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Angola, Cultura, Economia

Jovens angolanos disputam cinco mil vagas na Universidade Agostinho Neto

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por Gabriel Bunga |

Fotografia: José Soares 

Milhares de candidatos ao ensino superior acorrem ao Campus Universitário, na zona do Camama, em Luanda, para se inscreverem na Universidade Agostinho Neto.

O processo de inscrição iniciou a 5 de Janeiro e termina no dia 21 deste mês,  tendo sido inscritos até ao momento mais de 20 mil candidatos.  Os exames de admissão começam a 30 de Janeiro  e terminam a 6 de Fevereiro.
A universidade prevê inscrever para este ano 50 mil candidatos que vão disputar 5.385 vagas, distribuídas em 45 cursos das nove unidades orgânicas.
Para a inscrição, a universidade  cobra quatro mil kwanzas por um curso e seis mil kwanzas por dois cursos, para cada candidato.
Cálculos por defeito indicam que para a inscrição num curso (quatro mil kwanzas), e se se admitir que haja cinquenta mil candidatos, a Universidade Agostinho Neto pode arrecadar duzentos milhões de kwanzas num espaço de dezassete dias. Se os cinquenta mil candidatos se inscreverem em dois cursos (seis mil kwanzas), a universidade   pública arrecada trezentos milhões de kwanzas.
O presidente da Comissão Nacional de Pais e Encarregados de Educação Angolana – Amigos da Criança, Manuel Diogo, mostrou-se preocupado com os valores das inscrições. “Qual é o destino destes valores? O pior é que muitos candidatos nem sequer conseguem ingressar na universidade. As instituições públicas deviam reflectir sobre isso\”, referiu.

Emolumentos

O coordenador da subcomissão de comunicação da Comissão Técnica do Exame de Acesso 2017, Arlindo Isabel, disse ao Jornal de Angola que o valor cobrado é um emolumento estabelecido para suportar os custos da operação, que envolve mais de 500 funcionários, entre  professores, funcionários não docentes e estudantes.
“Eles têm que tomar pequeno almoço, almoçar,  produzir folhetos,  regulamentos e os exames,  para que o processo seja sustentável”. Sublinhou que os folhetos e regulamentos são distribuídos a todos os candidatos.
Arlindo Isabel disse que este é um processo  que não está previsto no Orçamento Geral do Estado. Antigamente, acrescentou, era cobrado nas unidades orgânicas e depois do estabelecimento do critério de exame unificado passou a ser cobrado pela reitoria da Universidade Agostinho Neto.
“Os requisitos para a inscrição são o certificado ou declaração com notas descriminadas, cópia do Bilhete de Identidade, declaração da situação militar regularizada, declaração de serviço e o pagamento de quatro mil por uma opção e seis mil kwanzas por duas opções,  pagos uma só vez. Há ainda uma ficha de inscrição que é encontrada aqui”, disse.
Arlindo Isabel precisou  que as cobranças no acto de inscrição são uma decisão interna da Universidade Agostinho Neto, aprovada pelos órgãos de governo daquela instituição de ensino.
O coordenador da subcomissão de comunicação da Comissão Técnica do Exame de Acesso 2017 disse que a decisão existe há anos e  o processo de inscrições não está previsto no Orçamento Geral do Estado. A Lei nº 17/16 de 7 de Outubro, Lei de Bases do Sistema de Educação e Ensino, aprovada no dia 11 de Agosto de 2016, pela Assembleia Nacional define o regime jurídico do Ensino Superior, mas não clarifica a forma de comparticipação dos pais e dos estudantes no processo de ensino e aprendizagem.
A Lei define que as despesas relativas às inscrições, assistência às aulas, material escolar e outros encargos, no Ensino Superior, são da responsabilidade dos pais e encarregados de educação. Ainda não regulamentada, a  Lei garante que só ao Presidente da República, na qualidade de Titular do Poder Executivo, cabe regular e autorizar a cobrança de taxas e emolumentos pelos serviços prestados nas instituições públicas de ensino dos diversos níveis. Muitos candidatos chegam às instalações do Campus Universitário às 4horas da manhã. Cada um ocupa o seu lugar na fila, de acordo com a área de formação. Os candidatos são levados por seis autocarros, das portas de entrada ao interior do Campus Universitário, uma distância de cerca de quilómetro e meio.
Os candidatos são distribuídos em três áreas de triagem, onde declaram os cursos a fazer. Aqui, o processo é lento, porque os funcionários têm a missão de verificar a autenticidade dos documentos. Depois, os candidatos  são encaminhados para a biblioteca central, onde fazem a inscrição. “Esta inscrição é um processo absolutamente rápido, porque temos vários computadores instalados, e em média, a solução tecnológica consegue inscrever 100 candidatos em três minutos”, disse Arlindo Isabel.

Processo de selecção

Arlindo Isabel disse que o processo de selecção é feito de forma automática no computador. As folhas de provas dispõem de um número. Depois da prova, a parte com o nome é recortada.
No dia do exame, os candidatos recebem um recibo que tem um código de barras, que permite verificar se de facto a pessoa está inscrita naquele curso. O lançamento de notas é feito por laser e o nome aparece automaticamente. O  sistema organiza a lista a partir da maior nota. “Em qualquer curso, entram os candidatos que tiverem a maior nota”, explicou, referindo  que o sistema está programado também para seleccionar os candidatos com menos idade.Depois dos exames, a base de dados é enviada para a faculdade e os candidatos com maior nota são considerados como inscritos. Os resultados são publicados na página electrónica da UAN.

http://jornaldeangola.sapo.ao/sociedade/saude_e_educacao/cinco_mil_vagas_na_uan

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Este observatório é uma iniciativa do Grupo de Estudos Africanos vinculado ao Instituto de Relações Internacionais da Universidade de Brasília (GEA/IREL-UnB), que busca refletir sobre a vida política, social e econômica da África contemporânea, com destaque para sua inserção internacional. Preocupando-se com o continente marcado pela diversidade, o Grupo de Estudos Africanos, por meio do Observatório, propõe um olhar crítico e compreensivo sobre temas africanos, em suas mais diversas dimensões.
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