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Crise em Angola pode pôr em risco combate à Malária

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Crise em Angola pode pôr em risco combate à Malária
Um investigador do Instituto de Higiene e Medicina Tropical, em Lisboa, alertou hoje para o risco de a crise em Angola se traduzir num desinvestimento no controlo da malária, levando a um aumento rápido da doença.
Em entrevista à Lusa a propósito do Dia Mundial da Malária, que se assinala na segunda-feira, Henrique Silveira, que, em Novembro, recebeu uma bolsa da Fundação Bill e Melinda Gates para um estudo na área da malária, ressalvou não ter indicação de que Angola esteja a desinvestir no programa de controlo da malária. No entanto, lembrou, “sempre que há dificuldades econômicas, há um desinvestimento na saúde e, nesse caso, a malária pode sofrer”.
Angola vive atualmente uma grave crise financeira e econômica, decorrente da quebra da cotação do barril de crude no mercado internacional.
O risco para o controlo da malária agrava-se por Angola enfrentar também o maior surto de febre-amarela dos últimos 30 anos.
“Quando os recursos são escassos, se há mais do que uma frente para tomar conta, pode ser um perigo real, porque, embora os números da malária sejam muito melhores do que há uma década, se deixarmos de investir”, há um risco de retrocesso, afirmou Henrique Silveira.
Exemplificou com o caso de São Tomé e Príncipe, que teve dois programas muito eficazes de combate à malária, um na época colonial e outro nos anos 1980, mas devido ao desinvestimento os números voltaram a subir muito rapidamente.
“Se há que gerir orçamentos, a tendência é dizer ‘está controlado, vamos cortar um bocadinho’, só que esse bocadinho pode fazer a diferença”, reiterou.
O último relatório mundial sobre a malária, divulgado em Setembro pela Organização Mundial da Saúde, estima que Angola tenha registado um decréscimo de entre 50 e 75% na incidência da doença entre 2000 e 2015.
Também na mortalidade, Angola passou de 9.510 mortos em 2000 para 5.740 em 2014.
Apesar disso, com mais de 15 óbitos por malária por dia, o país é o 8º. do mundo com maior número de mortes por malária.
Para o investigador do IHMT, o mais importante no combate à malária “é que os indicadores vão descendo de maneira contínua e de forma a que no futuro não voltem a subir”.
“A palavra chave é a sustentabilidade, não interessa de um ano para o outro ter uma grande diminuição se no ano seguinte houver um grande aumento”.
A malária é uma doença que pode ser fatal, provocada por um parasita transmitido aos humanos por uma picada da fêmea do mosquito Anopheles.
Apesar de ser evitável e curável, e apesar de a taxa de mortalidade ter diminuído 60% nos últimos 15 anos, a malária mata hoje mais de 400 mil pessoas por ano, sobretudo crianças na áfrica subsaariana.
Em 2015, 3,2 bilhões de pessoas, quase metade da população mundial, estavam em risco de contrair a doença.
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Este observatório é uma iniciativa do Grupo de Estudos Africanos vinculado ao Instituto de Relações Internacionais da Universidade de Brasília (GEA/IREL-UnB), que busca refletir sobre a vida política, social e econômica da África contemporânea, com destaque para sua inserção internacional. Preocupando-se com o continente marcado pela diversidade, o Grupo de Estudos Africanos, por meio do Observatório, propõe um olhar crítico e compreensivo sobre temas africanos, em suas mais diversas dimensões.
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