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Angola, Economia

Produção de sal em Angola para a exportação

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Fotografia: Fernando Oliveira | Baía Farta
Três unidades de produção de salinas existentes na região da Baía Farta nomeadamente, Calombolo, Chamume e Macaca, que nos últimos anos beneficiaram de empreitadas para ampliação em dimensões que variam dos 50 a aos 100 hectares de terra, para a extracção de sal marinho bruto na ordem de 40 mil toneladas ano, empregam mais de cinco mil trabalhadores.
A localidade está a gerar riqueza e a satisfazer as necessidades da população, evitando desta maneira o êxodo dos cidadãos para os grandes centros urbanos. Aliás está a acontecer o inverso, hoje já há pessoas provenientes de Luanda e de outras regiões a procurar trabalho na Baía Farta disse à reportagem do Jornal de Angola o director Provincial das Pescas, José Gomes.
A organização e estrutura da produção salineira tem vindo a alterar-se consoante o evoluir dos tempos, quanto aos métodos de extração como a níveis econômicos, mas José Gomes diz que devem ser implementados outros instrumentos que venham a promover a eficácia nos serviços públicos na região.
A actividade pesqueira no município da Baía Farta é o ramo mais antigo, definindo a imagem da infra-estrutura econômica e, juntamente com as actividades de salga e seca de peixe, congelação e produção de sal, o que mais tem contribuído para a subsistência da população.
O peixe seco, o congelado e o sal são os principais produtos “importados” para as províncias do Centro, Leste e Norte do país.
Chegou a altura de conhecer os desafios que a produção do sal já conquistou, por isso a reportagem do Jornal de Angola, na companhia do director provincial da Pescas, esteve na Baía Farta, para saber em que ponto está o plano de crescimento que decorre por via do investimentos estratégicos do Executivo para sector salineiros, onde a meta é criar muitos postos de trabalho e reduzir a pobreza.
A Baía Farta está a reorganizar o mercado de oferta do cloreto sódio, uma frente sustentável por apresentar as condições climáticas que favorecem o aproveitamento econômico do recurso natural existente e já criou mais de cinco mil postos de trabalho directos e indirectos.
“Com este ajustamento primário no âmbito do reforço da capacidade instalada, torna as unidades de produção, cada vez mais sólidas e progressiva ate ao ano 2017 como prazo de meta a cumprir, altura em que o sector pretende atingir o saldo produtivo só em Benguela, na ordem das 60 mil toneladas e estamos no caminho certo para atingir um excelente momento de produção, para pensarmos na exportação em grande escala” disse José Gomes.

 

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Os empresários têm de apostar na melhoria da produção e tratamento, tais como os métodos de processamento e embalamento, factores que são determinantes no preço de venda. Normalmente, o sal vendido em grandes quantidades é mais econômico, visto que as embalagens não possuem requinte comercial, é preciso que se invista na fábrica de embalagens. O sal marinho é o tipo de sal cuja produção e venda são mais baratas pois os custos de recolha e processamento são menores.
O resultado das reformas estruturais no sector salineiro permitiu a iniciativa empreendedora de alguns cidadãos nacionais para a criação de seis novos projetos que pretendem criar novas unidades produção de cloreto sódio. Para José Gomes, isto é um indicador positivo que demonstra o interesse de cidadãos nacionais e estrangeiros que pretendem empreender neste segmento empresarial com fortes perspectivas de marketing comercial do produto nacional.

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Estas políticas começaram a dar frutos no quadro do Plano Nacional de Desenvolvimento 2013-2017, uma vez que, a economia neste segmento de atividade começou a crescer de novo e a criação de postos de trabalho foi retomada, é muito bom para região que, através do Corredor do Lobito, o sal transportado pelo caminho de ferro de Benguela, chegue até fora das nossas fronteiras, asseverou José Gomes.
Para fortalecer estas bases sólidas de canteiros de sal e construir sobre elas outras centenas, o Executivo adoptou esta estratégia de médio prazo destinada a garantir que a produção de cloreto de sódio no país suba para 98 mil toneladas até 2017.
Os principais objectivos das reformas no ramo de salinas é aumentar os ganhos de competitividade, criar as condições para galvanizar mais postos de trabalhos, e tornar o sal um dos produtos de exportação no mercado regional da África Austral e para Ásia, Europa, sem duvida vamos conseguir levar o nosso produto para outros países. O vasto programa que o Executivo identificou para o sector das pescas passa pela melhoria das infra-estruturas e destinam-se a flexibilizar a economia e protegendo-a contra o atual momento de crise que o país atravessa e sob os imprevistos em período de escassez do sal, o empreendedorismo e a inovação são objetivos prioritários para o desenvolvimento da actividade extração do cloreto de sódios.

