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UNITA sai na frente : Partidos políticos de Angola sorteiam posição no boletim de voto

Santos Vilola, Adelina Inácio e Faustino Henrique |

7 de Junho, 2017

O MPLA é o quarto, a UNITA o primeiro e a coligação de partidos políticos CASA-CE o sexto e o último no boletim de voto das eleições gerais de 23 de Agosto próximo.

Ordem dos partidos e respectivos candidatos a Presidente no boletim de voto depois do sorteio realizado ontem pela CNE
Fotografia: Albino Camama | Edições Novembro

A ordem foi definida ontem em sorteio das seis candidaturas validadas pelo Tribunal Constitucional para concorrer às eleições gerais, numa cerimônia solene realizada no Centro de Convenções de Talatona, em Luanda, e transmitida pelos serviços de radiodifusão e televisão públicos.
Ao partido vencedor das últimas eleições gerais de 2012, em que foi o segundo no boletim de voto, o sorteio ditou desta vez o lugar número quatro, extraído da tômbola, máquina onde foram inseridos dados com números que correspondem a um partido ou coligação de partidos políticos.
A FNLA é o quinto, PRS o terceiro e a APN o segundo no boletim de voto das eleições gerais de 23 de Agosto próximo. O modelo de boletim de voto apresentado pela Comissão Nacional Eleitoral (CNE) em papel A4, com mecanismos de segurança para evitar fraude, tem o nome do candidato a Presidente da República, siglas dos partidos e da coligação de partidos e as respectivas posições assinaladas.
A cerimónia de ontem, que começou com a certificação pelos mandatários dos partidos do peso das esferas na balança antes de serem introduzidas na máquina, registou um impasse pelo facto de ter sido constatado que uma das esferas tinha peso a mais comparativamente às outras que registavam 50 gramas.
Por duas vezes, a esfera N.º 4, que representava o MPLA na ordem alfabética definida dos partidos políticos, teve de ser trocada pelo representante da Empresa de Lotarias de Angola, proprietária da máquina do sorteio. A situação foi logo registada e constatada por todos os mandatários dos cinco partidos e a coligação de partidos políticos.
Por momentos, instalou-se um impasse, superado depois de cerca de dez minutos por um representante da empresa. A esfera em causa foi retirada e substituída pela bola nº 34, constatada por todos os mandatários.
Na ordem alfabética para determinar o número de extracção, primeiro estava a APN, segundo a CASA-CE, terceiro a FNLA, quarto o MPLA, quinto o PRS e sexto a UNITA. Na máquina de sorteio (tômbola), foram colocadas as esferas por ordem numérica definidas em função do critério alfabético.
A cada mandatário de partido político foi entregue um controlo remoto para definir o número de extracção. O primeiro a premir o botão foi Estêvão Katchiungo, da UNITA, e por coincidência acertou no seu partido. A UNITA ficou em primeiro. A ordem de extracção definiu sequencialmente a APN, PRS, MPLA, FNLA e a única coligação de partidos políticos a CASA-CE.
O procedimento, para o primeiro dos três momentos da cerimónia solene de ontem, encerrava com a assinatura da acta pelo presidente da CNE, André Silva Neto, pelos comissários eleitorais e pelos mandatários dos partidos políticos, depois de apresentada pela porta-voz da instituição, Júlia Ferreira. A acta, depois de lavrada e assinada na cerimónia, deve ser publicada na Iª Série do Diário da República.

Tempo de antena

A UNITA é o primeiro partido político a utilizar o tempo de antena na rádio pública (Rádio Nacional de Angola), de dez minutos durante a campanha eleitoral. Para a escolha do tempo de antena foi usada a ordem já definida pelo sorteio do boletim de voto e o partido ficou na primeira posição, entre as 15 horas e as 15h10 minutos.
O período de dez minutos de utilização do espaço público de radiodifusão que corresponde ao tempo de antenas começa às 15 horas e vai até às 22 horas, todos os dias durante um mês antes do dia de reflexão (anterior ao dia das eleições gerais).
A grelha de distribuição dos tempos de antena na rádio pública colocou em segundo a CASA-CE (15h10 às 15h20), MPLA (15h20 às 15h30), APN (15h30 às 15h40), PRS (15h40 às 15h50) e FNLA (15h50 às 16).

