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PALOP, Política

Construtoras portuguesas dizem que Moçambique continua a ser mercado promissor

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Construtoras portuguesas defenderam que, apesar da crise que o país enfrenta, continua a ser um mercado promissor. Incentivo ao investimento estrangeiro como um dos caminhos para o atual mau momento.
Construtoras portuguesas em Moçambique defenderam à Lusa que, apesar da crise que o país enfrenta, continua a ser um mercado promissor, apontando o incentivo ao investimento estrangeiro como um dos caminhos para o atual mau momento.
“Moçambique tem enfrentado um momento complicado, mas acredito que é um período curto e, tal como outros países que já estiveram numa situação similar, vai sair desta situação”, disse à Lusa o diretor-financeiro da Mota-Engil em Maputo, Paulo Pereira, uma das empresas representadas da Expoconstrução Tektonica, que hoje encerra a sua quinta edição na capital moçambicana.
Apontando, a título de exemplo, a situação de Portugal, que “sai de uma crise muito mais contundente”, Paulo Pereira disse que, com mais investimento estrangeiro, os desafios económicos em Moçambique poderão ser superados e o país continua a afirmar-se como um mercado promissor a nível regional.
“Moçambique, com as empresas portuguesas e investidores internacionais, vai ultrapassar a crise. Não tenho dúvidas”, sustentou Paulo Pereira, acrescentando que se trata de uma crise que está a ser sentida em “vários outros lugares do mundo”.
Por sua vez, João Lopes, diretor-geral da Mercury, do grupo Visabeira, disse à Lusa que a crise em Moçambique começa a afetar as empresas do setor da construção, principalmente as que importam matéria-prima, devido à depreciação do metical, manifestando, no entanto, o seu otimismo para os próximos tempos.
“Os preços tendem a subir no mercado interno e isto leva as empresas a optarem por algumas restrições de consumo”, lamentou João Lopes, observando que, caso a situação prevaleça, é possível que os projetos no setor da construção comecem a abrandar.
“A situação é complexa mas o mercado da construção de Moçambique é promissor”, frisou João Lopes.
O gestor de produtos da Geonext, Miguel Gomes, afirmou, por seu turno, à Lusa que a situação em Moçambique está a ficar um “bocado complicada”, observando que dos oito anos que a sua empresa atua no país esta pode ser considerada a pior fase de todas.
“Temos registado casos em que os pagamentos têm alguns problemas para chegar a Portugal, possivelmente devido à falta de divisas e tudo isto tem complicado os negócios futuros”, afirmou Miguel Gomes, acrescentando que, infelizmente não basta apenas um “enorme potencial” de mercado, é necessário que sejam criadas condições favoráveis para os negócios.
“As informações que têm saído não são das melhores e tudo isto cria uma certa retração do mercado”, lamentou Miguel Gomes, sustentando que, entretanto, o futuro de Moçambique ainda é promissor, tendo em conta que “o país é fantástico e de boa gente”.
A economia moçambicana está a ser abalada desse o final do ano passado por uma forte desvalorização do metical face ao dólar, aumento da inflação e ainda os efeitos de desastres naturais e uma crise político-militar sem fim à vista.
O investimento caiu mais de 70% em 2015 face ao ano anterior e os principais doadores de Moçambique anunciaram a suspensão dos seus financiamentos após a revelação de avultadas dívidas garantidas pelo Estado à revelia das contas públicas.
Apesar de todas as ameaças à economia, e à forte derrapagem da dívida pública, o Governo moçambicano afirma que aposta no aumento da produtividade e competitividade para criar resistência ao choque externo que enfrenta.
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Este observatório é uma iniciativa do Grupo de Estudos Africanos vinculado ao Instituto de Relações Internacionais da Universidade de Brasília (GEA/IREL-UnB), que busca refletir sobre a vida política, social e econômica da África contemporânea, com destaque para sua inserção internacional. Preocupando-se com o continente marcado pela diversidade, o Grupo de Estudos Africanos, por meio do Observatório, propõe um olhar crítico e compreensivo sobre temas africanos, em suas mais diversas dimensões.
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