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Ivair Augusto Alves dos Santos

Ivair Augusto Alves dos Santos tem escrito 2661 posts para Observatório da África

A literatura de Chinua Achebe

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Chinua Achebe colocou a Nigéria na geografia literária ao contar num tom sério, a partir de dentro e sem direito a desfile etnográfico, a identidade africana em subtil mudança.

Achebe retoma as regras canónicas do romance e acrescenta-lhe a estética da tradição oral africana

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Achebe retoma as regras canónicas do romance e acrescenta-lhe a estética da tradição oral africana MANUEL ROBERTO

Ler os romances do escritor nigeriano Chinua Achebe (1930-2013) é viajar para a realidade africana das histórias contadas oralmente na sombra da grande árvore do centro da aldeia. Ele é como o velho sábio que assim vai passando a tradição aos que o ouvem, levando-os pelas palavras ditas ao mundo dos mitos africanos, inscrevendo nos ouvintes (ou mostrando, no caso dos leitores) uma identidade cultural apenas entendida na sua essência se vista e descrita a partir de dentro. Contar uma história tem na sua natureza um elemento de magia, de poder viajar a uma outra realidade. Esse efeito mágico cumpre, sobretudo nas comunidades e nas sociedades mais tradicionais, a função de organizar um suposto passado (tantas vezes mítico e também arquetípico) de maneira a estruturar o presente. É fazendo uso desse “poder de feiticeiro que narra” que Chinua Achebe — considerado pelos críticos anglo-saxónicos o fundador da literatura africana — começa a recriar de maneira singular universos até então ausentes dos romances sobre África.

Em 1958 publicou aquele que é considerado o livro seminal da literatura africana pós-colonial, Quando Tudo Se Desmorona (Mercado de Letras, 2008). Ele escreve a partir de dentro, levando o leitor para uma nova realidade cultural e histórica, em oposição aos romances em que o olhar está do lado de fora, em que esse olhar é “estrangeiro”. Por várias vezes (e escreveu mesmo um ensaio para o demonstrar) apelidou de racista o famoso livro de Joseph Conrad, Heart of Darknesse (O Coração das Trevas), exactamente por causa dessa maneira de olhar etnocêntrica, ignorante da cultura africana, arrogante e exterior ao continente.Chinua-Achebe-speakn-abt-thingsfallapart1.jpg

Achebe retoma as regras canónicas da forma do romance, as convenções clássicas do género, e acrescenta-lhe a estética da tradição oral africana. Não subverte a linguagem nem cai no facilitismo de lhe inventar efeitos “folclóricos” (escreve num inglês perfeito; conta histórias na língua dos colonos para que os seus livros possam ser lidos em todo o continente, é assim que se justifica quando é disso acusado). Nascido num país, a Nigéria, com 200 etnias e 500 línguas faladas, Chinua Achebe consegue unificar numa língua escrita (extraindo do todo o essencial) essas múltiplas tradições da oralidade, retratando uma identidade em constante e subtil mudança.

O olhar desapiedado

Deste autor nigeriano foram publicados em Portugal três dos cinco romances que escreveu: A Flecha de Deus (Edições 70, 1978), Um Homem Popular (Caminho, 1987) e aquele que é considerado a sua obra-prima, Quando Tudo Se Desmorona (Mercado de Letras, 2008). Chinua Achebe foi uma voz incómoda para alguns intelectuais africanos que a qualquer pretexto desfraldam a bandeira da “vitimização” do continente, demitindo-se assim de responsabilidades; e foi-o também para um certo Ocidente trendy que não se consegue ver livre de um exacerbado complexo de culpa histórica, e que com essa disfarçada atitude paternalista mais não faz do que legitimar a hipocrisia e a desgraça.

Em Um Homem Popular é feita uma crítica feroz, por vezes irónica, aos políticos africanos corruptos. E Achebe sabe daquilo que conta. O livro foi publicado originalmente em 1966 e a história acaba com um golpe de Estado, final profético, pois uns meses depois o Governo nigeriano foi derrubado. A trama literária é-nos narrada por um jovem professor de aldeia que um dia se encontra com um seu antigo mestre-escola, entretanto tornado ministro. Um Homem Popular traz-nos o olhar desapiedado de Achebe, não apenas sobre a classe política, mas também sobre os povos africanos: “O próprio povo, como já vimos, tinha-se tornado ainda mais cínico do que os seus líderes, e estava apático frente às negociatas.” Achebe tenta entender (sem desculpabilizar) esse mesmo povo que acaba por ser vítima também de si próprio, ao não conseguir manter o equilíbrio entre o lado material e espiritual da vida, ao aceitar passivamente a hipocrisia de uma duplicidade de valores.

