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Angola, Economia, PALOP

Patrice Trovoada confiante no êxito do diálogo com os angolanos face à crise comum

Kumuênho da Rosa | Bernardino Manje | e Leonel Kassana |
30 de Abril, 2016

Fotografia: Mota Ambrósio

Os líderes dos Governos de Angola e de São Tomé e Príncipe reuniram-se ontem em Luanda. José Eduardo dos Santos e Patrice Emery Trovoada conversaram em privado, na Cidade Alta, enquanto as delegações ministeriais dos dois países mantinham conversações oficiais num outro compartimento do Palácio Presidencial.

 

Sobre o conteúdo da conversa entre os dois líderes nada foi divulgado. O primeiro-ministro são-tomense fez apenas um pequeno resumo da sua visita de 48 horas a Angola, já no Aeroporto Internacional 4 de Fevereiro, em que destacou os laços de amizade e irmandade entre os dois países e povos. Falou também dos desafios comuns como a crise financeira resultante da queda do preço do petróleo no mercado internacional.

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Patrice Trovoada expressou a sua confiança em como, dentro de poucos meses, Angola e São Tomé e Príncipe vão superar a crise econômica e financeira. Mas alertou que até lá vai ser necessário “consentir alguns sacrifícios” para fazer face ao atual momento.

Os dois países enfrentam uma crise profunda devido à quebra nas receitas do sector petrolífero. Uma situação que não é exclusiva de Angola e de São Tomé e Príncipe, referiu Patrice Trovoada, para quem os poderes legítimos escolhidos pelo povo de Angola e São Tomé e Príncipe têm a situação sob controlo e tudo estão a fazer para ultrapassá-la. “É preciso ajustar as coisas, temos de fazer alguns sacrifícios, mudar alguns hábitos, trabalhar mais e ser mais rigorosos”, defendeu o Chefe do Governo são-tomense, para quem apenas a capacidade de sofrer, num período específico e por razões que todos conhecem, é que vai permitir que surjam dias melhores no futuro.

Alinhar a cooperação

Patrice Trovoada disse que a sua visita a Angola permitiu fazer um “realinhamento na cooperação entre os dois países, em função da atual crise econômica e financeira”, num quadro que considerou favorável já que as relações entre os dois países são fraternas e tradicionais. “São Tomé e Príncipe e Angola continuam cada vez mais próximos. Cada um com as suas dificuldades, o nosso coração bate ao ritmo do coração dos angolanos, na alegria ou nas dificuldades”, referiu.
Ainda sobre a crise econômica e financeira, Patrice Trovoada afirmou que o povo santomense compreende perfeitamente as causas da mesma e tem consciência de que só com trabalho é possível sair da situação difícil em que se encontram todos os países produtores de petróleo. A despedir-se do Primeiro-Ministro são-tomense no Aeroporto 4 de Fevereiro estiveram o ministro angolano das Relações Exteriores, Georges Chikoti, e o embaixador de São Tomé e Príncipe em Angola, Damião Vaz.

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Ideias claras na CPLP

As diplomacias de Angola e de São Tomé e Príncipe vão trabalhar juntas na elaboração de uma proposta de alteração dos estatutos da CPLP, especialmente a redacção do artigo 18.º que se refere ao Secretariado Executivo, anunciou ontem, em Luanda, o ministro das Relações Exteriores, Georges Chikoti. Em declarações à imprensa, ladeado pelo seu homólogo de São Tomé e Príncipe, Manuel Salvador dos Ramos, Chikoti considerou essa alteração aos estatutos da CPLP uma prioridade que vai ajudar a organização a evitar “situações difíceis” como a que dominou a sessão extraordinária do Conselho de Ministros realizada em Março.
A reunião resultou num acordo em que São Tomé e Príncipe preside ao Secretariado Executivo no primeiro mandato e abdica do segundo mandato a favor de Portugal. De recordar que a maioria das diplomacias da CPLP opôs-se à pretensão de Portugal de avançar com uma candidatura ao órgão executivo, por ir contra o espírito dos estatutos que apesar de nada dizerem em relação ao assunto, foram aprovados com um acordo tácito de que o país sede, precisamente por isso e por fornecer o maior número de funcionários, devia abdicar de concorrer à presidência do Secretariado Executivo.
O Secretariado Executivo é tratado no artigo 18.º dos Estatutos da CPLP. Diz o artigo que o Secretário Executivo é uma alta personalidade de um dos Estados membros da CPLP, eleito para um mandato de dois anos, mediante candidatura apresentada rotativamente pelos Estados membros por ordem alfabética crescente, e o mandato é renovado por mais dois anos.
Segundo o argumento português, a lógica da sucessão por ordem alfabética dos secretários-executivos e das presidências pelo nome dos países, determinada pelos estatutos, podia colocar uma dificuldade para os países africanos, já que o período 2016-2018 em que o Brasil assume a presidência ‘pro tempore’ e Portugal o secretariado-executivo da CPLP, resultaria em que pela primeira vez desde a fundação da Comunidade, nenhum país africano assumiria estes cargos de coordenação.
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Cooperação saudável

