.
arquivos

Arquivo para

FMI alerta governo são-tomense para “alto risco” de sobre-endividamento

FMI alerta governo são-tomense para "alto risco" de sobre-endividamento

O Fundo Monetário Internacional (FMI) alertou o governo são-tomense para o “alto risco” do sobre-endividamento e a necessidade do executivo limitar as subvenções a fundo perdido e financiamentos em condições favoráveis.

São Tomé, 29 set (Lusa) –

A preocupação do FMI surge numa altura em que o executivo são-tomense se prepara para lançar uma nova campanha para atrair novos parceiros públicos e privados para apoiar o seu programa de investimentos públicos.

O alerta do FMI consta de um comunicado de imprensa, divulgado uma semana depois de uma missão desta instituição ter-se deslocado a São Tomé e Príncipe para debater a evolução económica e apoiar o executivo são-tomense na preparação do orçamento para 2016.

Segundo um comunicado de imprensa, o FMI constatou que o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em 2015 poderá fixar-se abaixo dos 5% previstos.

O FMI sublinha também que a atividade económica no arquipélago conheceu um “desaceleramento” durante os primeiros seis meses deste ano devido à aprovação tardia do Orçamento do Estado (OE) de 2015.

Segundo ainda aquela instituição econômica internacional, a desaceleração contribuiu para o atraso na execução de projetos-chave de investimento público e a redução da atividade econômica teve impacto negativo na arrecadação da receita fiscal na primeira metade do ano.

A situação pode colocar em risco os objetivos fixados de atingir 2,7% do PIB para o défice primário geral no final deste ano.

A nota de imprensa refere que as atuais tendências nas atividades econômicas privadas poderão manter-se, a inflação deverá continuar a descer, impulsionada por uma procura agregada mais fraca, “apesar da superior depreciação da dobra (moeda local) em relação ao dólar americano”.

A inflação homóloga caiu de 6,4%, em finais de dezembro de 2014, para 5% em final de agosto passado e as reservas internacionais do Banco Central foram estimadas em 4,5 meses de cobertura das importações, concluindo o FMI que “permanecem em níveis confortáveis”.

Relativamente à redução da atividade econômica, que teve um impacto negativo na arrecadação fiscal na primeira metade do ano, o FMI cita o governo são-tomense como reconhecendo a necessidade de “preservar a disciplina orçamental, e a disponibilidade para “introduzir medidas adicionais para aumentar a arrecadação de receita fiscal e onde é necessário conter a despesa recorrente”.

Essas medidas, segundo o FMI visam “respeitar o défice primário doméstico previsto para 2015”.

O comunicado da missão do FMI a São Tomé, que foi chefiada por Mawell Opoku-Afari, conclui que informou o executivo do primeiro-ministro Patrice Trovoada da importância de garantir que o orçamento de 2016 “preserve a consistência com os parâmetros acordados ao abrigo do novo programa de facilidade alargado de crédito.

CPLP apoiam Brasil na corrida a membro do Conselho de Segurança

18032758

Os estados-membros da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) apoiam o Brasil na “corrida” a um lugar de membro permanente no Conselho de Segurança das Nações Unidas, disse hoje à Lusa o chefe da diplomacia portuguesa, Rui Machete.
“Nos discursos da Assembleia-Geral que fiz nos dois últimos anos insisti nesse ponto e, desta vez, o Presidente (da República) Aníbal Cavaco Silva voltou a insistir”, afirmou Machete.

O ministro dos Negócios Estrangeiros português falou à Lusa após a reunião de hoje dos chefes da diplomacia da organização lusófona, na sede das Nações Unidas, em Nova Iorque.

“Este é um ponto em que consideramos que se justifica que o Brasil e outros países, cuja dimensão e importância nas relações internacionais e economia mundial, tenham a sua presença como membro no Conselho de Segurança (CS). Estamos ainda longe de uma visão da ONU nesse sentido”, comentou.

A reforma do CS teve início com o então secretário-geral da ONU, Kofi Annan (1997-2007), e se arrasta desde então.

O homólogo brasileiro, Mauro Vieira, reforçou que há um apoio dos países lusófonos tanto para a reforma do CS como do pleito brasileiro.

