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África Austral

África Austral deve declarar “emergência” devido à seca

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Eleazar Van-Dúnem |
Ian Khama, Presidente do Botswana e líder em exercício da Comunidade para o Desenvolvimento da África Austral (SADC), anunciou esta semana que a organização precisa de 2,7 mil milhões de dólares para ajudar 23 milhões de pessoas que enfrentam os efeitos da seca resultante do fenómeno “El Ninõ”,
razão pela qual vai declarar “emergência regional” e lançar um apelo internacional.
A medida, que a ser tomada apenas peca por tardia, vai acontecer depois de o Lesoto, Malawi, Namíbia, Suazilândia e Zimbabwe declararem emergência nacional provocada pela seca, de a África do Sul declarar emergência em oito das suas nove províncias e de Moçambique, todos países pertencentes à Comunidade para o Desenvolvimento da África Austral, emitirem um alerta vermelho institucional de noventa dias em algumas regiões do centro e norte.
Se for decretado, o estado de emergência regional também é declarado quase um mês depois de o secretariado executivo da Comunidade para o Desenvolvimento da África Austral anunciar em comunicado que 41,4 milhões de pessoas da região vivem com insegurança alimentar, 21 milhões dos quais precisam de ajuda urgente, e quase 2,7 milhões de crianças sofriam na altura de desnutrição aguda grave, número que, previa o comunicado, podia “aumentar substancialmente”. Os Resultados da Avaliação de Vulnerabilidade apresentados em Junho em Pretória, África do Sul, na 10.ª Reunião de Avaliação de Vulnerabilidade Regional da Comunidade para o Desenvolvimento da África Austral, indicam que a África Austral vive a pior seca dos últimos 35 anos e que a África do Sul, Botswana, o Reino da Suazilândia e o Zimbabwe perderam quase meio milhão de cabeças de gado por causa da seca provocada pelo “El ninõ”.
O Programa Mundial Alimentar (PAM) advertiu no primeiro trimestre deste ano que 14 milhões de pessoas corriam risco de passar fome na região da África Austral devido às más colheitas provocadas pela seca causada pelo fenómeno climático “El Niño”, tendo destacado os casos da Zâmbia, Malawi, Madagáscar e Zimbabwe como “especialmente preocupantes”.
Na altura, o Programa Mundial Alimentar referiu em comunicado que os principais afectados eram os proprietários de pequenas culturas, que representam a maior parte da produção agrícola na região, que cerca de três milhões de pessoas enfrentavam a possibilidade de passar fome no Malawi, quase dois milhões no Madagáscar e 1,5 milhões no Zimbabwe podiam ficar sem comida suficiente pela falta de chuva.
Segundo o documento, a produção agrícola nestes países diminuiu em 2015 para metade, em relação ao volume colhido um ano antes.
Devido ao “El Niño”, o fenômeno meteorológico de maior impacto das últimas três décadas e com efeitos sobre o clima em todo o Mundo, o maior produtor agrícola da África meridional, a África do Sul, viveu no ano passado a pior seca em mais de meio século, e o Madagáscar, o Malawi, Moçambique e a Zâmbia estão entre os países com os números mais elevados de desnutrição crônica.
Para combater a severa seca, a Comunidade para o Desenvolvimento da África Austral tem um Plano de Acção Estratégico destinado a reduzir a escassez de água na região e desenvolver nos próximos cinco anos a construção de novas infra-estruturas que permitam o acesso fácil à água.
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O Observatório

Este observatório é uma iniciativa do Grupo de Estudos Africanos vinculado ao Instituto de Relações Internacionais da Universidade de Brasília (GEA/IREL-UnB), que busca refletir sobre a vida política, social e econômica da África contemporânea, com destaque para sua inserção internacional. Preocupando-se com o continente marcado pela diversidade, o Grupo de Estudos Africanos, por meio do Observatório, propõe um olhar crítico e compreensivo sobre temas africanos, em suas mais diversas dimensões.
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