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Moçambique«Estou pronto para conversar com Dhlakama», reafirma Nyusi


MOÇAMBIQUE
O Presidente da República reafirmou a sua abertura para se encontrar com o líder da Renamo, Afonso Dhlakama, de modo a se colocar ponto final à onda de ataques perpetrados, nomeadamente nas zonas centro e norte do país, pelos homens armados daquele partido.«Estou pronto para conversar», disse de peito aberto Filipe Nyusi. «Sempre me prontifiquei para isso. Por isso é que já me encontrei com Dhlakama por duas vezes para perceber o que realmente quer», acrescentou.

Falando sábado no distrito de Chigubo, na sua visita de trabalho à província de Gaza, o estadista moçambicano recordou que o executivo (anterior) aceitou que a lei eleitoral fosse revista para acomodar as inquietações da Renamo.

«Com base nessa lei, fomos às eleições para elegermos o Presidente, os deputados do Parlamento e os membros das Assembleias Provinciais», explicou Nyusi, acrescentando, de seguida, que «agora ele diz que precisa de governar seis províncias».

«Posso-lhe entregar?», questionou o Presidente, tendo em resposta recebido um forte «não» da população de Chigubo, adiantando que «não votamos para dividir Moçambique. Mesmo assim, estou pronto para voltar a me encontrar com ele», afirmou.

O clamor da população de Gaza foi manifestado em vários comícios orientados pelo Presidente da República, repudiando totalmente as acções belicistas da Renamo, que mantém uma ala armada visando governar o país a «retalhos».

«Somos por um Moçambique uno e indivisível. Queremos paz para desenvolvermos o país. Por exemplo, os nossos familiares que vivem e trabalham na África do Sul já têm medo de mandar bens para ajudar os seus amados por recearem que sejam destruídos, como aconteceu durante a guerra dos 16 anos. Os nossos filhos começam a fugir para trabalhar em países vizinhos, temendo guerra no país», disse um elemento da população, identificada por Carlota Chaúque.

Falando perante centenas de pessoas que acorreram ao comício havido em Massangena, Carlota Chaúque e outros que de diversas formas transmitiram o seu sentimento anti-divisão do país e anti-guerra, incluindo em dísticos, reagia contra a exigência da Renamo de governar, com recurso à força das armas, seis províncias do centro e norte de Moçambique, onde alega ter ganho nas últimas eleições gerais e das assembleias provinciais.

Como que em uníssono com a população de Massangena, crianças de Chigubo afirmaram sábado, em pleno comício popular, que «pedimos para que Moçambique não seja dividido».

Esta afirmação foi feita na forma de poema declamado em português e traduzido para inglês e changana, língua falada em várias partes do sul de Moçambique, pelas mesmas crianças.

A população de Massingir, outro distrito da província escalado na visita, também se juntou ao repúdio. Num enorme dístico empunhado no meio de centenas de pessoas que acorreram ao comício de Massingir, marcando o final da visita a Gaza e, coincidentemente, da edição 2016 das visitas de trabalho a todas as províncias do país, podia-se ler «Por um Moçambique uno e indivisível».

Nestes comícios, o Presidente explicou que a guerra movida pela Renamo está a agudizar o sofrimento dos moçambicanos, principalmente nesta fase em que o país e o mundo, no geral, se ressentem da crise económica.

«Há muito feijão no Niassa, milho em Nampula, batata em Tete, gado em Gaza. Mas estes produtos não podem ser transportados de uma região para outra devido aos ataques dos nossos irmãos da Renamo», destacou Nyusi.

«Somos obrigados a importar certos produtos porque, internamente, não se pode circular e trabalhar livremente», acrescentou o Presidente que, na província de Gaza, trabalhou nos distritos de Mabalane, Mapai, Massangena, Chigubo e Massingir.

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O Observatório

Este observatório é uma iniciativa do Grupo de Estudos Africanos vinculado ao Instituto de Relações Internacionais da Universidade de Brasília (GEA/IREL-UnB), que busca refletir sobre a vida política, social e econômica da África contemporânea, com destaque para sua inserção internacional. Preocupando-se com o continente marcado pela diversidade, o Grupo de Estudos Africanos, por meio do Observatório, propõe um olhar crítico e compreensivo sobre temas africanos, em suas mais diversas dimensões.
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