.
arquivos

Arquivo para

Governo da Nigéria preocupado com a xenofobia na África do Sul

13138_artigo_1200x630_304317_africadosuldiznaoaxenofobia

Abuja – O Governo federal nigeriano exprimiu na quarta-feira a sua preocupação face à onda de assassinatos de cidadãos nigerianos na África do Sul, exigindo uma ação rápida sobre os casos pendentes.

Abike Dabiri-Erewa, assistente principal adjunta da Presidência para os Negócios Estrangeiros e Diáspora, declarou em Abuja que não havia nenhuma justificação para os massacres.

Declarou que a Nigéria perdeu 116 dos seus cidadãos nessas execuções extrajudiciais na África do Sul, dos quais 20 foram mortos em 2016.

Dabiri-Erewa, que manteve um encontro com embaixadora sul-africana na Nigéria, Lulu Aaron Mnguni, lançou um apelo às autoridades sul-africanas para que a justiça seja feita no caso do nigeriano morto em Dezembro.

Tochkwu Nnadi, um empresário de 34 anos, teria presumivelmente sido morto pela Polícia sul-africana, a 29 de Dezembro de 2016.

“Estamos preocupados com a criminalização da migração ilegal, em particular entre nós enquanto irmãos em África. Estamos preocupados com a criminalização dos migrantes nigerianos na África do Sul”, disse.

“É certo que alguns cometem crimes e merecem ser punidos, mas as mortes extrajudiciais preocupam-nos muito. Desejamos também apelar aos nigerianos onde quer que estejam para que obedeçam às leis do país de acolhimento”, ressaltou.

Dabiri-Erewa espera que as relações entre os dois países continuem fortes e melhores, e as distracções evitadas.

Por sua vez, Aaron-Mnguni prometeu a abertura de inquéritos sobre as mortes e as pessoas implicadas serão punidas.

“A África do Sul tem um alto nível de tecnologia para saber como uma pessoa morreu”, disse, acrescentando que os patologistas e a Polícia vão descobrir a verdade e os que forem acusados serão condenados”, concluiu.

http://www.angop.ao/angola/pt_pt/noticias/africa/2017/1/6/Nigeria-Governo-preocupado-com-execucoes-extrajudiciais-nigerianos-Africa-Sul,229f0019-d0e8-4861-ad6c-4ca7f2f02909.html

Anúncios

Chade agradece apoio dado ao seu candidato

Bernardino Manje |

Fotografia: José Cola | Edições Novembro

O Chade agradeceu ontem o apoio que Angola deu ao ministro chadiano dos Negócios Estrangeiros, Moussa Faki Mahamat, candidato vencedor no cargo de presidente da Comissão da União Africana.

O agradecimento foi feito ontem, em Luanda, pelo ministro chadiano das Infra-estruturas, Transportes e Descentralização, Adoum Younousmi, que se encontra desde quarta-feira na capital angolana como enviado do Presidente Idriss Déby.
O chefe da diplomacia chadiana foi eleito durante a 28.ª Cimeira de Chefes de Estado e de Governo da União Africana, decorrida no final de Janeiro em Adis Abeba, Etiópia. Na eleição, Moussa Mahamat venceu a ministra dos Negócios Estrangeiros do Quénia, Amina Mohamed Jibril, depois de sete idas ao voto.
Moussa Mahamat sucede no cargo à sul-africana Nkosazana Dlamini Zuma, que não se candidatou ao segundo mandato de quatro anos a que tinha direito. O enviado do Presidente Idriss Déby foi ontem recebido pelo chefe da diplomacia angolana, Georges Chikoti, a quem apresentou, formalmente, os agradecimentos pelo apoio de Angola na eleição de Moussa Mahamat.
Adoum Younousmi disse também ter vindo a Luanda no quadro do reforço das relações entre Angola e o Chade, tendo lembrado que os dois países trocam têm trocado impressões a nível da sub-região e do continente relativamente à paz e estabilidade e à luta contra o terrorismo. “A questão da paz e estabilidade é de interesse dos Presidentes (Idriss) Déby e (José Eduardo) Dos Santos, que regularmente trocam impressões neste sentido”, sublinhou Adoum Younousmi, que disse ter abordado com Georges Chikoti a actual situação na República Centro Africana e na fronteira entre o Chade e a Líbia.

Luta contra o Boko Haram

A informação foi confirmada pelo ministro angolano das Relações Exteriores, que realçou o contributo do Chade na luta contra o grupo  Boko Haram. “O Chade é um país bastante envolvido na estabilidade da região da África Central, particularmente na luta contra o Boko Haram”, disse Georges Chikoti, que adiantou: “O ministro chadiano  veio cá para trocarmos impressões sobre a situação na região da África Central e Ocidental, o Chade tem  tropas na fronteira com a Líbia, porque alguns terroristas que saíam da Líbia entravam no Chade. O Chade também tem tropas a combater na Nigéria e nos Camarões,  travar o Boko Haram”. Georges Chikoti adiantou que Angola também tem trocado impressões com o Chade sobre a República Centro Africana (RCA). Informou que o processo de estabilização na RCA continua, mas ainda existem alguns conflitos entre os grupos armados.
Chikoti disse ser necessário que o processo de paz possa engajar esses grupos armados para que a paz seja sólida. “Pensamos que a paz deve ser global nesta região”, defendeu o chefe da diplomacia angolana, tendo confirmado que, sobre este aspecto, tem havido trocas de impressões entre os Presidentes José Eduardo dos Santos e Idriss Déby Itno.
Angola, segundo Chikoti, quer continuar a trocar impressões com o Chade sobre a União Africana. “Queremos uma organização sólida, que não se desintegre. Temos agora um novo Estado-membro, o Marrocos. Queremos que a União se mantenha firme no interesse dos países do continente africano”, defendeu o ministro.

Cooperação económica

Angola e o Chade podem, nos próximos tempos, cooperar em sectores como os dos Transportes e da Agricultura. A informação foi avançada ontem, à imprensa, pelo chefe da diplomacia angolana, depois de ter recebido o ministro chadiano das Infra-estruturas, Transportes e Descentralização.
Segundo Georges Chikoti, os dois países têm boas relações, não descartando a possibilidade de se poder trabalhar em sectores como o dos Transportes e Agricultutra. O ministro disse, no entanto, que este passo está a depender da identificação de produtos que sejam o alvo da referida cooperação.
“Temos de explorar todas as possibilidades e ver se identificamos alguns produtos. Por exemplo, o Chade produz muita carne e podemos ver a possibilidade de os privados poderem promover a cooperação. Mas isso ainda querer vários encontros entre nós, para que se possa consolidar alguma coisa”, afirmou.

Câmara de deputados brasileira anula doação de aeronaves a Moçambique

Doação foi acordada em 2013 durante o Governo de Dilma Rousseff

 

A Câmara dos Deputados brasileira aprovou, ontem, por 271 votos a 93, a retirada de tramitação de um projeto que previa a doação de três aeronaves da Força Aérea, modelo Tucano, a Moçambique.

A doação foi acordada em 2013, ainda no Governo da então presidente Dilma Rousseff, mas, para ser efectivada, precisava da aprovação do Congresso. Na época da assinatura do acordo de doação, o executivo brasileiro afirmou que o acto reforçaria o bom relacionamento entre os dois países.  

Porém, em Agosto do ano passado, quando Michel Temer exercia a função de presidente em exercício, o Palácio do Planalto encaminhou um pedido ao Congresso para que tramitação do projeto fosse desconsiderada.

No pedido, o governo de Temer justificou que, diante da demora na tramitação do pedido, houve uma solicitação de reavaliação da doação ainda na gestão de Dilma. O Planalto também argumentou que a doação impactaria de forma negativa na frota da Força Aérea Brasileira.

http://opais.sapo.mz/index.php/internacional/56-internacional/43510-camara-de-deputados-brasileira-anula-doacao-de-aeronaves-a-mocambique-.html

Quezílias internas na Guiné-Bissau agravam um cenário político tenso

Governo entrega programa no Parlamento, mas o presidente não mostra interesse no documento. O país, que atravessa uma das piores crises desde a guerra civil de 1998, continua paralisado.