Sobre a reunião ministerial realizada no Palácio da Cidade Alta, o ministro dos Negócios Estrangeiros de São Tomé e Príncipe disse que serviu para uma abordagem global sobre a cooperação entre os dois países e também definir aspectos que vão ajudar a reforçar os laços de amizade entre os dois povos. “Chegamos à conclusão de que estamos no bom caminho e as nossas relações gozam de boa saúde.”
O ministro angolano considerou a cooperação com São Tomé e Príncipe uma das melhores da política externa angolana, pela dinâmica e pela diversidade de aspectos.  “A nossa cooperação é boa. Cooperamos na área das finanças, dos petróleos, cultura, enfim. A nossa Assembleia Nacional aprovou recentemente um novo acordo no domínio da formação de efectivos da Polícia de São Tomé e Príncipe, e nós vamos naturalmente cumprir esse compromisso”, afirmou Chikoti.

Golfo da Guiné

Georges Chikoti acrescentou que a cooperação com São Tomé e Príncipe estende-se ao plano internacional, onde tem existido, como disse, uma série de concertações e partilhas de ideias e de interesses a nível da CPLP, da União Africana e da Comissão do Golfo da Guiné.
O ministro das Relações Exteriores fez saber que Angola e São Tomé e Príncipe estudam a possibilidade de apoiarem candidatos comuns a nível do Golfo da Guiné, para ver se a Comissão melhora o desempenho com a participação dos governos dos dois países.

Antes de ir à Cidade Alta para o encontro em privado com Presidente da República, José Eduardo dos Santos, o Primeiro-Ministro de São Tomé e Príncipe foi ao Porto de Luanda inteirar-se do funcionamento da Sonangol Integradet Logistic Services, Limitada (SONILS). Trata-se de uma infra-estrutura moderna que ocupa uma área de dois milhões de metros quadrados e que é hoje uma referência na indústria petrolífera angolana, acolhendo inúmeras empresas do sector e outras de prestação de serviços.
Patrice Trovoada foi informado sobre a exploração dessa empresa que opera em segmentos como carga e descarga de navios, aluguer de equipamentos para a indústria petrolífera, e infra-estruturas de apoio como escritórios e diversos armazéns.
A SONILS serve de suporte logístico para os blocos petrolíferos Girassol, Dália, Rosa, Pazflor e Xixomba, bem como diversos blocos (2, 3, 4 e 34) da Sonangol Pesquisa & Produção, 18 e 31 da BP, 15 e 33 (Esso), 0 (Chevron) e outros.

http://jornaldeangola.sapo.ao/politica/patrice_trovoada_confiante_no_exito_face_a_crise_comum

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O Observatório

Este observatório é uma iniciativa do Grupo de Estudos Africanos vinculado ao Instituto de Relações Internacionais da Universidade de Brasília (GEA/IREL-UnB), que busca refletir sobre a vida política, social e econômica da África contemporânea, com destaque para sua inserção internacional. Preocupando-se com o continente marcado pela diversidade, o Grupo de Estudos Africanos, por meio do Observatório, propõe um olhar crítico e compreensivo sobre temas africanos, em suas mais diversas dimensões.
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