“Não há dúvida. (Este apoio) já foi expresso em mais de uma ocasião, inclusive em documentos oficiais. Todos os países apoiam o pleito brasileiro de reforma do CS e de o Brasil tornar-se membro permanente do Conselho”, disse à Lusa.

Atualmente a Comissão para a Consolidação da Paz da ONU na sua Configuração Específica para a Guiné-Bissau é presidida pelo brasileiro Antônio Patriota, ex-ministro das Relações Exteriores, o que pode fortalecer o papel internacional do Brasil.

“O Brasil ajuda no diálogo, na criação de consenso e dá apoio a resoluções negociadas, sobretudo com a participação de forças políticas e interessadas de cada país. A vocação do Brasil é dialogar e trazer nossas experiências para a solução dos problemas em outros países. Temos uma herança cultural e social comum que facilita a comunicação”, reforçou.

No seu discurso na Assembleia-Geral, nesta segunda-feira, o Presidente Cavaco Silva não só defendeu a reforma do CS como também saiu em defesa de que a língua portuguesa seja incluída como idioma oficial da ONU.

“O Conselho de Segurança desempenha um papel primordial neste âmbito [na resolução de conflitos e garantia dos direitos humanos]. Para que possa desempenhar da forma mais eficaz o seu mandato, deve refletir as realidades do nosso Mundo, o que pressupõe um alargamento de ambas as categorias de membros, a par de uma revisão dos seus métodos de trabalho”, disse.

E ainda declarou que a língua portuguesa é “um veículo de comunicação global e economicamente relevante, na qual se exprimem cerca de 250 milhões de pessoas da Ásia à Europa, da África à América na sua vida quotidiana. É também língua oficial e de trabalho em diversas organizações internacionais, nomeadamente em algumas das agências especializadas das Nações Unidas. A legítima ambição da CPLP é ver a língua portuguesa como língua oficial das Nações Unidas”.

http://www.noticiasaominuto.com/mundo/460444/cplp-apoiam-brasil-na-corrida-a-membro-do-conselho-de-seguranca

EUA: Angola apela ao apoio internacional para processo de paz no Sudão do Sul

Nova Iorque (Dos Enviados especiais) – As autoridades angolanas encorajaram nesta terça-feira, em Nova Iorque, a comunidade internacional a conceder um apoio positivo ao processo de paz em curso na República do Sudão do Sul.

NOVA IORQUE: MINISTRO DAS RELAÇÕES EXTERIORES, GEORGES CHIKOTI

FOTO: PEDRO PARENTE

Segundo o ministro das Relações Exteriores, Georges Chikoti, que intervinha na Reunião de Alto Nível sobre o Sudão do Sul, co-presidida pelo Presidente americano, Barack Obama, e pelo Secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, o país deve ser apoiado, invés de receber sanções, pois seriam contraproducentes.

De igual modo, argumentou o ministro, elas arriscariam a exacerbar a situação e fragilizar o Acordo de Paz, ameaçando com isto a estabilidade da Região e todo o processo de normalização política, institucional, económica e social que se almeja.

De igual modo, fez um apelo para a mobilização de recursos financeiros e outros, tendo em vista o aumento da assistência humanitária a favor do Sudão do Sul, e o número crescente de civis deslocados devido ao conflito.

Ainda em relação a isso, pediu às partes em conflito no Sudão do Sul mais empenho na acção e esforço para consolidar a paz e a segurança.

“Os caminhos a trilhar para se ultrapassarem as contradições existentes são os da paz, unidade nacional, reconciliação, direito à diferença, inclusão social e política, justiça social e do desenvolvimento”, argumentou.

Consideramos que essas são as vias que podem conduzir os irmãos desavindos do Sudão do Sul ao termo do conflito e à normalização da situação.

Em nome do país e da Presidência da Conferência Internacional sobre a Região dos Grandes Lagos (CIRGL), saudou ainda a iniciativa que visou promover o apoio internacional para a implementação do Acordo sobre a resolução do conflito na República do Sudão do Sul.

Acrescentou que a situação política e de segurança na República do Sudão do Sul tem sido dominada, nos últimos tempos, pelas negociações políticas entre o Governo e o movimento rebelde, com vista a alcançar a estabilidade e a paz duradoura nesse país.