Propaganda na televisão

O período de cinco minutos de utilização do espaço de antena na televisão pública colocou em primeiro a CASA-CE, em segundo a APN, em terceiro a FNLA, em quarto a UNITA, em quinto o PRS e em sexto e último o MPLA.
O tempo de antena na televisão, de cinco minutos, começa das 20 horas e vai até às 20h30 minutos, todos os dias, durante um mês antes do último dia de campanha.
No final da cerimónia, foram igualmente assinadas actas pelo presidente da CNE, pelos comissários eleitorais e pelos mandatários de lista dos partidos políticos. O documento deve igualmente ser publicado no jornal oficial do Estado (Diário da República Iª Série) e difundido nos órgãos de comunicação social.
A cerimónia de ontem, orientada pelo presidente da CNE, foi testemunhada por representantes do corpo diplomático, por membros do Executivo, magistrados, juízes conselheiros do Tribunal Constitucional e do Tribunal de Contas e governador provincial de Luanda.
As eleições gerais de 23 de Agosto decorrem sob o lema “Vota pela paz e pela democracia”.

Transparência e lisura

Os mandatários dos partidos políticos e da coligação de partidos concorrentes às eleições ficaram satisfeitos com o posicionamento das candidaturas no boletim de voto, bem como da ordem para os tempos de antena na rádio e na televisão públicos. Em declarações à imprensa no final do sorteio reconheceram que o processo presidido pelo presidente da Comissão Nacional Eleitoral (CNE) decorreu com lisura e transparência. O mandatário da lista do MPLA, Ferreira Pinto, afirmou que não é o posicionamento de um partido no boletim de voto que determina a vitória nas eleições, mas o trabalho a ser feito com os militantes e com os eleitores.  “É  com este posicionamento que o MPLA vai trabalhar com os militantes, simpatizantes, amigos e eleitores para vencer as eleições de 23 de Agosto”, disse.
Ferreira Pinto, que se mostrou confiante na vitória, adiantou que os militantes, amigos e simpatizantes do seu partido vão exercer o voto no MPLA e lembrou que em 1992 o MPLA esteve na 14ª posição num universo de 18 concorrentes e em 2008 passou na 10ª posição, com um universo de 14 concorrentes. O político lembrou ainda que nas eleições de 2012 o partido esteve em segundo lugar num universo de 9 concorrentes. “Em todas essas eleições o MPLA foi sempre o partido vencedor com bons resultados”, lembrou o mandatário do MPLA.
Já Estêvão José Pedro Kachiungo, mandatário da UNITA, afirmou que  o país está preparado para as eleições de 23 de Agosto. Para ele, o sorteio das candidaturas para o boletim de voto e os tempos de antena na rádio e na televisão foi um exercício de democracia. “Espero que tudo decorra com normalidade”, disse.
O PRS é a terceira formação política no boletim de voto. O seu mandatário, Manuel Muxito, disse que neste lugar o seu partido está numa boa posição. O político adiantou que o PRS vai trabalhar para convencer o eleitorado e vencer as eleições de 23 de Agosto.
A mandatária da CASA-CE , Cezinanda Xavier, reconheceu que o sorteio decorreu com lisura. A CASA-CE está posicionada no boletim de voto no último lugar. Para a mandatária é a posição que vai facilitar os eleitores, em particular os que não sabem ler e escrever, a localizar a bandeira da coligação. A política adiantou que a CASA-CE já começou a trabalhar para a conquista e defesa do voto.
O mandatário da FNLA, Simão Gaspar, disse que para o seu partido não é a posição no boletim de voto que garante a vitória nas eleições.
“Por isso, a FNLA está satisfeita com a sua posição no boletim de voto e vai agora ao encontro do eleitorado para garantir a vitória no dia 23 de Agosto”, disse.

