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Brasil – África, Política

Ministro das Relações Exteriores do Brasil, José Serra, diz que África moderna não pede compaixão

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Em um discurso  de posse, o ministro das Relações Exteriores, José Serra, expôs dez diretrizes que pretende implementar na política externa e revelou uma significativa mudança de tom que procura restabelecer o papel o Itamaraty no centro do poder.Disse ainda que a nova política externa não romperá com a tradição do Itamaraty.
Em outro sinal importante, antecipou-se a eventuais críticas às mudanças de prioridade da política externa e advogou pelo aumento das relações com países africanos, mas avisou
que pretende  atualizar o intercâmbio com a Africa denominado o grande vizinho do outro lado do Atlântico.

” Será prioritária a relação com parceiros novos na Ásia, em particular a China, este grande fenômeno econômico do século XXI, e a Índia. Estaremos empenhados igualmente em atualizar o intercâmbio com a África, o grande vizinho do outro lado do Atlântico. Não pode esta relação restringir-se a laços fraternos do passado e às correspondências culturais, mas, sobretudo, forjar parcerias concretas no presente e para o futuro. Ao contrário do que se procurou difundir entre nós, a África moderna não pede compaixão, mas espera um efetivo intercâmbio econômico, tecnológico e de investimentos. Nesse sentido, a solidariedade estreita e pragmática para com os países do Sul do planeta terra continuará a ser uma diretriz essencial da diplomacia brasileira. Essa é a estratégia Sul-Sul correta, não a que chegou a ser praticada com finalidades publicitárias, escassos benefícios econômicos e grandes investimentos diplomáticos. É importante ter a noção clara de que os diferentes eixos de relacionamento do Brasil com o mundo não são contraditórios nem excludentes, sobretudo dado o tamanho da nossa nação. Um país do tamanho do Brasil não escolhe ou repele parcerias, busca-as todas com intensidade, inspirado no seu interesse nacional. Vamos também aproveitar as oportunidades oferecidas pelos foros inter-regionais com outros países em desenvolvimento, como por exemplo os BRICS, para acelerar intercâmbios comerciais, investimentos e compartilhamento de experiências. E, com sentido de pragmatismo, daremos atenção aos mecanismos de articulação com a África e com os países árabes.”

O ministro registra uma crítica ao antigo discurso em relação a África  que sempre consta  nos comunicados do Itamaraty, uma valorização aos aspectos culturais, mas de  pouca efetividade, um esforço diplomático que não encontra correspondência nos resultados.

Uma renovação no discurso combinado com um desejo de pragmatismo,  esperando que a diplomacia brasileira se atualize e inove,  ouse e promova uma grande reforma modernizadora nos objetivos, métodos e técnicas de trabalho. Um discurso que agrada a setores do Itamaraty e uma volta ao núcleo central do governo.

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O Observatório

Este observatório é uma iniciativa do Grupo de Estudos Africanos vinculado ao Instituto de Relações Internacionais da Universidade de Brasília (GEA/IREL-UnB), que busca refletir sobre a vida política, social e econômica da África contemporânea, com destaque para sua inserção internacional. Preocupando-se com o continente marcado pela diversidade, o Grupo de Estudos Africanos, por meio do Observatório, propõe um olhar crítico e compreensivo sobre temas africanos, em suas mais diversas dimensões.
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