Neste sentido, referiu que a 10ª Sessão Extraordinária do Comité Interministerial da Conferência Internacional sobre a Região dos Grandes Lagos, realizada a 25 de Setembro, em Nova Iorque, analisou a situação política e de segurança que prevalece nalguns países da região, entre os quais a República do Sudão do Sul.

Salientou que “a ocasião permitiu fazer uma análise da situação vigente nesse país e trocar pontos de vista”.

Neste contexto, segundo Georges Chikoti, os Estados membros da Região exortaram o Governo da República do Sudão do Sul e os rebeldes a implementarem o Acordo de Paz que assinaram voluntariamente, dia 26 de Agosto de 2015, assim como os compromissos que subscreveram para uma paz duradoura.

Disse ainda que foi encorajada a Autoridade Intergovernamental para o Desenvolvimento – IGAD – a garantir o acompanhamento da aplicação desse Acordo, cuja implementação os países da região se comprometem a apoiar.

Para o ministro, a 70ª Sessão da Assembleia Geral ocorre num momento de profundas transformações da agenda internacional.

No que tange à manutenção da paz e segurança internacionais, disse Georges Chikoti, embora se reconheça o papel principal do Conselho de Segurança das Nações Unidas, consolida-se a visão de que a liderança deve ser concedida aos actores regionais e sub-regionais na resolução de conflitos e crises.

Reforçou que devem trabalhar todos no sentido de consolidar a consciência de que as guerras não servem para resolver os problemas que afectam os respectivos povos.

Antes pelo contrário, acrescentou, “as guerras só servem para os agravar ainda mais e para criar traumas e ressentimentos que levam muito tempo a superar”.

Ainda hoje, o ministro das Relações Exteriores participou no Fórum para Construção da Paz, no quadro da 70ª Sessão da Assembleia Geral.

http://www.portalangop.co.ao/angola/pt_pt/noticias/politica/2015/8/40/EUA-Angola-apela-apoio-internacional-para-processo-paz-Sudao-Sul,bde73af1-fc07-409e-9bba-87da7ebb5cb6.html

Exército de Burkina Faso retoma quartel de militares golpistas

mw-860

O Exército de Burkina Faso tomou nesta terça-feira o quartel da Guarda Presidencial, cujos membros tentaram um golpe de Estado em 17 de setembro passado e ainda resistiam a entregar as armas depois do fracasso da medida de força.

“O governo da transição (…) faz um apelo para que se reforcem a reconciliação e a unidade nacional”, informou um comunicado divulgado agora à noite e que promete um balanço “posterior”.

O comunicado acrescenta que “foram liberados praças e campos ocupados” pelo golpista Regimento de Segurança Presidencial (RSP), a Guarda Pretoriana do ex-presidente Blaise Compaoré – “sobretudo, o acampamento Naaba Koom”.

O líder do golpe militar abortado, general Gilbert Diendéré, declarou à AFP que teme “muitos mortos” no assalto.

O Exército regular “sacou a artilharia (…) Fizeram fogo de imediato. Infelizmente, havia famílias, a clínica (no campo). Deve haver muitos mortos e feridos”, acrescentou.

Ainda não há um balanço da ofensiva até o momento.

Diendéré garantiu que se colocará “à disposição da Justiça” e disse que não estava no quartel.

Uma fonte militar disse à AFP que o Exército regular continuava à noite uma operação de “pente fino” no enorme campo que cerca o palácio presidencial.

“A situação está tranquila. Invadimos. Não houve confronto. (Os ex-golpistas) deixaram o quartel”, situado perto do Palácio Presidencial em Uagadugu, informou o chefe do Estado-Maior, general Pingrenom Zagre.

O quartel de Naaba Koom II foi o lugar onde se entrincheirou o Regimento de Segurança Presidencial (RSP) com a intenção de conservar suas armas para negociar em uma posição de força.

Diendéré é um general muito próximo ao ex-presidente Blaise Compaoré, que governou Burkina Faso durante 27 anos. Ele foi afastado do poder por uma revolta popular no ano passado.

Desde então, esse país africano viveu submetido a uma grande insegurança política.

A tentativa de golpe de Estado deixou cerca de dez mortos e mais de 100 feridos.

