazer a partir da terra é controlá-lo, através de um comando, sempre que houver algum desequilíbrio orbital.

Além dos dois painéis solares e das duas baterias, o satélite não dispõe de  outras fontes de energia?
Dispõe, sim! Dentro do satélite, todo equipamento tem backup (reserva) para actuar como redundante, em caso de baixa num dos componentes principais. Regra geral, a maior parte do sistema que suporta o satélite funciona à base de M+1, quer dizer um sistema principal e uma reserva.

E o que é que acontece com o aparelho, depois do seu tempo útil de vida?
Automaticamente, é desactivado e é lançado para cima de 100 quilómetros da altura em que se encontra. Ou seja, vai para a órbita-cemitério, local onde ficam os satélites desactivados.hard_-angosat_ampe-rogerio_ra-620x413

Uma questão muito levantada pelos cidadãos tem a ver com o percurso feito pelo satélite, após o seu lançamento. O facto de ter feito aquela diagonal, levou muitos a acreditaram que se tratava de um desvio comprometedor para o destino final do aparelho. O que tem a dizer a respeito? 
Aquele desvio não deveria constituir motivo de preocupação. Tratou-se de um curso normal. A trajectória de um satélite faz-se em função da posição orbital onde vai ficar. Ele pode passar por uma ou duas órbitas de transferência, dependendo do centro de lançamento.

Há alguma razão para o satélite ter sido lançado na Rússia?
A primeiro razão tem a ver com as condições. Angola não fabrica satélites e não tem um centro de lançamento. Logo, não seria possível lançá-lo a partir daqui. Quem lança satélites são países que dispõem de centros de lançamento. E não se lança o satélite a partir de qualquer centro de lançamento. É preciso haver muito estudo. Normalmente, os países que querem lançar satélites não aceitam fazê-lo a partir de centros que têm registo de falhas, pois é muito arriscado. Lançou-se na Rússia, porque, primeiro, foi construído lá e, segundo, porque aquele centro de lançamento oferece condições e garantias.  Aquele centro do Cazaquistão é um centro sem queixas. Não tem registo de falhas de lançamentos de satélites. A Rússia é um país de referência em lançamentos.

Qual vai ser a função do Centro da Funda?

É impossível ter um satélite em órbita sem que se tenha um centro de controlo. É a partir desse lugar que se vai garantir a permanência do satélite em órbita. O Centro da Funda tem a função de monitorar, permanentemente, o funcionamento do satélite. A partir de lá, saberemos se o satélite está na órbita desejada ou não. E, caso haja algum desequilíbrio do satélite, o centro de controlo enviará um comando para o ajustar.

Qual é a diferença entre o centro de controlo da Rússia e o da Funda? O que é que um faz e o outro não?

Geralmente, os satélites são controlados por um centro de controlo primário e um secundário. Em comunicações, é regra haver sempre um centro primário e um secundário. Assim, o centro primário é o que está na Funda e o secundário é o da Rússia. E por que razão o centro da Funda é o primário? Porque o satélite é nosso. Mas, numa primeira fase, vamos depender da Rússia, porque eles têm os cientistas e as tecnologias. É muito natural que em primeira mão sejam eles a actuar. Mas, depois, vai chegar a fase em que serão os próprios angolanos a guiar o barco. O que eles estão a fazer é apenas prestar um serviço.

Além de monitorar o funcionamento do satélite, o Centro da Funda terá outra utilidade?
Sim! Além de monitorar o Angosat-1, também poderá prestar serviço a outros países que vierem a lançar satélite e que venham a precisar de um centro redundante. E o centro da Funda estará em condições de actuar como um centro redundante. Logo, será mais dinheiro que vai entrar para os cofres do Estado.

Houve alguma razão para se colocar o Centro de Controlo na Funda e não em outra zona do país? 
Sim, houve! Os centros de controlo, tal como os de lançamento, devem ficar em zonas não muito povoadas ou habitadas. Mas poderá existir, também, razões estratégicas para aí ficar; que não são do nosso conhecimento.

É fácil para um país entrar para a corrida espacial?
Não, não é fácil. Por isso mesmo é que Angola está de parabéns. Repare que até a própria posição orbital, onde está o satélite, não é nossa. Alugamos de países que fazem a gestão daquele espaço. Alguns países não aceitam que outros entrem para essa corrida, porque passam a ter mais um concorrente.