 

A produção de sal de modo tradicional ocorre com maior estabilidade no período seco. Nos meses de Fevereiro, Março e Abril chove com maior intensidade em todo o país, o que torna um período mau para os produtores de sal.
O final da temporada chuvosa assinala a retomada dos preparativos do arranque da produção e tem lugar no mês de Maio.A preparação das marinas é uma fase muito importante que permite a rentabilização na qualidade e quantidade do sal recolhido. Como a colheita é manual, o marnoto (salineiro) pode apanhar o sal, com a ajuda do rodo, instrumento de limpeza, até ao fundo do talho.
O processo preparativo começa com a entrada da água do mar em reservatório por altura das marés-altas, que se destinam aos canteiros das salineiras, Calombolo, Chamume e Macaca, onde acontece produção de sal marinho bruto.

Comuna de Chamume

A comuna de Chamume corresponde a um dos centros de produção de sal mais importantes não só de Benguela como também de toda a Angola. É uma actividade importante e com longa tradição.
Os produtores querem deixar paulatinamente os métodos de produção artesanal e buscar tecnologia moderna, para evitar onerosidade com os custos de produção através de acções tradicionais de extracção do sal.

 

Acredita-se que o sal tenha começado a ser usado há cerca de cinco mil anos, tendo-se destacado em países como a Babilónia, o Egipto, a China e em civilizações pré-colombianas. Já nas sociedades primitivas da Europa, a sua extracção ocorreu na idade do bronze no entanto, o seu uso era restrito às populações costeiras. As reservas sujeitavam-se a períodos de escassez, determinados por condições climatéricas adversas e por períodos de elevação do nível do mar, dificultando o seu acesso.
O sal era considerado um produto escasso e precioso, sendo vendido a peso de ouro. Em diversas ocasiões, foi usado como moeda para compras e vendas.

De entre os exemplos históricos mais antigos, o mais conhecido nomeia o costume romano de pagar em sal parte da remuneração dos soldados, o que deu origem à palavra salário. Apesar da existência e do domínio do sal, os produtos perecíveis não recebiam um tratamento adequado para conserva. A existência da defumação, procedimento tradicional de conservação dos alimentos feito em fogão a lenha como método de conserva, não era suficientemente eficaz e porventura, a salga oferecia uma novidade, alterava o potencia de hidrogênio (pH), inviabilizando o crescimento de microrganismos nos alimentos.
O sal tem proporcionado assim, ao longo dos séculos, um enorme desenvolvimento econômico e tecnológico, relativamente à sua extração, a nível mundial uma vez que é utilizado para fins tão diversos como a indústria de plásticos, de sabões, de conservas e mesmo na agricultura ou alimentação de animais.

Corrente Fria de Benguela

A Corrente Fria de Benguela exerce, também, um papel importante no desenvolvimento da atividade pesqueira do município da Baía Farta. A política de desenvolvimento do sector das pescas define estratégias de recuperação dos principais recursos pesqueiros, com aplicação de planos de gestão que incluem a limitação das capturas e do esforço de pesca, a par com o estabelecimento de áreas de pesca e de períodos de interdição.

http://jornaldeangola.sapo.ao/reportagem/producao_de_sal_para_a_exportacao

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O Observatório

Este observatório é uma iniciativa do Grupo de Estudos Africanos vinculado ao Instituto de Relações Internacionais da Universidade de Brasília (GEA/IREL-UnB), que busca refletir sobre a vida política, social e econômica da África contemporânea, com destaque para sua inserção internacional. Preocupando-se com o continente marcado pela diversidade, o Grupo de Estudos Africanos, por meio do Observatório, propõe um olhar crítico e compreensivo sobre temas africanos, em suas mais diversas dimensões.
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