Depois do golpe, no qual foram detidos o presidente do período de transição, Michel Kafando, e seu primeiro-ministro, Isaac Zida, o governo dissolveu o RSP, uma exigência da sociedade civil há 15 anos.

O desarmamento da RSP não aconteceu como exigia o governo e o Parlamento provisório. Alguns soldados golpistas não queriam entregar suas armas sem garantias sobre sua segurança e a de suas famílias. A guarda conta com cerca de 1.300 soldados.

A tensão militar foi crescendo até que, nesta terça, o Exército fechou o aeroporto, instalou blindados e soldados na zona central da capital e bombardeou o campo militar da RSP.

Depois do golpe e da investigação sobre o ocorrido, o Parlamento ordenou a detenção de Djibrill Bassolé, ex-chanceler de Compaoré. Tanto Bassolé quanto Diendéré e sua mulher, Fatu Diallo Diendéré, sofreram o embargo de seus bens no sábado. A mesma medida foi adotada contra o Congresso para a Democracia e o Progresso (CDP) de Compaoré.

A União Africana cancelou a suspensão de Burkina Faso e anulou a aplicação de sanções contra os promotores do golpe. A UA advertiu, contudo, que essas sanções “podem ser reativadas a qualquer momento”.

https://br.noticias.yahoo.com/ex%C3%A9rcito-burkina-faso-retoma-quartel-militares-golpistas-000859210.html

Ex-líder golpista de Burkina Faso anuncia fim de ataque do Exército

General Gilbert Diendéré diz que irá se apresentar à justiça.
Seus soldados estavam entrincheirados em base em Ouagadougou.

Soldados patrulham a base militar Naaba Koom, em Uagadugu, Burkina Faso, na terça (29) (Foto: Reuters/Arnaud Brunet)Soldados patrulham a base militar Naaba Koom, em Ouagadougou, Burkina Faso, na terça (29) (Foto: Reuters/Arnaud Brunet)

Ex-líder dos golpistas, o general Gilbert Diendéré, responsável pelo fracassado golpe de Estado em Burkina Faso, declarou nesta terça-feira (29) à AFP que o ataque do exército contra uma caserna onde estavam entrincheirados seus homens havia “terminado”.

Por telefone, o general Diendéré, declarou que “o ataque terminou no campo de Naaba Koom II”, anexo ao palácio presidencial de Ouagadougou.

“Vou me colocar à disposição da justiça de meu país”, acrescentou, sem fornecer maiores detalhes.

Pouco antes, ele havia pedido a seus homens que depusessem as armas “para evitar um banho de sangue”.

Já o exército havia anunciado que daria “uma última chance” aos golpistas entrincheirados para se “render e evitar um confronto”.

Após a queda, em outubro de 2014, do presidente burkinense Blaise Campaoré e da instauração de um período de transição democrática, multiplicaram-se os pedidos de dissolução do Regimento de Segurança Presidencial (RSP), unidade de elite do exército responsável pelo golpe de Estado frustrado.

O golpe foi abortado na quarta-feira passada, depois que unidades leais às autoridades de transição avançaram para a capital para se opor ao RSP.

O presidente interino de Burkina Faso, Michel Kafando, e o premiê, Isaac Zida, que tinham sido detidos pelos golpistas no palácio presidencial, retomaram suas funções durante cerimônia oficial na quinta-feira em Uagadugu, assim como o restante do governo e do Parlamento interino.

Soldados do governo de Burkina Faso patrulham subúrbio de Uagadugu, após soldados que participaram de um golpe para derrubar o presidente perderem o controle da região, na segunda (29) (Foto: AP Photo/Theo Renaut)Soldados do governo de Burkina Faso patrulham subúrbio de Ouagadougou, após soldados que participaram de um golpe para derrubar o presidente perderem o controle da região, na segunda (29) (Foto: AP Photo/Theo Renaut)

“Acordo Ortográfico entra em vigor em Cabo Verde e será irreversível”

Academia das Ciências e Humanidades de Cabo Verde1
O novo Acordo Ortográfico da língua portuguesa entra na quinta-feira, oficialmente, em vigor em Cabo Verde, o segundo país a pô-lo em prática, após Portugal, numa mudança que será “faseada e irreversível”, segundo o ministro da Cultura cabo-verdiano.
Em entrevista à agência Lusa, Mário Lúcio Sousa disse que, agora, o acordo será obrigatório, mas estimou que a velha grafia da língua portuguesa só desaparecerá definitivamente do país em 2020.