Quando Tudo Se Desmorona tem por epígrafe quatro versos de W. B. Yeats retirados do poema The Second Coming, que se refere ao dia do Juízo Final, ao acordar da Besta, à desintegração da ordem do mundo, a um tempo de desmoronamento. O livro conta-nos a história de Okonkwo, um jovem de uma tribo Igbo, que está determinado a não ser um falhado como o pai, e que pretende seguir a tradição e ascender socialmente na tribo. E as coisas não lhe correm mal. Consegue atingir a prosperidade e o topo da hierarquia. Mas chega o dia em que desrespeita a tradição e as coisas começam a mudar. É o princípio do fim, o início de uma série de catástrofes. Tudo coincide com a chegada do “homem branco”.

A linguagem de Chinua Achebe, elegante e luminosa, é muito telúrica, característica que empresta às narrativas uma vertente poética que prende o leitor mesmo nos momentos em que nada acontece, como neste exemplo retirado da sua obra-prima: “Recordou-se da história que ela habitualmente contava sobre a antiga desavença entre a Terra e o Céu, e de como o Céu retivera a chuva durante sete anos, até as sementeiras definharem e os mortos não poderem ser enterrados porque as enxadas se quebravam ao tentar abrir sulcos na Terra empedernida. Por fim, o Abutre foi enviado até junto do Céu para tentar amolecer o seu coração com uma canção sobre o sofrimento dos filhos do homem.”

 

https://www.publico.pt/2017/08/15/culturaipsilon/noticia/saber-contar-a-sombra-da-grande-arvore-africana-1782306

Brasil-Marrocos cria grupo parlamentar com a presidência de Cristovam Buarque

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Senadores reuniram-se nesta quarta-feira para criar o colegiado, presidido por Cristovam Buarque (PPS-DF). Objetivo é incentivar as relações entre os poderes legislativos dos dois países.

 Senadores brasileiros instalaram na tarde de quarta-feira (09) no Senado Federal, em Brasília (DF), o Grupo Parlamentar Brasil-Marrocos, que visa incentivar as relações bilaterais entre os poderes legislativos dos dois países. Proposto originalmente em 2015, o “grupo de amizade”, como foi chamado pelos presentes na reunião, elegeu o senador Cristovam Buarque (PPS-DF) como seu presidente.

O grupo parlamentar teve a sua criação aprovada em outubro de 2015 na forma do Projeto de Resolução do Senado (PRS) 20/2015, do senador Marcelo Crivella (PRB-RJ). A proposta prevê que a cooperação interparlamentar ocorra por meio de visitas recíprocas, troca de publicações e trabalhos legislativos, além da realização de congressos, seminários, simpósios, debates, conferências, estudos e encontros direcionados para áreas específicas.

O relator da matéria foi o senador Cristovam Buarque (PPS-DF). Ele argumenta, em seu voto favorável à criação do colegiado,  que a “atuação do Grupo Parlamentar Brasil-Marrocos contribuirá para o estreitamento das relações entre as duas nações, ao possibilitar o conhecimento mútuo entre os respectivos parlamentos”. O senador também destaca que o Marrocos é um país-chave no contexto africano e de política externa extremamente ativa e multidirecionada.

 

“O mundo ficou global, mas os parlamentos são ainda muito locais. Cada vez mais vamos ter que abrir as nossas relações e nossos contatos”, afirmou Buarque, que destacou a relação de proximidade que o Brasil possui com o país do Norte da África.

Compõem ainda a diretoria executiva a senadora Ana Amélia (PP-RS) e o senador Jorge Viana (PT-AC), vice-presidentes, e Antonio Anastasia (PSDB-MG), Armando Monteiro (PTB-PE) e José Agripino (DEM-RN), secretários. Acir Gurgacz (PTB-RO), Fernando Collor (PTC-AL), Roberto Requião (PMDB-PR) e Wilder Morais (PP-GO) também fazem parte do grupo, que é de livre adesão.

Collor, que é presidente da Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional (CRE) do Senado Federal, presidiu a reunião. Ele esteve no Marrocos no mês passado, onde reuniu-se com parlamentares do país africano que prometeram visitar o Senado brasileiro ainda este ano. “A missão deverá vir em outubro ou em novembro, talvez coincidindo com a visita do ministro das Relações Exteriores Nasser Bourita ao Brasil”, disse o senador.

A visita do chanceler marroquino está prevista para o começo de novembro. Na ocasião, deverão ser retomadas as negociações técnicas para o acordo de comércio entre o Marrocos e o Mercosul.