Guinea-Bissau Parlamentsgebäude (DW/F. Tchumá)

A instabilidade eclodiu quando, em agosto de 2015, o Presidente da República, José Mário Vaz, depôs o Governo liderado por Domingos Simões Pereira, líder do Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC).

O agudizar da crise política, com troca de acusações entre os principais órgãos da soberania, deixa o país parado, o aparelho de Estado funciona a meio gás e favorece o aumento da corrupção.

Após dois anos de várias missões de mediações falhadas, a comunidade internacional dá sinais de cansaço e deixa o país numa situação de suspense.

O quinto primeiro-ministro, em mais de dois anos de mandato de José Mário Vaz, luta pela sobrevivência política, carecendo da legitimidade do Parlamento.

Orçamento sem data para discussão

A Assembleia Nacional Popular (ANP) ainda não convocou um plenário para que o primeiro-ministro apresente o programa de Governo e o Orçamento Geral do Estado, os dois principais instrumentos de governação.

Guinea-Bissau Umaro Sissoco (DW/B. Darame)Umaro Sissoco Embaló, primeiro-ministro da Guiné-Bissau

Esta segunda-feira (06.02), Umaro Sissoco Embaló entregou o seu programa de Governo ao presidente do Parlamento. “Fiz a minha parte, agora cabe ao líder do Parlamento fazer a sua: deixar os deputados trabalhar para que o programa do Governo possa ser apresentado, discutido e submetido a votação”, afirmou.

O presidente da ANP, Cipriano Cassamá, tem, no entanto, anunciado publicamente que o Parlamento não irá debater o programa do Governo, por o considerar ilegal.

Antes de receber o programa de Governo, Cipriano Cassamá entregou ao primeiro-ministro uma cópia da Constituição da Guiné-Bissau bem como o regimento de funcionamento da ANP.

Ameaças de demissão

Cipriano Cassamá (Braima Darame)Cipriano Cassamá, presidente da ANP

Quando se disputa o controlo de poder no Parlamento, a troca de corpo de segurança na ANP, determinada pelo ministro do Interior, aumentou a tensão política. Cipriano Cassamá, exige explicações do Governo sobre a decisão.

“É bom não brincar com coisas séries e muito menos inventar factos. Assistimos, outrossim, a uma greve e inaceitável violação do princípio da separação de poderes”, argumenta, o presidente do Parlamento.

Cassamá denuncia que tem sido alvo de ameaças e garante que não se deixa intimidar: “Estou a ser ameaçado de demissão como se estivéssemos no regime presidencialista. A situação é grave”.

UE garante apoio

O delegado da União Europeia (EU) no país, Vítor Madeira dos Santos, garante que, apesar da situação complexa, a ajuda à Guiné-Bissau para o fortalecimento do Estado de Direito e da Democracia vai continuar. Segundo Vítor Madeira dos Santos entre as apostas da UE para 217 está promoção da “democracia e o respeito pelo primado da lei, apoiar a liberdade de informação, melhorar o acesso à justiça para as vítimas de crime e proteger os direitos dos detidos”.

Já para o presidente da Liga Guineense dos Direitos Humanos, Augusto Mário da Silva, os guineenses, reféns da classe política, vivem num mundo da incerteza quanto ao seu futuro.

“Assiste-se à ausência de uma política social efetiva de redução de pobreza orientada para fazer face às reais necessidades da população associada à degradação das infraestruturas sociais, alta taxa de mortalidade materno-infantil, alto grau de desemprego e  fornecimento irregular de energia elétrica”, considera Augusto Mário da Silva.

 

http://www.dw.com/pt-002/quez%C3%ADlias-internas-na-guin%C3%A9-bissau-agravam-um-cen%C3%A1rio-pol%C3%ADtico-tenso/a-37446887

Secretário Geral da ONU vê África um continente de esperança promessa e vasto potencial

ethiopia_au_summit_54351

O Secretário-Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), António Guterres, disse ontem que África é “um continente de esperança, promessa e vasto potencial”, preferindo esta abordagem em vez de olhar para a região“pelo prisma dos problemas”.

Num artigo de opinião, António Guterres refere que “muitas vezes, o mundo vê a África pelo prisma dos problemas; quando olho para a África, vejo um continente de esperança, promessa e vasto potencial”.

135130
No texto, que surge na sequência da sua participação na cimeira de Chefes de Estado e de Governo da União Africana, que decorreu a 30 e 31 de Janeiro em Addis Abeba, António Guterres garante estar “empenhado em reforçar esses pontos fortes e estabelecer uma plataforma mais elevada de cooperação entre as Nações Unidas, os líderes e o povo da África” e diz que isso é “essencial para promover o desenvolvimento inclusivo e sustentável e aprofundar a cooperação para a paz e a segurança”.
O antigo primeiro-ministro português afirma no texto ter trazido da capital etíope um “espírito de profunda solidariedade e respeito”, mas também “um profundo sentimento de gratidão” pelo contributo africano para as forças de paz da ONU.
África “fornece a maioria das forças de paz das Nações Unidas no mundo; as nações africanas estão entre os maiores e mais generosos anfitriões de refugiados mundiais; em África estão algumas das economias com mais rápido crescimento do mundo”, salienta o antigo Alto-Comissário das Nações Unidas para os Refugiados.
“Deixei a cimeira mais convencido do que nunca de que toda a humanidade vai beneficiar-se ouvindo, aprendendo e trabalhando com o povo de África”, afirma Guterres, que sublinha que a prevenção é essencial para resolver os conflitos.
“Muitos dos conflitos de hoje são internos, desencadeados pela competição pelo poder e recursos, desigualdade, marginalização e divisões sectárias; muitas vezes, eles são inflamados pelo extremismo violento ou por ele alimentados”, lê-se no documento.
A prevenção, prossegue, “vai muito além de nos concentrarmos unicamente no conflito. O melhor meio de prevenção, e o caminho mais seguro para uma paz duradoura, é o desenvolvimento inclusivo e sustentável”, defende.
O Secretário-geral da ONU diz não ter dúvidas “de que podemos vencer a batalha pelo desenvolvimento sustentável e inclusivo, que são também as melhores armas para prevenir conflitos e sofrimentos, permitindo que aÁfrica brilhe ainda mais de forma vibrante e inspire o mundo”. António Guterres deixou a 28.ª Cimeira da União Africana com um forte apelo para a mudança na forma como o continente berço da humanidade é caracterizado pela comunidade internacional, e com a promessa de apoiá-lo na construção do desenvolvimento e da paz sustentáveis.
Na cimeira de Addis Abeba, lamentou a forma como África é descrita na Europa, Américas e Ásia, denunciou o que chamou de “uma visão parcial de África” e disse ser preciso mudar a narrativa sobre o continente na comunidade internacional e que este deve ser reconhecido “pelo seu enorme potencial”.
O líder da ONU elogiou a União Africana pelo “trabalho muito importante em nome do continente”, manifestou “disposição total da ONU em apoiar plenamente as suas actividades” e destacou “o entendimento integral entre a ONU, a União Africana e a Autoridade Intergovernamental para o Desenvolvimento sobre a necessidade de se trabalhar “numa só voz” para pacificar o Sudão do Sul.”
O novo paradigma no relacionamento entre a ONU e os africanos implementado por António Guterres levou o Alpha Condé, o Presidente da Guiné-Conacri e líder em exercício da União Africana, a convidá-lo a participar anualmente num pequeno almoço com Chefes de Estado e de Governo africanos em Janeiro.

alpha-conde
Para o Secretário Geral da ONU, estas ocasiões servem para interagir com líderes africanos e discutir “de forma muito significativa” as relações entre a União Africana e a Organização das Nações Unidas.

