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Crise humanitária, PALOP

A seca em Moçambique é uma tragédia desconhecida pelos brasileiros

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Moçambique atravessa um período de secas que tem levado milhões de pessoa a situações críticas de fome e pobreza, mas no Brasil isso não faz parte da pauta da política externa. Há uma insensibilidade e um desconhecimento sobre  esse drama. A recente decisão do governo brasileiro de suspender a doação de três aviões à Moçambique dá uma ideia do pensa o novo governo sobre Africa.

– Enquanto isso os australianos pensam diferente, pois Moçambique é um dos beneficiários do apoio adicional disponibilizado pelo governo australiano para a África Austral em resposta à escassez de alimentos devido a grave seca provocada pelo fenômeno de El Niño na região.

A disponibilização deste apoio, no valor de 10 milhões de dólares australianos (cerca de 7,7 mil dólares norte-americanos ao câmbio corrente), foi anunciada na semana passada pela ministra australiana dos Negócios Estrangeiros, Julie Bishop, e será efectivada através do Programa Mundial de Alimentação (PMA).

Um comunicado do Alto Comissariado da Austrália recebido pela AIM adianta que o apoio vai servir para o fornecimento de alimentos e apoio nutricional para 11,9 milhões de pessoas afectadas pela seca nos países da África Austral.

Dos países mais afectados na região da África Austral, que irão beneficiar directamente deste financiamento adicional constam Moçambique, Lesotho, Malawi, Suazilândia e Zimbabwe

A crise actual causada pelo fenómeno El Niño resultou em uma das piores secas na África Austral dos últimos 35 anos, tendo deixado 32 milhões de pessoas sem acesso ao fornecimento adequado de alimentos, incluindo 2,7 milhões de crianças gravemente desnutridas.

A Austrália tem sido activa na resposta global ao impacto do El Niño, que também teve um impacto devastador no Indo-Pacífico.

A resposta da Austrália tem sido feita com base no financiamento para a aquisição de alimentos de subsistência, nutricional e meios de subsistência para os países mais afectados no Pacífico e Sudeste Asiático, bem como no Corno de África.

Através do seu programa de ajuda, o governo australiano também está a investir na melhoria da preparação e de capacidade de adaptação à mudança climática para ajudar comunidades a se prepararem para futuros períodos de seca.

Com este financiamento adicional, a contribuição da Austrália para os países afectados pelo El Niño irá aumentar para um total de 46 milhões de dólares australianos.

El Nino é um evento climático natural que ocorre no Oceano Pacífico, aquecendo suas águas e alterando a distribuição de calor e humidade em várias partes do globo.

Muitos climatologistas acreditam que o El Nino possa estar relacionado com o inverno mais quente na região central dos Estados Unidos, secas na África e verões mais quentes na Europa. Estes efeitos ainda estão em processo de estudos.

Em Moçambique, o El Nino está associado a seca durante o período mais chuvoso – Janeiro a Março. Este fenômeno também foi responsabilizado pela grave escassez de alimentos em grande parte das regiões sul e centro de Moçambique, em 2002, e pela grave seca que devastou o país, em 1992.

http://noticias.sapo.mz/aim/artigo/11270708092016130141.html

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O Observatório

Este observatório é uma iniciativa do Grupo de Estudos Africanos vinculado ao Instituto de Relações Internacionais da Universidade de Brasília (GEA/IREL-UnB), que busca refletir sobre a vida política, social e econômica da África contemporânea, com destaque para sua inserção internacional. Preocupando-se com o continente marcado pela diversidade, o Grupo de Estudos Africanos, por meio do Observatório, propõe um olhar crítico e compreensivo sobre temas africanos, em suas mais diversas dimensões.
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