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PALOP, Política

Homens da Renamo voltam a atacar no norte de Moçambique

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Homens armados da Renamo invadiram a localidade de Maiaca, norte de Moçambique, e assaltaram o centro de saúde, as instalações da polícia e a casa do administrador.
Homens armados da Renamo invadiram este domingo a localidade de Maiaca, na província de Niassa, norte de Moçambique, e assaltaram o centro de saúde, as instalações da polícia e a casa do administrador, informaram fontes locais citadas pela Rádio Moçambique.
O ataque, realizado de madrugada por um grupo de 12 homens da Resistência Nacional Moçambicana (Renamo), nove dos quais armados, é o segundo numa semana a uma localidade no distrito de Maúa, e acontece 24 horas depois de uma investida atribuída a elementos do maior partido de oposição na vila sede de Mopeia, província da Zambézia.
Na sequência do incidente deste domingo, o diretor de Ordem no comando provincial da Polícia da República de Moçambique (PRM) em Niassa, João Mucuela, avançou que foram mobilizados mais agentes para reforçar a segurança na região.
Atacantes levaram medicamentos e queimaram bens materiais
Os atacantes, segundo testemunhos locais recolhidos pela Rádio Moçambique, levaram medicamentos do centro de saúde, peças de fardamento das instalações da PRM, onde queimaram processos e outros bens, e eletrodomésticos da residência do administrador local, que ficou parcialmente destruída.
A instabilidade militar entre o braço armado da Renamo e as Forças de Defesa e Segurança, que se agravou nos últimos meses, tem tido como palco as quatro províncias do centro do país, mas são raros os relatos de violência política no norte.
A Renamo não reconhece os resultados das eleições gerais de 2014 e exige governar nas províncias de Sofala, Tete, Manica e Zambézia, centro de Moçambique, e também em Niassa e Nampula, no norte.
Há uma semana, a Rádio Moçambique noticiou que homens armados da oposição assaltaram o centro de saúde em Muapula, no mesmo distrito do ataque de deste domingo, de onde levaram medicamentos e material médico-cirúrgico.
Na madrugada de sábado, um grupo de 20 homens armados da oposição invadiu a vila sede do distrito de Mopeia, província da Zambézia, no centro de Moçambique, e ocupou o comando da polícia durante uma hora, avançou o administrador local.
Segundo Vidal Bila, administrador distrital de Mopeia, citado pela emissora pública, a normalidade voltou após a partida dos homens da Renamo, depois de um tiroteio de 45 minutos com efetivos da polícia e a fuga em pânico da população.
Os atacantes, descreveu o administrador de Mopeia, queimaram uma viatura da polícia e outra dos serviços de educação, saquearam a unidade de saúde do distrito, tendo levado medicamentos, lençóis e redes mosquiteiras.
A região centro de Moçambique tem sido a mais atingida por episódios de confrontos entre o braço armado da Renamo e as Forças de Defesa e Segurança, além de denúncias mútuas de raptos e assassínios de dirigentes políticos das duas partes.
A Frente de Libertação de Moçambique (Frelimo, no poder) revelou no sábado que, nos últimos seis meses, 108 membros da sua formação foram assassinados só em Sofala, segundo dados do partido no poder nesta província do centro do país.
As autoridades atribuem também à Renamo ataques a unidades de saúde nas últimas semanas e emboscadas nas principais estradas do centro do país, onde foram montadas escoltas militares obrigatórias em três troços de duas vias.
Apesar da frequência de casos de violência política, as duas partes voltaram ao diálogo em Maputo, mas o processo negocial foi suspenso até ao regresso dos mediadores internacionais, previsto para 8 de agosto.
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O Observatório

Este observatório é uma iniciativa do Grupo de Estudos Africanos vinculado ao Instituto de Relações Internacionais da Universidade de Brasília (GEA/IREL-UnB), que busca refletir sobre a vida política, social e econômica da África contemporânea, com destaque para sua inserção internacional. Preocupando-se com o continente marcado pela diversidade, o Grupo de Estudos Africanos, por meio do Observatório, propõe um olhar crítico e compreensivo sobre temas africanos, em suas mais diversas dimensões.
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