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Angola, PALOP, Política

Finlandeses garantem dinheiro para investir mas faltam projetos em Angola

por Yara Simão |

Fotografia: Santos Pedro

Empresários finlandeses manifestam o interesse de apoiar homólogos angolanos com um fundo inicial de cerca de 100 milhões de euros para projetos ligados à diversificação econômica.

 

A informação foi dada ontem pelo presidente do conselho de administração da Agência para a Promoção de Investimentos e Exportação de Angola (APIEX).
António Henrique da Silva, que falava em Luanda no “Fórum de Investimento Directo: Um Novo Paradigma para a Diversificação da Economia Angolana”, lamentou no entanto o facto de não existirem ainda projetos caracterizados pelo empresariado nacional. Com efeito, disse ser urgente que estes projetos sejam estruturados da melhor maneira, de forma a que consigam corresponder às expectativas.
O PCA da APIEX defende que se deixe de falar simplesmente das potencialidades de Angola, mas sim que se apresentem projetos concretos e viáveis. A título de exemplo, falou dos projetos ligados à agricultura, energia e águas, indústrias e agro-negócios na província da Lunda Sul, que pela forma como estão estruturados vão merecer atenção dos investidores dinamarqueses que pretendem vir a Angola no mês de Setembro, a fim de participarem numa mesa redonda.
“Acho importante, cada vez mais, mostrar proatividade na forma estruturada como abordamos as questões porque o Governo não pode fazer tudo”, lembrou António da Silva, que fez votos que o empresariado manifeste mais a sua capacidade interventiva e estruture os seus projetos. Sugeriu que as associações empresariais tenham uma base de dados que classifique os seus associados por sector de atividade, dimensão da empresa em termos de negócios, por trabalhadores e anos de existência.
O Fórum foi aberto pelo ministro do Comércio, Fiel Constantino, que considerou pertinente o evento, num momento particular da economia, que não obstante as dificuldades pode ser encarado como sendo de muitas oportunidades. “As potencialidades do nosso país são conhecidas e os passos que temos estado a dar são firmes e fazem parte da estratégia cuja fundamentação e objectivos delineados apresentam o caminho certo para a almejada diversificação da economia”, disse.

Diversificação económica

A diversificação económica é um desafio de grande dimensão que exige compromisso político, medidas constantes e recursos financeiros, considerou o administrador do Instituto de Pequenas e Médias Empresas (INAPEM). Samora Kitumba, que dissertava sobre o tema “O investimento directo estrangeiro no âmbito da diversificação da economia angolana”, afirmou que o país tem objectivos de diversificação inscritos no Plano Nacional de Desenvolvimento, como instrumento essencial de crescimento sustentável até 2017, através de objectivos de médio prazo.
O Samora Kitumba disse existir uma acção integrada de ministérios e serviços públicos para guiar e intensificar a qualidade do desenvolvimento em grandes áreas, com maior destaque para a promoção do crescimento económico, emprego e diversificação. “O actual momento deve ser de reflexão sobre a execução de estratégias de diversificação e de eventuais correcções comportamentais”, defendeu.
O preletor disse que o Programa de Diversificação Econômica em Angola desenvolve-se através de princípios básicos, mas reconheceu ser necessário que se estabeleça uma estratégia de promoção de investimentos. Na sua explanação, Samora Kitumba esclareceu que o Governo identificou um conjunto de projetos prioritários e estruturantes, com viabilidade e atratividade econômica e social, assentes numa estratégia de criação de clusters e cadeias produtivas, com investimentos previstos de 52 bilhões de dólares nos próximos cinco anos, em vários sectores.
Os objetivos ambicionados no Plano Nacional de Desenvolvimento, no âmbito da diversificação econômica, foram limitados por um conjunto de constrangimentos, nomeadamente a escassez de recursos financeiros para apoiar a diversificação. Essa escassez, disse, leva a que seja necessário recorrer aos mercados, o que encarece o processo. A reduzida dotação de recursos humanos em quantidade e diversidade requeridas, bem como o financiamento interno, que suporta apenas 65 por cento do investimento doméstico, abaixo da média de países em desenvolvimento, é, segundo Samora Kitumba, outra razão para essa limitação.

 

http://jornaldeangola.sapo.ao/politica/existe_dinheiro_para_investir_mas_faltam_projectos

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O Observatório

Este observatório é uma iniciativa do Grupo de Estudos Africanos vinculado ao Instituto de Relações Internacionais da Universidade de Brasília (GEA/IREL-UnB), que busca refletir sobre a vida política, social e econômica da África contemporânea, com destaque para sua inserção internacional. Preocupando-se com o continente marcado pela diversidade, o Grupo de Estudos Africanos, por meio do Observatório, propõe um olhar crítico e compreensivo sobre temas africanos, em suas mais diversas dimensões.
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