O embaixador do Marrocos em Brasília, Nabil Adghoghi, presente na reunião, afirmou que é vontade do país africano avançar nesse assunto. “Esperamos dentro em breve alcançar um acordo de livre-comércio com o Mercosul. Não é possível darmos as costas a um mercado tão promissor como este”, disse, após lembrar que o Marrocos possui acordos bilaterais com União Europeia, Turquia, países do Golfo e Estados Unidos, entre outros.

Outros acordos entre os dois países também devem ser assinados nos campos de defesa e educação, além do Acordo de Cooperação e Facilitação de Investimentos (ACFI). Este, segundo Adghoghi, já está pronto, só esperando pelo momento oportuno para a assinatura. “2017 está sendo um ano rico e muito promissor para as relações entre o Brasil e o Marrocos”, destacou o embaixador.

Na Republica Democrática do Congo, Sudão do Sul, Nigéria e Etiópia as crianças são vitimas da pobreza

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Nova Iorque (RV) – São as crianças que pagam o preço mais alto pelas crises, sobretudo na África, revela o relatório publicado pelas Nações Unidas segundo o qual, 60% das crianças africanas – cerca de 300 milhões – são pobres, obrigadas a viver com menos de 1,25 dólares ao dia. É a maior cifra já registrada.587247Cifras preocupantes

“Estas cifras são preocupantes”, comentaram funcionários da ONU, citados pelas agências.

“Na África e na Ásia meridional a incidência da pobreza entre as crianças é respectivamente de 66 e de 50%, muito mais elevada do que em qualquer outra parte do globo”.

Em 39 países da África subsaariana, os jovens com menos de 18 anos, são o grupo social mais numeroso entre os pobres.

Crianças com menos de 9 anos

A condição pior – segundo os especialistas da ONU –  é aquela vivida pelas crianças com menos de nove anos. No Sudão do Sul, Nigéria e Etiópia, ao menos nove crianças em cada dez vivem em condições de grave miséria.14142_artigo__41111356_13_beninpeeter

África Subsaariana com maior percentual de crianças extremamente pobres

Esta análise soma-se àquela fornecida pelo Fundo para as Crianças do Banco Mundial, publicada em outubro passado, segundo o qual a África Subsaariana não somente tem o maior número de crianças que vivem em pobreza (49%), mas tem o maior percentual de crianças extremamente pobres (51%).

“As crianças – afirmou o Vice-Diretor Executivo do Unicef, Justin Forsyth – têm o dobro de probabilidade do que um adulto de viver em pobreza extrema, mas têm menos instrumentos do que um adulto para enfrentar a pobreza por causa das doenças, da mortalidade infantil e do carente desenvolvimento na primeira infância”.

Fome na rica República Democrática do Congo

Existem países, no entanto, em que a situação é mais dramática, como na República Democrática do Congo, que paradoxalmente, é um dos mais ricos do continente.

Mas é justamente devido à exploração indiscriminada dos recursos do sub-solo – em particular o ouro, o coltam e a cassiterita – que  o leste do Congo continua a viver uma situação de grave instabilidade e violência, com consequências dramáticas para a população local.

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Tem depois a Nigéria, onde o terrorismo do Boko Haram dilacerou o território e a população.

Nos primeiros meses de 2017 foram destruídos 53 povoados e mortas mais de 800 pessoas, sobretudo crianças.

E por trás da luta contra o terrorismo se escondem muitas vezes interesses de homens poderosos, que nestes anos especularam e se enriqueceram às custas da vítimas.

(JE – L’Osservatore Romano)

 

Pesquisas eleitorais de empresas brasileiras estão no centro do debate em Angola

zedu.pngUma empresa brasileira realiza uma sondagem em Angola e surge uma empresa angolana a desmentir que essa sondagem tenha sido feita, apenas e através dos órgãos de comunicação social do Estado, com destaque para o Jornal de Angola.

Parece anedota, e é.

Mas foi o que se passou com a história da sondagem feita pela empresa brasileira Sensus, que, além de colocar o MPLA em minoria nas eleições que aí vêm, apresentou um quadro catastrófico, divulgado pelo Maka Angola, da opinião da população relativamente ao governo do MPLA.

Depois da publicação da sondagem apareceu um tal de consórcio Marketpoll Consulting a desmentir os dados, acusando o Maka Angola de todos os desmandos e mais alguns, e ameaçando com mais processos judiciais, mantendo a táctica do regime de submeter Rafael Marques de Morais à ameaça e à pressão constante de acções judiciais contra si.

