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A produção de Gesso em Angola abre novos mercados, com apoio do Brasil

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Natacha Roberto |

A fábrica Super Gesso, que tem sua matriz no Brasil, tem sido há muito tempo o principal fornecedor de gesso do mercado interno. Para uso médico, agrícola ou para construção civil, a fábrica tem sido exemplar e faz a sua parte na hora de agregar valor e mais qualidade aos produtos nacionais.

Com o mercado interno praticamente dominado, os gestores da fábrica esperam este ano inaugurar um novo capítulo no processo de desenvolvimento do projecto Super Gesso, o das exportações. Contactos estão bastante avançados para que o gesso “made in Angola” chegue primeiramente a mercados fronteiriços, particularmente nos Congos, Brazzaville e Kinshasa.

Segundo projecções dos gestores, a fábrica espera exportar mensalmente cinco mil toneladas de gesso para o Congo Brazzaville e 15 mil para a RDC. Estas exportações para os mercados fronteiriços representam um crescimento significativo para a empresa que procurou reunir condições para o aumento da produção e criar a folga necessária para não afectar o abastecimento ao mercado interno.

O director-geral da empresa, Elvis Lafayete, garante uma previsão de vendas na ordem das 32 mil toneladas este ano. As operações viradas para o mercado externo têm sido vantajosas para as empresas que encaram a exportação como factor de crescimento acelerado. A Super Gesso está apostada em produzir com qualidade os seus produtos.

Para Alves Lafayete, a aposta no mercado internacional obriga a empresa a adaptar-se às exigências do mercado internacional, redefinir os padrões de qualidade e de segurança. A empresa produz 25 mil toneladas por mês, totalmente consumidas pelo mercado interno. Este volume tem sido satisfatório para o mercado nacional, mas, como diz o responsável da empresa, o que se quer é aumentar os níveis de produção face ao volume de solicitações dos mais variados sectores.

Actualmente, o sector da construção civil é o que mais consome gesso como matéria-prima para o fabrico do cimento. Há nove anos a funcionar na cidade do Sumbe, a empresa produz pedra bruta para as cimenteiras e outros derivados do gesso como blocos e molduras para tecto falso.

A marca de cimento nacional Yetu tem sido suportada pela produção da Super Gesso. O sector da agricultura também tem sido um dos grandes potenciais consumidores desta matéria na produção de ração para aves. O gesso aplicado actua aumentando a disponibilidade de nutrientes na superfície do solo, fundamental para o crescimento e desenvolvimento das plantas. O gesso pode estimular o subsolo e é uma excelente fonte de cálcio e enxofre para as plantas.

Especialistas do sector agrário consideram o gesso importante fertilizante para enriquecer os solos de forma moderada. Sem concorrentes no mercado nacional, a única unidade fabril de gesso no país está também a fornecer o seu produto ao sector da saúde, para a criação de ligaduras e outros materiais de apoio hospitalar. “Estamos a pensar em transformar o gesso em giz escolar para apoiar o sector da educação, reduzindo assim as importações deste que é um material essencial para o ensino escolar”, afirma.

Mão-de-obra local

A produção de gesso tem sido garantida por mão-de-obra local. Manuel Augusto trabalha num dos sectores mais cruciais da fábrica. Há seis anos na unidade fabril, Manuel Augusto está prestes a concretizar o sonho de ter uma casa própria. Um dos mais antigos funcionários da empresa conta pelos dedos o tempo que falta para concluir as obras de construção da sua primeira casa.

Manuel tem a função de calcinador. Trajado a rigor, o jovem demonstra grande habilidade, mas também gosto pela profissão. Nas primeiras horas do dia, tem a importante tarefa de ligar o forno onde é produzido o gesso para tecto falso.
A fábrica tem dezenas de funcionários, como Manuel, que é chefe de família e morador da cidade do Sumbe. Domingos Caminheiro tem a responsabilidade de produzir placas de gesso. Por ele passam pelo menos 100 unidades, nas oito horas de trabalho. Ele desloca-se pela unidade fabril com uma máquina retroescavadora que serve para carregar pedras de utilização para dumbres e camiões. Com apenas um ano de serviço na empresa, Domingos Caminheiro ensina os novos colegas a manejar a máquina.

Sem riscos

A crise financeira em função da baixa do preço do petróleo não condiciona o crescimento da empresa angolana que utiliza matéria-prima local para a produção do gesso. A empresa está menos exposta aos riscos de falência face às crises financeiras uma vez que poupa a saída de divisas para o exterior e a matéria-prima é local. Para dar suporte à produção existem registos de reservas no país de gipsite, matéria-prima utilizada para o fabrico do gesso. Com esta garantia a empresa tem ainda reservas suficientes para suportar uma produção diária de gesso até 400 anos.

Um mineral

O gesso pode aparecer em diversas variedades, como gipsite, que é das variedades mais abundantes de gesso, e que facilmente se transforma em anidrite (variedade desidratada de gesso) se as condições de calor, pressão e presença de água variarem. A anidrite é outra variedade de gesso. Forma-se como mineral primário em sabkhas ou em bacias profundas. O termo está muito associado à gipsite porque a única diferença entre eles são as moléculas de água. A anidrite contém maior densidade que a gipsite, contudo, possui menor porosidade.
Outro tipo de gesso é a selenite, que é um mineral macrocristalino, incolor, hialino e euédrico. Encontra-se, muitas vezes, a preencher fendas em rochas. Já o alabastro, outra variedade, é semelhante ao mármore. É maciço, microgranular e translúcido. As suas cores dependem das impurezas contidas. Ocorre, frequentemente, em zonas de grandes depósitos de gesso. Por fim, o espato, que é acetinado, fibroso e possui um brilho sedoso. Este material em forma de agulha deposita-se em fracturas e ao longo de planos de estratificação.

http://jornaldeangola.sapo.ao/reportagem/gesso_a_conquista_de_mais_mercados

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O Observatório

Este observatório é uma iniciativa do Grupo de Estudos Africanos vinculado ao Instituto de Relações Internacionais da Universidade de Brasília (GEA/IREL-UnB), que busca refletir sobre a vida política, social e econômica da África contemporânea, com destaque para sua inserção internacional. Preocupando-se com o continente marcado pela diversidade, o Grupo de Estudos Africanos, por meio do Observatório, propõe um olhar crítico e compreensivo sobre temas africanos, em suas mais diversas dimensões.
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