Quem faz a gestão desse espaço onde está o Angosat-1?  
Angola não é o único país que alugou espaço para colocar o seu satélite. Estes espaços são controlados por associações de países que fabricam satélites. Estas nações são também detentoras dessas posições orbitais, onde a zona da linha do equador é a mais concorrida.

Por que razão se dificulta a entrada de mais países para a corrida espacial?
É muito simples. Ao entrar para essa corrida, Angola deixará de recorrer aos serviços do satélite americano, russo e o sul-africano. Com isso, passará a ser mais um concorrente no mercado. Por essa razão, o monopólio que controla esse sector não permite que mais países entrem para essa corrida. É uma luta muito grande, entrar nesse mercado, face ao elevado nú­mero exigências a cumprir. Por isso, Angola está de parabéns por ter conseguido.

Também já se falou que o Angosat-1 não é de Angola, pois foi alugado. É possível alugar um satélite?

Alugar, não. O satélite não volta à terra. Como é que vamos alugar uma coisa que já não volta à terra? Como fazer para devolver o equipamento? Assim que foi lançado, nunca mais voltará. Ainda não se criou uma tecnologia que permita ao satélite regressar à terra. Depois do tempo de vida, o aparelho vai para a órbita-cemitério e de lá nunca mais volta. Por isso, é uma questão infundada dizer que Angola alugou o Angosat-1.

        “O Angosat 1 é um satélite geostacionário e para fins comerciais”
O satélite do Ghana, o Ghanasat-1, ficou orçado em 50 mil dólares. Como se entende que o Angosat-1 tenha custado 320 milhões de dólares? 
É uma questão pertinente. O Ghanasat-1 não pode ser comparado ao Angosat-1, porque não é geostacionário como é o de Angola, ou seja, não é de telecomunicações e de uso comercial, nem foi lançado na órbita LEO, a 420km do nível médio do mar. Esse aparelho tem um período de rotação de 92 minutos, uma velocidade de 7,67km/segundos e possui um peso de 1kg. Resumidamente, o satélite do Ghana é para fins científicos.

E o Angosat-1?
O Angosat-1 é um satélite geostacionário, ou seja, um aparelho que se lança na órbita GEO, conhecida também como órbita equatorial. Possui uma grande cobertura de 30 a 40 por cento da superfície da terra e tem um ângulo de cobertura de 120 graus. Esse tipo de satélite fica visível o tempo todo e não oferece zonas de silêncio, porque tem o mesmo período de rotação que a terra. O aparelho angolano é para fins comerciais. O custo para a construção de um satélite geostacionário é muito elevado. Não se compara ao Ghanasat-1, que é apenas para fins académicos. É por essa razão que o satélite do Ghana não pode ser comparado ao de Angola.

Qual é o título do seu livro e o que falta para ser publicado?
Faltam patrocínios. Ele já está completo. Está apenas dependente de apoios. O livro intitula-se “A Magia dos Satélites”. Comecei a escreve-lo tão logo se anunciou que Angola teria um satélite.

Que informações sobre satélites trará o livro?
O livro contém várias informações pertinentes sobre satélites, com maior destaque para o Angosat-1. Ao escrever esse livro, tivemos como objectivo colmatar as eventuais dúvidas que fossem surgir depois que o Angosat-1 fosse lançado.~

Perfil

Valter Quimusseco
Tenente das Forças Armadas Angolanas, nasceu aos 21 de Dezembro de 1989. É formado pelo Instituto Superior Técnico (ISTM) em Engenharia de Telecomunicações e é docente em regime de colaboração na Universidade Óscar Ribas, nas Cadeiras de Sistemas de Telecomunicações I, II,  Antenas e Radiopropagação, e Física I, II..

Participações em projectos
Participei do prémio Odebrecht para o Desenvolvimento Sustentável em Angola 2015 como orientador dos projectos Asfalto de Plástico, uso do plástico reciclado para produção de energia, e casa de plástico

O Observatório

Este observatório é uma iniciativa do Grupo de Estudos Africanos vinculado ao Instituto de Relações Internacionais da Universidade de Brasília (GEA/IREL-UnB), que busca refletir sobre a vida política, social e econômica da África contemporânea, com destaque para sua inserção internacional. Preocupando-se com o continente marcado pela diversidade, o Grupo de Estudos Africanos, por meio do Observatório, propõe um olhar crítico e compreensivo sobre temas africanos, em suas mais diversas dimensões.