São Paulo – O Acordo de Comércio Preferencial entre o Mercosul e a União Aduaneira da África Austral (SACU), promulgado no início do mês de abril, compreendendo África do Sul, Botsuana, Lesoto, Namíbia e Suazilândia, deve aumentar a competitividade dos produtos brasileiros em países sul-africanos, segundo análise da Thomson Reuters que acaba de ser concluída. O acordo prevê a concessão mútua de preferências tarifárias, que deve aumentar a demanda de importação e exportação entre os mercados.

 Marcos Piacitelli - Thomson Reuters

Para o especialista em Tratados de Livre Comércio na Área de Negócios de Comércio Exterior da Thomson Reuters, Marcos Piacitelli, “o acordo vai garantir ao Brasil maior competitividade em diversos setores, tais como automotivo, têxtil, siderúrgico, químico e de bens de capital, na qual hoje a exportação brasileira já é composta, em sua grande maioria, por bens industrializados destes mencionados segmentos”, afirma.

“Segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, a média anual das exportações brasileiras dos últimos cinco anos supera US$ 1,5 bilhão. Isso mostra a relevância desse acordo”, finaliza.

A expectativa do mercado é que, com esta iniciativa, a SACU aumente sua participação nos resultados de comércio exterior do Brasil que, no período de 2012 a 2014 (antes do acordo), representou 11% de toda exportação nacional, segundo informações do MDIC com base nos dados da SACU de importações provenientes do Brasil.

“Somente no primeiro bimestre mais as duas primeiras semanas de março deste ano, o Brasil exportou US$ 354.244.321 milhões e importou US$79.709.694 milhões para este bloco”, finaliza.

Em levantamento realizado pela Thomson Reuters, neste ano (janeiro a março de 2016) os itens mais exportados pelo Brasil à SACU são: milho em grão e veículos em geral, entre outros. Já entres os produtos importados estão a Hulha Antracita (carvão mineral), automóveis em geral e chapas de ligas de alumínio.

Os 5 principais produtos Exportados pelo Brasil para a SACU

Fonte: MDIC

Os 5 principais produtos IMPORTADOS pelo Brasil da SACU

Fonte: MDIC

 

“Muito se fala em exportação como um elemento chave para ajudar o Brasil a retomar uma rota de crescimento de negócios. E realmente pode ser, mas há importantes fatores a serem considerados”, alerta Menotti Franceschini, diretor de negócios de Comércio Exterior da Thomson Reuters.

“Comercio exterior é um setor de alta complexidade que é impactado por mudanças constantes (são aproximadamente 4 mudanças jurídicas e/ou tributarias afetando a gestão do comércio exterior a cada dia útil), e por isso, muitas vezes, as empresas não conseguem acompanhar tudo que poderiam e deveriam para serem mais competitivas ou evitar riscos. Esse foi inclusive um dos achados principais de uma pesquisa recente, realizada pela Thomson Reuters e KPMG em 11 países, em que o Brasil representou 38% das respostas”, alerta o executivo.

O estudo revelou que 70% das empresas ainda não utilizam os Acordos bilaterais existentes – o que mostra que, provavelmente, estão perdendo a competitividade no mercado internacional. Do total de respondentes, 79% mencionaram que os maiores obstáculos para utilização dos FTAs são as complexas regras de origem e a dificuldade para coletar documentação.

“Esses fatores podem ser facilmente gerenciados com plataformas de gestão e workflow, contudo, apenas 1/3 utiliza tecnologia de ponta para gerenciar suas atividades de comércio exterior, perdendo competitividade e deixando de seguir as melhores práticas globais”, comenta Menotti.

Fonte: Thomson Reuters

Acordo entre Mercosul e União Aduaneira da África Austral impactará exportação do Brasil