A questão é que a Marketpoll Consulting não é uma entidade independente, imparcial ou sequer neutral. É uma sociedade recente, constituída em 23 de Junho de 2015, no Cartório Notarial do Guiché Único da Empresa, por Frederico Manuel dos Santos e Silva Cardoso, secretário do Conselho de Ministros e membro do Comité Central do MPLA. O director do Departamento para a Política de Quadros e membro do Comité Central do MPLA, Joaquim José Miguéis, também é sócio.

O objecto social da empresa é o planeamento e execução de campanhas, execução de pesquisas, desenvolvimento e produção de materiais de campanhas, entre outros. Facilmente se percebe que é um braço do MPLA para a execução da campanha eleitoral de 2017.

Entre 2003 e 2008, Frederico Cardoso exerceu as funções de director do Gabinete de Coordenação de Estudos e Análises do Comité Central do MPLA, e, de 2004 a 2008, foi, cumulativamente, chefe de gabinete do vice-presidente do MPLA Pitra Neto.

Em 2008, então na qualidade de director da Valleysoft, Frederico Cardoso foi um dos pivôs da fraude eleitoral desse ano, e com isso foi recompensado com o cargo de chefe da Casa Civil do presidente da República. Na altura, Frederico Cardoso também concorria às eleições e conquistou um assento no parlamento.

Esta Valleysoft, da qual Frederico Cardoso era sócio e gestor, formou consórcio com a infame empresa espanhola Indra para a provisão de soluções tecnológicas para o processo eleitoral. O custo inicial do contrato era de 61 milhões de dólares, mas foi logo inflacionado para 200 milhões de dólares.

Não há muito mais que possa dizer-se sobre a promiscuidade deste dirigente do MPLA e das razões de tão desastrada defesa ao declarar a inexistência de um relatório encomendado pelos seus superiores.

Portanto, o que temos aqui é um desmentido mentiroso. Trata-se de Frederico Cardoso, o homem do aparelho e do controlo das eleições do MPLA, a vir, por intermédio de supostas empresas de fachada, negar a sondagem publicada por Rafael Marques de Morais. Não é por se colocarem uns nomes em inglês que as empresas passam a ser credíveis.

Sejamos muito claros: esta Marketpoll é MPLA, é Frederico Cardoso. Os seus desmentidos nem valem o papel em que foram escritos. São apenas fases da ofensiva de propaganda em curso.

Além de se revelar a falsidade deste desmentido por parte de uma empresa de fachada do MPLA, há que averiguar, afinal, por que razão está a Sensus, empresa brasileira, associada a um dirigente do MPLA?

Será que estamos novamente perante as confusões milionárias de dinheiros entre MPLA e o Brasil, que levaram à prisão e condenação de João Santana? João Santana foi o marqueteiro brasileiro responsável pelas campanhas de JES e do MPLA, e devido a lavagem de dinheiro foi condenado a uma pena efectiva de prisão de oito anos pelo juiz Sérgio Moro.

Não podemos deixar de colocar a questão: que dinheiros andam a circular entre a Marketpoll do MPLA e a Sensus brasileira? Haverá aqui outra vez a possibilidade de lavagem de dinheiro?

Se querem processos judiciais, talvez seja de começar a investigar estas relações financeiras que, mais uma vez, se estabelecem para efeitos de campanha eleitoral entre o MPLA e o Brasil.

https://www.makaangola.org/2017/08/o-desmentido-mentiroso/

Proteína animal em Angola tem grande potencial de crescimento

A produção interna de carnes está aquém das necessidades do mercado, uma situação que o Governo pretende inverter nos próximos anos com os investimentos em curso em todo o país, afirmou o secretário de Estado da Agricultura para o Sector Empresarial.