 

fonte:http://jornaldeangola.sapo.ao/mundo/antonio_guterres_ve_africa_como_esperanca

Estudantes bolsistas angolanos são agredidos na Argélia por racismo

February 5, 2017

Dezenas de estudantes angolanos na Argélia, país africano situado no norte de África, têm sofrido agressões físicas e psicológicas por parte de indivíduos naturais daquele país. O racismo é apontado com a razão dos ataques, que intensificam à medida que o tempo passa.

 

 

Os estudantes angolanos são bolseiros pelo Instituto Nacional de Gestão de Bolsas de Estudantes (INAGBE). Na universidade onde os jovens angolanos frequentam as aulas também estão matriculados estudantes de outras nacionalidades, para além dos próprios argelinos.

 angolanos

Na quarta-feira última, dia 1, quando vários estudantes assistiam um jogo do Campeonato Africano das Nações (CAN-2017) em futebol, que decorre no Gabão, os estudantes argelinos insistiam em ver o jogo da taça do Rei de Espanha entre o Barcelona e Atlético de

Madrid. A confusão instalou-se mas, segundo contou à Rádio Angola um dos estudante e vitima que preferiu falar sob anonimato, os guardas do campus universitário impediram que o pior acontecesse.

 argelia-diaspora-racismo03

O estudante avançou que, dois dias depois, precisamente às 19 horas de sexta-feira, o grupo de argelinos que esteve na origem da confusão no dia do jogo apanhou um estudante angolano quando estava isolado no refeitório da universidade e ali foi espancado. Quando foram avisados do que estava a acontecer, os angolanos foram ao refeitório às pressas, mas ali chegados foram ameaçados com facas pelos argelinos.

 

“Recuamos até o nosso prédio, nos fechamos com os outros colegas estrangeiros que vivem aqui connosco, mas ainda assim eles cercaram o prédio, atiraram pedras, garrafas, paus, partiram as janelas dos quartos”, explicou.

 argelia-diaspora-racismo04-768x576

Os argelinos não desistiram, e passados “algumas horas eles conseguiram entrar no prédio”, onde “arrombaram as portas dos quartos dos quartos, as janelas, roubaram materiais”. Dentre os materiais roubados se encontram telefones, computadores, e até roupas.

 

A polícia local demorou horas para chegar à universidade, e quando os agentes chegaram, segundo o estudante, alegaram que não podiam entrar sem que alguém no interior do prédio residencial dos estudantes ligasse para confirmar a queixa e autorizar a entrada, pois quem ligou à polícia não se encontrava na instituição.

 

“Quando estávamos a ser atacados ligamos aos colegas que estão fora e eles ligaram à polícia. E a polícia quando chegou disse que não podia intervir porque tinha de ser alguém de dentro ligar ou os guardas da cidade universitária”, relatou.

 

Ao seu bel-prazer, os argelinos espancaram e saquearam os estudantes angolanos até perto das zero horas. O estudante que foi capturado no refeitório se encontra ferido, pois, como se não bastasse os socos e pontapés, foi também agredido com madeiras e cadeiras, tanto que foi encaminhado ao hospital, liberado horas depois sob orientação de repouso.

 

Apenas no sábado, dia 4, é que agentes da polícia argelina entraram no edifício e conversaram com as vítimas, pois os agressores já se tinham ido. A embaixada angolana na Argélia já foi informada, desde sexta-feira, mas nenhum funcionário foi enviado até ao momento em que entrevistávamos o estudante.

 

Os estudantes argelinos são conhecidos, mas a direcção da universidade não tomou ainda medidas, talvez porque os mesmos fugiram. O delegado da comunidade angolana na província onde está a universidade aconselhou os estudantes a não reagirem em caso de provocação por partes dos argelinos.

 

A situação está calma por enquanto, o estudante admitiu ter medo pois “não sabemos quando vão voltar a nos atacar”, pelo que pede ao governo angolano que interceda junto das autoridades argelinas no sentido de garantir “mais segurança” aos estudantes bolseiros.

 

FAMÍLIA AFLITA PEDE SEGURANÇA

 

Familiar de estudantes residente em Angola, contou que se encontra bastante preocupado desde que recebeu a informação de que o seu filho e colegas estavam a ser agredidos por argelinos, apreensão que aumentou quando viu fotografias do estado em que se encontra os aposentos do filho e companheiros. Lamentou também o facto da embaixada angolana na Argélia até agora não acudir os estudantes bolseiros.

 

Porém, o familiar adianta que vai contactar a embaixada argelina em Angola para pedir explicações pelas agressões. Apelou ainda ao governo angolano para entrar em contacto com as autoridades argelinas para garantir a segurança dos estudantes naquele país.

 

Lembrando que o povo angolano respeita os direitos dos estrangeiros que se encontram em Angola, familiar pede tratamento idêntico para com os angolanos na Argélia.

 

 

Perguntas e sugestões podem ser enviadas para info@friendsofangola.org. A Rádio Angola – uma rádio sem fronteiras – é um dos projectos da Friends of Angola, onde as suas opiniões e sugestões são validas e respeitadas.

http://www.friendsofangola.org/single-post/2017/02/05/Estudantes-angolanos-bolseiros-agredidos-na-Arg%C3%A9lia-por-racismo

Qual o modelo o Brasil deve seguir na exploração do petróleo: Nigéria ou Noruega?

por Paulo Moreira Leite

Reação na Petrobras: “querem trocar a Noruega pela Nigéria”

Num evento que marca a primeiro reação de empresários diante do desmanche da Petrobras e do setor industrial  promovido pelo governo Michel Temer, nesta quinta-feira irá ocorrer uma reunião no Anexo IV da Câmara dos Deputados, em Brasília. Estarão presentes deputados ligados a Frente Parlamentar em Defesa da Engenharia, Infraestrutura e Desenvolvimento Nacional e dirigentes de entidades representativas da Engenharia e da Indústria. O assunto é a defesa da indústria, em particular da política de conteúdo local mínimo,  uma proposta que permitiu a recuperação da Petrobras durante os governos Lula e Dilma, e que esteve por trás da criação do parque industrial de São Paulo durante o governo de Juscelino Kubitscheck, na década de 1950. Um dos articuladores do encontro, Pedro Celestino, presidente do Clube de Engenharia, falou ao 247 sobre o significado político do evento. “A indústria, mesmo aqueles setores que apoiaram o impeachment, despertou para a gravidade do desmonte que está ocorrendo no país e começa a ir atrás do prejuízo” afirma Celestino. “Estão querendo trocar um modelo bem sucedido, inspirado pela Noruega, por um desastre econômico e social, cujo símbolo entre estudiosos é a Nigéria.”

BRASIL 247 — Por que tantos setores da indústria resolveram reagir à política econômica do governo Temer-Meirelles e defender uma política de conteúdo local mínimo?

PEDRO CELESTINO — O desconforto da indústria com a política econômica não é recente. Juros altos e câmbio apreciado têm, ao longo do tempo, efeito devastador sobre as cadeias produtivas. Aqui não houve desindustrialização no sentido clássico porque a indústria, mantendo a instalação fabril, passou a importar componentes que antes ela mesma produzia. De 2015 para cá aplicou-se uma política de exclusivo interesse do capital financeiro, que veio a se acentuar com a posse de Michel Temer, cuja visão é absolutamente descompromissada com o interesse nacional. Haja vista o que ocorre com a Petrobrás, submetida a um autêntico desmonte, para que passe a ser produtora, por algum tempo, de petróleo bruto, já que abriu mão até de explorar a maior reserva descoberta no planeta nos últimos 30 anos, a do Pré Sal. Desfaz-se, sem transparência, a toque de caixa, de ativos valiosos, comprometendo irreversivelmente seu futuro como empresa integrada de petróleo, como as grandes congêneres mundiais. São 60 anos de história irresponsavelmente destruídos. A indústria de óleo e gás aqui instalada despertou para a gravidade do desmonte na discussão, em curso, da política de conteúdo local mínimo, que as petroleiras estrangeiras, desta vez com decidido apoio da Petrobras, querem revogar.

