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Crise em Angola é oportunidade para São Tomé e Príncipe

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São Tomé e Príncipe aparece como uma alternativa para empresários portugueses apreensivos com a situação econômica em Angola. O que espera os investidores naquele arquipélago?
Apesar de alguns constrangimentos de ordem infraestrutural e burocrático, empresários portugueses disseram à DW África que vale a pena apostar no país da África Central. Com 124 milhões de consumidores, as ilhas situadas na Linha do Equador, no mar Atlântico, têm sido uma das alternativas para empresas portuguesas afetadas pela crise econômica e cambial em Angola.
Para Horácio Miranda Barata , o arquipélago de São Tomé e Príncipe fazia parte de um sonho pessoal. Mas agora passou a ser uma prioridade pelos indicadores que apresenta de crescimento econômico. Em abril deste ano, Miranda Barata integrou uma missão empresarial ao arquipélago de 1001 quilômetros quadrados, promovida pela Câmara Municipal de Sintra.
Potencial para além da área de turismo
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O diretor geral da HIGH SKILLS, empresa vocacionada para a formação e consultoria, ficou impressionado com o pequeno país da África central, que diz ser um mercado com potencial, apesar dos constrangimentos: “Mas as limitações são desafios para quem lá está e para quem quer ir para lá. Estamos em conversações com advogados locais para avançar com a criação de uma empresa em São Tomé.”
O empresário realça a importância de um posicionamento no mercado: “É essa a nossa postura, é apostar para ficar, para acompanhar o crescimento. Se nós estamos presentes e acompanhamos o crescimento acabamos por crescer também.”
O apoio local prestado pela Associação Empresarial de São Tomé e Príncipe encorajou o empresário Miranda Barata a dar este passo. Existem potenciais não só na área do turismo. A grande apetência pela formação por parte da população jovem e os investimentos previstos nomeadamente no novo aeroporto e no porto de São Tomé foram decisivos para a instalação da empresa no país.
O processo está em curso, revela o diretor geral da HIGH SKILLS, dando conta de diligências para a abertura de um escritório na capital são-tomense no final deste ano ou no início de 2017
Angola fica a perder
A situação económica e financeira de Angola teve implicações na decisão, explica Horácio Barata: “Se o investimento que temos feito em Angola não está a ter o retorno devido e houve quebras realmente até a nível da faturação, a questão da limitação da saída das divisas está a [provocar] ali muitos atrasos. Nós não podemos ficar à espera dos atrasos, portanto temos que procurar outros mercados não só São Tomé, mas Cabo Verde também tem sido uma aposta.”
No final de setembro, está agendada uma ação de formação na área da banca. Já em finais de junho e início de julho, uma equipa da empresa, que incluiu o parceiro Groundforce Portugal, esteve naquelas ilhas a fazer um levantamento das infraestruturas aeroportuária e portuária, já apresentado ao Governo são-tomense.
A empresa com ligação aos PALOP (Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa) não é a única que está à procura de alternativa à crise em Angola.
O fenómeno está a ser acompanhado pela AICEP Portugal Global, agência tutelada pelo Governo de Lisboa que apoia as exportações e o investimento externo português. O seu vice-presidente e administrador executivo Pedro Ortigão Correia admite: “Obviamente que a desaceleração do mercado angolano fez com que as empresas procurassem alternativas em toda aquele região, não apenas em São Tomé e Príncipe.”
São Tomé e Príncipe tem muito para oferecer
Aquele responsável salienta as vantagens de São Tomé e Príncipe: “Tem tido um crescimento econômico de quase dois dígitos nos últimos cinco anos, é um país estável do ponto de vista político, tem recursos, tem tradição histórica, tem potencial de turismo e isto é obviamente muito atrativo para as nossas empresas.”
Mas para que a aposta vença, são necessários “parceiros locais com capacidade para poderem ser parceiros de valor acrescentado neste projeto de crescimento”, diz Ortigão Correia.
Segundo este responsável pelas redes externas e das exportações, os empresários portugueses estão cientes de que “hoje em dia, no comércio internacional o que nós assistimos é, sobretudo, uma ligação de parceria. Já não é tanto aquela relação antiga de empresas que exporta apenas bens e serviços.”
Hoje, as empresas procuram parceiros locais para com eles crescerem nesses mesmos mercados diz, acrescentando: “Toda esta experiência que nós temos de África, que já é uma experiência ancestral, está no DNA das nossas empresas, e obviamente São Tomé tem muito para oferecer, sobretudo na área agrícola e na área do turismo, que eu acho que cada vez mais vai ser uma área onde convém investir porque as pessoas procuram este tipo de produto único.”
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O Observatório

Este observatório é uma iniciativa do Grupo de Estudos Africanos vinculado ao Instituto de Relações Internacionais da Universidade de Brasília (GEA/IREL-UnB), que busca refletir sobre a vida política, social e econômica da África contemporânea, com destaque para sua inserção internacional. Preocupando-se com o continente marcado pela diversidade, o Grupo de Estudos Africanos, por meio do Observatório, propõe um olhar crítico e compreensivo sobre temas africanos, em suas mais diversas dimensões.
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