Feira do Lubango exibiu potencialidades agropecuárias durante quatro dias
Fotografia: Arimateia Baptista | LubangoCarlos Alberto, que falava no encerramento da 14.ª edição da Feira Agropecuária, enquadrada nas Festas da Nossa Senhora do Monte, referiu que no ano passado o país importou 420 mil toneladas de carne bovina, suína e aves.
No mesmo período, salientou, a produção interna foi de, aproximadamente, 50 mil toneladas.  “Temos de modificar essa situação, porque as potencialidades da região são enormes, carecendo apenas de esforço, tanto do sector empresarial, como do Executivo, que continuará a prestar o seu apoio institucional”, disse.
O secretário de Estado afirmou que, juntar criadores para trocar experiências, sensibilizar outros intervenientes na cadeia produtiva, na tentativa de obter consensos para que haja uma participação efectiva de todos, é uma iniciativa valiosa.
O governante considera que o reconhecimento, a entrega de troféus, a exposição de animais e a realização de leilões devem constituir um estímulo para os criadores de gado. “É preciso aproveitar todas as oportunidades que a feira oferece não só para a realização de negócios, como para muita diversão”, referiu.
O presidente da Cooperativa dos Criadores de Gado do Sul de Angola (CCGSA), Luís Nunes, defendeu um serviço técnico que reúna as condições para prestar uma assistência veterinária e zootécnica capazes de assegurar a profilaxia, a sanidade, o bem-estar e gestão dos animais. A assistência técnica eficaz na produção e conservação de pastagens e forragens, é outra acção defendida pelo presidente da CCGSA, que congrega mais de 82 fazendas. “É esta a nossa responsabilidade, enquanto cooperativa de criadores de gado, mas é necessário um maior investimento público de interesse para este sector, que deve ser garantido pelo Governo”, afirmou.
Luís Nunes disse que os associados depositam confiança e expectativa no futuro da região e do sector pecuário, alavanca do desenvolvimento económico e social.
“É fundamental uma atenção muito especial do Ministério da Agricultura e Desenvolvimento Rural nos apoios que devem ser prestados ao sector, para que os resultados de cada empresa e criador de gado sejam efectivos e contribuam, de facto, para o crescimento da economia angolana e não sejam apenas simples números estatísticos”, frisou.
O responsável defendeu a construção de um matadouro moderno e respectivas estruturas complementares, capazes de garantir o  abastecimento do mercado com gado produzido na região sul.
Luís Nunes defendeu a criação de uma estrutura de assistência técnica nos vários domínios da produção, abate e comercialização da carne. Neste momento, está em execução um programa de fomento e requalificação do gado do Sul de Angola, cujo protocolo já foi assinado com o Governo provincial da Huíla.
O programa visa o melhoramento genético do gado, principalmente ao nível dos pequenos criadores, com o objectivo de elevar o índice de crescimento e rentabilidade da produção, assim como melhorar a qualidade da carne. “São prioridades da Cooperativa de Criadores de Gado do Sul de Angola a defesa dos superiores interesses dos nossos associados e dos criadores de gado na sua generalidade”, indicou.

Mais carne e maior rentabilidade

A direcção da CCGSA está ciente da necessidade de estruturar o sector, com vista a uma melhor rentabilidade das explorações agro-pecuárias, empresariais e individuais, e aumentar a produção de carne e leite com mais qualidade. Luís Nunes garantiu que a direcção da cooperativa tem consciência de que os objectivos não serão conseguidos apenas pelos associados, mas também com a participação dos criadores individuais e, fundamentalmente, com o apoio do Governo, com linhas de crédito acessíveis e subsídios à produção. “Estamos de acordo e disponíveis para dar o nosso contributo neste processo, mas é necessário que se faça uma distribuição mais equitativa das disponibilidades do Orçamento para esse fim”, defendeu.
O líder cooperativo solicitou mais atenção das autoridades, numa altura em que sector primário da economia constitui uma prioridade na diversificação económica, “porque ele garante mais emprego e mais riqueza”.
Luís Nunes garantiu que a CCGSA tem capacidade para satisfazer uma parte significativa das necessidades do país, desde que lhes sejam garantidos os apoios necessários.
“Estamos conscientes de que os novos tempos vão trazer-nos uma realidade diferente, que o futuro vai exigir mais trabalho, mais sacrifícios, controlo da actividade e uma nova filosofia de gestão, mas acima de tudo sabemos que o país vai ser diferente”, referiu
A feira do Lubango, que terminou ontem com a presença de criadores de gado das províncias do Cuanza Sul, Namibe, Benguela, Huambo, Huíla e Cunene, expôs 390 bovinos de diferentes espécies durante os quatro dias do certame. Mais de 200 cabeças de gado foram leiloadas.Angola possui cerca de 3.850.000 cabeças de gado, cuja maioria se encontra na região Sul. A CCGSA enquadra 82 associados, todos eles grandes produtores.
Na sexta-feira, o Governo procedeu à inauguração do matadouro da Camabatela, na província do Cuanza Norte, com a finalidade de aumentar a oferta de carne, melhorar a dieta da população e criar mais de 200 postos de trabalho directos e indirectos para a juventude.
O projecto foi financiado pelo Governo espanhol com custos avaliados em 13,4 milhões de dólares norte-americanos . Construído a cinco quilómetros da sede municipal de Ambaca, o matadouro tem uma capacidade de abate de 200 bovinos e 300 caprinos por dia, perfazendo 52.800 animais por ano, além de sete toneladas de gordura animal que se prevê produzir por dia.