247 — Por que tantos estudiosos falam que o governo Temer está trocando o modelo da Noruega pelo da Nigéria?

CELESTINO — O bem sucedido esforço de recuperação da Petrobras na ultima década e meia tinha como base a demanda de projetos, máquinas e equipamentos necessários à exploração do pré-sal. Por essa razão, a Noruega serviu de modelo e como exemplo. Ali, a indústria do petróleo funcionou para alavancar o desenvolvimento, arrancando o país de uma posição atrasada entre vizinhos europeus para se transformar em uma nação próspera do ponto de vista da economia e equilibrada como sociedade, que hoje possui um dos mais altos Índices de Desenvolvimento Humano do planeta. Destruída a Petrobrás, as empresas estrangeiras se apossarão do nosso petróleo, sem compromisso de prestar qualquer contrapartida em termos de transferência de tecnologias, geração de empregos — a não ser os de baixa ou nenhuma qualificação, que não interessam aos trabalhadores de seus países —  e pagamento de impostos. É o que ocorre na Nigéria.

247 — O que ocorre na Nigéria?

CELESTINO — Embora este país esteja entre os maiores produtores de petróleo do mundo, 70% da sua população vive abaixo da linha de pobreza e a taxa de desemprego é superior a 20%. Este país é um barril de pólvora.  É o que acontecerá conosco, se a Petrobrás deixar de cumprir o seu papel histórico, o de âncora do nosso desenvolvimento industrial.

247 — Dá para explicar a importância desta “âncora”?

CELESTINO — É preciso entender que a superação do atraso econômico de um país não é um processo inevitável, uma felicidade garantida que está ao alcance de todos, em qualquer época. É necessário que, em determinados momentos, sejam tomadas medidas concretas que podem estimular — ou atrasar — estes avanços. As empresas que podem concentrar essas decisões são “âncoras” e aqui no Brasil a principal delas é a Petrobrás. Por que? Porque estamos falando de uma empresa responsável pela formação de cadeia de mais de 5000 fornecedores, nacionais e estrangeiros, com uma capacidade de intervenção sobre o conjunto da economia, com efeitos reconhecidos sobre a qualidade de vida da sociedade, fruto da criação de centenas de milhares de empregos. Essa  indústria trava agora batalha decisiva para a sua sobrevivência, pois é simplesmente impossível competir com produtos importados com absoluta isenção fiscal, a do Repetro, o maior programa de renúncia fiscal da nossa história, vigente há 20 anos e que se quer prorrogar, sob a alegação de facilitar vultosos investimentos estrangeiros.

247 — Qual o balanço que podemos fazer da política de conteúdo local mínimo, seja do ponto de vista da indústria nacional e da criação de empregos?

CELESTINO — Desde a década de 1950, em particular a partir do governo Juscelino, as políticas de conteúdo local mínimo, aliadas a taxas de juros diferenciadas para investimentos, possibilitaram a rápida industrialização do Brasil. Essa foi a grande mudança ocorrida em nosso país, que permitiu a construção de um parque industrial respeitável pelo tamanho e pela relativa sofisticação tecnológica, eliminando aquela visão de que o Brasil estava condenado a ser uma grande nação agrícola e atrasada.  Sem o BNDE e sem  o GEIA (Grupo Executivo da Indústria Automobilística), que estabeleceu metas de progressiva nacionalização de partes e componentes de veículos automotores, São Paulo não teria se transformado na nossa locomotiva industrial. Mesmo o desenvolvimento mais recente do agronegócio, que não tem relação com o latifúndio retrógrado do passado, não teria sido possível sem aquele parque industrial. Também não podemos deixar de lembrar um ponto importante, reconhecido em artigo recente de José Velloso, presidente da Abimaq (Associação Brasileira de Máquinas e Equipamentos) onde escreveu: “Desde o primeiro leilão de blocos exploratórios, em 1999, as exigências de conteúdo local têm sido empregadas como ferramenta de desenvolvimento nacional conduzida com sucesso pela Petrobras. Àquela época a Petrobras adquiria mais de 65% de suas demandas de bens no Brasil. Portanto a Política de Conteúdo Local não nasceu no governo anterior e sim no Governo de FHC.”

247 — A curto prazo, a exigência de conteúdo local pode implicar em custos maiores, que acabam prejudicando o consumidor?

CELESTINO — É uma visão simplista, que conduz a erros graves, a partir da noção de de que produzir aqui é mais caro para o consumidor. Sem produção local não há emprego, e sem emprego não há como sustentar uma população de mais de 200 milhões de pessoas — e tudo se torna  insuportavelmente caro. Se não valorizarmos o nosso mercado interno, um dos maiores do mundo, teremos como resultado a queda na renda, empobrecimento e mesmo a miséria.  Ninguém discute mais, hoje, o fracasso, do ponto de vista da maioria da população, dos acordos de livre comércio. Frutos de uma globalização sem limites, estes acordos  resultaram na desindustrialização e no empobrecimento. Ninguém pode explicar a vitória de Donald Trump em regiões operárias dos Estados Unidos, que tradicionalmente votavam nos candidatos do Partido Democrata, sem compreender que milhões de eleitores  expressaram a indignação contra a exportação de empregos que foram para a China e outros países onde os salários são mais baixos. Este foi o fator que decidiu a eleição. O discurso de Trump sobre economia e mesmo determinadas medidas práticas, como a retirada do Tratado do Pacífico, procuram dar uma resposta a isso. Enquanto isso aqui, o governo Temer está na contramão do de Trump, abrindo indiscriminadamente a nossa economia à dominação estrangeira.

247 — Mesmo setores do empresariado que se beneficiaram — legitimamente — de uma política de conteúdo local na Petrobrás apoiaram o  impeachment da presidente Dilma. Hoje, criticam o governo que, há menos de um ano,  ajudaram a instalar. Como entender isso?

CELESTINO — O empresariado apoiou o impeachment sem ter uma noção clara do que iria ocorrer. Embarcou na ilusão de que bastava afastar a presidente para o país voltar a crescer e se desenvolver. Agora paga o preço da aventura. Já percebeu que, a seguir neste caminho aberto de forma radical e sem freios  a integração do Brasil no mercado global será vantajosa apenas para produtores de grãos, carne e minérios, sem falar no setor financeiro. Mas não haverá lugar para a indústria aqui instalada, nacional ou estrangeira. Ressalte-se que as multinacionais que vêm para o Brasil, têm como foco atender ao nosso mercado interno.  Não fazem daqui plataforma de exportação, como ocorre em outros lugares.  Comportam-se, assim, como se nacionais fossem. Em contradição com isso, a política econômica do governo Temer-Meirelles possui inúmeros defeitos mas não pode ser acusada de incoerente. A ambição de destruir a indústria se faz com método e persistência. Assim, ao mesmo tempo em que o Banco Central reduz a Selic, decide-se elevar a Taxa de Juros do Longo Prazo, uma medida que tem um efeito óbvio e direto: dificultar as condições de  financiamento da indústria pelo BNDES, o que ajuda a entender a previsão de mais um milhão de postos de trabalho eliminados ao longo deste ano.

247 — Por que era tão difícil perceber que, do ponto de vista dos interesses da indústria, a opção por Temer-Meirelles seria a tragédia que está se revelando?

