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Mário Soares: o amigo de Moçambique  


Afonso Dhlakama e Daviz Simango

Afonso Dhlakama e Daviz Simango

“Homem que fazia a ligação com o povo de Moçambique” e “um herói africano”.

Os presidentes dos dois maiores partidos da oposição em Moçambique lamentaram neste domingo, 8, a morte do antigo estadista português Mário Soares que classificaram como a perda um grande amigo do país.

“Mário Soares era amigo de Moçambique, da Frelimo, da Renamo e do povo em geral. Um homem que fazia a ligação com o povo moçambicano. Perdemos um dos grandes amigos da Europa”, disse o presidente da Renamo numa mensagem enviada por telemóvel ao jornal moçambicano O País.

“Mário Soares era amigo do povo de Moçambique cuja história de ligação com Moçambique todos nós a conhecemos. Mário Soares esteve envolvido nas negociações de Lusaka que culminaram com os Acordos de Lusaka, em 1974”, lembrou.

Afonso Dhlakama realçou que “embora em termos ideológicos fosse socialista, era muito meu amigo, muito pessoal, ele e a esposa”, Maria Barroso, da qual lembrou as acções humanitárias de distribuição de alimentos em Moçambique nos períodos de grandes crises.

Soares, continuou Dhlakama, era uma pessoa simples que o recebia, sem “questões protocolares”, sempre que ele ia a Lisboa.

Herói africano

Por sua vez, o presidente do Movimento Democrático Moçambicano (MDM), terceiro partido com assento parlamentar, classificou Mários Soares de um herói Africa, “que viu o sangue africano, viveu o sofrimento moçambicano e foi a peça chave para a libertação desses povos”.

Em declarações à imprensa na Beira, Daviz Simango lembrou o tempo em que Soares viveu como deportado em São Tomé e Príncipe, onde viu o sofrimento também de vários moçambicanos enviados para o arquipélago pela ditadura de Salazar.

Simango considerou que “Moçambique e África devem-lhe muito, era um herói africano residente da Europa”.

O presidente do MDM recordou que a o então candidato da oposição em Portugal Humberto Delegado, do qual Mário Soares foi secretário pessoal, “teve uma vitória esmagadora na Beira” na eleição de 1959.

Refira-se que ontem o Presidente de Moçambique considerou que a morte de Soares “é um vazio difícil de preencher, tendo em conta a sua forte ligação ao processo de construção da amizade entre Moçambique e Portugal”

Para Filipe Nyusi não há como falar de Portugal e Moçambique “sem se referir à sua imponente figura na construção desta amizade, e deste entendimento que hoje perdura, irmanando os dois países”, e, por isso, “não há palavras suficientes que possam preencher o vazio deixado por Mário Soares, tanto para o povo português, assim como para o povo moçambicano.

O antigo Presidente e primeiro-ministro português Mário Soares faleceu no sábado, 7, aos 92 anos em Lisboa.

 

Fonte:http://www.voaportugues.com/a/mario-soares-dhlakama-simango-amigo-mocambique/3667880.html

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Este observatório é uma iniciativa do Grupo de Estudos Africanos vinculado ao Instituto de Relações Internacionais da Universidade de Brasília (GEA/IREL-UnB), que busca refletir sobre a vida política, social e econômica da África contemporânea, com destaque para sua inserção internacional. Preocupando-se com o continente marcado pela diversidade, o Grupo de Estudos Africanos, por meio do Observatório, propõe um olhar crítico e compreensivo sobre temas africanos, em suas mais diversas dimensões.
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