CEO de grande empresa farmacêutica , deixou o Conselho de Trump

 

O CEO da Merck, a terceira maior empresa farmacêutica dos Estados Unidos, demitiu-se ontem do painel de empresários que aconselha o Presidente, uma decisão tomada para “combater a intolerância e extremismo” nos EUA.

Kenneth Frazier deixa de prestar assessoria ao Presidente dos Estados Unidos
Fotografia: Nicholas Kamm | AFP

Donald Trump não tardou a reagir no Twitter, dizendo que o empresário terá agora mais tempo para “baixar os preços dos medicamentos que são uma exploração”.
Kenneth Frazier deixa de fazer parte do grupo de conselheiros do mundo dos negócios criado pela administração de Trump numa altura em que o Presidente dos EUA está a ser criticado por não ter condenado especificamente a extrema-direita pelos incidentes no estado da Virgínia, que resultaram em três mortos.
“Os líderes norte-americanos devem honrar os nossos valores de base ao rejeitarem claramente expressões de ódio, intolerância e supremacia de grupos, que vão contra o ideal americano de que as pessoas são todas iguais”, defendeu o empresário de 62 anos, que lidera a Merck desde 2011.

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Durante o fim de semana, três pessoas morreram e 19 ficaram feridas numa manifestação organizada por extremistas brancos em Charlottesville, Virgínia.
O empresário negro disse que, “por uma questão de consciência” e “como CEO da Merck”, sente a “responsabilidade de tomar uma posição para combater a intolerância e o extremismo”, conforme se lê no comunicado publicado na conta oficial da farmacêutica no Twitter.

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A Casa Branca afirmou no domingo que o Presidente dos Estados Unidos também se referia a “supremacistas brancos, KKK [Ku Klux Klan], neo-nazis e todos os grupos extremistas” quando condenou a “violência, intolerância e ódio” nas declarações sobre Charlottesville.
No sábado, Trump publicou no Twitter um vídeo em que apelava à unidade social. “Acima de tudo, devemos lembrar-nos desta verdade: Não importa a nossa cor, credo, religião, ou partido político, somos todos americanos primeiro”, disse o presidente no vídeo.

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Kenneth Frazier não é o primeiro a deixar o painel de empresários conselheiros. Elon Musk, CEO da Tesla, demitiu-se em Junho após o anúncio de que os EUA vão sair do Acordo de Paris, que prevê o combate às alterações climáticas, e o então presidente executivo da Uber, Travis Kalanick, saíra já em Fevereiro.

As pesquisas eleitorais em Angola estão divergindo.

Uma pesquisa realizada entre os dias 8 e 12 deste mês em todo o país pelo Consórcio Marketpoll Consulting, empresa angolana, e Sensus Pesquisa e Consultoria, empresa brasileira, dão vitória do MPLA e do seu candidato, João Lourenço, com 68 por cento dos votos.

João Lourenço vence as próximas eleições gerais
Fotografia: Francisco Bernardo | Edições Novembro

Para o inquérito nacional, foram realizadas quatro mil entrevistas nas 18 províncias do país, tendo como base os dados do Registo Eleitoral de 2017. Em cada comuna, procedeu-se ao cálculo estatístico das quotas por sexo, idade e escolaridade, com base no Registo Eleitoral de 2017 e no Censo de 2014. A margem de erro da pesquisa é de  2,5 por cento para mais e para menos.
A Sensus é uma empresa constituída há mais de 30 anos, tendo entre os seus clientes, instituições credíveis brasileiras, angolanas e outras, a nível internacional, como a ONU/PNUD, o Banco Mundial, a Universidade de Chicago, a Universidade de Michigan, a London Business School e outras de grande, médio e pequeno porte, registando, nos seus mais de 30 anos de actuação, a realização de cerca de 150 pesquisas por ano, totalizando mais de 4.500 pesquisas.
Os dados da Sensus são divulgados pela imprensa nacional e internacional, como a Globo, a Record, o Estado de São Paulo, o Jornal de Angola, a revista Sábado de Portugal, o Washington Post, o New York Times, o Financial Times, a revista Economist, dentre outros. A Sensus é membro da ABEP (Associação Brasileira das Empresas de Pesquisa), tendo integrado o seu Conselho Director por oito anos, pautando-se, na realização das pesquisas, pelo Código de Ética da ESOMAR.