CELESTINO — É preciso entender que a indústria entrou a reboque na articulação contra o governo Dilma. Basta ver as bancadas que apoiam o governo no Congresso, com uma audácia entreguista como nunca se viu em nossa história, para entender quem liderou o impeachment e manda no Estado brasileiro depois disso. Foram as bancadas do agronegócio, interessadas unicamente na exportação. Foram evangélicos, que funcionam como correia de transmissão de grandes igrejas norte-americanas. Foi o  grande  capital financeiro. O novo governo é dominado por essas forças, que não têm compromisso com o interesse nacional. Com efeito, ao agronegócio interessa apenas bom acesso aos portos e renúncia fiscal, pouco se importando com o mercado interno e a democracia. Quanto aos evangélicos, concentram-se em pautas reacionárias e manifestam absoluta submissão a interesses externos; estão a serviço do desmonte do Estado Nação. E o capital financeiro, desde sempre é a grande sanguessuga da nossa economia.

247 — Por que o governo Dilma não conseguiu apoio da indústria?

CELESTINO — Dilma nunca dialogou com a sociedade, nem mesmo quando tomou medidas corretas, tais como a redução da taxa de juros e o conseqüente alívio da carga fiscal. A última tentativa de aproximação da indústria com o governo Dilma, quando a crise já se encontrava em um nível  profundo e sua popularidade era inferior a 10% se deu em 3 de dezembro de 2015, quando o Eduardo Cunha já havia anunciado a decisão de aceitar a denúncia que levou ao impeachment. Naquela ocasião um conjunto importante de entidades do setor industrial assinou  um documento que propunha uma mudança na orientação econômica. Entre outras coisas, dizia que não era possível “aceitar passivamente as projeções de um 2016 perdido” e propunha construir “a mais rápida transição para a retomada do crescimento e desenvolvimento econômico e social.” Além de reunir as mais importantes centrais sindicais de trabalhadores, o documento trazia a assinatura de  associações comerciais, da Confederação Nacional da Indústria e diversas entidades industriais. Depois de aprovado, fomos a Brasília para uma reunião com Dilma. Nenhum eco! O governo já estava paralisado.

247 — Como explicar, aqui, o impeachment de Dilma?

CELESTINO — No regime presidencialista, quem dá as cartas é o presidente da República, que é o centro do poder de Estado. A presidente Dilma caiu quando deixou de ser o centro de poder, que se deslocou para o Congresso, que tinha disposição e capacidade para fazer isso. O empresariado, como quase toda a sociedade, queria uma solução que superasse a paralisia do Executivo e possibilitasse o funcionamento normal da economia. Iludiu-se. Agora começa a correr atrás do prejuízo.

https://www.brasil247.com/pt/blog/paulomoreiraleite/278916/Rea%C3%A7%C3%A3o-na-Petrobras-%E2%80%9Cquerem-trocar-a-Noruega-pela-Nig%C3%A9ria%E2%80%9D.htm

O novo colonialismo digital em África

crianca-460x310É preciso advertir que na África são poucos os atores domésticos mencionados no relatório de 2011 que conseguiram sobreviver até hoje. Na categoria das lojas online, por exemplo, só se manteve em pé a sul-africana Exclus1ves. Agora, muitas das tendências citadas há cinco anos não apenas perduraram, mas se intensificaram de maneira acelerada. Estamos nos referindo, em particular, à explosão dos celulares como plataforma privilegiada para o comércio online, para a interação social e para a leitura digital, à influência das incubadoras de start-ups na cena local e ao impacto crescente dos projetos de cooperação tecnológica promovidos – direta ou indiretamente – pelos gigantes globais de Internet. Todos esses fatores acabam sendo decisivos para compreender a singular configuração do ecossistema africano de edição digital.

Nesta primeira parte, analisamos o papel crucial que desempenham os celulares no comércio eletrônico da região, assim como o avanço das grandes plataformas globais como Facebook na vida digital africana.

Os celulares no centro da cena: seu impacto no comércio eletrônico.

Nos últimos cinco anos, os celulares transformaram profundamente o panorama das comunicações na África. Segundo um relatório da GSMA, de julho de 2016, o continente alberga atualmente 565 milhões de usuários de celulares, dos quais mais da metade – 303 milhões – possuem acesso à Internet. Em um contexto caracterizado por limitações de infraestrutura de todo tipo, esses dispositivos relativamente econômicos e flexíveis se transformaram em uma plataforma central para a economia digital. Se tomarmos como variável o tráfego de Internet que circula por celulares medido como porcentagem do tráfego total nacional, Nigéria e África do Sul lideram o ranking mundial, com 82% e 75%, respectivamente – o que indica que, nesses países, o acesso à Internet é realizado predominantemente por via móvel.

No terreno do comércio eletrônico, os grandes atores globais ainda não desembarcaram no continente. Isso pode ser explicado em parte pelos problemas de infraestrutura que mencionávamos anteriormente: na verdade, os obstáculos em termos de transporte, telecomunicações, bancarização e alfabetização atrasaram aconsolidação do e-commerce ao estilo europeu ou norte-americano. No entanto, o acelerado crescimento econômico da região – que muitos comparam com o progresso dos países asiáticos nos anos 60 – favoreceu o surgimento de um bom número de atores locais e, com eles, a formação de um ecossistema singular.

Fundado em Lagos em 2012 com fundos da incubadora alemã Rocket Internet, o portal Jumia conseguiu se transformar em um verdadeiro gigante da Internet, com presença em mais de 10 países da África. Vale a pena remarcar que mais de 50% dos usuários do Jumia acessam a plataforma usando celulares. Como explica Tunde Kehinde – cofundador e diretor da empresa até 2014 –, no ambiente digital, as barreiras do mundo físico podem ser aproveitadas como vantagens:

“Na Nigéria vivem 160 milhões de pessoas que sempre vão precisar comprar uma camisa para alguma ocasião, um telefone para entrar em contato com um amigo o um livro para ler, mas não existe um mercado organizado onde possam conseguir o que precisam, de maneira simples e ao preço que querem. De modo que dissemos:não vamos construir um shopping center; vamos nos jogar na web(). Estamos construindo uma Amazon em um país que não teve um mercado organizado em seus 50 anos de independência. É uma oportunidade única.”

jumiaa
O site do grupo Jumia, líder pan-africano de comércio eletrônico

Apesar de que o Jumia representa talvez o caso mais chamativo, é preciso reconhecer que na África surgiram inumeráveis portais que apostam no digital como meio para superar as limitações próprias do comércio analógico. Entre eles podemos citar também a nigeriana Konga, as sul-africanas Bidorbuy e Takealot (http://www.takealot.com/) ou a queniana Rupu. Para responder aos desafios logísticos, muitas destas plataformas implementaram sistemas de envio de produtos com motocicletas e até terceirizaram a logística em redes de usuários externos – trata-se do crowd-shipping ou transporte colaborativo.

O meio de pagamento mais utilizado costuma ser em dinheiro na entrega, por causa da baixa penetração dos cartões de crédito e a falta de confiança nas operações online. No entanto, o segmento dos pagamentos móveis ganhou um peso considerável em anos recentes. Além de M-Pesa – serviço pioneiro na transferência de fundos por SMS, que no Quênia é usado por 7 de cada 10 adultos –, na região proliferaram as soluções como Afrimarket, Paga,eTranzact, além de outros sistemas que atraem milhões de usuários. Pouco a pouco, esses serviços incorporam a possibilidade de realizar pagamentos não apenas em nível nacional, mas também internacional. Orange Money – que conta com 19 milhões de participantes – já permite enviar dinheiroentre alguns países africanos e incluso entre esses países e a França.

Assim, parece claro que o comércio eletrônico africano, longe de seguir exatamente o esquema dos países desenvolvidos, apresenta uma configuração própria. Rania Belkahia – diretora de Afrimarket – explica sem rodeios:

“Os modelos calcados no que é realizado em outras partes do mundo não funcionam. [Na África] é preciso conseguir que a oferta esteja adaptada às necessidades locais e possa ser entregue de forma rápida.”

Sacha Poignonnec, atual diretor do Jumia, expressa um ponto de vista similar:

“Nos EUA, o comércio eletrônico está modificando os antigos hábitos de compra lentamente. Aqui, está criando os hábitos. Os usuários estão realizando compras pela primeira vez e fazem isso online, através dos smartphones.”

