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Crise humanitária, PALOP, Política

Nyusi diz que é preciso diálogo com Renamo antes de mediação internacional


O Presidente da República, Filipe Nyusi, defendeu hoje que é preciso dialogar com a Renamo, maior partido de oposição, sobre a crise política e militar que abala o país antes de se falar de mediação internacional.

“Se chegarmos a um momento em que há um litígio, um antagonismo em que as pessoas não se acreditam, então fica necessário dar o passo que está à altura”, afirmou Nyusi, numa conferência de imprensa conjunta em Maputo com o Presidente português, Marcelo Rebelo de Sousa.

Respondendo a uma pergunta sobre a possibilidade de Portugal se envolver na mediação da crise com a Renamo (Resistência Nacional Moçambicana), o Presidente moçambicano disse não ter ouvido uma “disponibilidade aberta” de Marcelo Rebelo de Sousa, mas referiu que o homólogo português “está disposto a dar todo o tipo de ajuda” a Moçambique.

Segundo Filipe Nyusi, antes disso, é necessário retomar o diálogo com a Renamo, “falando primeiro para entender a essência do que se passa, o que se pretende e, sobretudo, como fazer”, assinalando que “”sociedade civil, “amigos e vizinhos, independentemente de ser formal ou não”, já estão a aconselhar os dirigentes moçambicanos.

“Os portugueses já estão disponíveis para todo o tipo de apoio quando Moçambique precisar e não é apoio para matar pessoas”, declarou.

O chefe de Estado moçambicano referiu-se também “aos amigos internacionais” dispostos a ajudar e alcançar a “paz absoluta”, mencionando que, das conversações com Marcelo Rebelo de Sousa, as delegações dos dois países concordaram que “exercer a democracia armada não é recomendável”.

Observando que Marcelo Rebelo de Sousa pode circular a pé em Maputo e cumprimentar as pessoas, o Presidente moçambicano destacou que, no centro do país, os cidadãos não sabem se vão voltar às suas casas, quando saem de manhã, “devido a ações dos homens armados da Renamo”.

A Renamo ameaça governar à força nas seis províncias onde reivindica vitória nas eleições gerais de 2014, acusando o partido no poder, a Frente de Libertação de Moçambique (Frelimo), de ter protagonizado uma fraude eleitoral no último escrutínio.

Nyusi disse hoje que “o conflito, o litígio, a confusão” nasceram com a não aceitação dos resultados de umas eleições que, sustentou foram “livres, proclamadas e que tiveram observadores nacionais e internacionais e cobertura da imprensa”.

Nos últimos meses, Moçambique tem conhecido um agravamento da violência política, com relatos de confrontos entre o braço militar da Renamo e as Forças de Defesa e Segurança e acusações mútuas de raptos e assassínios de militantes dos dois lados.

Várias emboscadas atribuídas à Renamo nas principais estradas do centro de Moçambique levaram as autoridades a reativar escoltas militares obrigatórias em dois troços na província de Sofala da N1, a principal via do país.

O líder da Renamo, Afonso Dhlakama, encontra-se presumivelmente na serra da Gorongosa, província de Sofala, desde o final do ano passado e exige a mediação da África do Sul, União Europeia e Igreja Católica para ultrapassar o atual impasse político.

http://noticias.sapo.mz/info/artigo/1473643.html

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Este observatório é uma iniciativa do Grupo de Estudos Africanos vinculado ao Instituto de Relações Internacionais da Universidade de Brasília (GEA/IREL-UnB), que busca refletir sobre a vida política, social e econômica da África contemporânea, com destaque para sua inserção internacional. Preocupando-se com o continente marcado pela diversidade, o Grupo de Estudos Africanos, por meio do Observatório, propõe um olhar crítico e compreensivo sobre temas africanos, em suas mais diversas dimensões.
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