Sondagem falsa

O Consórcio Marketpoll Consulting e a Sensus Pesquisa e Consultoria desmentiram uma suposta sondagem eleitoral, veiculada pelo site “Maka Angola” no dia 10 de Agosto, e atribuída às duas empresas, que, de acordo com as consultoras, nunca foi realizada, sendo todos os dados contidos na matéria” falsos e irresponsavelmente difundidos”.
Num comunicado , as duas empresas afirmam que a matéria veiculada pelo “Maka Angola” socorre-se de uma fonte não credível, sendo completamente falsa e passível de responsabilização judicial, nos termos da lei angolana e no quadro internacional dos crimes cibernéticos.
“A Marketpoll/Sensus não reconhece e não aplicou qualquer questionário com o conteúdo veiculado por esse site, lê-se no comunicado, que acrescenta que atribuir à Sensus a “paternidade de tais dados demonstra uma clara tentativa de desinformação e manipulação da opinião pública nacional e internacional, com o objectivo de prejudicar o normal desenvolvimento do processo eleitoral em Angola”.
“ A Sensus não reconhece e demarca-se da autoria do conteúdo integral dessa sondagem (dados, tabelas, citações, conclusões), considerando-a da inteira e exclusiva responsabilidade do site Maka Angola, produto da sua imaginação e invenção, que reputa de irresponsável”, indica o comunicado.
A Marketpoll/Sensus afirma que trabalha em Angola em respeito à lei e dentro dos critérios técnicos e académicos nacionais e internacionais, de realização de inquéritos populacionais e rege-se pelo Código de Ética da ESOMAR World Research, entidade internacional que regula a conduta técnica e ética dos institutos de pesquisa.
Neste caso, acrescenta o comunicado, os dados das pesquisas, realizadas pela Marketpoll/Sensus diferem, radical e frontalmente, dos dados apresentados pelo site “Maka Angola” e que a Marketpoll/Sensus nunca realizou qualquer sondagem de opinião, com uma base amostral de 9.155 entrevistas no país.
“A Sensus Pesquisa e Consultoria repudia as ilações difamatórias e destituídas do mais elementar rigor científico, divulgadas pelo site Maka Angola, cuja autoria lhe é erroneamente atribuída, não devendo, por conseguinte, merecer crédito junto da opinião pública nacional e internacional”, lê-se no comunicado, em que acrescenta que tal procedimento é passível de responsabilização judicial, pelos danos morais aos promotores e à imagem da Sensus, a nível nacional e internacional.

Comício no Sumbe

O candidato do MPLA a Presidente da República orienta hoje, no Sumbe, Cuanza-Sul, um comício de apresentação das linhas de força do programa de governação para o período 2017-2022, caso vença as eleições gerais.

http://jornaldeangola.sapo.ao/politica/sondagem_eleitoral_da_vitoria_ao_mpla

Acordo de cooperação entre Brasil e Cabo Verde para formação de gestores

 

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FGV participa de programa de recrutamento e formação de gestores em Cabo Verde
O governo de Cabo Verde estabeleceu um programa para a promoção da capacidade científica e tecnológica nacional por meio do reforço das empresas e instituições acadêmicas e do fortalecimento da cooperação com instituições de reconhecido mérito internacional. Para isso, aprovou no final de junho, a resolução que cria o programa “Bolsa Cabo Verde Global” que será financiado pelo governo do país com apoio de fundos internacionais.

 

 

O Gestor Executivo do Núcleo de Cooperação com África e Portugal (NuCAP) da Diretoria Internacional da FGV (DINT), Marcus Vinicius Rodrigues, participou de uma reunião com o Primeiro-Ministro de Cabo Verde, José Ulisses Correia e Silva, na Cidade da Praia. O objetivo do encontro foi convidar a FGV para participar do programa de recrutamento e de formação de líderes, gestores, docentes e investigadores, para os setores público e privado daquele país.

O governo de Cabo Verde estabeleceu um programa para a promoção da capacidade científica e tecnológica nacional por meio do reforço das empresas e instituições acadêmicas e do fortalecimento da cooperação com instituições de reconhecido mérito internacional. Para isso, aprovou no final de junho, a resolução que cria o programa “Bolsa Cabo Verde Global” que será financiado pelo governo do país com apoio de fundos internacionais. O objetivo é facilitar parcerias que potenciem ofertas de programas em nível internacional.

Nesse contexto, a FGV foi uma das primeiras instituições a serem convidadas. O processo está em andamento, tendo como interlocutora do governo cabo-verdiano a Ministra da Educação Maritza Rosabal.