No final das contas, apesar de – ou talvez, por causa de – todos os desafios pré-existentes, o comércio eletrônico africano conseguiu abrir caminho de um modo sumamente dinâmico. Segundo dados do eMarketer de dezembro de 2015, as vendas online tiveram na África e Oriente Médio um crescimento interanual superior a 28%, enquanto que na América do Norte e Europa ocidental, o aumento foi menor – em torno de 14%.

Aplicativos de mensagens móveis

A região também está passando por um crescimento no terreno das redes sociais. Segundo dados de We Are Social, em vários países da região, o número de usuários ativos cresceu em 2015 a um ritmo superior ao do total de usuários da Internet. No Egito, por exemplo, a quantidade de participantes das redes sociais saltou 20%, enquanto que a base de usuários de Internet cresceu mais lentamente – 8%.

Agora, por causa do particular contexto tecnológico da África, são os aplicativos de mensagens para celulares que mostram maior atividade. No relatório de 2011, retratamos o caso do Mxit, um projeto sul-africano que utilizava os celulares mais básicos como plataforma de funcionamento e que tinha alcançado uma base de vários milhões de usuários. A chegada desmartphones cada vez mais acessíveis e o subsequente ingresso do Whatsapp na região significou um duro golpe no Mxit, que em outubro de 2015 precisou fechar suas operações comerciais e ceder sua tecnologia à Reach Trust – uma entidade sem fins lucrativos. Certamente, o Whatsapp é atualmente o aplicativo de mensagens número um na Nigéria, Quênia e África do Sul – onde, na verdade, exibe os maiores índices de utilização do mundo. Embora menos popular, o aplicativo WeChat – do grupo chinês Tencent – também procura ocupar seu espaço.

Projetos de conectividade impulsionados por empresas tecnológicas globais: o caso de Internet.org / FreeBasics (Facebook)

 

Em contraste com o que ocorre na Ásia ou na América Latina, a penetração do Facebook na África ainda é limitada – apenas 8% do tráfego global da plataforma vem desta região –, o que pode ser explicando em boa medida pelo elevado custo dos planos de dados. Dentro deste marco, o Facebook lançou em 2013 a iniciativaInternet.org, com o objetivo de garantir conectividade – um “direito humano básico”, segundo Mark Zuckerberg – a milhões de pessoas em países em desenvolvimento. Graças a uma aliança com diferentes operadoras de celulares, o Facebook oferece acesso gratuito à rede social e a alguns serviços de terceiros, através do aplicativo FreeBasics,disponível em 44 países – a metade deles está na África. Ao mesmo tempo, a empresa impulsiona diversos programas de conectividade a baixo custo, como ocorre com o drone Aquila ou o sistema WiFi Express.

Apesar de estar claro que em todo o mundo em desenvolvimento a infraestrutura de conectividade apresenta enormes desafios, a solução proposta pelo Facebook não está isenta de complicações, em especial porque se trata de um projeto que expande as possibilidades de conexão, mas não satisfaz plenamente outras necessidades, especialmente a questão dos conteúdos. Na verdade, Internet.org/FreeBasics apenas proporciona aceso aos materiais disponíveis no Facebook e nos aplicativos que aceitarem ser parte do programa. Tal como advertiram numerosas organizações sociais, este tipo de esquema podem atentar contra a neutralidade da web, pois dá prioridade a certo tipo de dados e conteúdos – aqueles transmitidos pela rede social californiana e por seus serviços associados. Este argumento foi decisivo para proibir o FreeBasics na Índia (http://indianexpress.com/article/technology/tech-news-technology/facebook-free-basics-ban-net-neutrality-all-you-need-to-know/). Na África, no entanto, o projeto teve uma melhor acolhida, a tal ponto que, em certos países, as autoridades regulatórias da área de telecomunicações admitiram (http://qz.com/614953/african-regulators-are-unlikely-to-replicate-indias-ban-of-facebooks-free-basics/) que o fornecimento de serviços de dados é hoje mais importante que a questão da neutralidade da web.

Além das regulações adotadas em cada nação, é preciso advertir que em nivel global, Internet.org/FreeBasics levou a um forte debate. Muitas vozes chegaram a denunciar que por trás das medidas filantrópicas do colosso tecnológico pode se esconder uma tentativa de “colonialismo digital”. Por exemplo, Deepika Bahri, professora da Universidade de Emory especializada em estudos pós-coloniais, enumera as semelhanças que existem entre o discurso do Facebook e o modus operandi próprio do colonialismo. Segundo a investigadora, nos dois casos a estratégia aponta para:

1. apresentar-se como um salvador;

2. repetir palavras como “igualdade”, “democracia”, “direitos básicos”;

3. ocultar as motivações de longo prazo;

4. justificar os beneficios parciais como algo que termina sendo melhor que nada;

5. associar-se com as elites locais e com grupos de interesses criados;

6. acusar os críticos de ingratos.

Por outro lado, o engenheiro e ativista indiano Kiran Jonnalagadda estabelece umparalelismo entre a extração de recursos naturais e a captura de dados em grande escala realizada pelas empresas multinacionais como Facebook:

“De um ponto de vista econômico, o colonialismo representa a extração de recursos primários de forma bruta e, simultaneamente, a venda aos consumidores sem que exista uma criação de uma classe capitalista entre os dois elos. Trata-se aqui do mesmo: procuram obter os dados de forma bruta do consumidor e vender serviços. Mas não querem intermediários.”

Por último, Ethan Zuckerman – diretor do Centro de Meios Cívicos do MIT – descreve de maneira crua qual pode ser, no final das contas, o objetivo do Facebook – uma constatação que na verdade poderia ser aplicada a um bom número de projetos tecnológicos parecidos:

O projeto do Facebook me parece colonialista e enganador. Tenta resolver um problema que não compreende, mas não precisa compreender o problema porque já conhece a solução. A solução contribui de forma eficaz para consolidar o Facebook como a plataforma dominante do futuro, em um momento no qual os mercados desenvolvidos estão crescendo menos.”

 

Este artigo foi publicado originalmente no site da Aliança Internacional de Editores

octavio-kulesz

Octavio Kulesz é formado em Filosofia pela Universidade de Buenos Aires e atualmente dirige a Teseo, uma das principais editoras digitais acadêmicas da Argentina. Em 2010, criou a rede Digital Minds Network, junto com Ramy Habeeb (do Egito) e Arthur Attwell (da África do Sul), com o objetivo de estimular o surgimento de projetos eletrônicos em mercados emergentes. Em 2011, escreveu o renomado estudo La edición digital en los países en desarrollo, com apoio da Aliança Internacional de Editores Independentes e da Fundação Prince Claus. Sua coluna busca apresentar um panorama dos principais avanços da edição eletrônica nos países em desenvolvimento. Tablets latino-americanos, leitura em celulares na África, revoluções de redes sociais no mundo árabe, titãs do hardware russos, softwares de última geração na Índia e colossos digitais chineses: a edição digital no Sul mostra um dinamismo tanto acelerado quanto surpreendente.

