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Brasil – África, Cultura, História, Patrimônio Cultural, UNESCO

Cais no Rio que recebeu 900 mil escravos é tombado pela Unesco

Valongo, no centro do Rio de Janeiro, recebeu no século XIX cerca de 900 mil escravos

mediaO cais do Valongo, no centro do Rio de Janeiro, recebeu no século 19 cerca de 900 mil escravos vindos do continente africano.Tomaz Silva/ Agência Brasil

A Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) incluiu neste domingo (9) o sítio arqueológico do cais de Valongo, no Rio de Janeiro, em sua lista de monumentos tombados pelo Patrimônio Histórico Mundial. O cais, no centro do Rio de Janeiro, recebeu no século 19 cerca de 900 mil escravos vindos do continente africano.

O comitê do Patrimônio Mundial da Unesco, reunido em Cracóvia, evocou na ocasião a memória do afluxo de cerca de 900 mil escravos africanos que desembarcaram no cais de pedra de Valongo, construído em 1811, no centro da capital carioca.

Para a historiadora Katia Bogea, presidente do Instituto Nacional do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), Valongo merece figurar entre “outros lugares relevantes de memória, como Hiroshima ou Auschwitz.” “A proteção do patrimônio”, acrescentou Bogea perante a Comissão, “nos obriga a lembrar estas partes da história da humanidade que são proibidos de cair no esquecimento.”

Valongo é a evidência física e a pista histórica mais importantes associadas à chegada de escravos africanos nas Américas. As pedras em que quase um milhão de escravos provenientes da África deram seus primeiros passos no Brasil haviam sido deixadas sob os escombros da metrópole que se desenvolveu.

O cais desapareceu gradualmente no subterrâneo, sob várias camadas de revestimentos, de acordo com as renovações do bairro carioca.

Protegido por uma simples barreira e sem presença policial, o sítio arqueológico continua sendo particularmente vulnerável. Ele foi localizado sob uma espessa camada de cimento em 2011, quando se faziam escavações para reabilitar nas obras da zona portuária, um dos projetos emblemáticos ligados aos Jogos Olímpicos de 2016.

Contrapartida histórica

Esta estação é a contrapartida brasileira da Ilha de Gorée, no Senegal: classificada como Patrimônio Histórico Mundial em 1978, a ilha senegalesa é reconhecida como o ponto de partida simbólico dos escravos africanos em direção ao continente americano.

Os escravos não permaneceram durante muito tempo no Rio. Uma vez vendidos, eles foram rapidamente transportados para as usinas de açúcar do Nordeste, as minas de ouro de Minas Gerais e as plantações de café na região de São Paulo.

Os números exatos são difíceis de determinar com precisão, mas a maioria dos historiadores concorda que o Brasil recebeu em seu litoral mais de quatro milhões de escravos vindos da África, cerca de 40% das vítimas do tráfico que partiu em direção às Américas, um legado que se tornou um fardo para o Brasil, país que foi um dos últimos a abolir a escravidão, em 1888.

http://br.rfi.fr/brasil/20170709-cais-no-rio-que-recebeu-900-mil-escravos-e-tombado-pela-unesco

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O Observatório

Este observatório é uma iniciativa do Grupo de Estudos Africanos vinculado ao Instituto de Relações Internacionais da Universidade de Brasília (GEA/IREL-UnB), que busca refletir sobre a vida política, social e econômica da África contemporânea, com destaque para sua inserção internacional. Preocupando-se com o continente marcado pela diversidade, o Grupo de Estudos Africanos, por meio do Observatório, propõe um olhar crítico e compreensivo sobre temas africanos, em suas mais diversas dimensões.
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