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PALOP, Política

Maputo e Pequim reforçam a cooperação

Fotografia: AFP |

O Presidente de Moçambique, Filipe Nyusi, está desde ontem na China onde efetua a sua primeira visita oficial ao gigante asiático com vista ao reforço das relações, numa altura em que o seu país enfrenta um período político e econômico difícil.

 

A visita, que decorre até 21 de Maio, tem “um cunho essencialmente económico” e espera-se que a China “reforce os apoios financeiros concedidos” ao país, refere uma nota emitida pela Frelimo, partido que governa em Moçambique.
Durante a visita, Nyusi vai reunir-se, em Pequim, com o Presidente chinês, Xi Jinping, e “outros responsáveis chineses”.
Este é o segundo encontro entre os dois estadistas no espaço de seis meses. Filipe Nyusi encontrou-se com Xi Jinping em Dezembro de 2015, na África do Sul, durante o Fórum para a Cooperação China-África.
A delegação moçambicana tem ainda previstas deslocações às províncias de Shandong e Jiangsu, ambas na costa leste do país.
A China, que apoiou os guerrilheiros da Frelimo na luta contra a administração colonial portuguesa, foi um dos primeiros países a estabelecer relações diplomáticas com Moçambique, logo no próprio dia da independência, 25 de Junho de 1975. Nos últimos anos, as relações bilaterais registaram um novo ímpeto, sobretudo a nível comercial e financeiro. Desde 2012, o país asiático aumentou em 160 por cento o financiamento a Moçambique, tornando-se no ano passado o maior credor bilateral do país, segundo dados citados pela imprensa moçambicana.
Em meados de 2015, foi anunciado um novo empréstimo de 400 milhões de dólares, destinado à construção de uma linha de transmissão eléctrica entre as províncias da Zambézia e Nampula.
Apesar de, em 2015, o comércio bilateral ter recuado 33,95 por cento, em termos homólogos, para 2.393 milhões de dólares, no ano anterior mais do que duplicou, indicam estatísticas da Administração-geral das Alfândegas chinesas. No ano passado, o jornal oficial “China Daily” descreveu Moçambique como “um diamante à espera de ser polido com a ajuda do seu principal parceiro asiático, a China”, referindo-se ao país como “uma porta dourada para o sul do continente africano”, com “ilimitados recursos naturais”, “uma invejável localização” e “novas indústrias”.
A última visita oficial de um Chefe de Estado moçambicano a Pequim ocorreu exactamente há três anos, na pessoa de Armando Guebuza. Xi Jinping, 62 anos, tinha ascendido ao poder poucos meses antes. Moçambique foi abalado pela descoberta recente de empréstimos de 1,4 mil milhões de dólares que não foram contabilizados nas contas públicas ou reportados ao Fundo Monetário Internacional (FMI), num caso que descredibilizou o país perante os mercados financeiros e doadores internacionais.
A descida do preço das matérias-primas levou a uma depreciação de 35 por cento da moeda local, enquanto as reservas em moeda estrangeira caíram 25 por cento no ano passado.
A situação política e militar mantém-se tensa devido à insistente recusa do maior partido da oposição em Moçambique, a Renamo, em abandonar as armas e aceitar o diálogo político com o Governo da Frelimo para resolver as suas preocupações.
A crise sofreu um grave recuo desde a divulgação dos resultados das últimas eleições gerais, em que a Renamo reclama o poder nas províncias onde conseguiu superar a Frelimo. A tensão tende a agravar-se sobretudo nas províncias do centro (Sofala, Manica, Tete e Zambézia e também no norte de Inhambane), onde têm vindo a ser noticiados incidentes. O líder da Renamo, Afonso Dhlakama, que continua em parte incerta, tem rejeitado as propostas de encontro feitas pelo Chefe de Estado, Filipe Nyusi, para superar a crise.

http://jornaldeangola.sapo.ao/mundo/maputo_e_pequim_reforcam_a_cooperacao

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Este observatório é uma iniciativa do Grupo de Estudos Africanos vinculado ao Instituto de Relações Internacionais da Universidade de Brasília (GEA/IREL-UnB), que busca refletir sobre a vida política, social e econômica da África contemporânea, com destaque para sua inserção internacional. Preocupando-se com o continente marcado pela diversidade, o Grupo de Estudos Africanos, por meio do Observatório, propõe um olhar crítico e compreensivo sobre temas africanos, em suas mais diversas dimensões.
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