TAGS: ÁFRICA

Tecnologia da informação incentiva à leitura na África

Livros digitais sem fins lucrativosera-digital

Garotos beneficiados pela ONG Worldreader cuja missão é missão ‘levar livros digitais a cada criança e a sua família, com o objetivo de melhorar suas vidas’| © Redes Sociais

Além dos projetos de conectividade promovidos por Facebook – ou por outras empresas como Google, com seu projeto Loon –, quais projetos sem fins lucrativos estão sendo impulsionados na África no terreno específico da leitura e edição digital? Também aqui poderíamos mencionar iniciativas filantrópicas procedentes de atores internacionais. O exemplo mais importante é talvez Worldreader. Fundada em 2010 por David Risher – ex-executivo da Microsoft e da Amazon –, esta organização sem fins lucrativos coloca como sua missão “levar livros digitais a cada criança e a sua família, com o objetivo de melhorar suas vidas”. Se no começo – tal como apontávamos no relatório de 2011 – esta entidade só usava dispositivos Kindle, em 2012 incorporou os celulares como plataforma adicional. O catálogo deles chega hoje aos quase 40.000 títulos escritos em 43 idiomas, que foram disponibilizados por 150 editoras, dos quais quase a metade são africanos. Em termos de impacto, os livros digitais da Worldreader alcançaram quase 4 milhões de pessoas em 50 países, principalmente na África. Para esta tarefa, a entidade se associou com diferentes empresas tecnológicas, especialmente com o Facebook – para aparecer listada em FreeBasics –, com a Microsoft – para o desenvolvimento do aplicativo de leitura, entre outros – e com a Amazon – para a organização e a hospedagemdos dados. Vale a pena esclarecer que, em princípio, a Worldreader não doa os dispositivos, estes devem ser financiados por terceiros – chamados “sponsors” – ou pelas próprias escolas e bibliotecas, que devem escolher entre dois tipos de pacotes:

  1. O “blue box”, que contém 50 Kindles carregados com 100 textos (custo: US$ 7 mil).
  2. Ou o “book pack”, que contém entre 100 e 200 textos, mas sem dispositivos, já que estes devem ser disponibilizados pela escola ou biblioteca (US$ 4,5 mil).

Observamos também que a Worldreader não se dedica somente à tarefa de facilitar a leitura, também realiza um acompanhamento exaustivo de todos os dados envolvidos. Isso pode ser visto, por exemplo, no relatório do projetoLEAP, realizado pela Worldreader e o Serviço Nacional de Bibliotecas do Quênia (KNLS), com financiamiento da fundação Bill & Melinda Gates. O programa apresentou, entre seus objetivos, estudar durante o ano de 2014 o uso, função e adoção dos dispositivos Kindle no contexto das bibliotecas. O relatório posterior – bastante detalhado – explica que esta aprendizagem servirá para compreender “a expansão dos programas de leitura digital nas bibliotecas do Quênia e da África Subsaariana”. Por outro lado, em agosto de 2016, no marco da iniciativa Kindle Reading Fund, a Amazon anunciou que doaria milhares de Kindles para apoiar programas de leitura no mundo em desenvolvimento e que colaboraria novamente com a Worldreader para colocar em marcha o projeto LEAP 2.0 em 61 bibliotecas do Quênia.

A Worldreader – que tem uma ampla cobertura da imprensa internacional – pode aumentar sua presença no ecossistema do livro digital africano, à medida que forem se somando novas instituições – tanto públicas como privadas – ao projeto. Contudo, seria importante perguntar se não está repetindo aqui um esquema parecido com o do Facebook com Internet.org/FreeBasics, especialmente pelo fato de que as corporações intervindo extraem dados muito valiosos – tais como preferências temáticas, hábitos de leitura, entre outros –, obtidos de um modo muito simples e que poderiam significar uma vantagem decisiva quando chegar o momento de vender conteúdos digitais ou dispositivos, tanto aos governos quanto aos indivíduos.

 

Além das iniciativas internacionais, existem na África numerosos projetos sem fins lucrativos realizados por entidades locais e FunDza é, talvez, o mais conhecido. Criado em 2012 pela equipe da editora Cover2Cover, esta organização tem a proposta de estimular a leitura entre adolescentes e jovens adultos da África do Sul. Através do seu website – especialmente adaptado às telas de celulares – e de seu aplicativo para Android, FunDza oferece um catálogo de centenas de livros digitais gratuitos – contos, poesias e textos de não ficção. Em 2015, suas atividades beneficiaram cerca de 400.000 usuários que, no conjunto leram mais de 10 milhões de páginas. Os livros do FunDza estão incluídos nos serviços de FreeBasics na África do Sul e em outros países do continente, como Nigéria e Gana. Ao mesmo tempo, o site YoZa – que apresentamos no relatório de 2011 como um dos pioneiros no terreno da leitura móvel na África Subsaariana – cedeu sus textos à plataforma, para sua posterior distribuição.

Zimkhitha Mlanzeli – autora e editora do FunDza – faz uma interessante reflexãosobre a importância de utilizar os celulares no terreno da leitura:

“Os jovens querem ler sobre temas que conhecem, em uma linguagem compreensível. Os contos que escrevo falam diretamente com eles, que conseguem ver o mundo através dos olhos de cada personagem. Sei disso pelos comentários que me enviam. Também ajuda muito o fato de que minhas histórias são compartilhadas no lugar que os jovens passam a maior parte do tempo: em seus celulares. Meu celular não é meu melhor amigo – não consigo ficar olhando para ele o tempo todo. Mas eles conseguem. E precisamos fechar essa brecha que nos separa.”

Outro projeto relevante – também com sede na África do Sul – é o Book Dash, focado desde 2014 na criação colaborativa de livros infantis. As obras são oferecidas com uma licença Creative Commons, tanto em PDF pronto para imprimir como em formato original – InDesign –, para possíveis readaptações. Book Dash surgiu em certa medida como resultado das lições que seu principal impulsionador, o especialista em publicações digitais Arthur Attwell, extraiu da experiência de Paperight, uma plataforma que – como apresentamos no relatório de 2011 –, distribuía ebooks para imprimir em cibercafés e que precisou fechar suas portas no final de 2014. Em seu balanço retrospectivo, Attwell enumera diferentes fatores que podem ter dificultado o avanço do empreendimento, entre os quais poderíamos destacar os seguintes:

  • as publicações oferecidas gratuitamente por Paperight eram muito solicitadas pelos usuários; no entanto, quando a empresa tentou cobrar por elas – inclusive somas modestas, como 1 ou 2 dólares por cópia –, a demanda caiu abruptamente;
  • as editoras tradicionais que forneciam os textos originais não pareciam dispostas a explorar o novo modelo de negócio, de modo que só entregavam seus títulos menos atraentes.

É neste contexto que, para Attwell, faz muito sentido a ideia de distribuir conteúdos digitais com licenças abertas, como propõe a Book Dash:

Capa do livro What is it?, editado pela Book Dash

Capa do livro What is it?, editado pela Book Dash

“Na África do Sul, as soluções comerciais não alcançaram o sucesso esperado: se os clientes são apenas uns poucos early-adopters, então nunca haverá um mercado significativo. Para a maioria dos sul-africanos, os livros são um luxo ao qual jamais poderão ter acesso”.Por outro lado, a iniciativa African Storybook – impulsionada pelo Instituto Sul-africano de Educação à Distância (SAIDE) – oferece a possibilidade de criar, traduzir e adaptar livros ilustrados para um público infantil: suas mais de 400 obras, que foram traduzidas para 60 línguas do continente, podem ser baixadas de maneira gratuita, tanto para leitura digital como para impressão. Finalmente, Bookly e Nal’ibali também utilizaram as novas tecnologias – em especial dos aplicativos de Mxit – para distribuir conteúdos editoriais.

Em janeiro de 2015, com o patrocínio do Instituto Goethe, várias organizações e empreendimentos sociais citados anteriormente se encontraram em Joanesburgo. O encontro tomou como ponto de partida o relatório da UNESCOLeitura na era da mobilidade de 2014 e teve como objetivo discutir as oportunidades e os desafios da alfabetização e a leitura através dos celulares.

Publicações educativas distribuídas por agregadores e startups locais.

Nos últimos anos, surgiu na África um número considerável de empreendimentos digitais focados nos conteúdos educativos. Com sede em Nairóbi, o agregador Ekitabuabastece de livros eletrônicos 650 escolas da África oriental. A empresa tirou seu nome da palavra “Kitabu” – que significa “livro” no idioma suaíli – e em apenas 4 anos conseguiu criar um catálogo de 500.000 títulos em formato PDF e EPUB, fornecidos por mais de 40 editoras, tanto locais quanto internacionais.