“Não é uma atitude que se possa exigir com ruturas. Há também previsão de que a implementação seja faseada. Assim como se previu uma fase de transição de seis anos (de 2009 a 2015), estamos a prever um período até 2019/2020 para a implementação paulatina do acordo ortográfico”, sustentou Mário Lúcio Sousa.

O ministro esclareceu que o período de implementação paulatina será para o país erradicar “de vez” a velha grafia. Será adotado um Plano de Implementação Complementar, que será executado “de forma concertada e articulada” entre os diferentes intervenientes (Estado, Comunicação Social e estabelecimentos de ensino).

O AO (Acordo Ortográfico) foi aprovado no Conselho de Ministros cabo-verdiano em 2009, mas o Governo aprovou um período de transição de seis anos, altura em que as novas regras foram utilizadas dispersamente e através de corretores, em alguns departamentos da administração pública e nalguns jornais “online” do país.

O ministro garantiu à Lusa que estão criadas todas as condições para o país começar a escrever apenas com base nas novas regras da língua portuguesa, mas a partir de agora o Governo de Cabo Verde promoverá sessões de esclarecimento para professores, estudantes, funcionários, jornalistas, corpo diplomático, entre outros.

Irá também disponibilizar conversores ortográficos e outros instrumentos que facilitem o uso do AO, bem como um guia de utilização dirigido aos meios de comunicação social, que será fornecido pelo Instituto de Linguística Teórica e Computacional de Lisboa, que tem um protocolo com o Instituto da Investigação e do Património Culturais (IIPC) de Cabo Verde.

O executivo cabo-verdiano irá adotar a nova grafia em toda a correspondência oficial do Estado, em todos os órgãos de comunicação social, designadamente, jornais e televisões e Boletim Oficial.

Mário Lúcio Sousa reconheceu que o novo acordo terá implicações nas gráficas, nos escritores, nas editoras, nas escolas, mas o país está num “ponto de não retorno”.

“É melhor nós avançarmos e depois trabalharmos as outras questões, porque não vejo que o acordo venha a ser anulado, por exemplo. Cabo Verde tem essa tradição de nós avançarmos e um país com poucos recursos não pode vacilar nessas situações”, salientou.

Em declarações à agência Lusa, dois diretores de escolas secundárias na Cidade da Praia recordaram que há mais de um ano que estão a fazer as diligências para avançar com as novas regras da escrita da língua portuguesa, pelo que se espera que a sua implementação será normal e sem muita resistência.

“Agora, o nosso dever, enquanto responsável da escola, é esclarecer, sensibilizar e incentivar a implementação e, depois, conforme as regras e orientações do Ministério da Educação, a escola terá que avançar, engajar-se e colaborar nesse sentido”, disse Fernando Pinto, diretor da Escola Secundária Cesaltina Ramos, com cerca de 1300 alunos.

Dizendo que até agora há uma “mistura de escrita” e que será feito um trabalho com os professores de Língua Portuguesa para consciencializar os alunos com as novas formas de escrita do português, Maria José Pires, diretora do liceu Pedro Gomes, explicou, entretanto, que será uma “transição natural e sem resistências”.

O ministro disse que Cabo Verde não encontrou dificuldades para implementar o novo acordo e destacou o apoio de organizações, como o Instituto Internacional de Língua Portuguesa (IILP), com sede na Praia, a Comissão Nacional das Línguas, órgão consultivo do Governo no que toca à política linguística, bem como o Ministério das Relações Exteriores (MIREX).

O acordo, firmado em 1990, já foi ratificado pela maioria dos países lusófonos, sendo que em Angola ainda não foi aprovado pelo Governo, em Portugal entrou em vigor em prática em maio último e no Brasil está previsto para 01 de janeiro próximo.

http://www.noticiasaominuto.com/mundo/460520/acordo-ortografico-entra-em-vigor-em-cabo-verde-e-sera-irreversivel

TPI abre processo contra dirigente da Republica Democrática do Congo por suborno de testemunhas

Haia – O processo por suborno de testemunhas pelo antigo Vice-Presidente da República Democrática do Congo (RDC), Jean-Pierre Bemba, e quatro dos seus próximos será aberto nesta terça-feira pelo Tribunal Penal Internacional (TPI), a primeira acção do género a ser instruído pelo TPI.

