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PALOP, Política

OTM diz que os trabalhadores moçambicanos não querem pagar as dívidas da EMATUM, Proindicus e MAM mas impede desfile de quem a critica

 

Os trabalhadores moçambicanos, em mais um 1o de Maio sem nada para comemorar, desperdiçaram uma oportunidade soberana de dizerem ao Governo de Filipe Nyusi que não querem pagar com o seu suor a dívida soberana. Os únicos que tentaram dizer “dormi pobre e sem dívida, acordei pobre e altamente endividado” foram forçado a sair do desfile pela Polícia que não se coibiu de mostrar-se fortemente armada.

“Nós somos continuadores da revolução moçambicana, o nosso pai é papa Nyusi…”, entoava um grupo de crianças, que não sabe que o papa original se chamava Samora, enquanto julgavam que iam encabeçar o desfile central do 1º de Maio na capital moçambicana. Mas a polícia, que se fez presente bem cedo e com todo o aparato de repressão, assumiu a dianteira através da sua banda.

Por entre muitos “vivas” à data e quase nenhuma crítica aos patrões os funcionários públicos da saúde destacaram-se com a tentativa de mostrar que o tratamento que prestam está cada vez mais humanizado. Longe vão os tempos da greve por melhores salários e condições condignas. São provavelmente o exemplo mais recente do que significa desafiar o Governo dando a cara, acabaram por ter de aceitar as penalizações e enveredar por uma greve silenciosa mesmo transportando um dístico onde se podia ler que “o seu maior valor é a vida”.

Os trabalhadores da Kudumba exigiram “igualdade de tratamento sem olhar para a cor nem para a raça” seguidos por um punhado de funcionários do grupo MBS que se questionavam porque os “empregados do homem mais rico de Moçambique recebem salário mínimo”.

Aprumados e mais avantajados os trabalhadores bancários, um dos sectores mais bafejado pelos aumentos salariais, preferiram destacar o próximo congresso do seu sindicato quiçá porque os bancos parecem imunes à crise e continuam a dar lucros.

Um dos grupos mais vistosos no desfile, pelo número de presentes, foi o dos trabalhadores das empresas de construção que continuam a lutar contra a sua precaridade dos seus empregos e por mais segurança nos locais de trabalho.

Trajando camisetes de bones de qualidade muito boa os trabalhadores das empresas estatais fazem deste desfile – que começou na avenida 25 de Setembro, contornou a avenida guerra popular e terminou na praça dos trabalhadores – um passeio de praxe: Electricidade de Moçambique, Linhas Aéreas de Moçambique, Rádio Moçambique, Televisão de Moçambique… só faltaram mesmo os funcionários da Empresa Moçambicana de Atum, da Proindicus e da Mozambique Asset Management (MAM).

“(…) Ao celebrarmos o 1a de Maio deste ano constatamos que a situação pouco evoluiu. As expectativas dos trabalhadores não foram correspondidas de forma efectiva”, disse Alexandre Munguambe, secretário-geral da Organização dos Trabalhadores Moçambicanos (OTM) repetindo o discurso de sempre “que o custo de vida continua insustentável para a maioria dos trabalhadores” mas sem apontar os verdadeiros responsáveis pela crise que o nosso país está a enfrentar, talvés por isso tenha discursado apenas para os seus convidados no palanque pois os trabalhadores já há muito haviam abandonado o local.

O momento mais alto teria sido o desfilar de uma viatura com vários cartazes criticando os empréstimos contraídos secretamente por empresas estatais e avalizados pelo Governo de Armando Guebuza violando a Constituição e a Lei Orçamental mas a Polícia da República de Moçambique, que esteve em todo o percurso do evento apoiada pelas Forças Especiais, retirou o carro alegórico do cortejo e deteve para interrogatório os mentores.

Munguambe, que no seu discurso culpou a guerra pela crise económica que todos os dias fica mais grave, alinhou no discurso governamental e afirmou que os trabalhadores moçambicanos não querem pagar a factura da dívida comercial contraída por empresas de forma pouco transparente.

“As empresas devedoras devem ser operacionalizadas e rentabilizadas para assumirem o seu pagamento integral. Encorajamos o Governo a continuar com os esclarecimentos devidos em matéria da dívida externa e evidar esforços no sentido de restaurar a confiança junto da sociedade moçambicana e dos parceiros de cooperação internacional”, acrescentou o secretário-geral da OTM.

http://www.verdade.co.mz/tema-de-fundo/35-themadefundo/57798-otm-diz-que-os-trabalhadores-mocambicanos-nao-querem-pagar-as-dividas-da-ematum-proindicus-e-mam-mas-impede-desfile-de-quem-a-critica

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O Observatório

Este observatório é uma iniciativa do Grupo de Estudos Africanos vinculado ao Instituto de Relações Internacionais da Universidade de Brasília (GEA/IREL-UnB), que busca refletir sobre a vida política, social e econômica da África contemporânea, com destaque para sua inserção internacional. Preocupando-se com o continente marcado pela diversidade, o Grupo de Estudos Africanos, por meio do Observatório, propõe um olhar crítico e compreensivo sobre temas africanos, em suas mais diversas dimensões.
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