E-limu, é outra empresa queniana que vende conteúdos pensados para os alunos de escolas primárias. Os materiais são distribuídos através de um aplicativo criado para dispositivos Android. No começo, a E-limu entregava os materiais pré-carregados em tablets, para evitar o problema da falta de conectividade. No entanto, a proposta deixava dois problemas sem resposta: 1) como fariam para atualizar os conteúdos? e 2) como iam assegurar a durabilidade dos dispositivos? Para enfrentar esses desafios, E-limu recorreu à BRCK: este empreendimento – surgido como tantos outros da incubadora local iHub – fabrica um tablet ultrarresistente chamado Kio e umroteador WiFi que capta sinais de celulares e é ideal para oferecer conectividade em regiões que não possuem acesso à Internet fixa, inclusive sem eletricidade.

Também podemos mencionar aqui o caso do QuickDo-BookBox, um serviço concebido em 2011 pelo engenheiro informático de Camarões – radicado na França – Dominique Buendé, para “converter e distribuir conteúdos em países do Sul, “especialmente em universidades, bibliotecas e centros culturais. QuickDo-BookBox oferece terminais dotados de 500.000 livros eletrônicos de diversas editoras, que podem ser baixados de tablets concebidas ad hoc. O projeto terminou ganhando oprêmio Orange dado a empreendedores sociais africanos (2013) e o prêmio ao empreendedor africano na França (2014).

Também lançado em 2011, Snapplify constitui um dos principais agregadores digitais do continente. Com escritórios em Durbanville, Londres e Nova York, esta empresa distribui os livros eletrônicos de mais de 250 editoras e os integra em sua plataforma de educação virtual. Em 2014, Snapplify apresentouSnappBox, um dispositivo que permite aos estudantes terem acesso aos conteúdos eletrônicos através de uma intranet, em vez da Internet.

Agregadores gerais e lojas por assinatura

Além dos empreendimentos tecnológicos que distribuem conteúdos educativos, existem diversos agregadores gerais e plataformas que propõem um catálogo deebooks por assinatura. Lançado em 2014 por Algérie Télécom, o site Fimaktabatioferece livros digitais de centenas de editoras. O acesso a seus dois portais – acadêmico e geral – custa 22 dólares por ano e pode ser abonado através de cartões pré-pagos. Além disso, a empresa impulsionou a criação da Nooonbooks, uma loja exclusivamente focada em textos em árabe, com mais de 30.000 títulos de ciências exatas, administração, ciências humanas, direito e cultura geral.

Fundado pela empreendedora nigeriana – residente no Reino Unido – Gersy Ifeanyi Ejimofo também em 2014, o projeto Digitalback Books propõe diversos títulos de literatura africana com um custo de assinatura mensal de 13 dólares. As obras podem ser lidas em aparelhos móveis, tanto Android como iOS.

O projeto egípcio Kotobarabia foi um dos primeiros agregadores de livros eletrônicos em árabe do mundo. Desde 2005, já digitalizou milhões de páginase tem como principais clientes as bibliotecas dos EUA e da Europa.

Kotobi é outra plataforma com sede no Egito. Lançada pela Vodafone em 2014, essa livraria digital comercializa títulos em EPUB e está voltada principalmente para os aparelhos móveis. Uma das vantagens de Kotobi é que os pagamentos não são realizados apenas por cartão de crédito, mas também pela conta do telefone e até por SMS. Assim, não é casual que a plataforma tenha crescido consideravelmente: seu aplicativo para Android foi descarregado mais de 500.000 vezes, por usuários que consumiram mais de 1 milhão de livros. Com uma linha parecida ao que falávamos sobre comércio eletrônico africano, para Alaa Zaher – responsável pela área de Estratégia e Inovação de Vodafone e promotor do projeto Kotobi –, as limitações da distribuição física podem se transformar em uma grande oportunidade para a venda digital:

“Os leitores que moram fora das grandes cidades sempre se queixam da falta de livrarias. Querem ler, mas não encontram livros. Eles acabam vindo à Feira do Livro do Cairo uma vez por ano e voltam para suas cidades com bolsas cheias de exemplares. Esse é o segmento que temos como alvo. Nosso objetivo de longo prazo é fornecer livros digitais a todo o mundo árabe.”

No próximo artigo: as editoras africanas na era digital; os audiolivros: um formato em crescimento; a autoedição e a impressão sob demanda.

Octavio Kulesz é formado em Filosofia pela Universidade de Buenos Aires e atualmente dirige a Teseo, uma das principais editoras digitais acadêmicas da Argentina. Em 2010, criou a rede Digital Minds Network, junto com Ramy Habeeb (do Egito) e Arthur Attwell (da África do Sul), com o objetivo de estimular o surgimento de projetos eletrônicos em mercados emergentes. Em 2011, escreveu o renomado estudo La edición digital en los países en desarrollo, com apoio da Aliança Internacional de Editores Independentes e da Fundação Prince Claus. Sua coluna busca apresentar um panorama dos principais avanços da edição eletrônica nos países em desenvolvimento. Tablets latino-americanos, leitura em celulares na África, revoluções de redes sociais no mundo árabe, titãs do hardware russos, softwares de última geração na Índia e colossos digitais chineses: a edição digital no Sul mostra um dinamismo tanto acelerado quanto

http://www.publishnews.com.br/materias/2017/02/07/a-edicao-digital-na-era-da-mobilidade-africa-2/3

Liga dos Direitos Humanos de Guiné Bissau descreve quadro sombrio

liga-dos-direitos-humanos-de-guine-bissau

A cidade de Bissau acolhe nesta segunda-feira, 6, uma conferência internacional sobre direitos humanos, numa altura em que os debates no país estão a ser animados pelos crimes cometidos por parte dos agentes policiais contra civis.

Há casos também de alegados suicídios, em circunstâncias duvidosas e mortes por tortura nas celas de esquadras policiais, assim como as péssimas condições nos centros prisionais em Bissau, concretamente, na 2a esquadra e na Polícia Judiciária.

Neste cenário, acrescenta-se ainda a violência contra as mulheres e crianças, os casamentos precoces e a mutilação genital feminina, um fenômeno que a lei ainda não consegue conter, mesmo com as medidas punitivas previstas na legislação.

O presidente da Liga Guineense dos Direitos Humanos, Augusto Mário da Silva, apresentou um quadro sombrio da violação dos direitos do homem na Guiné-Bissau, e afirmou que os direitos humanos não têm sido uma das prioridades do Estado guineense.

“Depois de mais de 40 anos da independência, a problemática dos direitos humanos continua longe das prioridades dos sucessivos inquilinos do poder, fazendo da Guiné-Bissau parte integrante de uma lista restrita de países sem nenhum plano ou estratégia nacional pública de promoção e respeito pelos direitos humanos”, acusou Silva.

Participam na conferência, representantes de organizações internacionais, sobretudo da sub-região africana.

O presidente do Parlamento, Cipriano Cassamá, aproveitou a abertura do evento para deixar um apelo à classe política guineense para respeitar o Acordo de Conacri.

“Apelo à classe política, com ênfase ao Presidente da República para colocarmos os interesses dos guineenses em primeiro lugar, deixando de lado as nossas querelas, as nossas divergências pessoais e partidárias e assim implementar o acordo de Conacri”, sublinhou.

Fonte:http://www.voaportugues.com/a/direitos-humanos-debate-guine-bissau/3708102.html

O Observatório

Este observatório é uma iniciativa do Grupo de Estudos Africanos vinculado ao Instituto de Relações Internacionais da Universidade de Brasília (GEA/IREL-UnB), que busca refletir sobre a vida política, social e econômica da África contemporânea, com destaque para sua inserção internacional. Preocupando-se com o continente marcado pela diversidade, o Grupo de Estudos Africanos, por meio do Observatório, propõe um olhar crítico e compreensivo sobre temas africanos, em suas mais diversas dimensões.