Para mitigar o impacto do actual momento económico e financeiro, a Sonangol garante reforçar as medidas de controlo das suas despesas. No ano passado, a receita total da concessionária nacional foi de Kz 2,2 Bilhões, uma queda de 34% em comparação com 2014.

Numa altura em que os preços do barril do petróleo no mercado internacional se mantêm na “casa” dos USD 33, a Sonangol, que esta semana, celebra os seus 40 anos de actividade, divulgou os seus resultados e anunciou que terá um “2016 bastante difícil”. Para manter o plano estratégico definido para o presente ano económico, a Sonangol vê-se obrigada a rever os seus projectos de investimentos e a livrar-se de “activos e negócios não nucleares”. A informação foi avançada, esta Quarta-feira pela concessionária nacional num comunicado.

A Sonangol, sublinha o documento, “espera um crescimento da produção petrolífera que por certo será acompanhada por uma substancial redução do preço do petróleo bruto”, o que faz antever que “os resultados e o desempenho financeiro da empresa continuarão sob forte pressão”. Para lidar com este cenário difícil, a Sonangol diz que vai manter as medidas do ano passado “para a redução do custeio e que serão reforçadas em 2016, a revisão de alguns projectos de investimentos e o recurso à opção de descontinuidade de activos e negócios não nucleares”.

A receita da empresa pública registrou uma queda de 34 % e os lucros recuaram 45%. “Os resultados e o desempenho financeiro da empresa continuarão sob forte pressão”, lê-se na nota. Para mitigar o impacto, a Sonangol garante que vai “reforçar” este ano as medidas de controlo da despesa iniciadas no ano passado, para além de outras iniciativas, com o objectivo de manter “as condições de equilíbrio financeiro e para explorar a necessária margem para continuar a investir”.

“A receita total da Sonangol em 2015 foi de Kz 2,2 bilhões, cerca de 34% inferior à receita total de 2014” e o EBITDA (resultado operacional) “reduziu-se em 45%”, de acordo com o comunicado. No documento, a Sonangol diz que produziu 649,5 milhões de barris em 2015, o que representa uma média de 1,77 milhões de barris por dia, o que traduz um aumento de 6% face à produção do ano passado.

O acréscimo é explicado “principalmente pela entrada em produção de novos campos no bloco 14 (Lianzi), bloco 15 (Satélites – Kizomba II) e bloco 17 (MPP Rosa e Dália 1A), assim como pelo consistente desempenho operacional nos blocos 17, 18 e 31”. Na apresentação dos resultados a petrolífera informou igualmente que “a produção de gás natural decresceu em 8%, fixando-se em 507.293 TM (toneladas métricas), num ano em que a unidade industrial de gás natural líquido na cidade do Soyo se manteve paralisada”. Exportou 223,5 milhões de barris, “que ao preço médio de USD 50 por barril permitiu uma arrecadação bruta de USD 11,1 mil milhões, o que representou uma diminuição de 54% em relação a 2014”.

Sonangol perde mais de USD 1,12 mil milhões e Angola exporta a USD 37,6 o barril

Este vai ser mesmo um ano muito difícil para a Sonangol. Em Janeiro, a receita da concessionária reduziu-se em Kz 178,3 bilhões, o equivalente a USD 1,12 bilhões ao câmbio corrente, relativamente à receita apurada em igual mês de 2014. O confronto com Janeiro de 2015 também não é brilhante: menos Kz 26,4 bilhões, o equivalente a cerca de USD 167 milhões.

Também a receita petrolífera total deu um tombo em dois anos. Na comparação de Janeiro de 2014 com Janeiro deste ano regista uma redução de Kz 222,6 bilhões, o equivalente a USD 1,4 bilhões. A responsabilidade cabe, como não podia deixar de ser à quebra no preço médio do barril exportado, que passou de USD 42,17 no último mês de Dezembro para USD 37,665 em Janeiro de 2016.

Em Janeiro, o volume de exportação até aumentou relativamente a Dezembro, situando-se em 54,7 milhões de barris. Só num mês de 2014 este valor foi superado. Em 2015 por três meses se atingiu a fasquia de 54 milhões de barris e só em Setembro se atingiu um volume de exportação superior a 55 milhões de barris.

Executivo dá “luz verde” a petrolífera nacional para pesquisar no Bloco 48/16

A Sonangol vai usufruir dos direitos mineiros para prospecção, pesquisa, desenvolvimento e produção de hidrocarbonetos líquidos e gasosos na área do Bloco 48/16, no offshore angolano. O Decreto Presidencial que dá respaldo legal a essa concessão foi aprovado na quarta-feira desta semana, pelo Executivo angolano, durante a 2ª sessão ordinária do Conselho de Ministros, orientada pelo Presidente da República, José Eduardo dos Santos.

http://opais.co.ao/sonangol-perde-mais-de-usd-1-biliao-em-dois-anos/