Sorteio prestigia o processo eleitoral

Analistas avaliaram ontem, na TPA, os resultados do posicionamento dos partidos e coligação no boletim de voto e o tempo de antena na rádio e na televisão, pouco depois do sorteio.
Sob a moderação da jornalista Sílvia Samara, foram convidados os analistas Esteves Hilário, Tito Cambanje e Israel Bonifácio para comentar sobre o sorteio que determinou, no boletim de voto, o primeiro lugar para a UNITA, o segundo para APN, terceiro para a FNLA, quarto lugar para o MPLA, quinto e sexto lugares, respectivamente, para o PRS e a CASA CE.
Para o jurista Tito Cambanje, o evento para o qual estiveram presentes os mandatários de todas as candidaturas demonstra o alicerçar de um processo que transmite confiança, credibilidade e transparência. Tais pressupostos foram garantidos, segundo o jurista, pela participação de uma entidade independente, a Empresa de Lotarias de Angola que forneceu os dispositivos para a realização do sorteio. Para o também especialista em assuntos fiscais, o país testemunha mais um passo que reflecte o empenho e compromisso de melhoria e excelência do processo eleitoral. Quanto ao suposto problema levantado pelo mandatário da campanha da UNITA, relativo à troca da bola número quatro, Tito Cambanje defendeu que se tratou de “um não problema”, na medida em que foi explicado e resolvido pela entidade independente contratada para o efeito, a Lotarias de Angola.
“O processo eleitoral ganhou força, credibilidade e transparência com mais este passo”, começou por avaliar Israel Bonifácio, que aproveitou para desmistificar as reclamações apresentadas pela UNITA. Para aquele especialista em Relações Internacionais, a posição da UNITA sucessivamente alimentada pela cultura da desconfiança, do medo vão, em última instância, acaba por desacreditar a própria UNITA.
Para o jurista Esteves Hilário, a presença dos mandatários de todas as candidaturas constitui um facto que deve ser realçado porque demonstra que as formações políticas concorrentes acreditam no processo. Cabe agora aos partidos, segundo Esteves Hilário, afinar as suas máquinas de comunicação e marketing numa altura em que além da bandeira e do rosto do candidato acrescenta-se um terceiro elemento, a posição numérica do partido ou coligação no boletim de voto.
Pouco depois da análise do sorteio da posição dos partidos e coligação no boletim de voto, seguiu-se a do tempo de antena na rádio e na televisão, respectivamente traduzidos em 10 minutos para o primeiro e cinco para o último.
Para Israel Bonifácio é recomendável que os partidos políticos e coligação maximizem a utilização dos tempos de antena para transmitir as suas ideias e programas em detrimento da propaganda, da calúnia, da difamação.
Tito Cambanje defende que as baterias das equipas de comunicação e marketing dos partidos devem estar agora viradas para promoverem exaustivamente o rosto e a bandeira dos partidos e coligação nos tempos de antena na rádio e na televisão. “Quem souber comunicar melhor as soluções que propõe vai estar melhor colocado perante o eleitorado.” Esteves Hilário apelou aos partidos a evitarem a propaganda a favor da comunicação e marketing que incidam mais concretamente sobre as propostas, ideias e programas a serem escrutinadas pelo eleitorado.

http://jornaldeangola.sapo.ao/politica/definidas__as_posicoes_dos_partidos

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O Observatório

Este observatório é uma iniciativa do Grupo de Estudos Africanos vinculado ao Instituto de Relações Internacionais da Universidade de Brasília (GEA/IREL-UnB), que busca refletir sobre a vida política, social e econômica da África contemporânea, com destaque para sua inserção internacional. Preocupando-se com o continente marcado pela diversidade, o Grupo de Estudos Africanos, por meio do Observatório, propõe um olhar crítico e compreensivo sobre temas africanos, em suas mais diversas dimensões.
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