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Angola, Crise humanitária

Luaty Beirão transferido para enfermaria de cadeia para ser tratado em Angola

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O ‘rapper’ luso-angolano Luaty Beirão, condenado por actos preparatórios para uma rebelião, foi transferido na noite de sexta-feira para as enfermarias de um hospital-prisão de Luanda e já começou a ser tratado a uma infecção por malária.
A informação foi prestada hoje à Lusa por Menezes Kassoma, porta-voz dos Serviços Penitenciários de Angola, dando conta que o activista – que protesta contra a transferência para o Hospital-Prisão de São Paulo – aceitou fazer a medicação antimalárica fornecida pela família.
Além disso, acrescentou, aceitou igualmente receber soro, assegurado pelos Serviços Penitenciários.
“Está a ser tratado, medicado e está estável. Foi transferido para as enfermarias às 20:30 de sexta-feira”, disse Menezes Kassoma.
A mesma informação foi confirmada à Lusa pela esposa do activista, Mónica Almeida, acrescentando que durante o dia de sexta-feira o estado de saúde de Luaty Beirão chegou a ser “crítico”, com “febres altas” e recusando, em protesto, receber a medicação contra a malária fornecida pelos Serviços Penitenciários, infecção que lhe foi diagnosticada durante a semana.
A malária é a principal causa de morte em Angola e desde o início do ano estima-se que mais de 400.000 pessoas tenham sido afetadas pela doença só na província de Luanda.
Até sexta-feira, já com a infecção diagnosticada, Luaty Beirão mantinha-se seminu a dormir no chão da cela daquele hospital-prisão no centro de Luanda, exigindo regressar a uma caserna “exclusiva para presos políticos” em Viana, arredores de Luanda, como diz em que estava até 04 de Maio.
A posição do activista, um dos 17 condenados pelo tribunal de Luanda até oito anos e meio de prisão por actos preparatórios para uma rebelião e associação de malfeitores, surge expressa numa carta manuscrita pelo próprio e dirigida à mulher, Mónica Almeida, que a Lusa noticiou a 10 de Maio.
“Vamos ver o que as chefias decidem, mas por mim não aceito menos do que já tinha: caserna exclusiva para presos políticos (…) nada de espiões, no bloco D da comarca de Viana”, escreveu Luaty Beirão, justificando o protesto que iniciou a 05 de Maio.
“Depois de ter este mínimo que já tinha sido conquistado e arrancado a ferros, passaremos a negociar as melhorias que acharmos nos serem devidas”, lê-se ainda na carta.
Os activistas – 15 homens, duas mulheres na cadeia feminina – estavam concentrados na sobrelotada cadeia de Viana e terão começado a relatar para o exterior alegadas violações dos direitos humanos naquele estabelecimento.
A 05 de Maio foi concluída a transferência de 12 dos homens para o Hospital-Prisão de São Paulo por parte dos Serviços Penitenciários, que justificaram esta mudança com as recorrentes queixas das activistas sobre as condições em que se encontravam.
No entanto, segundo o relato feito então pelo próprio, Luaty Beirão foi transportado em ‘boxers’, como se encontrava na cela.
Em protesto, já na nova cadeia, não aceitou vestir-se, o que o impedia de sair do interior, seminu, como se encontrava, para se alimentar ou tomar banho.
A comida tem sido fornecida pelos familiares, à porta da cela, mas, seminu, Luaty Beirão mantém o protesto e exige regressar à cadeia de Viana sem qualquer outro tratamento de exceção. Isto, aludindo às condições substancialmente melhores oferecidas no hospital-prisão, onde esteve parcialmente nos 36 dias de greve de fome que promoveu em protesto entre outubro e Novembro, ainda antes do julgamento.
“Mais uma vez a atrapalhação destes camaradas lá de cima me obriga a um pequeno protesto na senda da desobediência/não-cooperação/insubmissão ao grotesco, ao primário, ao arbitrário”, escreve Luaty Beirão na mensagem divulgada então pela Lusa.
Luaty Beirão, um dos rostos mais visíveis na contestação ao regime do presidente angolano, José Eduardo dos Santos, foi condenado a 28 de Março a uma pena total de cinco anos e meio de cadeia, que começou a cumprir no mesmo dia, por decisão do tribunal, apesar dos recursos da defesa.
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Este observatório é uma iniciativa do Grupo de Estudos Africanos vinculado ao Instituto de Relações Internacionais da Universidade de Brasília (GEA/IREL-UnB), que busca refletir sobre a vida política, social e econômica da África contemporânea, com destaque para sua inserção internacional. Preocupando-se com o continente marcado pela diversidade, o Grupo de Estudos Africanos, por meio do Observatório, propõe um olhar crítico e compreensivo sobre temas africanos, em suas mais diversas dimensões.
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