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Angola, Política

José Eduardo dos Santos diz que “falta de disciplina” trava desenvolvimento de Angola

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Luanda, 18 ago (Lusa) – O líder do MPLA, José Eduardo dos Santos, que se recandidata ao cargo no congresso do partido no poder em Angola, afirmou hoje que a “falta” de “rigor e disciplina” tem travado o desenvolvimento do país.
O dirigente do Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA) e chefe de Estado angolano discursava na apresentação da sua moção de estratégia ao VII congresso ordinário do partido, que decorre em Luanda, enquanto candidato único à liderança do MPLA no próximo mandato de cinco anos, tendo traçado o que chamou os “10 desígnios nacionais” abordados no documento.
“Um dos nossos grandes problemas é o de que temos boas ideias, bons projetos, bons programas, mas quando entramos para a fase de implementação dos mesmos os resultados ficam muitas vezes longe do que se esperava”, observou.
“É preciso percebermos porquê. Isto acontece porque falta muitas vezes rigor e disciplina nas nossas atitudes e comportamentos. Se nós aumentarmos o rigor, a disciplina e a nossa eficácia poderemos fazer muito mais e em menos tempo”, disse José Eduardo dos Santos, sempre fortemente ovacionado pelos mais de 2.500 delegados ao congresso.
De acordo com os “10 desígnios” da moção apresentada por José Eduardo dos Santos – que ao segundo dia do congresso ainda não retomou o seu anúncio de março último, de que pretendia deixar a vida política em 2008 -, o candidato e Presidente angolano desde 1979 pretende “consolidar a Paz, reforçar a democracia e preservar a unidade e a coesão nacional” e “promover o desenvolvimento de uma sociedade civil participativa e responsável, e assegurar a inclusão política de todos os cidadãos, sem discriminação”.
A moção, que foi aprovada durante a manhã na generalidade, propõe-se “edificar um Estado democrático e de direito, forte, moderno, coordenador e regulador da vida económica e social” e “promover o desenvolvimento sustentável, assegurando a inclusão económica e social, a estabilidade macroeconómica e a diversificação da economia nacional, reduzindo as desigualdades”.
“Estimular a transformação da economia, o desenvolvimento do setor privado e a competitividade, (…) promover o desenvolvimento humano e a qualidade de vida dos angolanos com a erradicação da fome e da pobreza” e “incentivar a criação de emprego remunerador e produtivo, elevando a qualificação e a produtividade” são outros pontos focados.
Por último, e nas próprias palavras de José Eduardo dos Santos, a moção coloca o objetivo de “garantir o desenvolvimento harmonioso do território, promovendo a descentralização e a municipalização”, de “garantir o fortalecimento e modernização do sistema de Defesa e segurança nacional” e de “promover o reforço do papel de Angola no contexto internacional e regional”.
“Temos de trabalhar de modo intenso e com criatividade para a satisfação destes desígnios, porque os mesmos representam as aspirações mais profundas do povo angolano. Devemos trabalhar para continuarmos a merecer a confiança do nosso povo”, exortou José Eduardo dos Santos, a propósito das eleições gerais previstas para 2017.
“A nossa atitude como dirigentes, quadros e militantes do MPLA tem de ser sempre no sentido de servir o povo”, rematou, numa mensagem aos congressistas.
O congresso decorre nos arredores de Luanda até sábado e além das questões políticas tem focado igualmente a profunda crise financeira e económica que o país vive, fruto da quebra nas receitas petrolíferas, e a necessidade de diversificação da economia nacional.
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Este observatório é uma iniciativa do Grupo de Estudos Africanos vinculado ao Instituto de Relações Internacionais da Universidade de Brasília (GEA/IREL-UnB), que busca refletir sobre a vida política, social e econômica da África contemporânea, com destaque para sua inserção internacional. Preocupando-se com o continente marcado pela diversidade, o Grupo de Estudos Africanos, por meio do Observatório, propõe um olhar crítico e compreensivo sobre temas africanos, em suas mais diversas dimensões.
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