Durante a reunião, o Primeiro-Ministro reconheceu a excelência da FGV e lembrou dos quadros cabo-verdianos já formados na instituição, onde se inserem vários empresários e autoridades governamentais, inclusive o ex-Primeiro Ministro, José Maria Neves, que teve seus estudos acadêmicos realizados na Escola de Administração de Empresas de São Paulo (EAESP).

http://portal.fgv.br/noticias/fgv-participa-programa-recrutamento-e-formacao-gestores-cabo-verde

  Memorial entre Angola e Namíbia homenageia as vítimas de massacre

Lei do Investimento Privado de Angola precisa ser modificada para atender aos empresários

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Nos dois anos de vigor da Lei do Investimento Privado, “nem tudo foi bom”, considerou sexta-feira, num denominado “Chá jurídico”, em Luanda, o director-geral adjunto da Unidade Técnica de Apoio ao Investimento Privado (UTAIP) do Ministério do Comércio.

 

Custódio Armando adiantou que, bom base no funcionamento das UTAIP – os organismos que lidam com as questões do investimento nos departamentos ministeriais -, o balanço que se pode fazer da lei aprovada a 11 de Agosto de 2015 “não é muito bom”.
O responsável declarou que o modelo já foi ensaiado no passado ao abrigo de leis anteriores e que já é consensual a ideia de que deve haver um único interlocutor institucional para os investidores.
“Este modelo seria o melhor, porque o investidor não precisaria de ‘bater várias portas’ para realizar o seu investimento”, apontou Custódio Armando.
“Há necessidade de se corrigir alguns aspectos da lei” e acautelar os da formação dos recursos humanos para a lei ser bem aplicada, reforçou o responsável, que secundou, nas suas afirmações, o presidente Associação Industrial de Angola (AIA).
José Severino defendeu, no encontro, que a Lei de Investimento Privado deve ser reformulada, para o que é necessário um balanço coordenado pela Unidade Técnica de Investimento Privado (UTIP) ou o Ministério da Economia, para avaliar se está aplicada, onde há ou não investimento e se está a reger as UTAIP.
José Severino disse que a Lei do Investimento suportava mais o crescimento da capacidade cambial do país mas, a partir do momento em que o preço do petróleo baixou, ficou desajustada.
O investimento estrangeiro em infra-estruturas, notou, que obriga que haja participação de capital nacional mínimo de 35 por cento nas empresas operadoras e a ausência de incentivos para a promoção de obras nas zonas do interior para se combater as assimetrias regionais são duas deficiências de lei.
Em relação às UTAIP, o presidente da AIA defende a descentralização, embora deva ser concedido poder de harmonização e a observação à Agência de Apoio à Importação e Exportação (APIEX).
A maior parte dos ministérios, apontou, não se prepararam para receber os serviços de investimento e aplicar a lei, o que cria constrangimentos.
De realçar que, na altura de adopção da lei, o presidente da AIA declarou discordar da redução, no novo texto, das Zonas de Desenvolvimento para efeitos de atribuição de incentivos fiscais, de cinco para duas.
José Severino afirmou naquela altura que a AIA era da opinião que se deveria manter as cinco zonas de incentivos fiscais e criarem-se mais incentivos para as zonas do Leste de Angola.
Notou que a região do Leste do país precisa de mais competitividade e, se o diploma que regula o investimento privado mantivesse as zonas existentes na antiga lei e aumentasse os incentivos e benefícios fiscais e aduaneiros para ali destinados, obter-se-ia competitividade empresarial com os países vizinhos e a integração na Zona de Comércio Livre.
O coordenador do debate, Moisés Caiaia, avançou, em declarações ao Jornal de Angola, que o “Chá jurídico”, o programa de debates iniciado sexta-feira, tem uma periodicidade mensal e visa discutir questões académicas e técnicas sobre algumas leis que, no dia-a-dia, são aplicadas com resultados positivos ou negativos.

Como resultados positivos, apontou Moisés Caiaia, no caso da Lei do Investimento Privado, a atribuição de competência aos titulares dos departamentos ministeriais para decidir sobre matérias de investimento, e, como negativas, as parcerias obrigatórias entre naturais e estrangeiros, uma prática que inibe o capital externo.

http://jornaldeangola.sapo.ao/economia/lei_do_investimento_da_pouco_resultado

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Este observatório é uma iniciativa do Grupo de Estudos Africanos vinculado ao Instituto de Relações Internacionais da Universidade de Brasília (GEA/IREL-UnB), que busca refletir sobre a vida política, social e econômica da África contemporânea, com destaque para sua inserção internacional. Preocupando-se com o continente marcado pela diversidade, o Grupo de Estudos Africanos, por meio do Observatório, propõe um olhar crítico e compreensivo sobre temas africanos, em suas mais diversas dimensões.