“Os acusados participaram num plano para corromper as testemunhas”, 14 no total, disse a procurador Fatou Bensouda durante a audiência pública em Haia, sede da TPI.

O objectivo do plano era o “de obter a absolvição” de Jean-Pierre Bemba no processo de crimes de guerra e crimes contra a humanidade, presumivelmente cometidos na República Centro-Africana, que decorre diante TPI desde o ano 2010.

Por outro lado,  são acusados além de Bemba,  Aimé Kilolo, seu advogado principal, Jean-Jacques Mangenda, um membro da sua equipa de defesa, Fidèle Babala, um deputado no seu partido, o Movimento de Libertação do Congo (MLC), e Narcisse Arido, uma testemunha da defesa.

Os cinco homens alegam a sua inocência.

De acordo com a acusação, eles contribuíram em graus diversos no plano de recrutamento de testemunhas, pagando-lhes dinheiro, dando-lhes telefones celulares e instruções quanto ao seu testemunho, ente finais de 2011 e Novembro de 2013.

Trata-se do primeiro processo de suborno de testemunhas aberto pelo TPI, desde a sua entrada em funções 2003, em Haia (Holanda).

Jean-Pierre Bemba, 52 anos, era o coordenador das infracções, segundo o documento do tribunal que arrola as acusações. Kilolo “velava sobretudo para a execução de estratégia global, enquanto Jean-Jacques Mangenda assegurava a ligação entre Aimé Kilolo e Jean-Pierre Bemba.

Babala e Narido tiveram, e jogaram um papel  “mais limitado” nesse caso. O primeiro “ajudava outros suspeitos a gerir os aspectos financeiros da corrupção, enquanto o segundo tinha recrutado as quatro testemunhas.

O processo por crimes contra a humanidade (violação e morte) e crimes de guerra (violação, morte e pilhagens) de Jean-Pierre Bemba foi aberto em 2010 e está sempre em curso.

Ele é acusado por atrocidades cometidos pelas suas tropas do MLC, na República Centro-Africana em entre Outubro de 2002 e Março de 2003, quando foram apoiar o presidente Ange-Félix Patassé, vítima de uma tentativa de golpe de Estado, levado a cabo pelo general  François Bozizé.

Bemba está detido em Haia desde 2008 e os seus co-acusados no processo de suborno de testemunhas que pareciam livres.

http://www.portalangop.co.ao/angola/pt_pt/noticias/africa/2015/8/40/Congo-TPI-abre-processo-Bemba-por-suborno-testemunhas,c310fd38-b096-4258-828a-935b05161698.html

Dez mil moçambicanos são deportados todos os anos da África do Sul

Sadc_2008
Maputo – Pelo menos 10 mil imigrantes ilegais moçambicanos são anualmente deportados da África do Sul para o seu país, informou nesta terça-feira à Lusa o director do Instituto Nacional das Comunidades Moçambicanas no Exterior (INACE).

Anualmente, nós registamos acima de 10 mil concidadãos vivendo ilegalmente na África do Sul que são deportados”, disse à Lusa Armando Chissaque, falando à margem de um seminário sobre a imigração na África Austral, organizado pela União Europeia (UE) e pela Organização Internacional para as Migrações (OIM) em Maputo.

Para fugir dos altos índices de pobreza em Moçambique, a população, principalmente a mais jovem das zonas rurais do sul do país, imigra ilegalmente para “a terra do rand”, como é vulgarmente conhecida, à procura de melhores condições de vida, num país que tem uma das economias mais avançadas de África.

Devido a sua estabilidade econômica, a nível regional, a África do Sul é um dos países que mais recebe imigrantes vindos de várias regiões africanas, mas principalmente dos Estados vizinhos, o que gerou recentemente uma onda de ataques xenófobos, tendo levado pelo menos 1.500 moçambicanos na África do Sul a abandonarem o país.

Para o director do INACE, tutelado pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros e Cooperação, após os episódios da xenofobia, a África do Sul deixou de ser um “eldorado” e o Governo moçambicano tem vindo a envidar esforços para que os seus cidadãos permaneçam no seu país.

