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Rei Mandume-ya-Ndemufayo (1917-2017), de Angola

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“Resistência à ocupação no sul de Angola, século XX”, uma mostra comemorativa do centenário da morte do soberano cuanhama Mandume-ya-Ndemufayo (1917-2017) , organizada pelo Arquivo Nacional de Angola. Segundo o secretário de Estado, existe muita matéria documental sobre os soberanos em Angola, que precisam de ser do conhecimento público. O modelo de gestão do seu território, as técnicas de guerra e as tomadas de medidas políticas e econômicas, devem ser inseridos nos manuais escolares de Angola.

mandume1Os documentos em posse do Arquivo Nacional de Angola refletem as ideias das autoridades portuguesas e inglesas sobre os feitos de Mandume, considerados como atos de vandalismo.
Parte desses arquivos estão no formato de telegramas codificados, demonstrando a confidencialidade do tema em tratamento, tradução de um território das autoridades alemã e inglesa sobre a chamada “atrocidades”, do soberano e troca de correspondência entre as autoridades portuguesas e as alemãs.

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Os documentos fazem ainda referência à notícia sobre a morte de Mandume, publicada em jornais portugueses, às armas encontradas com o soberano após a sua morte e também a algumas fotografias de Mandume junto de uma delegação inglesa, tirada em 1915. Segundo alguns documentos expostos, o rei Mandume foi um hábil diplomata, político e líder que soube resistir à ocupação colonial nos seus territórios, congregando forças de vários povos para esse efeito, que usou todas as armas ao seu alcance.
Os documentos realçam que os seus inimigos reconheciam a sua bravura e estratégia, tecendo-lhe elogios, como o do general Pereira de Eça que chefiava as forças portuguesas na batalha do Môngua. Esses registos aguardam estudos, análises e interpretação para se desvendar e melhor conhecer a resistência imposta pelos autóctones no sul de Angola à penetração e ocupação colonial, contribuindo para colocar mais um alicerce na história de Angola.

Cunene

O centenário da morte do rei Mandume-ya-Ndemufayo foi celebrado, ontem, na localidade Oihole, município de Namacunde, província do Cunene.
Mandume-ya-Ndemufayo foi soberano destemido dos cuanhamas, e liderou a resistência contra a ocupação colonial portuguesa na região Sul de Angola, que preferiu a morte, por suicídio a 6 de Fevereiro de 1917, para não ser dominado.
Segundo o programa da efeméride, estão reservadas inúmeras actividades que decorrem no Complexo Turístico de Oihole, com destaque para a realização de uma conferência com os temas “Mandume-ya-Ndemufayo, último rei dos cuanhamas, 100 anos da batalha de Oihole” e um resumo dos acontecimentos do Vau do Pembe até à batalha de Oihole.
Passados 100 anos, Mandume é venerado pelo povo da tribo ambó, localizado no sul de Angola e no norte da Namíbia, por preferir a morte, ao invés de ser capturado e, consequentemente, colonizado pelos portugueses. Para enaltecer a figura do rei, em 2000, foi construído o Complexo Turístico em Memória do Rei, cujo acto inaugural foi presidido pelo Presidente da República, José Eduardo dos Santos, ladeado pelo antigo Presidente da Namíbia Sam Nujoma.
No túmulo, lê-se as suas célebres palavras: “se os ingleses me procuram, eu estou aqui, e eles podem vir e montar-me um ardil, não farei o primeiro disparo, mas eu não sou um cabrito nas mulolas, sou um homem…e lutarei até gastar a minha última bala.”

http://jornaldeangola.sapo.ao/cultura/patrimonio/rei_mandume_homenageado_na_terra_natal

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Este observatório é uma iniciativa do Grupo de Estudos Africanos vinculado ao Instituto de Relações Internacionais da Universidade de Brasília (GEA/IREL-UnB), que busca refletir sobre a vida política, social e econômica da África contemporânea, com destaque para sua inserção internacional. Preocupando-se com o continente marcado pela diversidade, o Grupo de Estudos Africanos, por meio do Observatório, propõe um olhar crítico e compreensivo sobre temas africanos, em suas mais diversas dimensões.
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