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Lumumba assassinado há 56 anos

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A família Kiambata, em Luanda, manda rezar hoje, às 18h30, na Igreja do Carmo, uma missa em memória do antigo primeiro-ministro do então Congo-Léopoldville, Emery Patrice Lumumba, do ex-vice-presidente do Senado, Joseph Okito, e de Maurice Mpolo, ex-ministro da Defesa, assassinados há 56 anos (17 de Janeiro de 1961).

Foram assassinados por forças lideradas pelo então sargento Mobutu Sesse Seko e apoiadas pela Bélgica e Estados Unidos.
Na necrologia publicada ontem no Jornal de Angola, a família Kiambata destaca que Patrice Lumumba “foi uma figura africana que marcou a sua época, contribuindo corajosamente para a libertação do seu Congo e para a independência de toda a África”.
Lumumba chefiou o primeiro Governo eleito livremente na República do Congo-Léopoldville, após a independência da Bélgica. Mas esteve apenas quatro meses no poder. Aos 34 anos, foi afastado do cargo e assassinado.
O que aconteceu no dia da proclamação da independência, a 30 de Junho de 1960, prenunciava já talvez o desfecho do jovem primeiro-ministro. Durante as celebrações oficiais, Lumumba denunciou publicamente as práticas racistas dos colonizadores. Os congoleses rejubilaram, não só os que participavam na cerimônia mas também aqueles que ouviam o discurso em casa, através da rádio. Mas o rei belga e os diplomatas estrangeiros ficaram chocados. Os objectivos políticos de Lumumba não condiziam com os planos dos poderes ocidentais: o jovem político queria libertar o Congo dos grilhões coloniais. Queria unir os grupos étnicos e advogava a gestão local das riquezas naturais do país. A Bélgica e os Estados Unidos começaram a sentir a sua influência declinar.
“Por isso é que decidiram acabar com o Governo e, finalmente, com o próprio primeiro-ministro”, diz o sociólogo belga Ludo de Witte, que estuda o Congo há mais de 20 anos e aborda meticulosamente a queda de Lumumba num livro. A partir desse momento, tudo se desenrolou muito rapidamente. Em Setembro, Lumumba foi destituído do cargo de primeiro-ministro e colocado em prisão domiciliária. Em Novembro, conseguiu escapar, mas foi depois capturado pelas tropas de Mobutu, que o espancaram e torturaram.
“As pessoas amavam Lumumba. Os seus apoiantes queriam libertá-lo”, explica De Witte. “Isso teria sido um desastre para a Bélgica e para os Estados Unidos. Por isso, decidiram que ele devia ser morto no dia em que chegou a Katanga. Foi executado por um pelotão organizado por oficiais belgas.” Lumumba foi morto a 17 de Janeiro de 1961.
A explicação oficial para a morte de Patrice Lumumba foi a de que ele teria sido assassinado por moradores de uma vila em fúria. A verdade sobre o papel das potências ocidentais só viria a público mais tarde.
O livro de De Witte, “O Assassinato de Lumumba”, levou a Bélgica a criar, em 2000, uma comissão parlamentar de inquérito. Dois anos mais tarde, o então ministro belga dos Negócios Estrangeiros e agora membro do Parlamento Europeu, Louis Michel, pediu desculpas à família e ao povo congolês pelo papel dos oficiais belgas no assassinato de Lumumba e companheiros.
De Witte não ficou satisfeito com este pedido de desculpas. “A comissão de inquérito belga concluiu que a Bélgica teve uma responsabilidade moral no assassinato de Lumumba, algo muito vago. Fica a meio caminho entre negar o que aconteceu e publicar toda a verdade.” A Bélgica quer continuar a desfrutar da sua posição diplomática no Congo, comenta o especialista. Se o país tivesse assumido todas as responsabilidades isso não seria possível. Além disso, as propostas da comissão de inquérito, tais como o estabelecimento de um fundo em nome de Lumumba para promover a democracia no Congo, ainda não foram implementadas, acrescenta De Witte. Até agora, ninguém foi punido pelo assassinato de Lumumba e companheiros.

 

http://jornaldeangola.sapo.ao/politica/lumumba_assassinado_ha_56_anos

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Este observatório é uma iniciativa do Grupo de Estudos Africanos vinculado ao Instituto de Relações Internacionais da Universidade de Brasília (GEA/IREL-UnB), que busca refletir sobre a vida política, social e econômica da África contemporânea, com destaque para sua inserção internacional. Preocupando-se com o continente marcado pela diversidade, o Grupo de Estudos Africanos, por meio do Observatório, propõe um olhar crítico e compreensivo sobre temas africanos, em suas mais diversas dimensões.
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