“Este problema não pode ser resolvido por um único país, deve existir uma relação entre as partes”, afirmou Armando Chissaque, sustentando que normalmente, logo depois da sua deportação, as pessoas começam a procurar formas para voltar ilegalmente.

http://www.portalangop.co.ao/angola/pt_pt/noticias/africa/2015/8/40/Mocambique-Dez-mil-mocambicanos-sao-deportados-todos-anos-Africa-Sul,a04442d0-4c4c-490b-bf61-34ed7b780cde.html

Ahmad Faqi Mahdi no Tribunal Penal Internacional

al20

28 de Setembro, 2015

Ahmad al Faqi al Mahdi, conhecido como “Abu Tourab”, foi ontem entregue ao Tribunal Penal Internacional (TPI) acusado de crimes de guerra pela destruição de monumentos históricos e religiosos em Timbuktu (Mali), o primeiro caso do género que chega à justiça.

Segundo o grupo de juízes, as autoridades da República da Nigéria transferiram o suspeito, que chegou no sábado ao centro de detenção do TPI, com sede na Holanda.
De acordo com a ordem de detenção emitida em 18 de Setembro pelo tribunal, Ahmad al Faqui al Mahdi é suspeito de crimes de guerra pelos ataques perpetrados em Timbuktu entre 30 de Junho e 10 de Julho de 2012 contra edifícios religiosos e monumentos históricos. Entre os edifícios destruídos figuram nove mausoléus e uma mesquita.
Trata-se do primeiro caso relativo à destruição de edifícios consagrados à religião e de monumentos históricos apresentado perante o TPI.
O tribunal concluiu que as provas apresentadas oferecem “motivos razoáveis” para pensar que Ahmad al Faqui al Mahdi é penalmente responsável por ter cometido essa destruição, individualmente e junto com outras pessoas, e de ter “facilitado ou ajudado a comissão” dos crimes de guerra que lhe são atribuídos.
A ordem de detenção indica que há evidências de que em Janeiro de 2012 começou no Mali um conflito armado durante o qual a cidade de Timbuktu esteve sob o controlo de vários grupos armados, incluindo a Al Qaeda no Magrebe Islâmico (AQMI) e Ansar ed-Dine. O caso contra é também o primeiro no contexto da investigação do TPI sobre a situação no Mali.

http://jornaldeangola.sapo.ao/mundo/ahmad_faqi_mahdi_no_tribunal_penal

Senegalês socorre idosa em trem no RS e chama atenção de passageiros

Imigrante era enfermeiro na África e já está há um ano e meio no Brasil.
Senhora caiu durante trajeto do trem entre São Leopoldo e Novo Hamburgo.

Senegalês presta socorro para passageira do trem (Foto: Ulisses da Motta Costa/Arquivo Pessoal)Senegalês presta socorro para passageira do trem (Foto: Ulisses da Motta Costa/Arquivo Pessoal)

O socorro de um imigrante africano a uma idosa chamou a atenção dos passageiros de um trem que se deslocava de São Leopoldo para Novo Hamburgo, no Vale do Sinos, Rio Grande do Sul. A situação aconteceu na última sexta-feira (25), quando o senegalês Moussa Sene, de 34 anos, voltava para casa e se deparou com um casal de idosos de pé, no vagão lotado.

No caminho, ele encontrou duas amigas, uma delas a jogadora de vôlei Camila Lanner Mapeli, de 34 anos. Poucos segundos depois do trem partir da estação Rio dos Sinos, em São Leopoldo, a idosa caiu e machucou o nariz. Moussa correu até o casal. “A gente disse, ‘espera, espera que ele é enfermeiro'”, diz Camila.

Ela disse várias vezes para mim, muito obrigado, muito obrigado por ter salvo minha vida.”
Senegalês Moussa Sene, de 34 anos

O africano, que trabalhava como enfermeiro no seu país de origem, levantou a mulher e a colocou em um dos bancos do trem. A idosa tinha dificuldades para respirar e reclamava de dor de cabeça, o que indicava uma crise de pressão alta. Com as mãos, ele passou a medir os batimentos cardíacos da idosa. Em seguida, deu água para a passageira e, aos poucos, a mulher começou a melhorar.  “Ele fez tudo isso com um tranquilidade impressionante”, diz Camila.

