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Angola, PALOP

Angola retoma posição de terceiro fornecedor petrolífero da China


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Angola retomou a sua posição de terceiro fornecedor da China e estabilizou a sua produção petrolífera, indica o relatório da Opep divulgado ontem. A organização continua a produzir mais e reviu em alta a procura de petróleo

A produção petrolífera angolana estabilizou em Julho no patamar de 1,78 milhões de barris por dia, denotando apenas um ligeiro recuo em relação ao mês anterior traduzido em 3,8 mil barris diários. E recuperou, em Junho, o lugar que havia perdido em Maio para o Iraque, apesar deste país continuar a bombar cada vez mais petróleo bruto, sendo o que sobe mais, em Julho a sua produção no quadro da OPEP (mais 74,8 mil barris em relação ao mês anterior), ainda assim abaixo da produção obtida em Maio, quando destronou Angola do estatuto de terceiro fornecedor da economia chinesa.

De acordo com o último relatório mensal da OPEP, Organização dos Países Exportadores de Petróleo, a Nigéria foi o país que mais viu recuar a respectiva produção (como efeito da persistência de acções de sabotagem de oleodutos no Delta do Níger por parte de grupos rebeldes) o que cimenta a posição de Angola enquanto maior produtor africano. Segundo os dados compilados pela OPEP (que são, como habitualmente baseados nas chamadas ‘fontes secundárias’), a Nigéria produziu, em Julho, menos 1.780,5 barris de petróleo bruto que Angola. Na totalidade dos seus membros, que são agora 14, incluindo outro país africano, o Gabão (com uma produção de 320 mil barris por dia no último mês), a organização que agrega países produtores aumentou ligeiramente a sua produção em 46,4 mil barris.

A Arábia Saudita, um dos maiores produtores da OPEP e do mundo, e que vem conduzindo uma estratégia de privilegiar a quota de mercado a preços mais elevados do barril, continua a aumentar a sua oferta de crude, atingindo a sua produção, como refere a organização no seu relatório, um recorde histórico em Julho. A seguir ao Iraque e à Arábia Saudita, os Emirados Árabes são o segundo membro da OPEP a mais aumentar a respectiva produção.

Arábia Saudita e Emirados Árabes acrescentaram mais de 50 mil barris à produção da OPEP no mês anterior. Refira-se que a Arábia Saudita informara a organização que a sua produção de petróleo de Julho atingira o recorde de 10,673 milhões de barris, justificando o acréscimo com a sazonalidade da procura doméstica. Segundo o reino, o recorde anterior era de 10,56 milhões de barris por dia, registado em Junho de 2015. Já a Líbia, apesar do anunciado acordo entre as facções beligerantes que protagonizam a guerra civil no país, continua a baixar a sua produção, que já vai em 304 mil barris por dia. E Julho perdeu mais quase 21 mil barris diários. A Venezuela continua a enfrentar uma situação muito difícil, associando à quebra no preço do barril um contínuo recuo na produção, que é agora pouco superior a dois milhões de barris. O país perdeu perto de 20 mil barris por dia em Julho. No que respeita ao mercado, o do principal destino das exportações nacionais de petróleo bruto, a China, diminuiu, em Junho,

pelo segundo mês consecutivo as suas importações da matéria- prima. As importações chinesas de crude, que se situaram, e média, em 7,5 milhões de barris por dia, retraíram-se 2% em relação ao mês anterior, mas excederam em 4% as efectuadas no mesmo mês do ano precedente. A Arábia Saudita, Rússia e Angola foram, no mês de Junho, os três principais fornecedores de crude à economia chinesa, com uma quota de 18%, 13% e 19 %, respectivamente. As exportações de petróleo angolano para a China aumentaram, em Junho, 24 %.

OPEP revê procura em alta

A organização que representa 14 dos maiores países produtores de petróleo reviu em alta as suas expectativas para a evolução da procura pela matéria-prima durante este ano. Não obstante não descortinar alterações de vulto no crescimento internacional, mantendo inalterada a sua previsão para a taxa de crescimento da economia global, com os Estados Unidos a apresentarem um crescimento inferior ao previsto no primeiro semestre, a China e a Índia manterem o ritmo de crescimento previsto e o Brasil e a Rússia enfrentarem recessões até 1917, a OPEP reviu em alta a procura de petróleo para esta ano. Segundo a nova estimativa a procura mundial por petróleo deverá atingir uma média de 1,22 milhões de barris por dia este ano, mais 30 mil barris que na previsão do último mês, uma revisão justificada pela organização com o facto da actividade económica nos Estados Unidos e no Reino Unido ter ficado, no segundo trimestre ano acima do esperado. Para 2017 a organização mantém a perspectiva de que a procura cresça 1,15 milhões de barris diários.

A OPEP também não altera as suas estimativas para a procura do petróleo produzido pelos países da organização, continuando a prever que se venha a situar em 31,9 milhões de barris por dia este ano, 1,9 milhões acima de 2015. Para o próximo ano a organização estima que a procura de petróleo produzido pelos países que a integram atinja 33 milhões de barris por dia (mais 1,2 milhões de barris que em 2016). Por outro lado, também a oferta de petróleo por parte de produtores que não pertencem à organização sofreu uma revisão mas, desta feita, em baixa. Os ‘stocks’ de petróleo, que se vêm mantendo elevados, pressionando o preço do petróleo no sentido da baixa, estão a diminuir. A OPEP assinala que os ‘stocks’ comerciais da OCDE (a organização que agrupa os países mais desenvolvidos) caira em Junho para o patamar de 31,9 milhões de barris por dia, ainda 311 mil barris acima da média dos últimos cinco anos.

http://tpa.sapo.ao/noticias/economia/angola-retoma-posicao-de-terceiro-fornecedor-petrolifero-da-china

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O Observatório

Este observatório é uma iniciativa do Grupo de Estudos Africanos vinculado ao Instituto de Relações Internacionais da Universidade de Brasília (GEA/IREL-UnB), que busca refletir sobre a vida política, social e econômica da África contemporânea, com destaque para sua inserção internacional. Preocupando-se com o continente marcado pela diversidade, o Grupo de Estudos Africanos, por meio do Observatório, propõe um olhar crítico e compreensivo sobre temas africanos, em suas mais diversas dimensões.
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