O trem parou na estação Santo Afonso, em Novo Hamburgo, onde a idosa foi atendida por funcionários da Trensurb. Já Moussa e as duas amigas seguiram para o Centro da cidade. Antes de deixar o vagão, a idosa agradeceu a atenção do imigrante. “Ela disse várias vezes para mim ‘muito obrigado, muito obrigado por ter salvo minha vida’. Acho que se tivesse passado mais alguns minutos, ela não teria sobrevivido”, conta Moussa.

Agora a intenção do imigrante é conhecer a idosa que ele ajudou. “A gente não sabe o nome da senhora nem nada. Ela iria se encontrar com o filho em Novo Hamburgo e acabamos nos desencontrando quando ela desceu na estação Santo Afonso”, explica Camila.

Senegalês quer voltar a trabalhar com enfermagem
A ideia do senegalês é de voltar a trabalhar com enfermagem. Já deixou alguns currículos na Região de Metropolitana de Porto Alegre, com a ajuda das amigas, mas até o momento não teve nenhum retorno positivo. Há cerca de cinco meses, o imigrante trabalha em uma fábrica de bebidas em Sapucaia do Sul.

Parte do salário é transferida, de três em três meses, para manter a família que ficou no Senegal: a esposa de 23 anos e os dois filhos, uma menina de 2 anos e um menino de 5 anos.  Futuramente, o imigrante pretende trazê-los para morar no Brasil. “Sinto muita saudade deles, muita mesmo”, relata o africano.

O imigrante está há 18 meses no Brasil. Desembarcou em São Paulo, onde ficou apenas uma semana. Em seguida, foi para Cascavel, no oeste do Paraná. Por lá, trabalhou em um frigorífico, mas achou o trabalho muito pesado e, depois de um mês, resolveu apostar em uma nova mudança, agora para o Rio Grande do Sul. Em Caxias do Sul, na Serra gaúcha, ficou um mês e 15 dias. Depois se dirigiu para Novo Hamburgo, onde está até hoje.

Homem faz post no Facebook sobre imigrante senegalês  

O atendimento do senegalês à passageira do trem foi flagrado pelo diretor e produtor Ulisses da Motta Costa, que em sua página do Facebook, relatou o que aconteceu dentro do vagão. O post acabou ganhando repercussão e, por volta das 15 horas deste domingo (27), já tinha sido compartilhada por 20 mil pessoas. O relato recebeu 45 mil curtidas e rendeu 2,6 mil comentários.

Ulisses conta que, após a idosa desembarcar na estação Santo Afonso, conversou com o imigrante.  “Ele foi enfermeiro durante 15 anos na sua terra natal. (…) Ele a manteve deitada no chão numa posição que aliviava a pressão das artérias, até ela melhorar. Ele achava que, se ela não tivesse recebido atendimento rápido, poderia morrer em 10 minutos”, relata o diretor. O produtor questionou se o diploma do africano era válido no Brasil, o que foi confirmado pelo Moussa.

No final da conversa, ele agradeceu a presença do imigrante em sua cidade. “Disse para ele: ‘que bom que tu estavas aqui’. E disse: ‘seja muito bem-vindo'”, relatou Ulisses. “Enquanto alguns acham que eles “trazem doença” (sim, já li isso), que são terroristas, que são treinados para a guerra; um deles fez mais pela humanidade em cinco minutos do que este tipo de crápula fará sua vida inteira”, complementa.

http://g1.globo.com/rs/rio-grande-do-sul/noticia/2015/09/senegales-socorre-idosa-em-trem-no-rs-e-chama-atencao-de-passageiros.html

O Observatório

Este observatório é uma iniciativa do Grupo de Estudos Africanos vinculado ao Instituto de Relações Internacionais da Universidade de Brasília (GEA/IREL-UnB), que busca refletir sobre a vida política, social e econômica da África contemporânea, com destaque para sua inserção internacional. Preocupando-se com o continente marcado pela diversidade, o Grupo de Estudos Africanos, por meio do Observatório, propõe um olhar crítico e compreensivo sobre temas africanos, em suas mais diversas dimensões.